segunda-feira, julho 31, 2006

Livro novo

Allan Weisbecker, autor de dois dos livros mais importantes e deliciosos da nossa literatura, In Search of Captain Zero e Cosmic Banditos , lança Can't You Get Along With Anyone? A Writers Memoir, que como diz o título...



Allan tem um saite que já recomendei 200 vezes e continuarei a recomendar até ele não precisar mais.
Esse livro ainda está em fase de aprovação da capa e o autor está em dúvida entre as duas e pediu aos seus amigos e leitores leais que opinem sobre qual capa escolher.
O leitor do Goiabada pode dar o seu pitaco na escolha da capa aqui.

A minha escolhida é a de cima, pela frase que ele escreveu num imeio: 'Escrever é fácil. Basta olhar fixamente para uma folha em branco até sua testa começar a sangrar', o autor é da frase é Gene Fowler.

Acho que já contei que conheci Allan numa ilhazinha do Caribe, dessas que vemos nos filmes de pirata, ou de náufragos, entre goles de cerveja e direitas perfeitas - rendeu inclusive uma bela reportagem no Surfer's Journal.



Leia um pedacinho do livro antes de meter a mão no bolso http://www.aweisbecker.com/contents/cygawa/excerpt_061606.shtml.
Ou leia uma entrevista duca do Weisbecker aqui.
E, por favor, não deixem de comprar o livro antes que o destruam na mão de algum tradutor aqui.

Goiabada, desde 2004 servindo com um sorriso.

domingo, julho 30, 2006

Machado



Bob fez de novo.
Com dois resultados apenas, ele tem 4000 pontos.
Eu gostava de apostar duzentas pratas numa volta raivosa ao WCT, mas creio ser pouco provável.
Impressionante é a força da imprensa americana empurrando Mike Losness, uma das maiores fraudes da história recente do surfe mundial, para um terceiro lugar em evento de tamanha importância.
Michael Campbell, um leão, volta aos 44 sem a menor sombra de dúvida, num retorno tão admirável que só perde para a irresistível volta do Neco.
Neve, Kling, Basnett e Kerr despencam nos próximos eventos.
Levanta o dedo quem não queria ver Machado perdendo cabelos na Europa e Japão.
Mais uns dois ou tres campeonatos de 4, 5 ou 6 estrelas, Bob voltava ao círculo dos vencedores, de onde nunca deveria ter saído.
Ribas, Perrow, Léo Neves, Pigmeu, Marcondes, Beven, Rebiere, Dunn, Saca e Luke Munro garantem a vaga na Europa.
Cuizon, Treko, Gouvêia, Powers, Drew, Bacalso, Dornelles, Pedrinho e Centeio são perigo eminente.
Uma coisa que me chama muita atenção é que o US Open tem tradição mas raramente ondas boas, jamais ondas perfeitas, no entanto goza de um prestígio difícil de engolir.
Quando se referem ao Brasil, a gringalhada lembra constantemente das nossas péssimas ondas, por vezes ridículas, como se fosse privilégio das águas brasileiras.
As ondinhas do Japão e Califórnia não são questionadas pelo poder econômico, pois não ?
Segundo fontes do mercado, nosso mercadinho de merda gira uma nota preta digna de voz em reunião anual das cinco grandes, mas falta culhão para levantar o dedinho e apitar.
Aqui no Bananão, a Reef vende mais calçados do que em qualquer outro lugar do planeta.
Nossos números são assustadores.
O problema é que a grande maioria é tão subserviente que, tomada pelo temor, prefere ficar de quatro e garantir a mesada dos patrões do que discutir a relação.
O mercado tupininquim definha, magro e fraco, alimentando a mão que nos estrangula, refletindo a inustiça social que permeia o país onde o dinheiro escapa entre os dedos.
Ondas ruins no Brasil são quase um mantra da imprensa, daqui e de lá, adestrada pela grana que jorra dos bolsos que não falam português - e repetido pelos nossos mais obedientes, e influentes, servos.
Quanto menos amor próprio, menos exigências, certo Biscoito ?
Gastemos, sem medo...
Portugal, que tambem divide conosco a desvantagem de não falar, nem escrever, inglês, sofre com o pouco caso da ASP e cia, apesar das ondas excelentes.
Mas afinal, o Bob volta ou não volta ?

sábado, julho 29, 2006

The Ocean



The Ocean
Letra e música de Richard Hawley

You lead me down, to the ocean
So lead me down, by the ocean

You know it's been a long time,
You always leave me tongue tied
And all this times for us
I love you just because

You lead me down, to the ocean
The world is fine, by the ocean

You know this time's for real
It helps the heart to heal
You know it breaks the seal of the talisman that harms
And so you look at me and need
The space that means as much to me

So lead me down, to the ocean
Our world is fine, by the ocean

You know the way it is in life, it's so hard to live up to
So why are you still dressed in your mourning suit
I assume, I assume

You'll lead me down, to the ocean
Don't leave me down, by the ocean
The ocean.

