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quarta-feira, março 10, 2010

Mais do mesmo

I wish they would have run yesterday. I was feeling good yesterday. I only get one heat like that a year. Oh well, I had my heat [for the year], so that was good enough.“ – Dane Reynolds on the performance descrepancy between his barrier shattering quarter-final and his semi-final loss to Jordy Smith.

Reynolds freaks the funk in the Quik quarters - Stab from Stab on Vimeo.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Perdido em Peniche



[
Serie de textos feitos no calor do momento para o saite da Surf Portugal durante o The Search, etapa do World Tour de 2009, Peniche, PT
]

Uma cena no classico filme de surfe Endless Summer (Bruce Brown, 1958, EUA) me passou pela cabeça.
Era assim, numa tribo que mal tinha tido contato com o homem branco, todos enfileiravam-se para assistir aqueles curiosos personagens que se lançavam ao mar para correr ondas.
A cada onda surfada, a multidão pulava, gritava e celebrava como uma grande novidade, empolgante e divertida, quase irresistível que arrastou até o chefe da tribo para uma lição improvisada de surfe.
A vibração nesse sabado, 24 de outubro na Praia da Mota era semelhante, sem piada nenhuma e acrescidos umas 15.000 pessoas.
Quando Kelly Slater saiu correndo de dentro da area improvisada dos competidores e passou no meio do público um frisson tomou conta da praia.
Já estive em Huntington para o OP Pro, em quase todos grandes eventos de surfe no Brasil desde 82, na histérica França e mesmo assim me surpreendi com a imensidão de gente hoje na praia, e não apenas com a quantidade assustadora mas principalmente com a paixão.
Não era nada como no futebol, feito no Brasil por exemplo, era algo diferente, novo - novo pra eles.
Portugal tinha renascido pro surfe.
Desde 2001 quando o WCT foi arrancado da costa lusitana pelo 11 de setembro que os top 45 não davam o ar da graça por aqui e os portugueses tinham ganas de ver a magia que eles são capazes de fazer nas nossas(suas) ondas.
Tudo era comemorado, os tubos, os aéreos, as saídas da onda voando, as corridas pelo meio da malta em direção ao mar e a volta ao palanque.
Até os mais tarimbados não resistiam a bater palmas e gritar em plenos pulmões, afinal de contas aquilo era, e ainda é, uma ocasião única.
Os numeros vão aumentando conforme os diferentes testemunhos dos presentes, Capucho avaliava em 20.000, os jornais, sem pudor nenhum, arremessevam para os 40.000.
Bruno Santos disse que nunca tinha visto nada igual.
Falando nele, Bruninho, foi uma das baterias mais esperadas da segunda fase por todos ali, publico e top 45, caso surpreendesse, Fanning podia mandar gelar a champanhe.
Antes mesmo da bateria o clima já ficara tenso, ao menos pra turma ao lado e pra esse que vos escreve, alguns minutos antes Kai Otton e Ace Buchan fizeram uma disputa de tubos pra esquerda e, bem, preciso lembrar aos amigos a especialidade do Bruno ?
Joel deve ter sentido um frio na barriga.
Assim que soou a buzina, uma esquerda promissora veio e Parko deixou passar, Bruno remou com toda sua força e não entrou. A onda rodou do início ao fim.
Quando saiu d'água derrotado pela falta duma onda decente, Bruno ouviu seu companheiro de equipe Taylor Knox falar, 'se voce pega aquela onda, a história seria outra'.
Sim, Taylor, quantas histórias não seriam outras com ondas perdidas, mas desta vez, sentado ali na areia torcendo como um torcedor cego que especula sempre a bola na trave como possível gol, eu sofri - talvez mais que todos, talvez não, vai saber ?
Em menos de cinco minutos, já ninguem mais lembrava do Joel nem do Bruno porque Owen Wright estava sufando um tubo como aquele que Bruno supostamente deveria pegar logo nos primeiros minutos da bateria contra Kelly Slater.
Foi lá e cá, sem espaço pra respirar.
Já nem sei mais qual das ondas foi mal julgada e qual delas foi compensada, Owen escolheu melhor e surfou melhor, maldito seja, arruinando o sonhos de um sem numero de pessoas que estava lá precisamente para ver o Slater.
Viva Owen!
Mal posso esperar pra falar sobre o domingo...

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O diabo é o quase

Normalmente espero pelo menos dois meses para publicar aqui no Goiabada algo que foi publicado nas revistas que colaboro.
Desta vez, por motivo obvio, escolhi mandar brasa e dividir com voces reflexões do dia 11 de Outubro, antes portanto da etapa portuguesa do circuito.


