sexta-feira, maio 21, 2010

Resenha DVDs

[Resenha DVDs revista Hardcore]

Modern Collective & The Drifter




Não satisfeita em dominar quase sozinha o mercado internacional de DVDs de surfe, a Poor Specimen lançou em 2009 dois arrasa quarteirões duma vez só.
Taylor Steele dirigiu The Drifter e produziu Modern Collective, os dois filmes mais esperados do ano que passou.
The Drifter é inspirado na viagem que Rob Machado fez pela Indonesia em busca de si mesmo.
Tudo no filme parece calculadamente despretensioso, da atuação do protagonista, as coisas que dão errado e tambem as que dão certo.
As sessões de surfe são poucas e faz muita falta imagens de dentro d’água do cabeludão Machado. As cores no filme são fortes, sempre com aquela textura que hoje domina o mercado da propaganda de cerveja no Brasil, puxado pro dourado, pra vender mais bermudas da Hurley.
A edição parece um ligeiramente aflita e trocar de angulos e raramente uma imagem se detem por mais de 3 segundos, com rarissimas execeções.
O filme é um lançamento da Warner e tem uma trilha bem decente, liderada pelos Raconteurs de Jack (White Stripes) White e Brandon Benson, os pesados e sujos Black
Keys, The Shins, Iron and Wine, Jose Gonzales e Bon Iver, misturando o melhor da musica que ja foi chamada de alternativa e hoje domina ipods de gente descolada (seja la o que isso quer dizer) no mundo inteiro.

The Drifter (2009)
Direção Taylor Steele
Trilha sonora - MGMT, Matt Costa, Morning Breeders, Raconteurs, Black Keys, The Shins, Iron and Wine, Jose Gonzales e Bon Iver.
Extras - melhor do que a atração principal
Porque assistir - Rob Machado ainda é um dos surfistas mais agradaveis para ver surfando sem parar, prefira o bonus, sem lenga-lenga, puro surfe.
Não deixar de convidar seus amigos que amam o surfe de raiz.



Modern Collective - The First Visions from Poor Specimen on Vimeo.




‘Essa é uma mensagem para os jovens, gente abaixo dos 25... certamente para gente com menos de 40. Se voce tem mais de quarenta, não estou certo se voce deveria ouvir isso...’
Assim começa o filme mais copiado dos proximos 5 anos.
Kai Neville é Dane Reynolds dos DVDs de surfe na entrada dessa nova decada.
Taylor Steele se deu conta que sua formula estava desgastada e chamou esse garoto australiano para assumir seu famoso filme anual de porrada comendo solta.
Neville chamou Dusty Payne, Yadin Nicol, Mitch Coleborn, Dane Reynolds, Jordy Smith e Dios Agius e fez uma especie de familia Felipão do surfe da nova geração.
O resultado é fenomenal.
Kai é cuidadoso em todos detalhes do DVD, fotografia impecavel, edição elegante e criativa, trilha duca (apesar de meio boiola as vezes).
O jeito de apresentar os clipes foge da bobagem que acostumamos a ver e as sessões são divididas por lugares e não por surfistas, como Steele sempre fez, o que da uma dinamica bacana ao DVD.
Jordy Smith faz coisas que até agora estou em duvida se vi mesmo ou sonhei.
Dusty e Coleborn estão melhores no BS (novo filme da Volcom) mas, tambem, perto do que Jordy faz no filme todo resto sofre.
Dane não parece muito entusiasmado com a ideia do filme, ainda assim vale por cada manobra.
Dion Agius é um grande equivoco, deve ser muito gente fina e camarada do diretor de outros carnavais.
Se tivesse que apontar algum defeito, seria a quantidade de ondas editadas com apenas uma manobra, as vezes da vontade de ver os caras mais tempo na onda pra variar.
Os extras do DVD merecem atenção, pipoca e guaraná.

Modern Collective (2009)
Direção - Kai Neville
Trilha sonora - Tiga, The Castaways, Primal Scream, Split Enz, Sebastien Tellier, Annie, M83, ZZT e G.L.O.V.E.
Extras - Mais de meia hora com sessões que não entraram no filme e uma só pro Jordy.
Porque assistir - Kai é um artista, Jordy é um artista, Dane é um artista, Mitch é um artista, Dusty é um artista - Dion queria muito ser um artista e até usa gorro pra provar.
Não deixe de convidar os amigos que gostam de cerveja, gorrinho e acham que alley up é coisa de coroa.

Um comentário:

charlesphj disse...

modern é mesmo meticuloso e fodão.

ver ondas sendo sparring do jordy e cia é absurdo. e sua avaliação, Julio, é cirurgica e incrivel como os aéros do querido bebê cantante jordy, hoje maduro e parrudo.

o filme é incrível, e me trouxe aquela vontade adolescente de surfar no mar poluido e crowdeado do Rio. tem valor.


sacanagem com os coroas de sunga, compará-los ao adeptos do "alley ops"; a tradução pro surf daqueles mini pula-pulas de academia, usadas por marombados esquisitos e tatuados que socam o ar.