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segunda-feira, dezembro 21, 2015

Por quem dobram os sinos ?


[Resenha dos campeonatos de Bells e Margies, abril de 2015]

Ever tried. Ever failed. No matter. 
Try Again. Fail again. Fail better. 

Samuel Beckett


3… 2… 1!

Pausa para o jogo do século XXI

As histórias dos grandes retornos são as que mais fascinam.
Um sujeito, ou time, acuado com medo do fracasso supremo é capaz de coisas que até o homem duvida.

Final da Champions, 25 de maio de 2005, entre Milan e Liverpool, jogo que ficou conhecido como O Milagre de Instambul. 70.000 pessoas presentes.

O esquadrão do Milan meteu 3 logo no primeiro tempo, sem pena.
O time italiano tinha Kaka, Dida e Cafu, Seedorf, Maldini, Pirlo, Crespo e Shevchenko.
Liverpool foi pro intervalo e seu técnico, o espanhol Rafa Benitez, convenceu os 11 homens a lutar como se fosse o último dias das suas vidas.

De volta pro segundo tempo, em mágicos 6 minutos o time inglês empatou o jogo, embalado pela torcida ensandecida cantando o poderoso hino You´ll Never Walk Alone - mesmo que seus sonhos sejam varridos e arrasados, você nunca estará sozinho!

Encerrada a surpreendente partida, vieram as cobranças dos penaltis, vitória do Liverpool, 3 x 2.

Esse foi apenas um dos grandes exemplos que o esporte insiste em nos ensinar, nunca desista, principalmente se quase 40.000 torcedores apaixonados te empurram pra frente.

Já dizia Taylor Knox (que ganhou apenas um evento em toda carreira no WCT), quem desiste nunca será um vencedor e um vencedor nunca desiste. 

Tenha Adriano de Souza na cabeça durante o resto do texto.


Por quem dobram os sinos ?

Mal deu tempo para digerir a vitória do Filipinho na primeira etapa e já estávamos todos completamente envolvidos com a previsão de ondas do Rip Curl Pro em Bells.
A euforia era enorme, alimentada pela possibilidade de ondas pequenas, e a esperança dum segundo triunfo do furacão Toledo - principalmente se lembrarmos do jeito que foi a lavada.

Ou mesmo a tão aguardada volta do Medina ao pódio.
Especulava-se tudo, Slater, Florence, Julian, Taj… incrivelmente o nome do Mineirinho não era assim tão repetido.
Justo ele, campeão em 2013, mais experiente do conterrâneos no WSL, vindo de um terceiro lugar no Gold Coast, eliminando o favorito local Mick Fanning na quarta de final.

A primeira fase foi um banho de água fria, todos brasileiros perderam, Medina foi o único que sobreviveu.

Um pequeno abalo foi suficiente pra fazer Toledo acordar e simplesmente destroçar os havaianos Dusty Payne e Seabass.

Durante todo campeonato o surfe beirou o sofrível, com médias baixas e nível de surfe que nos faz duvidar várias vezes desse formato engessado.

A onda de Bells carrega uma história que se confunde com a própria história do surfe profissional.

Foi ali que Michael Peterson consolidou a lenda de maior competidor do seu tempo e também foi ali que Mark Richards começou a fantástica corrida que lhe daria quatro títulos mundiais.
Todos grandes surfistas já vencerem em Bells, Carroll, Curren, Potter, Andy, Sunny, Occy, Parko, Fanning, Slater.
Existe uma mística no lugar que não permite que o circuito se afaste dali, mesmo com toda antipatia que existe hoje com a onda.

A gritaria acusando Bells de ser uma onda cheia, sem graça, encontra coro por todo lado e até faz algum sentido, mas o esporte precisa dos seus símbolos e Bells é um dos nossos poucos templos obrigatórios.

Nem que fosse apenas para reverenciar passos fundamentais para a evolução do surfe, como a (re)invenção do surfe de backside pelo Wayne Lynch nos anos 60, ou a afirmação da triquilha como equipamento funcional por Simon Anderson nos 80.

O ritual reconhece a história sem deixar de apontar pra frente, basta lembrar da final entre Fanning e Slater em 2012, uma derrota doída do Careca, com nota 10 e full rotation executado à perfeição e tudo.

Bells é uma onda de repetição, nos últimos 20 anos tivemos Sunny Garcia, Parko e Andy Irons vencendo 3 vezes cada, Slater e Fanning (como já veremos) mais 4 cada um.

