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terça-feira, janeiro 22, 2008

Como ganhei o Título mundial e uma prancha do Slater



Alguem duvida da proverbial sorte do Alfio ?

[Cobertura exclusiva do Hang Loose Pro Imbituba WCT 2007 para Revista Surf Portugal # 179 Dez. 2007]

Eu acho que a história deveria começar assim: Sempre um camarada a dar exemplo, Slater sai d'água arrasado por Kai Otton (menos por Kai do que pela desatenção que dedicou ao WCT), sobe a rampa e olha fixo pra cima. Chegando na área reservada aos competidores, pega a 6'3'' que usou no dia anterior e a entrega nas mãos do Mick Fanning.
Fanning não se desarma e lhe dá em troca uma das sua pranchas.
Há toda uma simbologia ali, troca de guarda, ou de gentilezas, Slater quer dizer tanta coisa...
Ainda falta Taj perder para consumar-se o título mundial do Fanning.
Toda trupe da Rip Curl está apreensiva, equipe de filmagem está à postos, chefes de equipe da Reef e da Dragon preparam os auto-colantes comemorativos discretamente.
Nada mais interessa.
Todos sabem ali que é apenas uma questão de tempo para comemorar.
Slater era a ameaça real, Taj não assusta. A combinação de resultados avisa que para roubar a coroa do Macaco albino o candidato precisa vencer no havaí e até um grão de areia sabe que Slater é capaz de tudo, mas Taj...Em Pipe ? Bem, esqueça. Esse título já tem dono.
Até Slater sabe disso, por isso a prancha de presente.
Mick tambem o sabe mas é preciso respeito à matemática.
Nessa altura já estão dentro d'água Taj Burrow versus Tom Whitaker na última bateria da quarta de final, as ondas estão convidativas com paredes de 2 metros, nem tão perversas como no Chile, nem tão deformadas quanto em Teahupoo nesse atípico ano de 'dream tour'.
O sempre burocrático Whitaker, freguês de Burrow (4 x 1 incluso semi-final em Bells), trucida sem piedade Taj. Fanning vai para sua semi-final contra Parko e parece não acreditar (eles nunca parecem acreditar, não é mesmo ?) no que acontece lá fora, cada onda surfada por Whits é comemorada como um dez no Pipe Masters pela torcida e Taj enfraquece diante da pressão, caindo em ondas fáceis como um novato assustado.
Quando sai o resultado e o título é finalmente consagrado, Mick está com a lycra vestida esperando pela primeira onda da semi. A praia inteira espera algum tipo de comemoração, talvez Mick Fanning abandone a bateria e se jogue na tão antecipada celebração, por que não ?
Mas nada desconcentra Fanning em 2007, ele surfa como tem surfado desde a Europa em 2006, com seriedade, determinação, com gana de vencer.
E não pensem que ali estão dois amigos australianos comemorando a volta do caneco para OZ, não senhores. Parko e Fanning tem contas a acertar, 6 x 1 pro Joel e Mick está sempre pronto para diminuir a vantagem.
Que surfe fantástico que a praia (e todos no webcast) testemunha na Praia da Vila!
Fanning, já como campeão do mundo, faz a maior média de todo evento.
Não apenas isso, que é detalhe estatístico, o fato é que Fanning foi o surfista do campeonato. Não apenas o mais consistente ou o mais esperto competidor, desta vez sem a responsabilidade da corrida ao título, Fanning surfou o que realmente se espera cada vez que vai para água.


Slater não arredou o pé da praia até Fanning selar o título. Foi o primeiro a ir comprimentá-lo. Teremos outro exemplo como esse ?

O ciclo está completo.
E antes disso, o que aconteceu ?
Duvido que, daqui a cinco anos, algum espírito de porco será capaz de lembrar que o Mar catarinense recusou-se a dar sinal de vida por uma semana, ou que parte da estrutura do evento foi arrastada por um impensável tornado (??!!!) que revirou e torceu estacas de ferro como se fossem de papel.
O que fica, o que ninguem nunca esquece, é a bateria do Slater na primeira fase.
Quis o destino que o herói local Fabinho Carvalho surfasse justo na bateria do freak e a praia, quero dizer, a praia não, a cidade inteira veio ver o fenômeno KS8.
Amigos, jamais vi algo semelhante em 25 anos de surfe.
Já vi no Maracanã, o maior estádio do Mundo, tamanha celeuma, mas para um surfista ? Bem talvez não estejamos aqui falando de um mero surfista...
Slater tem status de super-star, coisa assim de Ronaldinho.
Alguns milhares de pessoas se acotovelavam na areia com todo tipo de camera, celulares e artefatos capazes de registrar aquele momento.
Antes do Slater descer, parou ainda em cima da rampa que levava à praia, olhou a multidão assustado, respirou fundo como quem vai tomar um caldo, balançou a cabeça consentindo, desceu - o barulho era de final de copa do mundo, com gritos e assobios orquestrados que pareciam ensaiados por meses.
E olha que nas baterias anteriores estavam Parko e Fanning, quase ofuscados diante do brilho do camarada da Flórida.
A média do Slater na primeira fase foi superada apenas pelo Fanning delirante com seu título na semi.
Posso me arriscar na tarefa de descrever duas ondas do Slater, uma delas de backside, surfando com um volume na parede sem igual, metendo o pé sem dó na sequência de manobras e mantendo a velocidade alucinante que um senhor de 35 anos é capaz de manter depois de passar os últimos 15 anos surfando melhor do que o resto do mundo.
A finalização foi tambem formidável, mas já ninguem olhava porque estavam todos de olhos fechados gritando feito índios em pé de guerra.
Numa direita que ao mortal comum parecia sem muito potencial, Slater dilacerou a modesta face da onda por duas vezes e emendou numa junção arremessando-se com tal violência ao lip que tememos pelas quilhas, pobrezinhas, cuspidas na base da onda e ao contrário somente para Slater acertar tudo com calma e compostura.
Na segunda fase nada de muito importante aconteceu exceto a vitória do Marco Polo sobre Pancho que vinha de um excelente resultado em Trestles. Polo surfou com força e autoridade para bater o havaiano no surfe.


