O Canudo
Talvez em 2000 anos essa onda será surfada, disse Pat Curren para Fred Van Dyke quando acampavam na praia de Banzai no inverno de 57/58.
O fundador da revista Surfer, John Severson, conta que tentou diversas vezes convencer os surfistas da epoca a surfar aquela onda brutal e veloz que quebrava tão perto da praia - tão perfeita.
Pipe era um tabu.
Até o dia que Bruce Brown, aquele mesmo do Endless Summer, conseguiu persuadir o Slater da epoca, Phil Edwards, a surfar Banzai.
A lenda diz que a primeira onda foi tão rapida que Brown quase perde a cena.
Edwards colocou sua enorme e pesada prancha no angulo certo e mandou brasa, saindo em pé no canal.
Bruce correu pro carro para pegar sua prancha e quando voltou ja tinham mais tres surfistas la fora.
Foi nesse dia do inverno de 1961 que Pipeline foi batizada.
Dali em diante aquela onda seria a mais temida e venerada de todos tempos.
Waimea era por demais exclusiva e rara.
Pipe sempre foi mais extravagante, oferecida, tentadora.
Quem nunca sonhou com uma foto em Pipe ?
A zona de guerra começa no terceiro reef, famoso pela foto iconografica do Greg Noll olhando o fim do mundo.
Segundo reef é levemente mais simpatico e deixa surfistas com culhões grandes suficientes entrar na onda sem muito desespero e o primeiro reef é o proprio desespero.
Onde carreiras são enterradas ou catapultadas - literalmente.
Pipeline é a onda no mundo que ceifou mais vidas desde que começou a ser surfada.
Basta.
Tão bom que o nomearam duas vezes
John John Florence é um moleque abusado. Se tem um surfista que deve ser evitado em Pipe é esse pirralho.
John John faz a maior media e com as notas que sobram ele faz a segunda melhor media da primeira fase.
Como não podia deixar de acontecer, estamos no North Shore, pô!, Sunny Garcia consegue a proeza de perder sua bateria.
E não perde apenas a bateria, Sunny perde a chance de levar seu setimo Triple Crown pra casa e uma bolada violenta de verdinhas.
Por algum motivo obscuro, Garcia chega atrasado para sua bateria (em casa, cacete!) e revolta-se quando descobre que sua vaga foi preenchida (opa!) por Torry Meister, que deve ter olhado sorrateiramente para os dois lados, esfregado as mãos e corrido pro mar quando percebeu que o limite de cinco minutos para Sunny aparecer tinha sido alcançado.
Sunny sifu.
Shane Dorian fez lembrar seus melhores momentos de Backdorian contra Tiago Pires.
Michael Picon, surfista frances que já tem seu destino traçado nesse final de temporada, enlouquece, se reinventa e faz a melhor bateria da sua vida no WT, 11º maior da historia, pegando dois tubos inacreditaveis para o backdoor, de backside!
O locutor não cansa de nos avisar que Picon faz isso o tempo todo em Hossegor, judiando da nossa boa vontade.
Foi bom ver Bruce e Andy de volta.
Força da natureza
Quinto dia de espera e segundo dia de competição, 6 a 8 pés de cilindros formidáveis.
Falei ?
Pipeline arranca o melhor e o pior dos surfistas. Ninguem escapa das efuziantes comemorações aqui.
Em Pipe, todos vibram como novatos e veteranos são capazes de passar mais tempo se auto-congratulando do que dentro do tubo, fato cada vez mais comum em Pipeline.
John John ja saiu do tubo dando soquinho pro seu dez inconstestavel contra Bobby Martinez.
Mineiro tinha sua chance de defender seu top 3, a melhor classifiacação desde Vitinho em 99, mas atrasou-se para bateria contra o magrelo local Flyn Novack e perdeu por pouco.
