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sexta-feira, maio 27, 2016

Diario de Sagres

Um Rei no seu reino
Sagres, 24 de Maio 2016

Foram quase quatro horas de trem até chegar a Lagos, vindo de Lisboa.

E já chegava atrasado para o jantar.

Não é facil sentar numa mesa onde estão já acomodados, Wolfgang Bloch, Andrew Kidman, Sandow Birk e Rusty Miller.

A sensação é estranha.

Alguma coisa de não pertencer a mesma estirpe daquela turma e ao mesmo tempo aceitar que, afinal de contas, somos todos apenas surfistas famintos de experiências e sedentos de histórias, nada mais.

Sobra-me a cabeceira, copo de vinho à frente, chouriço alentejano e uma vontade enorme de ouvir todas conversas paralelas.

João Rei, anfitrião do Sagres Surf Culture, me recebe com um sorriso largo e uma pergunta,

Já comeu, Júlio ?

Esse é o quinto ano que João faz isso aqui acontecer e ainda me custa acreditar que nessa primeira edição internacional, sou o único a falar portugues.

Sagres 



Sagres, 27 de Maio 2016

Passaram-se tres dias tão intensos que não houve tempo sequer para escrever.

Fizemos uma caminhada guiada de duas horas, um geólogo e uma bióloga nos explicando os pormenores da fauna e da flora dessa costa assustadoramente bela.

Paramos para almoçar na praia de __________ e Rusty Miller, 73 anos, trocou a roupa e deu um mergulho no mar gelado do Algarve como se fosse a coisa mais natural do mundo - e é!

A energia do homem é fenomenal.

Lars, o fotografo alemão que nos acompanhava, bufava e resmungava em ingles,

Como pode o Rusty ter caminhado por duas horas, descido o despenhadeiro e já está lá em cima nos esperando enquanto eu mal consigo me aguentar em pé depois de subir o barranco...

João tambem nos preparou uma visita guiada ao Forte e ao Farol, acompanhados pelo historiador Artur de Jesus que parecia tão encantado com as histórias que contava quanto seus ouvintes.

Ao final do passeio, diante de tanta informação, era dificil saber quem estava mais deleitado, nós com a riqueza dos detalhes dos reis e navegadores portugueses, ou o Artur ao perceber que estava ali diante de figuras com trajetórias de vida tão ou mais fascinantes do que alguns dos seus personagens.

Nem todos, nomeadamente Rusty, duas vezes finalista do Duke Kahanamoku em Sunset, pioneiro das bombas havaianas, primeiro surfista em Uluatu - ainda por cima filmado por Alby Falzon em agosto de 1971 e eternizado no clássico Morning of the Earth.







quarta-feira, setembro 11, 2013

Como Portugal devorou o Surfe


[Artigo do João Capucho para o Jornal I sobre a fragilidade da ASP e a força do Surfe Português]