Here comes the wave, here comes the wave
Here comes the wave, down by the ocean

The ocean (repeat to fade)

quinta-feira, julho 27, 2006

Pipe Master



Peralta e cia, a mesma turma que nos trouxe Dogtown e Riding Giants, lança Pipe Masters, o Filme.
Na foto acima, nosso Pipe Master eterno, Pepe Lopes, inigualável, até um moleque de 16 anos chegar no Havaí e fazer tudo de novo, final, surfar de pé trocado para Back-door, etc e tal - mesmo assim, será sempre o segundo.
As fotos foram tiradas do saite de outro mestre, Steve Wilkings

segunda-feira, julho 24, 2006

Guia de imprensa para editores prolixos e apresentadores levianos

[Atenção: o link no título é meramente ilustrativo e pode causar sérios danos ao repórter empantufado]



Passamos da metade do circuito, agora restam 5.
Na ponta do lápis Taj dá uma encostadinha, de leve, no Carlos.
Os números são frios e cruéis.
Desde que se recuperou da contusão, Carlos fez uma quartas de final e uma semi-final.
Seus adversários diretos, Andy e Taj acordaram pra vida, A.I. com seu primeirão no Mexicuzinho malacompanhado por um 33 em J. Bay que vai virar pó, ou seja, descarte, desconsideremos portanto.
Taj foi à semi no Search 'CT e final em J. Bay, consistente como um carrapato no calcanhar do KS7 -carrapato no calcanhar ?, eu disse isso ?
Em seis eventos descartamos os dois piores resultados pra ver no que dá.
Slater fica com dois primeiros e dois terceiros, descarta um evento que perdeu e um quinto (!!) = 4152
Taj, dois vices (parece o Vasquinho, pô!), um terceiro e um quinto, descartando 17 e 9 = 3672
Andy, primeiro, terceiro e dois quintos, tira o 33 de J. Bay e um nono = 3540
Bobby, primeiro, terceiro, quinto e nono, sai 33 e 9 = 3408
Fort Knox, 2, 3, 5 e 9, descarta dois 17s, típico do Taylor, né ? = 3240
Damien, 1, 5 e dois 9 = 3132
Joel, 2 e tres 9 = 2832
Eugene, finalmente primeiro, um 5, um 9 e um 17 = 2942
Reyes = 2940
Whitaker = 2664
Cijêi = 2486
Bruce = 2474
Cansdell = 2584

Trabalhão danado, essas contas, mas alguem precisa fazer o trabalho...
Negócio agora é corrida contra os descartes, quem tem põe,quem não tem, segura.
Trestles gosta dos holofotes e dos resultados polêmicos, esperem Taj em mais uma final se não topar com o garoto mais querido daquele lado de Roliúdi, Dane 'Golden Boy' Reynolds.
Reynolds terá seu próprio filme lançado adequadamente durante o WCT e deve uma atuação no mínimo a altura do Jordy Smith em Jeffreys.
Andy tem uma relação de amor e ódio com Trestles, quase perdeu um título lá graças a uma derrota inusitada para seu caçula.
Kelly só perde em Trestles se tiver sua cabeça distante em outras merdas - espaço para trocadilho de publicitário paulista: e merdas, por lá abundam.
Depois, Europa.
Ah, Europa...
Seus vinhos, gastronomia, chocolate em todas formas e sabores, mocinhas despudoradas, ondas maravilhosas que não oferecem risco nenhum, fotógrafos deslumbrados, pequenos traficantes, dias de 14 horas e noites de 48 horas.
O ritmo é de fundo de areia, chega de corais, pedras, ouriços...mariscos.
Quem ganha ?
O amigo da terceira fila que disse Mineirinho, acaba de levar um sopapo da marca Oakley, com MP3.
Na conta que fiz acima, deixei propositadamente o brasileirinho maravilha.
Vejamos: Adriano, um terceiro e um quinto, um 17 e outro 33 = 2243
Feijão Mineirinho Maravilha já tem seus descartes se pretende mesmo chegar entre os 16, ou até mesmo, amigos, por que não, top 10 ?
A hora é essa.
O tempo é generoso com Vitinho e os próximos 4 campeonatos podem dar uma mãozinha na sua vigésima rodada de circuito.
Pedrinho merecia ter a chance de mostrar porque entrou no WCT e Trestles é uma onda que tem seu nome escrito.
Peterson, desde 1990, com 15 anos, atormenta a ASP e não arrefece por nada - um leão.
O camarada Manuel diz que o WQS vai pegar fogo.
Neco para presidente e WQS 3 x.
Como eu queria ver o Léo Neves derrubar umas páginas duplas e ir pras cabeças do ranking...
E o Treko, e o Pig.
Luke Munro e Ben Dunn são tiro certo.
Não gasto um centavo no Kling.
E Saca, médio ligeiro que apetece lutar contra pesados - e ganhar.
Apertem os cintos (os cintos, eu disse!), uma perna cabeluda se aproxima.