Bells Bowl, 4 a 6, Terral

Desta vez não vimos as condições perfeitas, a suposta onda capaz de elevar o surfe de garotos ao próximo degrau.
2015 será lembrado como o ano do julgamento confuso.
Jordy e Jadson foram duas vítimas dessa confusão.
Jordy, como bem percebeu Steve Shearer, astuto jornalista australiano, sofre com o preconceito que armou-se em torno dele de que o sul africano não seria tão eficiente em ondas pesadas de verdade quanto é nas direitas da sua predileção - J. Bay, Testles, Snapper, Bells.
O fato dele ser descartado numa corrida séria ao título amassa suas notas contra o peso de um Fanning, ou Parko - supostamente candidatos legítimos.
Mas isso são apenas suposições e nós sabemos que nada disso faz sentido.

Jadson foi melhor que Fanning nas oitavas.
Em nenhum momento o Macaco Albino foi o surfista do campeonato, nem ele nem Mineiro.
Os dois foram eliminando a concorrência silenciosamente, sem nenhum alarde, com a frieza de um assassino contratado.

Quando se encontraram na final, em ondas horríveis, mexidas, deformadas, seria a terceira vez na temporada em apenas dois eventos.
Uma vitória pra cada um, sendo que Adriano ignorou Mick nas quartas do Quik Pro.
Tinham contas para acertar.
Mineiro foi preciso, Fanning ligeiramente mais insinuante.
O resultado foi como deveria ser, polemico, suado, por que não justo ?
Veremos isso logo adiante, na etapa de Margaret River…


Acabei de ganhar do melhor surfista do mundo!

A Arte da ficção

Permitam que se use aqui um pequeno trecho da entrevista do escritor americano Ernest Hemingway, notório também pela sua queda por touradas, corridas de cavalos, caçadas e guerras, em 1954, num café em Madri.

Hemingway pergunta ao seu entrevistador,
Voce costuma ir às corridas ?

O entrevistador responde,
Sim, as vezes.

Hemingway,
Então voce le os programas das corridas…Ali voce tem a verdadeira arte da ficção.

A mesma coisa acontece quando lemos a lista das baterias do campeonato.
O papel aceita tudo.

Quando todos sites, inclusive a WSL, começaram a analisar o quão grande poderiam ficar as ondas em Margaret River, a expectativa de assistirmos um evento da magnitude do Fiji Pro de 2012 parecia iminente.

Parko teria encomendado uma prancha de 8’, pela primeira vez em muitos anos o fã poderia ver seu surfista preferido usando as gunzeiras fora do Havaí.

Na minha cabecinha doente, recordava-me de um campeonato em 1990, que aparecia no primeiro Sarge surfing Scrapbook, uma serie de videos que o fotografo Paul Sargeant fazia nos anos 90.
Margaret River ainda era um mistério nessa época, pouco aparecia nas revistas ou filmes.
No jornal Tracks, Derek Hynd descreveu as condições como 15’ a 20’, as maiores já vistas fora do North Shore na ASP.
O Tahitiano Vetea David surfou com uma 8’6’’, Tom Curren conseguiu uma 9’1’’.
Ainda não se falava em The Box.

Corta para 2015, voce olha a lista de baterias da primeira fase, nome por nome, depois ouve o locutor falando que The Box tem quase 10 pés de onda.
Aquilo é um moedor de carne.
O túmulo dos goofys.
Tambem é o sonho do Kieran Perrow, surfista mediano que sempre se destacou nessas condições extremas.
KP tem a chance de expor essa nova geração ao ridículo e fará de tudo para isso - ou não.
As médias são lamentavelmente baixas.
Slater vence a sua bateria com um total de 8,2.
Ninguem faz mais de 16 pontos em toda primeira fase!

A segunda fase começa com a derrota do Medina e Toledo.

Nada empolga muito até Owen Wright se atirar em duas ondas que serão repetidas à exaustão nos próximos 10 anos.
Sua irmã, Tyler, gritava do canal pra ele não dropar a bomba - ainda mais de costas pra onda.
Engraçado que foi preciso um goofy pra mostrar como se faz naquela deformação de onda…

O campeonato parecia feito sob medida para Owen, Slater e John John.
Ondas enormes, pesadas, perfeitas mas nem tanto.
Nenhum brasileiro entrava nas listas de favorito.
Mineiro sobrevivia com a garra de sempre e já era o dono da camisa amarela depois que Fanning perdeu para Jay Davies sem tanta empolgação.
Mas como resistir ao ataque do Slater em Margaret no terceiro e maior dia de competição ?

