[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 186>Julho 2008]
Aprendemos da forma mais dolorosa como lidar com a perda e injustiça.
Lá estava eu, grudado e atento ao campeonato mais esperado do ano (bem, talvez seja um exagero), pronto para um punhado de baterias interessantes, copo d'água e uma saudável pêra portuguesa me acompanhando no testemunho do primeiro teste real para Tiago Pires no WCT.
Até agora Saca tinha encontrado gente familiar de qualquer guerrilheiro do WQS, Tom Whits, Dayan Neve, Jeremy, Mineiro, Léo, tava na hora de encarar uma parada dura contra um dos 5 surfistas mais temidos do mundo e Joel, seu companheiro de equipe (e segundo um passarinho cantou aqui ao lado, talvez um desafeto), rival dos tempos de Pro-junior.
Aproximando-se dos 14 minutos duma bateria morna, mar de ondas quase sem graça para a afamada e terrível bancada de Teahupoo, nosso herói dropa para a glória reservada a poucos que frequentam o WCT: um 10.
Uma nota 10! Pipocam mensagens de torcida apaixonada.
Essa contenda está liquidada, pensamos em coro.
Mas, esperem, estamos diante do Parko, surfista que sozinho movimenta mais dinheiro que todo mercado português, por influência e prestígio. Numa carreira de quase dez anos, dois vices, seis vitórias...Meu Deus! esse camarada é um mito do esporte e nem completou 28 anos (tem um ano menos que o Saca).
Esse é um jeito de ver...
Outro, é olhar pro Parko como um vilão de desenho animado, torcendo as pontas do bigode enquanto bola planos diabólicos para fazer mal ao mocinho.
Digamos que nem muito Dick Vigarista, nem lá um Pateta.
Joel já despedia-se do campeonato quando percebeu que o inocente Tiago era capaz de morder a isca...
É bem possível que Saca numa situação como aquela tentaria jogar com as regras, estivesse ele no lado oposto do ringue, o sufista que quer chegar lá, e lá permanecer!, precisa saber dessas sujeirinhas- goste, não goste.
Querem saber ? Com uma nota dez num mar como aquele, quase sem ondas, com intervalos gigantes, mesmo contra um Parko, o surfista experiente (que Saca é) tinha que agarrar-se a prioridade como uma bóia salva-vidas e esperar até vir uma daquelas raras ondas que acabavam por vir naquele dia.
Onde Saca estava com a cabeça quando remou pr'aquela maldita onda ?
Aquilo não era sequer um potencial 7 e Joel já tinha jogado a toalha com apenas dez minutos restando no cronômetro.
O leitor solidário ao erro do nosso querido protagonista apressa-se em perguntar quem diabos sou eu para julgar um surfista que está entre os 44 melhores do mundo.
Rapidamente me defendo dizendo que não estou aqui julgando nada, apenas analisando uma situação pouco comum nesse conturbado mundo das competições subjetivas e, ai!, abstratas, Tiago precisa ter frieza para avaliar em poucos segundos o próximo passo, grandes vencedores são feitos desse poder de síntese veloz.
Vejam, por exemplo, a improvável interferência do Slater em cima do Manoa, logo em seguida à do Tiago, completamente diferente em forma e conteúdo, feita ainda em momentos de indefinição da bateria, contra um perigoso adversário passivo de provocação.
Slater fazia exatamente o mesmo que Parko, explorava as fraquezas do surfista inexperiente, pena que o feitiço virou contra o feiticeiro (pena pro Slater).
Em 2008 um dos grandes desafios do Saca é ter essa consciência de bateria, principalmente de antecipar os passos dos outros 43.
A estratégia de surfar e deixar surfar funciona, quem sabe, no WQS mas no WCT... nem Slater faz mais isso.
Não se trata de aprender a sujar as mãos, muito ainda pelo contrário.
Saca realizou a pior das constatações: Errei.