Tomada de posse da ZoSea.  Em 2013, os dois circuitos mundiais profissionais de surf disputados sobre a égide da ASP – Association of Surfing Professionals oferecerão, na categoria masculina, uma premiação monetária total de 8.6 milhões de dólares, distribuídos entre os 4.5 milhões das 10 provas do WCT (World Championship Tour ou, “Grand Slam” se preferirem) e os 4.1 milhões oferecidos pela soma dos 29 eventos do circuito mundial de qualificação (WQS ou World Qualifying Series). Apesar da crescente popularidade do surf, esta cifra corresponde ao segundo ano consecutivo em que se regista uma redução na premiação total dos eventos da ASP, depois de, em 2011, se terem atingido os níveis recorde históricos de 10.7 milhões de dólares repartidos por 50 eventos (masculinos). Coincidência ou não, 2013 marca também o ano de viragem no modelo de governo da ASP, naquilo que muitos erradamente consideraram como uma privatização (a ASP, ainda que associativa, já era privada, ie dos socios) mas que em boa verdade corresponde a uma cedência dos direitos de exploração à Zosea, um grupo media sem historial e aparentemente constituido para o efeito, cedência esta articulada com contratação de um novo CEO para a nova organização conjunta a qual também, naturalmente, recebe um novo modelo de votação interna. Em resumo, uma clara incorporação de competencias media, de marketing desportivo e de revenda de direitos de televisão de que a ASP claramente necessitava e que portanto tem efectivamente condições para resultar.
Consequências da crise. Esta alteração, expectável, visa pois, naturalmente a diversificação das fontes de receita dos vários circuitos (com maior incidência no WCT), altamente dependentes do financiamento da “troika” Rip Curl / Billabong / Quilksilver, os três gigantes da indústria do surfwear que dominavam os destinos (os votos) da “antiga” ASP mas que foram varridos por uma forte redução das vendas em todo o mundo e, como sociedades abertas (ie, cotadas em bolsa – excepto Rip Curl) por consequente insatisfação dos seus accionistas. Tais alterações de politica na nova ASP, em meu entender, terão de materializar-se na angariação de um ou mais umbrella sponsors para o WCT, na venda por atacado dos direitos de TV, no pay-per-view ou na subscrição das transmissões em directo dos eventos, como ainda muito provavelmente na bilhética e no merchandise global (por oposição ao merchandise evento a evento), tornando desta forma o surf num produto com o mix de receitas semelhante ao futebol (para simplificar, 33,3% sponsoring, 33,3% direitos TV, 33,3% bilhética e merchandise). Em termos práticos, para os fãs e espectadores, pelo fim da gratuitidade seja no local de prova seja, mais provavelmente, no conforto do sofá ou da secretária.
Dream Tour Estas mudanças materializar-se-ão primeiro nos eventos do WCT, o principal produto, e implicarão certamente acesas discussões sobre a sua difícil compatibilidade com o conceito de Dream Tour, ou melhor, ondas perfeitas em paraísos tropicais remotos com água quente e cristalina. Este – o Dream Tour – tem, a meu ver, os dias contados mesmo na ressaca de um fenomenal evento nas ilhas Fidji ou no arranque idilico nas direitas de Keramas em Bali. Os direitos de TV e o pay-per-view implicam que os eventos pensem mais em que está a vê-los do que em quem está a “fazê-los”.  Porque, quem os vê é quem paga a quem os faz. Provas urbanas como o Rio de Janeiro tenderão a ganhar um peso reforçado e/ou a serem complementadas com provas em piscinas com ondas artificiais (e receitas de bancada) e a “vida boa” de apenas 10 eventos de 11 dias cada tem os dias contados. Veja-se por exemplo, a ingenuidade ou o “amadorismo” de arrancar Fidji, em pleno prime-time na Europa, com uma competição não oficial de um dos patrocinadores da prova e deixar o fillet mignon para quando um vasto continente...estava a dormir. Tudo tende a aproximar-se do modelo da Formula 1 e do Moto GP com 14 a 16 provas, mantendo-se, por exemplo, o núcleo duro de Taiti, Havai, Califórnia, Europa (Portugal, Espanha ou França) e Austrália (Kirra ou Bells) às quais se juntarão novas provas, de duração mais curta e horários mais certos, isto é e, menos (ou nada) dependentes da “onda perfeita”. E mesmo assim, desenganem-se os mais puristas pois no Moto GP, as provas asiáticas disputam-se à noite para “bater certo” com os habitos dos espectadores europeus, os seus maiores fãs.
