1•Meu Pai Oxala>Toquinho e Vinicius
2•Será Que Eu Pus Um Grilo Na Sua Cabeça>Guilherme Lamounier
3•Black mommy>John Fahey
4•Nothing to Fear >Depeche Mode
5•A Song For Jeffrey>Jethro Tull
6•Na Parada de Sucesso>Tom Zé
7•Turbilhão>Toquinho & Vinícius
8•Morning Has Broken>Jaki Liebezeit & Burnt Friedman
9•Eu Também Quero Mocotó>Erlon Chaves e Banda Veneno
10•Quantas Lágrimas>Cristina Buarque
11•The Jive Samba>Cannonball Adderley Sextet
Escrevi em abril de 2004 para o jornal O Globo assim - [Bruce Brown, sempre lembrado pelo clássico “Endless summer”, conheceu o saxofonista e flautista Bud Shank e o convidou para gravar, pela primeira vez!, uma trilha para seu filme de 1958, “Slippery when wet”. Como assim, ‘gravar pela primeira vez’ ? Explico: antes de ‘Slippery…’ a trilha era composta de temas da predileção do diretor, retirados diretamente da coleção pessoal ou emprestado de um benfeitor. Tudo combinado, Shank e seu quarteto encontraram com Brown no estúdio da Wolrd Pacific Jazz, deram um jeitinho de projetar o filme já editado na parede e mandaram brasa. Sempre instrumental, afinal as trilhas precisavam respeitar a narração obrigatória, o gênero preferido naturalmente era o mais popular entre a moçada, portanto, o jazz. ]
Bud Shank se foi e eu soube apenas um mes depois, demorou mais dois para escrever sobre a perda. Shank era um gigante, tocou com todo mundo e todo mundo tocou com ele. A flautinha no classico Pop California Dreaming dos Mamas e Pappas é dele. E como poderia deixar de ser ? Ele era o som da California desde o inicio, junto do Stan Kenton, Chet Baker, Dexter Gordon e até o malucão Ornete Coleman. Gravou uma serie antologica de discos com Laurindo de Almeida, Braziliance 1, 2 e 3. Amava a musica e o povo brasileiro, combinava com João Donato como goiabada e queijo, esteve aqui em 2004 pro Chivas Jazz e logo arrumou um jeito de entrar mais uma vez no estudio e registrar outro encontro com Donato (voltaria mais uma vez para um DVD). Sua discografia é desconcertante, tocou até o ultimo dia, apesar do seu medico ter alertado do risco que corria, morreu tocando. Tive o cuidado de selecionar para os meus 5 leitores 2 discos fundamentais na nossa fabulosa discoteca de trilhas de filmes de surfe. Barefoot Adventure e Slippery When Wet são duas duas perolas do West Coast Jazz e a lenda por tras dos discos são tão boas quanto. Como gosta de contar, Bruce Brown tinha ainda ainda uns trocados que sobraram do orçamento de 5.000 Dólares do Slippery when wet e desta vez ele queria uma trilha fora do comum. Shank tocava toda semana num bar em Hermosa Beach e toda turma ja conhecia os Lighthouse All Stars e as interminaveis sessões de improviso que eram capazes de criar. Bruce foi até o minusculo escritorio do World Pacific Records em Los Angeles e projetou o filme ali mesmo para a banda de Shank assistir e inventar uma trilha literalmente epica. Barefoot Adventures teve numeros absurdos pra epoca: vendeu 10.000 copias. Um numero tao improvavel que a gravadora não tinha dinheiro para pagar os royalties da banda e teve que comprar equipamentos a prazo para compensar.
Soundtrack to George Greenough's 1968 surf movie written and performed by Dennis Dragon (before the Surf Punks ), his brothers Doug and Daryl, (the Captain before Tennille ), and Denny Aaberg, (before Big Wednesday ). Some more info gleaned from the web: The lead guitarist Denny Aaberg was a keen surfer and well known surf writer from Pacific Palisades ("Big Wednesday" was based on Denny Aaberg's surfing youth, with Bill Pritchard who is also in this soundtrack band), while others in the band have been Beach Boys-connected in the 1980s-90s. Ernie Knapp played bass with the Beach Boys for a year or more, while Dennis Dragon did sound work for them. The Dragon brothers hailed from Hollywood and Doug and Dennis (drums and organ on this soundtrack) were brothers to Daryl Dragon of "Captain and Tenille" (Daryl was a friend/collaborator of Dennis Wilson), and Daryl is an additional musician on this soundtrack, which was one of 30 produced by Dennis and Daryl in Dennis's Malibu bedroom. Movie producer George Greenough is a surfing legend for his many films with cameras "on-board" and his surf philosophy. He financed the making of "Pure Fun" entirely from the proceeds of his fishing business.
Evolution é um dos melhores filmes de surfe que já assisti. Goiabada pura do Paul Witzig, quase sem edição, som rolando solto enlouquecidamente.
Graças aos japoneses maníacos por velharias impossíveis de achar - e aos ensandecidos blogueiros que desencavam tudo de qualquer lugar - disponibilizo aquia trilha do filme. Em 1970, um menino de 16 anos com uma prancha esquisita revolucionou o surfe de backside para sempre. Depois de Wayne Lynch nunca mais fomos os mesmos.