sexta-feira, julho 21, 2006

Palpites



Vambora, palpite é grátis.
Oitavas, dois brasileiros entre os 16, melhor ? só na primeira etapa- dois entre os 8.
Pausa para previsão: Temos duas alternativas, um o mar sobe. Outra, não sobe.
Subindo, pode vir com a direção torta, muito provável. Não subindo e continuando a lesma lerda não faz a menor diferença se a ondulação tá certinha ou feito a seleção do Parreira, um pra cada lado.
E vento, sim, vento que é um atenuante ou desastre completo nessa época do ano, inverno deles, como nosso.
Rapaz, e como venta naquela terra, um vento que penetra (epa!) suas roupas, frio como um freezer aberto numa noite de julho, insistente. Raro é não ventar.
Magrelo Parsons vai empurrar o 'CT amanhã custe o que custar, então, vejamos.



Eugene versus Emslie.
Na ponta do lápis é mole: dá Fanning e não perdemos tempo com bobagem.
Mas a vida no circo da ASP é muito mais engraçada e a lógica não tem lógica nenhuma, tanto que Emslie ocupa a décima-sexta posição (empatado com Wills e Cory) enquanto o exuberante Mick amarga a décima-nona.
Eu, que não sou maluco nem nada, marco na coluna um, mas não apostava uma unha na famigerada falta de sorte dum lado ou exagero dela d'outro.

De Souza x Joel
O pote de ouro, com arco íris e tudo fica logo ali, um par de baterias à frente, para o 29 do ranking e sua coleção de 33 e um 17 - salva de fogos para o terceirão da primeira etapa.
A comunidade do surfe está em clima de regressiva para o primeiro título do Mineirinho no WCT, algo como o clima da Copa, esperando apenas o momento do Cafú levantar a taça e agradecer à Vila Cruzeiro.
Diria o Garrincha: combinaram com os caras ?
No caso do Mineiro, tem que combinar com o Joel antes, que é patrocinado pela dona do campeonato e tem um novo filme a promover.
A pressão tá dos dois lados, Joel tem um nono, o vice em Bells, dois 17 e outro nono, precisa acordar rápido se quiser incomodar os top 3, que é o que interessa para um camarada que fatura os milhões que Parko, e seu cão, embolsa da mãe Billa.
Dá De Souza se a marola, ou o vento, onda picada, aquela espuminha no lipe, prevalecer.

Macca x Peter
Nenhum dos dois decolou em zero-meia.
Joguem 33 e 17 e misturem.
Peterson em 38 e Macca em 26.
Phil precisa de área para manobrar enquanto Bronco se vira bem com qualquer coisa, costume de quem cresceu pegando onda em Matinhos e Caiobá.
Peter tem uma parada com J. Bay, não me peçam pra explicar, pode ser apenas as 200 vezes que ele foi pra lá desde que começou a competir.
Coluna dois.

Hog Hedge x Kelly S.
Deja vú alguem ?
A história entre Slater e Hedgey é antiga.
Em 2004, depois de ganhar a segunda vez seguida do asutraliano, El Sleytor mirou nos olhos e mandou: agora são duas.
Em J. Bay, no auge da corrida ao título, aquela corrida de 2004, épica, Hedgey meteu até o talo no malandro da Flórida e devolveu: dois a um agora.
Antes de dar o olé em K.S7, Hog derrotara Parko, e ainda derrotaria Sunny pra chegar até a final contra A. I. III.
Portanto, não contem com um passeio no parque.
Marco K.S.