[Sopa de Tamanco - Revista Hardcore # 242 - 11/2009 e Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 202>JNovembro 2009]


Não tenho hábito de fazer isso, desta vez acho quase indispensável descrever de onde escrevo.
Tem muitas moscas, tantas que não consigo conta-las, vem da rua ali embaixo cheia de bosta de vaca e cabras, os sinos badalam anunciando que mais vacas e cabras passam e despejam nas pedras sua rotina de tempos que ninguem mais quer lembrar.
É uma aldeia pra lá de Vizeu onde nasceram os pais do meu sogro.
Esse não será um texto romantico e babado - as moscas não deixam.
Trouxe um livro do João Saldanha pra ler, chama-se O Trauma da Bola (Cosac & Naify, Rio de Janeiro, 2002) e trata dum assunto que cada vez mais parece ganhar corpo pros apaixonados pelo futebol, a derrota do selecionado brasileiro pro italiano na Copa do mundo de 1982, 3 x 2.
Bastava um empate e seríamos tetra-campeões.
O futebol jogado por aquele time era uma coisa fora do comum, quem gostava de futebol torcia pro Brasil avançar só para poder ver Zico, Falcão, Sócrates, Junior, Leandro, der, Cerezo e cia jogarem novamente.
Cada jogo era uma aula.
Saldanha era macaco velho, sabia tudo de futebol e um pouco de tudo.
Aprendi com ele a olhar o jogo com outros olhos, seus comentários no radinho de pilha durante e depois dos jogos tinham a urgência dum sermão de missa dominical.
Malditas moscas.
Acho pouco provável que alguem no circuito mundial de surfe tenha ouvido falar do João Saldanha. Dois ou tres australianos conhecem Derek Hynd de nome. Hynd escreveu sobre a ASP e seus ídolos como ninguem. Suas cronicas sobre a perna europeia, o Grand slam australiano e as temporadas havaianas nos colocava numa redoma de resina e lançava no centro nervoso do tour.
Duma hora pra outra, o texto do Derek Hynd te pegava pelo colarinho e voce quase apartava um pau entre Pottz e Gerlach depois duma bateria no Japão, noutra voce VIA Curren surfando sozinho numa praia impossível de varar com mais de 15 pés de rebentação para espanto dum jovem Slater, se voce piscasse podia se encontrar numa mesa de bilhar com dois campeões mundiais completamente bebados apostando a premiação toda dum evento numa tacada.
Hynd era o Saldanha da reportagem de surfe.
Assim como Saldanha, Hynd conhecia o negócio por dentro. Campeão australiano junior, caçula do poderoso esquadrão do Terry Fitzgerald, era sexto do mundo quando em plena bateria na perna sul-africana levou uma pranchada no rosto e perdeu quase toda a visão do olho esquerdo - apesar disso continuou competindo e ainda avançou!
Suas resenhas sobre os top 30 (antes dos top 44) eram de arrepiar, saborosas pra quem estava fora, amargas pros de dentro, intragáveis aos poucos sem censo de humor.
Temos hoje um certo Lewis Samuels, algo gozado, bem informado, atento e prolixo. Veio em boa hora, toda imprensa tinha ficado um pouco sisuda demais.
Sacudiu.
Hynd fugia do lugar-comum como o diabo da cruz, Lewis investe sem medo nos cliches, partindo pra dentro dos velhos (presente!) preconceitos como uma bóia salva-vidas - a turma do pescoço vermelho adora e brinda com a Intolerável Bud Light cada chavão.
Derek citava Dostoivesky, Lewis cita quem ele pode.
Basta de lenga-lenga.
Joel Parkinson é a seleção brasileira de 1982, sublime, poderosa, irresistível. Mick Fanning é a Itália do Paulo Rossi, precisa, mecânica, mortal.
Saldanha acusa que a equipe brasileira ganhou antes, não teve humildade nem disciplina para conter o empate que nos interessava.
Queria ganhar a todo custo, esqueceu de combinar com o adversário.
Todo mundo torce por Joel, sua linha é a mais bela, como os dribles curtos do Zico, seus cutbacks valem por arrancadas com a bola dominada do Leandro, poderíamos ficar aqui, eu e voce, fazendo analogias de como tal jogador tinha a maestria do Parko quando conduzia a pelota, não vale a pena.
Lewis Samuels escreveu que o surfe do Mick Fanning é tão empolgante quanto uma aula de aeróbica.
Fica claro na frase que Samuels tem dificuldades pra manobrar sua prancha e irrita-se quando ve Fanning fazer nenhum esforço para colocar sua prancha onde quer.
Fanning é um dos maiores surfistas de toda história, assim como Parko.
A diferença é que Mick parte para seu segundo título e Parko…bem é talvez cedo para dizer mas Adriano pode ter outros planos para o vice de 2002 e 2004.
Claro que Slater é capaz de tudo e na altura que esse texto for publicado pode ter feito das suas - Kelly não presta para previsões.
Saldanha dizia que o diabo é o quase, em outras palavras brincava com a maldita expectativa que mata tantos sonhos.
Como quando nos preparamos dois dias antes acompanhando as previsões em mais de 300 sitios da internet, roupa de borracha, parafina, duas pranchas, alongamento.
No fatidico dia dirigimos por todas possibilidades de perfeição, pra cima e pra baixo, apenas para descobrir que o melhor lugar era logo ali, 45 minutos atrás, maré baixa.
Torço muito para que esse texto seja um grande equivoco, Parko seja mesmo um campeão nato prestes a despertar do sono profundo.
Quero comemorar seu título mas não creio.