Os números não mentem. Discordará de mim a corrente mais puritana do surf que tem hoje, gratuitamente na TV ou in-situ, um espectáculo de primeira água (na verdadeira acepção da palavra) mas que, no fundo, não é sustentável. E tanto não o é que, os números não mentem. A enorme visibilidade do WCT correspondeu, desde 2007, a um crescimento médio anual de 9% na premiação monetária mas, no mesmo período, a premiação monetária do WQS cresceu apenas a uma taxa anual de 4% e, desde 2010, tem caído a pique, com o nº de eventos a baixar de 46 paragens naquele ano para 29 este ano. Pior. A crise na Europa agravou o cenário e, depois de quatro anos consecutivos (2007 a 2010) com mais de 12 eventos de qualificação no Velho Continente, em 2013 realizam-se apenas 4 (!!) campeonatos, contra 5 em 2012 e 8 em 2011. Significa isto que o cobertor que se usou para tapar a cabeça do WCT foi ficando cada vez mais curto e destapou os pés do WQS, a base, que vai morrendo de frio e definhando.
Alterações radicais necessárias Tais factos implicam pois que, também o WQS terá de sofrer alterações radicais que, em meu entender podem passar pelo fim dos “Primes” (um conceito vago “entalado” entre um WCT barato, sem o ser, e um WQS de 6 estrelas caro, sem necessitar de o ser), pela redução dos graus para apenas 3 ou 4 níveis (numa medida semelhante ao ténis que tem apenas os ATP 250, 500, 750 e 1000 antes dos Grand Slam e Masters) e, admito, para alguma regionalização da qualificação e atribuição de vagas para o WCT por região (como os mundiais de futebol da FIFA), diminuindo desta forma o custo de participação e aumentando os fees e quotas da própria ASP através da participação de mais surfistas. Não é preciso inventar a roda. Desportos comercialmente evoluidos e disputados à escala global, já encontrararam mecanismos, camadas ou fases/qualifiacações, locais, nacionais, continentais e mundiais para as suas competições. E estas mudanças podem também contribuir para a captação de regional sponsors, uma camada acima dos local/event sponsors. A médio prazo, com este modelo consolidado, o surf feminino, em clara ascensão, visibilidade e sex-symbols deve, como no tenis aquando da criação da WTA como cisao da competição feminina da ATP, seguir o seu caminho.
Portugal no mapa do surf mundial Portugal, quer através da Federação – limitada na acção por ser apenas afiliada na ISA - quer através dos patrocinadores e organizadores deve estar preparada para este caminho e deve ser, por um lado, mais selectivo e, por outro, mais exigente com a ASP. Com várias autarquias e autonomia(s) a quererem levar para o seu município ou região, num ano de eleições autárquicas, o titulo da “melhor onda”, o investimento do país – que estimo em quase 50% de oriundo de fundos públicos  – em provas da ASP, corresponderá, em 2013, e apenas na prova masculina, a cerca de 950 mil dólares de prémios monetários distribuídos por 3 eventos, quase 11% do total dos prémios pagos por todo o tour da ASP, quando, em 2007, os 4 eventos masculinos cá disputados apenas correspondiam a 3% do total. Este peso não tem a mínima correspondência nem na participação de atletas portugueses nem na presença de competentes gestores, técnicos, árbitros ou profissionais portugueses nas instâncias da ASP, muito por culpa da nossa incapacidade de arranjar consensos, trabalhar em rede e apagar pequenas rivalidades locais. Tudo isto, creio, vai, ou melhor, tem de mudar.