Taj x Pancho
Sim, Taj, esta é, mais uma vez, a sua chance.
Quantas vezes na carreira dum sujeito ele tem a 'sua' chance ?
Taj parece ter 'sua' chance quase todos anos desde 99, vice lembram ?
2006 tem escrito Taj, com estrelinhas por toda parte, mas até agora, neca de vitória e sem vitória, nesse circuito sem PT (único campeão mundial sem uma vitóriazinha pra contar história) e com KS7 e A.I. III, melhor voce se coçar, garoto.
Pancho, meu filho, suas rasgadas são muito potentes, mas um pouco repetivivas, temo dizer.
No início do circuito quando todos achavam que voce iria se destacar somente em ondas grandes, dentudas e perigosas, voce nos surpreendeu com muita agilidade, mas essa turma se cansa rápido, voce sabe como é ?
Use suas armas secretas, afinal voce é habaiano e sabe usá-las se preciso for.
Coluna um.

Tom W. x Willsy
Viram a primeira bateria do Danny boy ?
Pois, apesar do Whitaker estar em décimo terceiro, graças ao quinto em Fiji e aos dois nonos, Mexico e Gold Coast, aposto no nanico da Quiksilver sem piscar.

Jordy S. x Travis
Alguem aposta no Travis ?
Esse moleque, Jordy, é meio Joel no jeito de embalar a prancha.
Vou de coluna um, que de zebra não tem nada.

Reyes x Occy
Essa bateria promete.
Desde Bells Occy não encontra com seu ritmo de trator.
Timmy Reyes vêm subindo como uma pipa avoada e tem aquele olhar de quem só para num muro de tijolos.
O Touro precisa de mais um bom resultado para sair da vigésima posição e almejar os top 16, ou top 10.
O californiano tá lá, em décimo, top 10 cravado, querendo top 5.
Um duelo continental.
Meu coração diz Occy, a razão diz Reyes.
Coluna dois.

quinta-feira, julho 20, 2006

Viu meu filme ?

[Kelly Slater had his own movie back in 1991— Kelly Slater in Black and White. Then there was Searching for Tom Curren and Drifting: The Rob Machado Chronicles. But whereas those films represented a slow trickle of bios reserved for the über-elite, the most recent deluge of surf biographies on the market is enough to represent a cultural shift.]

[There are some very smart marketing executives plying their trade in the surf industry, and it didn’t take them long to see that the model for The Bruce Movie worked. If a company could produce and distribute a video drenched in their corporate logos that also served to make their number one investment even more famous—well, it doesn’t take a Wharton grad.]

A Surfer tem o resto.

terça-feira, julho 18, 2006



A revista Arkitip tem como convidado e homenageado C.R. Stecyk III .
Em breve, tudo copiadinho e lançado a preços módicos na sua loja predileta mais próxima.

