quinta-feira, maio 27, 2004

Quem ???


Belo trauma




Miguel Pedreira, editor da Surf Portugal, me pergunta por que o silêncio diante da superação do Neco em Teahupoo, oposto ao barulho da sua desistência nos últimos 3 anos.
Digo daqui que nossos atentos observadores estão solenemente defecando e caminhando para pequenos sucessos.
Estamos todos bêbados com a possibilidade de um título mundial daqui a 3 ou 4 anos, caso Mineirinho consiga carregar nos ombros o fardo das expectativas.
O exemplo de Neco é supérfluo, não vende revista, nem arrebata curioso para a grande rede.
Não comove jornalistas, não dá 'boa estória'.
Pra grande maioria, Neco não fez mais do que a sua obrigação como surfista profissional - e seu discurso, sempre prezando o 'trabalho', só aumenta a distância do admirador comum pro ídolo.
É provável e previsível que uma das nossas revistas faça a brilhante pergunta, numa caixinha discreta em meio à cobertura, 'como foi voltar...', cumprindo a tabela, ou melhor, seguindo o manual de redação da vez.
A atuação do Percy em Sunset no WCT foi quase impecável, perdeu precisando de um 4 e venceu sua bateria da primeira fase em Pipe, deixando Egan pra trás.
Em Teahupoo, caiu diante dum Damien Robinhúdi inspirado, mas deixou o seu 8.67 entre as maiores médias do dia - nada mau para um camarada que tenta sobrepujar um trauma que quase lhe custa uma carreira brilhante.
Ninguem analisa, ninguem debate.
Querem saber ? ninguem se importa.



Neco preocupadíssimo com a opinião dos nossos dedicados repórteres, participa de uma mesa redonda com Danilo e Nunes: 'Desinformado é com Z ou com S ?"

terça-feira, maio 25, 2004

Pro-fundo

(A coluna chama-se Tempestade em copo d'água e é mensalmente publicada na revista Surf Portugal, desde 96, com intervalos que justificam-se ora por atraso, ora por por falta de afinação.
Percebam que esse texto fala direto para o irmão lusitano mas transborda um bocado para o amigo ao lado.
Podem achar que bato demais na imprensa especializada nacional, mas tenho um respeito enorme por, poucas, pessoas envolvidas, apesar de não nutrir muita admiração profissional.
Na última edição da pequenina Venice, Adrian, editor chefe da Fluir, comete um senhor texto sobre o filme Step into the liquid. Quisera ele sentir-se livre e feroz assim o tempo todo em que exerce sua função na mais mais, porem isso é assunto pra outra oportunidade.
Voltando ao textinho abaixo, durante uma de suas edições a Surf Portugal debateu abertamente o que deveria ser feito do WCT realizado em Figueira da Foz, antes da rasteira da ASP.
De um lado, o sempre entusiasmado João Valente, defendendo com unhas e dentes o evento.
Do outro, Gonçalo Cadilhe, cardeal pontífice da nossa literatura salgada, argumentando que o governo deveria ter prioridades na Figueira e que o maldito WCT não trazia nenhum benefício para a comunidade.
Esse tipo de confronto, amistoso, faz uma falta tremenda aqui na nossa praia.
Um debate sobre a mudança do WCT do Rio para Floripa foi ignorado.
Os colunistas, comprometidos, fizeram silêncio - ninguem sabe, ninguem viu...
Em Portugal, ao menos, foi às claras.)






Tenho o hábito de ler toda semana os cadernos de cultura de dois grandes jornais Portugueses, o Mais, do Diário de notícias e o Y do Público.
A razão principal é o aprofundamento que os articulistas, os críticos, mergulham nos seus temas, seja música, seja cinema, pra ficar nos dois que mais me interessam ali. Sinto falta disso aqui no Brasil, o tratamento é parecido, mas fica um gosto de pedantismo, quando não de recurso comum na imprensa actual, o preguiçoso ‘Copy & Paste’.
Temos tambem excelentes jornalistas, evidentemente, mas prefiro ler os irmãos de além Mar - embora ninguem supere o nosso Sérgio Augusto.
A revista que voce tem nas mãos agora comete essa perversão de se aprofundar demais no assunto e reinventa nossa rotina mensalmente com formas, ás vezes poéticas, ás vezes duras com os compatriotas, de vez em quando excessivamente agressiva e competitiva, porem sempre honesta – que é o nos interessa no fim das contas.
O debate entre vosso editor, JV e GC sobre o WCT em Figueira é prova disso.
Transparência.
Discutimos sim, e daí ? não discutimos todos em casa por motivos muito menores ?
A formação de leitores surfistas, ou surfistas leitores é fundamental para a evolução do Surfe Português, ao inverso do que acontece com outras praias, que investem mais no culto ao surfista, marionete do mercado, sem identidade, sem opinião.
A limpeza gráfica da capa, espaço de excelência de revista, o primeiro contato do leitor com seu objeto de fantasia mensal, a detalhada candura em esconder manchetes baratas e expor surfistas e logotipos ao ridículo da falsa propaganda, fazendo-nos de patetas – a riqueza do sútil, do inesperado, a estética pela estética, uma textura de água e pronto!
Essa maturidade, de leitores e anunciantes, que apesar de tudo – e talvez, por não terem outra alternativa a altura -, participam ativamente, mês após mês, silenciosamente contribuindo para a evolução do Surfe em Portugal.
E eles não sabem disso!
Porque a vil imprensa, sempre quando tem a oportunidade nos faz crer que a evolução está em vender mais pranchas, mais roupas, mais revistas.
A verdadeira evolução do desporto não reside aí.
Como prega Wayne Lynch, com a licença perniciosa da palavra, nosso guru, guia espiritual, se é que existe coisa como tal, enfim, como ele bem gosta de dizer: “Toda experiência do surfe sempre esteve em dividir. Esta é, era e sempre será a verdadeira essência do surfe”.
Ficou claro ?
Dividir, companheiros!
Dividir ondas, dividir parafinas, dividir fotos, dividir boléias, dividir o medo, dividir a diversão, dividir a cerveja, dividir impressões.
Nesse apsecto, precioso, o surfe português vai anos luz à frente do brasileiro, onde a imprensa especializada é infantil e rancorosa.
Se me perguntassem para onde aponta o futuro do surfe em Portugal, gostaria de responder: Para dentro…e pro-fundo.