Adriano precisou contratar um segurança para competir no Pipe Masters. Dustin Barca, que segundo relatos confusos, vai encarar uma carreira de boxeador e deixar um pouco de lado o surfe profissional (como ja tinha feito o Mick Campbell quando largou o tour em 2000 e alguma coisa) ainda não digeriu a dura que levou dum lutador durante o Hang Loose pro.
O que acontece no surfe, fica no surfe. Mineiro vai precisar um dia sentar e conversar com o troglodita do Barca, olhar nos olhos dele, resolver a pendenga e tomar uma gelada rindo do que aconteceu.
Essa brincadeira custou caro e Adriano chegou em terceiro no Havai e saiu em quinto.
Ainda no De Souza, ele disse no Twitter que ficou satifeito com seu desempenho em Pipe porque surfou bem.
Tambem acho.
Falta agora mais tempo na agua.
Slater surfou com uma variação da sua prancha do ano anterior, 5’11’’, desta vez com 4 quilhas ao inves das 3 e nem uma nota 10 do seu adversario Hank Gaskel foi capaz de para-lo.
Dois pra la, dois pra ca
Ondas dignas de menção
Nota 10 do Kieran Perrow
Nota 10 do Clifton James
Nota 9.9 do Dorian
Todas ondas do Dane Reynolds
Nota 0.98 do Parko
Jeito bom de sofrer
Ja contei que Fanning tinha passado pelo Meister ?
Não ? Pois conto agora, Mick atropleou o camarada que tomou o lugar do Sunny e celebrou suas ondas como quem sabia o que viria pela frente.
Parko enfrentou Gavin Gilete, sujeito de nome que rende trocadilhos mil.
Occy na locução era só emoção, claramente torcendo por Parko mas com alguma simpatia tambem pelo esforço sobre-humano que Fanning estava fazendo para chegar ali com chances reais de título.
Tô nervoso pra c... repetia Occy enquanto Joel escolhia ondas de qualidade questionavel.
A camera focaliza Fanning concentrado, preparando para a proxima bateria.
Agora volta para Gavin Gilete.
Parko rema numa onda mediano para o Backdoor e deixa Gavin sozinho la fora.
Ainda faltam pouco menos de 8 minutos, Mick entra no mar, Dean Morrison é seu oponente.
Serie ao fundo.
Gavin vai pra esquerda, tubo, sai, gritos e palmas.
Parko agora esta contra parede.
Ninguem mais lembra que Slater surfa de quadriquilhas.
Onda pro Joel, vaca.
Acabou.
Mick explode debaixo d’agua, não quer ferir seu amigo.
Ali estão os tres garotos de Coolangata, as tres grandes esperanças que a Australia tinha a quase 10 anos atras.
Mick e Joel se abraçam, trocam algumas palavras que devem ter sido duras de falar e ainda mais duras de ouvir.
Joel cumpre sua promessa de esperar Mick Fanning na beira e o carrega nos ombros.
Impossivel não se emocionar com toda cena.
Grandes homens ali.
Nada mais importa.
Tres dias depois Taj vence a final do Pipe Masters mais sem graça desde Robbie Page em 88, ou Bede, não estou seguro.
Slater surfa o ultimo dia de 5’6’’, quadriquilha, Ricardo Bocão se comove e divide com todos que acompanham seu twitter, criei esse modelo em 1981 e todos me zoaram, tuita Boca.
Dingo puxa a cordinha do Damien Hobgood e vira piada do inverno havaiano a semelhança com o campeonato do filme North Shore.
Damien é quase um texano, mas Dingo nada se parece com Laird.
O dia é da turma da terra de Oz, Joel leva como premio de consolação o Triple Crown pela segunda vez, Taj é agora um Pipe Master, Stephanie leva tudo novamente (Triple crown e mundial) e Mick Fanning é bi-campeão do mundo.
Vai faltar cerveja no North Shore.
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terça-feira, maio 18, 2010
quinta-feira, fevereiro 11, 2010
Perdido em Peniche