Gefferson



Abre-se uma nova perspectiva - pelo menos até o próximo WCT.
Cai o numero 2, Andy, que tem em J. Bay uma onda carrasco, e cai Bobby, 3, Slater, numero uno, permanece.
Taj e Taylor, empatados em quarto, tem mais uma chance de encostar.
As sentenças são curtas, o tempo é curto.
Os Hobigúdis, 6 e 8, rodaram.
Joel em sétimo, tem rara intimidade com a onda que o projetou e revelou em 1999, logo na primeira vez que surfou J. Bay.
Isso foi escrito ontem, daqui pra frente escrevo hoje, terça, dia 18.
Na terceira fase, Vitinho encara um dos surfistas mais sortudos do 'CT, Greg Emslie - Vitinho, aliás, tirou Dingo de um dos campeonatos que parecem ser feitos pra ele.
Seria bom ver o Gambázinho dar uma coça no Emslie e vingar uma derrota injusta em casa - lembram da final do Kaiser surf de 1997 ?
Mineirinho cai contra Trent Munro, repetindo a primeira etapa, quando nem tomou conhecimento de Munro na terceira fase.
Munro deve estar espumando até agora mas não deve incomodar.
Falta ainda uma sutileza no surfe do Mineirinho, ou duas. Dono de uma das melhores cavadas do tour, Mineiro tem que fazer melhor uso dessa arma e até agora, exceto pelos aéreos, tem mostrado que é apenas um surfista mediano em ondas de qualidade.
Precisava de um mês em J. Bay com Curren.
Yuri encara Joel.
Yuri tem surpreendido com ondas espetaculares em quase todas etapas, mas falta capitalizar em resultados.
Pode tirar proveito da soberba do Joel, que se julga imbatível em J. Bay.
Bronco e Shaun Cansdell, sexta bateria.
Coloco meus tostões no Peterson.
E chegamos na oitava bateria, não tem brasileiro, mas tem Sean Holmes contra Slater.
Lembram do Sean Holmes ?
Ele era a pedra no sapato do Andy em Jeffrey's, ganhou dois anos seguidos 2002 e 2003 do havaiano e é um dos 5 ou 10 melhores surfistas do mundo naquela onda.
Se alguem pode aborrecer Slater, esse alguem sabe muito bem como amolar campeões mundias, é Sean Holmes.
Taj e Taylor que abram bem seus olhos, pois vão enfrentar os temidos wild cards tambem.
Moura contra Pancho, que segundo a mais vendida, surfa um tiquinho mais fraco do que o meu, o seu, o nosso Moura.
Moura tem competido com muita calma nesse ano e vai precisar de uma escolha de ondas impecável pra bater o havaiano.
Reyes x Pedrinho.
Timmy Reyes está em franca ascensão e julgando pelos seus resultados, nono, quinto e terceiro, fica faltando uma final...
Pedrinho, por outro lado, ainda não se achou no WCT, talvez tenha muita coisa na cabeça para o distrair.
Perdeu baterias facéis por parecer um pouco distante.
Só vontade não é suficiente, WCT é um jogo complexo e a motivação para destruir seus oponentes tem que ser encontrada dentro, não fora.
Décima sexta, Raoni x Occy.
Falar o que ?
O melhor backside de sempre contra nossa mais sólida esperança.
Me abstenho de palpite, mas torcerei fervorosamente para o Animalzinho de Saquá.
Por hoje é só amiguinhos...

terça-feira, julho 11, 2006

Gata Limonada



Syd Barrett (Roger Keith Barrett, músico, compositor, tio-avô do som que o Beck faz hoje, nascido 6 de Janeiro de 1946; morto no triste dia 7 de Julho de 2006.

Barrett era a essência do Pink Floyd até torrar a paciência e largar tudo em 1968, quando estavam prestes a ganhar o mundo - o Guardian compara o impacto da saída do Barret do Floyd algo parecido com Jagger largando os Rolling Stones em 64 pra viver uma vidinha tranquila no campo.

Foi-se embora mais um maluco beleza.

Baixa o CD aqui, cortesia do Blog Back on the road do Matt Ori.

segunda-feira, julho 10, 2006

Cabeceio (clica aqui e vai)

Seja marginal seja herói



Zidane não deve conhecer Oiticica, nem sua frase célebre.
Mostrou que mesmo nesse futebol corporativo e aborrecido existe espaço para Homens.
Não era hora de mostrar dignidade, dirá o amigo que tem a vitória acima de tudo, Zidane mostra que sangue, sim, ferve - não apenas corre nas veias.
Lembro da piada verídica do Bernard Shaw quando encontrou Isadora Duncan, que sugeriu ao barbudo que tevessem um filho: Imagina, que criança magnífica, com o meu corpo e o seu cérebro ?!
George Bernard Shaw, sempre atento e afiado:
Senhora, imagine a infelicidade dessa criança se nasce com o meu corpo e o seu cérebro ?
Pois, pergunto aos amantes do futebol se não queriam 11 irresponsáveis Zidanes em campo ?

sexta-feira, julho 07, 2006

Bob

[Coluna Tempestade em copo d'água :: Revista Surf Portugal Junho 2006]



Num desses vídeos do Sarge, a cena em Huntingthon era assim: enquanto os australianos enchiam os cornos de líquido dourado uma caminhonete daquelas tipicamente americana vinha rebolando como uma nêga (nêga loura, Fergie) nos vídeos dos Black Eyed Peas.
De dentro do carro, Bobby Martinez acena aos comparsas de bagunça, que não perdem a oportunidade de dar uma sacaneada no americanozinho querido das revistas.
Bobby tinha menos de 18 anos, dirigia uma caranga zero, com pneus enormes, super baixo nos alto-falantes e nada parecia justificar seu recem fechado contrato de 6 dígitos.
Entendam, caros amigos, que a indústria americana reside quase toda na costa californiana, as maiores revistas estão logo ali, 5 minutinhos de Trestles, a gigante Quiksilver em Newport, Reef aqui dum lado da rua e Rip Curl no outro. O’Neiil em Santa Cruz e o mago das pranchas, Al Merrick, fica na pacata Santa Barbara.
Bobby M. tambem é de Santa Barbara.

