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quinta-feira, abril 23, 2015

Nova Era


As oito horas de surfe mais eletrizantes que já houve



Praia de Pipeline, 13:33 do dia 19.12.2014

Charles Medina olha fixo pro mar

Em volta dele, todos gritam é campeão, se mexem sem saber onde colocar os braços, chamam seu nome sem parar, surgem câmeras de todos lados, a confusão é total e Charlão (como os mais próximos carinhosamente o chamam) olha fixo pro mar.

Falta menos de 40 segundos pra terminar a bateria entre Mick Fanning e Alejo Muniz, a chance do australiano virar é inexistente, mas Charles olha fixo pro mar.
Ele já viu muitas baterias resolvidas nos 30 segundos finais e não quer correr esse risco.
O jogo só termina quando o juiz apita.
Com essa derrota do Fanning, Gabriel é campeão mundial, encerra-se a corrida, o drama chega ao fim.
Deus sabe o que passa na cabeça do camarada que viveu a disputa tão intensamente como ele.
De repente, junto com a contagem regressiva, Charles corre alucinadamente pro mar e mergulha de roupa e tudo.
Todo mundo em casa ou na praia também tem vontade de sair correndo enlouquecidamente.

Esse momento traduz a vontade que temos de simbolicamente abraçar Pipeline, a praia que nos deu o primeiro campeão mundial brasileiro.
Debaixo d’água é tudo silencioso, Charles precisa desse segundo de silencio.
Dizem que a água do mar lava tudo.
Lava as nossas mágoas, nossas dores, nossas tristezas.
A água do mar purifica.
Esse mergulho diz tanto sobre o título do Medina…
Foram 11 etapas, algumas vitórias, algumas derrotas, lágrimas de felicidade, poucas de decepção, é necessario mergulhar fundo.
Quando Charlão ressurge, já tem os dois braços apontados pro céu. O rosto sempre tão sisudo, sorri um sorriso largo.
O menino ganhou é hora de ir abraça-lo.

Uma breve historia do tempo

A ASP tinha tarefa ingrata, apenas dois dias para terminar o Pipe Masters, ondulação enfraquecendo, um título mundial para ser decidido e 27 baterias ainda por fazer.

Kieren Perrow, comissário e homem responsável pelas decisões mais importantes da entidade (ASP) durante o ano resolve realizar tudo em dia só.

No Havaí não é permitido campeonatos de surfe depois das 16:00 horas, tampouco começar antes das 8 da manhã.

Perrow faz as contas para encaixar 27 baterias em 8 horas.

Nunca aconteceu na história da ASP um dia como esse que vai se revelar.

Baterias simultâneas, redução do tempo, alteração das regras, sem a possibilidade de recomeçar - sem descanso.

Foram 10 dias de uma espera melancólica por ondas decentes.
Uma triagem com ondas boas, um primeiro dia digno da história do Pipe Masters e uma segunda fase atirada ao mar em condições adversas.

Era chegado o dia final.

Havia mais matematica envolvida.

Gabriel Medina seria campeão mundial se chegasse até a final, isso era claro.
Slater tinha alguma chance, voces sabem, mínima.
Fanning fungava no cangote.

O grande temor da torcida brasileira era o backdoor, supostamente ferramenta de vantagem dos adversários do Medina e nosso (dele) calcanhar de Aquiles.

Pois o dia 19 amanheceu com ondas melhores justamente para o Backdoor.
Problema nosso.



Voce já segue o Alejo ?

A última etapa do ano tem várias camadas diferentes.

O foco principal é na corrida ao título entre 3 surfistas, os outros 33 tem preocupações diferentes.
Alguns estão ali atrás de sobrevivência, motivos de sobra para atrapalhar qualquer um dos candidatos.

Vejam Alejo Muniz, 24 anos, décimo do ranking em 2011, prestes a se despedir do WCT/WSL 2015 depois de uma temporada negra, sem passar uma única vez pela  terceira fase, precisando ganhar o Pipe Masters para alcançar a qualificação.

Alejo sabia que sendo um dos surfistas com menos pontos enfrentaria os primeiros do ranking e poderia eventualmente ajudar seu amigo Gabriel Medina na luta pelo caneco.

Eis que os sonhos tornam-se realidade e, na terceira fase, Alejo enfrenta o invencível Slater em Pipe, especialidade do Careca.

Sabe quantas vezes o Slater já perdeu assim tão cedo em Pipe ?
Uma vez, em 1997, para o Johnny Boy Gomes - uma única e solitária vez, para um especialista em Pipeline.

Alejo, sem saber que era impossível, foi lá ganhou do Kelly Slater do jeito que gostamos, no ultimo minuto, tubaço no Backdoor.
Menos um na disputa com Medina.

Como nada tem dado muito certo pro Alejo nas competições em 2014, na quarta fase ele fez o total de 1.27 e foi pra repescagem…
O destino, esse velho sacana e sem cueca, colocou logo quem na repescagem junto do Alejo ?
Mick Fanning, último obstáculo entre Medina e a nossa Copa do Mundo do surfe.

Vejam como são as coisas, a sorte anda mesmo ao lado dos campeões.

