sexta-feira, julho 27, 2007

Musicas que foram ao mar - e voltaram



A segunda edição da Rádio Goiabada começa da mesma forma que o clássico da dupla Hoole/McCoy, Storm Riders, com a épica Riders on the Storm do Doors.
Pra quebrar o clima sem sair d'água, aproveitando o solzinho do inverno, Dóris Monteiro com sua voz sensual sussurrando Nós e o Mar, parceria de praia do Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli.
Richard Hawley fez de tudo um pouco, entre outras tocar com o Pulp, que é quase uma recomendação. Seu disco Cole's Corner é, vamos gastar um termo pra lá de gasto, fundamental para quem ainda gosta de se emocionar ouvindo essa coisa ultrapassada que é o roquenrôu e The Ocean tem todo sentimento que um título desses pede.
Dali velejamos pelo Cosmic Sea do Mystic Moods, arrancado duma coletânea porreta da não menos espetacular gravadora Rhino.
I'm the Ocean é um hino pra mim, Neil Young e Pearl Jam juntos - dizer o que ?
Voces já devem conhecer o deliciosa voz da moça Charlyn 'Chan' Marshall, vulga Cat Power, pela cena incial do Glass Love do Andrew Kidman.
Sea of love é um sucesso esquecido de 1959 que Cat Power regravou no disco de couves.
Nenhum malandro esquisito está livre de gostar dos Hermanos: Fez-se o Mar.
Respeitando o momento reflexivo, seguimos com Ballad of broken seas do adorável e irresistível par, Mark Lanegan e Isobel Campbell.
The Ocean Always Wins do Josh Rouse tem uma bela história: Josh namorava uma espanhola chamada Paz Suay, viviam em dois continentes diferentes acertaram tudo para morar em Nova Iorque. Antes da menina terminar de fazer as malas Josh a surpreende mudando para Espanha - quem resiste aos la-la-las ?
Numa coleção de canções de beira do mar por que não casar os The Sea and Cake ? Coconut.
Agora, uma outra arbitrariedade (deveria criar uma sessão chamada 'arbitrariedades' ?),instrumentais: primeiro, on the sunny side of the ocean do virtuoso john fahey, seguida de 'Do outro lado do Oceano' do Duofel.
No Festival da Música independente de Maceió no ano passado, vi o Duofel ao vivo tocando essa linda canção e na introdução contaram ao público que foi no Algarve que surgiu a composição.
Pra encerrar, dois gigantes que tem uma relação íntima com o Mar. Leiam isso e percebam como soa familiar: 'Não quero mar de marola, Nas praias da moda, Na 'rebentação.
Quero mar alto, mar grande...
É do Paulinho da Viola, nosso Poeta Greg Noll, o Curren do samba, capaz ainda de versos chave de ouro como esse: O mar é meu ninho,
Meu leito e meu chão.
Pega onda, esse cara ?
Pode até não pegar, mas tem coração de surfista - ou temos nós, todos, uma alma de sambista.
Dorival Caymmi, avisa: Quem Vem pra Beira do Mar, nunca mais quer voltar.

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terça-feira, julho 24, 2007

Aperitivos

Malandragem, é o seguinte
Chuva de filminhos que prometem pra qualquer dia desses.
O primeiro, dica do novo camarada de blogue Procurando Lotus (que tambem é nome do filme novo do Gregory Schell, nem tão novo assim)
[Greg Schell fez um primeiro filme interessante, The Far Shore, despretensiosamente, e justo por isso, deu certo.
Sorte e paixão pelo tema.
Quando já estava editando o filme recebeu um telefonema: Ei cara, achei uns rolos de super-8 aqui no porão, interessa ?
Chasing the lotus já veio cheio de expectativas, cumpridas espero, contratos com distribuidoras e como dizia Dickens, Great expectations]
Thomas Campbell tem uma veia firme da dupla Greg McGillivray & Jim Freeman e uma sensibilidade extraordinária para novidades, pena que peque, um pecadilho, na cisma com a onda-pop-retrô.
O petisco do The Present me fez desembrulhar um tablete de parafina que tava guardado para uma ocasião especial.
One California Day é dos caras que fizeram Monoquilha amarela uma idéia bem melhor do que o filme.
Foi o Darin que recomendou o One California Day e o Chasing the lotus.
Vai assim, um amigo indica ao outro e a coisa espalha...
Jason Apparicio, velho amigo de aventuras na terra do Tio Sam, mandou via MSN (Adium) excelente dica - Zoup - da pirada turma da Insight que comprou o passe do Jesse Faem quando ele resolveu largar mão da ASP.
Aqui embaixo um 'por-trás-das-cenas' do One California Day.

domingo, julho 22, 2007

Atropelado

[Tempestade # 175 - Surf Portugal - Junho 2007]


Óia véio, os caras quebram a cabeça pra escrever as legendas, cheias de sacanagem- quem se importa ?