Tema de Kelly

São anos demais de circuito.
Ele já não tem mais a mesma energia, nem motivação.
A idade começa a lhe cobrar o preço.

Fale o que quiser do camarada, quando é chegada a hora de revelar sua majestade, Slater ainda é capaz de fazer o impossível.
No meio dos 34 existe muita gente que faz o diabo, cada um dos seu jeito, em determinadas condições, mas Slater molda as condições ao seu bel prazer e as transforma em arte.
Seu 10 contra o pobre coitado do Glen Hall podia ser um 15 - fácil.
Surfando com uma prancha abaixo da média, uma mera 6’3’’, bat tail (rabeta batman), Slater fez uma linha anormal numa das maiores ondas da bateria, entubou com a categoria de sempre, saiu limpo, rasgou usando toda parede como quem desejasse acariciar um dragão começando pela cabeça e terminando com a ponta da cauda.
O que ele não sabia, nem esperava, é que tinha um Mineiro no meio do caminho…

Ace Buchan, 16 de março de 2009

No blogue que Adrian Buchan escrevia no Surfline, muito bem escrito diga-se de passagem, Ace refletia sobre a primeira etapa e concluia que competir em alto nível no circuito mundial não é para qualquer um, a pressão é enorme e o sujeito tem que gostar da batalha, dizia ele.
Veja o que Ace escreveu sobre Adriano,

Por isso Adriano é  bem sucedido, porque ele ama a disputa. Obviamente ele surfa muito, mas ele ama a competição. Na primeira fase ele quase remou por cima do Jordy para defender sua liderança (2009). É por isso que Kelly tem(tinha) nove títulos. Mesmo podendo confiar no seu talento para avançar mais da metade do tempo, quando necessário ele afronta seu oponente e briga pelas migalhas. 
No final do dia é o surfe que fala mais alto, voce não quer se engalfinhar pra passar a bateria. Para mim, é disso que o esporte é feito e por isso é tão empolgante. Ver pessoas se testando em situações de aperto e tendo que brigar por aquilo. Eu amo aquilo!

Nós aqui na Hardcore tambem amamos isso, Ace!

Aqui é Mineiro, porra!

John John era o Milan, irresistível, atropelando todo mundo, cartel de vitórias arrasador, repleto de jogadores caros e talentosos - metendo 3 gols no primeiro tempo da final e praticamente decidindo o jogo.

Mineiro pode ser representado pelo Liverpool, um time aguerrido, mas desacreditado, liderado por um técnico mestre na estratégia e que não desiste jamais.
Depois de ter lutado tanto e chegado tão perto de ser o primeiro campeão mundial brasileiro, Adriano viu Medina roubar seu sonho.
Ou parte dele.
O sonho de ser campeão mundial permanece.

O primeiro gol foi marcado no Quik Pro, vice em Bells, oitavas já garante a lycra amarela pro Rio.
Agora vamos pros penaltis.

Na folha das baterias, uma bateria entre Slater e Adriano num mar de mais de 8 pés resulta num massacre, só que não.
Desde 2010, em Porto Rico, De Souza já enfrentou Slater 10 vezes e perdeu apenas uma.
Ninguem no circuito entendeu melhor como funciona o jogo.
Eu sei que tenho que ser melhor do que ele (Slater) nos 30 minutos, porque nunca serei melhor que ele fora das baterias, declarou Adriano para a adorável Chelsea quando saiu do mar.

Mineiro é um dos únicos, senão o único a ter um retrospecto de 100% pra cima do Gabriel Medina, são 6 x 0 e isso não é pouco!

Alem de eliminar Slater, Mineiro ainda tinha o herói local, Taj Burrow (que vai ser papai!) pela frente.
Surfando com o livro de regras debaixo do braço, sem errar, escolhendo as ondas com perfeição e, principalmente, sem cair da prancha, Adriano foi batendo os seus penaltis até o triunfo final.

Exultante ao sair da final contra Florence, Mineiro ajoelhou no chão, agradecendo aos céus e ao seu anjo da Guarda, Ricardo dos Santos, pela glória alcançada.

Eu acabei de ganhar do melhor surfista do planeta!

A consciência brutal de se reconhecer inferior ao camarada que ele derrotou mostra uma maturidade digna de quem está pronto para cumprir seu destino.