Nada parava Fanning, nem o excesso de alcool da comemoração.

Nas 16 baterias da terceira fase quase sempre os cabeças de chave venceram, exceto por cinco vezes.
Dayan Neve devolveu a derrota que sofreu para Knox em Bakio e teve, por breves instantes, a sensação de alívio no pescoço apertado pela corda da desclassificação.
Tambem condenado à desqualificação, Cory Lopez perdeu para um entusiasmado Mick Campbell, que com tres nonos e um simples quinto já frequenta o top 16.
Cory estava abatido, talvez tenha previsto seu destino: 15 anos de circuito, oito vezes entre os top 16 da ASP, Terceiro do mundo em 2001, um dos poucos que pode ostentar um troféu ganho em Teahupoo, ejetado do WCT, Cory Lopez estava tonto, perdido.
Talvez um milagre possa salvá-lo em Pipe (como a final do ano passado), mas receio que nem isso.
Bruce Irons tambem perdeu displicentemente para Basnett. Bruce não largou Occy durante todo evento, inclusive ganhando dele numa bateria triste. Para Occy era tambem uma despedida do país que o idolatrou desde a primeira vez que pisou aqui em 1986 para o Hang Loose inaugural (ficou em segundo, perdendo pro Macaulay na final). Occy está fora do WCT. Assim como Mick Lowe e Trent Munro, que já anunciaram precoce aposentadoria.
Os brasileiros tiraram proveito do campeonato em casa, colocando 3 surfistas nas quartas, Heitor Alves, Neco e Léo Neves.
Heitor foi um franco atirador, nada tinha a perder. Neco fez uma bela campanha em casa e perdeu para um velho conhecido: Fanning. Os dois já se enfrentaram 6 vezes e o australiano empatou o jogo em 2007 ganhando duas vezes.
Léo perdeu numa bateria de notas fracas contra Kai Otton, mas deixou pelo caminho escalpos de respeito como do C.J. Hobgood e do Shaun Cansdell que surfou muito bem até bater de frente com Neves.
Rodrigo Dornelles tambem surfou com grande autoridade em Imbituba e é, até a penúltima etapa do WCT, o melhor brasileiro no circuito, empatado com Léo Neves.
Curioso é que Pedra Dornelles é quase completamente ignorado pela imprensa brasileira (estrangeira então, nem se fala) e apesar disso é o mais feliz dos surfistas brasileiros competindo hoje no circuito mundial - e isso reflete nos resultados.
Outro camarada feliz é Kai Otton.
Kai caiu duas vezes com Slater em Imbituba e quando valeu o título para seu compatriota Fanning foi devastador.
Verdade que Slater competiu como a seleção brasileira jogou contra a França na Copa do mundo de 2006, certo de que a qualquer momento mudaria o resultado a seu favor.
O gol de Henry minou a arrogância brasileira e Otton com uma série de esquerdas deixou Slater absolutamente perdido n'água.
O novato australiano teve um início de ano perto do notável, um terceiro em Teahupoo e a melhor onda surfada no Chile (nono) mas perdeu o foco e passou por uma sucessão de 17s e 33s. Enquanto isso, Jeremy vinha em franca ascendência no ranking, um 3 em Trestles e um 5 em Mundaka (Bakio), tudo indicava que a briga pelo rookie of the year estava resolvida quando chegaram ao Brasil, mas Otton tinha outros planos e com Pipe à frente, posso apostar no aussie como melhor novato.
Na final, Otton já estava satisfeito de simplesmente estar ali com Fanning.
Os dois bêbados da comemoração típica australiana fizeram uma bateria divertida para se assisitir bebendo, Occy, Bruce e Wardo estavam num estado de felicidade no mínimo estranho na área reservada aos competidores torcendo por quem quer que remasse nas ondas.


Redemption!