Contra Alejo, Fanning foi incapaz de fazer uma nota superior a 2 (1.27 + 1.57 = 2.84)!
Na bateria seguinte, quartas de final, Alejo seria eliminado por Ace Buchan e daria adeus ao WCT (por enquanto) mas seria o personagem mais importante depois do Medina e Julian Wilson nesse dia inesquecível.

Siga o Alejo. 

Pausa para ouvir Julian Wilson

Digam o que quiser, temos que respeitar esse cara.

Antes do Pipe Masters, Julian não tinha chegado alem da terceira fase em nenhum campeonato nessa temporada, exceto por Bells Beach e precisava de um milagre para se classificar pelo ranking do WCT (já estava garantido pelo WQS).

Outro milagre o coroaria com o mais cobiçado título depois do mundial, o Triple Crown.
Depois de competir 6 vezes no mesmo dia e ficar na água por 3 baterias seguidas, Julian ganhou o Pipe Masters - há controvérsias…

Penso que devemos ouvi-lo.

Acho que eu estava realmente determinado a terminar o ano com uma campanha decente. Na minha primeira bateria fiz uma soma total de 1,5, na segunda fiz três ou quatro pontos, na quarta consegui seis nas minhas duas ondas, era uma evolução constante e eu continuei persistindo. 
É frustrante fazer notas baixas. 
Você passa a bateria, que é ótimo, mas é difícil de conquistar a auto confiança quando você não faz uma boa apresentação. Então finalmente achei uma onda boa na quinta fase e comecei a me divertir.
Gabriel tinha tido um dia incrível e estávamos os dois sentados lá fora, curtindo. Não houve disputa, sem nada. Ele preferia as esquerdas, de repente ele teve pegou aquela onda pro Backdoor e fez um 10. Foi quando essa última serie veio. Podíamos ver que era tinha um ângulo incrível. A segunda era maior e Gabe tinha prioridade. Ele disse: 'Eu quero a segunda ", por isso, fui na direita e ele pegou a maior pra esquerda, e foi incrível.

Abusado

Diante do desafio de enfrentar Dusty Payne na terceira fase, debaixo de uma pressão que dobraria o mais experiente dos competidores, Medina esperou pela onda da série e fez o de sempre - dominou.
A ameaça da derrota tem rondado o rapaz o tempo todo, desde a primeira etapa, Medina dá de ombros e segue em frente.
Os analistas passaram o ano inteiro tentando revelar o ponto fraco do Medina e campeonato após campeonato ele nos provava que o ponto fraco simplesmente não existia.
5 minutos finais da bateria contra Dusty, Medina tem a prioridade e o havaiano rema certo e firme numa onda para o Backdoor.
Gabriel decide ir, protegendo sua prioridade, desequilibra-se um pouco e mete pra dentro da direita que parece ser rápida demais para ser varada - ainda mais de back-side.
A praia explode quando Medina sai do tubo, braços pra cima.
Peter Mel, Big Wave rider, reportando direto da água, diz que podia perceber a aura de determinação na remada de volta do brasileiro.
A praia de Pipe transforma-se num estádio de futebol, cheia de bandeiras, de cantos de torcida, mãos esmurrando o ar.
Dusty está fora, Medina faz a melhor média da rodada.
Quarta fase, Gabriel x Toledo x Kerr, Filipe lidera, Medina precisa de um 8 baixo.
Faltando menos de 2 minutos, mais uma vez Medina encara sua suposta fraqueza, desta vez um tubo ainda mais profundo e difícil pro Backdoor - 8.84.
Na falta de adjetivos, penso no título do livro do Caco Barcellos - Abusado.
Abusado como Slater em 1992, campeão mundial e Pipe Master.
Abusado o suficiente para sair do mar durante sua bateria nas quartas, celebrar o título com a torcida ensandecida, conceder a protocolar entrevista como campeão mundial, abraçar e ser abraçado pelo amigos e familiares, retornar pra água e ainda vencer um aturdido Filipinho.
Abusado em arrancar uma nota 10 na final do Pipe Masters - para o Backdoor!
Senhoras e senhores, bem vindos à nova era.
Os estrangeiros são os outros.



5 Momentos mágicos do Pipe Masters

Slater volta



Contra Reef McIntosh, quando tudo parecia perdido, Kelly Slater pega duas ondas milagrosas num mar impossível


Jadson “Houdini” Andre 




No dia mais perigoso e tenebroso do Pipe Master, Jadson fez mágica e subitamente transformou uma onda fechada num 9.37 - seria um 10 fácil.


Alejo Brilha



Talvez a mais perfeita onda de todo evento, uma direita linda elimina Slater e deixa o caminho livre para Medina

Tom Carroll ainda reina em Pipe



Um retorno mais que esperado, Tom Carroll apimentou ainda mais a sua relação com Pipe e nos lembrou que, apesar dos 52 anos, quem manda ali é ele.


Gabriel Medina e Backdoor



O início de uma grande relação…





quinta-feira, março 13, 2014

O Homem que não estava la

O Homem que estava la...


         É tentador usar frases de filmes como alegoria pra tentar deixar clara uma idéia.
Não resisto à possibilidade, mínima, do leitor acabar por assistir o filme e relaciona-lo ao fato aqui narrado.
Comparei mais de uma vez Kelly Slater aos inesquecíveis personagens do Clint Eastwood - Willian Munny e Harry Callahan para não me estender demais.
Cada ano que passa, Kelly fica ainda mais cinematográfico como personagem.