E todos nós sabemos que Mineiro não vai descansar enquanto não levantar o caneco de campeão mundial.








segunda-feira, março 23, 2015

Janela

[Texto recuperado do HD de 2002, quando ainda colaborava com o então tímido site waves - ainda lá está, no mesmo lugar.
Revisitar velhos escritos dá um misto de orgulho e vergonha simultaneamente.
Orgulho de enxergar determinadas coisas antes e vergonha de usar tantas conjunções e recursos baratos de linguagem que hoje evito com todas forças.
Me admiro da incrível coincidência de encontrar Galeano mais uma vez num texto escrito 12 anos antes desse último publicado aqui no Goibada.]




Tenho a incômoda capacidade de enxergar surfe em tudo quanto é canto.
Na entrevista do escritor uruguaio Eduardo Galeano no jornal O Globo de Domingo, 21/07/2002, reparei numa frase que cai tão bem na nossa cultura surfe que inspirou esse texto.


O que alguns bobos acham que é defeito acaba sendo a nossa maior virtude.

Primeiro me veio à cabeça o Peterson, talvez o surfista mais incompreendido do circuito WCT, de uma campanha avassaladora, só pra usar um termo muito em moda, ignorando Slaters e Fannings afora, de costas e de frente, Backside e frontside pros mais maldosos.

Logo em seguida, não sei porque diabos, acometeu-me um vídeo novo chamado Momentum - under the influence, espécie de versão atualiazada do primeiro Momentum, onde as estrelas tem todas menos de 23 anos e, supostamente, os melhores do mundo.

No que resta de minha memória, 
comprei o Momentum no Havaí, em 92, quem recomendou foi o Sérgio Noronha, que assistia 200 vezes a fita por dia.
O impacto foi grande, todo mundo conhece e ninguem mais aguenta tanta gente lembrando do Slater, Machado, Dorian, Kalani, Knox embalados pelo sonzinho bacana e pra cima do Bad Religion, Nofx, Pennywise e Gangrena Gazosa, opa!, brincadeira...

Uns 30 anos depois, lançaram até aqui no Brasil, sem direito ao secret-video, umas das sequências mais legais do VHS, mas voltemos a 2002....

A versão 3.0 do ganso de ovos de ouro do Taylor Steele, sob a influência, não nos revela sequer um brasileirinho.

Nem umzinho...




Admirador dos vídeos da rapaziada que tem no emblema o nome Poor specimen, não tenho dificuldade nenhuma em elogiar todos 23 títulos da Família Steele.

Não o faço por impaciência.

Reconheço, entretanto, que não deve haver qualquer preconceito nem desprezo da parte dos produtores para cima dos meus conterrâneos - nem poderia - taí a prova no premiado filme de Skate, Hallowed Ground, encomendado pela mais nova gigante da Surfwear, recém comprada pela Nike pela bagatela especulada de 140.000.000 milhões de Verdinhas, sim senhores, a Hurley, filhote de Bob Hurley, ex representante da Billabong nos E.U.A.

O Brasil, e os brasileiros, são destaque no Hallowed Ground, filmado em 16 mm, com direito a incursões na trilha e tudo - talvez porque fica difícil ignorar os títulos do Bob Burnquist, patrocinado da Hurley/Nike e cia Ltda.

Mas os carrinhos não são, nem de longe, assunto de meu interesse, portanto voltemos ao surfe.

Concluindo então que não há preconceito, existe até (pasmem!) admiração, como explicar a ausência absoluta de surfistas de passaporte verde entre os melhores do mundo com menos de 23 anos, segundo Taylor Steele ?

De cabeça, sem coçar muito a careca, Trekinho, Raoni, Pedro Henrique, Pigmeu, Léo Neves, Mineirinho, Marco Polo...

A lista é maior, tão grande quanto a injustiça.

Devo substituir os gringos palhinha por qualquer um da lista acima ?

Fica o Taj, Bruce e Andy, Dean, C.J e Damien, Rasta, Fanning e Joel.

O resto roda.

Sobra então pro Rafael Mellin, solitário guerrilheiro/video-maker, a árdua e agradável tarefa de revelar ao mundo, começando pelo Brasil, o talento não reconhecido (por enquanto!) dessa gente bronzeada tentando mostrar seu valor.

Que venha o Lombrô 3, pra saciar a sede de sangue novo.