Tudo era festa.
Menos para Taj.
Taj estava sentado num cantinho, triste, sem um sorriso, assistindo todos seus amigos celebrarem o título do Fanning ali na sua frente. O garoto que entrou no WQS em 96 (11) e rejeitou a vaga no WCT porque ainda era muito novo, candidato ao título e esperança de trazer o caneco de volta para terra de OZ, Taj Burrow já tinha sido segundo do mundo e frequentava os top 5 quando Fanning chegou no tour.
O tempo passou e Taj realiza que suas chances diminuem a cada dia.
Bem disse Slater na coletiva que precedeu o Hang Loose que ele e Taj não fizeram os sacrifícios que Mick estava fazendo para conquistar o título.
A diferença é que Slater tem oito.

segunda-feira, novembro 26, 2007

Taj



De tudo que vi em Imbituba, sem dúvida a cena mais desoladora foi Taj sentado na beira da área dos competidores olhando fixo para o nada.
Sou capaz de apostar que ele chorava.
Fanning celebrava seu recem conquistado título acompanhado de todos australianos presentes, exceto Taj.
Me fascina o outro lado da competição, o lado escuro, triste, a história que ninguem conta.
Pouco me importa o que Fanning disse ou deixou de dizer uma sucessão de uhuus e 'não tenho palavras'.
Taj estava ali doído da perda.
Já faz mais de uma década que Taj está nessa brincadeira, lembro de 1996 em Portugal, o garoto sardento e cabeludo, veloz como um garoto sardento e cabeludo da Austrália (alguem disse Cheyne Horan ?), demolindo tudo que se mexia dentro do Atlântico gelado e fazendo finais, uma atrás da outra.
Taj classificou-se para o WCT e abriu mão da vaga para terminar os estudos e se preparar melhor para uma carreira fulminante que prometia.
Joel, Bobby M. e Mick nem sonhavam com o circuito em 96 - ou melhor, sonhavam sim, de cima dos seus 15 aninhos - e Taj já era a sensação.
Naquele momento,Taj representava toda derrota. Fora batido pelo burocrata Whitaker numa bateria previsível, Taj caiu muito, Tom Whits escolheu bem as ondas e pronto- simples.
Fiquei tanto tempo para descrever o último dia do Hang Loose Pro por falta de assunto.
Slater saiu d'água, depois de ter apanhado feio pro novato Kai Otton, pegou sua 6'3'', prancha que usou no dia anterior, e deu para Fanning, que surpreso retribuiu com uma 5'11'' do quiver campeão.
Aqui cabe espaço para todo tipo de simbolismo, mas resumindo o recado é que a brincadeira tinha terminado e ninguem mais alcançaria o Macaco Albino.
Mais de um mês depois, a imagem do Taj olhando para a insana comemoração como um altista, sem pertencer a nenhum lugar, me surpreendeu.
Deixei de lado o campeonato.
Nada mais fazia sentido diante da dor daquela perda.

terça-feira, novembro 06, 2007

Mick Campeao


Pode comemorar Mick!

