domingo, janeiro 28, 2007

MOTE (clica aqui e compra o filme)

[Escrito no dia 3 de Maio de 2002, encomenda da Surf Portugal pela ocasião do lançamento da edição comemorativa de 25 anos do 'Morning of the Earth'em DVD]



MP de peito aberto

Enquanto os americanos realizavam aqueles filmes caretas, com narrativas didáticas, uma verdadeira profilaxia de informações, David Nuhiva caminhando na prancha, cultura de praia enlatada para Hollywood, nessa mesma época, final dos anos 60, a Austrália afundava-se na contra cultura, no L.S.D. e pranchas com 2 pés menores.
A primeira manifestação veio com 'Evolution'(1969), de Paul Witzig, que chocava a audiência com o primeiro ataque de backside registrado em filme, Wayne Lynch com apenas 15 anos!, Março de 69, na costa oeste de Victoria.
Em seguida, George Greenough, um milionário excêntrico de Santa-Barbara, muda-se para 'Down-under' e investe seu tempo e dinheiro criando uma obra-prima: “Innermost Limits of pure fun”(1970), muito provavelmente o mais importante filme de surfe de sempre.
Nat Young relata em seu livro, 'Nat’s Nat and that’s that'(Nymboida press, 1988), 'Foi nessa época (1971) que me fascinei pelo cogumelo Psylocida cubensis, conhecido como ‘Gold Top’. Havia uma regra no nosso pequeno grupo, se achássemos um no caminho para a praia tínhamos que come-los. A experiência com esses cogumelos foi semelhante às de Bunker Spreckles no Hawaii com o Peiote. Eu me sentia como um herói, um guerreiro, era capaz de tudo…'
Esse tempo descrito pelo 'Animal' Nat Young, é fabulosamente documentado no filme 'Morning of the earth'(1972) de 'Albie Falzon.
É exatamente sobre esse filme incrível que vou estrear essa nova coluna onde a Surf Portugal vai contar histórias de diretores, surfistas, vídeos, cameras, filmes, músicas e ondas que compôem a arte dos filmes de surfe.


Nat goiabando

Freiras e cogumelos

Albie Falzon trabalhava numa editora, fazia o desenho gráfico das páginas de uma publicação para Igreja Católica e um belo dia saindo para almoçar, conversava com duas freiras, que lhe perguntaram: qual o seu sonho ? o que voce deseja fazer da sua vida ?
Albie, perpelexo, olhou pros lados, pensou, pensou, olhou pra cima e respondeu na buxa: - Gostaria de fazer um filme maravilhoso e positivo sobre o mundo…
E elas disseram, ‘voce vai realizar seu sonho, meu filho’, foi então quando ele começou a filmar 'Morning of the earth'.
Desde que os primeiros filmes de Bud Browne chegaram na Austrália em 1957 (Surfmovies, Albie Thoms, Shore thing, 1999, AU), Albie Falzon sabia que queria filmar e editar uma daquelas jóias. Já colaborava como fotógrafo para Bob Evans, editor da ‘Surfing world’ e pioneiro na exibição e confecção dos filmes de surfe na Australia.
Associou-se a outros surfistas, David Elfick e John Witzig, e criaram a primeira publicação ‘up-to-date’ australiana, o jornal 'Tracks'.
O Tracks tinha uma linha editorial voltada para ecologia, debates sobre drogas, nudismo e tudo que viesse da cultura ‘hippie’, que fundia-se com o estilo de vida dos surfistas.
Comprou uma Boileau 16mm e começou a filmar os amigos, logo estava viajando para filmar o campeonato nacional em Bells, mas decepcionou-se com as imagens e resolveu que competição, definitivamente, não era seu filão.
A sequencia inicial de 'Morning of the earth' foi filmada numa cratera de vulcão no Kauai com filme infra-vermelho e editada com imagens que Falzon costurava na intenção de criar a ilusão de que o espectador estava testemunhando a própria criação do mundo.
' O filme comça mesmo quando Nat Young dropa duas esquerdas em Whale Beach.' Conta Falzon.
A costa norte de New South Wales era completamente dasabitada e tinha ondas incríveis, como Angourie, Broken heads e centenas de ‘points’ para direita. A vida simples na fazenda, criando galinhas, colhendo cogumelos, fumando ganja, morando em casas de árvore, como Chris Brock, e principalmente surfando ondas perfeitas e desertas.
Nat Young e amigos são retratados no filme como uma comunidade alternativa, sem as preocupações de uma vida atribulada com as guerras, do Vietnã e Coréia, sem as crises na política Européia e sul-americana, completamente alheios ao movimento circular do mundo, detidos apenas nos movimentos das marés.

