sexta-feira, julho 16, 2010

Diario de Gefersão 1


Cerveja japonesa para comemorar a vitoria espanhola em Paris dia 11


Roxy Jam em Biarritz, dia 10


Jay Bay, dia 15





Minha obsessão


São 4:20 da madrugada, não consigo dormir.
Algumas pessoas vivem para Pipe, outras para as esquerdas da Indonésia, minha devoção mais religiosa é para Jeffreys Bay.
Vi ondas hoje que perturbam qualquer um com agua salgada nas veias.
Não consigo dormir porque sou assombrado por elas.
Cada uma das ondas que não surfei ontem volta para cobrar-me um preço.

Como vim parar aqui é uma longa historia. Tres dias atras estava em Anglet, costa sudoeste da França, acompanhando o Surf Adventures 2 num Festival delicioso de filmes de surfe. Levamos o premio do juri popular e disputamos todas categorias pau-a-pau com Modern Collective, The Present e o escambau.
Voces já sabem mas conto de novo por vaidade.
De Anglet para Paris, um diazinho para ver e comemorar a vitoria da Espanha na final da Copa. Fiz questão de sair e beber com os milhares de espanhóis que circulavam bebados e alegres pelas ruas da Bastilha. De Paris pro Rio por algumas horas, abraçar e beijar mulher e filho amados, almoço, entrar num taxi para aeroporto, Santos Dummont-Guarulhos-Joahanesburgo-Port Elizabeth, carona até J. Bay e pronto.
Prometo não repetir.

As previsões eram uma loucura, 9.5 metros com 15 segundos, direção perfeita, tamanho de Eddie Aikau.
Por sorte mudaram.
4.8 com 15 segundos, uma beleza, voces tinham que ver…
A ultima vez que estive aqui foi em 2001, voltando do Timor, passei um mes inteiro mas isso já é outra historia.
Falemos de agora.
Quando cheguei na praia, o inexpressivo Adam Melling ganhava do Taylor Knox. Pensei, bem…ao menos o vejo surfando mais uma vez.
Andy estava a vontade, solto e concentrado, ainda em busca do seu ritmo perdido, suficiente para embolsar Jadson e Jay Bottle, completamente perdidos na tela de Jeffreys.
Essa é a onda que melhor expõe as falha e limitações dos 45 e de qualquer outro que se arrisca a tentar surfar bem aqui.
Apenas um camarada é capaz de ignorar todas regras e triunfar: Dane.
Dane simplesmente enche a onda de porrada e fim de papo.
I feel agressive on a wave, me recordo da sua frase ainda na primeira etapa.
Junto de Reynolds, Marco Polo fez uma onda muito bonitinha, tres tubos, boas rasgadas, mas…dizer o que ? Logo atras viria Dane e voce esqueceria de tudo.
Tiago Pires surfou com muita categoria, lendo a onda como se a conhecesse muito bem, entubando quando preciso, rasgando suavemente as belissimas paredes enquanto Mineiro não achava o ponto certo da sua prancha e Timmy Reyes tentava demais surfar bem uma onda que pede menos.
Encerrada a bateria, Mineiro pegou uma onda em Supertubes, acelerou, acelerou, acelerou…a onda armou uma placa de 50 metros em Impossibles, Mineiro meteu pra dentro, andou, andou, andou e saiu!
A praia foi abaixo.
Mais tarde na sua segunda bateria Mineiro estava tão confiante que atropelou a sensação local, Shaun Joubert - apesar de Joubert ser mal julgado pacas.

