quarta-feira, dezembro 19, 2007

Cuidado com o Marketing Verde

[Cortesia do Roberto Moura, o texto do Phoresia daqui debaixo, traduzido]

Existe uma grande diferença entre consumismo e consumo desnecessário. Uma prancha de surfe, por exemplo, serve um propósito bem específico. Para simplificar, vamos dizer que uma prancha de surfe é uma ferramenta – um veículo, que permite que você viaje pela superfície de uma onda. Este veículo específico pode ser feito de maneiras e formatos diferentes para gostos e pessoas diferentes.
Um indivíduo só pode usar uma prancha de surfe a cada momento. Em alguns casos é bom ter mais que uma prancha, se a pessoa quiser surfar em várias condições ou apresentar outros estilos (longboard, shortboard, retrô, etc). No entanto, no final a prancha ainda é a ferramenta específica que, combinada com nossa força muscular e conhecimento sobre as ondas, possibilita a experiência que chamamos de surfe. Uma experiência tão rica e compensadora que desenvolveu uma indústria e um estilo de vida multimilionários. Um argumento pode ser facilmente feito: partes do mundo do surfe estão cheias de consumo desnecessário.
Mesmo sabendo que precisamos consumir, é necessário que o consumo seja excessivo? Não pretendo fazer uma pergunta despropositada, mas às vezes me vem à cabeça que o “marketing verde” nos dá a impressão de estarmos fazendo o que é moralmente correto quando compramos um objeto que reverte parte do lucro para uma causa ambiental. Pare por um instante. Você realmente necessita de um relógio de marés para verificar as marés quando você pode verificar isto pelas bóias e o vento em sua busca diária pela Internet? Além disto, as marés são cíclicas e depois que você aprende os ciclos da sua maré local, você só precisa verificar as marés uma ou duas vezes por semana para saber sobre elas e extrapolar para saber como serão as marés. Há muito a ser dito sobre estar antenado com o oceano. Um equipamento digital só interfere nesta conexão.
O ponto a que estou querendo chegar é que somos bombardeados diariamente pela idéia de comprar, comprar, comprar! E à medida que a sociedade começa a despertar para os problemas do meio ambiente e a consumir menos, os vendedores começam a despertar também para maneiras de tirar a culpa de comprar dizendo que nosso dinheiro irá para uma causa ambiental e que estaremos fazendo mais bem que mal consumindo o próximo produto. Eu proponho uma série de perguntas que devem ser feitas antes de pegar aquele dinheiro suado do seu bolso. E para evitar dar lição de moral, vou levar direto ao nível individual. Antes de comprar alguma coisa relacionada ao surfe de uma maneira ou outra, pergunte-se:
Isto vai fazer minha experiência de surfe melhor?
Isto vai mudar minha experiência de alguma maneira?
Isto é necessário para surfar?
Para onde vão os 5%? Cobrem o salário dos diretores, do pessoal administrativo, ou vão para o marketing? Ou o dinheiro está sendo usado para ações diretas como plantar árvores e ajudar a limpar o ambiente danificado (o que me traz à mente os recentes vazamentos de óleo da SF).
O surfe é sobre as ondas. É sobre o paddle, o take off, o trim e o kick-out. É esta curta seqüência de eventos, combinados com a imersão total do corpo na natureza que leva o surfe a transcender os movimentos da moda e a colocação e venda e produtos.
O ativismo ambiental é algo totalmente diferente. E não significa gastar dinheiro em um objeto que satisfaz nenhum outro propósito além da necessidade de comprar. Quase todas as comunidades têm uma organização ambiental local. Veja o que a organização da sua área está fazendo. Envolva-se. Faça uma doação monetária. Vá surfar.

4 comentários:

Anônimo disse...

Muito bom!

Anônimo disse...

A tradução é tua? Se for conserta o "involva-se" no final.
O texto está excelente.

Anônimo disse...

Não entendi nada!

Tico

Alexandre disse...

É incrível como as raízes... todas elas... se perderam...
Isso é uma das poucas coisas que conseguem realmente me entristecer...