terça-feira, janeiro 08, 2008

Liquid Time (revisitado)




>Surf Portugal, Setembro de 2006]<

Esqueçam o melhor filme.
O que vi não era melhor nem pior que nada: era diferente.
Mágico…

Eu estava em boa companhia.
George Greenough chamou de fascinante.
Jack McCoy parecia puto da vida: Pôrra, cara, voce fez uma coisa linda!
Alby Falzon, do clássico Morning of the earth, declarou que nunca tinha visto imagens tão maravilhosas.

Liquid Time, filme de 2002 dos irmãos Webber, Greg e Monty, é uma obra de arte e, voces bem sabem, obras de arte não se medem.
São apenas 20 minutos, um tempo que parece perfeito para contemplação.
É um filme de surfe, mas tambem não é, mas é um filme de ondas e onda é surfe dentro da nossa cabeça.
Fiquei tão perturbado com as imagens que demorei mais de dois anos para escrever sobre elas.
Monty Webber diz que a idéia foi do seu irmão Greg, que certa vez o perguntou: quer filmar as micro ondas mais fantásticas que voce já viu ?
Enlouqueceu…pensou Monty.
Entretanto Greg estava certo, aquelas formas continham uma simetria nunca antes vista, faltava olhar (e filmar) com um pé na realidade e outros 25 na fantasia.
A experiência consiste em acomodar-se em frente a TV e deixar levar pelos mais bizarros e maravilhosos 20 minutos da sua vida de surfista.
Com a trilha deliciosa do DJ inglês Tim Lee, tecladista daquela bandinha grudenta dos anos 80, Katrina and the Waves, somos transportados para o mundo que é um misto de Gulliver, Timothy Leary, Greenough, Tom Carroll e Kelly Slater.
Gulliver porque as ondas que aparecem no filme são minúsculas e voce é incapaz de olhar para aquilo sem se imaginar na situação de um surfista miniatura, sozinho naquele mundo improvável de tubos com mais de um minuto.
Leary, o velho chapa que foi responsável pela divulgação e expansão das cucas com aquela famosa droga extinta e pouco recomendável conhecida como L.S.D.
Por que Leary ?
Tenho a nítida impressão que tudo fugindo da nossa faculdade de compreender e que mexe com sonhos e delírios é associado ao Timothy Leary.
Greenough filmou pela primeira vez as ondas como objeto de contemplação, como se o surfista fosse absolutamente desnecessário.
Carroll e Slater são o nosso ideal de surfista quando nos vemos incapazes de passar por uma situação pesada ou arriscada demais para sobrevivermos – mas o leitor pode substituir pelos irmãos Irons, Hobgoods, Parko, Fanning ou Ruben.
Se o surfe, como gostam tanto de escrever por aí, é fantasia e liberdade, Liquid Time é mais surfe do que qualquer outro antes dele.
São apenas ondas.
Sim, eu já disse, pequeninas, ridículas ondas dessas criadas pelos barcos na margem, solitárias, aguardando pelo nosso sonho.
Até hoje, ou pelo menos até 2002 quando o filme foi feito, um filme de surfe tinha ondas e surfistas.
Ou seja, nós somos induzidos a pensar as ondas com a cabeça dos surfistas que lá estão, interpretando aquilo como se fossem suas – e são, pois não ?
Dessa vez não.
A coisa é pura.
Cabe ao espectador criar a própria fantasia, seu universo particular, onde os limites são apenas os da imaginação (daí o Leary e o LSD), ninguem interfere no que voce vê.
Afirmei que o surfe é liberdade e nada é mais livre do que o olhar.
Os irmãos Webber conceberam uma nova maneira de olhar para as ondas, inverteram o processo do camarada que filma e o que assiste, em Liquid Time os dois se (con)fundem.
Enquanto filma, Monty deixa-se levar por toda história dos filmes de surfe, todos surfistas, todas pranchas e nós, admirando e delirando, experimentamos cada surfista, cada single fin, bonzer, fish…Durante os 20 minutos somos Gerry Lopez, Irons, Ward, Saca, Dora, MP, Shaun, Mineirinho, Occy, Curren, todos e somos o surfista que sempre sonhamos ser

11 comentários:

Anônimo disse...

Os caras sabem tudo de surf.
Sabem tudo de cinema.
Na boa, morri de inveja.
Tá aí um filme que eu queria ter feito.