O nome do filme é O homem que não estava lá (escrito e dirigido pelos Irmãos Coen, EUA, 2001), a cena, escura, preto e branco, o advogado se recusa a aceitar que seu cliente acaba de confessar o crime e sai com uma brilhante defesa...
‘...Tem esse cara, na Alemanha, Fritz alguma coisa. Será ? 
Talvez seja Werner. 

Enfim, ele tem essa teoria, voce quer testar alguma coisa, cientificamente, sabe ? Como os planetas dão a volta no sol, do que são feitas manchas solares, por que a água sai da torneira, essas coisas...
Bem, voce tem que olhar pra elas.
Mas, as vezes, voce olha e seu olhar muda aquilo.

Voce não sabe realmente o que aconteceu, ou o que aconteceria se tivesse acontecido debaixo do seu nariz. Então não há ‘O que aconteceu’ ?
Não num sentido que podemos compreender com nossas mentes doentias.
Porque nossa mente...nossa cabeça atrapalha.
Olhar pra alguma coisa muda aquilo.
Eles chamam isso de ‘O princípio da incerteza’.

Parece maluquice, mas até Einstein diz que o cara faz algum sentido...

Ciência. 
Percepção. 
Realidade. 
Dúvida. 
Benefício da dúvida.

Tô dizendo que, as vezes, quanto mais voce olha, menos voce sabe de verdade.
É um fato.
Fato provado.
De certa forma, é o único fato que há.’
Corta para as duas ondas redentoras do Fanning no Pipe Masters.
Duas bombas nos derradeiros segundos das baterias decisivas que lhe valeram o terceiro título mundial.
Voce diz que valeu, eu digo que não, ou vice versa.
Seu olhar muda tudo.



Esse Pipe Masters tinha algo de arrebatador.
Tinha tanta coisa importante em jogo, quem era capaz de ousar perder algo ?
Sim, mesmo com Heats on demand e tudo!
O importante era testemunhar história sendo feita ali na sua frente, fosse na TV, na areia, na tela do computador ou no bendito telefone - quantas alternativas.



Ciência

Ninguem esperava que Miguel Pupo dropasse a melhor onda dos últimos 20 anos do Pipe Masters.
Ou melhor, esperávamos sim.
Se havia alguem nesse injusto planeta que acreditava nisso éramos nós, esperançosos brasileiros, rosto colado no monitor.
Nada mais justo do que a onda do (novo) século ser surfada por alguem de fora do círculo - triângulo ?-  Australia/EUA/Africa do Sul.
A nova ordem mundial vem destas bandas.
Preparem-se.
Pupo teve um 8.7 contra Alejo na segunda fase e um 9.07 em cima do Josh Kerr, mesmo homem que tirou o título mundial do Slater em 2012.
Jeremy Flores tem sido o surfista dos milagres em condições extremas (como esquecer Teahupoo em 2011 ?), já vestiu a coroa do campeão no Pipe Masters mas nada pode fazer diante de um predestinado Miguel Pupo.
Miguel não venceu apenas uma bateria, ganhou respeito pro resto da sua carreira.
Quando quiser remar num Pipeline de verdade, acima dos 10 pés, vão olha-lo diferente.



Percepção

Antes de começar o Pipe Masters, Medina já era candidato a melhor onda do inverno no maior saite de surfe do mundo.
Isso quer dizer que a mensagem estava dada, passado o tempo de experiência, agora é hora de partir pra cima de igual pra igual.
Nada de surfar apenas na hora da bateria ou algumas horas antes.
No meio da multidão de locais e pretendentes, body boarders, encrenqueiros e tudo mais que enfrenta Pipe em troca de exposição, Gabriel Medina já não se satisfaz com restos e quer o que é seu.
Nick Carroll notou, logo na primeira vez, que Gabriel tinha a ousadia de usar toda área onde é possível quebrar ondas em Pipe - ao invés de ficar sentadinho esperando sua vez, ou sua onda, como tantos antes dele.
No evento, Medina não poderia ter vida mais difícil, pegou o irmão do homenageado na primeira bateria e deu um verdadeiro baile no Bruce.
É inútil descrever a surra, basta dizer que fez a maior média do dia e, de quebra, meteu um alley oop no final de uma onda - detalhe, descartou uma nota 8!
Foi preciso John John para dar um fim nisso.
Tem volta.



Realidade

Florence arrastou seu segundo Triple Crown em tres temporadas - que tal ?
AInda resta vencer o Pipe Master e título mundial.
Quantas vezes ? seria prudente perguntar.
No North Shore, não sobra nada, exceto migalhas - e ele quer mais.
Sua frustração era evidente no pódio, o que é sempre um bom sinal.
Tudo indica que deixou de ser o rapaz que não liga mais pra isso, nem aquilo, chega de sorrir por nada.
Até seus vídeos andam mais introspectivos ultimamente.
No Pipe Masters, JJF bateu Medina (por pouco), Julian e Fanning sem muito esforço.
Seu calcanhar de Aquiles ainda é excesso de respeito, mas algo me diz que depois dessa derrota inesperada (para ele), Slater deixará de ser um ídolo para se tornar um adversário.