sábado, maio 22, 2004

A estrela



Enquanto ele se afastava lentamente, ouvia o camarada repetindo:’Aquele cara pegava pra caralho! Aquele mesmo, surfava muito….’
Nunca foi tão triste uma frase solta, reverênciosa.
Era noite, 21 de Maio, um frio de usar casaco e cachecol, as ruas das Acácias e Oitis estavam vazias – e era uma sexta-feira!
Fez o mesmo caminho que já fizera tantas vezes, desta vez cabisbaixo, embora fosse um ser curvado por natureza, levava um peso imenso nos ombros que o empurrava para baixo. Voltava duma tentativa de reintegração à sociedade, mal-sucedida como sempre.
Teve dias felizes, quando, no mesmo trajeto, sorria e andava com passo firme e rápido, desta vez o passo era lento, arrastado, e o sorriso, não era.
Há de passar, pensava ele.
Há de passar…
Esbarrou na esquina com um velho conhecido no buteco:
Grande!!…Quanto tempo!…
Pois é.
E aí cara, tudo legal ?
Tudo. Respondia lacônico, sem palavras.
O ‘velho amigo’ falava sobre uma revista antiga, com fotos inesquecíveis dele, um tubo, Ipanema.
Ele fingia prestar atenção mas sua cabeça estava em outro lugar.
Dia 21.
Nos últimos 3 anos e quatro meses pontualmente celebrava todo mês o dia 21.
Numa das suas viagens descobriu a paixão pelas estrelas – pela leitura das estrelas, pela forma delas, o brilho subjugando a morte.
Ficou obcecado por estrelas.
Sabia o nome e o significado de todas elas, Algol, Mintaka, Sírius e Arcturo, estudou a tábua de levar estrelas dos chineses e o Kamal, instrumento usado por Vasco da Gama para orientar-se quando navegando à caminho das Índias, por sugestão dos avançados navegadores árabes.
Passava as noites observando os astros no céu, escolhendo atento para onde olhar, procurando por uma estrela cadente.
Nunca tinha visto uma sequer.
Rodava o mundo e em cada canto ele sentava confortavelmente e tratava de olhar, fascinado, para os diferentes céus. Estrelados, nublados, cinzas, fugidios, portentosos, tímidos, exibidos…
Mas nunca acompanhou uma estrela cadente. Por que ? ele se perguntava.
Olhando para o céu, ele deixava de ver tanta coisa aqui embaixo.
Esperava ansiosamente o entardecer para poder admirar a primeira estrela.
Logo encantava-se com a quantidade de pontinhos brancos, verdes e vermelhos salpicando o céu e suspirava com a esperança de ver, ao menos uma vez, uma estrela cadente.
Pois foi num 21 de janeiro que uma estrela mudaria o rumo da sua vida sem rumo.
A areia estava morna ainda do calor do dia, seus pés moldavam-se nas pequenas dunas a cada passo.
Sentiu uma sensação estranho na sola descalça.
Acocorou-se para ver no que tinha pisado.
Uma Estrela do Mar.
Apanhou com todo cuidado a Estrela do mar, meia seca, distante do seu habitat, parecia precisar de água salgada.
Levou-a para perto do rosto onde poderia sentir os odores que ela emanava e olhar com retidão para descobrir algum movimento.
Continuou caminhando em direção ao Mar, como que atraído por alguma coisa que não podia resistir.
Quando a primeira onda molhou suas canelas percebeu que a estrela se agitou.
Sentindo-se um imbecil e perguntou à estrela se ela queria mergulhar.
Ao que a estrela demorasse demais para mui improvavelmente responder sua pergunta, ele a lançou pro Mar.
O Mar sorriu nesse momento.
De repente, ele percebeu que tinha esquecido completamente do céu e agora estava olhando terno para o Mar.
Passou horas a fio vendo ondas brincando com a luz da lua, mas não olhou para a lua.
Amanheceu na praia, olhando fixo, procurando a estrela do mar.
Uma generosa onda trouxe a estrela aos seus pés, ele a olhou agradecido e imaginou que ela, quem sabe ? tambem teria gratidão pelo gesto.
Pela primeira vez na vida ele tinha se sentido responsável por alguem - por alguma coisa.
Ele tinha feito a diferença, por alguns momentos, ele e a estrela eram um só.
Estava agora parado, no buteco da esquina, tentando se concentrar na conversa do parceiro já mamado das cervejas e afins que a hora sugeria.
Que mar ! Cê lembra ? nós dois lá fora, esperando um série…
A cabeça dele voltava e revivia cada momento daquele dia 21, da sua estrela do mar, a primeira estrela, a única.
Mas a estrela não era dele, era do mar e o mar acaba por levar tudo que dá.
Seguiu em frente enquanto ouvia ainda o camarada do buteco, braço em volta do ombro do outro, falando em voz alta, todo orgulhoso:
Vai ali um grande cara, meio esquisito, mas um grande sujeito. Ultimamente todas as pranchas dele tinham uma estrela do mar. Nunca soube porque…

quarta-feira, maio 19, 2004

Big Dane




Dane Kealoha foi um surfista havaiano brilhante, em campeonatos e qualquer coisa. Chegou bagunçando o coreto nos top 16 em 78, escalou até o segundo posto, atrás apenas do grande Mark Richards, em 1980 e teve seu auge possivelmente na temporada de 83/84, quando Ian Cairns fazia queda de braço com Fred Hemmings pelo controle da A.S.P.
Pelo fato de Hemmings realizar os eventos havaianos, a A.S.P. resolveu punir com exclusão esses campeonatos.
Aquilo virou chacota para o título mundial da temporada, que sempre tinha sido decidido no poder das ondas havaianas.
Dane, um local orgulhoso, cagou para a A.S.P., surfou todos eventos em casa, juntamente de Mike Ho, e Bobby Owens.
A A.S.P. multou todos 3.
Diferença ficou na opção do Dane em não pagar um centavo.
Ele sofreu com a remoção dos seus pontos no ranking e foi efetivamente condenado para uma aposentadoria precoce, tudo por uma batalha política.
No ano seguinte, Ian Cairns levou uma coça no Havaí e o círculo de atrocidades continuou.