Deve ser duro para um homem com o histórico do Cory Lopez, 8 vezes entre os top 16 do WCT, ter que enfrentar a longa caminhada de volta ao palanque do campeonato depois de perder a bateria e ficar quase absolutamente sem chance de se requalificar.
Cory andou vagarosamente, parou para tirar fotos com os fãs, deu autógrafos e dirigiu-se ao chuveiro, abriu a água e lá ficou por algum tempo, olhos fechados, sem saber direito o que sentir.
Cory perdeu para um Mick Campbell atento e pilhado: “O surfista tem que estar esperto hoje e fazer com que cada onda renda bons pontos. As condições estão bem difíceis e uma boa escolha de ondas pode ser decisiva”
Fazia tempo que o WCT não ficava tão embolado, menos de 500 pontos separam o 18, Travis Logie, do 36 Cory Lopez.
Um milagre em Pipe pode salvar Cory - e Cory é um dos poucos capazes de fazer milagre em Pipe.
Cory e Bruce.
Bruce pode respirar um pouco ao bater Occy que deu adeus ao WCT, mas logo em seguida perdeu para o Sul-africano Ricky Basnett com a menor média do evento, um medíocre total de 4.17.
O penúltimo campeonato do ano é melancólico para alguns. Mick Lowe, The Australian Keg, anunciou sua saída (Lowe se recusa a correr o WQS, diz que quem não se classifica pelo WCT não merece estar lá), Trent Munro tambem anuncia aposentadoria.
Para outros é a glória, o brasileiro Heitor Alves teve seu grande momento vencendo um desatento Bobby Martinez em condições difíceis, 5 a 6 pés balançados com algumas série fechando tudo e lavando os competidores. Heitor estava radiante: "Acho que no ano passado eu sofri mais pressão, pois caí com o Andy, que estava disputando o título com o Slater. Poderia ter vencido a bateria, mas infelizmente não deu. Agora, sem pressão nenhuma, o negócio é só surfar"
O Mar começava a se ajeitar quando Rodrigo Dorenelles entrou n'água para enfrentar Adriano Mineirinho, os dois estavam empatados no ranking e Pedra surfou brilhantemente as volumosas direitas da Praia da Vila, usando a borda da sua 6'2'' com confiança e firmeza:"O Mineirinho é muito perigoso, então não podia dar mole. Tive a felicidade de escolher bem as ondas e peguei umas abrindo ali para garantir a vitória" disse Dornelles.
O primeiro dez saiu na bateria seguinte, Joel Parkinson aniquilou o bi-campeão brasileiro Jihad com um surfe que deixou Slater e Fanning vibrando na área de competidores: "9.5" arriscou Kelly.
Foi numa esquerda que Parko deu seu show, apenas tres manobras, uma esquerda de 5 pés, a primeira arriscando por baixo do lip que caía, uma segunda mais abusada, finalizando com uma batida absurda na junção, dessas que paramos pra ver em camera lenta nos vídeos de surfe: "It was a good wave, sometimes you wait for'em and got lucky. I've been having a lot fun here in Brasil in these last few years'.
Taylor Knox, Dingo e Ace Buchan perderam para Dayan Neve, Neco Padaratz e Luke Stedman respectivamente.
A praia enchia antecipando as baterias de Fanning, Slater e Burrow.
Fanning enfrentaria Marco Polo, um dos poucos surfistas convidados capazes de causar um sério aborrecimento, felizmente para o líder Polo nunca se achou na bateria e deixou o caminho livre para a decisão do título ainda em terras brasileiras.
"Depois da Europa fui para Australia e fiz cinco pranchas novas mas não gostei de nenhuma e voltei pras minhas velhas. Essa prancha que usei hoje é a mesma que venci em Hossegor. Vamos ver como me saio aqui."
Fanning encontrará Stedman na próxima fase.
Na noite passada, coquetel de lançamento da banda do Teco Padaratz, El Niño, Slater esperou o show terminar e subiu no palco, ficou durante mais de uma hora tocando seu violão e cantando um repertório eclético.
Slater se alimenta da atenção que recebe, é um desses caras que não só não se intimida como cresce com esse tipo de ambiente.
Em plena segunda-feira, a praia subitamente encheu para ver Slater.
Outra coisa curiosa é perceber que Kelly precisa de desafios para desempenhar e Renato Galvão nunca o incomodou. Kelly abriu logo nos primeiros segundos com uma direita magistral, a maior onda surfada no dia, um simples e redondo 8.
"Eu acho que aprendi a lidar com a pressão. Algumas vezes lido bem, outras mal. Depende da situação. Aqui no Brasil estou muito a vontade. A pressão está com Fanning e Taj"
Disse Kelly que surfou com uma 6'3'' para aguentar o volume das ondas da Vila.
Slater pega um motivado Kai Otton nas oitavas amanhã.
O line up confuso e de difícil posiocionamento deixou as baterias com médias baixas, mas as notas altas continuavam a sair.
Shaun Cansdell e Leo Neves, que precisam de resultado nessa etapa para não depender do Havaí tiveram a segunda e terceira melhor nota do dia e passaram sem problemas por Jeremy Flores e C.J..
"A pressão é total, preciso de um resultado aqui e não posso bobear." disse Léo, que surfou com sua fiel 6'3'' e quilhas maiores.
O sol finalmente saiu e o vento nordeste entrou deixando as ondas pelo menos mais bonitas, embora ainda uma verdadeira loteria quando Taj entrava n'água para a disputa com Willian Cardoso, o inverso do biotipo do Taj, um cara grande e pesado com mais de 90 kilos.
Taj levou com alguma folga, mas Willian precisava de menos de 7 pontos para virar.
Nesta terça o título pode ser decidido na Praia da Vila, os aorganizadores irão terminar o campeonato de qualquer maneira, a previsão é de um mar mais acertado.
Se depender do Octa Slater isso não deverá acontecer:" acho que Mick merece o título, ele esteve mais focado do que qualquer outro surfista em 2007 e tem tudo para encerrar a disputa aqui. Mas acho que seria bom se o título fosse decidido no Havaí. E se Fanning deixar o título ser decidido lá tudo pode acontecer."

Uma atualização:
Kelly acaba de perder para Kai Otton e, na minha opinião, declara o encerrada a corrida ao título, desde que o retrospecto do Taj é nulo em Pipe e, caso ele tremine na frente, precisa de uma final no Pipe masters.

domingo, novembro 04, 2007

Embalos de sabado a noite


Marcos paulo carving

Hang Loose pro dia 6

Ondas - um metro e pouco de lindas ondas pela manhã até um tufão de sul acabar com a festa.
Previsão - Maior, melhor, sem vento. A lenda continua...

O dia começou com uma condição excelente, ondinhas espancáveis predominantemente para direita com esquerdas ocasionais, perfeitas para encerrar as sete baterias restantes.
Taj parecia desorientado, talvez desconcentrado, sempre caindo nas finalizações. Culpou a sua escolha da Roupa de borracha, boa desculpa. Mesmo assim venceu, seu enorme talento lhe permite ganhar mesmo sem estar 100 %.
Raoni atropelou a concorrência.
Léo passou apertado, mas passou.
Doutor Joel Steinman apertava o tornozelo do Chris Ward quando ele soltou um grito medonho de dor. Wardo tinha machucado seu pé fazia cinco dias e tentou dar uma aéreo na bateria, o resultado disso pode lhe custar a vaga no WCT.
Fora os excessos....
Shaun Cansdell precisa deseperadamente de um resultado se quiser continuar no 'CT em 2008 e fez a maior média do dia mostrando que está focado.
Antes de entrar a última bateria do dia, a única apenas com brasileiros, Neco, Mineiro e Vitinho, o vento sul entrou rasgando sem deixar vestígio das ondas adoráveis da manhazinha - Neco levou.
Ainda foram seis baterias da segunda fase pra água, sem surpresas, exceto pela derrota do Pancho Sullivan para Marco Polo, que marretou uma esquerda feito gente grande.
Greg Emslie, representante dos surfistas (junto do Cory e Pancho) reuniu-se com Xandi Fontes, diretor de prova, e juntos decidiram interromper a competição naquela máquina de lavar.
Nas seis baterias realizadas nada melhor do que um 13.17 como maior média, portanto o adiamento.
Ficou combinado que amanhã serão realizadas baterias de 25 minutos, com ajuda dos jet-skis.
A primeira chamada é 6:45 e se tudo correr bem, sete em ponto a sétma bateria estará na água.
Domingo, pé de cachimbo.