Michael Peterson

Michael Peterson mostra ao resto dos surfistas espalhados pelo mundo que o trilho de Kirra acelera a velocidades absurdas, seu cut-back de frações de segundos ficou eternizado como o momento mais influente do surfe moderno.
Curren atingiu a maturidade quando conseguiu aprimorar os movimentos de MP. Slater ainda procura o seu…


Ulu anos antes das hordas de lutadores

Descoberta

Continuando sua obsessão pelo inusitado, Falzon, queria fugir do tradicional Hawaii/OZ. Precisava de algo mais…transcedental. Se oriente, rapaz.
Numa das sequências mais memoráveis do filme, Albie Falzon leva o grommet Steve Cooney, 15 anos, e Rusty Miller, outro americano apaixonado pela Austrália, para a ilha de Bali. Este é o primeiro documento das ondas balinesas, idéia de um dos seus sócios, David Elfick, agora produtor associado de empreitada.
As imagens de Uluatu, com Cooney e Rusty caminhando no reef, ondas no fundo, camêra lenta, é o momento sublime do filme.
Só pelo fato de revelarem as ondas quilométricas ondas balinesas, 'Morning of the earth' já nascia clássico.
Mas tinha mais…

Fitz, Lopez e Barry

Quando voltou de Bali, Falzon conseguiu ainda um finaciamento de 20.000 Dólares para terminar seu filme e devolveu 200.000 ao Australian Film Development Corporation com faturamento de público.


Fitz no trilho

Terry Fitzgerald tinha o jogo de corpo mais elegante da nova geração, poses de um ginasta e uma ridícula projeção nas curvas- nem tanto quanto Barry Kanaiapuni, o havaiano que dominou Sunset como Lopez fez em Pipe.
A última parte do filme é dedicada ao Hawaii e traz um jovem Lopez tomando a coroa de Butch Van Artsdalen como novo e inquestinável Pipeline Master, ainda em 71.
Barry Kanaiapuni eleva a arte de surfar Sunset à alta Performance, desfazendo o que seus ancestrais criaram como mero divertimento e devoção religiosa, tornando-o um verdadeiro ataque às paredes poderosíssimas que desbavam sobre sua cabeça.
Fitz foi o primeiro, são tantos os primeiros nesse filme…, campeão profissional mundial, se houvesse circuito em 75. Em Morning…. Ele surfa Rocky point com um backside inovador e altamente estiloso, isso sem mencionar Sunset.

A trilha sonora foi feita sob encomenda, depois do filme editado, e lançada pela Warner australiana e foi o primeiro filme australiano a receber o disco de ouro. Como o filme não tem narrativa, as canções contam a história e retratam tão bem essa época que até hoje voce pode achar o CD nas lojas certas.
“O filme definitivamente capturou os hábitos daquele tempo e sem qulaquer tipo de comentário ou diálogo. É uma percepção. Tem mais sentimento no filme do que em qualquer representação acurada.” Diz Steve Cooney.

Foi lançado em 97 uma edição especial comemorativa dos 25 anos de Morning of the earth pela distribuidora inglesa Chilli Video – hoje responsável pela produção dos programas do WCT/ASP.

Albie Falzon continua trabalhando com surfe, dirigiu Metaphysical para a Quiksiver em 97, entre outras coisas, por exemplo, outra obra-prima, “Can’t step twice on the same piece of water”, uma brincadeira com “Gato em teto de zinco quente”

32 comentários:

Anônimo disse...

uma pergunta que não quer calar...

será que o fred d'orey pagou algum para o albie fazon pra fazer umas camisas com o nome do filme dele?

Anônimo disse...

tomara que sim... o discurso do dono da marca deveria ser o mesmo de quando ele escrevia do outro lado da mesa.

Anônimo disse...

Eu acho que o Michael Peterson recebeu os royalties dele em roupas da totem.

Jose disse...