(Texto do D.C. Green retirado e maltraduzido do Tracks de outubro de 2000, edição comemorativa de 30 anos)

terça-feira, maio 18, 2004

Dicas de DVDs



Me permitam uma dica, não uma, mas 5 dicas de DVDs que estão com um precinho camarada na grande rede.
Slippery when wet, primeiro filme do Bruce Brown, assim como toda sua coleção, foi lançado silenciosamente aqui no Salvelindo (pela Indie, braço do poderoso Estúdio Mega) e pode ser encontrado pela módica quantia de R$ 29.90, menos de 10 Doletas!
A trilha de SWW é de Bud Shank, que tocou aqui, Rio e SP, no Chivas Jazz festival.
Disponíveis tambem no link (clica no título), outros 4 títulos do velho Brown: Barefoot adventure, Surf Crazy, Endless summer e Surfin' shorts.
Tudo na promoção!
Se alguem achar alguma oferta imperdível como essa, faça a gentileza de postar nos comentários.

domingo, maio 16, 2004

A vantagem


imagem 'emprestada' do www.sargesdailysurf.com/


O negócio transcendeu a mera disputa pelo título mundial.
Slater e Irons não se satisfazem mais com uma coroazinha qualquer, querem mais, buscam o reconhecimento, a unanimidade.
Durante os WCTs quem detem as melhores notas e melhores médias ? Irons e Slater, ou inverta a ordem.
Se o repórter X escreve dizendo que ninguem é capaz de surfar mais do Slater em determinada onda, Irons não descansa enquanto não provar o contrário - e por enquanto, provar é vencer.
Estamos diante de dois dos maiores egos que já frequentaram o imaginário coletivo da comunidade surfista.
Um deles, Slater, teve tudo ao seus pés desde o princípio: Bons patrocinadores, imprensa torcendo e transformando cada passo em manchete de capa, boa tutela, ora de Curren, ora de Sarge, mas precisou provar para todo mundo que era capaz de se destacar no Havaí. Calou a praia, de Sydney a Sampa, com um desempenho avassalador no Pipe masters de 92. O jornal Tracks australiano, perguntava com uma ponta (grossa!) de ironia: Voce ainda acha que Slater é maroleiro?
O mais jovem, mais campeão, mais isso e mais aquilo surfista de toda história, Kelly retomou o gosto pela coisa, competir, quando a maioria pensa em se aposentar - vide Dorian e Machado.
O que motivou KS ? a simples especulação de que ele não seria mais o tal...
Andy Irons, duas vezes campeão do Pipe Masters, Tríplice coroa havaiana e mundial seria o tal agora... ou não ?
Irons teve tudo igualzinho ao Slater e mais, tem por trás uma trupe de guarda-costas que apavoram quem ouse cruzar seu caminho.
O Wolf pack do Kauai está presente e intimidando em todos cantos do WCT: Australia, Tahiti, Europa, menos Brasil, aqui a banda toca um pouquinho diferente.
Irons, por ser havaiano, tem a imprensa comendo na palma da sua mão.
Ninguem ousa dizer um 'ai' dos irmãos Irons sob pena de nunca mais pisar em solo havaiano.
Essa tensão pode ser sentida nos WCTs quando uma nota parece ligeiramente simpática à um dos irmãos Irons.
No Pipe Masters, sempre o esporte subjetivo, teve gente sentada na areia que achou injusta a classificação do Andy na semi diante do Luke Hitchings, Joel arrastou com Andy em segundo.
Na etapa do Gold Coast, AI marcou o herói local Luke Munro por mais de cinco minutos e ninguem tem colhão de escrever uma letra sobre o assunto.
Porem, uma coisa o wolf pack ainda não conseguiu convencer o resto da turma: de que o AI é melhor do que KS.
Na eleição do Peer poll da revista Surfing life, os 44 wcts que votam escolheram Slater.
Em J. Bay, ficou estampado em todas reportagens: Slater surfando 30% mais do que o resto.
Enquanto no Pipe Masters, Andy venceu por erro estratégico do adversário.
Se por um lado o sujeito é incapaz de apontar Slater como melhor surfista do tour por medo de represálias no Havaí, por outro lado, ninguem é capaz de afirmar a superioridade de Irons por medo de parecer ridículo.
A nota 10 de Slater no WCT do Tahiti, duas delas!, comove como o gol do Maradona contra a Inglaterra na Copa de 86.
Extinguiram-se as vantagens.
Slater subverteu a ordem entre goofies e regulars em Teahupoo.
A única vantagem agora é ser Slater.

quinta-feira, maio 13, 2004

The Surf Guru

Allan Weisbecker é um surfista.
Seus dois livros, Cosmic Banditos (este lançado, por incrível que pareça, no Brasil) e In search of Captain Zero, já fazem parte da mitologia do surfe. São obras literárias com qualidade para sensibilizar um punhado de senhores de meia idade que o elegeram como um ícone do submundo de uma cultura hoje dominada pelo mercado orientado exclusivamente para adolescentes.
Conheci Allan em 94, no Caribe, entre um surfezinho e uma cerveja, batendo papo furado. O assunto era sempre iniciado pelo fascínio que ele tem pelo Brasil e seu desejo de conhecer a famosa 'Girl from Ipanema', mas volta e meia descambava para a situação atual, de 94, das revistas de surfe americanas.
Rendiam, as conversas...
O mundo dá voltas, Allan me enviou umas belas fotos que fez na ocasião, sumiu por alguns anos e voltou à carga com um saite do cacete.
Virei assinante, retomei a correspondência e recebo a sua mensagem coletiva chamada 'Down South Perspectives'.
Venho acompanhando a venda dos direitos de seu último livro, ...Captain Zero, para Sean Penn (tambem surfista), determinado a levar o capitão Zero para o cinema.
Durante todo esse tempo, Allan mudou-se para Pavones, arrumou um mulher e ainda arranja tempo para atualizar o saite.
Abaixo vai um texto que ele nos recomenda no último DSP, imperdível.
No saite voces podem ter acesso exclusivo ao script, o primeiro deles, do filme 'In Search of Captain Zero', 115 páginas que irão virar película quando Hollywood resolver se merecemos, ou não.
Allan já recebeu por isso e passa boa parte do seu tempo fazendo pesquisas nos arredores de Pavones, patroa de um lado, prancha do outro.





