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sexta-feira, abril 25, 2014

Bells 2013

[Aproveitando a deixa do Bells de 2014, publico aqui a resenha Facit do evento de 2013]


O indomável

Horas depois da extraordinária vitória do Adriano de Souza em Bells, a imprensa estrangeira tentava, ainda meia tonta, explicar o que todos acabavam de testemunhar.
Afinal de contas, Bells é o evento mais tradicional do mundo, mais de 50 anos sem parar, e a lista dos seus vencedores é a mais verdadeira lista de surfistas de ponta que há, mais ainda que a lista dos campeões mundiais da ASP.
Vejam só, Nat Young, Terry Fitzgerald, Jeff Hackman, MP, Mark Richards, Simon Anderson, Cheyne Horan, Carroll, Curren, Pottz, Occy, Sunny, Hoy, Dorian, Andy, Taj, Slater, Parko, Fanning...
Foi Shane Dorian que cunhou a famosa frase, Nenhum prego jamais venceu em Bells, naturalmente  defendendo seus interesses, mas isso não vem ao caso.
Adriano conhece bem a história dos eventos da ASP e tem como objetivo, alem do óbvio título de campeão mundial, fincar bem seu nome como grande surfista nos principais campeonatos do circuito.
Poucas horas depois do Mineiro literalmente quebrar o sino, o saite do jornal Tracks, quase tão antigo quanto o Rip Curl Bells Easter classic, descrevia a seguinte cena:
No banquete comemorativo dos 50 anos do campeonato de Bells, foram convidados todos campeões desde 1962, homens e mulheres.
Na oportunidade, foi lançado tambem o livro Bells, a praia, o campeonato e os surfistas do Michael Gordon (irmão daquele simpático câmeraman que entretia a todos com assovios e sorrisos).
Mineiro comprou um livro e foi, de mesa em mesa, catando os autógrafos de cada um dos campeões, mostrando respeito e devoção pela história do esporte que lhe deu tudo.
Essa é uma diferença fundamental entre Adriano e todo resto da sua geração e mais jovens, respeito pela história.

Filipe, o pequeno grande Homem

Alguem ainda se recorda das dúvidas que pairavam em torno do Filipe Toledo ?
Responsável por uma das manobras mais impressionantes de todo campeonato, Filipinho surfou com total abandono em Bells e só não mais à frente por ter enfrentado o melhor surfista de todo evento, Jordy Smith.
Precisamos apenas de cuidado ao tentar avaliar as ondas do rapaz e levar em consideração que, mesmo com um surfe de altíssimo nível, Toledo ainda tem muito o que aprender no tour.
O primeiro ano de todos debutantes é para absorver toda e qualquer informação que puder, mesmo que, como Bobby Martinez, ele vença um evento.
Um quinto em Bells é um belo começo.


O poderoso Panda

Ainda melhor do que ver Willian Cardoso bater Slater numa bateria sensacional, foi ler os comentários atônitos dos gringos perguntando sobre o Panda.
Aonde se escondia esse cara ?
Finalmente um surfista power de verdade saindo do Brasil
É o novo Richard Cram
Como esse cara não está no circuito mundial ?
As respostas são faceis.
Cardoso não se escondia, apenas competia no WQS, circuito solenemente ignorado pela imprensa e até mesmo pela própria ASP.
Um circuito sem prestígio nenhum como o WQS é praticamente um limbo entre o mais completo anonimato e os top 32.
Tirando dois ou tres eventos pingados no planeta Prime, o resto não serve nem pra encher a barrinha do lado nos maiores saites de surfe por aí.
O Panda é um produto desse circuito desalmado que serve tambem como uma espécie de organização militar, onde os cadetes devem se submeter aos mais enlouqecidos desejos dos mais graduados em nome duma possível aceitação.
Os top 32 são os oficiais, a turma do WQS são os recrutas e as grandes marcas, o estado maior.
Willian Cardoso era um recruta dedicado, seria o equivalente a um sargento hoje, tem mais horas de batalha que muito malandro nos top e deseja os escalpes com mais fúria e paixão do que todos americanos e australianos juntos.
O que acontece com o Panda hoje é a mesma coisa que passou Tiago Pires antes de entrar no tour, sempre perto da vaga, sempre batendo na trave e surfando tanto quanto seus pares no WCT.
Voltando a bateria contra Slater, Cardoso mostrou ao público com quantos litros d'água se faz uma cachoeira.
Enquanto Slater buscava os tubos apertadinhos, o Panda enterrava seus quase 90 kilos de músculos na parede do bowl de Bells e deixava todos boquiabertos.
O resultado foi uma derrota com gosto especial de merda para o careca, justo no ano que ele anunciou estar comprometido.
E desta vez, não tinha juíz pra culpar, nem falta de ondas, nem prancha...

Raoni Gigante

Juro que não aguento mais ouvir os locutores se referindo ao Raoni como matador de gigantes.
Raoni não é matador de gigantes, Raoni É um gigante!
Ele mesmo escreveu isso no twitter depois de vencer Joel Parkinson.
A lista de baixas é grande e do mais alto nível, Slater em Portugal, Fanning, Occy, Parko, todos quando disputavam títulos.
Raoni é o tipo de sujeito que cresce nesse ambiente de tensão.
Coisa de quem tinha que cair, desde pequeno, nos maiores mares em Itaúna, uma das ondas mais fortes do Brasil.
O cara ganhou um evento em Sunset, por Deus do Céu!
Evitem se referir ao Raoni com essa expressão cafona e ridícula que os gringos inventaram por absoluta falta de recursos no próprio idioma.
Raoni é um gigante, Pôrra!