segunda-feira, setembro 09, 2013

How Portuguese Devour Surfing


[João Capucho explains how fragile ASP is - and how strong a simple Country can be]

In 2013, the ASP’s two professional male surfing tours will grant a total purse of 8.6 million dollars, 4.5 of which being given to surfers at the World Championship Tour (WCT) 10 stops and the remainder coming from the World Qualifying Series ‘(WQS) 29 events throughout the globe. Despite surfing’s increasing popularity, this means total prize money has decreased for two consecutive years up from an historically record figure of roughly 11 million dollars and 50 events in 2011. This has coincided in time with a radical change in ASP’s governance model which has been (wrongly) named as a takeover on the ruling body of professional surfing. Basically, what the ASP did was a full sale of its  rights over  its major competitions to an apparently freshly incorporated, unknown media group named ZoSea Media. Towards event license owners – corporate surfing brands - ZoSea assumed the responsibility of putting in place the WCT and, regarding surfers, it has promised them the much awaited pension plan and, of course, extra prize-money, in exchange for their voting rights on the organization. This allowed Zosea to appoint a new ASP management team bringing new marketing and business skills and probably the end of the historical governance model by ex-professional surfers and more salted eyebrows.
With the WCT funding needs highly dependent on a troubled RipCurl / Quiksilver and Billabong troika, this deal came with no surprise as these companies – who had voting rights on the former ASP – dramatically need to cut their costs to cope with falling revenues worldwide. However this will fuel a dramatic change in the ASP’s business model and revenue breakdown in the world surfing tour(s). In fact, ZoSea will have to speed up some measures that have been postponed or skipped by former managers f the Organization. First, the WCT must rapidly find an umbrella or naming sponsor. Second, the ASP (ZoSea) will have to (re) sell its TV rights either as a bulk and/or to as a pay-per-view scheme forcing its million fans worldwide to start paying for something they’ve always had for free in the past. Moreover, as an umbrella sponsor pops up it will probably go beyond on merchandising products and, last but not least, the end of this-absolutely-free show (the WCT) may be closer as paid tickets is probably needed as another source of revenues. Definitely this will put surfing side by side with mature, developed and solid sports where sponsorships, tv rights, merchandising & tickets account, in equal portions, for every event revenue breakdown.
These much needed changes would first crystallise on the WCT and may be incompatible with the so-called Dream Tour, surfing events in remote tropical places with pristine water, palm trees and scarcely populated areas. Even in the aftermath of three stand out events in Bali, Fiji and Tahiti, the sale of TV rights and pay-per-view turn spectators into owners, fans into clients and, for example, time differences with Europe, the US and Brazil will probably have more to say than the intrinsic value of any given surfing spot. Urban beaches events like the ones of Rio, coupled with artificial wave events and shorter waiting periods will account for a larger portion of an WCT that will most likely include not 10 but 14 to 16 stops as the Formula 1 or the Moto GP world tour. Core ASP events such as Hawaii, Tahiti, Jeffrey’s Bay, Bells Beach will hopefully be kept as virgins but new venues, shorter events and, most probably, lower quality or artificial surf sports will bring the much needed extra dollars to surfers and organisers (ZoSea) and, as it happens with Moto GP and Formula 1, their schedules will rely more on the timetable zones and availability rather than offshore winds or adequate tides. The last Volcom event in Fiji was anecdotic and amateurship seemed to rule. On a week night, at 11 pm, Central European Time, millions of fans were waiting for the action to start in epic conditions but event organizers decided to start with a non-official competition (which, by the way, as a very similar name to the WQS of the ASP) leaving the fllet-mignon of the world’s top surfers to late night hours in Europe. Ridiculous.
However this is a mere realistic preview of what may be yet to come. The WCT is, no doubt, a prime sports show but it is totally free for both the spectators at home and at the beach and this has proved to be unsustainable. Sponsors either lacked or put their money on safe harbours (events) causing serious damages on the WCT foundation: the WQS. Since 2007, total purse in the (male) WCT posted a compound annual growth rate of 9% but, in the same period, prize money in the (male) WQS grew by a mere 4% per annum. Moreover it experienced a dramatic fall since 2010 when surfers had 46 events worldwide quite above this year’s 29 stops. Sovereign debt crisis and sluggish economies in Europe had an important role on this. From 2007 to 2010, the Old Continent had 12 WQS events but, in 2013, you can count them with the fingers of one of your hands. As we say in Portugal, someone put a blanket to cover its head but its feet (the WQS) ended up being uncovered, cold, with a long lasting flu with breathing problems, metaphorically speaking.
This means that the WQS itself will have to face, perhaps, its biggest revolution since it was created back in 1992. In order to avoid cannibalisation, the new ASP must put an end to the so called Prime events which are nothing but a vague concept, something in-between a cheap WCT and a 6 star WQS yet much more expensive.  It should get some inspiration in the ATP 250, 500, 750 and  ATP1000 events and get a new grid with only four level of events. It should also take in account that the current model is obsolete as it is very expensive for, say, an aspirational European surfer to start its international career with qualifying events in Brazil, Australia, Mexico or Japan. This means that surfing should also get further inspiration with soccer and start thinking about continental rather than global entries to the WCT. This would mean, for example, that Europe, Americas, Africa, Asia and Australia would have allocated entries to the WCT thus reducing the costs of participation of surfers, broadening the number of ASP members, turning surfing into a truly global sport and eventually bring new regional or continental  sponsorship opportunities. Just look for the Portuguese example. In 2013, Portugal, a small 10 million people country in Western Europe, will account, in 2013, for more than 11% of the ASP total (male) events purse, up from a mere 3% in 2007. Moreover its first ASP event was held in 1989 and it has always belong to the ASPs calendars since then. However, on one hand, this has absolute no relation with the percentage of surfers ranked in the .WQS, judges in the judges panel or even managers in the ASP scope. Ironically, out of the 3 events held in Portugal, 1 is a WCT and 2 are Prime WQS all of them with closed doors to a significant number of good young Portuguese surfers.
More changes may be seen in the horizon: girls. The ASP has historically disdained the Women tour. The girls, themselves, also have their share in the fail. However, in the past two years, female surfers have been granted a lot of media and air time, as both their sex appeal and performance raised to unprecedented levels. This may force a peaceful spin-off on the ASP like the one we saw 40(!) years ago in WTA (Women Tennis Association).