Allan no seu ambiente de trabalho: bala na agulha - e não me refiro à pistola...




The Surf Guru
A Short Story by Doug Dorst

Elements
The Surf Guru spends most of his time sitting expectantly on the redwood deck of his dull-green, two-story house atop the cliff at Padre Point, a favorite spot for surfers in the know. He watches the surfers and looks out at the ocean. He often sips Chianti as he watches and looks.

Sometimes he nods off in the afternoon and only awakens late at night, when the ocean breeze tickles his nose with smoke from bonfires on the sand below.

No one but the dog sleeps in his master bedroom.

His business
He owns a company that makes fine equipment for the well-prepared surfer as well as for the casual beachgoer. The name of the company is GOO-ROO, and it appears on surfboards, wetsuits, quick-release leashes, wax, bathing suits, SPF-36 waterproof sunblock, fashion eyewear, sport sandals, sneakers, sheepskin ComfyBoots, sarongs, raingear, beach towels, fanny packs, umbrellas, neckties, EZ-rinse home hair-bleaching systems, pressure-tested shock-resistant waterproof chronographs, moist towelettes, feature films, and dog food.

For years, GOO-ROO has been at the forefront of beach technology. The Surf Guru innovates, quietly, as if he were dreaming, and then two M.B.A.s, Chad and Olivia, bring his visions to the marketplace. Everyone who surfs at Padre Point wears GOO-ROO and rides GOO-ROO. Everyone except the red-haired boy.

Power
Some say the Surf Guru controls the tides.

The red-haired boy
At this very moment, sunset is approaching and the red-haired boy is surfing a three-foot swell. He rides a LoweRider board and wears a LoweRider wetsuit. Both of these items cost significantly less than their GOO-ROO equivalents.

The boy thinks his LoweRider board is more responsive than any GOO-ROO board he has ever tried. And unlike his old GOO-ROO wetsuit, the LoweRider model doesn’t chafe him in the neck and crotch.

In the Surf Guru’s eyes, the red-haired boy is not unlike someone who invites himself to dinner and then insults the cook.

Competition
When LoweRider products first came on the market, the Surf Guru asked Olivia to invite Mr. Lowe to the dull-green house for lunch. He wanted to meet his competition.

“That’s impossible,” Olivia said. “There is no Mr. Lowe. He is a marketing fiction.”

The Surf Guru poured some Chianti into a GOO-ROO coffee mug. “So many fictions,” he sighed.

The Surf Guru’s wife, cinematically
He met his wife on the beach. He was surfing, trying out a board fitted with prototypes of the soon-to-be-famous GOO-ROO HydroRip fins. She was a sunburned Art History and Modern Thought double-major looking for her car keys in the sand. He came out of the water and found her keys instantly, as if he could see things she couldn’t. Six months later, they were married.

After ten years, she had had enough.

“You are so remote,” she said.

“I am not remote.”

“Then you are stoic.”

“I am not stoic.”

“You are no fun.”

“The dog thinks I’m great fun.”

“You are turgid,” she said.

“That is an interesting word. The word turgid is itself quite turgid. It is very successful at being what it is.”

“Unlike this marriage, which is not successful at being anything,” she responded cinematically. She packed up her things, leaving behind only her GOO-ROO apparel.

She took all the dog food in the house and dumped it on the front steps. It was a symbolic action, she said, and she hoped it would haunt him.

Stray dogs congregated in front of the house for weeks.

Drainage, Part I
He watches the surfers every day, admiring their fluid recklessness, their sense of community. He pretends not to notice when they glance up at him with furtive reverence.

Some of them are kids, trying to catch a few good waves before or after school. Some are in their twenties, hoping for a breath of freedom before they head off to their jobs drafting contracts or designing urban drainage systems or selling fitness accessories. Some are older than the Surf Guru himself; they are gray-haired and leather-skinned, and they just stay all day.

Sometimes he feels like he is watching over a nursery school, where children play Duck-Duck-Goose and learn other social skills. Hefeels proud whenever he sees the kids he watched grow up return with their own children, to pass on the legacy of the waves.

Credo
All the rivers run into the sea, yet the sea is not full; unto the place whence the rivers come, thither they return.

Hats
He wears many hats, not altogether metaphorically. His favorites are the fez, the miter, and the mortarboard, but he has many others, from all corners of the globe. When he feels giddy (often, but not always, from too much Chianti), he opts for a hat with a plume--the puckish Tyrolean, perhaps, or the stately shako. When the aches in his fused vertebrae tell him a storm is coming, he dons the biretta, the hat of wariness and watchfulness.




Self-portrait


Drainage, Part II
Chad and Olivia bring him a financial report every Wednesday. The report tells him how much went to manufacturing and promotions, how much to his ex-wife and the attorneys, how much was lost in the latest Wall Street panic, and how much was shrewdly invested in livestock farms and vacation properties he will never use. Included under “personal consumption” is the money spent on Chianti, microwavable vegetarian entrees, and hats.

Each week he pretends to read the report carefully. When Chad and Olivia leave, he whispers to the dog, “It is essential that they believe I care deeply. This is how the world works.”

Fetching, Part I
The dog has uncanny and perhaps miraculous skill in fetching.

They share a small but important ritual: The Surf Guru will throw a tennis ball off the deck of the dull-green house into the ocean, and the dog will scamper away and return with the ball in under three minutes. Every time. “Faster than you can boil an egg,” he once boasted to his wife.

Neap tide
The red-haired boy, frustrated by the calm surf, slaps the water with an open palm, demanding one good set before he calls it a day. Moments later, as the sun nicks the horizon, a head-high wave rises from nowhere. He positions himself for it perfectly.

He drives down the line into a heavy roundhouse cutback, then glides through a string of graceful turns in the pocket.

The Surf Guru applauds, quietly, with his fingertips.

Fear (The largest eyes of all)
Sharks rarely venture into the bay. They prefer the darker, bruise-blue waters off the coast, where fear is easier to come by.

Bobby Santos is molting
Three years ago: It is a cold, rainy morning, just past dawn, and Bobby Santos, a regular, has Padre Point to himself. Even the Surf Guru is gone, convinced by Chad to make a rare promotional appearance at the GOO-ROO Aloha Cup at Waimea.

