sábado, março 05, 2005

Ao vivo

Cheyne Horan, o maior goiaba de todos tempos, olha assustado pro Chris Ward: Não me venha com esse papinho conservador...
Martin Potter, o garoto que com 16 anos assombrou o mundo do surfe batendo o tetra MR em casa com surfe de modernidade aterradora, acabara de perguntar (questionar, segundo manual de redação muito em voga) ao novato Wardo quais eram suas novidades, manobras, para o WCT 2005 - desde que o californiano é famoso pela inovação.
'Vou tentar surfar bem (!!), o nível está muito bom, todos surfando num nível acima...' declamou seu discurso decorado, Ward.
No meio de dois dos malandros que mais inventaram na história do surfe, Cheyne com suas arredias e inacreditáveis monoquilhas e Pottz, tardiamente aderindo às triquilhas e insistindo em aéreos e outras variações do que conhecemos por surfe moderno duzentos anos antes do Christian Fletcher, sentado entre esses dois, dizia eu, Ward, prisioneiro número 39 da ASP, não podia dissimular.
'Pottz, lembra daquele aéreo na França ? a melhor manobra do ano e eles deram apenas 6.5.'
'6.37....' corrige o campeão mundial de 89.
'Hoje esses caras ganham 9 numa manobra.'
Chris Ward foi obrigado a admitir sua veia desbravadora e empurrado pelos dois velhinhos à sua excepcional bateria na segunda fase do Quik Pro: 9.5 e 10 - com direito, naturalmente, a aerosol e tudo.
A transmissão de 2005 da ASP/Quiksilver chega num momento interessante do surfe profissional, todos envolvidos com o conteúdo entendem do riscado, dentro e fora das quatro linhas, ou bandeiras, se assim preferirem.
John Shimooka, melhor surfista de marolas do final dos anos 80 e amador extraordinário no mundial de 86 na Inglaterra (ficava atrás apenas de Nicky Wood e anos na frente do moleque da Flórida, sim, Kelly Slater, com 12 anos).
Mark Richards, tetra-mundial, venceu no Japão, Austrália, Pipe, Sunset e Waimea, biquilheiro convicto.
Tom Carrol, primeiro goofy a fazer de tudo um pouco, arrastar título mundial duas vezes duma tacada só, ganhar em Sunset, tri em Pipe.
Cheyne Horan, o Vasco da Gama da ASP, quatro vezes vice-mundial, zen-bombeiro, tube master.
Barton Lynch, uma das cabeças pensantes (??) do surfe profissional nos anos 80, articulado e sorridente, o cara de bolacha foi campeão mundial em 88, vice duas vezes e top 16 por uma eternidade, uma das mais espetaculares vitórias da história de Pipeline com uma prancha shapeada pelo bom velhinho George Downing.
Dá prazer acompanhar.
Aqui no Salvelindo, Paunolima continua a FEBEAPA (Google nela! é do Stanislaw Ponte Preta) na TV paga...
A gente sofre, mas se diverte.

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