Ao meu comando

Steve Shearer, meu jornalista predileto nesse mundinho cão das coberturas do WCT, aproximou-se do Mineiro e disparou, como voce está se sentido agora que toda atenção da imprensa é dedicada ao Gabriel Medina e seu futuro título mundial.
Ainda estávamos nas primeiras fases e Adriano respondeu altivo, É verdade, todos falam dele, mas se voce perceber, nos últimos cinco anos, estive sempre nos top 5. Não sou mais uma zebra. Eu sou candidato ao título.
Mineiro poliu seu surfe aos poucos e foi se livrando da sua cavada em dois tempos para o Bells deste ano, claramente observando o que funciona e o que não funciona no julgamento.
Um amigo meu disse que Mineiro compete com o livro de regras debaixo do braço e está coberto de razão.
A inteligência do Adriano vai bem mais longe do que enxergam nossos pobres companheiros de imprensa.
Mineiro sabe como ler uma onda e como estudar seu ataque pra cada uma delas, ao contrário de algum dos seus adversários que confiam somente no talento.
Voce não se mantem nos top 5 sem muito esforço instinto competitivo.
Vitórias em Jeffreys, Supertubos e agora Bells.
Adriano crava seu nome no Olimpo não apenas como maior competidor brasileiro de todos tempos, mas um dos maiores e mais ferrenhos competidores de todos tempos.
Seu nome agora figura ao lado do Nat Young, Terry Fitzgerald, Jeff Hackman, MP, Mark Richards, Simon Anderson, Cheyne Horan, Carroll, Curren, Pottz, Occy, Sunny, Hoy, Dorian, Andy, Taj, Parko, Fanning e Slater.
E em 2013, ninguem está mais próximo dum título mundial do que Adriano de Souza.

10 fatos que (tambem) marcaram o Rip Curl Pro Bells 2013

1 - Adriano venceu seu primeiro evento para seu novo patrocinador, a marca cearense Pena - todo investimento já teve retorno.

2 - Alejo voltou ao seu melhor e deve voltar pros top 10

3 - Carissa Moore fez chover em Bells e dificilmente perde o título em 2013

4 - Apesar da vitória da Carissa, Steph ainda tem a linha mais pura e bela em Bells - podemos incluir aqui mais da metade dos top 32.

5 - Nat Young sentiu-se em casa nas direitas geladas de Bells, mas a ajuda do Maurice Cole foi preciosa.

6 - A cara do CJ quando Mineiro usou corretamente a prioridade na terceira fase foi uma das cenas mais divertidas do evento

7 - O vigor com que Adriano badalou o sino até quebrar!

8 - Jornalistas australianos e americanos finalmente mostraram respeito, e arrisco até dizer, reverência ao surfe brasileiro.

9 - Parko jogou fora mais uma das suas providenciais vantagens depois da derrota do Careca

10 - Chupa Careca!


quinta-feira, agosto 01, 2013

Encontros e Desencontros

Yes, nós temos banana...Banana pra dar e vender...



[Texto escrito em dezembro de 2012, uns bons meses antes da revista Surfer publicar o press release maquiado em jornalismo do Sean Doherty - Leia aqui.
Afora a excelente aquisição do Circuito de ondas grandes, nada se sabe alem disso e tudo se especula...]

