quarta-feira, agosto 30, 2006

Sem cordinha

Primeiro veio a onda de surfar sem cordinha.
Surfista que era surfista de verdade, qualquer um que achava ter alguma coisa a mais do que os outros, surfista mesmo, não usava ‘leash’.
Logo em seguida, coladinho, voltaram biquilhas, bonzers, monoquilhas e até os pranchões, em plena evolução, tiveram que se adaptar para dar um toque de legitimidade.
Pronto.
Filme que não tivesse uma estrela do surfe sem uma tampa de caixão tentando parecer casual, nem era considerado filme de surfe.
Aqueles tocos devolveram o autêntico espírito do surfe.
Depois, o violão.
Ah o violão…
Me aponte mais de cinco surfistas que não arranham num violão.
Foi uma avalanche. Até banda, queira acreditar, formaram.
Machado, Slater e Peter King, The Surfers, um CD que muito provavelmente não é ouvido por nenhum dos tres, nem pelos amigos, nem por fãs.
O fã prefere vê-los surfar, inclusive o Peter King, que surfava com um jeito muito parecido com o do Joel Parkinson.
Foi instituída a palavra ‘cool’ como referência para disfarce.
Essas esquisitices que passam como uma brisa de terral, contagiam um bocado de gente.
Geralmente faz bem ao mercado, que suspira aliviado e aos surfistas, que acabam por exprimentar novos equipamentos e tiram a mais óbvia das conclusões: o nosso, de hoje, é um milhão de vezes melhor do que o de antes.


Nunca surfou com uma dessas ? então, segundo o novo testamento, considere-se um merda.

Um dos camaradas que mais influência teve nesse processo de resgate das pranchas foi Joel Tudor, um Zidane do pranchão, categoria pura.
Num desses encontros onde o pupilo homenageia seu venerado mestre, Tudor quis mostrar como se comporta atualmente uma réplica do modelo que Wayne Lynch mudou a história do surfe no filme Evolution, do Paul Witzig.
Acho que o encontro foi em Tavarua.
Lynch virou pra Tudor e espetou: Isso era um toco naquela época e continua a ser um toco hoje.
A frase se completa no clássico Litmus, do Andrew Kidman, Wayne Lynch sentado na sua tenda a moda indígena e vestido com o mesmo poncho marroquino que vestia quando ainda tinha 15 anos no Evolution: Me interessa evoluir. Eu ainda quero surfar melhor. Acho que minha melhor fase foi aos 40 e ainda quero aprender coisas novas. Olho apenas para frente.

Por algum motivo que me foge a compreensão, os novos filmes de surfe considerados obras primas pela excelência estética audio-visual caem no mesmo abismo de tentar explicar o que é o surfe pra todo mundo.


Filmar surfe ? só com super 8. Alma pura.

E é aí que a porca torce o rabo.

Quando, por ingenuidade ou pretensão mesmo, tentamos colocar em palavras, ainda que acompanhadas por imagens magníficas e músicas maravilhosas, mas quando tentamos decifrar a magia por trás disso que sofremos, seja vício, vagabundagem, hábito ou militância, toda vez que tentamos explicar essa doença contagiosa, nos embananamos.

Os Malloys são mestres na arte de fazer filmes chatésimos com imagens duma beleza rara.
Thomas Campbell é o novo eleito para salvar a alma vendida do surfe e devolvê-la aos donos.
Campbell superou-se no processo de realizar um filme de surfe, trazendo sua arte única e incrivelmente rústica e sofisticada para dentro, ou para frente, das imagens deixando tudo com as cores e formas que apenas ele vê.
Desde de Surfers – The Movie, que a Gotcha bancou em 89, não vejo debaterem tanto sobre um filme (e celebrarem!) como Sprout, do Campbell.
Sprout mostra a riqueza e o ecletismo do esporte (aqui um esporte) de correr as ondas.
A turma gosta porque se enxerga imediatamente em algumas das cenas.
Esse purismo, essa aura romântica que tem vendido muita camisa e bermuda me enjoa um pouco.
No filme dos Malloys, A Broke down melody, lindo de morrer, os caras pregam tanto, são irritantemente fundamentalistas quando tentam empurrar suas convicções goela abaixo do espectador.
Fica a clara impressão de que, a partir de agora surfar com prancha, cordinha, quilha e toda essa parafenália ficou for a do tom.
O negócio é surfar de peito, o corpo humano em contato direto com a natureza, sacou (You dig ?) ?
Música tambem, dispensem o violão, que é mecânico, e concentem-se apenas na melodia: assobiem.
Puro.
Na outra ponta da corda, a mais fraca, aparece um camarada, Surfista com S maiúsculo, Timmy Turner, que usa long-john e capacete para poder dividir seus delírios com todo mundo.
Improvisa e adapta.



