terça-feira, novembro 30, 2010

Diario Habaiano 1


Owl e sua amante, por Andrew Kidman


Owl gozando Pipe


Owl em casa

Na duvida entre seis livros, trouxe oito, em caso de flat.
Estou ha dois dias no North Shore de Oahu, aquela mesma ilhazinha que atrai tanta gente nos feriados para tentar o Hula-hula e vestir os cafonerrimos colares havaianos.
Minhas vindas ao Havai são pontuais, 1992, 2001 e 2010, nove em nove anos - deve haver alguma relação cabalsitica com o numero.
Na primeira vez, pedi ao meu patrocinador na epoca, Roberto Valerio, uma viagem ao Havai como premio pela vitoria no Seeway classic em Maracaipe, primeira vitoria da equipe Cyclone no circuito brasileiro desde 1987.
Sabia da relação que Valerio tinha com Havai e decidi me testar na grande arena do surfe.
Assim que cheguei no aeroporto, comprei uma Surfer com Slater na capa, poucos dias depois dele ganhar seu primeiro Pipeline Masters e calar os incredulos que insistiam em chama-lo de maroleiro da Florida.

Segunda vez, 2001, vim com meu irmãozinho Cadu, duas cameras Cannon XL2 e lentes envenenadas para filmar tudo que desse vontade.
Fizemos um filme lindo, nunca lançamos.
Me viciei em filmar finais de tarde contra luz, o ultimo grito da moda filmes de surfe em 2010.

Desta vez não viria nem surfar, nem filmar, o saite da Hardcore faz pela primeira vez uma cobertura diaria da temporada havaiana e uma das minhas responsabilidades é escrever sobre as duas ultimas joias da triplice coroa havaiana.
Nunca assisti um campeonato no Havai.
Minha experiencia havaiana ate hoje se resumiu em longas caidas em Sunset no conforto do canal ou timidas surfadas em OTW, mais pra ver do que pra surfar.
Sei que Valerio não gostaria de ler uma frase dessas.
Vim sem prancha para não cotrrer dois riscos, um de gastar mais do que tenho com excesso de bagagem e outro de praticar um esporte que perdi a pratica, partir pranchas.
Steven nos busca no aeroporto, eu e Dudu, e ao chegar no milagre das sete milhas vai narrando nosso roteiro como um desses guias em Beverly Hills.
Aqui mora o Mike Healey, ali mora o Fun, ano passado a ASP alugou essa casa, aquela ali é a casa da Hurley onde estão Rob Machado, Ace Buchan...
Me sinto um pouco como os catarinenses quando vão ao Baixo Gavea no Rio e ficam ansiosos por apontar um famoso em alguma mesa.
O Flat dura bastante patra enlouquecer meia duzia de aspirantes a vida de surfista profissional.
Aqui pisa-se em ovos o tempo todo.
Ontem tivemos, eu e Dudu, a oportunidade de ver Owl Chapman chegar na praia com sua 9 e alguma coisa, cordinha amarrada ao tornozelo como se aquele mar absolutamente sereno fosse o mais brutal de todos dias.
Owl vive no seu carro uma vida de hippie dos anos 60.
Não foi sempre assim.
Nos anos 70 Owl era um dos mais respeitados surfistas de todo planeta e suas fotos não apenas mostravam bravura e maestria como um estilo bem humorado até no jeito de surfar.
Um poster da Surfer trazia Owl cavando em Pipeline, 12 pes, e a seguinte frase na legenda, Eu sou o melhor, sempre fui o melhor e sempre serei o melhor.
Ao ve-lo na beira do mar numa onda que poderia se chamar Owl's point sem riscos de danos, sinto uma enorme angustia de não ter estado aqui nos anos 70 para testemunhar seus feitos.
Estava ocupado torcendo pelo meu Flamengo, misturado aos milhares na arquibancada, vendo Zico transformar meu time no maior time do mundo.

5 comentários:

Anônimo disse...

foda julinho!!! irado mesmo!! vai contando dia a dia ai!!!abracao!!

Paulo de Tarso Duarte disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paulo de Tarso Duarte disse...

Lembro de uma Owl Chapman , lá pelos 74 / 75, era do Mário Chady, aliás do Beto (irmão dele), quando moravam ainda no Posto 5 em Copacabana na Barão de Ipanema. Um cara do mesmo prédio dele o Luis Cláudio, tentando usá-la, em frente da Barão, buraqueira total!
Uma época em que tentávamos surfar em pé em planondas de isopor ( com quilha como o Dadá falou no Séries Fecham, eram as Ipanemas de isopor, que vieram depois e eram mais fáceis para ficar em pé). Encapávamos as planondas com tecido para evitar assaduras, e elas tinham duas lonagarinas salientes no fundo, na rabeta.
Primeira vez que peguei uma prancha de fibra de vidro na mão, mas não cheguei a tentar surfar com ela.
Só fui ter a primeira prancha em 76!

Esta Owl era linda, toda amarela, uma puta prancha para época!

Boas recordações!!!

Anônimo disse...

Bravos muleke, tais na terra das ondas é! Essas histórias é que a galera deve saber e outras mais. Owl no seu Rio, falando prá caramba e bolinando as cocotas, nos idos dos 80. Tudo debaixo daquelas lentes ocular grossissimas.Abraços a Dudu tbem.Aloha
Castro do sule

Murilo Filho disse...

Olá Júlio,

Visite o link e relembre sua vitória em 1992...

Valeu!

Murilo

http://www.youtube.com/watch?v=mKBn9QhPejo