Sim, a notícia ganhou as manchetes de todos saites mundo afora, a ASP tem um parceiro para tornar o surfe profissional ainda maior do que já é - para o alto e avante!
Por que o leitor deve preocupar-se com isso ?
Que diferença faria se o circuito mundial acabasse depois de amanhã ou se a Quiksilver, Billabong e Rip Curl fechassem as portas ?
Uma coisa é certa, passariámos imensamente menos tempo colados no computador.
Sem brincadeira, não mudaria rigorosamente nada para 99.8 % dos surfistas de verdade.
Talvez piores pranchas, roupas de borrachas de qualidade inferior para o consumidor menos exigente e calções e camisetas de gosto, e funcionabilidade, duvidoso.
Não haveria menos gente no mar, nem os caras mais chatos da sua praia, ou da minha, parariam de encher teu saco quando a série sobe no melhor dia do ano.
Quando foi anunciado o acordo (ou pré contrato) da ZoSea com a ASP os furiosos das redes sociais foram à loucura.
Toda sorte de teoria de conspiração foi especulada.
O fato do manager do Kelly Slater, Terry Hardy (um dos sócios da ZoSea, junto com Paul Speaker), ter sido um dos articuladores do tal Rebel Tour em 2009 tem dado o que falar.
O rebel tour, ou circuito rebelde numa pobre tradução, veio à tona quando o circuito ainda tinha 44 surfistas e provocou imediatamente a redução do número dos tops, fora a já extinta rotação.
Brodie Carr, que tinha o cargo de algo como presidente da ASP na época, diz ter negociado pessoalmente com Slater para mante-lo no circuito ainda em 2009.
Um ano depois, Brodie pediu o boné e Slater continuou para o 11º e, quem sabe, 12º.
Os rumores do rebel tour não foram muito alem do que meramente rumores.
Surfistas como Jamie O'Brien, incapaz de se qualificar para o WCT, jogaram lenha na fogueira que nunca pegou fogo.
O acordo agora anunciado com fogos de artifício prevê completa cessão dos direitos da ASP para uma empresa sem nenhum histórico em administração, promoção ou venda neste tipo de negócio.
Hardy é notório por fechar bons contratos para seus atletas e artistas, será capaz de vender um circuito inteiro ?
A enorme onda que varre o preço das ações da grandes empresas de roupas de surfe e a crise do mercado de varejo tornou as nossas gigantes em gatinhos mansos que, de uma hora pra outra, abriram mão dos seus direitos de imagem e transmissão dos eventos onde investiram algo como 400 milhões de Dólares nos últimos 20 anos.
Alguem é ingênuo suficiente para acreditar nisso ?
E a ASP, por outro lado, parece mãe de miss depois do concurso, esfregando as mãos, prevendo grandes contratos e uma vida plena de sucesso e aventuras.
Voltemos dezanos no tempo, quando a ASP anunciou com esse mesmo entusiasmo um acordo de dez anos com as gigantes (essas gigantes de verdade) IMG e TWI.
A IMG investiria 50 milhões de Dólares em dez anos e o crescimento do esporte seria inevitável e irreversível.
Não se fala mais nisso.
Aparentemente, o negócio não era assim tão bom e o contrato nem sequer foi assinado.
Ainda antes disso houve outro grande contrato com a SMG (Sportsworld Media Group), que previa 12.75 milhões de investimento.
Meses depois a empresa foi a bancarota com uma queda de quase 90% do preço das suas ações.
Em maus lençóis, a ASP ficou de chapéu na mão, pegou um empréstimo com os atletas e licenciadas para continuar existindo.
Onze anos depois e a ASP ainda paga os últimos vestígios dessa dívida e vai entregar a empresa/associação para a ZoSea com todas dívidas quitadas.
O discurso da ASP sempre foi coerente quando diz que o surfe precisa de patrocínios de fora da indústria do surfe, mas o circuito já teve a Coca-cola como apoiador (não fica muito maior que isso, pois não ?) e de maneira alguma teria conflitos de interesse com as marcas de surfe para promover o surfe como esporte de massas. 
Renato Hickel, tour manager da ASP e um camarada de honestidade inquestionável por todo seu passado no esporte, diz que a ZoSea pretende enfiar 25 milhões de Dólares no circuito mas não pode revelar qual prazo para tal investimento.
Caso o prazo seja, digamos, cinco anos, estamos na mesma situação da década passada.
Cinco milhões de Dólares não paga nem os custos da transmissão de todo circuito.
Uma das grandes questões gira em torno do webcast, a galinha dos ovos de ouro da ASP. O problema é que ninguem sabe ao certo os números exatos porque a ASP, ou as empresas envolvidas, não divulgam estatísticas, como por exemplo, quantidade de pessoas e quanto tempo passam assistindo os campeonatos.
Números vagos são alardeados volta e meia quando atingem milhões de pessoas, mas não sabemos qual é o verdadeiro potencial do produto como negócio lucrativo.
Por enquanto, o que temos, fãs do esporte, é um monte de perguntas.
Por que privatizar justo agora ?
Depois de tantos encontros e desencontros com grandes grupos de mídia, por que escolher uma produtora que tem laços tão fortes com uma das empresas (Quiksilver, por motivos óbvios, 20 títulos mundiais e Speaker ainda faz parte da mesa de decisões) que mais se beneficiou com o Tour ?
A mais curiosa das questões talvez seja, por que o surfe profissional nunca se tornou o que está fadado a se tornar desde que Slater começou a perder cabelo ?
A resposta talvez seja simples, não há pra onde crescer.
Ou há ?

terça-feira, fevereiro 21, 2012

Prologo do World Tour

Hasta Brodie...

Apenas 4 dias nos separam do começo da temporada pra valer. Aquela que decide título mundial e faz os quase 500 malucos ranqueados dar tudo por uma chance nos top 32.
2011 foi um verdadeiro turbilhão de altos e baixos e quando tudo parecia terminado, cai uma bomba de efeito moral que imediatamente arrancou a cabeça do suposto homem forte da ASP.
Passados quase 4 meses, a revista australiana de fofocas Stab publicou uma entrevista exclusiva com Brodie Carr, feita naturalmente pelo seu editor, o sempre tendencioso Derek Rielly.
Rielly adora pautas que podem causar desconforto, exceto, claro, qualquer uma que possa o tornar mal visto por um anunciante ou interromper suas relações íntimas com poderosos que lhe emprestam algum valor de mercado.
Vide o que a Stab fez toda vida com Andy.
A entrevista com o ex-CEO da ASP é uma dessas pérolas do jornalismo tapinha nas costas, cada vez mais comum nas revistas que deixam a turma que vende anúncios mandar no conteúdo editorial - aqui e lá.
Logo ao começar, Derek Rielly pinta um Brodie Carr do mesmo jeito que ele tem sido descrito no seu  reinado na ASP, ou seja, um camarada boa pinta com experiência nas Olimpíadas de Sydney que iria salvar o surfe profissional.
A introdução é uma peça de propaganda que deixaria Goebbels (uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade) orgulhoso - Rielly chega a mencionar a brancura do sorriso do bonitão das tapiocas, sem deixar de enfatizar que foi Renato Hickel que recomendou o dentista pro bendito clareamento.
Tudo na entrevista parece metódicamente calculado para o leitor desavisado da Stab morder a isca, inclusive a parte, ainda na longa introdução, que destaca a altivez do mancebo ao dizer que em seguida ao desastroso anúncio do título do Slater, Hickel pronto para pedir demissão mas Brodie, sendo Brodie, tomou o que seria a atitude correta e entregou o cargo.
Estava salva a honra.
Um leitor mais atento percebe nas entrelinhas que há algo ali que mesmo diate de tanta manipulação escapa ao entrevistador.
>
Vejam essa resposta:
Qual a primeira coisa que voce diria ao novo CEO ?
Que ninguem é seu amigo. Caro novo CEO, voce não tem o apoio de ninguem. A partir de hoje, ou voce consegue apoio ou está condenado.
>
Belo retrato da organização que ele trabalhou, e defendeu, até levar um pé na bunda - ou se demitir, como divulgado.
A mudança radical do perfil dos eventos do WT, cada vez mais próximos dos festivais a la anos 80 que tanto foi combatido por gente preocupada com a qualidade das ondas independente de qualquer coisa, não debatida.
Fora isso, foi interessante saber que o CEO ganha R$30.000.00 por mês, sem contar presentinhos das grandes marcas e viagens pelo mundo com despesas pagas.
Nos quase seis anos que lá esteve, Brodie nunca demonstrou publicamente qualquer insatisfação, até pelo contrário, cada novo evento era celebrado quase como conquistas pessoais.
Sua absoluta ausência dos momentos chave da temporada passada culminou no tragicômico desacerto de São Francisco e os rumores da sua saída ainda são ouvidos nos corredores dos eventos do WT.