Quando o estimado leitor estiver confortavelmente sentado na sua poltrona predileta deleitando-se com esta nova revista, Mick Fanning terá aberto uma bela vantagem na corrida pelo caneco em 2007.
O macaco albino tem levado esse ano a sério – ou vai ou racha.
Indo, não fez mais que sua obrigação, rachando, adia a data tão almejada pela turma da Rip Curl para comemorar o título que lhe foge desde 91.
A briga, diga-se de passagem, foi sendo reduzida aos poucos para duas marcas: Billabong e Quiksilver.
O resto espreita e nada mais.
Desde 92 as duas revezam no topo do ranking, fora Derek, Sunny e C.J., dois deles acidentes de percurso.
Mas não era de surfe corporativo que esse texto deveria falar, versava sobre o camarada que tem um primeiro, um segundo e um terceiro nas tres primeiras etapas do ‘CT desse ano.
Me apresso em pedir desculpas ao leitor mais afoito, antes de tecer loas ao Fanning preciso desabafar sobre a entrevista do vice campeão em Teahupoo, ainda molhado, logo em seguida a final.
Aqui entra o Fanning, sobre seu fabuloso ano de resultados ainda mais fabulosos e estratégias de competição: Sim (toda entrevista começa com um inevitável ‘yeah’), estou mais relaxado esse ano, me divertindo mais e tudo está dando certo.
Mentira, mentira e mentira.
O sujeito chegou no Tahiti quase um mês antes de todo mundo para treinar e aperfeiçoar seu ponto fraco que todos sabem, esquerdas como Teahupoo.
Até aqui nada demais, até um tablete de parafina usado sabia disso, assim como sabe que Slater chega sempre em cima da hora, de preferência sem ter surfado nas últimas semanas, sem prancha, com rumores de novas e famosíssimas namoradas.
Com Slater e Andy bufando no cangote, relaxar é uma situação pouco provável – e nada confortável- para nosso amigo Eugene e suas múltiplas personalidades.


Mira, usted quieres o no quieres el autografo del macaco albino de la tierra del Oz ? no lo creo en brujas, pero que las hay...

Quem para tudo, trabalho, estudo, até mesmo sai d’água num mar perfeito para assistir, nariz colado no monitor, ao WCTs e o rosto resoluto do Fanning the Fire antes e depois de cada bateria, em nenhum segundo houve espaço para brincadeira.
Em algum momento da história do surfe competitivo, provavelmente no final dos abomináveis 80 (aqui, e sempre, ironizo a turma que amargamente deplora os 80, na sua maioria malandros que viveram ali seu inferninho particular e culpam a década por tudo que não conseguiram entender), iniciou-se um discurso que seria o mantra do surfe profissional dali por diante: Estou me divertindo como nunca, tenho meus amigos aqui ao lado e sou o camarada mais feliz do mundo.
Jack McCoy, o mais astuto e talentoso diretor de filmes de surfe de todos tempos, percebeu o jogo de palavras da garotada e lançou um filme, fundamental (vide resenha – McCoy box-SP…), chamado ‘Sons of fun’, expondo pela primeira vez a tão bem resolvida nova geração às trevas da frustração, documentando Ross Willians e Shane Dorian, sempre tão sorridentes nos vídeos pop do Taylor Steele, na mais absoluta miséria quando perdiam uma mera bateria do WQS e pior! Disputando migalhas para ver quem ficava em terceiro e quarto numa disputa que os dois já tinham perdido definitivamente.
Enquanto o segundo pelotão versava sobre diversão e felicidade, Slater botava todo mundo no bolso com o mesmo olhar do Fanning em 2007: concentrado.
Slater não aturava perder nem no par ou ímpar mas dissimulava bem sua ansiedade sorrindo seu sorriso milionário e limpando os campeonatos da ASP de cabo a rabo.
Andy não engoliu essa de amizade e diversão, meteu o pé na porta, fingiu ser feliz tambem e ganhou 3 títulos mundiais.
No caminho dos tri, posso apostar minha swallow seis canaletas que se houve algum momento de verdadeira diversão na vida de Andy Irons (não vamos confundir aqui com alívio), foi quando ele saiu de mãos para cima daquele tubo no backdoor com toda certeza do mundo que tinha virado a bateria mais empolgante de toda história do surfe.
Andy se divertiu.
Fanning, por outro lado, deve ter pesadelos com retomadas avassaladoras dos dois animas competitivos que são Slater e Andy, que tambem não estão achando graça nenhuma nos seus terceiros, segundos e quintos.