The wind is up and the waves are big. Bobby needs to clear his head, and this is the way to do it. He rides double-overhead waves for an hour and feels his spirit rise up and dance a rhumba with the sea. He is oblivious to the hangover, to the rent he can’t pay, to the accusations of squandered potential, to the green-eyed girl who won’t return his calls.

He is also oblivious to the fin rising and falling in the surf behind him.

Bobby catches a set wave, but drops into it too late. He manages to carve off the bottom into a floater, then elevator-drops and loses his balance. He pitches into the water and is driven into the sand below. There is a slashing pain in his ankle, a wrenching tug. Then fire in his legs and side, a glimpse of thrashing gray and a flat black eye, a strange warmth bathing his body. A crushing blow to his chest that squeezes the air out of him, and, with that, a mysterious clarity: he remembers that he should yank on the shark’s gill slits, a trick he learned from the GOO-ROO Surfer’s Survival Guide. He grabs and grabs and grabs and yanks.

Then he finds himself on the beach inside a ring of panicking people, and he calmly, sleepily, stares at the cuff still fastened around his ankle, at the rubber cord that trails from it, at the frayed edge where the leash was bitten through.

In the hospital, they have to cut open his GOO-ROO wetsuit. They try to sew him up, but Bobby has lost too much blood. He dies on the table amid the remains of his wetsuit. The sight of this discarded skin of black neoprene prompts the doctor to tell the local news it looked like poor Bobby was molting.

The Surf Guru returns to Padre Point immediately and arranges a ceremony for Sunday afternoon. He spends thousands of dollars on flowers -- hyacinths, lilacs, and mums. With a single phone call to the city council, he has the road that runs along the cliff closedfor the day.

Everyone comes. Some weep. Some vow revenge against all things selachian. Some throw flowers off the cliff. Some of the flowers fall into the water; some come to rest on the cliffside.

The Surf Guru watches the ceremony from his deck. He wears the Greek fisherman’s cap, the hat of sorrow and solitude.

Survival of the fittest
The GOO-ROO Surfer’s Survival Guide, priced at $16.95, is also available with the Surf Guru’s autograph on the inside front cover for $19.95. Even though the autographed version has sold 750,000 units, only three purchasers have complained in writing that the autograph looks suspiciously like a dog’s pawprint.

The red-haired boy does not own the Surfer’s Survival Guide, but he knows that if a shark ever attacks him, he should yank on its gill slits. “It’s intuitive,” he says.

The Surf Guru, upon rising this morning
Surfers fill the bay. A hundred GOO-ROO boards twinkling. A hundred black wetsuits with GOO-ROO stamped in screaming green across the chest. It is an ordinary sight, but today he is taken aback. So many pieces of himself, spread across the water, carried by the waves like so much flotsam.

He eats a big breakfast. He worries that he has been losing weight.

(for a poodle, maybe)
His wife once bought a patchwork doggie sweater at a church craft fair, but the dog bit her when she tried to force its legs into the sleeves.

Later, he and the dog played fetch with the sweater until it fell apart. From inside the house, she watched them with mercury eyes.

Room 613, The Paradise Hotel & Casino, Reno


-- We shouldn’t do this.
-- I’m not his wife anymore.
-- That is an excellent point. Still, it doesn’t feel right. He trusts me.
-- You deny yourself too much.
-- I don’t understand.
-- Is that all you want? To be his lackey? Is that your destiny? Your karma? Your raison d’être?
-- Come to think of it, I would like to play the saxophone professionally. I’d like to be the man who resuscitates bebop.
-- Then make it happen. Believe in yourself.
-- I’ll need money.
-- Yes, you will. But you’re resourceful. Of your many fine qualities, it is perhaps the finest.
-- I love you.
-- Sshhh. Don’t spoil everything.

A fine vintage, Part I
The red-haired boy picks off a nice right and executes a quick barrel and a big vertical snap. He swoops long, smooth lines across the wall of water.

The Surf Guru pours another glass of Chianti. Even though his back is killing him, he puts on a beret, the hat of restrained contentment.

Closed out
The trophy case in the dull-green house is empty. All 79 of the Surf Guru’s trophies were sold to a surf-themed pizza chain owned by an aging former star of Hollywood beach movies. They are now mounted on the walls of Shred-Boy Pizza franchises in 16 cities worldwide, including brand-new airport locations in Athens and Las Vegas.

Tombstoned
Olivia calls Chad in a panic. Next year’s line of GOO-ROO boards, the Poseidon Series, must be renamed. LoweRider, it seems, has just filed on all commercial uses of “Poseidon.”

“Someone must have told them,” she says. “It’s corporate espionage.”

“I really doubt that,” says Chad quickly. “It must be a coincidence.”

Olivia searches for a suitable alternative. Neptune? Triton? Apollo? Vishnu? Quetzalcoatl? Ra? It’s no use. All the gods have been trademarked. Nothing

GOO-ROO dog food is a bomb. No matter how bright the colors on the bag, no matter how scrupulously the ads are targeted, it’s a money-loser year in and year out. Finally, Olivia suggests they cut production costs by using cereal fillers and fewer organic flavorings. The Surf Guru shakes his head -- the dog enjoys GOO-ROO dog food, will eat nothing but. Olivia is instructed to change nothing.

The dog also likes Chianti. Even after a brimming bowlful, he still fetches with aplomb.




O autor do texto é outro, mas o cara na foto é Weisbecker, tranquilo, curtindo...



Fetching, Part II
He notices a girl in her early twenties walking along the beach. He can tell even from a distance and in the failing light that she is beautiful. She has the features of a Byzantine Madonna. He does not care if he is imagining this.
She is returning from work. She wears a business suit and walks barefoot, carrying her smart shoes in one hand. She needs the beach, he thinks, maybe more than she knows. He wonders about her name. It is certainly not Polly or Molly or Jill or Francine; it is exotic, like Nadia, or simple in its elegance, like Catherine. He reminds himself that she, too, would ultimately find him turgid.

She stops and sits on the sand. She watches the red-haired boy surf. The boy launches into a snap-air floater, then drives off the bottom and carves improbable arcs all over the bowl.

The Surf Guru applauds, quietly, with his fingertips.

As he watches the boy paddle back out to deep water, he tries to call up images of a long-ago self. He fails; his memory feels diffused, diffracted, dishonest.