Restam oito etapas para acertar ou o resto da vida para lamentar.
segunda-feira, setembro 28, 2009
quarta-feira, setembro 23, 2009
De Souza

[I've heard talk that the other tour surfers were rooting for Kelly in the Brazil final and I issue this note of caution: give Adriano and his surfing the respect they both deserve or you will stoke the fires even brighter. World Champion in three years.]
Ian Cairns, sobre o De Souza la no renovado Power Ranking do Surfline.
segunda-feira, setembro 21, 2009
Jr
[Entrevista com ele é sempre a mesma história mas sempre diferente, se perde é porque não estava se sentindo num dia de campeão ou o golfinho que o guiou até a onda vencedora não apareceu.
Se vence, é porque estava "just having fun out there".
Se o papo for prancha então, aí a coisa vira uma lenda que deixaria Monteiro Lobato com inveja.
Trabalho duro, técnica, estratégia, experiência e a velha mão grande dos juízes que a tempos o favorece dificilmente são mencionados.]
Junior Faria, sobre Slater.
Concorde ou não, é muito bom ler alguem se manifestando sem medo de desagradar a turba de imbecis.
Principalmente se o malandro sabe o que faz com a prancha, como nesse videozinho aqui embaixo, em 1 minutos e dois segundos cravados e sequencia.
Junior tem um blogue que cada vez mais vale a visita diária.
Se vence, é porque estava "just having fun out there".
Se o papo for prancha então, aí a coisa vira uma lenda que deixaria Monteiro Lobato com inveja.
Trabalho duro, técnica, estratégia, experiência e a velha mão grande dos juízes que a tempos o favorece dificilmente são mencionados.]
Junior Faria, sobre Slater.
Concorde ou não, é muito bom ler alguem se manifestando sem medo de desagradar a turba de imbecis.
Principalmente se o malandro sabe o que faz com a prancha, como nesse videozinho aqui embaixo, em 1 minutos e dois segundos cravados e sequencia.
Junior tem um blogue que cada vez mais vale a visita diária.
Junior Faria - Treino pt 01 from hangloose on Vimeo.
Machuca Mané
Se fazer um gol é comparável a sexo, então o time do Brasil em 1982 é o melhor porno que voce jamais viu.
Debbie does Dallas não deve nada a Socrates arromba Sevilha. Brasil simplesmente tem o melhor portfolio de gols que existe.
Qual o seu favorito ? São 15 em 5 jogos e pelo menos 12 tem o merito duma estetica impecavel.
O resto aqui, original em ingles.
Ideia do Post inspirada pelo Ze das Couves.
domingo, setembro 20, 2009
Assulera

Tracks - Hypothetically if you were offered the opportunity to get back on tour full time would you take it?
Rob Machado - That’s something I’d definitely have to think about but it’s intense man I don’t know. I just surfed three heats and I’m going, ‘Gosh man, I got to get some work done (on the body) – I’m starting to tighten up.’
terça-feira, setembro 15, 2009
Treze
1•Meu Pai Oxala>Toquinho e Vinicius
2•Será Que Eu Pus Um Grilo Na Sua Cabeça>Guilherme Lamounier
3•Black mommy>John Fahey
4•Nothing to Fear >Depeche Mode
5•A Song For Jeffrey>Jethro Tull
6•Na Parada de Sucesso>Tom Zé
7•Turbilhão>Toquinho & Vinícius
8•Morning Has Broken>Jaki Liebezeit & Burnt Friedman
9•Eu Também Quero Mocotó>Erlon Chaves e Banda Veneno
10•Quantas Lágrimas>Cristina Buarque
11•The Jive Samba>Cannonball Adderley Sextet
Agora com tocador embutido!
segunda-feira, setembro 14, 2009
sexta-feira, setembro 11, 2009
20 anos de sustos e desvantagens

Foto de quem mais ? Ryan Tatar!
[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 196>Maio 2009]
Uma revista brasileira me pediu que fizesse o exercicio de imaginar o que seria o surfe daqui a 20 anos.