Arrisco dizer que não há no mundo inteiro um lugar mais carente de heróis do que a Califórnia – e olhe que poucos lugares no planeta sabem fazer heróis como os californianos.
Quando apareceu no horizonte Curren, depois de tanto tempo do Joey Buran tentando alguma coisa que prestasse no circuito mundial, as publicações bradaram uníssonas: ninguem tasca, a nêga é nossa!
Os caras não aguentavam mais ser arroz de festa dos ‘Aggro Aussies’ (pronuncia-se ozies, mas escreve dessa forma. É incrível como tem gente que viaja até o outro lado do globo e não aprende coisas tão óbvias…santa ignorância, Batman) ou do galante cavaleiro Sul-africano.
A coisa sempre teve preta (afro-americana) pros lados da costa oeste.
Desde a criação da IPS (International Professional Surfing, antiga ASP) em 1976 californianos assistiam perplexos o absoluto domínio australiano e havaiano, cada um deles com 6 surfistas nos top 16, com os primos Shaun e Michael Thomsom e Johnatan Paarman carregando a bandeira sul-africana e um único americano do continente, imaginem, da Flórida, Jeff Crawford, ocupando o último lugar.
Foi assim em 77/78/79 quando finalmente Joey Buran fura o bloqueio e torna-se o primeiro californiano no exclusivo clube dos top 16 – um modesto 13º, diga-se…
Posso empurrar um pouquinho mais de números impressionantes para voces ?
No ano inicial, 76, um californiano ganhou um dos 14 eventos, Greg Mungall foi o felizardo e a turma na costa oeste teve que esperar até 1980 pro nosso querido Joey Buran levar para casa o troféu do Waimea 5000 daqui do Rio de janeiro (reza a lenda que ele teve que acomodar o exagerado troféu na poltrona ao lado, de tão grande).
Percebem a carência que a Califórnia tem de surfistas consagrados no circuito mundial ?
Pois bem, até o salvador da pátria, Curren, chegar botando banca, ganhando sem a menor cerimônia, os outros únicos americanos nos top 16 da ASP (agora sim) oriundos do ‘Mainland’, eram mais uma vez floridianos, Charlie Khun e Wes Laine.
Em seguida aparece Gerlach e Parsons, em 87 e Richie Collins em 88, Jeff Booth em 91 – nenhum em 92 – Machado e Beschen, O’Connel, Knox e olhe lá.