Sem querer criou uma pedra fundamental dos filmes de surfe com Second Thoughts.
E filmou e viajou com dinheiro contado, servindo mesas no restaurante da Mãe, em huntinghton.
Recriou Bruce Brown com sua sincera voz narrando uma aventura de verdade.
Em nenhum momento tenta explicar o que é o surfe, ou que ele representa sociologicamente.
Suas ponderações são sobre as ondas, porque sofrer para surfá-las, porque enfrentar sol e chuva, porque escolher a maré vazia, porque escolher a maré cheia.
Surfe, né ?
O mais incrível é que Timmy Turner conseguiu comover a comunidade de norte a sul do globo com ondas que já conhecemos e nem suportamos mais ver.
Vale o olhar, a maneira como Turner viu e compartiu as ondas.


Essa prancha mata soul surfers

Seu olhar é tão peculiar, que uma das partes mais perturbadoras do Second Thoughts é numa onda que sequer é surfada com, digamos sucesso.
A direita que lhe rendeu uma linda capa na revista Surfer, é tão espetacular que mesmo fechando, deixando o surfista pra trás, rouba a cena.
Não há viva alma com sal nas sobrancelhas (ave Pepê) que não exercite toda sua imaginação com aquelas imagens.
Ali, o que vemos não são ondas perdidas, são desejos.

31 comentários:

Bruno Ryfer disse...

Enquanto uns são muito bons, outros são muita porcaria...
ALguns desses lugar-filme-comuns massageiam o ego; às vezes o nosso, outrora, dos seus patrocinadores. Mas tem coisa boa por aí, não sejamos tão radicais.
Prova real é assisti-los com a tv no 'mute'...
Nem todo mundo tem uma monoquilha doublw wing swallow na garagem. E por mais que nossos equipamentos de hoje sejam infinitamente de superior qualidade... é uma delícia poder usa-la de vez em nunca.Já assistiu o "singlefin: Yellow" ?

Anônimo disse...

Caralho Julio , me toquei ao ler sua magnífica matéria , que estou totalmente fora de moda !
Uso as espetaculares triquilhas desde que abandonei minha biquilha nos anos 80 , só caí sem cordinha qdo tava muito pequeno , ou porque tinha esquecido em casa , nunca tive um violão , ou seja tô por fora .
Mas acabei de comprar um rayban maneiríssimo...
abs ,
SUKER

Anônimo disse...

Quando a 3 quilhas voltar a ser "in" , estarei na moda !
Filme de surf e como qualquer outro , tem os lixos e os luxos , e é claro que tem mais lixo do que luxo.
Tentar explicar o surf é devaneio , quem surfa sabe , quem nunca surfou , nem imagina !

FORZA ITALIA

Anônimo disse...

Aí Julio que tal vc postar uma lista dos 10 mais ...lixos e luxos da industria de videos de surf.
De sempre.... vc como colecionador , admirador estudioso do assunto , eu gostaria de saber sua opinião.

André Côrtes disse...

sabe o que eu mais gostei deste post? é que ele nao fala nada de competiçao!!!!nem de onda grande ou pequena, nem do que é e do que nao é surfe.Mas fala do que , de fato, é o mais comum em todos os surfistas, aquele sabor gostoso de sonhar com o mar perfeito, de ser tao maneiro surfar quanto VER uma onda perfeita, ou vibrar com um surfista comum pegando um tubo mais ou menos na sua frente, essa capacidade que a gente tem de se encantar com a vibraçao do mar, sendo menino sempre, sem olhar nem pra tras nem pra frente, pura alegria.

Anônimo disse...

Essa onda "vintage" virou uma praga, o skate também tá nessa há algum tempo e hoje você paga uma fortuna por shapes antigos que há 5,6 anos custavam uma ninharia...Mas tudo bem, quem sou eu pra falar mal do saudosismo se até hoje perco o meu tempo garimpando discos de vinil pela cidade que eu facilmente encontraria no emule?

Paulo de Tarso Duarte disse...

Pior de tudo é ver neguinho andando de skate (long) e fazendo uma força para fazer pose de largado e paracendo um pedaça de pau em cima do bichinho!
Surfe aqui até que vejo pouco com modelos realmente retrô, principalmente singles e stingers e afins, no Rio aqui na ZS são poucos. Usam mais as fishes retrô cada uma mais toco que a outra! Já vi umas três que pela espessura pegaram o tronco de um árvore e só tiraram a casca... qq dia desses acordamos aqui sem só com tocos de árvores...!

Anônimo disse...

Acha saco para aguentar "Os Malloys", fazem estilo querendo ser "puros"..irritantes...

Anônimo disse...

Essa coisa de surfe "cabeça" é intragável, porra, parece papo de "filósofo" de botequim e "poeta" de Baixo Gávea, aqueles malas playboyzinhos como roupinhas da Osklen escrito protocolo de kyoto posando de "surfistas" politicamente engajados .