[
Serie de textos feitos no calor do momento para o saite da Surf Portugal durante o The Search, etapa do World Tour de 2009, Peniche, PT]
Uma cena no classico filme de surfe Endless Summer (Bruce Brown, 1958, EUA) me passou pela cabeça.
Era assim, numa tribo que mal tinha tido contato com o homem branco, todos enfileiravam-se para assistir aqueles curiosos personagens que se lançavam ao mar para correr ondas.
A cada onda surfada, a multidão pulava, gritava e celebrava como uma grande novidade, empolgante e divertida, quase irresistível que arrastou até o chefe da tribo para uma lição improvisada de surfe.
A vibração nesse sabado, 24 de outubro na Praia da Mota era semelhante, sem piada nenhuma e acrescidos umas 15.000 pessoas.
Quando Kelly Slater saiu correndo de dentro da area improvisada dos competidores e passou no meio do público um frisson tomou conta da praia.
Já estive em Huntington para o OP Pro, em quase todos grandes eventos de surfe no Brasil desde 82, na histérica França e mesmo assim me surpreendi com a imensidão de gente hoje na praia, e não apenas com a quantidade assustadora mas principalmente com a paixão.
Não era nada como no futebol, feito no Brasil por exemplo, era algo diferente, novo - novo pra eles.
Portugal tinha renascido pro surfe.
Desde 2001 quando o WCT foi arrancado da costa lusitana pelo 11 de setembro que os top 45 não davam o ar da graça por aqui e os portugueses tinham ganas de ver a magia que eles são capazes de fazer nas nossas(suas) ondas.
Tudo era comemorado, os tubos, os aéreos, as saídas da onda voando, as corridas pelo meio da malta em direção ao mar e a volta ao palanque.
Até os mais tarimbados não resistiam a bater palmas e gritar em plenos pulmões, afinal de contas aquilo era, e ainda é, uma ocasião única.
Os numeros vão aumentando conforme os diferentes testemunhos dos presentes, Capucho avaliava em 20.000, os jornais, sem pudor nenhum, arremessevam para os 40.000.
Bruno Santos disse que nunca tinha visto nada igual.
Falando nele, Bruninho, foi uma das baterias mais esperadas da segunda fase por todos ali, publico e top 45, caso surpreendesse, Fanning podia mandar gelar a champanhe.
Antes mesmo da bateria o clima já ficara tenso, ao menos pra turma ao lado e pra esse que vos escreve, alguns minutos antes Kai Otton e Ace Buchan fizeram uma disputa de tubos pra esquerda e, bem, preciso lembrar aos amigos a especialidade do Bruno ?
Joel deve ter sentido um frio na barriga.
Assim que soou a buzina, uma esquerda promissora veio e Parko deixou passar, Bruno remou com toda sua força e não entrou. A onda rodou do início ao fim.
Quando saiu d'água derrotado pela falta duma onda decente, Bruno ouviu seu companheiro de equipe Taylor Knox falar, 'se voce pega aquela onda, a história seria outra'.
Sim, Taylor, quantas histórias não seriam outras com ondas perdidas, mas desta vez, sentado ali na areia torcendo como um torcedor cego que especula sempre a bola na trave como possível gol, eu sofri - talvez mais que todos, talvez não, vai saber ?
Em menos de cinco minutos, já ninguem mais lembrava do Joel nem do Bruno porque Owen Wright estava sufando um tubo como aquele que Bruno supostamente deveria pegar logo nos primeiros minutos da bateria contra Kelly Slater.
Foi lá e cá, sem espaço pra respirar.
Já nem sei mais qual das ondas foi mal julgada e qual delas foi compensada, Owen escolheu melhor e surfou melhor, maldito seja, arruinando o sonhos de um sem numero de pessoas que estava lá precisamente para ver o Slater.
Viva Owen!
Mal posso esperar pra falar sobre o domingo...
quinta-feira, novembro 26, 2009
Cafezinho e a conta, por favor
[Revista Hardcore #241>cobertura do WT 2009]