He leans forward in his chair and pets the dog, asleep at his feet.Musings from an orthopedic deck chair
If the Surf Guru felt like talking, he would say: “What I am feeling is a peculiar mix of longing and fear, of nostalgia and hope, of power and restraint, of shining and fading.” His voice would tremble for an instant, but he would smooth it out, so as not to let you notice.

Sunset
The red-haired boy takes the leash off his leg, tucks his board under one arm, and walks through shallow water toward the girl. He shows her his LoweRider board.

The Surf Guru imagines the boy telling her that the LoweRider HyTyde fins shred, that they give him more control than he ever dreamed possible.

Sitting in his chair, he closes his eyes and designs a new-and-improved GOO-ROO HydroRip fin. Drainage, Part III
The numbers do not work out. Olivia scans the reports one more time. The numbers still do not work out. She pounds the desk. She looks up at Chad with wet, puffy eyes. “I don’t understand,” she says. “It’s as if the money is disappearing.”

“Yes,” Chad says. “It’s as if.”

He sips his martini, then traces his finger around the rim of the glass, coaxing forth a high, quavering tone. With much satisfaction, he recognizes the note as an F-sharp. He has been working on his ear.

A salt-rimmed glass
The girl listens, drawn to the boy’s earnestness. She takes pen and paper from her blazer pocket and writes down her phone number. The boy takes it.

He begins to tell her the story of the Surf Guru, as any Padre Point surfer would. He points up at the dull green house, where the Guru sits, hands in front of his face. From the beach it looks like the Guru is praying.

The boy and the girl decide to walk home together, maybe grab a margarita at Zelda’s on the way.

The mother of invention
The Surf Guru closes the sketchbook in which he has calculated the specs of the new surfboard fins. He takes a swig of Chianti from the bottle.

Gulls squawk. Wind blows. Waves break. On a boardwalk in the distance, a glowing Ferris wheel spins as the sky darkens.

The Surf Guru stands up and stretches his back. He walks stiffly into the house and looks through his collection of hats for something appropriate. He looks and looks.

Passage
In his paperback copy of Lord Jim, underlined in emphatic blue ink:


How does one kill fear, I wonder? How do you shoot a spectre through the heart, slash off its spectral head, take it by its spectral throat?

Drainage, Part IV
Chad and Olivia bring the bad news. But when they arrive, the deck chair is empty.

Olivia searches the house. She fears the worst. Chad fixes himself a martini, humming the lead line from Charlie Parker’s “Now’s The Time.”

Also gone are the dog and the wide-brimmed petasus, the hat of nascent defiance.

Payoff
Three weeks later, Olivia receives an envelope in her mailbox at home. It contains the designs for the new fins and a short note, hastily scrawled: It’s all yours now. Just don’t change the dog food.

The postmark is smudged, unreadable.

A fine vintage, Part II
The girl waits as the boy gets his things together.



segunda-feira, maio 10, 2004

Uma carta para Maradona

(O princípio de fazer um blog é fundamentalmente para dividir uma idéia, seja cantada ou contada. Como um pequeno círculo de amigos que tem a oportunidade de se encontrarem para conversar potoca, senta aí, pede mais uma...vai embora ainda não.
Marcos Caetano é colunista do JB nas segundas e no Pasquim aos sábados, escreve sobre futebol e adjacências esportivas.
Passei a ter uma maior admiração pelo MC quando do evento do convoca/não convoca do Romário para a Copa de 2002.
Na ocasião, o texto mais divertido, lúcido e apaixonado foi do Caetano - como ser lúcido e apaixonado ?
No Pasca desta semana, número 110, MC publica uma carta maravilhosa que arrancou-me lágrimas no ônibus do metrô (que constragimento!) em direção ao Centro.
Recomendo a leitura atenta inclusive para quem não domina o espanhol - a alternativa seria comprar o Pasca e aproveitar pra ler o Fausto Wolff...)


Miércoles 21 de Abril
Vivir para contarlo (carta a Diego)

Al Zacarías lo vi llorar tres veces en la vida. Cuando le dijeron que el Nacho era un varoncito, cuando le metiste el segundo a los ingleses, y cuando te echaron del mundial '94. Así que date cuenta: gracias a vos descubrí que mi marido tenía sangre en las venas. Por eso si él reza, yo rezo. Y no me importa si otra vez hay que rezar por vos. En esta casa, cuando mi marido dice que hay que prender dos velas, se prenden dos velas y sanseacabó.

Vos no sos santo de mi devoción, ya te lo dije mil veces; siempre me caíste para el culo porque sos un fanfarrón y un bocasucia. El Zacarías me dice que si me gustara el fútbol sería otra cosa, que vos adentro de la cancha eras algo que no tenía nombre, una cosa de otro mundo, que en tus mejores épocas eras capaz de enloquecer las leyes de la física y bla bla bla. Pero por ese lado a mí nadie me compra. Yo soy una señora, no entiendo y no quiero entender de pelotas y pantaloncitos cortos.

En cambio hay otras cosas que sí entiendo. Y por esas cosas rezo estas noches, pero ojo: no es por vos. ¿Sabés por qué rezo? Porque hubo momentos en los que no tuvimos nada, pero lo que se dice nada, arriba de la mesa, y vos le dabas alegría a mi familia.

Alfonsín estaba haciendo estragos, y gracias a Dios justo nos cayó del cielo un Mundial que ganaste de punta a punta. Para mí fue un invierno horrible, porque solamente podía poner buñuelos de acelga en el almuerzo y buñuelos de acelga en la cena. Pero si hoy le pregunto al Nacho o al Zacarías qué se acuerdan de ese invierno, ellos te nombran, se llenan la boca de vos, sonríen... No se acuerdan de otra cosa; no tienen la menor idea de que pasaron hambre.

Afuera, en la puerta de la clínica donde respirás por un tubito, está lleno de periodistas extranjeros sacándole fotos a un mundo de gente que prende velas y que se pasa la madrugada recitando el rosario. A veces me da un poco de vergüenza que el resto del mundo crea que somos tan básicos, tan cabezones. Pero después me dan ganas de explicarle al mundo que nadie reza por el bocasucia, ni tampoco por el fanfarrón. Me dan ganas de explicarle al mundo qué país es éste, qué pocas alegrías hemos tenido en los últimos veinte años, y que de esas pocas, casi todas vinieron con tu firma.