Fui breve, o homem tem que sobreviver.
Ainda não estou seguro se otimista ou pessimista, minha impressão é que o surfe vai sumir das praias...
Mas não tão rápido.
Escrevo completamente fincado na experiencia pessoal e tudo indica que do jeito que a coisa vai, praia, do jeito que conhecemos, vai sair de moda.
Explico: Dia sim, dia não, jornais alardeiam uma futura nova catástrofe causada pelo aquecimento global que sempre desagua na porta da nossa casa.
Minha sogra, que tem uma queda pelo susto e medo, pensa seriamente em se mudar para as montanhas cada vez que ouve no radio sobre mais uma possibilidade de Tsunami, terremotos e chuva de gafanhotos.
Enquanto isso, percebo que uma nova leva de surfistas, nem todos jovens, principalmente os mais velhos, na faixa entre o 30 e 40 que começaram no surfe mais tarde, cada vez mais preferem a experiencia do DVD, do Playstation e dos magníficos livros lançados como pipoca fresquinha - como ficam bonitos na mesinha de centro, não ?
A turma hoje gosta menos de viajar na incerteza, afinal de contas temos 512 tipos diferentes de previsão, assim como não suportam nem ouvir falar de surfar em mares distantes sem hotel reservado, guia profissional, chofer, GPS, personal fotografo e videomaker e, natural, adesão absoluta registrada por imeios de pelo menos 50% de ondas perfeitas ou dinheiro de volta.
Não sei se em 20 anos, mas logo logo a tecnologia vai superar esse negócio estranho de estar na praia.
Nada de sujar os pés de areia ou ficar sujeito aos raios ultra-violeta, ou água salgada que mancha e suja tudo, esses incomodos.
Como nesses wii, o sujeito vai vestir seu wetsuit, montar na sua Al Merrick ultimo tipo, parafina com composto de super bonder e surfar como nunca...em casa!
Sem pratica, sem horas, dias, meses, anos a fio tentando o arduo equilibrio em cima da prancha.
Nada disso, sem humilhação.
Basta escolher a onda predileta, fundo de coral ou de areia e, dependendo dos plug-ins, sentir o molhadinho do mar, ouvir o estrondo da onda rebentando, simular um caldo em Cortez bank, tudo isso no conforto do quarto.
O charme do surfe, sua completa imprevisibilidade, não funcionará em tempos praticos, repletos de imediatismos e certezas.
O que conhecemos por aventura vai se dissipar em pacotes turisticos bem bolados, sempre na companhia de alguem cheio de historias pra ouvirmos e poder contar quando chegar em casa - pagamento em 24 suaves prestações.
Parece ruim, não ?
Por outro lado, as praias estarão vazias, a vida cada vez mais selvagem na beira do mar, como antes da especulação - quem vai querer estar perto da maior ameaça do planeta ?
Surfistas serão um bando de proscritos que lidam com os humores da natureza, essa mãe tão cruel.
As previsões não vão servir de nada,ondulações virão de todos lados, por qualquer motivo, um descolamento da placa tectonica em algum lugar pertinho pode transformar uma onda mediocre num superbank da noite pro dia.
Vejam o que aconteceu em Nias.
Depois da catastrofe terrivel, as revistas chegaram a conclusão que a onda que já servia de referencia para perfeição ficou ainda melhor.
Terrenos por toda extensão do litoral despencarão de preços, finalmente proporcionando a nós, surfistas, a oportunidade de comprar seu pedacinho de ceu na beira mar.
Temo pela agua gelada, desde que o aquecimento global derreterá geleiras e as correntes devem se intensificar.
Nessa altura a tecnologia dos wetsuits já terá resolvido nosso problema com frio.
Não teremos mais revistas, ou filmes, sites, essas frivolidades do passado.
