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segunda-feira, março 01, 2010

Desgostoso


[Neco Padaratz possibly put on one of the best displays of his lengthy career and could barely score over a 6.5. When the announcers informed him of his second score he threw his arms up in disgust and then surfed the next wave even better, only to be awarded even less points for his efforts. “Braziliaphobia” is far from dead]

E não foi um brasileiro que escreveu isso, foi um americano, la no saite da Surfer.

quinta-feira, dezembro 11, 2008

Desprezo



[It's funny because there has almost been a disregard for the ninth world title, from a lot of people and a lot of surf fans. Everyone is so focused on double digits, "are we gonna see double digits, are we gonna get to number ten. It's the perfect number." You know, it's all semantics at that point.]

Palavras do Carlos, na edição onlaine da Surfer.
Ou, se voce preferir, baixa o podcast e ouve com esse ouvidos que a terra há de comer.

sexta-feira, setembro 26, 2008

Cada macaco no seu galho


A turma era da pesada


[Coluna Tempestade em copo d'água>Revista Surf Portugal # 186>Julho 2008]

Recebo um inesperado presente, Best of Surfer Magazine (Chronicle Books, EUA, 2007), caprichado trabalho de pescaria do excelentíssimo ex-editor da revista, Steve Hawk (sabiam que ele é irmão do Tony, sim, do skate), Chris Mauro e prefácio escrito pelo Dave Parmenter, com sagaz título, 'Existe mesmo esse negócio de escritor de surfe ?'.
A seleção dos textos pontua bem as diferentes eras que o surfe pasou desde que revista Surfer chegou em 1960, passando do início romântico ao hiper-profissionalismo, sem esquecer de todas viagens, pra dentro com Drew Kampion e pra fora com Kevin Naughton - ou vice-versa.
Cada macaco no seu galho, fui direto no fatídico 'Bustin' down the door' (Vol. 17 No. 5 Janeiro 1977) que custou ao atual presidente da ASP Rabbit Bartholomeu todos seus dentes.
A curiosidade ardia.
No caminho para página 72 me vi atraído pelo título dum artigo escrito pelo Gerry Lopez, Attitude Dancing (Vol. 17 No. 2 Junho 1976).
Cada texto é precedido duma pequena ambientação e voce periga ser fisgado quando menos espera como um marlin num livro do Heminghway.
Esse do Lopez dizia assim: '...Shaun Thomsom, Rabbit Bartholomeu, Ian Cairns e Mark Richards incomodavam a velha guarda, e sua mentalidade 'destruir, demolir e rasgar' contrastava asperamente com filosofia 'deixa rolar, irmão' da elite havaiana. O debate filosófico esquentava. Socos eram frequentes como palavras. Lopez, o arqueiro zen de Pipeline acalmou os ânimos quando desenhou um panorama da situação...'
Quem é capaz de resistir à um chamado desses ?
O reinado de Lopez chegava ao fim e toda sumptuosidade havaiana começava a ruir com a chegada barulhenta da geração Free Ride, homens que mudariam o surfe para sempre.
Elegantemente, Lopez respondia do jeito que dava em palavras o que ficava sem resposta dentro d'água.
Sutilmente, o Rei de Pipe sugeria que o novo surfe queria impor sua força à onda, enquanto a tradição havaiana era de 'ser um com a natureza(onda)'. O artigo é uma aula de história com requintes de sarcasmo do camarada famoso pela calma e classe ao surfar a onda mais temida do mundo no seu tempo. Lopez não perde uma única oportunidade de legitimar o surfe - e o estilo de vida - havaiano e esculhambar com a nova escola australiana.


Voando...