Que venha 2012...com Parko e seu caçula, Marley



quinta-feira, março 10, 2011

Primo pobre

Texto publicado no Blogue da Hang Loose







10 de agosto de 2010 fomos surpreendidos com a noticia da volta do Rio de Janeiro ao World Tour e a novidade não acabava ali. O press release, sempre tão alardeado e preciso avisava que teriamos o evento mais rico da temporada, quinhentos mil Dolares de premiação, categoria feminina, o pacote completo.
Em meio ao delirio da Copa do mundo e Olimpiadas, a volta do WT ao Rio parecia ter mesmo grandiosidade e pela primeira vez o primo pobre, Brasil, pagaria a premiação recorde de cento e vinte mil verdinhas americanas ao primeiro colocado.
Ficamos todos orgulhosos.
Até o dia 26 de janeiro de 2011, o Rio de janeiro tinha o campeonato mais rico do ano e foi nesse dia que a ASP soltou outro dos seus reproduzidissimos press realeases.
A manchete dizia, ASP e Quiksilver anunciam evento de um milhão de Dolares em Nova Iorque, ou algo assim.
Em menos de seis meses, o evento carioca passou de maior a segundo maior, por enquanto.
E ao que tudo indica, ninguem esperneou ao ver a cidade de Nova Iorque como etapa do World Tour, ao contrario do que acontecia com o Rio de Janeiro em outros anos - e mais, em NYC não haverá tambem a etapa feminina, como foi gentilmente sugerido no Rio.
O mais curioso de tudo é que em 2011, no ano mais rico e mais cheio de mudanças da ASP, teremos as etapas mais bem pagas em ondas que não se aproximam em nada do Dream Tour original, Rio, NYC e Huntinghton.
Nada de Indonesia, Mexico ou Maldivas no calendario do WT.
Ta claro agora pra quem a banda toca ?

quarta-feira, maio 12, 2010

Cartas ao Zé




[1998, a grande rede servia pra trocar imeios, bater papo nos IRCs (serio ?) e ler confusas previsões de ondas.
O saite Camerasurf tinha fotos das principais ondas todo santo dia.
Zé Augusto Aguiar veio com um papo de escrever colunas pro Camera, o negocio tava começando e tal...
Topei, com condição.
Formato de imeio e sem edição. Zé topou.
Começou assim minha primeira coluna/carta virtual, batizada 'Amizade é o seguinte'.
Ler hoje o que escrevia em 98/99/00 é grande divertimento, dada a empolgação e inocencia que recheavam os textos.
Sinto um pouco falta disso.
Aos poucos a empolgação foi virando sarcasmo e a inocência...avinagrou.
Malandragem é o seguinte foi a continuação da coluna que tive na revista Inside (Sopa de Tamanco), extensão do que comecei a escrever a convite do Bomba (Caneta Pesada) no jornaleco Wet Paper.
Do Wet Paper tenho as melhores memórias. De lá sairam os 3 Cambitos, A Prancha, Trocando as Bordas, Fabio Fabuloso, mas isso já são outros 500.
Aos poucos vou pingando uns textos do final dos anos 90, sem ordem alguma, só pra ver se envelheceram bem]