Bota ae, com um grande abraço pro meu amigão...
- O que voce faz com esses troços depois ?
Dane Reynolds estava intrigado com o cheque tamanho familia que Mick Fanning levantava na cermônia da entrega dos prêmios.
Mick sorriu sem dar muita bola.
Ainda não foi dessa vez que Reynolds seria carregado nos ombros pelos amigos e faria o gesto classico de erguer taça e checão ao mesmo tempo.
E foi uma pena - alias, pena não, foi quase uma desgraça.
Desafio o leitor a encontrar alma caridosa que não torceu por Reynolds, na praia ou na grande rede (não conta a Dona Liz, Mãe do Mick, nem esposa, parentes e patrocinadores), durante a final da sexta etapa do circuito mundial.
Trestles é uma grande casa de massagem de egos, lotada de cafetões e cafetinas da uma vez milionária e hoje endividada industria do surfe.
Não fosse pelas pedras, cerveja de quinta categoria e meninas desbundadas (com trocadilho), poderíamos estar no meio da Barra, Joaca ou Maresias sem prejuízos.
Bob Hurley, anfitrião da festa, fez seu pezinho de meia como representante da Billabong nos fabulosos anos 80 e quando apagavam-se as luzes dos 90, deu um rabo de arraia na marca que ele mesmo ajudou a crescer e criou a Hurley. Um par de anos depois, vendeu seu nome para a titânica Nike e engordou alguns kilos na conta bancária.
O magnata hoje se diverte peitando as grandes marcas tradicionais do circuito (Quiksilver, Rip Curl e Billabong) triplicando o valor da premiação do primeiro colocado nos eventos onde se envolve.
Alguns dias antes, Fanning quase foi o felizardo a botar as mãos nas 100 pratas, quando entrou n'água contra um patrocinado da Hurley, Brett Simpsom, na final do U.S. Open na praia de Huntinghton, onde mais ? na sempre ensolaradamente clichê Califórinia.
Mick optou pela espera enquanto Simspom surfava onda atrás de onda, colcando Fanning nas cordas desde o primeiro minuto.
Bom lembrar que o campeão mundial de 2007 não estava ali num WQS em Huntinghton a toa - nem ele nem Slater, nem Mineirinho, nem Andy Irons - 100 mil mangos (como diria Aracy de Almeida no juri do Silvio) não é pra qualquer um.
- Se eu tivesse ganho aquela bolada não estaria aqui agora. Teria ido pra (Las) Vegas e feito muita merda. Quando eu tava indo pra final, Kelly falou: não vai dar uma de dama de honra novamente, vai ? Eu disse, nem a pau!
Fanning não esperaria por ondas desta vez, não senhor.
No primeiro dia de campeonato, depois de um mes inteiro pleno de especulações sobre um novo circuito dissidente da ASP e uma possivel puxada de tapete para 2010, Slater nos fez esquecer de tudo com a maior média da primeira rodada naquela forma que nos acostumamos a ver nos últimos 20 anos (nossa! já faz mesmo tudo isso ???), a maior média de todo evento, 18.5.