Que ninguem nos ouça mas Lopez ostenta uma fama nada condizente com sua imagem, de ser um tremendo rabeiro (dropinador ?), deve ser o ying ou o yang, não estou certo.
Mais um pedacinho: '...podemos rastrear a origem desses dois comportamentos, buscando as duas distintas filosofias de vida...Paralelos do pensamento ocidental versus oriental são inúmeros. Podemos argumentar que os A's (australianos, sul-africanos e cia) representam uma competitividade rude, desbravadora, enquanto os B's (Havaianos) tem mais afinidade com as culturas mais inertes do oriente (Cowboys versus índios ?). De qualquer maneira, o ocidental clássico 'pegar o touro pelos chifres' caracteriza o ataque dos A's. E a filosofia oriental é do tipo que diz 'é mais fácil andar na mesma direção do cavalo', ou 'pegue o que voce tem' dos B's é fundamental para seu estilo de vida - e de surfar.'
A lenha para a fogueira de vaidades cresce com as palavras.
Lopez intencionalmente quer mostrar ao leitor que esse novo gênero de surfe é uma distorção da pureza havaiana, algo bem próximo da balela atual de soul surfing, onde Joel Tudor faz modelos exclusivos para uma marca gigantesca e chama astutamente de Good Karma.
É tudo uma questão de grana.
Lopez vislumbrava seu reinado, e seu negócio, ameaçado.
Isso não faz seu texto menor, não senhor, até pelo contrário, o engrandece.
Sua precisão nos fatos é admirável, da mesma forma que suas cavadas bem embaixo da guilhotina de Pipeline.
Ali pelo final do seu texto, Lopez cita Drew Kampion, outro craque, não da prancha, mas do teclado da máquina de escrever, editor da Surfer na mágica época de 68 até meados de 70: 'Na maioria dos esportes, a estrutura determina os campeões. No surfe, os campeões é que determinam a estrutura'.
Uma frase certeira, atemporal, a deixa para o faminto novato Wayne Rabbit Bartholomeu dar sua versão dos fatos.
Rabbit cita os resultados nas Olimpíadas de 1976 pra empurrar o desempenho dos surfistas da época.
'Sem dúvida motivados pela notoriedade de Spitz, as estrelas da natação reduziram 95% dos recordes mundiais existentes e, pela primeira vez na história, notas máximas foram atribuídas para ginastas romenos e russos.'
Sr Bartholomeu tinha 22 anos quando escreveu isso.
O surfe profissional ainda sequer tinha nascido como conhecemos hoje, com circuitos e etc...
A batalha começava nos argumentos, um melhor do que o outro.
'Nenhum dos caras novos pode afirmar ser melhor do que esse grupo de surfistas bem estabelecidos, simplesmente porque Bk (Barry Kanaiapuni), Lopez, Hackman e Nat, pra citar alguns, tem sido uma enorme influência no surfe moderno, e ainda assim há espaços para indivíduos, conhecidos ou desconhecidos, serem reconhecidos simplesmente pela sua originalidade e criatividade...O negócio é que quando voce é um garoto emergente vindo da Austrália ou África do sul, voce não pode apenas entrar pela porta de trás (para ser convidado pros campeonatos no havaí). Voce tem que derrubar a porta antes que te ouçam chegar.
Desde aquela geração não tivemos ainda um grupo de surfistas tão determinados a mudar o curso do surfe, dentro e fora d'água, como eles.
Imaginem hoje, Slater (ou Machado) escrevendo na maior revista do mundo (o mundo era deste tamaninho...) sobre o jeito do Dane Reynolds e Jordy Smith surfarem e um dos dois, alem dos resultados em campeonatos, rebatessem os argumentos com a maior elegância e irreverência.
E ainda por cima vencer, vencer, vencer...


Quem resiste a categoria do Lopez ?

PS - A leitura dos dois artigos é um belo exercício para quem quer entender de onde viemos e para onde vamos.
O debate é bem mais antigo do que somos capazes de conceber.

quarta-feira, setembro 24, 2008

Pe na porta!




[Three issues after Gerry Lopez’s “Attitude Dancing” was published in SURFER in late 1976, young Australian Rabbit Bartholomew got his chance to respond on behalf of what are known today as the Free Ride revolutionaries, the enfants terrible who threatened to unseat the Old Guard on Oahu’s north shore.

"The fact is that when you are a young emerging rookie from Australia or South Africa you not only have to come through the backdoor...but you also have to bust that door down before they hear ya knocking."

In his treatise “Bustin’ Down the Door,” he described the other side of the cultural clash that stood to halt the radical, progressive surfing championed by the young Australian and South African surfers—and his title announced, in no uncertain terms, how they meant to achieve revolution. Though Bartholomew felt he made his case in a respectful tone, many Hawaiians seethed over Rabbit’s and his countrymen’s behavior in the water, and his essay, rather than quell their anger, had the opposite effect.

Weeks after “Bustin’ Down the Door” was published, Rabbit got in a tussle with Hawaiian legend Barry Kanaiaupuni during a competition in Australia. The following season on the North Shore would prove to be one Bartholomew would never forget. Death threats and punch-outs meted out by local surfers soon forced Rabbit and a handful of other Down Under crew to live in a state of siege in a nearby resort.

Fortunately, Hawaiian Eddie Aikau saw that things had gone too far. He and his highly-respected family stepped in and called together the aggrieved parties for some good old-fashioned ho’oponopono, the Hawaiian custom of putting things right in a group or family meeting. Held in a packed conference room at the Turtle Bay Hilton, this gathering of the tribes was a de facto public trial. The verdict: Rabbit had shown disrespect for the local people; he was banished from the North Shore, save only for his heats in the scheduled professional surfing contests.