Pode parecer brincadeira, uma arquibancada de sul-africanos (exclusiva para o clube local) fazia soar a vuvuzela ao anunciarem o nome de Jordy Smith para a proxima bateria.
A cada onda surfada do Jordy, soava a Vuvuzela. E assim foi com todos sul-africanos durante todo dia.
Jordy não parece bem com essa prancha, pode ser nervosismo ou ansiedade de competir em casa como segundo do mundo, vindo duma vitoria em Durban na semana passada.
Jordy venceu e fez das maiores medias do dia de qualquer forma.
Slater apareceu do nada. Segundo consta no informativo oficial da ASP, o Careca perdeu voos e tudo deu errado até ele chegar na Africa na mesma manhã da sua bateria.
Não fez a menor diferença.
Kelly ganhou e deu seu show habitual. Logo na primeira onda, deu uma cavada tão vertical e veloz que fiquei em duvida onde estavamos. Segundos mais tarde, tubo longo e controlado me fez lembrar, estamos em Jeffreys e esse é Kelly Slater.
Sentadinho na areia, acompnhando tudo com atenção, se não me engano, Rastovich, the world greatest bimbo, segundo Derek Hynd.
Quero muito ver o Rasta surfando aqui. Bimbo ou não, pouca gente surfa mais bonito que ele.
Falando em jeito de surfar, Taj na minha opinião é outro que tem uma prancha estranha nos pés. Mesmo ganhando sem problemas, o achei por demais em cima d'água, fazendo curvas curtas e sem nenhuma pressão se comparado ao Kelly, Mick e Dane - e vá lá, Jordy.
Fanning esta feroz como a seleção alemã diante da Inglaterra e Argentina, ocupando todos espaços da onda, extrema velocidade, manobras inteiras e total comprometimento como pede o novo criterio.
Nada mais interessou nessa dia maravilhoso de surfe.
Neco manobrava no meio da onda e reclamava das notas. Amanha pega Roy Powers na repescagem e se não passar por ele (que até esta num bom momento), esqueça.
Owen Wright teve uma primeira onda de tirar o chapeu.
Encerrado o dia de competição, corri pro meu quarto para a tão esperada caída.
Não tinha cordinha, perguntei a todo mundo pela frente quem tinha uma pra emprestar, nada.
Corri na surf-shop (apoia sua lojinha local!), ja de portas fechadas, clamei por bom senso, apenas um estrepe, pago em dinheiro!
Sim, missão cumprida.
Cheguei afoito em casa, estrepe na mão, apenas para descobrir que esqueci tambem a chave de quilhas.
Certas ondas, assim como certas mulheres, são apenas para apreciar.


A intenção da organização é de terminar o evento até sabado.
Saca mencionou até as tais das overlapping heats, em portugues claro, baterias simultâneas.
Mal posso esperar pelo amanhecer.

8 comentários:

José Gonçalves disse...

Adler seus textos são impecáveis e convidativos!!! Lembra do fosfosol, será que ainda existe? Vamos ter que perguntar ao rei Pelé!!!! Ahaha agora deu para sentir a idade que estou... Abraço

Anônimo disse...

Cacete que missão essa de correr atrás do material nos acréscimos.

Se tivesse arrumado essa chave de quilha aí, Slater teria dito ´´ Lá veio o goiabada do nada´´

Aproveita,

sds

Henrique vasquez

MARIO XAVIER disse...

PENA QUE SÓ CONHECIA AGORA QUE JÁ NÃO DOU MAIS NO COURO RSRSRSR. MAIS EU TERIA VIVIDO PARA PONTA DE LOBOS. SEM DÚVIDA É MINHA PAIXÃO NESTE PLANETA. ABÇ. MARIO DO SURF TODO DIA.

Fred Schmidt disse...

Excelente texto Julio! Como sempre nos colocando em sintonia com a realidade nua e crua dos bastidores do WT. Parabens por mais este bem humorado e inspirante texto. A essa altura você já deve ter conseguido uma chave de quilhas e debulhado as longas paredes de Jeffreys! Abraço e continue nos mantendo informados, pq a transmissão não estava rolando ontem.

J.A ( o outro) disse...

Como disse nosso amigo Fred, ponto negativo para a organizaçao. - Cade a transmissao!!! Sera que a copa atrapalhou ???
Logo no dia que de tão perfeito, até o impossivel se torna possivel.
No mais, excelente cobertura de sempre. Abraço.

marcelo.bolao disse...

Pra variar...

Mais um texto genial.

abraco

Marcelo Bolao

Marcio disse...

Julio, eu sou fã dos seus textos, mostra de verdade os bastidores (até aonde nos interessa).
Pelo andar da carruagem, vc já deve ter arrumado uma chave de quilha. Se já, passa acelerando pelo Slater (lá pelos idos de impossibles), mira o lip e voa com as pernas cruzadas, com uma mão na rabeta e um dedo no nariz. Quando o Slats te perguntar que manobra é essa, vc fala que é um "Goiabadair frontside finger into the nose".
Aí, aproveitando, o que é Bimbo?

abrazzo

Anônimo disse...

Meu querido Anão Fazedor de Filmes de Esquina, vai comprar uma caixa de color bar na outra esquina. Sem essa desculpa de peso pena, Taj com pressão é igual refrigerante sem gás! Falei...
Saudade e abraços na filhota,
Gordo "Mestre dos Magos" Barreda