Dúvida


        Hoje é fácil dizer que o terceiro título do Fanning era certo como 2 + 2.
Com tamanha obstinação, Fanning podia ser campeão de qualquer esporte, natação, remo, rugby, porrinha ou xadrez.
Voce olha pro sujeito e percebe que existe apenas um objetivo na vida do camarada - ser campeão mundial.

O Macaco Albino não foi, em nenhum evento, o melhor surfista da temporada, nem no campeonato que ele venceu - esse mérito, voces bem lembram, foi do Medina.
Mas o diabo é que Fanning nunca perdia antes das quartas e fazer isso é tão difícil, ou mais, do que ser simplesmente o melhor.
O danado do australiano tem uma fórmula que dá certo e a usa sem pudor.
Quem não gosta, que se dane.
O que importa, no frigir dos ovos, é o título.
E já são tres...

Muito se falou, e escreveu, sobre uma possivelmente intencional interferência do Mick no JJF.
Seria como acreditar que o Flamengo, Portuguesa e Fluminense já tinham 
acertado tudo antes do Brasileirão acabar.
Fanning foi cirúrgico na disputa ao título e nas baterias mais importantes do Pipe Masters.
Num Pipeline que ele não deve ter surfado mais um punhado de vezes, Fanning se jogou em tudo que aparecia pela frente, despencando em vacas terríveis até conseguir a redenção na última e derradeira onda contra C.J. Hobgood.

Mesmíssima cena diante de um furioso Yadin Nicol.
A calma no momento mais tenso do ano, a categoria em fazer um Fade em pleno drope e o tubo consagrador não é coisa pra pessoas comuns.
Nosso olhar muda tudo...

JJF e KS11, duas gerações de domínio em Pipe


Benefício da dúvida

Logo após a final, quando perguntado, pela enésima vez, se abandonaria o circuito mundial, Slater disse, Não, esse evento me deixou puto o suficiente para continuar mais um ano.
Façam suas especulações sobre o futuro do surfe profissional, mas nunca deixem Slater de fora.
Hoje, assim como nos últimos 20 anos, Slater É o surfe profissional.
Foi o melhor surfista quando as condições realmente importavam.
Kirra, Fiji, Teahupoo, Pipe.
Claro que teve um soluço em Bells classico diante dum inspirado Willian Cardoso, mas isso faz parte do serviço.

Fez quatro finais contra duas do campeão mundial - ganhou tres.
Sua vitórias foram sempre espetaculares, um misto de tenacidade, talento puro, estratégia e explosão.
Quase todas outras vitórias do ano foram apenas fruto de uma ou duas das virtudes citadas acima, enquanto Kelly reunia todas como num feitiço fabuloso - de fábula mesmo.
Relembrem a primeira onda da final em Fiji...
Aquilo não era sequer humano, muito menos racional.

Slater passa por um momento de extrema importância emocional, basta ver como se comportou quando saiu da final do Pipe Masters.
Era seu sétimo triunfo naquele palco, ele deveria estar de certa maneira acostumado com a pompa e arrebatamento de mais uma vitória e no entanto corriam-lhe lágrimas soltas cada vez que analisava os detalhes da final.
Ele sabia que o destino tinha lhe pregado uma peça.
Andy mandou aquelas duas ondas pro Fanning!

O Careca diabólico tinha virado, subitamente, uma criança carente, aflita e insegura em busca de alento.
Nos dava a impressão que a qualquer momento ele iria abraçar todo mundo e pedir colo.
Ele sabia que era o campeão de fato, mas não de direito - não desta vez.
Na sua cabeça, todo plano estava feito, Fanning perdia, ele fazia a final contra JJF, ganhava e se aposentava com todas glórias sonhadas.
Quando acordou, Slater se deu conta que os outros sonhos tambem se tornam realidade.

Seus adversários tem tantos sonhos...

Miguelito, sonhando acordado

sexta-feira, dezembro 17, 2010

Diario Habaiano Pipeline

Andy teria ganho

Manhã calma demais não prometia grandes coisas, uma vez mais nessa estranha temporada, Pipeline não acordou como esperado e Backdoor tinha pinta de preguiçoso nas primeiras baterias.
Ja sabiamos que essa quarta seria um dia cheio, toda terceira, quarta e quinta fase, mais final do duelo pela joia das meninas, uma bateria final pra decidir a campeã da trplice coroa havaiana.
Na maior parte das primeiras baterias, quase sempre um dos surfistas achava uma onda beirando o sencional e outro corria atras, nada que merecesse manchetes do tipo, Dia epico em Pipe!
As medias eram baixas para a expectativa que esse onda provoca e nos restava aguardar pelos pequenos milagres.
Na segunda bateria, Owen Wright acabou com a esperança do Parko de mais um conto de fadas como na primeira joia da triplice coroa, quando Joel ganhou de forma magnifica.
Nenhuma das disputas foi realmente emocionante até a decima primeira bateria da terceira fase, Bourez versus Knox, disputada até o ulimo minuto, mas ainda com notas baixas para Pipe, abaixo de 8.
Foi quando entrou o personagem do dia, Dusty Payne. Prestes a ter sua cabeça cortada do World Tour, Dusty pegou um Mick Fanning inspirado e perdia feio até os 4 ultimos minutos.
Num dos melhores momentos da bateria, Fanning escolheu uma onda completamente fechada para o Backdoor e saiu adiantando dentro da bomba, sumiu por o que nos pareceu uma breve eternidade e surgiu lepido e faceiro antes da explosão final.