PS - Voce, meu caro leitor, vai comprar ou copiar o vídeo quando assistir na casa do amigo ? e por que ?

sábado, julho 14, 2012

Chiclete com banana

[Texto sobre a primeira etapa do WCT 2012. Resolvi (re) publicá-lo hoje porque #5STEPH arrastou mais um.
Leia com atenção e assinale com um X os campeões mundiais]


Stephanie gosta de vencer


Rainha do mar

Não há ninguem hoje no circuito com mais vontade de ser campeão mundial do que Adriano.
Minto, talvez Stephanie Gilmore traga atrás daquele sorriso cheio de dentes um dragão faminto capaz de devorar até o(a) mais valente adversário(a).



Corre direto para 2Hrs e 40 segundos





Alguem viu a noite de gala da ASP ?
Na cerimônia que a associação oferece aos escolhidos para celebrar os novos (e velhos) campeões mundiais, Steph deixou, sem querer, aparecer muito mais que suas lindas pernas. Quando chamada ao palco para entregar o troféu de campeã mundial para Carissa Moore, Steph mirou a enorme taça com um olhar de Gollum (my precious!) e antes de parabenizar a novíssima campeã, Happy Gilmore logo avisou, vou sentir falta... Carissa, eu te empresto...
A mensagem ali era clara, depois de um ano apagado em 2011, Steph estava de volta e no Quiksilver Pro, primeira etapa do ano, atropelou a concorrência sem dó nem piedade.
O jeito que Steph conduz sua prancha podia tranquilamente ser usado como referência de como atacar uma onda com classe e agressividade - para homens e mulheres.
Se Lakey Peterson é um Dane Reynolds de saia, Tyler é um Occyzinho (a), Steph seria um misto de Curren, Lisa Anderson e Slater.
Meu Deus! Pela primeira vez em anos, poderemos ter uma corrida ao título das mulheres tão interessante quanto a dos homens.
Conto com Carissa, Sally, Tyler, Lakey, Laura e Courtney para isso.





Instigado

Esse campeonato era do Mineiro, me perdoem a paixão cega de torcedor de arquibancada.
Aquela onda do Taj não era 9.43 nem aqui, nem no Itaim Bibi. Mas o que voces esperavam na Australia ?
Não quero de forma alguma insinuar que há uma coisa consentida por trás do palanque que arremessa esses sujeitos a premiar determinadas ondas com exatamente a nota suficiente para vencer baterias - de jeito nenhum!
Quero dizer apenas que resultados estranhos não são mais surpresa pra ninguem, nem para brasileiros, nem para australianos, havaianos, sul-africanos, tahitianos ou americanos.
O julgamento chegou numa sofisticação de subjetividade que hoje em dia muita bateria pode ter resultado para um lado ou para o outro.
E simplesmente não acredito em mão grande.
Nem defendo juízes com argumentos que são na maior parte das vezes corporativistas.
Creio que a pressão é gigantesca e determinados momentos são cruciais para decidir o quanto uma onda pode valer - ou não.
Vejam John John naquela espetacular final em Pipe contra Jamie.
Eu pergunto, teria ele conseguido as duas notas que precisava, se fossem ambas surfadas logo no início da bateria ?
Slater se beneficiou tantas vezes disso, por saber crescer na hora certa e jogar com a pressão e a torcida.
Parko, por outro lado, precisa de tudo dando certo para poder vencer sem riscos.



Olho no Mineiro e Mineiro de olho na próxima manobra


Poliuretano, fibra e resina


Taj apareceu em 2012 sem a sua companheira fiel dos últimos anos e seu surfe ganhou em dinâmica, velocidade e expressão.
Sempre achei que as Firewire pareciam deixar o surfe do Taj chapado demais na onda (sem trocadilhos) sem tanta borda e até um tanto previsível para um sujeito que ficou famoso por liderar inovações.
Com uma prancha tradicional shapeada pelo mago da Lost, Taj foi logo obrigado a enfrentar Dane Reynolds numa disputa que beirou a insanidade e que, mesmo ali na segunda fase, já mostrou que algo diferente tinha acontecido com TB.
Claro que uma vez mais foi apenas questão de Dane repetir seu erro como sempre fez contra Taj, mas desta vez Taj estava mais bem preparado e ninguem poderia pará-lo.




