sexta-feira, junho 02, 2006

Estante



[Nos anos 50 a 80, eu tinha uma boa coleção de LPs, quase todos importados e raros. Com a chegada do CD, fiz a burrice de vendê-los para revendedores californianos de discos usados e para alguns negociantes paulistas. Não aguentava mais escovar agulha de toca discos e limpar os bolachões com 'washdisc' e sabão de coco antes de ouvi-los, sem falar nas alergias e dores de garganta de tanto manusear capas mofadas. Gravei o de que gostava em cassetes (centenas e centenas de fitas), vendi praticamente toda a coleção - e, claro, me arrependi]

'O Caçador das Bolachas Perdidas', Jorge Cravo, Editora Record, 2002

Jorge Cravo era o único que rivalizava com a coleção de discos do Ivan Lessa.
Baiano, Cravinho, como é conhecido entre amigos, foi logo cedo estudar em Nova Iorque e viver uma vida que vale por 20.
Sem precisar se preocupar com dinheiro, seu pai era um próspero exportador de café, o jovem Cravinho viu tudo: De Billie Holiday a Frank Sinatra, apaixonou-se por Sarah Vaughan, correspondeu-se com Johnny Hartman e viu Nat King Cole de perto.
Amigo de Lúcio Alves e João Gilberto, ouviu a bossa nova nascer.
Estava na Suécia em 1958 e viu o Rei e Garrincha assombrarem o mundo - e ainda ajudou o Anjo de pernas tortas a estabelecer contato com duas loiraças, servindo de intérprete na noite do título.
Um livro de histórias, contadas pelo próprio personagem, duma honestidade terna, tão distante dos heróis de hoje que precisam reafirmar seus feitos a cada quinze minutos.
O prefácio é do Ruy Castro.

2 comentários:

Lucas R. disse...

Hoje não existem mais heróis (de verdade). Todos parecem boas propagandas para vender alguma coisa.
O super-homem de agora usa roupas da Quiksilver, o Flash da Oakley, Batman as da Billabong, Robin da Rip Curl, e por aí vai.
Simplesmente, o surf foi "elevado" a um outro patamar, outra categoria. Fazer da própria vida um estilo de vida é vender algum estilo de vida. Os Hippies do passado ou morreram de fome ou viraram modelos de camisas. E os surfistas também. De Eddie Aikau a Jerônimo Telles, somos todos marcas ambulantes no tempo. Todos são eternos até que dure o estoque de camisas da sua loja favorita.
Parece exagero, mas é uma realidade impregnada no dia a dia. Concorde ou não, de certa forma, todos nós movimentamos isto.

Ps.: Mal por ter saído do tema.

marcus viana disse...

fala Marreco,

tah um espetaculo isso aqui...viagens lisergicas.

se arrepende nao, aquela velharia financiou alguma informaçao, surfe...viagens.

a dica de leitura soa bem. herdeiro injeta fantasia.

aquele,