Zé das candongas,
chegamos ao ano 2000, finalmente. Como foi de reveillon ?
encheu a lata de champanhe ? O meu 31 teve festa cheia de mulheres bonitas, numa casa de cinema, onde os fogos estouravam no chão em vez de estourarem no céu. Não faltou nada, Zé, pra me dar sorte nesse início sei-lá-de-quê, ganhei um beijo (na bochecha, viu!?) da musa carioca dos bem nascidos.
Começo esse ano cheio de otimismo.
Voce sabe que sou um otimista brutal, como gostava de dizer São Nélson Rodrigues - que o palhaço do Jabor copia semanalmente em suas colunas pra enganar trouxa.
Minhas previsões para o ano zero são as melhores que já me acometeram (epa!).
É o seguinte:
1 - os 9 brasileiros no WCT logo serão 10. O gaúcho Rodrigo Dornelles é o primeiro alternate pra subir ao WCT e deve ser convidado assim que alguem se machucar, aposentar, ou resolver seguir carreira em roliúdi.
2 - Teremos, pela primeira vez, mais de um brasileiro nos top 5 do WCT.
3 - Tambem pela primeira vez, os brasileiros terão mais de 3, ou 4, quem sabe 5 ! representantes nos top 16 WCT.
4 - se bobear, o primeiro campeão mundial do século, milênio, década, será brasileiro. E olha que nem precisa bobear tanto...
Agora, voce se pergunta:- a troco de quê, eu afirmo isso ?
Calma, já respondo:
Depois do terceiro lugar do Vitinho em 99, só restaram dois lugares para serem conquistados: vice-campeão e campeão.
Dos 9 brasileiros que estão correndo atrás do prejuízo nos 44, estamos carecas de saber (eu pelo menos estou...) que são todos altamente competitivos, com um ego inchado do tamanho dos peitos da Gisele Bündchen e que nenhum dos 9 vai querer ficar olhando o sucesso do outro de baixo.
Então voce tem o catalizador de tudo isso, Neco Padaratz, que vai chegar botando pra f...
Mas voce acha que o Fabinho Gouveia, Peterson Rosa, Victor Ribas e o Teco aceitam assistir tudo da área V.I.P do campeonato ?
Nada disso. É hora do pau!
Parou pra pensar numa disputa ao caneco de campeão mundial entre brasileiros ? Uma final de campeonato com o mesmo sobrenome, Padaratz.
Tita Tavares vai passar o trator no circuito feminino. A tampinha cearense aguentou o que tinha que aguentar em 99 e vai ganhar o “tour” feminino com alguma folga, antes do Havaí.
Meu consultor,o Bigorna, pede pra escrever que o Paulo Lima vai parar de falar merda na TV.
Bigorna,eu sou otimista mas não sou burro...
abrazzos
Julio



Notas de pé de pagina

• De fato 2000 foi um excelente ano para os brasileiros, Teco terminou em 10º, Herdy em 12º, Peter e Renan em 18 e 19 respectivamente. Melhor, só em 1994, quatro compatriotas (como gostaria Dunga) nos Top 16.

quinta-feira, dezembro 24, 2009

Pro Junior 2010




A questão não é se vamos ganhar mais uma vez o titulo mundial Junior, é o que faremos com ele.


1998 Andy Irons (HI)
1999 Joel Parkinson (AUS)
2000 Pedro Henrique (BRZ)
2001 Joel Parkinson (AUS)
2003 Adriano de Souza (BRZ)
2004 Pablo Paulino (BRZ)
2005 Kekoa Bacalso (HI)
2006 Jordy Smith (ZAF)
2007 Pablo Paulino (BRZ)
2008 Kai Barger (HI)


Mais sobre o assunto, no blogue da Hang Loose.

quinta-feira, agosto 20, 2009

Tio Nick, sempre alerta

By contrast, here’s how the ASP deals with its webcast rights:

It leases the rights to each WCT event franchisee for US$20,000 an event.

It then adds another US$20,000 surcharge which gives the event people the right to flog extra ad space.

That’s US$400,000 per year, which sounds a lot. Truth is, it’s still only a drop in the bucket.

ASP and event sources consistently claim figures of up to a million unique users per event, more at times when an event hits a peak or bungs on something special for the punters. This puts the webcasts at the top of the surf web media heap, roughly equal with the USA-based Surfline.com.

Think about that for a moment. If Surfline.com made only $400,000 a year from its operation, do ya reckon it’d still be in business? Hell no! Its turnover – from advertisers and paid subscriptions – is well into the millions.

It makes you wonder just how much money the events are generating from the webcasts.


E nos comentarios, mais lenha pra queimar -

The events really dont cost the surf brand host anything. Let's take this years rip curl pro as an example.it was co-sponsored by ford, snickers, 'melbourne', and many other smaller brands (chiko roll etc). they probably put in 300g's each... at the moment the only way ford or snickers can get into the surf market is via the event sponsor - not the asp. so it's the surf brands making money from the big corpo's - not the surfers!

E ainda, aproveitando a quinta feira chuvosa, Fred Prawle ataca novamente - desta vez sem muito a dizer

One of the most contentious aspects of the current tour is the number of athletes - 45 - being too many. In an interview with The Australian while passing through Sydney this week, ASP CEO Brodie Carr said the number will be reduced, probably to 32 or 36, but not next year.

"We've got guys who are now qualifying for next year," he said. "It would be unfair of us to turn around and say, you're off. But I think definitely numbers will be smaller in 2011."

sábado, agosto 08, 2009

Pe da letra


He still doesn’t surf up to his free-surfing ability. He peaks early and comes up with excuses why he doesn’t win world titles.
Perry Hatchet sobre Taj Burrow la na Stab (antigoooo pacas, mais de uma semana)

quinta-feira, julho 09, 2009

Bomba!


Foto do Steve Sherman, quem mais ?

[Anyway, my sources are reliable and highly-placed, so remember where you read it first.
The tour, with nine-times world champion Slater as its figurehead, will consist of eight events offering more than a million bucks prize money, as opposed to the current $US300,000 on the ASP Dream Tour, with first round losers walking away with $US40,000.
]

A fonte é das mais fidedignas possiveis, Phil Jarrat não é novo no serviço.
24 livros e 200 anos de experiência o colocam no topo da lista dos melhores escritores do assunto.
Nem a noticia é tão quente assim, segundo outra fonte a ESPN ja namora com um circuito alternativo faz tempo, talvez pelos obstaculos criados para incluir o surfe nos X Games.
Agora com um rumor na rua, o ruído pode virar um tremendo barulho - principalmente vindo d'onde veio e de quem.
Voce leu aqui (e na mais vendida, por acaso, quem sou eu...) sobre as insatisfações do Careca com a ASP e sugestões para um futuro proximo.
Talvez naquele artigo os dois, ESPN e KS9, tivessem outras intenções.
Continua...