Con lo que nos cuesta ponernos de acuerdo en algo. Con lo que nos cuesta reírnos o llorar o gritar por lo mismo. Con lo que nos cuesta cantar "Argentina, Argentina" y al mismo tiempo sentir que el pecho se infla. Y hacer fuerza por lo mismo, y querer ser mejores, y patalear de rabia. El día de la efedrina salí a la calle y, te lo juro por mis tres hijos, por primera vez en la vida vi a todo el mundo llorando. La gente iba en silencio por la calle, arrastrando los pies, y se le caía los mocos. Todo el país desinflado y mudo. ¡Qué raros que somos!, pensé, pero me sentí orgullosa de esta sangre que era mía, porque yo también lloraba y no sabía desde cuándo.

Si hasta el Caio, que nunca te vio levantar una copa del mundo, tiene un poster tuyo en su pieza y habla de vos como si te hubiera vivido. Si hasta el Nonno te perdonó que mandaras a la puta que los parió a toda Italia en directo. Si incluso el Nacho, que odia el fútbol, sabe que vos sos mucho más que eso, y te defiende... ¿Cómo no voy a rezar para que te pongas bien?

Dentro de muchos años, los hijos de los hijos de la Sofi van a vivir en un país mucho mejor que el que tenemos ahora. Estoy segura. Y nadie se va a acordar que eras un fanfarrrón y un bocasucia. En los libros de lectura se va a decir de vos solamente lo importante, que acá una vez nació un negrito que jugaba a la pelota mejor que nadie, y que era capaz de levantar a un pueblo triste y volverlo loco de alegría, de hacerlo feliz incluso en las épocas más negras. Para que no se muera ése, rezo.

Para que te cures, para que puedas descansar de todo el esfuerzo de haber sido único y te quede tiempo para ser un tipo común. Para que puedas ver a tus nietos, abrazarlos, y contarles quién fuiste. Debe ser muy lindo llegar a viejo, mirar a un nieto a los ojos y decirle, con el corazón despierto: "¿Sabés quién era yo? Yo era Diego Maradona". Y estar vivo para contarlo.


sexta-feira, maio 07, 2004

The Performers


Muhamad Bugs, a tirada mais elegante do circuito

(João Valente me encomendou uma série de textos sobre os filmes que mais influenciaram o surfe na minha modesta opinião. Chamava-se 'Os filmes da minha vida', inspirado na coluna de um crítico de cinema português que o Bala admirava. Por preguiça paramos a série ainda no seu comecinho.
Aproveito agora para republicar e, quem sabe ?, dar continuidade à bendita idéia do J.V.)

O inverno havaiano de 83/84 foi pleno de histórias que, contadas hoje, parecem fruto de imaginação fértil e forte influência de substâncias ilegais.
Boa parte dessas lendas partiram de um trio de australianos liderados por um surfista enlouquecido pelo estrelato e a vontade de tornar-se bi-campeão mundial. Seu nome ?
Wayne “Rabbit” Bartholomeu.
Pensem em David Bowie.
Imaginem Mick Jagger.
Escutem David Byrne.
Vejam Rabbit.
Campeão do mundo em 1978, Rabbit chegou no Havaí em 83 com a missão de tutelar a primeira temporada dos jovens James “Chappy” Jennings e Gary “Kong” Elkerton, e treinar feito um louco para conquistar o tão sonhado bi – Rabbit tinha solidificado uma vantagem sobre Tom Carrol de 850 pontos antes do Havaí!
Isso numa época que a Quiksilver começava a investir numa imagem de surfista “Pop-star”, quando criaram o ‘slogan’: If you can’t rock’n roll, don’t fuckin’ come!”, os famosos shorts com estrelas.
E Rabbit, naturalmente.
Nessa atmosfera de glamour do profissionalismo emergente dos anos 80 – dois anos mais tarde, Tom Carrol seria o primeiro surfista a assinar um contrato de 1 Milhão de Dólares, por cinco anos, com a própria Quik – surgia então uma novíssima maneira de divulgar e eternizar nossos heróis: O vídeo.
The Performers não foi o primeiro, imagino que não, mas foi sem dúvida nenhuma a mais poderosa arma da guerra que se anunciava entre as grandes marcas de surfwear.
A abertura é clássica e inesquecível.
Um album de fotografias contando a história do surfe desde os primórdios, com fotos do Bishop Museum, passando deliciosamente pelo Duke, Wally Froiseth, Malibu, San Onofre, Dora, Rincon, MP, Nat, Carrol e Curren. Tudo com data e nome na legenda da foto, aula de história – com Pink Floyd ao fundo.
Uma frase da música “Another brick in the wall” resume todo momento que o surfe passava em meados de 80 e uma cena, aparentemente despretensiosa, ilustra a senteça com a imagem de dois surfistas caminhando, pranchas equilibradas na cabeça, óculos escuros Vuarnet e um sorriso malicioso no canto da boca, a frase tinha sentido universal: “We don’t need no education”.
Harry Hodge, conhecido com Hollywood Harry, o homem que deixou a Quiksilver do tamanho que é hoje na Europa, dirigiu o filme e Jack Mac Coy, sempre ele!, fez a maior parte das imagens, nenhum dos dois, e isto é mera suposição, teriam a menor noção do impacto daquele início de filme.
A mensagem era clara: quem abraçava a vida voltada exclusivamente para o surfe não precisava de educação formal e tradicional – o que precisávamos saber estava ali.
Assistindo a mesma cena 20 anos depois, a tijolada é ainda mais forte, afinal escrevo sobre futilidades por mais de 15 anos, assim como Drew Kampion, John Severson, Steve Pezman, Cadilhe, Warshaw, Hynd e outra centena.
Ainda que limitada, chama-se a isso cultura.
Fugi do assunto e volto já.
O roteiro de Performers é conduzido por um programa de rádio enquanto Rabbit dirige pelo North shore escutando que “Pipe tem quebrado com mais de 10 pés e o baixinho Chappy Jennings pode ser baixo em estatura, mas bota pra baixo…”
Outra forma inédita e aborrecidamente copiada que o filme introduz são os perfis ( 300 anos antes do Taylor Steele), cada surfista é apresentado com um pedacinho só pra ele, com direito a preferências musicais e culinárias, local e data de nascimento e quiver de pranchas para o Havaí – isto era uma estratégia de marketing soberba, criação instântanea de ídolos.