sexta-feira, fevereiro 08, 2013

Tudo em nome da diversão

Portugal, pra mim, começa - ou termina - aqui + Foto do Ricardo Bravo


Minha ignorância pelo lugar era imensa. Conhecia apenas o bacalhau e as anedotas. Ao chegar na Ericeira, depois de dirigir desde Pantin na Espanha, dormir no posto de gasolina, todos 5 apertados no Peugeot 205 Junior, a decepção não podia ser pior. Vento norte gelado, chuva e nada de ondas por dois dias completos. 
No terceiro dia, grande, mexido, frio.
O Buondi Pro era o final da perna européia, sexto campeonato, seis semanas rodando de praia em praia buscando fama, dinheiro, pontos, mulheres e ondas - nunca numa ordem lógica.
Competir era a única forma que tínhamos para passar o dia na praia disponíveis para os humores do mar. Ou melhor, haviam outras, mas era daquele jeito irresponsavelmente comprometido que tentávamos enganar o tempo.
Tudo em nome da diversão.
O problema é que a dor era tão intensa quanto a satisfação.
Quando cheguei em Portugal, a tensão dos dois meses dividindo carro, casa e mesa com meus 4 companheiros de batalha atingira o grau máximo.
Quase todos já tinham se desentendido entre si e decidi me afastar da turma. Fiquei num quartinho alugado na casa de uma viúva e sua filha, bem próximo ao centro da vilazinha.
Ericeira em 1990 ainda era uma vilazinha, não tinha esse jeito de cidade que tem hoje.
Meus desejos eram dum menino estúpido do Rio de Janeiro, completamente ignorante do país que visitava. Ficava intrigado com tantas senhoras vestindo preto nas ruas, tinha muita curiosidade de experimentar toda sorte de doces que via nas pequenas padarias, até comprei um livro do Fernando Pessoa para tentar entender um pouco mais daquele lugar que me despertava mais afinidades do que França e Espanha - para além do idioma.
Foi quando as ondas chegaram de forma monumental e minha relação ficou ainda mais completa e cada vez mais íntima.
Dirigir sem saber direito para onde se vai num lugar como a Ericeira pode ser uma experiencia fantástica, principalmente quando o mar furioso se acomoda nas baías e recortes da costa.
Encontrei, sem querer, os Coxos. Minha impressão era que tinha quase 10 pés de ondas como nunca tinha visto em canto nenhum.
Lá fora estavam Ross Clark Jones e Tom Carroll, sozinhos, se divertindo a valer. Nem me passou pela cabeça entrar no mar.
Logo no outro dia, surfei a Pedra Branca como só vi em filmes e fotos, sem sequer saber o nome da onda. Vi um australiano (que ninguem mais lembra) chamado Matt Cattle pegar tubos inacreditáveis na minha frente.
O Reef foi surfado de tudo quanto é jeito, por gente do calibre do Brock Little ao Shane Powell.
Curren venceu o campeonato como se surfasse em casa, voltei ao Brasil com vontade de descobrir mais sobre o lugar.
Em 1993 conheci João Valente durante o OP Pro na Califórnia e passei a frequentar Portugal duma maneira completamente diferente.
Cada viagem era como se fosse uma visita guiada, explicada com os detalhes em voz alta, entusiasmados, sempre gesticulando muito, com direito a degustação do que havia de mais típico em cada região.
A única voz que o surfe tinha em Portugal era a Surf Portugal e uma outra revista que já nem lembro do nome.
Hoje o surfe tem pelo menos duas vozes que ecoam semanalmente nos grandes meios, Gonçalo Cadilhe e Pedro Adão e Silva.
Na Australia não há dois surfistas que publicam mensalmente seus dois dedinhos de prosa nas revistas de surfe, todas 5 delas, com o prestígio que Cadilhe ou Adão e Silva tem em Portugal.
Nem nos Estados Unidos temos dois camaradas que fazem qualquer coisa por uma hora de surfe dividindo seu tempo entre grandes diários e colunas em revistas de surfe.
Só mesmo em Portugal, onde até o Rio Tejo vira paisagem de revista de surfe, só mesmo em Portugal, lugar tão atrasado há 25 anos, que a tecnologia dá seus primeiros passos nessa pequena comunidade do surfe.
Foi na Figueira da Foz que fizeram o primeiro webcast em 1996 e 14 anos mais tarde foi em Peniche que o 3D foi testado pela primeira vez.
A loja símbolo da nova fase de um dos gigantes do surfe mundial escolheu Portugal para estabelecer seu novo modelo de investimento.
Chega a ser engraçado que aquele lugar de estradinhas apertadas e perigosas tenha hoje tantas auto-estradas, que de certa forma serve de metáfora pra tanta coisa que aconteceu e ainda acontece nesse país quase renegado pelo resto do continente e que hoje é diariamente redescoberto pelos europeus como melhor destino para um final de semana prolongado.
Não digo que o surfe vai sanar os problemas que Portugal ainda carrega, santa ingênuidade, mas já mudou seu jeito de olhar para as coisas ao seu redor. Basta o tempo que voce dedica lendo uma revista de surfe, olhando o mar ou fechando os olhos, pensando na quantidade de ondas perdidas que ainda precisam da sua companhia.
Se isso não te deixa no mínimo mais otimista, tenta o tênis.


Coxos pelo Manel - se não me falha a memória

[Texto publicado na edição de 25 anos da Revista Surf Portugal e na Revista Hardcore]

terça-feira, março 27, 2012

Movimento perpetuo associativo


[Coluna escrita logo em seguida ao histórico triunfo do Mineiro em Supertubos - em cima do Careca. Perdoem a atualidade do texto]

O jogo
Hoje cedinho vi Adriano de Souza mancando aqui na frente do hotel.
Um amigo apontou e disse, isso parece ser serio... Balancei a cabeça, fechei os olhos e lembrei do que tinha acontecido no dia anterior.
Mineiro tinha ganho o mais espetacular evento dos ultimos nem sei quantos anos.
Um campeonato tão pleno de emoções que pode ser comparado sem medo com Mexico 2006, Pipe 1995, J. Bay 2005, Kirra 1996, Tahiti 2005...
Se nós, brasileiros e europeus, não falarmos disso, ninguem vai falar.
Um evento sublime em todos sentidos, em especial pro homem que vi mancando hoje.
Mineiro fez exatamente como Slater faz a tantos anos. Foi passando baterias sem chamar muita atenção, tinha uma lesão no joelho, que me fez lembrar Bells 2010.
A diferença é que Slater fazia um tremendo dramalhão cada vez que ia surfar naquela ocasião, usando até seu caddie Belly como apoio quando ia pra bateria e o Mineiro... Deu uma de Mineiro.
A turma do andar de cima, americanos e australianos que regem o circo do surfe profissional como uma orquestra de surdos manetas nem percebeu, ou interessou, na lesão do brasileiro.
Em duas semanas o mundo testemunhou um dominio vindo do Brasil como nunca houve antes.
Sim, me recordo de 1994, duas vitorias brasileiras na França seguidas, Teco e Tatuí, ambos ganhando do Slater (como em 2011), Tatuí na terceira fase e Teco, quem esquece ? Numa final eletrizante vencida pelo catarinense.
O tempo em 1994 era outro e o que Medina e Mineiro fizeram na Europa reafirma o que foi feito em 1994, desta vez com o apoio do resto do mundo. Medina renovou contrato com a Rip Curl internacional por mais 5 anos e Mineiro tem o suporte da Oakley mundial desde que saiu da Hang Loose.
O dinheiro agora é outro, grana firme. Temos milhares de pessoas acompanhando o circuito ao vivo, enquanto nos anos 90 quem assistia ao vivo tinha que sujar os pes de areia ou esperar dois meses pelas revistas com fotos e cobertura especializada.






