sábado, julho 14, 2012

Chiclete com banana

[Texto sobre a primeira etapa do WCT 2012. Resolvi (re) publicá-lo hoje porque #5STEPH arrastou mais um.
Leia com atenção e assinale com um X os campeões mundiais]


Stephanie gosta de vencer


Rainha do mar

Não há ninguem hoje no circuito com mais vontade de ser campeão mundial do que Adriano.
Minto, talvez Stephanie Gilmore traga atrás daquele sorriso cheio de dentes um dragão faminto capaz de devorar até o(a) mais valente adversário(a).



Corre direto para 2Hrs e 40 segundos





Alguem viu a noite de gala da ASP ?
Na cerimônia que a associação oferece aos escolhidos para celebrar os novos (e velhos) campeões mundiais, Steph deixou, sem querer, aparecer muito mais que suas lindas pernas. Quando chamada ao palco para entregar o troféu de campeã mundial para Carissa Moore, Steph mirou a enorme taça com um olhar de Gollum (my precious!) e antes de parabenizar a novíssima campeã, Happy Gilmore logo avisou, vou sentir falta... Carissa, eu te empresto...
A mensagem ali era clara, depois de um ano apagado em 2011, Steph estava de volta e no Quiksilver Pro, primeira etapa do ano, atropelou a concorrência sem dó nem piedade.
O jeito que Steph conduz sua prancha podia tranquilamente ser usado como referência de como atacar uma onda com classe e agressividade - para homens e mulheres.
Se Lakey Peterson é um Dane Reynolds de saia, Tyler é um Occyzinho (a), Steph seria um misto de Curren, Lisa Anderson e Slater.
Meu Deus! Pela primeira vez em anos, poderemos ter uma corrida ao título das mulheres tão interessante quanto a dos homens.
Conto com Carissa, Sally, Tyler, Lakey, Laura e Courtney para isso.





Instigado

Esse campeonato era do Mineiro, me perdoem a paixão cega de torcedor de arquibancada.
Aquela onda do Taj não era 9.43 nem aqui, nem no Itaim Bibi. Mas o que voces esperavam na Australia ?
Não quero de forma alguma insinuar que há uma coisa consentida por trás do palanque que arremessa esses sujeitos a premiar determinadas ondas com exatamente a nota suficiente para vencer baterias - de jeito nenhum!
Quero dizer apenas que resultados estranhos não são mais surpresa pra ninguem, nem para brasileiros, nem para australianos, havaianos, sul-africanos, tahitianos ou americanos.
O julgamento chegou numa sofisticação de subjetividade que hoje em dia muita bateria pode ter resultado para um lado ou para o outro.
E simplesmente não acredito em mão grande.
Nem defendo juízes com argumentos que são na maior parte das vezes corporativistas.
Creio que a pressão é gigantesca e determinados momentos são cruciais para decidir o quanto uma onda pode valer - ou não.
Vejam John John naquela espetacular final em Pipe contra Jamie.
Eu pergunto, teria ele conseguido as duas notas que precisava, se fossem ambas surfadas logo no início da bateria ?
Slater se beneficiou tantas vezes disso, por saber crescer na hora certa e jogar com a pressão e a torcida.
Parko, por outro lado, precisa de tudo dando certo para poder vencer sem riscos.



Olho no Mineiro e Mineiro de olho na próxima manobra


Poliuretano, fibra e resina


Taj apareceu em 2012 sem a sua companheira fiel dos últimos anos e seu surfe ganhou em dinâmica, velocidade e expressão.
Sempre achei que as Firewire pareciam deixar o surfe do Taj chapado demais na onda (sem trocadilhos) sem tanta borda e até um tanto previsível para um sujeito que ficou famoso por liderar inovações.
Com uma prancha tradicional shapeada pelo mago da Lost, Taj foi logo obrigado a enfrentar Dane Reynolds numa disputa que beirou a insanidade e que, mesmo ali na segunda fase, já mostrou que algo diferente tinha acontecido com TB.
Claro que uma vez mais foi apenas questão de Dane repetir seu erro como sempre fez contra Taj, mas desta vez Taj estava mais bem preparado e ninguem poderia pará-lo.




Tal Parko, Tal Jordy

Uma das coisas que eu mais gosto de ver nos campeonatos de surfe são as rivalidades e Parko é mestre em alimentá-las.
Julian foi um que mordeu a isca e tem pago o preço.
Outro que mostrou quanta satisfação é bater no eterno vice foi Jordy Smith. Dava gosto ver o sorriso debochado do rapaz ao ser entrevistado depois do primeiro confronto com Joel.
Foi uma espécie de alívio do sul-africano ganhar do seu ex-ídolo e atual adversário na casa dele - duas vezes!
Jordy e Parko, apesar da diferença de idade, passam por dois momentos bem parecidos.
Jordy representa hoje o que Parko representava quando surgiu no circuito, um camarada ridiculamente talentoso, capaz de ser campeão mundial a qualquer momento, mas algo sempre o atrapalha no meio (ou no final) do caminho.
Parko veio desta vez como em 2009, completamente focado e bem preparado fisicamente, Jordy voltou ao ataque de 2010, pronto para atacar quem ousar passar pela sua frente.
Os dois terão muito trabalho em 2012 quando encontrarem os brasileiros...




O teu cabelo não nega

A famosa tempestade brasileira que tomou de assalto o mundo do surfe em 2011 começou aqui mesmo na Goldie, apelido simpático da Gold Coast.
Foi nessas mesmas direitinhas que Mineiro fez uma das 5 melhores baterias da temporada contra Taj e tambem foi a grande oportunidade do Alejo Muniz mostrar que não veio pro tour a passeio.
O caldo engrossou e agora somos muitos e melhores.
Vejam só, Pupo ganhou de um dos favoritos, Mick Fanning, surfando com a frieza e precisão de sempre, Heitor dispensou Flores, batendo mais vertical possivel de backside e Raoni perdeu apertado para um Jordy inspirado.
Medina sofreu do mesmo mal que aflige Kolohe, excesso de expectativa.
Alejo se recupera duma contusão e Jadson esteve mesmo fora de sintonia.
Mineiro fez o estrago de sempre.
Quando estreiou no circuito em 2006, Adriano foi logo chegando até a semi-final no seu debut, perdendo apenas pra quem ? voce adivinhou se disse Taj Burrow.
E só pra apimentar a história, Taj fez aquela final contra Slater - e perdeu.
A corrida para o título de 2012 está aberta e quem quiser aposentar de vez o Careca, terá que se agasalhar muito bem, porque a tempestade brasileira veio de enxurrada e não vai a lugar nenhum tão cedo.


Voa Canarinho voa...já cantava Junior


Miami com Copacabana

Encerrada a final, Mineiro cheio de dignidade e elegância na entrevista, sem reclamar do julgamento ou espetar seus adversários, um verdadeiro exemplo pros outros 31.
Lembrei do Mestre Jackson do Pandeiro, que cantava Chiclete com Banana assim -

Eu só boto bebop no meu samba
Quando Tio Sam tocar um tamborim
Quando ele pegar
No pandeiro e no zabumba.
Quando ele aprender
Que o samba não é rumba.
Aí eu vou misturar
Miami com Copacabana.
Chiclete eu misturo com banana,
E o meu samba vai ficar assim:

Tururururururi bop-bebop-bebop
Eu quero ver a confusão




Um comentário:

Roberta Milazzo disse...

Stephanie Gilmore tem seu merito, mas 9.53 naquela onda da final foi totalmente overscored. Assim fica mais facil ganhar 5 titulos...