sexta-feira, dezembro 17, 2010

Diario Habaiano Pipeline

Andy teria ganho

Manhã calma demais não prometia grandes coisas, uma vez mais nessa estranha temporada, Pipeline não acordou como esperado e Backdoor tinha pinta de preguiçoso nas primeiras baterias.
Ja sabiamos que essa quarta seria um dia cheio, toda terceira, quarta e quinta fase, mais final do duelo pela joia das meninas, uma bateria final pra decidir a campeã da trplice coroa havaiana.
Na maior parte das primeiras baterias, quase sempre um dos surfistas achava uma onda beirando o sencional e outro corria atras, nada que merecesse manchetes do tipo, Dia epico em Pipe!
As medias eram baixas para a expectativa que esse onda provoca e nos restava aguardar pelos pequenos milagres.
Na segunda bateria, Owen Wright acabou com a esperança do Parko de mais um conto de fadas como na primeira joia da triplice coroa, quando Joel ganhou de forma magnifica.
Nenhuma das disputas foi realmente emocionante até a decima primeira bateria da terceira fase, Bourez versus Knox, disputada até o ulimo minuto, mas ainda com notas baixas para Pipe, abaixo de 8.
Foi quando entrou o personagem do dia, Dusty Payne. Prestes a ter sua cabeça cortada do World Tour, Dusty pegou um Mick Fanning inspirado e perdia feio até os 4 ultimos minutos.
Num dos melhores momentos da bateria, Fanning escolheu uma onda completamente fechada para o Backdoor e saiu adiantando dentro da bomba, sumiu por o que nos pareceu uma breve eternidade e surgiu lepido e faceiro antes da explosão final.



Achei que seria um 9 gordo, os juizes decidiram que era um 9 magro, 9.17.
Minutos depois, Fanning achou um triangulo e entubou do inicio ao fim sem largar o braço da onda, um 8.77 que me deixou desconfiado que algo ali não cheirava bem.
Dusty precisava duma combinação de mais de 17 pontos e se perguntava la fora, será que é assim que voce vai perder ? Na sua casa, na frente dos seus amigos, de combinação ?
E como numa fabula havaiana, Dusty surfa uma bela onda (que me pareceu pior que a segunda do Mick) e faz um 9.
A casa da Volcom nessa altura ja tinha gente saindo pelo ladrão torcendo pelo milagre da permanencia do Dusty no circuito quando Jah mandou aquela que seria a redenção do albino havaiano.
Um longo tubo e um locutor histerico arrancaram dos juizes um 9.87.
Dusty virou, a galera na casa da Volcom comemorou como um titulo e todos ficaram felizes.
Essa turma aqui da America do norte ama essas historias de superação, mesmo que sejam provocadas.
Fato é que, Dusty fez as duas baterias mais empolgantes do evento.
Basta dizer que Fanning teria ganho qualquer outra disputa com sua pontuação, mesmo perdendo.



MIneiro teve mais uma vez Kieran Perrow como algoz, quase um classico de 2010.
Fica dificl de entender como Adriano de Souza pode desejar o titulo mundial e chegar no Havai apenas um dia antes do Pipe master.
Apesar de mostrar no ano passado que é capaz de pegar tubos no Backdoor como qualquer um do terceiro time (Bede, Flores, Bourez, etc...), Mineiro deveria almejar a excelencia dum Jordy, Dane ou Burrow, desde que a maestria dum Slater, Parko ou Fanning esta fora de questão.
A brincadeira custará o top 6 pro brasileiro e talvez até o top 8, esperemos que de jeito nenhum o top 10.
Uma coisa é certa, Owen Wright deu uma banda nos dois brasileiros duma vez só no Pipe Masters.
Primeiro, receberá o titulo de Rookie of the Year, desbancando Jadson Andre que perdeu num disputa morna contra Damien Hobgood.
Segundo, passou Mineiro no ranking, o empurrando, talvez, para o numero 9.

Kojak

Em 2010, decimo titulo e notas 10 a granel para o careca de ouro da ASP.
Slater passou por John John Florence com irritante facilidade.
Até os dois entrarem n’água, se tinha alguem nesse mundo capaz de afrontar Slater, era o J.J.
Bastou começar a bateria e tudo foi por agua abaixo.
Slater tem o poder de transformar as ondas ao seu bel prazer.
Quando ele quer que elas corram, elas correm, quando ele quer que elas parem, as benditas param.
Depois de pegar seus tubos, até o mar ajuda e deixa de enviar as series para ele poder surfar tranquilamente.
O unico 10 do dia foi do Careca.
Todo mundo tenta, mas só o Slater...

Nos resta torcer nas quartas para que Kieran e Jeremy não consigam ir muito longe no evento e passem Mineiro no ranking.
Todos queremos ter um brasileiro no top 10.

Jeremias Flores

Kieran Perrow e Jeremy Flores na final do Pipe Masters ?
Até essa bizarra manhã do dia 16/12 de 2010, se alguem brincasse com a mera possibilidade duma final como essa, eu diria que é uma piada - de mau gosto.

Fizemos ontem, aqui na casa da Hardcore, uma aposta pra ver quem levaria o Pipe masters e Dudu foi unico que chegou perto, acusando KP como vencedor.
E foi por muito pouco que Perrow. o inesperado, levou o caneco.
A historia foi assim...

Com apenas as quartas, semis e final para encerrar o mais cobiçado de todos eventos do circuito mundial de surfe profissional, era de se esperar que o dia seria pleno de emoções.
Quase foi.
Owen Wright, minha frustrada aposta, foi a primeira vitima de Flores e das longas calmarias.
Ninguem quebrou tantas pranchas ao meio em 2010 como Owen, ninguem quis tanto mostrar serviço, que sirva de lição aos novatos de 2011.