PS - Faltou dizer que a noticia foi descaradamente roubada do saite irmão ondas

quarta-feira, abril 15, 2009

Praga de urubu não mata cavalo


Andy tem cartas na manga ?

[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 188>Novembro 2008]

'Se não me virem mais no circuito é porque achei feclicidade em algum outro lugar que não seja a vitória e talvez essa seja a minha maior conquista.'

Essa estranha e previsível frase foi arrancada de ninguem menos que Andy Irons na primeira entrevista concedida depois do seu misterioso e conturbado sumiço na segunda fase do Quiksilver Pro na França.
Quem fez as perguntas foi Lewis Samuels, um camarada que aos poucos vai ocupando espaços deixados (por falta de interesse ?) por Nick, Derek e Sarge (esse último, uma longa história aguardando por desfecho). Samuels perdeu uma grande oportunidade de espetar a onça com vara curta.



Existe enorme especulação sobre o que aflige Andy, afinal de contas ele está pro circuito mundial de surfe profissional como George Foreman estava para o Boxe quando Muhammad Ali voltou para buscar sua coroa e aqui devemos parar e conhecer um pouco melhor essa história.
Foreman foi um dos maiores pugilistas de todos tempos, campeão olímpico em 1968, depois de vencer na estréia por pontos, nocauteou todos seus adversários até a final, quando demoliu literalmente seu oponente, o soviético Joans Cepulis e correu em volta do ringue com uma bandeirinha dos EUA na mão.
Isso numa época agitada de rebeldia e revolta contra posições políticas americanas, internas (racismo) e externas (guerra do Vietnã) expôs o jovem Foreman, então com apenas 19, de capacho pra baixo.
Tornou-se profissional no ano seguinte e apesar da espetacular série de 34 nocautes em 37 lutas, todos logo nos primeiros rounds, nada fazia Foreman um sujeito popular como Ali ou Frazier.
E Joe Frazier, o imbatível e assustador Joe Frazier, seria o próximo oponente de Foreman.
Ninguem imaginava que Foreman, um lutador poderoso mas limitado poderia derrubar Frazier, o homem que levou Ali à lona. Ali era o Deus do boxe e Frazier com uma tática excepcional conseguiu o que parecia impossível e derrotou Ali pela primeira vez para assombro do público.
Se Frazier tinha um recorde de 29/0 e o escalpo de Ali, Foreman tinha muita vontade e uma direita capaz de atravessar uma parede de tijolos.
O resultado do confronto foi uma sequência de 6 knock-downs em dois rounds até o juiz decidir encerrar a luta para evitar uma tragédia, Foreman era capaz de matar Frazier se aquilo continuasse.
Faltava Ali, que na altura já não assustava tanto mas ainda era Ali.
E veio então a famosa luta no Zaire...


Eu vejo a luz...

Andy tem alguma coisa em comum com Foreman, não pelo passado pobre e difícil do pugilista, oposto da celebrada infância e adolescência dos irmãos Irons.
Nada disso. Falo da vocação para vencer, do temperamento 'caguei para o que voces acham, tô aqui é pra ganhar' e do apetite.
Andy não é muito estranho a quedas. No seu segundo ano de WCT, caiu vertiginosamente dos 44 - coincidentemente no mesmo ano que Slater resolveu, para o bem de todos, abandonar o circuito.


Queremos mais disso

quarta-feira, março 04, 2009

Bala, o fino da bossa

Como resistir ?
É uma melhor do que a outra.



Bala, direto da terra de Oz.
Clica no título e...

[Martin Potter, já com o tanque mais cheio que um avião prestes a descolar para uma viagem de longo curso, sentou-se a meu lado a certa altura, e embalado no ambiente, confidenciou-me: “O surf é o único desporto que conheço onde os rivais encontram-se para apanhar bebedeiras nas vésperas das provas. Era assim no meu tempo, é assim hoje em dia.” Pouco depois Kelly, se calhar a sentir que o Animal estava a ficar muito meloso, entornou-lhe o resto da sua Corona cabeça abaixo ao mesmo tempo que pespegava-lhe com outra garrafa, cheia claro, na mão.]

Roubado na cara dura daqui

terça-feira, março 03, 2009

Pim! pa! pum! Cada Bala mata um! La em cima do do Huambo Tem um copo com veneno. Quem bebeu morreu. Quiribi, Quiribi macaco. Macaco quer é boa

Resoluto e imponente, João Valente (como perder a rima?) escreve diariamente da Costa Dourada australiana para informar aos felizes leitores do idioma lusitano (eba!) o que se passa nas areias, n'água e (hip hip hurra!) na coxia do Quiksilver Pro 2009.
Por que esperar mais ? Clica logo
aqui e vai!


Durante a temporada havaiana, falava-se, por exemplo, que esta seria a última vez que a Quiksilver patrocinaria esta etapa da Gold Coast. E com as acções da multinacional da surfwear a caírem de valores na casa dos 20 dólares para menos de dois dólares, quem em seu perfeito juízo poderia duvidar dos rumores. Pois bem, para acabar de vez com as especulações, a Quiksilver anunciou que o símbolo da onda e da montanha vai continuar a colorir a primeira etapa do WT durante os próximos… nove (9) anos! Até o presidente cessante da ASP, Rabbit Bartholomew, manifestou a sua surpresa face ao quase decenal compromisso, ao mesmo tempo que enalteceu a força da indústria em tempos de crise.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

Tres doses atras

[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 188>Outubro 2008]


Garoto da capa.