Eh Julio,
O Innermost Limits of pure fun esta no Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=jzVOW9RRi1U

Abraco,

Anônimo disse...

Voces são invejosos!

El Capitan disse...

Soube que Mr. Falzon recebeu uma seleção de revistas com fotografias e textos do Fred, todas autografadas.
Fred espera troco.


ass.El Capitan

Anônimo disse...

porra, ninguem comenta o filme ?!
deixa o playboy pra lá!
Falei ?
Forzza Azzurra

Anônimo disse...

UM CLÁSSICO !!!
Para melhor apreciacão do produto , uma receita:
3 cervejas (original)
1 "cigarro"
familia toda fora ....
e bota o DVD no forno ....
BON APETIT

Juan Tamarindo

Anônimo disse...

Quem já viu, sabe: Os grommets dormem com cinco minutos de filme... E já está mole mole de baixar via torrent na net.

viva a piratocracia!

Anônimo disse...

Para baixar, clica no link - http://thepiratebay.org/tor/3513666/Morning_of_the_Earth - mas a copia é uma merda.
Pra quem quiser apenas ter e nunca assistir, como os grommet que dormem, é excelente pedida.
Os que não dormem, Trekinho, Pigmeu, Mineirinho, estão em outro nível.
Sipping jetstreams já tem pra baixar!
Ciao Bambino
Giancarlo

Anônimo disse...

eu comprei a camisa da totem e mandei pro MP de presente.
Ele se amarrou nela e apertou outro, difícil foi desamarrar o gorducho.
D.T.

Anônimo disse...

Qual é o problema do cara fazer camisas com o nome de um filme clássico que ninguém conhece? O máximo que pode acontecer é meia dízia de curiosos correr atrás do filme e divulgar para mais meia dúzia e por aí vai... Achei uma boa sacada sim já que iniciativas como essas acabam fazendo bem e mostrando para as pessoas bons filmes, boas músicas e etc... qual é o mal de levar um dinheirinho? Pagar royalties? É muita inveja e hipocrisia de um bando de recalcados mesmo...

Anônimo disse...

Agora entendi: mal de levar um dinheirinho? Pagar royalties?
Mal nenhum, afinal isso é coisa de civilizados, né ?
Uncool.
Mais uma vez aposta-se na ignorância alheia para levar um dinheirinho.
Turco Louco, tão atacado pelo Fred fez furtuna assim e ainda faz.
Se o filme, ou a foto, ou a capa do disco, for desconhecido, melhor porque ainda presta-se o serviço.
Osklen, Cavalera e Totem, tudo haver.
MP

Anônimo disse...

Deixem os caras em paz!

Anônimo disse...

ae Julio, se posiciona ae!

Anônimo disse...

é julio, tá todo mundo esperando uma posição sua... têm uma pra dar? hehehe

tô fazendo umas camisas só com logomarca de filmes gringos... irado. quem quer?

precinho da Osklen... R$ 89, cada.
baratinho...

Manoel Bandeira 2

Dico Del Plata disse...

AHAHAHHAHHA!
Cadê o presidente para esclarecer o assunto?
Goiabada na cara dos recalcados.
Viva a Totem, que vai acabar cobrando do Albie pra divulgar o filme.

Anônimo disse...

O filme é demais , a camisa em questão nunca vi.
Se for ilegal que multem , se não que venda muito .
Mas voltando ao filme , é alucinante. Merece ser apreciado várias vezes .
Boa Julio .
Marco Luciano

Anônimo disse...

Pra tentar prever o futuro , entender o presente , só olhando pro passado...
FILMAÇO , AÇO AÇO
Rob Rotten

Anônimo disse...

"top gold, ganja e contra o movimento circular da terra", isso sim é viver alheio as más influências do mundo(?)moderno...pagar royalties, fazer camisas promocionais, faz parte e muito bem, sempre que forem em cima de coisas positivas pra nós, que gostamos de andar em águas....

2' de cana

Fazedor de FIlme da Esquina. disse...

Filmão Tio Juio!

Como vc e nosso amigo Juan Tamarindo bem colocaram, MOTE não dá pra assistir assim, correndo, de qualquer jeito. Não é Mc Donald's, nem BB Lanches (por melhor q seja..). É pra degustar. E cada vez que se assiste, é uma experiência... (falando assim parece babação de ovo de pseudo-filósofos do surfe, mas não é não..)
E ó que tô falando isso de quem assiste careta. Pq o troço já dá onda sozinho, por si só. Imagina devidamente estimulado então...