Achei que seria um 9 gordo, os juizes decidiram que era um 9 magro, 9.17.
Minutos depois, Fanning achou um triangulo e entubou do inicio ao fim sem largar o braço da onda, um 8.77 que me deixou desconfiado que algo ali não cheirava bem.
Dusty precisava duma combinação de mais de 17 pontos e se perguntava la fora, será que é assim que voce vai perder ? Na sua casa, na frente dos seus amigos, de combinação ?
E como numa fabula havaiana, Dusty surfa uma bela onda (que me pareceu pior que a segunda do Mick) e faz um 9.
A casa da Volcom nessa altura ja tinha gente saindo pelo ladrão torcendo pelo milagre da permanencia do Dusty no circuito quando Jah mandou aquela que seria a redenção do albino havaiano.
Um longo tubo e um locutor histerico arrancaram dos juizes um 9.87.
Dusty virou, a galera na casa da Volcom comemorou como um titulo e todos ficaram felizes.
Essa turma aqui da America do norte ama essas historias de superação, mesmo que sejam provocadas.
Fato é que, Dusty fez as duas baterias mais empolgantes do evento.
Basta dizer que Fanning teria ganho qualquer outra disputa com sua pontuação, mesmo perdendo.



MIneiro teve mais uma vez Kieran Perrow como algoz, quase um classico de 2010.
Fica dificl de entender como Adriano de Souza pode desejar o titulo mundial e chegar no Havai apenas um dia antes do Pipe master.
Apesar de mostrar no ano passado que é capaz de pegar tubos no Backdoor como qualquer um do terceiro time (Bede, Flores, Bourez, etc...), Mineiro deveria almejar a excelencia dum Jordy, Dane ou Burrow, desde que a maestria dum Slater, Parko ou Fanning esta fora de questão.
A brincadeira custará o top 6 pro brasileiro e talvez até o top 8, esperemos que de jeito nenhum o top 10.
Uma coisa é certa, Owen Wright deu uma banda nos dois brasileiros duma vez só no Pipe Masters.
Primeiro, receberá o titulo de Rookie of the Year, desbancando Jadson Andre que perdeu num disputa morna contra Damien Hobgood.
Segundo, passou Mineiro no ranking, o empurrando, talvez, para o numero 9.

Kojak

Em 2010, decimo titulo e notas 10 a granel para o careca de ouro da ASP.
Slater passou por John John Florence com irritante facilidade.
Até os dois entrarem n’água, se tinha alguem nesse mundo capaz de afrontar Slater, era o J.J.
Bastou começar a bateria e tudo foi por agua abaixo.
Slater tem o poder de transformar as ondas ao seu bel prazer.
Quando ele quer que elas corram, elas correm, quando ele quer que elas parem, as benditas param.
Depois de pegar seus tubos, até o mar ajuda e deixa de enviar as series para ele poder surfar tranquilamente.
O unico 10 do dia foi do Careca.
Todo mundo tenta, mas só o Slater...

Nos resta torcer nas quartas para que Kieran e Jeremy não consigam ir muito longe no evento e passem Mineiro no ranking.
Todos queremos ter um brasileiro no top 10.

Jeremias Flores

Kieran Perrow e Jeremy Flores na final do Pipe Masters ?
Até essa bizarra manhã do dia 16/12 de 2010, se alguem brincasse com a mera possibilidade duma final como essa, eu diria que é uma piada - de mau gosto.

Fizemos ontem, aqui na casa da Hardcore, uma aposta pra ver quem levaria o Pipe masters e Dudu foi unico que chegou perto, acusando KP como vencedor.
E foi por muito pouco que Perrow. o inesperado, levou o caneco.
A historia foi assim...

Com apenas as quartas, semis e final para encerrar o mais cobiçado de todos eventos do circuito mundial de surfe profissional, era de se esperar que o dia seria pleno de emoções.
Quase foi.
Owen Wright, minha frustrada aposta, foi a primeira vitima de Flores e das longas calmarias.
Ninguem quebrou tantas pranchas ao meio em 2010 como Owen, ninguem quis tanto mostrar serviço, que sirva de lição aos novatos de 2011.

Slater e Ace Buchan fizeram uma disputa cafe-com-leite, Slater surfava e Ace brigava com as ondas. Os dois quebraram pranchas ao meio, Ace numa bomba tentando escapar da guilhotina e Slater numa onda bem menor, perdendo seu tapete magico, uma 5’7’’ quadriquilha que deixaria Bocão orgulhosíssimo.
Surfando com sua prancha reserva, uma 5’9’’ triquilha, fininha e estreita (18 1/4) Kelly passou por Buchan em velocidade cruzeiro, sem sequer passar a marcha.
Kieran Perrow não deu muita bola pro Jordy Smith e Dane Reynolds parecia disposto a ganhar seu primeiro evento da curta e assombrosa carreira de competidor, dispensando seu parceiro de crime Taylor Knox.