Oo Taylor, voce não disse que hoje tava uns 3 ou 4 pézinhos ?

O surfe profissional ganharia muito se houvesse um pouco mais de honestidade no discurso dos surfistas.
Sabemos por terceiros que Mick Fanning torce descarademente pelo seu amigo Andy e contra Slater quando não tem chances de vencer coisa nenhuma.
Sabemos que Parko acha todo mundo pior que ele e que, mais dia menos dia, o caneco será seu.
Sabemos que Chris Ward se acha infinitamente superior aos outros 40 da lista mas é psicologicamente incapaz de transformar seu talento em resultado.
Sabemos que Bruce sequer considera os outros a altura de compara-los ao seu enorme talento.
Ora bolas, até Josh Kerr acha isso.
A ASP, na ânsia de ter o surfe aceito como esporte de massa doutrina seus competidores com um discurso políticamente correto irritante e repetitivo aproximando o surfe de uma brincadeira infanto juvenil ao invés de incentivar a velha e boa rivalidade ‘pega pra capar’ dos anos 80.
Mick Fanning, se não abrir seus olhos e assumir que em 20007 é o ano da sua vida e que não há folga para quem quiser destronar os dois homens que tem juntos 11 anos de domínio será atropelado pelo seu próprio discurso.

segunda-feira, julho 09, 2007

Sudeste




Meirelles é um desses heróis sem condecorações.
Virtuoso como músico, arranjador e produtor, fez tanta coisa, e fez tão bem que é injustiça, ou desatenção, falar de menos de uma dúzia.
Esse camarada tímido e mal-humorado foi quem escreveu o arranjo de 'Mas que nada' do Jorge Ben e fundou uma coisa que ele pode hoje se dar ao luxo de batizar de Sambajazz.
Em 2002, o Beto me chamou para registrar a volta do Meirelles ao estúdio depois de 28 anos sem gravar um disco próprio, aceitei eufórico e perguntei quanto deveria pagar pela honra.
A música daqui de cima chama-se Sudeste e é uma brincadeira com outro tema genial do Meirelles chamado Nordeste.
Segundo a estória contada nos botecos, Ed Mota um dia liga de Londres pro dono da Dubas, Ronaldo Bastos e diz que achou, finalmente!, o disco do Meirelles (O Som de 1964) num sebo pela bagatela de 200 Libras.
Ronaldo vai atrás do sujeito e o descobre tocando em barzinhos por mixaria, dando curso de informática, morando num quartinho e vendendo cópias dos seus discos antigos de mão em mão.
- Vamos relançar seus discos ?
- Pra que ? prefiro vender eu mesmo. Ganho mais. Ninguem mais quer aquilo.
Meses depois de intensas negociões, saíam edições caprichadas, pela Dubas, do O Som e O Novo Som ( que tinha nos Copa 5 nada mais, nada menos que uma banda de sonho: Roberto Menescal, Eumir Deodato, Waltel Branco, Manoel Gusmão e Edison Machado) celebradas com fogos de artifício pelos apreciadores da boa música.
Agora, pra convencer o Meirelles a gravar um disco novo é outro papo.