Slater ao meio dia
Pausa para os numeros
Diga-se de passagem, pelo bem das estatísticas, tão presentes quanto inúteis, que em 2009 pouca gente ultrapassou a barreira dos 18 pontos.
Logo na primeira etapa, a turma ainda com a caneta solta, apenas Dane, Joel (duas vezes e um 19.93 formidável na semi contra Mick), Mick (duas) e Jihad (sim!!!) conseguiram pontuação superior a 18, no mínimo dois noves. Em Bells, só Jordy conseguiu um 18.7.
No Tahiti, Martinez só foi arrumar um na final.
Aqui no Brasil, neca de pitibiribas.
J. Bay teve 4 vezes, Sean Holmes amassando Taj, Bourez atropelando Fanning, Slater passando o trator em Muscroft e Joel sobre Kieran - fora o espetacular 19.20 do Dane contra Holmes nas quartas.

Rasga Mineiro!
E os índios ?
Mineirinho tem tido a sorte a seu lado, depois duma primeira fase torta, teve seu caminho facilitado por Phil Macca (finalista em 2005), Nic Muscroft (quem ?) e Josh Kerr, até parar num Bede Durbridge que me faz cair no sono e lhe devolveu a derrota em casa na primeira etapa.
Já Heitor pegou uma turma da pesada, varou uma bateria morna na primeira fase, passou pelo Jeremy e Damien arrancando aplausos na transmissão pelos aéreos, dedicação e seriedade, quando uma pedra chamada Slater apareceu no seu caminho.
Esse quinto lugar, precedendo a perna europeia pode salvar seu ano.
Jihad perdeu pro Kieran Perrow na repesacagem, o mesmo que ele tinha escovado no dia 8 de março no Quik Pro fazendo maior média do dia.

Mick e sua 5'9'' magica
É a última volta do ponteiro!
Tivemos em Trestles uma série de acertos de contas.
Fanning aproveitou para mostrar ao novato Michel Bourez (lembram o 10 em J. Bay ?) quem manda no pedaço e de quebra deixou seu recado para Slater - foi exatamente contra Slater, ainda em 2006 que ele começou sua corrida ensandecida pelo título de 2007.
Ah sim! Como esquecer do Bob gente boa, vulgo Rob Machado, que com aquela cara de sonso e ar de quem não tá nem aí pra nada, tirou Taj e Parko do Hurley Pro como quem tira uma parafina duma criancinha.
Rob estava por toda parte: na pagina do Facebook da Hurley, na transmissão, nas baterias, promovendo seu filme e tomando conta da filha.
Chama-se isso de otimizar o investimento, seja lá o que isso quer dizer.

O que uma tampinha de privada não faz...
5'7'' Tampinha de privada
Dane Reynolds surfou mais que todo mundo.
Digo e já conserto: em Trestles Dane surfou muito mais que o resto.
Em 2009, o surfista mais insinuante, inovador, empolgante e hipnotico do circuito é Dane, puro e simples, como diriam os gringos, hands down.
No Gold Coast, apesar da vitória do Joel, da final do Mineiro, da super-semi Mick versus Parko, apesar de tudo o desempenho mais progressivo foi do Dane Reynolds.
Sumiu por tres eventos e resurgiu em J. Bay com uma linha e um ataque que deixou o circuito abestalhado.
Em casa, não teve pra ninguem:
- Usei umas 6 pranchas diferentes na semana passada, todas pareciam lentas. Eu tinha a sensação que arrastava um monte de algas... Fui lá na fábrica (da Channel Islands) e peguei essa aqui...uma 5'7'' feita com sobras.
Sempre gostei dessas pranchas esquisitas, mas fiquei grilado dos outros acharem que eu tava copiando o Kelly.
Cada onda surfada por Dane era como um Kinder ovo com uma surpresa dentro.
Uma rasgada sua contra Taylor Knox pode ter sido a manobra do ano.

Grana preta
Cafezinho e a conta...
Fanning tinha aquele olhar de cowboy prestes a sacar sua arma, distante e mortal.
Dane parecia o pistoleiro jovem e promissor que preferia a bebida e as mulheres.
Fanning sacou primeiro, Dane atingiu o pico uma bateria cedo demais.
Mick sobe para segundo, Mineiro para terceiro, perna européia aponta logo ali na frente.
Nos últimos 5 anos, Slater, Parko e MIck já triunfaram na França ou Espanha, Mick precisa com urgência de mais duas vitórias e lembrem-se que em outubro a Rip Curl, patrocinadora do Fanning leva o seu The Serch para Super-tubos em Portugal.
Esse ano pode ficar ainda muito interessante.
Garçom, faça o favor...