Quando Kelly entrou na semi contra Jeremy, a historia ja estava escrita e todos sabiamos o final.
Como diria Garrincha, esqueceram de combinar com o adversario e nesse caso, o oponente era o surfista que mais pedras teve que quebrar pra chegar até ali.
Flores virou sua primeira bateria contra Ian Walsh no ultimo minuto, fez CJ Hobgood correr atras do prejuizo com uma das melhores pontuações do evento, virou uma bateria que parecia perdida contra Taj e, por incrivel que pareça, bateu Slater no campeonato que todos juravam ser a cereja do bolo no decimo titulo do Careca.
No final da bateria, Slater estava confuso com sua derrota, achei que vinha onda atras, sempre vinha duas ondas...no começo da bateria eu tinha aquela sensação de que iria vencer, sabe quando voce sente que essa é a sua bateria ? Bem...acho que não.
Kieran, por outro lado, fez a melhor bateria de todo evento contra Dusty Payne e sempre conseguia achar ondas acima de 8 nas suas baterias.
Saibam que Kieran fez seu nome, quase uma carreira, surfando esse mesmo lugar onde foi disputado o Billabong Pipeline Masters de 2010.
São famosas suas tentativas de suicidio nos dias mais medonhos do Backdoor.
Alguns invernos atras, uma foto sua prestes a ser devorado por uma parede de agua que caía dois centimetros na sua frente em Backdoor rodou o mundo em pagina dupla.
O velho Kieran deu cabo de quase todo Modern Collective, Dusty, Jordy e Dane.

A final foi um anti-climax total, vento errado deformando o que restava das ondas e Flores virando uma vez mais nos ultimos minutos, tornando-se o primeiro europeu a vencer no World Tour e no Havai duma vez so.
E pior, para os brasileiros, Flores passou Mineiro no ranking, deixando-o em 10.
Mas, querem saber ?
Jeremy fala portugues fluente, é treinado por Nick Beven, franco-brazuca capoeirista casca grossa e faixa preta de jiu-jitsu de Niteroi e um dos seus grandes amigos é Patrick Beven, irmão mais novo do Nick.
E tem a virtude de ajudar a mudar a geografia dos campeões na ASP.
Afinal, dizem, os europeus são os novos brasileiros do circuito.

terça-feira, dezembro 14, 2010

Diario Habaiano em serie (raso!)

05/12



São seis ou sete da noite na movimentada cidade de Haleiwa, domingo sem onda, gente por todo canto e Bootsy Collins batucando seu baixo com a categoria habitual.
Ontem foi dia da volta olimpica pela ilha, East side, dica do Pepe.
Não saímos do carro, exceto pelo Polynesian center e o Jack in the Box.
Voltei enormemente iluminado.
No Polynesian center, descobri que, de forma alguma, aquilo era um museu, mas uma verdadeira experiencia da vida primitiva desses exoticos povos, com luau e tudo.
Comprando um ingresso, o sortudo tinha a oportunidade de experimentar cada uma das ilhas mais famosas da Polinesia, Tonga, Fiji, Rapa Nui (Pascoa), Samoa, Tahit, Havai.
Pela modica quantia de 120 Doletas, a vitima, quero dizer, o alegre cliente tem direito a um autentico banquete cultural - sem sal de frutas.

06/12




Mais turismo.
Surfe social em Backyards, 2 a 3 pés havaianos, traduzido para a metrica brasileira, um metro, as vezes mais num serie ou outra, o tal do head high dos gringos.
Fun (http://stephanfigueiredo.blogspot.com/) emprestou uma 5’10’’, minha fiel companheira nessa temporada sem ondas.
Quando imaginei que passaria 15 dias no Havai surfando de 5’10’’ ?
Verdade é que cada dia sem ondas no Havai vale por uma semana de surfe classico em casa.
Saindo do mar, nosso camarada e guia local Rodrigo Gota gentilmente nos levou para conhecer um pouco mais da culinaria havaiana.
Fomos direto para o Giovanni’s Shrimp Truck conhecer o famoso caminhão do camarão.
Escolhi, como não poderia deixar de ser, o Hot & Spicy e ainda hoje os efeitos colaterais voltam para me assombrar a noite.

07/12

Mar subiu!
Backyards tinha mais um metro de onda.
Rocky Point, OTW, Log Cabins e Laniakea quebraram um dia inteiro, perfeito, apenas 3000 surfistas na agua.
Paraiso.



08/12



Pipe Masters.
Ou seria Gummy’s Masters ?
Fica uma rasgada do Taylor Knox na memoria, o resto esquece-se.

09/12

A frustração de não ter o segundo dia do Pipe Masters.
Kona wind, toró, preguiça.
Como curar isso ?
Compras, afinal de contas estamos na America, terra da oportunidade.
Mesmo na roça que é o North Shore, é possivel alcançar a civilização em apenas 20 minutos.
Por civilização entenda-se lojas arreganhadas como as mocinhas na rua da luz vermelha.
O pecado da gula consumista não perdoa.
Quem nunca pecou que atire a primeira pedra.




10/12



Velho sonho de infancia, Velzyland.
Explico: quando garoto, morando na Gavea e surfando no Quebra-mar todo dia, os primeiros idolos idolatravam Larry Bertleman, Buttons e Mark Liddel- eu ia na onda.
Dudu e Matias foram antes, pouca gente na agua, alguma chuva, vento indo e vindo.
Senti falta dos locais ameaçadores, do tapa na cara, dos xingamentos, do fora haole e surfei como se havaiano fosse.
Não se repetirá.
Show beneficiente dos fundo de reserva dos salva-vidas com Butch Helemano no Waimea Falls.
Todos peso-pesados estavam la, sorrindo e bebendo alegremente.
Quem diria, surfar Velyland e ir num show do icone havaiano cercado dos mais temidos locais do North Shore no mesmo dia ?
Ja me sinto um local.