quarta-feira, julho 04, 2007

Blogues

Recebi mais de uma centena de imeios perguntando se aqui no Salvelindo não tem algum blogue como o Ondas que mereça visita diária.
Nesse Brasilzão de Deus, com seus alegados milhões de surfistas (conta outra...), a turma parece não ter muito jeito com o teclado quando o assunto passa por cima do umbigo.
Temos uma quantidade ridícula de pessoas dispostas a escrever resenhas e vomitar opiniões fortemente fundamentadas em atenta leitura da imprensa especializada estrangeira e espertas perguntas ao deus Google.
Por algum motivo que desconheço, a turma aqui parece preferir falar ao mesmo tempo (e as mesmas coisas) nos grupos de discussão vale-tudo do que, parar, pensar, avaliar o que está acontecendo e publicar com alguma pontualidade.
Aparenta preguiça; não é.
Um camarada curioso e atento logo percebe que o apetite voraz para opinar com a opinião dos outros é hoje praxe de comportamento para doze em dez figuras.
Por sorte, cansados de procurarem por algo que preste na grande rede uma pequena e decidida turma de surfistas com S resolveram meter a mão na massa e escrever, eles mesmos, o que faltava para ler.
Esses malandros entenderam que ao escrever sobre surfe não precisam ser rasos porque o blogue é uma ferramenta que incentiva o diálogo, mesmo que seja entre 3 amigos/leitores que aos poucos vão empurrando o autor para os cantos da página.
Primeiro foi o Giovanni com o Tracks que começou timidamente e hoje merece visita diária, ou ao menos semanal, para a atualização.
Durante o evento do Chile, Giovanni teve o cuidado de ouvir a locução em inglês e falou do assunto que ninguem menciona, ou preferem ignorar:' Mas o que mais me chamou a atenção foi o Pigmeu. No início da bateria o locutor americano, Marty Thomas, havaiano, encheu o guri de elogios. Disse que nas últimas temporadas ele vinha fazendo um nome em Pipe. Isto vindo de um havaiano não é pouca coisa.

Mas mais bacana mesmo, foi logo que terminou a bateria, que foi a última do dia. Mesmo tendo perdido nos minutos finais a liderança para o Jeremy Flores, que pegou um senhor tubo de backside, o Pig continuou sendo o motivo dos comentários, agora vindos do senhor todo poderoso dos mares competitivos: o careca em pessoa. Dizia ele que o Marty Tomas tinha razão em fazer elogios e que no ano passado, durante o período de realização do Pipe Masters, houve dois ou três dias em que o campeonato esteve "on hold" devido às condições monstruosas em que o pico se encontrava e que nestes dias, além de dois ou três locais, apenas Jamie O'Brien, ele (o careca) e o Pig caiam. E mais: que o mais insano dentro d'agua, era justamente o brasileiro....
'

Ainda no Sul maravilha, meu velho camarada e cúmplice de pequenos delitos na noite catarinense, Máurio viu no blogue Alohapaziada a sua oportunidade de treinar pontaria sem ter que dar satisfações para anunciantes(o cara faz o surfe Report na rádio ha mais de 10 anos, não tem ?).
Em seguida a etapa do Tahiti, Máurio falou e disse: 'Umas poucas linhas aqui para comentar a cobertura realizada pela Sportv: Sinceramente, durante a semana, não deu para aturar a inexperiência da apresentadora e os comentários do Ricardo Tatuí no canal mais vezes campeão. Fica provado que nem sempre um bom surfista sabe se expressar, mesmo quando o assunto é surfe. Além do pouco conteúdo e vocabulário limitado, o niteroiense com seu “carioquês” afinadíssimo, errou em todas as suas previsões de notas. Tatuí deveria aproveitar essa oportunidade dada pela Sportv e também fazer um curso intensivo de juiz, pois como comentarista, definitivamente não dá.
Gustavo Cabral, que dividiu o cargo de editor da finada revista Inside com Rodrigo Viegas (testemunha de alguns dos maiores porres que as calçadas da beira mar jamais viram e fiel companheiro desde a primeira bateria até o último copo) criou o O Blog do Surfe Catarinense uma prestação de serviços inestimável para o surfe brasileiro - não canso de falar.
Sim temos outros tantos, uns de fotografia, outros apenas de (boas) recomendações, outros de quase tudo, inclusive surfe.
O surfeiro bloguista, ou o blogueiro surfista, é meio editor de sua própria revista, selecionando o que julga importante e ignorando o que é desimportante.
Os indicados acima são os que conheço e visito mas isso não quer dizer que não tenha outra dúzia que desconheço (ou desprezo).
Aproveitando o ensejo, quero congratular a Bléquiuáter (que não é blogue mas tem um 'QUEzinho' de...) pelo primeiro aninho. A edição de fotos ficou excelente e realça o que a revista virtual tem de melhor: impecável edição de fotografia do anãozinho mais querido da Zona sul e diagramação bem humorada do Paulo.
Minduim podia prestar uma consultoria às nossas revistas sobre edição de fotos - o Tojal foi a melhor coisa que aconteceu dentro d'água aqui no Rio desde que Zampa enterrou Beto Paes e Rick Werneck por não sibilar o esse.