Movimento perpetuo associativo
O subtitulo curioso é duma canção da Deolinda, minha banda portuguesa predileta dessa semana. A letra convoca a todos para reagir contra algo que ninguem sabe o que é e sempre ao final de cada estrofe a cantora dá uma desculpa e vai fazer outra atividade que não merece compromisso.
Mais ou menos como acontece na grande rede.
Existe sempre uma iminente revolução, prestes a estourar. 
E quando estamos cheios de vontade e decididos a levantar a voz...tem jogo na TV, campeonato de surfe, musica no radio, video no youtube, ou chat pulando no facebook.
O unico surfista do circuito que percebeu isso foi Adriano.
Pode haver até outro surfista tão atento com os meios sociais como Twitter e Facebook, mas nenhum deles o utiliza tão bem.
Não há no mundo outro surfista deste nivel tão solicito com seus fãs. Mineiro faz promoções, se oferece quase mensalmente para seus admiradores no twitcam e passa horas conversando sobre o que eles quiserem.
Mineiro usa seu proprio dinheiro para alimentar o apetite dos fãs, isso não é uma estrategia do seu patrocinador.
É sabido que hoje em dia as marcas incentivam e até mesmo exigem que seus atletas mantenham certa interatividade com os torcedores, mas Mineiro ta sozinho nesse mercado, por enquanto.
Adriano tem mais de 10.000 seguidores no twitter e outros 10.000 no Facebook, sozinho já fala com mais gente todos os dias do que qualquer outro companheiro.
Alias, Adriano é o lider dessa nova geração que chega por todo lado.
Sua obsessão pelo titulo mundial é de admirar.
Certa vez, mais de cinco anos atras, numa viagem para G. Land, o jovem que ainda nem tinha 20 anos virou-se para o editor da revista Surf Portugal, João Valente e disse, olha, sei que quase ninguem acredita no que vou dizer...até voce vai dizer que acredita, mas é da boca pra fora. Eu VOU ser campeão mundial.
Na entrevista do Surf Adventures 2 ele repete a frase com a certeza dos grandes.
Aquela derrota para Slater em 2008 representou uma virada de pagina no comportamento do Adriano.
A partir dali, Slater nunca mais teve vida facil, na bateria seguinte, Mineiro fez a mala do Careca.
Encontraram-se duas vezes no The Search de Porto Rico, ali a festa era do decimo titulo...
Num estalar de dedos, o jogo mudou.
Em 2011, Slater ganhou de todos, menos do Mineiro.
E Mineiro, por outro lado, ganhou de todos, inclusive do Careca...

segunda-feira, janeiro 02, 2012

Portugal em 10

[Texto publicado na Revista Hardcore, ainda em 2010]


Tiago Oliveira no Algarve - foto do Ricardo Bravo



O Povo do Mar

La do outro lado do Atlantico há um lugar pra ser feliz.
Nesse lugar vive um povo que sempre se fez ao mar e aprendeu como poucos a sobreviver pelo mar.
Houve um dia que um senhor de fino trato resolveu ir ao mar com um novo brinquedo e iniciou-se o surfe numa terra que ja tinha tido todas as sensações proporcionadas pelo mar.
Poucos povos souberam explorar os sabores do mar como os portugueses e menos ainda ousaram tanto em busca dos temperos.
Se as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá, as ondas que la quebram (as vezes sozinhas) não quebram como ca.
Portugal é um dos 10 melhores destinos do mundo para quem quer surfar ondas de qualidade e alem disso enriquecer culturalmente, que afinal de contas é metade do motivo pra ganhar o mundo.


A Hardcore desvenda o velho mundo aos seus leitores esperando que essa viagem comece aqui nas paginas seguintes e não termine mais.
Tudo que Portugal tem pra oferecer não cabe numa vida só.