Slater e Ace Buchan fizeram uma disputa cafe-com-leite, Slater surfava e Ace brigava com as ondas. Os dois quebraram pranchas ao meio, Ace numa bomba tentando escapar da guilhotina e Slater numa onda bem menor, perdendo seu tapete magico, uma 5’7’’ quadriquilha que deixaria Bocão orgulhosíssimo.
Surfando com sua prancha reserva, uma 5’9’’ triquilha, fininha e estreita (18 1/4) Kelly passou por Buchan em velocidade cruzeiro, sem sequer passar a marcha.
Kieran Perrow não deu muita bola pro Jordy Smith e Dane Reynolds parecia disposto a ganhar seu primeiro evento da curta e assombrosa carreira de competidor, dispensando seu parceiro de crime Taylor Knox.



Quando Kelly entrou na semi contra Jeremy, a historia ja estava escrita e todos sabiamos o final.
Como diria Garrincha, esqueceram de combinar com o adversario e nesse caso, o oponente era o surfista que mais pedras teve que quebrar pra chegar até ali.
Flores virou sua primeira bateria contra Ian Walsh no ultimo minuto, fez CJ Hobgood correr atras do prejuizo com uma das melhores pontuações do evento, virou uma bateria que parecia perdida contra Taj e, por incrivel que pareça, bateu Slater no campeonato que todos juravam ser a cereja do bolo no decimo titulo do Careca.
No final da bateria, Slater estava confuso com sua derrota, achei que vinha onda atras, sempre vinha duas ondas...no começo da bateria eu tinha aquela sensação de que iria vencer, sabe quando voce sente que essa é a sua bateria ? Bem...acho que não.
Kieran, por outro lado, fez a melhor bateria de todo evento contra Dusty Payne e sempre conseguia achar ondas acima de 8 nas suas baterias.
Saibam que Kieran fez seu nome, quase uma carreira, surfando esse mesmo lugar onde foi disputado o Billabong Pipeline Masters de 2010.
São famosas suas tentativas de suicidio nos dias mais medonhos do Backdoor.
Alguns invernos atras, uma foto sua prestes a ser devorado por uma parede de agua que caía dois centimetros na sua frente em Backdoor rodou o mundo em pagina dupla.
O velho Kieran deu cabo de quase todo Modern Collective, Dusty, Jordy e Dane.

A final foi um anti-climax total, vento errado deformando o que restava das ondas e Flores virando uma vez mais nos ultimos minutos, tornando-se o primeiro europeu a vencer no World Tour e no Havai duma vez so.
E pior, para os brasileiros, Flores passou Mineiro no ranking, deixando-o em 10.
Mas, querem saber ?
Jeremy fala portugues fluente, é treinado por Nick Beven, franco-brazuca capoeirista casca grossa e faixa preta de jiu-jitsu de Niteroi e um dos seus grandes amigos é Patrick Beven, irmão mais novo do Nick.
E tem a virtude de ajudar a mudar a geografia dos campeões na ASP.
Afinal, dizem, os europeus são os novos brasileiros do circuito.

8 comentários:

Fazedor de Filme da Esquina disse...

"os europeus são os novos brasileiros do tour".

hahaha. muito bom!

pra variar,Tio Juio afiado nas observações que tinham me passado desapercebidas.

belo texto.

abs!

Anônimo disse...

Demais a cobertura Julio, altos videos.
Abs,

Bruno - RJ

Pedro Cezar disse...

Bela cobertura!!
Pipe ficou devendo esse ano!

Anônimo disse...

NAO CONHECIA, MUITO BOM!!!
QUE SE DANE O MINEIRO E SUAS VIADAGENS. AGORA TEMOS ALEJO E RAONI PRA REPRESENTAR O POWERSURF BRASILEIRO. SURF DE MACHO.
STOKED HERMANO - SUL

Rodrigo Osborne disse...

Fala Julinho!!!

Obrigado por nos levar no bolso, durante essa sua passagem pelo Hawaii... Como sempre, com visão e opinião diferenciadas dos outros 300's cronistas que escrevem a mesma coisa todo santo campeonato.
Eu havia te dito que o Kieren ia bater o mineiro lembra? Vc respondeu: Vai tá marola... E eu disse: O mineiro não compete desde Portugal, ignorou a Tríplice Coroa... Paciencia, o Mineiro ainda é novo, e vai entender o mole que deu.
Faltou uma resposta meu caro: Se os europeus são os novos brasleiro no tour, quem somos nós então no atual momento, aonde nos encaixamos???
Forte abraço
R.O

Sopa do Zarur Connection disse...

Somos os romanos, a beira do precipício, espremidos pelos bárbaros. Pense e dance...

PS. Só quem nunca viu Jeremy em ação nas mentawaii - principalmente HT 6-8'' plus, é que pode desmerecê-lo ou imaginar que ele não tem o potencial.

Anônimo disse...

jeremy tem um jeitinho de tchola....

Ivo disse...

Grande Julio...demais a cobertura.
Esses vacilos do KS são raros mas não são novidade, né? Lembra daquela onda que ele liberou pro Phil Mcdonald na semi de Hossegor em 2003? Deve ter custado o título do ano...esse ano pelo menos ele já tinha garantido o título, mas com certeza ele ficou mordido em perder a oportunidade de fechar o ano com chave de ouro...
Mineiro deve tá com medo do ogro do Dustin Barca...pena...se fosse o Peterson, saía correndo pela praia, mas ia treinar no North Shore de qualquer jeito...o dia que tivermos um atléta com a raça do Bronco é que teremos um Campeão do Mundo.
grande abç e bom fim de ano!