11/12

Bom local que sou, fui surfar com minha fiel 5’10’’ em Backyards.
Outro dia de 2 a 3 pés, metro e pouco pros chegados.
Mais compras.

12/12

Velzyland...
Desta vez com toda sorte de gente n’água.
Vejam o que é a falta de modos, 3 ou 4 surfistas de meia tigela se revezavam dando voltinhas nos locais e quem mais ousasse sentar no outside e esperar por uma serie.
Obra do destino, nem Perry Dane, nem Junior Moepono, nem João Boy, nada...
Sem ordem no line-up, sem aloha, retirei-me resignado, não sem antes experimentar o verdadeiro espirito havaiano e rabear descarademente um dos palhaços.

13/12

Ja dizia o ditado, it’s only Rocky Point but I like it.
Rocky Point deve ser o lugar mais disputado do mundo.
Disputa pela melhor foto nos dois lados das lentes, disputa pela onda, melhor manobra, bermuda mais colorida, prancha mais esquisita, corte de cabelo mais criativo, quem chega na praia com mais gente pendurada, maior equipe, menor biquini, maior biquini, cortes no pe, quem rabeia mais, quem é mais rabeado.
Sem resistir aos meus impulsos competivivos adormecidos, lancei-me aos leões na esperança de não ser notado, ao que tive enorme sucesso.
Mais compras.

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Diario Habaiano 6.0




A torcida em Pipe se divide em duas, os meros curiosos e os obcecados.
A diferença talvez do Havai para os outros eventos é o fato dos curiosos serem muito mais bem equipados do que a turma da pesada.
Um casal senta ao meu lado, logo embaixo duma das casas alugadas pela Billabong, Quiksilver, Oakley, Volcom, Vans, Fuel e cia.
Aparentam mais de 70, trajam o bom e velho figurino de praia, sandalias, oculos, saida de praia, bermuda, protetor, trazem uma cadeira pra cada que o cavalheiro carrega sem sofregidão.
Ele lê North Shore Chronicles do Bruce Jenkins (North Atlantic Books, EUA, 1999) e ele le qualquer coisa que esteja na prateleira dos mais vendidos.
Num determinado momento, Tom Whits enterra o braço na parede para atrasar e o coroa vibra.
A esposa, desatenta sim, desinteressada jamais, pergunta o motivo da euforia e o marido explica detalhadamente como seu deu a fantastica atrasada do senhor surfista na onda mais perigosa do Havai.


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terça-feira, maio 18, 2010

Pipe Masters 2009

O Canudo

Talvez em 2000 anos essa onda será surfada, disse Pat Curren para Fred Van Dyke quando acampavam na praia de Banzai no inverno de 57/58.
O fundador da revista Surfer, John Severson, conta que tentou diversas vezes convencer os surfistas da epoca a surfar aquela onda brutal e veloz que quebrava tão perto da praia - tão perfeita.
Pipe era um tabu.
Até o dia que Bruce Brown, aquele mesmo do Endless Summer, conseguiu persuadir o Slater da epoca, Phil Edwards, a surfar Banzai.
A lenda diz que a primeira onda foi tão rapida que Brown quase perde a cena.
Edwards colocou sua enorme e pesada prancha no angulo certo e mandou brasa, saindo em pé no canal.
Bruce correu pro carro para pegar sua prancha e quando voltou ja tinham mais tres surfistas la fora.
Foi nesse dia do inverno de 1961 que Pipeline foi batizada.
Dali em diante aquela onda seria a mais temida e venerada de todos tempos.
Waimea era por demais exclusiva e rara.
Pipe sempre foi mais extravagante, oferecida, tentadora.
Quem nunca sonhou com uma foto em Pipe ?
A zona de guerra começa no terceiro reef, famoso pela foto iconografica do Greg Noll olhando o fim do mundo.
Segundo reef é levemente mais simpatico e deixa surfistas com culhões grandes suficientes entrar na onda sem muito desespero e o primeiro reef é o proprio desespero.
Onde carreiras são enterradas ou catapultadas - literalmente.
Pipeline é a onda no mundo que ceifou mais vidas desde que começou a ser surfada.
Basta.

Tão bom que o nomearam duas vezes

John John Florence é um moleque abusado. Se tem um surfista que deve ser evitado em Pipe é esse pirralho.
John John faz a maior media e com as notas que sobram ele faz a segunda melhor media da primeira fase.
Como não podia deixar de acontecer, estamos no North Shore, pô!, Sunny Garcia consegue a proeza de perder sua bateria.
E não perde apenas a bateria, Sunny perde a chance de levar seu setimo Triple Crown pra casa e uma bolada violenta de verdinhas.
Por algum motivo obscuro, Garcia chega atrasado para sua bateria (em casa, cacete!) e revolta-se quando descobre que sua vaga foi preenchida (opa!) por Torry Meister, que deve ter olhado sorrateiramente para os dois lados, esfregado as mãos e corrido pro mar quando percebeu que o limite de cinco minutos para Sunny aparecer tinha sido alcançado.
Sunny sifu.
Shane Dorian fez lembrar seus melhores momentos de Backdorian contra Tiago Pires.
Michael Picon, surfista frances que já tem seu destino traçado nesse final de temporada, enlouquece, se reinventa e faz a melhor bateria da sua vida no WT, 11º maior da historia, pegando dois tubos inacreditaveis para o backdoor, de backside!
O locutor não cansa de nos avisar que Picon faz isso o tempo todo em Hossegor, judiando da nossa boa vontade.
Foi bom ver Bruce e Andy de volta.