'Quando cheguei nos top 45 eu estava sempre apreensivo em cair.
Medo de cair da prancha, medo de cair do circuito.'
Palavras do Bruce Irons ao Evan Slater numa entrevista publicada na revista Surfing sobre sua decisão de deixar o WCT.
Por que nos importamos com isso ?
Talvez pelo fato do Bruce ser um dos surfistas mais fascinantes surgidos nos últimos 30 anos e sua inacreditável capacidade de auto-destruição.
Não é o primeiro, nem será o último.
Toda entrevista é um tapete vermelho para o caçula do Andy desfilar suas insatisfações com a vida de competidor.
Na sua inocente sinceridade Bruce até confessa que foi muito bem julgado nesses anos incertos de WCT e que nada guarda contra a ASP e o tão temido e criticado sistema (Seja lá o que for).
Evan Slater, editor da Surfing, bom surfista e bombeiro (destemido nas bombas) como Bruce, encera o troféu na apresentação da entrevista: Finalmente. Após quatro anos e meio de duras derrotas e brilhos esporádicos, o uma vez rotulado melhor free-surfer do mundo brevemente estará de volta para reivindicar sua coroa.
O que me deixa um pouco perturbado nessa introdução é o tom de perda, como se algo tivesse sido roubado do pobre Bruce durante seus anos de circuito.
Olha aqui, vamos combinar uma coisa: Sujeito é livre pra fazer o que quiser da sua vida.
Se alguem quis que o Bruce entrasse no circuito, esse alguem era ele mesmo e ele quis porque achou que era só entrar e pronto.
Logicamente isso foi sendo construído com grande incentivo da mesma imprensa que hoje celebra sua saída e antes reclamava pontualmente pela sua presença no circuito ao lado do irmão Andy.



Primeiro foi Fletcher, com aqueles braços medonhos, Archy refinou a arte, Bruce reinventou - em ondas de verdade.

O que será do circuito dos sonhos com essa dupla lá, levando a rivalidade feroz dos irmãos a níveis de surfe nunca antes alcançados ? Perguntavam as manchetes.
Podemos dizer que não foi a canto nenhum, ficou no mesmo lugar que sempre esteve, por vezes empolgante, outras aborrecido, sempre competitivo.
Bruce protesta ao dizer que no circuito nem sempre tem boas ondas e reflete sobre seu desgosto com ondas ruins.
Imagino.
E os outros pelo menos 10 ou mais eventos que tiveram condições épicas nesses quatro anos ?
Onde estava Bruce ?
Aos 14 anos, bem me recordo, vi um tampinha cabeludo fazer miséria em ondas de gente grande no Meio da Barra, aqui no Rio durante o Mundial amador de 1994. Bruce não devia ter 50 quilos e pegava tubos que a maioria dos marmanjos em pé na areia sequer sonhavam. Andy era assombroso, Bruce, fenomenal. Kalani não chegava aos pés.
Futuro campeão mundial, todos comentavam convictos na praia naquele dia nublado de inverno.
Dali pro WQS foi um pulo, em 1995 já estava aqui no extinto Alternativa tentando a sorte, fazendo interferência a enchendo seus juvenis cornos de cana e outros produtos menos recomendáveis.
Até 2004 cortou um dobrado batalhando pela sonhada vaguinha entre os 45.
Entrou botando banca: logo de cara ganhou o Eddie Aikau e foi revelação do ano.


Um absurdo de drope. Bruce, primeira caida em Waimea.

Antes disso Bruce já era uma lenda, fazendo final atrás de final na onda mais respeitada do mundo, Pipeline, batendo Slater e todo resto sem a menor cerimônia.
Tudo indicava que Bruce teria vida fácil no circuito, boas notas, uma turma da pesada o protegendo e pressionando a ASP por resultados (Volcom e Wolf-pack), um filme exclusivo seu, torcida enorme espalhada pelo mundo aguardava pelas inúmeras vitórias que nunca chegaram.
Os motivos abundam.
Excessos, excessos e excessos.
Para vencer, liderar, dominar, Bruce Irons precisava derrotar seu mais implacável inimigo: indisciplina.
São públicos e notórios os hábitos do rapaz.
Não gosta de acordar cedo. Ama beber com seus amigos. Festeiro. Raramente surfa, mesmo quando na casa da Volcom em pleno inverno Havaiano.
Isso tudo só realça seu brutal talento, mas sem um mínimo de disciplina o talento vai se dissolvendo com o tempo.
Agora Bruce tira um grande peso das costas.
Sai do circuito por cima, sua primeira vitória fora do Havaí no WCT (tem um troféu do Mr. Price Pro em 2005), poderá dedicar-se às viagens promocionais com seus camaradas e evoluir o que restou do surfe brilhante que apresentou quando surgiu.
Terá um problema sério pela frente, sem agenda nem compromisso arrisca deixar a inércia corromper seu gigantesco potencial.

Por pior que seja, o circuito mantem caras como Bruce na linha por algum tempo, entre o início e o meio do circuito, porque depois disso é ladeira abaixo.
Ano passado no Hang Loose, em Novembro, um desmotivado Bruce dava pena. Completamente bêbado e drogado mal conseguia equilibrar-se na prancha - ainda assim, foi responsável por um dos melhores aéreos de toda competição.
Temo pelo futuro dele.
Se depender das suas companhias, pode acabar como Butch Van Artsdalen, excepcional surfista, primeiro Mr. Pipeline morto no ano que Bruce nasceu, 1979.
Causa da morte ? Cirrose.
O mundo parece sempre estar tres doses atrás de surfistas como Bruce.


