quarta-feira, maio 03, 2006

Benito

[Escrito com toda insatisfação contida numa correspondência não desejada invadindo seu sagrado espaço, esse desconexo texto parece atacar o sujeito oculto do último parágrafo- enganam-se.
Ataque nunca foi meu forte, tenho péssima pontaria.
A turma não engole a ironia porque não sabe mastigar e a engole como insulto.
Voce discorda das idéias, da exposição que elas ganham nesse mundo de aflitos, mas pode, e deve, separar o homem da obra.
Gosto de lembrar sempre do Borges, detestado pelas idéias (vade retro) e idolatrado pela literatura (amen).
Querem outro ?
Jabor, sujeitinho duma vaidade desmedida, dono de um texto afetadérrimo e previsível como uma casca de banana, provavelmente deve ser um bom papo - pra quem tem bolas de ouro e saco de amianto.
Mas vejam o exemplo do Jabor: foi um péssimo diretor de cinema, mas em contrapartida é ainda um pior escritor.
A horda de assustados saboreia. Fiquemos com Borges, apenas.
De volta ao nosso mínimo universo do surfe, incomoda ver gente de fora cantar de galo nesse terreiro.
Somos desprezados pela grande e pequena imprensa que coloca gente completamente despreparada para coberturas dos campeonatos, roupas são vendidas aqui com toda aura de sol e mar, sempre com um surfista imponente enquanto o surfe carioca afunda em areia movediça.
O Rio, o surfe do Rio, nunca esteve tão desamparado.
Por outro lado, deixamos as novelas mais 'bonitas' com bonecos de inflar simulando situação de praia. Nesse mesmo lado, o Rio de janeiro virou conceito de marca, que quer ser 'carioca' sem sujar os pés de areia, nem as mãos de graxa.
Bacana ser malandro sem precisar se envolver com a malandragem.
Frequentar butiquim limpinho.
Ainda assim, aparece um Pedrinho daqui, um Trekinho dali, os irmãos Vargas, que mesmo sem a efervescência dos 80 (Company/Cyclone/Redley/Visual/Realce) conseguem com sua própria força de vontade o destaque merecido.
Tudo que peço é um pouco, só um tiquinho, de moderação quando se referirem ao passatempo do Duke, como fez a Tim, que gastou dinheiro e fez uma bela campanha onde surfistas sentem-se honrados, fato raro, vindo do meio empresarial.
O texto abaixo foi encomendado pelo Tucano, que entre centenas de empreendimentos, apoiou o primeiro livro de poesias do Pepê, sem no entanto cobrar 'retorno'.]


Texto para revista ‘Star-point’ - Maio de 2005

‘Quero ver o sorriso estampado
Pela cara dessa gente
Quero ver quem vai, quem fica
Ou quem chega de repente’

Tudo está no seu lugar, música de Benito de Paula, pelos idos de 76.


De Paula, momentos antes do desfile da coleção inverno 2007 da Griffe 'Meu amigo Charles'.

A grande contradição é entre o egoísmo e a abnegação.
Uma dúvida dolorida que nos atormenta da hora em que colocamos a cabeça pra fora do ventre materno até o grandioso momento de abotoar o paletó de madeira: dividir ou esconder ?
Sem pensar duas vezes, um guarda o conhecimento como o personagem da trilogia ‘Senhor dos anéis’: Precious, precious…
Enquanto o outro, logo ao lado, mostra sorridente à todos sua preciosidade.
Tal tesouro pode ser o disco do Coltrane com Johnny Hartman ou uma praia no litoral norte de Zampa.
O ano, 1960, John Severson ouve Laurindo de Almeida no rádio enquanto pensa em publicar um programa mais elaborado com fotos, para divulgar seu terceiro filme, Surf Fever, que chamaria de The Surfer.
Shirley Mac Laine deslumbrante fazia dupla histórica no cinema com Jack Lemmon em ‘Se meu apartamento falasse’, do diretor colecionador de Oscars, Billy Wilder, enquanto o mestre dos sustos, Hitchcock, lançava seu clássico ‘Psicose’.
Severson se surpreende com a popularidade da sua publicação e nasce ali uma periodicidade sem interrupções de 45 anos.
A fotografia clássica do jovem empreendedor sentado numa cadeirinha na praia catando milho na sua Remington enquanto ondas podem ser vistas ao fundo, talvez um dos momentos mais influentes de toda história desde Duke elegante em Waikiki.
Trabalhar na praia.