Coluna Tempestade em copo d'água>Revista Surf Portugal>Abril 2008
- George! Pode me ouvir George ? Por 23 intermináveis minutos tudo que George ouvia, ou via, era água. George sabia que os filmes de surfe nunca mais seriam os mesmos, tudo que se percebia ao redor do surfe mudaria para sempre. O filme chamava-se Crystal Voyager e seria um mero documentário sobre um cara esquisito e seus estranhos hábitos não fosse pelos 23 minutos finais. O cara esquisito era o George, George Greenough, um personagem tão rico e complexo que merece parágrafo de apresentação. Hoje George beira os setenta, com 21 revolucionou o design das pranchas, inspirado pelo não menos excêntrico Bob Simmons, criando pranchas capazes de atingir velocidades assustadoras devido à flexibilidade que Greenough conseguia com o deck cavado em forma duma colher.
George deixou de surfar em pé ainda no início dos anos 60 e dedicava-se a correr ondas de joelhos e deitado. Auto-didata, criou em 1965 um modelo que batizou de Velo, provavelmente uma das cinco pranchas mais influentes em toda história do surfe. A Velo é responsável pelo título mundial do Nat Young em 66, pela troca brusca de direção de Slater, pelo arco da cavada do Lopez, pela voadinha do Clay Marzo, pelos tubos do Rasta, por voce e por mim. Logo que a década de 70 começa, George reiventa nosso olhar e leva uma câmera para dentro d'água, quero dizer: Pra dentro do tubo. Greenough rompe com a tradicional imagem do surfista na terceira pessoa e passa a filmar na primeira pessoa, quem está na onda não é mais o surfista, é voce. A imagem que voce vê não é mais do ponto de vista de quem olha da praia ou dentro do mar em cima duma prancha olhando do canal, desta vez a onda é a protagonista e o surfista um detalhe superfluo. Em 1970, Innermost Limmits of Pure Fun, primeiro filme que George realizou, trazia um segmento chamado The Coming of the dawn, todo filmado com uma câmera fixada ora no bico, ora na rabeta da sua prancha, anunciando mudança no comportamento de toda contracultura onde o surfe se confundia. Mas é em 75, come esses benditos 23 minutos, que George transcende o gueto do surfe e alça voô para um público maior. David Elfick e Albie Falzon (produtor e diretor de Morning of the earth) se reúnem para realizar um documentário sobre o inusitado estilo de vida de Greenough: George planejando e construindo um barco, George desmontando câmeras, George sendo apenas George. Os primeiros 50 minutos de Crystal Voyager são somente isso: dia a dia de Greenough com sua narração seca e direta. E então acontece... Do escuro da tela aproxima-se a palavra Echoes. O ruído de pingos d'água parecem familiares, é uma canção do Pink Floyd! Vemos as mais incríveis cenas aquáticas jamais vistas, uma explosão de cores e texturas que nos deixam zonzos com tamanha beleza. Suave, a voz canta: Overhead the albatross Hangs motionless upon the air And deep beneath the rolling waves In labyrinths of coral caves An echo of a distant time Comes willowing across the sand And everything is green and submarine Não estamos mais diante de um filme de surfe, aquilo é arte delirante, é uma instalação, uma performance. Todo tempo a câmera se mantem submersa, admirando aquele universo que começa e acaba numa onda, raramente conseguimos ver alguma cena em cima d'água. Somos peixes, somos água, somos surfistas como nunca antes fomos. George cria uma grande angular para nos emprestar o verdadeiro olhar do peixe, em quase 180 graus, uma visão fabulosa da terra vista do mar, debaixo d'água, atrás duma onda. Nos perguntamos seguidamente por que não nos mantemos debaixo d'água para ver tudo aquilo rotineiramente. A resposta pode vir simples: porque é bonito demais e tanta beleza assim pode enlouquecer. A música cresce e a câmera de Greenough resolve emergir.
Gilmour martela sua guitarra e Waters (vejam só que coincidencia!) batuca o baixo enquanto o tapete mágico de Greenough começa sua viagem pelas destorcidas paredes de ondas completamente absurdas. Originalmente Echoes deveria falar sobre a imensidão do espaço, supostamente inspirada pelo filme 2001 de Kubrick (inclusive há uma lenda que diz que todo final do 2001 pode ser sincronizado com a canção do Floyd), algo mudou para o infinito do oceano e casou perfeito com as imagens de Greenough. Ou seja: Greenough fazia com as imagens a mesma coisa que Pink Floyd fazia com seu som. Estamos dentro do tubo, em câmera lenta, a realidade vira uma gota na lente, espatifa-se e espalha pela tela. O tempo já não é mais tempo, é movimento, e o tubo arremessa tudo que tem para frente e para os lados. Não somos mais nada. George finalmente responde: 'Voce pode estar ali apenas por alguns segundos, de verdade, mas sua mente pode ficar ali por horas... Muitas vezes voce fica tão dentro do tubo que não há saída. Voce cai terrivelmente. O que interessa é que quando voce está lá dentro. É o tempo que voce passa ali dentro. O tempo entra numa dimensão própria. A única realidade é a que acontece ali dentro.'
Trilha sonora raríssima do ainda mais raro Sea of Joy do Paul Witzig, o Homem que nos deu Evolution, a pedra filosofal do surfe moderno. Clica aqui e pega. Não sei como, nem por que, mas esse Blogue tem isso...