Haja saco!!!!!

Anônimo disse...

Podes crê amizade... estes Protocolos de Miojo são supimpas mesmo... macacos me mordam! QQ sabor três minutos em água fervendo, e nunca pegam o gosto...

Anônimo disse...

vendo stinger winger swallow com quilha de encaixe BEN AIPA....R$5.000...Outra Bonzer Legitíma toda vermelha Bin Bonzer, R$12.000.....Single Fin Lighting Bolt usada por Gery Lopes na final do Pipe Master de 76, essa é cara...R$20.000....Gordon & Smith Swallow, quilha de enciaxe da Fins Unlimited....R$5.000...Contatos na recepção do Pinel, pedir para falar com o paciênte 22!! Tenho outras...troco por pastilhas de lítium...ou carregador portátil de bateria para tratamento caseiro de elétro- shock!!

Johnny Utah disse...

"Aí Julio que tal vc postar uma lista dos 10 mais ...lixos e luxos da industria de videos de surf.
De sempre.... vc como colecionador , admirador estudioso do assunto , eu gostaria de saber sua opinião."

Isso!

Anônimo disse...

Esta galera tá muito
"High Fidelity"... que cada um veja o que quiser e tenha a sua opinião... listinha disto e daquilo... porra gosto do que vejo e não preciso que me digam o que é bom ou ruim... desde "Samba, Trance...", "Cambitos" e suas sequências até Sprout mesmo, Shelter com suas baboseiras!
Quero imagens do esporte que faço a anos para ficarem grudados na retina! Dos ruins abaixo o som e tira a legenda!
Listas que vão para ... ou para a casa do car...!

PACIENTE 22 disse...

vendo stinger winger swallow com quilha de encaixe BEN AIPA....R$5.000...Outra Bonzer Legitíma toda vermelha Bin Bonzer, R$12.000.....Single Fin Lighting Bolt usada por Gery Lopes na final do Pipe Master de 76, essa é cara...R$20.000....Gordon & Smith Swallow, quilha de enciaxe da Fins Unlimited....R$5.000...Contatos na recepção do Pinel, pedir para falar com o paciênte 22!! Tenho outras...troco por pastilhas de lítium...ou carregador portátil de bateria para tratamento caseiro de elétro- shock!!

cezar ipanema disse...

Bom... Será que vai ter onda amanhâ?

Fonson disse...

Não dá pra ficar julgando cada um pela prancha que usa, pelo surf que faz...
surf ta na cabeça de cada um, e a qualidade do seu surf definitivamente não é proporcional a quantidade de divertimento...
Se as modas estão aí, há sempre do que tirar proveito...
Pelo menos, um bando de playboys aprenderam a fazer miojo!

mr.k disse...

...

fazer estilo, tirar onda, gastar o visual, enfeitar o pavão, cagar regra...

tem nego de todo jeito, tipo, raça, tribo, bairro, praia.

....... disse...

cada um na sua, mas por favor não entra na minha onda.

respeito é fundamental e eu gosto.
aliás, todo mundo gosta de respeito, mas nem todo mundo o tem pelo resto do mundo.

em qualquer atividade sempre vai ter estilos e formas diferentes de se entender a realidade.
então porque o ato de correr ondas seria diferente?
ondas diferentes, pranchas diferentes, bases diferentes, pessoas diferentes.

não existe só um jeito de surfar.

.

mr.k

...

Anônimo disse...

Fala Julinho...

É aquilo que te falei hoje no finde... Pra mim, o camarada só deve pegar com essas pranchas, se estiver em dia com o surfe de pranchinha... Ou seja, é um privilégio conquistado por quem está matando no surfe performance... Aí tudo bem, pode surfar de biquilha, de bonzer, de pranchão, de mono etc...
Mas o camarada que tá fora do rip, e começar a sufar com essas pranchas "supersoul", me desculpe, mas é caminho sem volta... elas podem ser a o maior "barato" de surfar, mas o surfe de performance do cara vai pras cucúias rapidinho...
Essa onda de prancha maluca fica maneiro nos pés dum Rastovich da vida, mas prum surfista comum é pura ilusão consumista.
E venhamos a concordar, que o que vale, é justamente essa busca de "surfar cada dia melhor", uma busca pro resto da vida, e com pranchinha.
Dom Carlos

DC disse...

Se eu fosse o Tom Hanks em Naurfrago, com certeza teria construído, antes até de fazer fogo, uma porta de madeira para tentar descer aquelas ondas.
Lembram daquele visual de cima do morro? Só triângulos! De todos os lados!
Isso sim seria soul.
Abraço.

Anônimo disse...

