terça-feira, março 23, 2010

Je




[Tudo pronto para minha viagem para a Tasmania .
La vou competir o Oneill Cold Water.
Um pouco de ansiedade me consome.
Mas paro e penso.
"Calma Je , a viagem é longa , nao precisa ficar assim."
A viagem é longa , tudo bem...
]

Jeronimo Vargas faz parte duma nova onda de surfistas brasileiros que começa a perder o pudor da exposição pela grande rede.
São jovens (pô! quando imaginei começar uma sentença com são jovens...) seduzidos pela oportunidade de se comunicar com o mundo exterior pra alem das suas proprias viagens.
Estão distantes do outro grupo que ve no blogue apenas uma extensão da sua prancha, onde colar mais um adesivo ou auto-promoção barata são a palavra de ordem.
A exposição vai alem, outro camarada escrevendo buscaria um caminho mais comum, diria que trata-se da exposição da alma. Eu evito as almas e elas a mim - vivemos bem assim.
, assim como Junior Faria, preferem mostrar como funciona a cabeça dum malandro que cai na estrada muito novo e faz do mundo sua casa.
Muita gente faz isso hoje, e faz desde ainda mais cedo, mas a diferença nesses dois são os recursos que ambos tem para dizer as coisas.
Naturalmente não me refiro aos recursos tecnologicos.
Uma boa educação, fluencia em mais de dois idiomas, atenção aos detalhes nos lugares que visitam, vocabulario apresentavel e intimidade com as novas midias é o que conta.
Voces ja conhecem Junior.
Jeronimo é filho do surfista que mais vi entubar na vida.
Valdir Vargas.
Coloco ele sempre assim, numa linha a parte, pedestal destinado aos mitos.
Aqui eu paro tudo e volto para 1981, quando comecei a surfar la no Quebra-mar.
Valdir tinha status de local mesmo não o sendo. Todos eram admiradores daquele surfe eletrico, elastico, fluido, meio Bertleman, meio Kealoha. Valdir entubava em qualquer condição, grande e perfeito de terral ou pequeno e mexido de sul, as ondas eram detalhes menos importantes da sua arte.
Aquilo me assustava, os mais velhos diziam que na epoca da biquilha, shape do Capacete, Valdir era ainda mais extraordinario. Contavam estorias de cut-backs voltando de cabeça pra baixo e encaixando nos tubos, de sessões epicas no Pepinoline e lendas duma esquerda sem fim em Guaratiba.
Eu ouvia calado e arregalava os olhos observando o entusiasmo do Parrá, Zulu e Ivon relatando cada movimento entre um tapa e outro.
Deixemos Valdir pra mais completo e menos nostalgico.
Jeronimo é dos melhores tube-riders desta nova geração, não tenham duvida.
Dizem que não sabe competir, como o pai.
Pouco importa.
Em Noronha, olhando todo mundo surfando junto, gringos e brasileiros de todos niveis, Jê se destacava pela estetica.
Sorte dele que tem uma mãe como Gica, que o levava pra cima e pra baixo para competir, como a mãe do Curren fez 20 anos.
Sendo que Gica foi a pioneira do Body board no Brasil e estava sempre dentro d'água ao lado do marido, ou não.
Eu torço pra gente assim.
Acompanharei de perto.

Jeronimo Vargas ...Nachos y Cerveza 2008 from Jeronimo Vargas on Vimeo.

3 comentários:

Tiago Garcia disse...

Ainda tem o seu irmão, Matheus Vargas que mesmo surfando muito e entubando muito, (a arte de entubar deve estar no DNA da família) resolveu abandonar as mercadinho mesco de surfe do Brasil e das competições e se "exilar" na Califórnia.

André Côrtes disse...

belíssimos surfe e história.

Jeronimo Vargas disse...

Valeu Julio!
To surpreso por esse post!
só tenho a agradecer!
brigado!
abraços!