Força da natureza

Quinto dia de espera e segundo dia de competição, 6 a 8 pés de cilindros formidáveis.
Falei ?
Pipeline arranca o melhor e o pior dos surfistas. Ninguem escapa das efuziantes comemorações aqui.
Em Pipe, todos vibram como novatos e veteranos são capazes de passar mais tempo se auto-congratulando do que dentro do tubo, fato cada vez mais comum em Pipeline.
John John ja saiu do tubo dando soquinho pro seu dez inconstestavel contra Bobby Martinez.
Mineiro tinha sua chance de defender seu top 3, a melhor classifiacação desde Vitinho em 99, mas atrasou-se para bateria contra o magrelo local Flyn Novack e perdeu por pouco.
Adriano precisou contratar um segurança para competir no Pipe Masters. Dustin Barca, que segundo relatos confusos, vai encarar uma carreira de boxeador e deixar um pouco de lado o surfe profissional (como ja tinha feito o Mick Campbell quando largou o tour em 2000 e alguma coisa) ainda não digeriu a dura que levou dum lutador durante o Hang Loose pro.
O que acontece no surfe, fica no surfe. Mineiro vai precisar um dia sentar e conversar com o troglodita do Barca, olhar nos olhos dele, resolver a pendenga e tomar uma gelada rindo do que aconteceu.
Essa brincadeira custou caro e Adriano chegou em terceiro no Havai e saiu em quinto.
Ainda no De Souza, ele disse no Twitter que ficou satifeito com seu desempenho em Pipe porque surfou bem.
Tambem acho.
Falta agora mais tempo na agua.
Slater surfou com uma variação da sua prancha do ano anterior, 5’11’’, desta vez com 4 quilhas ao inves das 3 e nem uma nota 10 do seu adversario Hank Gaskel foi capaz de para-lo.

Dois pra la, dois pra ca

Ondas dignas de menção
Nota 10 do Kieran Perrow
Nota 10 do Clifton James
Nota 9.9 do Dorian
Todas ondas do Dane Reynolds
Nota 0.98 do Parko

Jeito bom de sofrer

Ja contei que Fanning tinha passado pelo Meister ?
Não ? Pois conto agora, Mick atropleou o camarada que tomou o lugar do Sunny e celebrou suas ondas como quem sabia o que viria pela frente.
Parko enfrentou Gavin Gilete, sujeito de nome que rende trocadilhos mil.
Occy na locução era só emoção, claramente torcendo por Parko mas com alguma simpatia tambem pelo esforço sobre-humano que Fanning estava fazendo para chegar ali com chances reais de título.
Tô nervoso pra c... repetia Occy enquanto Joel escolhia ondas de qualidade questionavel.
A camera focaliza Fanning concentrado, preparando para a proxima bateria.
Agora volta para Gavin Gilete.
Parko rema numa onda mediano para o Backdoor e deixa Gavin sozinho la fora.
Ainda faltam pouco menos de 8 minutos, Mick entra no mar, Dean Morrison é seu oponente.
Serie ao fundo.
Gavin vai pra esquerda, tubo, sai, gritos e palmas.
Parko agora esta contra parede.
Ninguem mais lembra que Slater surfa de quadriquilhas.
Onda pro Joel, vaca.
Acabou.
Mick explode debaixo d’agua, não quer ferir seu amigo.
Ali estão os tres garotos de Coolangata, as tres grandes esperanças que a Australia tinha a quase 10 anos atras.
Mick e Joel se abraçam, trocam algumas palavras que devem ter sido duras de falar e ainda mais duras de ouvir.
Joel cumpre sua promessa de esperar Mick Fanning na beira e o carrega nos ombros.
Impossivel não se emocionar com toda cena.
Grandes homens ali.
Nada mais importa.
Tres dias depois Taj vence a final do Pipe Masters mais sem graça desde Robbie Page em 88, ou Bede, não estou seguro.
Slater surfa o ultimo dia de 5’6’’, quadriquilha, Ricardo Bocão se comove e divide com todos que acompanham seu twitter, criei esse modelo em 1981 e todos me zoaram, tuita Boca.
Dingo puxa a cordinha do Damien Hobgood e vira piada do inverno havaiano a semelhança com o campeonato do filme North Shore.
Damien é quase um texano, mas Dingo nada se parece com Laird.
O dia é da turma da terra de Oz, Joel leva como premio de consolação o Triple Crown pela segunda vez, Taj é agora um Pipe Master, Stephanie leva tudo novamente (Triple crown e mundial) e Mick Fanning é bi-campeão do mundo.
Vai faltar cerveja no North Shore.