Virada para os livros, geração Free Ride derrubando portas em Pipe.

A trilha tinha requintes cada vez mais raros em vídeos de surfe, como por exemplo, “This must be the place (Naïve Melody)” do Talking Heads, David Byrne cantando do fundo do coração: “Never for money, always for love!”.
O surfe ia assim perdendo sua alma ‘hippie’ e ganhando aspectos mais agressivos em campanhas publicitárias, “Se voce não surfa, não comece. Se surfa, não pare” alertava um. “Only a surfer knows the feeling”, aconselhava outro.
Enquanto isso, o velho Rabbit, então com 29 anos, carregava a turma nas costas, abrindo os caminhos e mostrando por onde a moçada podia andar sem medo.
O perfil de Rabbit encerra o vídeo, depois de Kong, Richard Cram, Marvin Foster, Max Medeiros, Willy Morris e cia, obviamente nos apontando quem estava no topo em suposta hierarquia da realeza.
Uma falha apenas no Performers que foi justamente consertada na sequência The Performers II: a ausência de Tom Carrol.
Exatamente por isso, pela mera presença de Carrol, The Performers II é outro vídeo fundamental.
E isso é outro papo.

The Performers (1984)

Direção – Harry Hodge

Produção – Bruce Raymond e Harry Hodge

Imagens (dentro e for a d’água) – Jack Mc Coy

Trilha – Simple Minds, Pink Floyd, John Cougar, Rose Tatoo, Inxs, Talking heads

Surfistas – Chappy Jennings, Gary “Kong” Elkerton, Marvin Foster, Max Medeiros, Richard Cram, Wes Laine, Mickey Neilson e Bryce Ellis.

quinta-feira, maio 06, 2004

A grande mentira

Na capa da Surfer estava estampada a grande manchete: The Big lie.
Logo no editorial Sam George conversava informalmente com o leitor sobre como tudo aquilo que se publicava era, vez ou outra, uma grande duma mentira.
O assunto tratava das fotografias publicadas, sempre espetaculares, mas enganosas no sucesso do sujeito retratado.
Me recordo - escrever lembrar está fora de moda, dizem...- do Matt Warshaw, esse mesmo, o autor da enciclopédia do surfe, discursando sobre imprensa além mar e apontando as revistas brasileiras como pobres na edição de fotografia, preocupadas demais em destacar os patrocinadores, na qualidade técnica da foto, mais do que, digamos, nas suas particularidades.
Numa rádio isso seria como tocar somente um sonzinho bem produzido e aparentemente comercial ao invés de arriscar numa coisa mais suja, autêntica e verdadeira.
Nesse caso, da rádio, ficaríamos todos ouvindo os artistas que dispôem de recursos, entenda-se grana, enquanto Pixies ou Sonic Youth seriam - e são! - desprezados pela dança do dial.
Aqui no Rio de janeiro nem temos mais quem toque música que preste na FM, assim como me recuso a gastar meu rico dinheirinho para ver fotos de surfistas medíocres, realizando movimentos ainda mais ridículos, com legendas do tipo: fulano de tal dando uma rasgada power em Rocky Point... cicrano voando com muito estilo em Ubatuba...
Espero sempre uns dois meses para folheá-las na casa de amigos que ainda batem ponto na banca, curiosos com o conteúdo da imprensa especialiazada tupininquim.
Comigo não, violão.
Nos meus loucos devaneios, fico aqui do cantinho torcendo para que surja um camarada realmente empolgado com o negócio e resolva exercer uma coisinha esquecida, conhecida no século passado como jornalismo.
Gostaria de ler na Fluir algo sobre a relação do nosso excelentíssimo presidente da CBS, orgão (Epa!) máximo do esporte perante o governo federal, Juca, e Peterson Rosa, tricampeão brasileiro, recordista de vitórias na Abrasp, ambos paranaenses - apesar do Bronco ter nascido, quero crer, em Santos.
Me intriga a trajetória, por vezes meteóricas, desses presidentes.
Mas não se acanhem em apontar toda minha ignorância, pois desconheço os meandros do surfe amador brasileiro faz tempo.
É apenas curiosidade de aficcionado...
Me encheria de alegria ler um artigo de 12 páginas na Hardcore, a mais surfe, esmiuçando as artimanhas da ASP, Prefeitura do Rio, WCT, orçamentos, prazos, agências, comissões, porcentagens e afins. Por que saiu do Rio, quanto custou, quem pagou ?
Isso tudo permeado com um histórico das premiações dos internacionais no Brasil, os grandes momentos, como aquele absurdo tubo do Slater na Barra, ou o terceiro lugar do Vitinho, com apenas 16 anos em 88, ou ainda o surpreendente quinto lugar do Fedelho no primeiro Hang Loose na Joaca perfeita, o da retomada, em 1986.
Por que não uma longa entrevista com Valdir Vargas, ou Cauli, sobre os primeiros passos do Brasil no recém criado circo da IPS, mais tarde ASP, na Alma Surf (sem o E), que tanto gosta de ostentar uma relação mais íntima com o surfe (com E) e seu legado.
Como se criar um leitor exigente e crítico com textos tratando os pobres coitados como retardados ? explicando tim-tim por tim-tim temendo que não compre a revista no mês seguinte.
Querem ver um fato curioso ?
De todos colunistas que escrevem para essa tal imprensa especializada, uma meia dúzia, apenas os cariocas tem a pachorra de publicar opinião.
Seria isso uma pergunta ?
Sem bairrismos, por favor.
Isso é fato.
Na Fluir temos o Fred e o Bocão - e antes tinha o Rominho.
Podem me apontar um camarada com texto à altura dos dois acima que arrisque um textozinho mais ácido sobre assunto relevante ?
Na grande rede surgem alternativas, como o Pierre Alfredo de Floripa, que faz um texto solto e divertido no saite s365.com.br, indicado pelo internauta Felipe 'Fiu' depois de uma troca de imeios exasperada em meio a uma frustrada aula de gramática.
Dizia Paulo Francis no seu insubstituível Diário da Corte na Folha e Globo em 90: ' Há saídas, estreitas, mas seguras e claras, do entretenimento de massa e sua intolerável boçalidade'.
Este texto vai sem foto para distrair.