Fotos serão apreciadas as escondidas, a opinião publica vai engolir uma tese de avançados cientistas da metereologia que culpará os surfistas pelo desequlibrio do temperamento dos mares.
Sem causa aparente, me vem a cabeça a experiencia que tinhamos com o LP, aquele formato antiquado que hoje atende pelo simpatico e comercial nome de vinil.
Voce aguardava ansiosamente pelo lançamento do disco, lia noticias a respeito, construía uma enorme expectativa e um belo dia alguem tocava uma musica na sua radio preferida.
Dali em diante, a ansiedade aumentava gradativamente a cada ouvida no K7 onde voce tão cuidadosamente gravou a canção solitária. Visitas diárias a loja de disco para segurar aquele discão até que uma caridosa alma doasse alguns trocados para a redenção final: aquisição da bolacha.
Cabia bem debaixo do braço, feito uma prancha.
O ritual de coloca-lo pra tocar quando chegava em casa, roda de amigos curiosos por dividir as impressões na primeira escutada, mudar o lado A pro lado B, a carícia da agulha nos sulcos...
A ultima vez que fiz isso ja deve ter uns 25 anos.
Hoje é baixar o MP3 nos blogues de musica (obrigado por tanta alegria, Bolachas gratis!) e pronto.
Nem ordem as musicas respeitam mais - shuffle!
Sem moral nem lição, vou ficar com uma frase do dramaturgo Harold Pinter que inicia o filme 'O Mensageiro' (The Go between - 1970) de Joseph Losey, que roubei dum texto do Ivan Lessa na BBC Brasil pra encerrar:
"O passado é um país estrangeiro; lá, eles fazem as coisas de modo diferente."
sexta-feira, setembro 04, 2009
Be afraid, very afraid...
Ian Gentil tem 13 anos.
Filho do empresario cearense João Gentil (dono do Beach Park) que vive em Maui, tinha apenas 10, em 2006 na Costa do Sauipe, quando entrou pra historia da ASP como mais jovem competidor em campeonatos sancionados pela entidade.
No nacional da NSSA alem de arrastar duas categorias, fez um 20 (dois 10) e, novamente, escreveu seu nome na historia.
Ja tem saite proprio e patrocinadores quentes, entrou pro esquema da escola em casa pra ter mais tempo pra brincar, quero dizer, surfar.
Prefiro não criar expectativa, muito fenomeno dessa idade enlouquece antes de completar 16, os exemplos abundam.
Por algum motivo besta fico orgulhoso do moleque ter sangue brasileiro e surfar tão avançado pra idade.
Hoje logo cedo tinha esse videozinho dele la na Stab, mas antes Ian ja tinha aparecido no Surfline, Surfer, Surfing e Transworld - isso sem contar com o Linha de onda (um dos blogues que visito diariamente).
Vai longe ?
Filho do empresario cearense João Gentil (dono do Beach Park) que vive em Maui, tinha apenas 10, em 2006 na Costa do Sauipe, quando entrou pra historia da ASP como mais jovem competidor em campeonatos sancionados pela entidade.
No nacional da NSSA alem de arrastar duas categorias, fez um 20 (dois 10) e, novamente, escreveu seu nome na historia.
Ja tem saite proprio e patrocinadores quentes, entrou pro esquema da escola em casa pra ter mais tempo pra brincar, quero dizer, surfar.
Prefiro não criar expectativa, muito fenomeno dessa idade enlouquece antes de completar 16, os exemplos abundam.
Por algum motivo besta fico orgulhoso do moleque ter sangue brasileiro e surfar tão avançado pra idade.
Hoje logo cedo tinha esse videozinho dele la na Stab, mas antes Ian ja tinha aparecido no Surfline, Surfer, Surfing e Transworld - isso sem contar com o Linha de onda (um dos blogues que visito diariamente).
Vai longe ?
Maui super-grom Ian Gentil-Stab from Stab on Vimeo.
Ian Gentil 2009 NSSA Nationals from ACL Productions on Vimeo.
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