White Power!

Bota ae, com um grande abraço pro meu amigão...
- O que voce faz com esses troços depois ?
Dane Reynolds estava intrigado com o cheque tamanho familia que Mick Fanning levantava na cermônia da entrega dos prêmios.
Mick sorriu sem dar muita bola.
Ainda não foi dessa vez que Reynolds seria carregado nos ombros pelos amigos e faria o gesto classico de erguer taça e checão ao mesmo tempo.
E foi uma pena - alias, pena não, foi quase uma desgraça.
Desafio o leitor a encontrar alma caridosa que não torceu por Reynolds, na praia ou na grande rede (não conta a Dona Liz, Mãe do Mick, nem esposa, parentes e patrocinadores), durante a final da sexta etapa do circuito mundial.
Trestles é uma grande casa de massagem de egos, lotada de cafetões e cafetinas da uma vez milionária e hoje endividada industria do surfe.
Não fosse pelas pedras, cerveja de quinta categoria e meninas desbundadas (com trocadilho), poderíamos estar no meio da Barra, Joaca ou Maresias sem prejuízos.
Bob Hurley, anfitrião da festa, fez seu pezinho de meia como representante da Billabong nos fabulosos anos 80 e quando apagavam-se as luzes dos 90, deu um rabo de arraia na marca que ele mesmo ajudou a crescer e criou a Hurley. Um par de anos depois, vendeu seu nome para a titânica Nike e engordou alguns kilos na conta bancária.
O magnata hoje se diverte peitando as grandes marcas tradicionais do circuito (Quiksilver, Rip Curl e Billabong) triplicando o valor da premiação do primeiro colocado nos eventos onde se envolve.
Alguns dias antes, Fanning quase foi o felizardo a botar as mãos nas 100 pratas, quando entrou n'água contra um patrocinado da Hurley, Brett Simpsom, na final do U.S. Open na praia de Huntinghton, onde mais ? na sempre ensolaradamente clichê Califórinia.
Mick optou pela espera enquanto Simspom surfava onda atrás de onda, colcando Fanning nas cordas desde o primeiro minuto.
Bom lembrar que o campeão mundial de 2007 não estava ali num WQS em Huntinghton a toa - nem ele nem Slater, nem Mineirinho, nem Andy Irons - 100 mil mangos (como diria Aracy de Almeida no juri do Silvio) não é pra qualquer um.
- Se eu tivesse ganho aquela bolada não estaria aqui agora. Teria ido pra (Las) Vegas e feito muita merda. Quando eu tava indo pra final, Kelly falou: não vai dar uma de dama de honra novamente, vai ? Eu disse, nem a pau!
Fanning não esperaria por ondas desta vez, não senhor.
No primeiro dia de campeonato, depois de um mes inteiro pleno de especulações sobre um novo circuito dissidente da ASP e uma possivel puxada de tapete para 2010, Slater nos fez esquecer de tudo com a maior média da primeira rodada naquela forma que nos acostumamos a ver nos últimos 20 anos (nossa! já faz mesmo tudo isso ???), a maior média de todo evento, 18.5.

Slater ao meio dia
Pausa para os numeros
Diga-se de passagem, pelo bem das estatísticas, tão presentes quanto inúteis, que em 2009 pouca gente ultrapassou a barreira dos 18 pontos.
Logo na primeira etapa, a turma ainda com a caneta solta, apenas Dane, Joel (duas vezes e um 19.93 formidável na semi contra Mick), Mick (duas) e Jihad (sim!!!) conseguiram pontuação superior a 18, no mínimo dois noves. Em Bells, só Jordy conseguiu um 18.7.
No Tahiti, Martinez só foi arrumar um na final.
Aqui no Brasil, neca de pitibiribas.
J. Bay teve 4 vezes, Sean Holmes amassando Taj, Bourez atropelando Fanning, Slater passando o trator em Muscroft e Joel sobre Kieran - fora o espetacular 19.20 do Dane contra Holmes nas quartas.