Um camarada desses com a cabeça no lugar...

domingo, janeiro 18, 2009

Seis tiros no estilo



Parko ja pode abrir mais sua base e deixar voar os bracinhos.

[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 189>Novembro 2008]

Perry Hatchet, juiz chefe do quadro da ASP declarou numa entrevista ao canal de esportes Sportv que estilo agora não conta mais pontos. Mentira, na verdade ele disse apenas que o estilo já não é mais considerado como critério de julgamento e foi substituído por flow, fluidez.
O argumento é excelente: Perry, um camarada boa praça, querido e respeitado por todos onde passa, esclareceu ao entrevistador e DJ Marcos Bocayuva que a ASP, enquanto entidade (oba!), acha que o quesito estilo estava intimidando a surfistada e quase impondo um jeito único de surfar, por outra, cerceando a liberdade dos surfistas se expressar sem melindros, afinal de contas um acinte, desde que nosso esporte prima pela, eba!, liberdade.
Fiquei confuso, minto uma vez mais, criei uma confusão dos diabos com um simples argumento.
Nosso amigo Perry simplificou dizendo que agora todos podem se manifestar livremente em cima da prancha e o que interessa é encaixar uma manobra atrás da outra sem perder velocidade, pressão e criatividade.
Fui no livro de regras da ASP e procurei a palavra estilo, necas de pitibiriba.
Por algum motivo inconsciente, me veio a cabeça Tony Ray, Cory Lopez, Glen Winton, Richie Collins, Todd Holland, Derek Ho, Kaipo Jaquias, Shane Beschen, Jake Paterson, Beau Emerton e Trent Munro, ufa!
Cada um deles já venceu um evento do WCT e venceu numa época que estilo ainda era considerado como quesito básico para um aspirante ao surfe profissional e todos surfavam feio, quer dizer, uns feio, outros horrorosos.
Braços voavam por todos lados, como numa dança de celebração aos céus pela graça recebida, pernas arqueadas e abertas como se o equilíbrio só fosse possível com os pés afastados pelo menos 3 metros um do outro, cabeças balaçavam pra cima e pra baixo, para trás e para frente procurando a manobra perdida em algum lugar da onda, o caos enfim.
Nada disso porem os impediu de arrastar um troféuzinho pra casa - e cá entre nós, alguns foram muito bem ganhos.
Taí o Bede que não me deixa mentir.
O próprio Rey, Slater o nono, diz que sempre vai preferir eficiência ao estilo.
E eficiência é igual a deficiência estilística, né ?
KS9 será lembrado por tudo menos pela beleza do seu surfe, que coincidentemente anda mais afetado que nunca graças as suas pranchas e, quem sabe ? aos novos critérios de julgamento.
Surfistas sempre estiveram associados a palavra estilo.
Estilo de vida é o termo predileto para nos definir, seja na imprensa especializada, seja na propaganda do novo carro, seja pra comer a menina ao lado.
Ver a palavra arrancada do livro da ASP me chocou.
Novamente fui lá conferir com meus olhos o critério de julgamento:
Article 134: Judging Criteria
A surfer must perform radical controlled manoeuvres in the critical
sections of a wave with Speed, Power and Flow to maximize
scoring potential. Innovative/Progressive surfing as well as variety
of repertoire (manoeuvres) will be taken into account when
rewarding points for waves ridden. The surfer who executes these
criteria with the maximum degree of difficulty and commitment on
the waves shall be rewarded with the higher scores.
Entendi o recado assim: Vai, meu filho, do jeito que for tá bom. O negócio é sair dando porrada e o resto que vá pro raio que o parta.
Quer dizer, não perca mais seu tempo tentando refinar seu surfe, contendo seus braços ou deixando seus pés mais juntos para a prancha ter mais bico, nada disso conta mais. Esqueça sua deficiências e invista nas suas qualidades.
Agora entendo porque Fabinho Gouveia, que surfava com o pé da frente quase paralelo a longarina, um jeito muito esquisito, depois de um ano no circuito mundial Fabio lapidou seu surfe de tal maneira que tornou-se referência de categoria por mais de uma década e porque Mineirinho, tão cheio de talento, surfa cada vez mais deselegante.
No raciocínio da ASP, a mera presença da palavra estilo já inibia a liberdade de expressão.
Tendo a achar que é justo ao contrário.
Picasso disse que bons artistas copiam e grandes artistas roubam.
Vejam Jordy.
Certamente inspirou-se no Joel, um dos surfistas mais agradáveis de olhar de toda nossa curta história.
Jordy foi lá e roubou a linha e jeito de pisar do Joel e transformou em algo novo.
Michael Peterson tinha fotos do Nat Young coladas nas paredes do seu quarto e verdadeira obsessão pelo surfe do campeão mundial de 1966. MP imitava Nat (Nat por sua vez era discípulo do Phil Edwards) em tudo até o dia que deu um passo a frente e criou uma forma completamente nova de encarar uma onda.
MP teve grande influência no estilo do Curren, que ajudou a moldar Joel, Kelly, Dane e Jordy.
De certa maneira podemos dizer que a sombra do Phil Edwards ronda uma rasgada do Parko, uma cavada do Slater e um voadão do Dane.
Sinceramente espero que a mensagem dada pela ASP seja ignorada pelas novas gerações e que continuemos a copiar, copiar, até ficar diferente (a frase é do Manuel de Barros).