Edgar Nozes no canudo - Foto do Ricardo Bravo


10 perguntas que voce deve fazer antes de comprar sua passagem para Portugal


1 Por que Portugal ?

Portugal devia, ou podia, ser uma ilha cercada de ondas por todo lado.
Não é, mas poderia ser.
Nenhum país da Europa tem tantas praias desertas, prontas para receber todo tipo de surfista, do profissional habilitado ao noviço curioso.
As melhores ondas da tua vida podem estar logo ali do outro lado do Atlantico.
Faça o caminho inverso dos nossos descobridores e vá conhecer um pouco do teu passado. Faça dele o teu futuro.
A riqueza cultural portuguesa vai te surpreender e elevar.
Entra na escola onde Vasco da Gama e Cristovão Colombo discutiam sobre futuros trajetos antes de se lançar ao oceano sem fim.
Suba a escada íngreme e estreita que leva ao alto da belissima Torre de Belem.
Conheça castelos e igrejas mais velhas que nosso país.
Acima de tudo, caminhe pelas ruas e ruelas, olhe atento para as paredes com azulejos que contam sempre alguma historia, perca-se nas rotundas, aprenda a lingua mãe, tome vinho, coma com olhos e depois coma de fato.
Entenda os portugueses.
Não ria deles, ria com eles.



2 Mas tem mesmo onda por la ?

Voce pode escolher, direita ou esquerda.
Cheia ou buraco, longa, curta, lotada ou vazia, perto da cidade ou longe dela.
Fundos de areia e fundos de pedra.
Point Breaks sobram em Portugal e nenhuma ondulação se perde naquele país maravilhoso.


3 E para onde devo ir ?

Depende do gosto do fregues.

Ericeira tem sido o destino preferido nos ultimos 20 anos.
Terra com mais onda por metro quadrado, diz um amigo que vive lá e não sou eu que vou discordar.
Tem Coxos, melhor direita da Europa, muito bem protegida pelos seus locais. Tem Ribeira D'Ilhas, uma Bell's Beach no velho continente.
Tem o Reef, tubo cascudo pra quem não teme o fundo furioso, tem a esquerda fantastica da Pedra Branca, tem os fundos de verão do beach break de São Julião.
Não faz sentido nenhum ir surfar na Ericeira e não comer um Arroz de Mariscos.

Graças ao Rip Curl Pro, Peniche fica cada vez mais popular.
Pelo recorte do seu litoral, Peniche oferece surfe o tempo todo, qualquer vento, qualquer maré, qualquer ondulação.
E tem mais, os Penichenses querem receber mais surfistas e querem receber cada vez melhor.
Supertubos é em Peniche.
Se o amigo ou amiga não se animam com uma onda tão violenta, recomendo o Baleal, uma onda deliciosa que se desmancha com cuidado e gentileza para o surfista se ajeitar na prancha.

Mais ao sul, tem o Algarve, sempre quente e agradavel, com suas ondas tão inusitadas quanto impressionantes.
A costa traz tambem segredos mais ao norte, ao oeste, ao sul.
Na Figueira da Foz tem Buarcos, a Jeffrey's Bay portuguesa.
O Alentejo tem mais do que excelentes vinhos para oferecer…

4 Quando é a epoca boa ?

Todo ano dá onda. 
Verão, julho e Agosto, não são muito recomendados pela quantidade de alemães, ingleses, franceses e toda sorte de turistas que invadem Portugal atras de onda e agua fresca.
De todos países da Europa, Portugal é o que tem o clima mais amigavel no inverno.
Novembro, dezembro, janeiro e fevereiro podem ser mais frios do que somos capazes de aguentar, mas de abril em diante, até outubro, um bom long john resolve o problema.
Nos ulimos dois anos estive em Outubro em Portugal e raramente precisei de casaco durante o dia.
Setembro é tambem tradicionalmente um bom mes de onda.


Esquerda na Ericeira - Foto do Ricardo Bravo

5 E tem onda grande em Portugal ?

Olha, não apenas grandes mas tambem poderosíssimas.
Talvez uma das ondas mais assustadoras deste lado do mundo esteja em Portugal.
A praia de Nazaré quando fica grande é de meter medo até nos mais valente dos surfistas.
Tem a Cave, a onda mais ridicula e insana de toda peninsula e arredores.
O Cabo Raso aguenta ondas que não arrisco medir…


6 Onde me Hospedo ?

Caso voce seja um dos poucos que não tem parentes ou conhecidos em Portugal, saiba que por todo país  voce tem hoteis com precinhos camaradas. É possivel que hoje em dia um bom hotel em Portugal seja muito mais barato do que um hotel na Pipa, Garopaba ou Ubatuba.
Nem vale a pena comparar os preços com hoteis em Noronha ou Ipanema, os de Portugal são infinitamente mais em conta.
Pousadas não são como as nossas, em Portugal existe um programa de pousadas que é um luxo.
Pensões baratinhas pipocam a beira mar.
A possibilidade de fazer amizade e logo ir pra casa de um local não é assim tão rara e os portugueses são tão hospitaleiros quanto brasileiros, principalmente se a educação e cortesia anteceder a disputa de ondas.