Rasga Mineiro!
E os índios ?
Mineirinho tem tido a sorte a seu lado, depois duma primeira fase torta, teve seu caminho facilitado por Phil Macca (finalista em 2005), Nic Muscroft (quem ?) e Josh Kerr, até parar num Bede Durbridge que me faz cair no sono e lhe devolveu a derrota em casa na primeira etapa.
Já Heitor pegou uma turma da pesada, varou uma bateria morna na primeira fase, passou pelo Jeremy e Damien arrancando aplausos na transmissão pelos aéreos, dedicação e seriedade, quando uma pedra chamada Slater apareceu no seu caminho.
Esse quinto lugar, precedendo a perna europeia pode salvar seu ano.
Jihad perdeu pro Kieran Perrow na repesacagem, o mesmo que ele tinha escovado no dia 8 de março no Quik Pro fazendo maior média do dia.

Mick e sua 5'9'' magica
É a última volta do ponteiro!
Tivemos em Trestles uma série de acertos de contas.
Fanning aproveitou para mostrar ao novato Michel Bourez (lembram o 10 em J. Bay ?) quem manda no pedaço e de quebra deixou seu recado para Slater - foi exatamente contra Slater, ainda em 2006 que ele começou sua corrida ensandecida pelo título de 2007.
Ah sim! Como esquecer do Bob gente boa, vulgo Rob Machado, que com aquela cara de sonso e ar de quem não tá nem aí pra nada, tirou Taj e Parko do Hurley Pro como quem tira uma parafina duma criancinha.
Rob estava por toda parte: na pagina do Facebook da Hurley, na transmissão, nas baterias, promovendo seu filme e tomando conta da filha.
Chama-se isso de otimizar o investimento, seja lá o que isso quer dizer.

O que uma tampinha de privada não faz...
5'7'' Tampinha de privada
Dane Reynolds surfou mais que todo mundo.
Digo e já conserto: em Trestles Dane surfou muito mais que o resto.
Em 2009, o surfista mais insinuante, inovador, empolgante e hipnotico do circuito é Dane, puro e simples, como diriam os gringos, hands down.
No Gold Coast, apesar da vitória do Joel, da final do Mineiro, da super-semi Mick versus Parko, apesar de tudo o desempenho mais progressivo foi do Dane Reynolds.
Sumiu por tres eventos e resurgiu em J. Bay com uma linha e um ataque que deixou o circuito abestalhado.
Em casa, não teve pra ninguem:
- Usei umas 6 pranchas diferentes na semana passada, todas pareciam lentas. Eu tinha a sensação que arrastava um monte de algas... Fui lá na fábrica (da Channel Islands) e peguei essa aqui...uma 5'7'' feita com sobras.
Sempre gostei dessas pranchas esquisitas, mas fiquei grilado dos outros acharem que eu tava copiando o Kelly.
Cada onda surfada por Dane era como um Kinder ovo com uma surpresa dentro.
Uma rasgada sua contra Taylor Knox pode ter sido a manobra do ano.

Grana preta
Cafezinho e a conta...
Fanning tinha aquele olhar de cowboy prestes a sacar sua arma, distante e mortal.
Dane parecia o pistoleiro jovem e promissor que preferia a bebida e as mulheres.
Fanning sacou primeiro, Dane atingiu o pico uma bateria cedo demais.
Mick sobe para segundo, Mineiro para terceiro, perna européia aponta logo ali na frente.
Nos últimos 5 anos, Slater, Parko e MIck já triunfaram na França ou Espanha, Mick precisa com urgência de mais duas vitórias e lembrem-se que em outubro a Rip Curl, patrocinadora do Fanning leva o seu The Serch para Super-tubos em Portugal.
Esse ano pode ficar ainda muito interessante.
Garçom, faça o favor...

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