Maraca


Um cara surfando legal

Slater descia em direção a mais uma bateria, mais uma de tantas em 20 anos de serviços prestados ao surfe.
Prancha debaixo do braço, concentrado e determinado, Slater balançou a cabeça sem acreditar no que via.
Em mais de 20 anos acompanhando campeonatos de surfe nunca tinha vista nada igual.
Uma multidão de entusiastas urrava da possibilidade do Octa-campeão Kelly Slater passar entre eles.
Pouca gente na história do nosso esporte se alimenta desse jeito da pressão criada pelo público, imprensa, TV, Políticos e moças, muitas moças enlouqecidas com a possibilidade de casar com uma celebridade.

Depois de 5 longos dias espera, a manhã deste sábado começou morna, sem o swell previsto e o Hang Loose Pro começou as 2:15 da tarde, após tres aflitivas chamadas, uma as 7, outra as 10 e 1 e meia. Eram 2:18 quando Cory Lopez iniciou oficialmente o campeonato com uma esquerda medíocre, surfada com sofreguidão, talvez causada pelos efeitos da espera e suas consequências.
Na segunda bateria Rodrigo Dornelles levantou o público com um surfe tradicional e consistente. A Família Dornelles Paz não via seu filho pródigo surfando assim tão de perto fazia muitos anos. Senhor Cezar, pai de Rodrigo, estava radiante com o desempenho do filho e a reação da torcida na praia.
Taylor Knox classificou-se por um erro infantil do wild-card Simão Romão que cometeu uma interfência e ganhou um dia de descanso.
Jeremy Flores passa por uma excelente fase, será o Rookie of the year da ASP em 2007 sem sombras de dúvida. Flores dominou sua bateria como um veterano e fez a segunda maior média do dia.

O sol saiu foi timidamente saindo, as séries vinham cada vez maiores, com modestos 3 pés quando Joel Parkinson entrou n'água.
O primeiro frisson foi causado por Parko. Sua naturalidade ao surfar as ondas deitadas da Praia da Vila chegava a irritar alguns surfistas, afinal de contas, até ali todos tinham alguma dificuldade em andar naquelas ondas.
Parko fluía como se estivesse em Snapper ou Bells, ignorando todos obstáculos, encaixando manobra atrás de manobra e voando numa junção para enlouquecer a platéia.
O líder e candidato a substituto do Rei Slater quando aposentado Mick Fanning parecia ligeiramente nervoso no início da bateria, impressão afastada na sua terceira onda com um 7.17 e definitivamente esquecida na sua quinta onda, mal julgada (underjudged) de 8.5.
Fanning aplicou dois floaters numa velocidade impressionante, por baixo do lipe, pra depois começar uma sequência de pancadas de backside tão verticais e rápidas que ainda me pergunto se a prancha passava mesmo por trás da sua cabeça a cada porrada.

A área VIP do campeonato abrigava uma fauna diversa, diversa e dispersa, que embebedava-se enquanto Slater remava para sua primeira onda.
Já passava das 7 da noite quando Slater começou seu show.
O que se seguiu foi uma carnificina.
A maior média do dia, sua nota de descarte era um 7.33, uma das maiores do dia.
Toda imprensa presente estava em extase com as possibilidades de manchete: Slater ainda é o rei. Herói local humilhado por Slater
Dez baterias da 16 da primera fase foram embora.
Agora começa o jogo, vale tudo.
Fanning surfou com graça e uma velocidade impressionante, Parko fez tudo parecer fácil, com muita técnica, Slater tinha volume e violência.
Sua tática foi diferente de todos que vestiram a lycra vermelha hoje, os cabeças de chave, sentando embaixo dos outros competidores e pegando tudo que se movia, ao invés de esperar no outside pelas maiores do dia.

A saída dos líderes d'água foi caótica, um torcedor exaltado pegou o boné de Mick Fanning, Slater correu apavorado da multidão e ficou preso na cerca que protege os competidores - Kelly tentou ir pelo outro lado.
Amanhã teremos um dia cheio com as seis baterias restantes e provavelmente toda segunda fase, a previsão muda de hora em hora e as ondas podem aumentar ou diminuir.
Para muitos dos surfistas hoje é dia de perder a cabeça em festas que ainda serão faladas muito tempo depois desse campeonato acabar.

sexta-feira, novembro 02, 2007

De Albinos e Carecas


Isso é uma garrafa d'água ou voce está apenas feliz de me ver, Mick ?

A manhã do dia 30 de Novembro de 2003 começa com o alarme do incêncido causado por Mick Fanning.
No meio do maior apagão de toda sua história, Florianópolis recebia pela primeira vez um evento do WCT com enorme expectativa.
Fanning tinha deixado uma vela acesa em cima da TV no seu quarto do Praia Mole Park Hotel e saído para surfar, não fosse a esposa do seu amigo Occy, Mae, avisar do fogo, todo hotel arderia em chamas.
Coincidência ou não, a Rip Curl, patrocinadora do Mick, lançara o vídeo Fanning the fire.
Slater é a grande estrela do evento e Andy Irons é o vilão - vaiado pelos locais pela péssima repercussão dos abusos do Wolfpack com brasileiros no Havaí na temporada passada.
Dizem assim: os Brasileiros são apaixonados por torcer, contra ou a favor.
Mesmo o ídolo Slater não sobrevive muito tempo aos humores da torcida e é intensamente vaiado depois de passar os últimos cinco minutos da bateria contra um wild-card local o marcando para vence-lo.