Many believe that Aikau’s actions may have actually saved Rabbit’s life. It would be three years before he could return, and many more before he could stop looking over his shoulder. Today, Rabbit is the president of the Association of Surfing Professionals (ASP) and stands in good graces with the Hawaiian surfing community. Still, in a 2005 SURFER interview with editor Chris Mauro, Rabbit felt the sting of old wounds, observing that the affair “cut me in half as a man.
”]

Leia aqui o artigo original da Surfer (ou clica no titulo).

terça-feira, setembro 16, 2008

This isn’t SURFER Magazine, Joel!




A grande notícia do ano para os leitores da Surfer.
Joel Patterson, ex-editor da Transworld (onde era nitidamente um peixe fora d'água) e da revista Water é agora o novo editor da Surfer, ocupando o lugar que era do Chris Mauro.
Joel é um camarada capaz de guiar a Surfer na direção que andava na época de ouro do Steve Hawk.
Clica no título e leia a entrevista.

sábado, julho 05, 2008

Fogos sem artifício



Mais uma, desta vez na Surfing.
Falta mais o que ?

In Lima, Peru, there’s a new meaning to “the waves are firing.” A couple months ago, at a break known for its monster waves, Pico Alto, there was an altercation about an expensive board that got lost in the white water. After some words were exchanged the typical macho tow surfers took things too far, pulling a gun from their wave runner and shooting it off in the air.

segunda-feira, junho 30, 2008

segunda-feira, março 10, 2008

Indisivo



No que hoje convencionou-se chamar de cultura surfe, a porta de entrada de todo garoto é pelo universal adesivo.
Quem não passou pela fase de colecionar os auto-colantes pulou um degrau importante, que alem de divertir ajudava na formação do surfista.
Nem tudo era permitido na luta para conseguir um adesivo difícil.
Pedir podia.
Até implorar, quando preciso.
Nas visitas dos surfistas estrangeiros ao Brasil, fazia fila de moleques atrás do sempre presente adesivo - quem podia, comprava uma prancha ou uma roupa de borracha e saía com a sacola cheia de adesivos de todos tipos e tamanhos.
Em casa, a disputa era quem tinha a janela mais cheia e variada das marcas que víamos na Visual, Surfer e Surfing.
Algo semelhante ao que fazem nos corpos tatuados de hoje.
Camisetas, como as da Valsurf, eram raras, por isso nos contentávamos com adesivos.
Ben Marcus, um dos ex-editores da Surfer (Matt Warshaw, outro) que resolveu seguir os passos do Drew Kampion (sem a mesma astúcia e finesse e vivência do mestre), compilou e publica agora um livro sobre decalques, adesivos e os patches (me perdoem se não encontro tradução adequada, que seria remendo) pela Schiffer books, uma pequena editora que lança muita coisa sobre moda e arte gráfica.
Marcus presta bons serviços ao surfe pesquisando, reunindo e disponibilizando em livros, programas de TV e conferências (fez até uma aqui, meio que improvisada, na Mostra do surf.
Não saberia dizer se é boa leitura, mas posso garantir sem medo que aos nostálgicos é prato cheio.


quarta-feira, agosto 15, 2007

Adeus à mídia média

Drift. Muito mais do que uma revista para inglês ver.

Lembro quando era um gurizinho, dando os primeiros passos (ou braçadas) no surfe e encomendava aos parentes que viajavam ao Rio ou à São Paulo, que me trouxessem uma Brasil Surf. Naquele tempo, quando podia correr até a banca do aeroporto era uma festa, pois era garantido que eu encontraria as importadas. Que bacana conhecer aquele mundo tão distante de ondas havaianas e californianas. E aqueles equipamentos? Sonhava em poder ter alguns e ficava namorando-os nas fotos e nos anúncios.

Mas os anos foram passando e todo mundo conhece a história. O esporte desenvolveu-se e com ele, a mídia especializada. Revistas, jornais, programas de rádio, TV, etc, etc, etc, foram surgindo às dúzias, em todos os lugares. Imaginem que aqui em Porto Alegre, nos fundilhos do Brasil e a 100km de distância do mar, chegamos a ter num mesmo momento, um programa de TV diário, de 30min., só de surfe, um jornal e uma revista.

E junto com esta revolução, o lixo começou a proliferar. O que era experimento, tornou-se eterno. Gente que nunca havia pisado na beira da praia tornava-se "jornalista do surfe". E a coisa desandou. Os poucos projetos interessantes que surgiram, desapareceram como aquele swell clássico, que aparece no meio da noite e some antes do sol se pôr.

Não vou aqui citar nomes. Não é necessário. O público que se identifica com este blogue sabe do que estou falando.