As cores da turma do sal-e-sol eram tão variadas quanto permitia a emergente psicodelia.
Mickey Dora estabelece ordem hierárquica na Meca do estilo, Malibu, enquanto Phil Edwards começa a se aborrecer com toda pompa que sua antiga rotina parece atrair.
Dividir ou não ?


A cultura de praia do jeito que conhecemos hoje começa ali.
Os principais articuladores terminam como anarquistas, artistas reclusos, rebeldes ou solitários convictos.
A lista é grande: Brian Wilson enoluquece, Dora foge, Edwards some, Leary vai em cana, Severson vende tudo, Bunker morre e Hendrix avisa: voce nunca ouvirá surf-music novamente.
Lojas brotam como erva daninha, revistas engrossam, pranchas diminuem, cabelos crescem, mentes se expandem…
Tudo isso, embrulhadinho, vende que é uma beleza.
Os sessenta, os setenta e agora os oitenta (em breve os noventa), são produtos, deixaram de ser décadas.
O seu esporte predileto, ou o meu, passa agora pela caixa registradora e vem com nota fiscal.
A legitimidade é um certificado lavrado por designers descolados.
As sentenças são repetidas como mantras, curtas e definitivas – e mentirosas, como acima.
Recebo em casa um catálogo da H. Stern com nova coleção de relógios, um papel caríssimo, bela diagramação, inspirado no Arpoador anos 60, surfistas, calçadão tradicional com pedras portuguesas, belas mulheres.
Tenho ânsia de vômito.
O texto nos comunica que o autor é surfista.
Dois anos antes uma revista semanal de diário carioca informa que o surfista da frase anterior é ex-surfista, como se fosse uma fase, um mero período de transição para um estado superior de, imagino, escala social.
Sou ex-croto, temo afirmar, copiando descaradamente meu oráculo, Fausto Wolff.
Não sei ainda quem vai nem quem fica, mas reconheço na mesma hora quem chega de repente.

15 comentários:

mandyandres91280034 disse...

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Anônimo disse...

o pior, é que de repente, mais "de repentes" vão se tornando os novos oportunistas do nosso, meu, esporte favorito....

Anônimo disse...

Julio,
Ao interpretar o seu denso texto com interessantes pontos de vista, que considero-os Macro, ressalto que no nosso mundinho, de forma Micro, temos variáveis extremamente nocivas ao futuro do Surf Carioca, a saber:

Industria de "tocos" de surf instalada nas favelas do Recreio;

Algumas importadas da Zona Sul (a que parece uma pegadinha), e olha que faz o maior sucesso com o chamados "playsons" (que piada infeliz);

Existe também a neo K&K (extremamente piorada), que vende igual água aos iniciantes em relevante rede plágio Carioca;

Nenhuma valorização do nosso único produto que está em linha ou superior aos gringos e que estão os 3 ali na Vargem Grande, nem precisa andar de um para outro, pois os 3 estão reunidos no mesmo lugar;

Portanto isso ainda vai mostrar uma conta muito CARA ao Surf carioca e nacional. Vejo um monte de bacana economizando as vezes R$ 200~300 (nao que ache pouco), deixando de lançar mão do melhor que pode vir a ter em matéria de foguete para Encomendar um Belíssimo, as vezes também colorido, TOCO

Depois nos deparamos na praia com um monte de gente presa que não consegue jogar 0,5 litro de agua pra cima...

