sexta-feira, maio 26, 2006

Dois canudos


[No meu próximo livro, publicarei uma palestra que fiz na Universidade de Quixadá sobre o comportamento das aves peralvilhas aos 26 anos vivendo em cativeiro com internet banda larga e TV paga e sua inter-relação com exus opinativos.]

Até agora não entendi como o Troy Brooks virou pra cima do Joel.
Isso só comprova a teoria, toda bateria que tem uma reação no final, com a emoção dos minutos esvaindo-se a flor da pele, tende a um resultado polêmico.
Sujeito lidera os 25 minutos, faz e acontece, o outro, pobrezinho, acuado, reage e os Deuses conspiram a favor do mais fraco.
Parko já tem o seu filme, sua frota de carros, casa própria.
Tem tambem um jeito de surfar original como não víamos a tempos no circo, assim como Fanning, mas falta alguma coisa.
Talvez devesse passar tres meses lendo sobre os feitos do Mark Richards no circuito mundial no final dos 70 e início dos 80.
Da maneira que vai, podemos estar assistindo a outro Cheyne, menos goiaba.
Mineiro foi uma grata surpresa e quem se ressente disso, lamento.
Na primeira bateria fez o Cêjota suar a camiseta de lycra até o último minuto em esquerdas caindo em placas, tamanho de respeito.
Não esperava uma evolução tão rápida em ondas como essas. Na minha opinião, passou no teste com louvor.
Se alguem acha que não, por favor aponte outro camarada da mesma idade que surfe e compita melhor que ele.
Digo mais: se o rapaz tiver a delicadeza de observar tudo como um aluno aplicado (Slater era assim, ainda é), pode aprender muito, suficiente para ainda terminar entre os top 16 - afinal, aí vem Japão, Europa e Brasil.
Pedrinho, por outro lado, parece disposto a provar para a ASP que mereceu a vaga.
Não precisa.
No Tahiti, perdeu numa bateria ridícula contra Greg Emslie e agora em Fiji foi aniquilado pelo Bobby numa bateria de poucas ondas.
Pedro quer mostrar, a cada bateria, que é capaz de surfar melhor do seu oponente. Pode até ser, como era no caso do Tahiti, mas dizia Shaun Thomsom ainda nos distantes e temíveis anos 80: Surfe radical não ganha campeonato.
Um dos maiores estrategistas de todos tempos, Shaun (que acaba de perder tragicamente seu filho num acidente em Durban) queria dizer aos garotos que chegavam ao circuito, Carroll, Curren, Lynch, que de nada adiantava surfar no limite da radicalidade se voce não soubesse as regras do jogo.
E as regras, amigo, se voce ainda não percebeu mudaram muito pouco.
Continuam entrando dois malandros na arena e apenas um sai vivo, simples como na Copa do Mundo.
Bobeou, rodou.

El Chicano Martinez vem fazendo um estrago em 2006.
[Pausa para eventual sarcasmo: me ocorre que essa corja que ama um trocadilho deve ter pronto uma manchete 'Bobbby não bobeia', palmas publicitárias, o autor tira a cartola, curva-se e agradece envaidecido]
Vejam o que esse camarada de Santa Bárbara fez até agora: um terceiro, um nono e uma vitória.
Em Tavarua, pega Danny Wills e se for uma batalha de tubos e nada acontecer de errado, vai pra frente.
O problema é que passando, encara ou o Cêjota ou Fanning, que tal ?
Peterson é outro que deixou a vitória escapar-lhe pelos dedos contra o Peterson australiano, Luke Stedman.
Luke está em 12º no ranking e ao que tudo indica está na ponta dos cascos, como diria nosso garanhão italiano aposentado, JS.
Tenho urticária quando vejo Stedman surfar.
A previsão para terminar o WCT de Fiji não é das melhores, o que pode favorecer Eugene e em nada abala Andy, que parece meio desinteressado mas assim que sentir cheiro de sangue vai despertar seu instinto carnívoro.

16 comentários:

Anônimo disse...

E os deuses acederam!... Parabéns, como sempre!

MP

Anônimo disse...

julius hynd ataca novamente.

é de graça!

viva.

Anônimo disse...

e o yuri?
por onde anda??

Anônimo disse...

Julius, PARABEN"S finalmente temos um jornalista latino a altura de Sarge e Hynd.

Paulinho disse...

Julius, faça uma análise dos tops 44 fora e dentro d,água alá Mr. Hind.

Anônimo disse...

Falta vontade ao Parko com faltava ao Bob machado...urticária ao Stedman surfando ..MUITO BOA...

Anônimo disse...

Mineirinho sem dúvida nenhuma foi o melhor brasileiro em fiji..agora alguem pode me falar porque o M.nunes ainda vai para o Tahiti...

Copos disse...

Muito boa análise Julio!
Parabéns desde Portugal!
Boas ondas!

Anônimo disse...

rapaz, cê já pensou em ganhar algum escrevendo para alguma revista ou site? porque aqui no brasil tem jornalista nem cronista escrevendo nada que preste.

esqueci, tb não tem revista nem site que...
xá pra lá...

bom texto.
abs

rogério reis
recife-PE

Anônimo disse...

ADORO O BLOG!!!
O comentário é de mulherzinha, mas é verdade.

Camila Rocha

Andre Costa disse...

Fiz questão de assitir as baterias do Mineiro, após sua atuação medíocre no Tahiti minha língua já estava afiada para mais um ácido comentário com sua falta de atitude. Aí ele vai a Fiji e eu já esperando-o protagonizar nova vergonha! Eis que o Guarujaense esquece sua origem e arrepia contra o Hoobgood champion of the world, fazendo com que minha postura crítica se amenize porém ainda com sérias dúvidas quanto sua postura em ondas de verdade. O Hawaii ainda esta por vir!!!

De qualquer forma já é um começo. Espero que mantenha a consistencia. Pois contar unicamente com o Raoni (o melhor surfista Brasileiro) é muito pouco para nossa honrada nação!!!!

RAONI NELES !!!!!!

john secada disse...

melhor q mineiro em reef:laurie towner,dorrigntons twins,ry craike,dane reynolds e mais uma dezena para quem le revistas gringas.

Anônimo disse...

Aê André, aleluia!!! Dê um tempo pro menino mostrar o que sabe (rs).

Abraço,

Luiz Mendes.

Anônimo disse...

Vitão secada,
fluir e hardcore é gringa ?
e alma surf ?
Beijos
Mariah Carey

Anônimo disse...

laurie towner,dorrigntons twins,ry craike,dane reynolds.... tô apostando pra ver contra o mineiro em bateria... Esse Lance Abog de falar de nego de fora quando o mundo aponta o nosso garoto como a grande revelação é demais. Acho que ele tá no caminho certo pra ser alguém respeitado no Tour, até (quem sabe) um dia almejar o título... na idade dele não tem pra ninguém. é isso.

Andre Costa disse...

Aí, não acredito no Mineiro como o futuro do surf brasileiro, mas uma coisa o colega ai de cima está certo: temos que para de enaltecer os forasteiros e valorizar o produto nacional.
Que eu saiba o Blogger não discute ABOG e sim ante-Abog.

Sou a favor do mesmo tratamento que recebemos no Hawaii ser dado a eles aqui na etapa brasileira.

Mas vão aparecer inúmeros ABOGs, em especial aquela revista que não cito o nome de jeito nenhum, pois poderia me dar 100 anos de azar!