Mas o que me inspirou a escrever este texto é uma experiência pessoal que estou vivendo neste exato instante. Sempre fui avesso ao radicalismo. Procuro buscar um meio termo em tudo e reluto para encerrar uma rotina. Quando comecei a ouvir de todos os lados que não havia nada que prestasse para se ler por aqui, eu considerei exagero. É claro que não há comparação entre uma publicação cujo tempo de estrada é mais longo do que a minha própria idade, com outra que está recém "saindo da puberdade". Mas o que se espera de qualquer projeto, principalmente de um veículo de mídia, é que com o tempo ele melhore seu conteúdo. Se especialize. Ganhe mercado. Mas não. Pela primeira vez eu me arrependi de ter comprado a revista na banca. E pela primeira vez eu estou passando por ela e não estou com vontade de compra-la. Dizem que é a mais vendida, mas a partir de agora não levará mais os meus tostões. Encerra-se aqui uma relação de muitos anos e posso garantir que não fui eu quem mudou.

Mas se estamos perdendo qualidade editorial por aqui estamos ganhando um outro tipo de mídia. E esta, ao menos pelo que tem mostrado, está surgindo com força e qualidade.

Primeiro foram os guris da Surfshot, que tomaram conta de San Diego e agora estão dominando toda a costa oeste, atropelando as "queridinhas de Orange County".
Depois surgiu por aqui a Black Water e mais recentemente, fui apresentado à Drift, por sinal, dica do Goiaba Mor, Júlio Adler.


Esta última inclusive, oferece um recurso que eu sinto falta nas outras: dá pra baixar a dita cuja pra ler offline ou até mandar imprimir - o que estou pensando seriamente em fazer, afinal de contas, como eu disse, não gosto de fugir da rotina: adoro ler revista de surfe no papel.

terça-feira, junho 26, 2007

GRANDE

[Quem, em sã consciência, pode perder isso ?
Abaixo, um aperitivo para um grande banquete.]



[REDLINING IT
BUDGETS WEREN'T THE ONLY THINGS BURSTING DURING THE FILMING OF YOUNG GUNS 3
by
Sean Doherty
"Do they deserve it?" asked John Shimooka with a questioning inflection.
"Do we deserve it?" replied Jake Paterson before pausing, then bursting into a rhetorical seizure. "Of course we bloody deserve it, Shmoo! This is how we roll! Trailer parks aren't our style; six star is our style! And we're gonna live it up. I think I'm gonna trash the place. One thing's for sure," he said, pausing for dramatic effect. "It'd never happen in our day!" It wouldn't be the first time this line would be uttered on this trip. The two former pro surfers had just walked through the reception area of a $1,000-a-night resort in Seminyak, Bali, lamenting the fact that they were born 20 years too early. Paterson and Shmoo were chaperoning Quiksilver's Young Guns team - Dane Reynolds, Julian Wilson, Ry Craike, Clay Marzo, and 15-year-old "mini-gun" Garrett Parkes - during the three-week filming window for the latest installment of the Young Guns franchise, and it soon became pretty obvious that nothing was going to be done by half...]



[OFF THE HINGES
REFLECTIONS ON A REVOLUTION GONE WILD
by
Wayne "Rabbit" Bartholomew

Recently I found myself sitting with Shaun Tomson and Peter Townend at Snapper Rocks in Queensland, and though the surf was perfect, the three of us - all former world champions - were there not as competitors, but as enthusiastic spectators. Nearly 25 years ago we all would have been a little ways up the coast at Burleigh, at the top of our form and facing each other as mortal rivals in the Stubbies Pro. It's a strange thing, time; now we were three world champions still keen as mustard, still crucially involved in the sport of surfing, watching the final heat of the Quiksilver Pro as eagerly and excitedly as stoked grommets. ...]



[RAINBOW'S END
Mike Hynson rose to fame as The Endless Summer's poster boy, fell to Earth as one of the most dangerous men in America, and is being resurrected as one of surfing's most overlooked design gurus.
by
Steve Barilotti

Jimi had been dead a year, but the revolution - or at least a movie version of it - kept right on jammin' without him.
Less than a month after Hendrix played a free concert on the slopes of Mt. Haleakela, effectively wrapping principal photography for Rainbow Bridge, the flamboyant rock virtuoso accidentally self-immortalized on a deadly cocktail of red wine and barbiturates, choking on his own vomit in a London flat on September 18, 1970. Within days of Hendrix's death, Mike Hynson, former '60s teen surf prodigy turned indie film producer, got the call from Warner Brothers Studios demanding immediate return of all original footage of Hendrix shot to date. With the lawyers circling, Hynson knew he had to move fast or lose Rainbow Bridge forever. Warner had not only funded the film - a rambling cinematic "happening" loosely based around a spiritual surfing quest - but they also controlled most of Hendrix's music slated for the film's soundtrack.
Hynson returned the canned footage. However, unbeknownst to the Warner suits, Hynson and director Chuck Wein had stashed a working print of Rainbow Bridge for safety. ...]