Os eventos em Santa Catarina são cheios de mistérios e surpresas. Tente conversar com algum surfista presente no evento de 1986 e veja os olhos dele brilhar.
Em anos passados os desastres se tornaram tão notórios quanto os campeonatos, chegando até ao Jornal Nacional, coisa pouco comum aqui no Brasil.

Eram duas e trinta da madrugada quando o telefone do diretor técnico do Hang Loose Santa Catarina Pro tocou. A voz do outro lado soava tão assustada quanto aflita, parte da estrutura do evento tinha voado.
- como assim voado ?
Uma estrutura com o peso de um pequeno caminhão tinha ido parar no outro lado da cerca que rodeia a área do evento, torcendo vigas de ferro como se fosse papel.
A torre dos juízes e outras importantes partes da estrutura não foram afetadas, apenas a área V.I.P. e dos competidores, dos males o menor.
Alheio à tudo isso, Fanning continua sua missão, sendo o primeiro n'água todos dias, treinando como um atleta olímpico.
Em 2003, Slater enfrentou Fanning numa final memorável para o público brasileiro, eletrizante, liderança mudando a cada troca de ondas até o triunfo de Slater, desta vez aclamado pela torcida.


Entra 2007, um grande feriado nacional provoca um verdadeiro êxodo para o litoral e as festas são aguardadas por todos como recompensa pelo tempo passado debaixo de chuva. São esperados alguns milhares de turistas aqui para Imbituba nesse final de semana.
O prefeito tratou pessoalmente da reconstrução da estrutura e parece otimista com o desenlace de tudo isso.
Para os surfistas tudo se resolverá numa ondulação de proporções épicas por algumas horas, com Taj, Slater e outros 45 dando o sangue para adiar a decisão do título para o Havaí.
O jogo já começou: na entrevista coletiva marcada com os tres canditados, Taj e Fanning estavam lá na hora marcada, mas Slater apareceu apenas uma hora mais tarde.
Um dos top 44 confessou achar que isso foi mais dos truques que Slater usa para pressionar seus adversários.
Eu não duvidaria.
Mas desta vez é Fanning que pode causar outro incêndio levando o título antecipado.

terça-feira, outubro 30, 2007

Dois centavos


Ai Miky, faz um cutbéqui aqui pra mim ?

Nunca fui numa entrevista coletiva, por simples falta de interesse, não apetece.
Estive por quase dez minutos hoje na coletiva do Fanning e do Taj, curioso pelas sandices e apelações da nossa cara imprensa.
Num determinado momento, um rapaz muito bem posto numa das cadeiras dispara com toneladas de certeza sua pergunta, não sem antes contextualizar: Todos sabem que a grande arma dos australianos nesse ano é a união. Voces falam muito sobre trazer o título de volta pra Australia ?
Uma vez traduzida a indagação, o silêncio tomou conta do salão lotado, Mick e Taj se entreolharam um pouco assustados com a constatação que tal pensamento jamais passara pelas suas loiras e valiosas cabecinhas.
Como assim ? Eu vou ganhar o título pra mim, pensou Mick.
Em segundo lugar vem meu patrocinador que saberá como ninguem me recompensar pelo primeiro título da marca desde Damien e Curren.
Taj pensou em super modelos e helicópteros.
No final do dia algumas séries já estavam simpáticas e o campeonato pode começar amanhã.
Na Globo.com tem um furo de reportagem que recomendo à todos que prezam o bom e velho jornalismo.
Surfe é diversão.

segunda-feira, outubro 29, 2007

A.B.O.G. Atualizada



Depois de alguns anos afastado da arena competitiva em terra Brasilis, cá estou eu novamente debruçado num evento do WCT, atento para tudo que acontece, um olho aqui e outro ali.
De cara, precisei atualizar minha carteirinha da A.B.O.G., tinha expirado faz tempo.
Em frente ao hotel na praia da Vila, Mick Fanning fazia miséria com as pobres ondinhas; pobres e desnutridas.
O Macaco albino não tá pra brincadeira, duas caídas, duas pranchas debaixo do braço, pilates com seu escudeiro Matt Griggs, velho combatente do WQS e atual contratado da Rip Curl como babá de surfista.
[Nota A.B.O.G.: sorridente e solícito, Fanning sentou-se para jantar ainda antes do sol se pôr e, na dúvida, pediu o mesmo prato do dia anterior (pé de pato mangalô 3 vezes!), peixe com legumes. O simpátco Mr. Griggs escapou de um filé ao quatro queijos graças à esse correspondente que o alertou do efeito flatulento que uma má escolha pode causar.]
Chovia sem parar, venta de levantar saia, mas a previsão é de onda boa no final de semana - pé quente do novo patrocinador, Hang Loose.
Seu Jorge, motorista da van que transporta a turma, nascido e criado aqui mesmo em Imbituba, diz achar que o WCT não fede nem cheira para a economia da cidade, ou melhor, dá uma certa agitada, mas nada comparável à formidável Festa do camarão.