segunda-feira, setembro 28, 2009

segunda-feira, março 10, 2008

Voce e Jotapê

O futuro foi ontem.
Hoje quem filma no melhor ângulo é - depois do Greenough- Timmy Turner, Parko, Garret, Raimana, Healey e Conley.
Ou voce, por que não ?

sexta-feira, abril 13, 2007

La Punta


Lembra da marchinha ? 'O Brasil vai lançar foguete...Cuba tambem vai lançar...Lança Cuba Lança, quero ver Cuba lançar... (para cantar em ritmo de marchinha de carnaval)' Taj balança o sino.

Cada dia que passa admiro mais o Andy Irons.
Em Bell's, quando tudo parecia perdido, e uma surra feia diante de um imbatível e determinado Fanning parecia não apenas iminente, mas definitiva, eis que Irons surge, agora sim, irresistível, soberano.
Essa qualidade, de evoluir diante da adversidade - e dos adversários - é o que faz a diferença nos grandes vencedores: Ali, Senna, Armstrong, Romario, Slater, Zidane.
Assisitindo a segunda etapa do WCT de 2007 tive a nítida impressão que o campeão sairia de disputa entre Parko e Fanning.
Slater parecia distante, alheio ao cameponato até, preocupado apenas em testar sua capacidade de surpreender e extender o desempenho em competição à níveis extraordinários, caindo da prancha sem culpa e, aparentemente, sem compromisso.
Até agora, em todos momentos de 2007 Slater não é a máquina sobre humana de ganhar que foi em 2006, é qualquer coisa de intermédio, diria Mário de Sá Carneiro, uma entidade que serve de parâmetro para todos outros se medirem - Slater hoje é o começo e o fim de cada evento.
Explico: Assistimos o WCT por ele, metade torcendo contra e metade a favor, ninguem fica alheio.
E Andy, diz um caro amigo aqui ao lado no saltitante MSN, está num andar próprio, um pouco abaixo do Kelly e um pouco acima do Fanning.
O mesmo amigo, Capitão Ahab, confessa decepcionado com De Souza e o compara, vejam só a sutileza, com Sérgio Noronha, no auge da forma do Fedelho, pai torcendo na beira, ali em frente ao 3100.
Eu torci abraçado à bandeira pelo Pedra, que levantou sobrancelhas e ameaçou verdadeiramente Andy no round 3 até o último segundo de bateria.
Pigmeu teve a falta de sorte de esbarrar no favorito, Macaco albino, em dia inspirado.
Acho que no Tahiti o garoto vai estar com fome suficiente para avançar da terceira fase.
Raoni e Léo são as nossas atuais esperanças de atuações estrondosas mas no Tahiti aposto mesmo no Pig.
Léo mostrou em Bell’s que suas idas e vindas para o Perú emprestaram-lhe noção para ocupar bem o espaço de ondas com muita área, Punta Rocas é uma excelente escola.
Isso e Saquarema, economiza-se uma fortuna em viagens.
Parêntese pro Neco:
(Em Margareth River ninguem surfou com tanta raiva e poder. Fosse em Bell’s sua bateria contra Campbell, apostaria um dedo na vitória do cabeção.)
Esse Whitaker que bateu Kelly contando com uma impecável escolha de ondas e um julgamento misericordioso com os esforçados e pacientes, não passa de uma versão atualizada do Bryce Ellis, ou do Marty Thomas, quem sabe um Hans Hedeman com menos sangue frio ?
Alguem em sã consciência acredita que Bede se segura nos top 5 até a metade do ano ?
Empatados, cabeça com cabeça, em primeiro estão Taj e Fanning, ambos com histórico senão trágico, pouco favorável em Teahupoo – apesar dum terceiro meio sem querer do Taj num ano que o mar não assustou muito.
Falando nele, T.B., seu caminho foi suave e nada ameaçador (para um candidato ao título, digo eu), havemos de convir que Royden Bryson, Dayyan Neve e Whitaker não são o que podemos chamar de fortes concorrentes.
Fanning teve que se provar mais em Bell’s e contou tambem com a sorte para tirar Parko da disputa, menos por mérito, mais pelas imperdoáveis calmarias que Bell’s impõe aos competidores.
As duas próximas etapas devem ser descarte dos líderes e Slater, com um terceiro e um quinto e Irons, já com seu descarte e um segundo vão começar sua briga particular pelo título.
Ou alguem se ilude que o título vai para outras mãos em 2007 ?