Tal Parko, Tal Jordy

Uma das coisas que eu mais gosto de ver nos campeonatos de surfe são as rivalidades e Parko é mestre em alimentá-las.
Julian foi um que mordeu a isca e tem pago o preço.
Outro que mostrou quanta satisfação é bater no eterno vice foi Jordy Smith. Dava gosto ver o sorriso debochado do rapaz ao ser entrevistado depois do primeiro confronto com Joel.
Foi uma espécie de alívio do sul-africano ganhar do seu ex-ídolo e atual adversário na casa dele - duas vezes!
Jordy e Parko, apesar da diferença de idade, passam por dois momentos bem parecidos.
Jordy representa hoje o que Parko representava quando surgiu no circuito, um camarada ridiculamente talentoso, capaz de ser campeão mundial a qualquer momento, mas algo sempre o atrapalha no meio (ou no final) do caminho.
Parko veio desta vez como em 2009, completamente focado e bem preparado fisicamente, Jordy voltou ao ataque de 2010, pronto para atacar quem ousar passar pela sua frente.
Os dois terão muito trabalho em 2012 quando encontrarem os brasileiros...




O teu cabelo não nega

A famosa tempestade brasileira que tomou de assalto o mundo do surfe em 2011 começou aqui mesmo na Goldie, apelido simpático da Gold Coast.
Foi nessas mesmas direitinhas que Mineiro fez uma das 5 melhores baterias da temporada contra Taj e tambem foi a grande oportunidade do Alejo Muniz mostrar que não veio pro tour a passeio.
O caldo engrossou e agora somos muitos e melhores.
Vejam só, Pupo ganhou de um dos favoritos, Mick Fanning, surfando com a frieza e precisão de sempre, Heitor dispensou Flores, batendo mais vertical possivel de backside e Raoni perdeu apertado para um Jordy inspirado.
Medina sofreu do mesmo mal que aflige Kolohe, excesso de expectativa.
Alejo se recupera duma contusão e Jadson esteve mesmo fora de sintonia.
Mineiro fez o estrago de sempre.
Quando estreiou no circuito em 2006, Adriano foi logo chegando até a semi-final no seu debut, perdendo apenas pra quem ? voce adivinhou se disse Taj Burrow.
E só pra apimentar a história, Taj fez aquela final contra Slater - e perdeu.
A corrida para o título de 2012 está aberta e quem quiser aposentar de vez o Careca, terá que se agasalhar muito bem, porque a tempestade brasileira veio de enxurrada e não vai a lugar nenhum tão cedo.


Voa Canarinho voa...já cantava Junior


Miami com Copacabana

Encerrada a final, Mineiro cheio de dignidade e elegância na entrevista, sem reclamar do julgamento ou espetar seus adversários, um verdadeiro exemplo pros outros 31.
Lembrei do Mestre Jackson do Pandeiro, que cantava Chiclete com Banana assim -

Eu só boto bebop no meu samba
Quando Tio Sam tocar um tamborim
Quando ele pegar
No pandeiro e no zabumba.
Quando ele aprender
Que o samba não é rumba.
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana.
Chiclete eu misturo com banana,
E o meu samba vai ficar assim:

Tururururururi bop-bebop-bebop
Eu quero ver a confusão




sábado, maio 21, 2011

Top of the World






[Such a feelin's coming over me
There is wonder in most ev'ry thing I see,
Not a cloud in the sky
got the sun in my eyes,
And I -- won't be surprised if it's a dream]






Maneiro Mineiro!
Nada mais importa.
Quem foi no saite da ASP hoje encontrou no topo do ranking mundial do WT, pela primeira vez desde sua criação há quase 30 anos, um brasileiro.
Se o Billabong Rio Pro foi uma sucessão de equivocos, ninguem jamais lembrará, a unica coisa que realmente interessa é a vitoria do Mineiro.
Não houve alma viva que não se emocionou vendo a forma como Adriano desmontou depois de anunciado o resultado.
O sonho do menino virou realidade e hoje o Homem lidera seu rebanho.
Ninguem resumiu melhor o evento do que Teco Padaratz no seu discurso final,
Obrigado Netuno por ter mandado as ondas certas para o Adriano vencer o campeonato!
Perfeito Teco.

O resto, voce ja sabe, corre la no saite da Hardcore e leia.

sábado, outubro 17, 2009

Fome




Aproveitando a deixa do mestre Josué de Castro no livro Geografia da fome, Metade do circuito não dorme porque tem fome de vitória e a outra metade não dorme porque tem medo dos que sentem fome.

Mineiro, matando a sua fome.