Agora, voltando à questão dos amigos acima: homenagem e "divulgação" ou uso indevido? Nessas horas, os 2 lados tem razão. Ou não?

Mas e ai, quem vai mandar um email pro Albie pra saber se ele recebeu a camisa autografada do filme?

Totem fazendo camisa do Morning... Vai que a moda pega.
A Osklen fazendo do Trocando as Bordas amanhã, a Mormaii fazendo do Lombrô depois, a Onbongo fazendo do Realce mais tarde....
Ia ser engraçado...

Ah não, foi mal. Isso não vai acontecer. Maneiro mesmo, só filme e programa gringo...
E de preferência, se ninguém souber do que se trata.

leo disse...

Esse filme sempre ocupou lugar de honra na estante. Agora então, com essa profusão de vídeos com pererecas voadoras ao som de hip-hosta, assistir a esses caras usando as pranchas como se fossem uns pincéis no quadro, ficou ainda mais clássico.
Depois desse show de detalhes do Julin, claro que vou ver de novo já. Aliás, é o tipo de filme que cada vez que se vê, parece uma coisa nova. Lógico, de acordo com o grau de chapahouse.
Camiseta? Só tem maluco.

Anônimo disse...

muito bem dito leo !

Juan Tamarindo

Anônimo disse...

Eu quero uma camiseta "SURF NO HAWAII" !!!

Esse é o melhor filme de surf!!
E ponto final.

hehe

Anônimo disse...

zzzzzzzzzzzzzz! (sono).

Anônimo disse...

Alguém consegue uma camiseta dessa pra mim? Pago 20 mangos!

Anônimo disse...

Ô xente ! Se não fosse da Totem, e sim do Zé da Tela ou sem lá quem, tu não compraria a camisa? Eu compraria, pois é memória, lembrança e pronto. Se o cara pagou ou não o direito, o problema é dele. Alguem tem uma do Fabuloso ai pra vender? Ou do Quintal de casa?

VHNVN disse...

Tõ sabendo que malandro registrou a marca de cerveja da indonésia (BINTANG)pra vender shorts, camisa e sungas. Se dizem soul, surf e a PQP!! Parece que são da Joatinga, mas só vendem na área virtual!! Vergonha total!! Já não bastasse o sofrimento daquele povo, com terrorismo, tsunamis, miséria e guerras políticas, resolvem abastados playboys roubarem um dos poucos simbolismos indonésio. Façam seus protestos, eu já escrevi para eles!! Segue o link....www.bintang.com.br
Valeu Galera!!

Anônimo disse...

A marca Bintang não tem nada a ver com a cerveja da Indonésia. Se vc não sabe, Bintang em indonésio significa estrela e na indonésia existem milhares de coisas com o nome Bintang (hotéis, restaurantes, supermercados, etc). A logomarca não tem nada a ver com a da cerveja. Se tivesse, valeria com certeza o protesto. Abraço.

vhnvn disse...

Julio, seu texto me fez tirar a popeira do ármario limpar o cabeçote do vhs e ver novamente este clássico!! O melhor do teu texto foi descobrir coisas do video que nunca tinha decifrado!!
Psylocida cubensis forever.

Juca disse...

the horror... the horror...

Diógenes SkauSurf disse...

Fui a um evento promovido por uma grande loja de surf e uma marca de pranchas aqui em Santos, evento esse destinado à "velha guarda" (eu incluso), na sua maioria integrada por longboarders com mais de 35 anos.
Começa o filme e para minha surpresa, uma molecada que estava lá - a maioria filhos dos "da velha guarda" começa a pedir para que o reponsável pela exibição do filme desligue - sim, isso mesmo - DESLIGUE - a trilha sonora e coloca um "Marcelo D2 aí brother!"

Confesso que senti vontade de vomitar, além de sentir pena dessa molecada, essa geraçãozinha lost/volcom, que de surf nãos ente nada, e de nada entende e sente pouco...

Diógenes Peruca
www.surfarepensar.blogspot.com
C5 - QM / Santos Surf City