Pausa para passagem do tempo

A Manhã de hoje, 30/11, começa sem nuvens no céu, mar ainda pequeno, pouco provável que comece hoje a contenda.

domingo, julho 22, 2007

Atropelado

[Tempestade # 175 - Surf Portugal - Junho 2007]


Óia véio, os caras quebram a cabeça pra escrever as legendas, cheias de sacanagem- quem se importa ?

Quando o estimado leitor estiver confortavelmente sentado na sua poltrona predileta deleitando-se com esta nova revista, Mick Fanning terá aberto uma bela vantagem na corrida pelo caneco em 2007.
O macaco albino tem levado esse ano a sério – ou vai ou racha.
Indo, não fez mais que sua obrigação, rachando, adia a data tão almejada pela turma da Rip Curl para comemorar o título que lhe foge desde 91.
A briga, diga-se de passagem, foi sendo reduzida aos poucos para duas marcas: Billabong e Quiksilver.
O resto espreita e nada mais.
Desde 92 as duas revezam no topo do ranking, fora Derek, Sunny e C.J., dois deles acidentes de percurso.
Mas não era de surfe corporativo que esse texto deveria falar, versava sobre o camarada que tem um primeiro, um segundo e um terceiro nas tres primeiras etapas do ‘CT desse ano.
Me apresso em pedir desculpas ao leitor mais afoito, antes de tecer loas ao Fanning preciso desabafar sobre a entrevista do vice campeão em Teahupoo, ainda molhado, logo em seguida a final.
Aqui entra o Fanning, sobre seu fabuloso ano de resultados ainda mais fabulosos e estratégias de competição: Sim (toda entrevista começa com um inevitável ‘yeah’), estou mais relaxado esse ano, me divertindo mais e tudo está dando certo.
Mentira, mentira e mentira.
O sujeito chegou no Tahiti quase um mês antes de todo mundo para treinar e aperfeiçoar seu ponto fraco que todos sabem, esquerdas como Teahupoo.
Até aqui nada demais, até um tablete de parafina usado sabia disso, assim como sabe que Slater chega sempre em cima da hora, de preferência sem ter surfado nas últimas semanas, sem prancha, com rumores de novas e famosíssimas namoradas.
Com Slater e Andy bufando no cangote, relaxar é uma situação pouco provável – e nada confortável- para nosso amigo Eugene e suas múltiplas personalidades.


Mira, usted quieres o no quieres el autografo del macaco albino de la tierra del Oz ? no lo creo en brujas, pero que las hay...

Quem para tudo, trabalho, estudo, até mesmo sai d’água num mar perfeito para assistir, nariz colado no monitor, ao WCTs e o rosto resoluto do Fanning the Fire antes e depois de cada bateria, em nenhum segundo houve espaço para brincadeira.
Em algum momento da história do surfe competitivo, provavelmente no final dos abomináveis 80 (aqui, e sempre, ironizo a turma que amargamente deplora os 80, na sua maioria malandros que viveram ali seu inferninho particular e culpam a década por tudo que não conseguiram entender), iniciou-se um discurso que seria o mantra do surfe profissional dali por diante: Estou me divertindo como nunca, tenho meus amigos aqui ao lado e sou o camarada mais feliz do mundo.
Jack McCoy, o mais astuto e talentoso diretor de filmes de surfe de todos tempos, percebeu o jogo de palavras da garotada e lançou um filme, fundamental (vide resenha – McCoy box-SP…), chamado ‘Sons of fun’, expondo pela primeira vez a tão bem resolvida nova geração às trevas da frustração, documentando Ross Willians e Shane Dorian, sempre tão sorridentes nos vídeos pop do Taylor Steele, na mais absoluta miséria quando perdiam uma mera bateria do WQS e pior! Disputando migalhas para ver quem ficava em terceiro e quarto numa disputa que os dois já tinham perdido definitivamente.
Enquanto o segundo pelotão versava sobre diversão e felicidade, Slater botava todo mundo no bolso com o mesmo olhar do Fanning em 2007: concentrado.
Slater não aturava perder nem no par ou ímpar mas dissimulava bem sua ansiedade sorrindo seu sorriso milionário e limpando os campeonatos da ASP de cabo a rabo.
Andy não engoliu essa de amizade e diversão, meteu o pé na porta, fingiu ser feliz tambem e ganhou 3 títulos mundiais.
No caminho dos tri, posso apostar minha swallow seis canaletas que se houve algum momento de verdadeira diversão na vida de Andy Irons (não vamos confundir aqui com alívio), foi quando ele saiu de mãos para cima daquele tubo no backdoor com toda certeza do mundo que tinha virado a bateria mais empolgante de toda história do surfe.
Andy se divertiu.
Fanning, por outro lado, deve ter pesadelos com retomadas avassaladoras dos dois animas competitivos que são Slater e Andy, que tambem não estão achando graça nenhuma nos seus terceiros, segundos e quintos.


Oo Taylor, voce não disse que hoje tava uns 3 ou 4 pézinhos ?