Flávio Machado

SE surf disse...

Essas ondas são o sonho de todo merrequeiro. Galera aqui da área ia crowdear o pico, hehe

Anônimo disse...

Júlio, não dá pra colocar aí uns trechos do sensacional Cambito?

Fazedor de Filmes da Esquina disse...

Reforço o coro do nosso amigo Flávio aí em cima. Tá aí um filme que eu queria ter feito...

Engraçado ver que na "edição de filmmakers" da Surfing, de 2 meses atrás, ele não figura NENHUMA das listas dos top filmes da história...

Enquanto isso, segue uma matéria de 8 páginas sobre o novo vídeo do T.Steele pra Billabong - o qual, segundo a maioria (dos que tiveram coragem de falar), é bem foi uma decepção...

vai entender...

Flávio Machado disse...

Pois é....

Acho que faltam free surfers nas ondas e alguém que entenda mais de cinema e menos de rock´n roll nos filmes da Billabomg.

Dica de bom filme de surf ?

Shelter. Sem dúvida nenhuma.

Flávio

Anônimo disse...

Sempre o tal papo de soul surfer...

E o mercado do Rio entrando em colapso com lojas fechando, sendo assumido por loja "Soul Surfers", com sua propagando em camisas e estilos de "Soul Surfers", e patrocinando... "Soul Surfers" invisíveis... ou prque não existem ou porque ninguém conhece mesmo!

Nego têm de limpar a boca antes de falar dos profissionais, sejam tupiniquins, sejam "gringos", e das grandes marcas.

Graças a estes, fazedores de filmes de esquina e mega produtores podem produzir, e meia dúzia de meias bocas "Soul Surfers" podem sew deliciar com seus delírios.
E graças a estes profissionais de fato, empresários e marcas "Soul Surfers", exploradores FDP, podem se tornar os "inventores" deste nicho do mercado, e afundar o esporte por completo!

Mercado "Soul Surfer" reinventado diga-se de passagem por um ex profissional tricampeão do mundo!

Bando de hipócritas!

Anônimo disse...

Que mané afundar esporte que nada... Tá equivocado e muito. Alguém por acado depende do "mercado" para surfar?

Soul surfer não existe do mesmo jeito que não soul jogador de futebol e muito menos soulworker.

Existe surfista e não surfista, mas. E tem tanto idiota dentro dágua hoje em dia que seria até bom se o mercado ficasse um pouquinho menor e o pessoal que adora uma tendência migrasse para o esporte da moda, tipo um kite surf da vida.

O mercado que se foda. Isso é papo de empresário frustrado...

dr. russo disse...

Querem falar de mercado? Então antes por favor leiam o último texto publicado no Phoresia sobre a gigante antes australiana, agora estado-unidense graças ao KS, que está começando a vender seus produtos diretamente ao consumidor pela "grande rede". Ali se tem uma boa idéia sobre o que (e quem) norteia o tal mercado do surf atualmente, e principalmente uma das últimas frases do derradeiro parágrafo sobre apoiar o comércio local, que deveria ser extrapolado para além do surf, para tudo o que consumimos.
Outra visão parecida e esclarecedora nos dá Fred D'Orey numa de suas últimas colunas na "mais vendida" entitulada "Casamento Infernal".
Leiam e adquiram cultura com essas discussões ao invés de ficar se degladiando nos comentários.

Flávio Machado disse...

Mercado ?
Profissionais ?
Comentários postados por "Anônimos" ?

Gente muito nervosa, cheia de agressividade e rancor contra sei lá o quê (nem soube explicar direito).

Vai surfar. E vê se não rabeia ninguém, ok ?

Vai ler um pouco.

Arranja uma namorada e gasta essa energia toda em algo mais produtivo.

Vai ser feliz.

Anônimo disse...

Sr. Adler, ví esse filme algum tempo atrás mora, e desde então, encomendei umas pílulas de miniaturização ortomolecular a qual venho realizando experiências satisfatórias no assunto em questão. No inverno passado que nem foi tão bom em tremos de grandes ondas aqui no estado, surfei sózinho e totalmente incógnito, as micro-ondas no canal do Jardim de Allah..Mando fotos em breve.

Um grande(ou pequeno), abraço

- minos - XXL surfer

nana disse...

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