segunda-feira, março 10, 2008

Indisivo



No que hoje convencionou-se chamar de cultura surfe, a porta de entrada de todo garoto é pelo universal adesivo.
Quem não passou pela fase de colecionar os auto-colantes pulou um degrau importante, que alem de divertir ajudava na formação do surfista.
Nem tudo era permitido na luta para conseguir um adesivo difícil.
Pedir podia.
Até implorar, quando preciso.
Nas visitas dos surfistas estrangeiros ao Brasil, fazia fila de moleques atrás do sempre presente adesivo - quem podia, comprava uma prancha ou uma roupa de borracha e saía com a sacola cheia de adesivos de todos tipos e tamanhos.
Em casa, a disputa era quem tinha a janela mais cheia e variada das marcas que víamos na Visual, Surfer e Surfing.
Algo semelhante ao que fazem nos corpos tatuados de hoje.
Camisetas, como as da Valsurf, eram raras, por isso nos contentávamos com adesivos.
Ben Marcus, um dos ex-editores da Surfer (Matt Warshaw, outro) que resolveu seguir os passos do Drew Kampion (sem a mesma astúcia e finesse e vivência do mestre), compilou e publica agora um livro sobre decalques, adesivos e os patches (me perdoem se não encontro tradução adequada, que seria remendo) pela Schiffer books, uma pequena editora que lança muita coisa sobre moda e arte gráfica.
Marcus presta bons serviços ao surfe pesquisando, reunindo e disponibilizando em livros, programas de TV e conferências (fez até uma aqui, meio que improvisada, na Mostra do surf.
Não saberia dizer se é boa leitura, mas posso garantir sem medo que aos nostálgicos é prato cheio.


3 comentários:

Giovanni Mancuso disse...

Júlio, me deu uma vontade de ter este livro nas mãos..mesmo que me tome os tais dois anos para lê-lo...hahaha!
[]s
GM

Anônimo disse...

Quantos contacts não foram usados para, na falta dos originais, fabricar os adesivos das marcas mais tiradas. E quanto não foi abusado da paciência dos pais que deixavam a gente colar esses adesivos no carro (o belinão era lotado!). Era a febre das logos, da propaganda gratuita escancarada, que antecipou a onda da prancha lisa... (essa onda existiu?). Abraço!

Claudio da Matta disse...

Ops! O belinão era do meu pai! Abraço, Julio!