7 Como faço pra me locomover de norte a sul ?

Portugal tem a grande vantagem de ser um país pequeno e mover-se é facil.
As estradas portuguesas vão te fazer sentir raiva das nossas.
Os pedagios, nem tanto...
Voce pode atravessar o país de trem com bastante conforto e segurança.
Viajando em dois, o aluguel de um carro fica num precinho camarada e há poucos lugares tão agradaveis para dirigir como Portugal.

8 Tem Mc Donald la ?

Aqui eu conto uma pequena historia de dois americanos amigos meus que enquanto na Ericeira para competir comiam repetidamente num restaurante italiano e sempre pediam o mesmo prato.
Num determinado dia, ja indignado com tamanha falta de horizonte dos gringos, resolvi intervir.
Levei-os para comer Bacalhau a Lagareiro, Arroz de mariscos, pedimos queijos e salada de polvo de entrada, tudo regado a um bom vinho.
A viagem deles começou ali, depois de uma semana em Portugal.
Sim, claro que há McDonalds por todo lado, assim como uma enorme variedade de fast food que se encontra em São Paulo ou Tokio, mas viajar e não experimentar a comida local é quase como não viajar.
A culinaria portuguesa é das melhores do mundo e como no Brasil é bem dividida pelas regiões.
Alem do obvio bacalhau, frutos do mar e uma variedade de peixes quase sempre muito bem acompanhados de batatas ao murro.
As carnes são tremendamente saborosas, principalmente a vitela e o porco que são muito bem feitos - devo mencionar o frango ?
Vinhos são um ritual de passagem para a vida adulta ao mais jovens e aos mais velhos, como eu, é a grande chance de refinar o paladar ao sabor das formidaveis uvas.
Os doces portugueses merecem um capitulo a parte e recomendo que sempre reserve um espaço para degustar cada uma das deliciosas sobremesas que a patesserie oferece.
E aqui volto a afirmar, não há outro lugar na Europa onde se come tão bem e tão farto - e mais barato.

Saca em casa - Foto do Carlos Pinto

9 E as Ilhas ?
Alem do continente, Portugal tem dois arquipelagos a menos de duas horas de distancia com infinitas possibilidades de onda.
Madeira é a mais conhecida, pelas ondas grandes e potentes e tambem pelo suas estradas estreitas debruçadas em despenhadeiros capazes de fazer o mais corajoso dos homens falar fino.
Não há crowd na Madeira, mas há locais e recomenda-se respeita-los, a ilha é pequena demais para fugir de alguma confusão.
Nos Açores ainda existe muita onda para se descobrir, um surfista sozinho pode vagar sem rumo até achar um point break para chamar de seu.
Para chegar nas ilhas basta ficar atento às centenas de ofertas de voos baratissimos saindo de Lisboa.
Com menos de 200 Reais voce é capaz de comprar uma passagem de ida e volta, se bobear com hotel incluido.
A agua nos Açores é quente como no Rio ou São Paulo e na Madeira, dependendo da epoca um short john resolve muito bem.

10 estou convencido, agora me diga uma coisa, os brasileiros são bem vindos em Portugal ?
Nunca fomos tão bem vindos.
Portugal atravessa sua pior crise desde a criação do Euro e precisa do turismo como jamais precisou.
Se um dia ja torceram o nariz para a invasão de surfistas, hoje dão graças a Deus quando eles lotam seus hoteis, pensões e restaurantes.
Guga Gouveia, irmão mais novo do Fabinho, foi pra la na decada de 90 e nunca mais voltou.
Justin Mujica, um venezuelano que foi competir no ISA Games, gostou tanto que arrumou uma namorada, casou, mudou e foi até campeão portugues, assim como Guga e Almir Salazar antes deles.
O maior surfista portugues de sempre, Tiago Pires, é treinado por um Portugues carioca, ou carioca portugues, o big rider Jose Seabra.
O editor da maior e mais tradicional revista portuguesa de surfe tambem pode ser considerado mezzo carioca (dada sua paixão pelo Flamengo e João Bosco), mezzo lusitano (pelo seu eterno encantamento pelas raizes) e fala sem sotaque um carioques danado.

Foto do Carlos Pinto



Guia de sites 
Turismo - http://www.descubraportugal.pt/
Pousadas - http://www.pousadas.pt/
Revistas 
Surf Portugal - http://www.surfportugal.pt/
Onfire - http://www.onfiresurfmag.com/
Fotografos
Carlos Pinto - http://www.charliephotos.com/
Ricardo Bravo - http://www.ricardobravo.com/
Siates de previsão
Beachcam - http://www.beachcam.pt/
Oceanlook - http://oceanlook.sapo.pt/
Surf report - http://www.surfreport.pt/


Surf Total - http://www.surftotal.com/pt/