Entra ‘El Chicano’ Martinez.
Fogos.
Rollin’ wid d’ Hommies…

Vejam o que esse rapaz está causando à auto-estima dos californianos, tantos anos desenganados com o quase título do sempre injustiçado Beschen e do comedido Bob Machado – isso sem contar com a sombra do surfe espetacular dos irmãos Irons, Chirs Ward, até agora fogo de palha.
Na primeira etapa, Martinez fez uma das melhores, senão a melhor, bateria do campeonato com seu ídolo, Occy. Nem por isso deixou de esmagar o ogro com um surfe pra lá de encaixado nas paredes de Snapper, tubo longo de back-side como a cereja no topo do sundae.
E os escalpos que o rapaz tem deixado pelo caminho são de respeito: Damien Hobgood, Joel Parkinson, perdendo para, logo quem ?, El Rey, Slater.
Não foi tão feliz em Bells, terminou em nono, caindo numa disputa morna com, prestem atenção!, Andy Irons.
Acaba de ganhar a etapa do Tahiti e o respeito dos outros 43 definitivamente.
E seu caminho não foi moleza.
Fez mais de 16 pontos em todas baterias classificatórias até as oitavas, quando encontrou um dos melhores surfistas do mundo naquelas condições e irmão do camarada que ele tinha batido na perna australiana: C.J.
Tudo levava a crer numa revanche dos Hobgoods mas Bobby foi sublime, fez 19 pontos possíveis dos 20 contra incríveis 18 pontos do Cijêi – atentem, que essa pontuação do gêmeo era suficiente para vencer Kelly, Knox, Bruce ou Dingo (que eliminara Andy!) nessa fase.
Até a data de hoje, esse rapaz com cara de personagem dos filmes do Cheech and Chong é a mais perigosa ameaça ao El Rey, que tem dois primeiros e um terceiro – Martinez tem um terceiro, um nono e, voila!, um primeiro.
Aproxima-se Fiji, onda que, dizem as más línguas, deve favorecer Bobby, mas confesso, amigos, que temo mesmo é a etapa de Jeffrey’s Bay.
Explico: o garoto é de Santa Barbara, Rincon fica em Santa Barbara, assim como outros point breaks de direita e esse camarada tem uma facilidade fenomenal em surfar esse tipo de onda.
Poucos surfistas são capazes duma leitura correta nas paredes de J. Bay, principalmente de costas pra onda, mas ‘El Chicano’ Martinez sabe exatamente o como fazer para entubar na parte mais em cima da onda, como acontece em J. Bay e como fez em Snapper, isso sem falar no jeito que ele encaixa manobra por manobra em ondas alinhadas e compridas.
A Califórnia agora, em plena crise política e existencial, essa que reclama da invasão dos imigrantes latinos, vejam só, no meio de tantos loiros com a imagem perfeita para anúncio de pastas de dente (Knox, O’ Connel, Curren, Gerlach, Buran) vai torcer por um Martinez, com cara e atitude de latino dos becos de Los Angeles, bigodinho e tudo!
Desde Machado, a Surfer, Surfing e Transworld não tem tantos motivos para se empolgar e dessa vez a empolgação vai esmagar todos preconceitos.

domingo, julho 02, 2006

Vida que segue



[Comentário na Rádio Tupi, 5 de julho de 1982

Clique aqui para ouvir o comentário em Real Audio (409k)

Bom. Como é agora, eu não sei, é... campeão moral? Esse troço de campeão moral eu já estou cheio. De qualquer forma, eu espero que o futebol brasileiro tenha dado uma demonstração ao seu público de que é um futebol de primeira qualidade. Faltou comando e faltou modéstia.
A Itália jogou um futebol trancado, jogando bola pro alto e fazendo cera. O tempo inteiro. Tentando passar, pudera. Recebeu dois gols de presente. Assim é muito fácil. Espero que sejam banidos do nosso futebol todos esses inventores que desafiam as leis lógicas, as leis mais simples da geometria. Estamos jogando num retângulo, de ângulos perfeitos. Como é que se entorta o jogo? Se a bandeirinha do corner fosse a baliza, então sim, junta o bolo, naquela direção, torta, enviesada. Mas não. A distribuição dos homens tem que ser em toda a dimensão do gramado. Nosso time pegava a bola e não tinha jogada pro lado direito. Tinha que esperar o Leandro vir lá de trás. Ora bolas. O macaco, macaquinho, deixou de namorar a girafa por causa disso. E' muito penoso ir lá em cima dar um beijo. Vir cá em baixo e pegar a mãozinha dela. Ir de novo. E cá. Não dá. O Leandro podia fazer duas ou três vezes, mas não fazer o ano inteiro.

Quer dizer, tantos crimes, tanta burrice, tanta teimosia, tanta empáfia, tanta falta de modéstia. Apesar da estrondosa habilidade. Apesar de podermos chamar o nosso time o "time-admiração". Apesar disso tudo, nós entregamos a rapadura. A burrice, a teimosia, a falta do menor discernimento do que é o jogo. A competição permanente entre jogadores, criando um ambiente que não é bom. Até hoje não se sabia quem era quem. "Todos jogam; todos são efetivos; todos são reservas". Isso são palavras vãs. Enfim, há o merecimento da justiça, da técnica moderna, que ocupa todos os espaços do campo, aproveita tudo, que a moderna preparação física dá aos jogadores uma vitalidade tamanha, que qualquer espaço tem que ser aproveitado. Nós jogamos sobrando em qualidade, mas dando vantagens táticas fabulosas. Assim não é possível.

Perdemos, paciência. Campeão moral? Pra mim não me serve. Campeões da burrice. É, campeões da burrice tática. Esse título me parece mais apropriado. Era o que eu tinha a dizer.]

Retirado do saite netvasco