O surfe profissional ganharia muito se houvesse um pouco mais de honestidade no discurso dos surfistas.
Sabemos por terceiros que Mick Fanning torce descarademente pelo seu amigo Andy e contra Slater quando não tem chances de vencer coisa nenhuma.
Sabemos que Parko acha todo mundo pior que ele e que, mais dia menos dia, o caneco será seu.
Sabemos que Chris Ward se acha infinitamente superior aos outros 40 da lista mas é psicologicamente incapaz de transformar seu talento em resultado.
Sabemos que Bruce sequer considera os outros a altura de compara-los ao seu enorme talento.
Ora bolas, até Josh Kerr acha isso.
A ASP, na ânsia de ter o surfe aceito como esporte de massa doutrina seus competidores com um discurso políticamente correto irritante e repetitivo aproximando o surfe de uma brincadeira infanto juvenil ao invés de incentivar a velha e boa rivalidade ‘pega pra capar’ dos anos 80.
Mick Fanning, se não abrir seus olhos e assumir que em 20007 é o ano da sua vida e que não há folga para quem quiser destronar os dois homens que tem juntos 11 anos de domínio será atropelado pelo seu próprio discurso.

sexta-feira, abril 13, 2007

La Punta


Lembra da marchinha ? 'O Brasil vai lançar foguete...Cuba tambem vai lançar...Lança Cuba Lança, quero ver Cuba lançar... (para cantar em ritmo de marchinha de carnaval)' Taj balança o sino.

Cada dia que passa admiro mais o Andy Irons.
Em Bell's, quando tudo parecia perdido, e uma surra feia diante de um imbatível e determinado Fanning parecia não apenas iminente, mas definitiva, eis que Irons surge, agora sim, irresistível, soberano.
Essa qualidade, de evoluir diante da adversidade - e dos adversários - é o que faz a diferença nos grandes vencedores: Ali, Senna, Armstrong, Romario, Slater, Zidane.
Assisitindo a segunda etapa do WCT de 2007 tive a nítida impressão que o campeão sairia de disputa entre Parko e Fanning.
Slater parecia distante, alheio ao cameponato até, preocupado apenas em testar sua capacidade de surpreender e extender o desempenho em competição à níveis extraordinários, caindo da prancha sem culpa e, aparentemente, sem compromisso.
Até agora, em todos momentos de 2007 Slater não é a máquina sobre humana de ganhar que foi em 2006, é qualquer coisa de intermédio, diria Mário de Sá Carneiro, uma entidade que serve de parâmetro para todos outros se medirem - Slater hoje é o começo e o fim de cada evento.
Explico: Assistimos o WCT por ele, metade torcendo contra e metade a favor, ninguem fica alheio.
E Andy, diz um caro amigo aqui ao lado no saltitante MSN, está num andar próprio, um pouco abaixo do Kelly e um pouco acima do Fanning.
O mesmo amigo, Capitão Ahab, confessa decepcionado com De Souza e o compara, vejam só a sutileza, com Sérgio Noronha, no auge da forma do Fedelho, pai torcendo na beira, ali em frente ao 3100.
Eu torci abraçado à bandeira pelo Pedra, que levantou sobrancelhas e ameaçou verdadeiramente Andy no round 3 até o último segundo de bateria.
Pigmeu teve a falta de sorte de esbarrar no favorito, Macaco albino, em dia inspirado.
Acho que no Tahiti o garoto vai estar com fome suficiente para avançar da terceira fase.
Raoni e Léo são as nossas atuais esperanças de atuações estrondosas mas no Tahiti aposto mesmo no Pig.
Léo mostrou em Bell’s que suas idas e vindas para o Perú emprestaram-lhe noção para ocupar bem o espaço de ondas com muita área, Punta Rocas é uma excelente escola.
Isso e Saquarema, economiza-se uma fortuna em viagens.
Parêntese pro Neco:
(Em Margareth River ninguem surfou com tanta raiva e poder. Fosse em Bell’s sua bateria contra Campbell, apostaria um dedo na vitória do cabeção.)
Esse Whitaker que bateu Kelly contando com uma impecável escolha de ondas e um julgamento misericordioso com os esforçados e pacientes, não passa de uma versão atualizada do Bryce Ellis, ou do Marty Thomas, quem sabe um Hans Hedeman com menos sangue frio ?
Alguem em sã consciência acredita que Bede se segura nos top 5 até a metade do ano ?
Empatados, cabeça com cabeça, em primeiro estão Taj e Fanning, ambos com histórico senão trágico, pouco favorável em Teahupoo – apesar dum terceiro meio sem querer do Taj num ano que o mar não assustou muito.
Falando nele, T.B., seu caminho foi suave e nada ameaçador (para um candidato ao título, digo eu), havemos de convir que Royden Bryson, Dayyan Neve e Whitaker não são o que podemos chamar de fortes concorrentes.
Fanning teve que se provar mais em Bell’s e contou tambem com a sorte para tirar Parko da disputa, menos por mérito, mais pelas imperdoáveis calmarias que Bell’s impõe aos competidores.
As duas próximas etapas devem ser descarte dos líderes e Slater, com um terceiro e um quinto e Irons, já com seu descarte e um segundo vão começar sua briga particular pelo título.
Ou alguem se ilude que o título vai para outras mãos em 2007 ?

terça-feira, março 06, 2007

Tio Nick de volta

Enquanto o Goiabada não volta à atividade, leia o blogue da Australian Surfing Life para uma cobertura da primeira etapa do WCT 2007, hum... interessante, preconceituosa e saborosa - agora com a participação do Tio Nick.



Um mestre do estilo, Cory nos apresenta uma das 101 maneiras de sentar no vaso sanitário sem usar os braços