A revolução tem que começar por baixo, nós mesmos estamos aniquilando nossa identidade, então para podermos sair em crítica ao sistema primeiro deveríamos olhar para dentrop do nosso frágil, volúvel, corruptível mundinho!!!!!

Itauna bombou Domingo 30/04 !!!!
Hennek o melhor shaper do país !!!!
Raoni o melhor surfista brasileiro !!!!

Bobão kokojin o anti surf brasileiro !!!!
Alex Tubaína o encantador de baleias !!!!
Prancha da pegadinha o toco da vez !!!!
Playinha o reduto da demagogia !!!!
Apresentador Formiga a piada Nacional do Surf !!!!

Anônimo disse...

fluir , hardcore , osklen , toten ,paulistada antenada gringa , feira de surf claujones , surf favela , formiga na espn , zona de impacto com dj e teco , role de verao , perdigao x confederaçao , prancha da favela , apresentadores de programas ditos radicais , guarana , kojin , ze roberto anibal , poluiçao em todas as praias , locais que nao sabem respeitar ninguem e que nao sabem surfar ,formiga , jet ski nas marolas ,etc . etc . estamos mal mesmo ... ainda querem campeao mundial .... vamos estudar e tentar começar tudo de novo

Anônimo disse...

enquanto a classe media toma seu chopinho nos baixos da vida os funkeiros tomaram contas das praias do rj ... falar falar falar de nada adianta ! Com jeitinho vamos resolver ... alguem tem alguma boca livre pra me arrumar , sou formador de opiniao tambem !

marcus viana disse...

fala Marreco,

isso de desmembrar o personagem da ideia eh fundamental. irons e hobgoods parecem ser parte de uma boa analogia, do q eh fazer e daquilo q se eh. ou nao.

agora, parece q o restante do texto, nao sei se inequivocamente, suscitou certos preconceitos nos leitores. nao creio q seja o objetivo.

aquele!

Andre Costa disse...

No Comentário 3 esqueci de me identificar: portanto aí vai André Costa a verdade doa a quem doer!!!!

Lucas disse...

Acho que, primeiramente, pra quem é desconhecido no assunto, é ineficaz ouvir sobre demagogia, prancha de favela, anti-surf, encantadores, etc., porque exatamente por estar dentro do esquema, incorporado no sistema existente, nao se consegue adquirir uma visao diferenciada, critica. Digo isso por mim, e nao é por defesa nao, mas porque eu mesmo faço parte do que há, e porque também procuro - até agora sem encontrar - alternativas. Muitos estao buscando coisas significativas dentro e fora da cultura "surfe" que existe, mas sabemos que o resultado é mínimo. Penso que devemos propor alternativas, pois é deste modo que consiguiremos algum resultado - nem que seja somente em benefício próprio dos interessados. Alías, estou aqui com interesse neste aprendizado, mais até do que nas simples críticas, por mais que elas sejam válidas. Grande abraço!

Anônimo disse...

É isso mesmo, muitos querendo vestir o "glamour despojado"(que adjetivinho nojento eu arrumei-Eca!) do Surf ou da malandragem, mas quase ninguem a fins de aprender, buscar história, referências e até mesmo ralar nos outsides da vida, concordo com o Lucas temos muito para aprender, mas sempre com uma visão crítica do sistema (temos que analisar por vários ângulos).
Grande Abraço Julio, parabéns pelo texto irado-Gringo CEP

Claudio da Matta disse...

Em relação a uma parte de um comentário: eu encomendo prancha de fundo de quintal mesmo, mais barata, do amigo ou conhecido. Não será algo de ponta, como uma de qualquer um dos tres da vargem grande, mas ainda assim pode e fica muito boa (como a deles tb pode ficar muito ruim). Eles não começaram na vargem grande. Ninguém nasce criado. Quer dizer que é isso: alguém pega um foguete lá dos tres da vg, entra na água e arrepia?! Só falta me falar que só funciona se for na Prainha.