Caros amigos,
Aproveitando essa onda vintage, também coloco alguns itens raros à venda... Aí vão os top 10:

1) fita super8 que registrou o surfista paulo proença arriando um barro, antes da sua bateria no Waimea5000 de 1978, diante de um arpoador lotado.(e ele passou a bateria).....R$ 1000,00

2) fita super8 que registrou o então presidente da ASBT, sergio noronha pai, dizendo para um juíz durante a final de um evento em 1986: "fuma, mas fuma um fininho que o campeonato tá acabando" .........R$ 2000,00

3) Fita super8 que registrou o surfista Persegue surfando de sunga de croche em guaratiba classico em 1964.......R$ 1000,00

4) Pacote com correspondencias entre Rico de Souza e Paul Gordinho Cohen, planejando a realização de vários eventos "FAKE" no Hawaii, dos quais sempre saia vencedor, o próprio Rico de Souza da Rede Globo..... R$ 2500,00

5) O video "throw the window" falando da vida de varios feras do passado que se arremeçaram pela janela. + dvd bonus atualizado, com apostas e perfis dos futuros dropadores de janela........... R$ 1200,00

6) Historico escolar do Zé Roberto Anibal..... R$ 10,00

7) Historico escolar do Alex Guarana ............. R$ 8,00

8) guia de "town in" da Hardcore..... R$ 0,99

9) a novíssima versão do classico filme "the surfers", nessa versão, enfocando a vida e a arte do melhor surfista brasileiro do momento: FORMIGA...... R$ 1,99

10) DVD paparazi que capturou o apresentador PAULO LIMA tentando sem sucesso surfar umas marolas no north shore de Maresias na companhia de SUPLA ..... R$ 4FREE

Um kibe, Um cigarro e uma macumba, pronto, já tô pronto pra mais bateria.

Bob Lund

Anônimo disse...

Até que eu gostei da aventura e das ondas no second thoughts, mas que tava tudo com cara de armação, isso tava. Deixaram escapar uns barcos para charter de surfistas suspeitos, enquanto eles surfavam ondas perfeitas sozinhos!?!? E como ficaram lá 1 mês filamndo sem carregar as baterias?!?! Pra mim fazia tudo parte de um roteiro, até a parte do boato do orçamento curto e os cambau...
Pra entrar na moda, os caras falam o que os manés querem ouvir, e ainda recebem aplausos...
Ai Mr Adler, o dia que tu tiver a disciplina do Juca Kifouri pra blogar varias vezes por dia, tu fica rico rapaz!!! A galera gosta do teu texto, mas entrar varias vezes e ver que não blogou nada, faz qualquer um dizer: "Só podia mesmo ser surfista, esse vagabundo!"
Santos Surfer

Anônimo disse...

Viu só o que a falta de onda e de um bagulho do bom faz com um surfista? Chamei até o surfista brasileiro que tem o melhor texto, de vagabundo.
Tá certo que tb contribuiram para meu mal humor matinal, as grafadas que os brasileiros tomaram em tdoa a perna européia do QS. A virada que acabou de rolar do Jeremy Flores em cima do Mineiro foi qq coisa de rídicula...
Santos Surfer

L disse...

Moda é foda, no surf e na vida. Só engole o palavreado de "para ser surfista tem de..." quem quer. E o soul, se existe, não é com dinheiro que é adquirido.
Mas também - viva a experimentação! Para quem está no topo, permite evoluir o surf, com as invenções malucas dos shapers. Para o resto dos mortais, que seja por pura diversão.
E felizmente, não haverá nunca uma definição concordante do que é "fazer surf". E o mercado, naturalmente, tira partido dessa pluralidade toda.

Johnny Utah disse...

Pensei a mesma coisa Santos Surfer: Como é que esses caras carregavam as baterias das câmeras?
Outra coisa: Porquê os gringos cheios de dólar escolheram ficar no perrengue máximo? Pra fazer um filme?
Mesmo assim o filme é alucinante e tem o seu valor!

Anônimo disse...

Julius, Quantos pontos são necessários para ingressar no WCT.? Acho que ano vem tem Leo Neves.

Anônimo disse...

Léo Neves?... bate e volta...(e não é pelo surfe...)

Anônimo disse...

Bate-volte-e-cai...Com certeza pelo surf ficaria um bom tempo no CT mas, a cabeça é fraca demais....

Mr.Y

Francisco Catarino disse...

Grande filme mesmo "Second thoughts".Na minha opiniao se nao e o melhor filme de surf alguma vez feito,é quase mesmo.Este filme mostra a pura vida que foi vivida naquela ilha em que tiveram de ultrapassar diversos obstaculos,e isto tudo por uma unica razao:as ondas.

Johnny Utah disse...

Mas eu não compraria nenhum dos produto da lista, só assistiria o lance do supla no youtube

Johnny Utah disse...

Me amarro em listas Bob Lund
Mas eu não compraria nenhum dos produto da dela, só assistiria o lance do supla no youtube