Roupa de surfe?! Artigos de lojas de surfe?! Te digo, se depender de uma pessoa como eu, esse negócio não sobrevive. Surfe e roupa pra surfista são coisas bem diferentes na minha visão.

Surfe no Rio tá mal? Tá! Quem investe?! Quem tira dinheiro do bolso pra botar em eventos (campeonatos municipais, estaduais, nacionais, em conformidade com o que os órgãos responsáveis estipulam), em atleta, em evento válido em ranking estadual, nacional?! Tem gente que dá brinde pra premiação e acha que apóia o surfe.

Estou meio por fora desse papo da CBS contra Perdigão/R.Hickel (ou é contra a ASP mesmo?). Mas foi bem estranho ver o R. Hickel falando no Sportv que os eventos profissionais validos pelo mundial, realizados no Brasil, não têm nada a ver com a confederação brasileira, que a ASP não tem nada a ver com a CBS ao realizar eventos no país... Como assim?! Alguém vai ter que sair perdendo nessa história. Se não, o surfe não vai sair ganhando nunca.

Abz!

Anônimo disse...

Frase do celebre filosofo Paul Macarr

tudo e' tudo nada e' nada !

Anônimo disse...

"A raça humana é formada pelos que são malditos e pelos que deveriam ser"

Cerva T.

Bruno disse...

Concordo com o comentário que diz que o texto fez brotar alguns preconceitos nos leitores... da mesma forma que temos prancha "das favelas do Recreio" ruins, temos pranchas do mesmo lugar excelentes... Alguém aqui já surfou com as pranchas do OGM? O cara mora lá no terreirão do Recreio e as pranchas dele são excelentes. Os 3 de Vargem Grande são excelentes, mas não são pefeitos e também tem pranchas ruins... Ou alguém acredita que eles metam a mão para fazer todas as pranchas que lhe são encomendadas????? Só lá no Recreio eu conheço uns três caras que fazem manutenção de pranchas e são back shape do triunvirato.
Outro ponto importante, o morro está descendo e surfando na praia, o funk está se tornando a trilha sonora do surf, pelo menos no Arpoador e na Macumba... E daí??? Quem surfa só deve ouvir Jack Johnson ou Donavon? Quem são beach boys?
Acho que seria mais importante para os críticos resaltar que o surf está fazendo com que muitos desse moleques do morro ocupem seu tempo e sua cabeça com algo de bom.
Agora uma coisa eu concordo, Zona de Impacto com Dj e Teco e ESPN com Formiga nã dá... E o que falar das gírias da senhorita Diana?
O surf merece muito mais... Não podemos esquecer de outras marcas que usam a imagem do surf e pouco investem no esporte como a Quebra-Vento e a Aldeia dos Ventos...
Acho melhor parar de falar e me preparar pro próximo fim de semana... Acho que vai rolar umas ondas!

Andre Costa disse...

Back Shape !!!!!

Bem, pode até ter sentido porém cabe ressaltar:

Back Shape do TRIUNVIRATO, com certeza são muito melhores que qualquer um dos "artesões" que tantos estão defendendo.

Uma simples analogia não quer calar:

Reserva do Ronaldinho: Kaká
Reserva do Ronaldo: Adriano
Reserva do Adriano: Robinho

Reserva do Tuta: Cláudio Pitbull
Reserva do Dodo: algum desconhecido
Reserva do Obina: Peralta

Portanto não preciso dizer mais nada.

TUDO É TUDO, NADA É NADA !!!!!

Bruno disse...

"Uma simples analogia não quer calar:

Reserva do Ronaldinho: Kaká
Reserva do Ronaldo: Adriano
Reserva do Adriano: Robinho

Reserva do Tuta: Cláudio Pitbull
Reserva do Dodo: algum desconhecido
Reserva do Obina: Peralta

Portanto não preciso dizer mais nada.

TUDO É TUDO, NADA É NADA !!!!!"

Excelente comparação... Só não consegui encaixa-la no assunto em questão.

Abraço e boas ondas.