terça-feira, outubro 25, 2005

Posto 5

[O camarada que escreveu este texto em Fevereiro de 2000, tinha apenas a tenra idade de 32 anos, não fosse pela generosidade do Bocão, nem prancha decente teria pra cair naquele mar espetacular no Posto 5.
Uma tarde preguiçosa, toca o telefone, Fiapo histérico repete: Back-door, Back-door! Pega a bike e vem pra cá agora! Faz tempo que não vejo assim! Pê cinco clássico!
As frases, cheias de exclamações, aceleravam meu coração como um desfribrilador.
Pouco tempo depois saiu o primeiro CD da Paula Lima, fraquinho comparado aos shows exuberantes do Ballroom, que, falando nisso, vai embora, feito felicidade naquela cançãozinha.
O texto é da extinta carta-coluna 'Malandragem é o seguinte' que o Zé cavou no camerasurf.]


Desconhecido fazendo o de sempre em Copa.

Pê 5

“Ai de ti Copacabana....” Rubem Braga
Verão no Rio de janeiro, meu caro Zé, é uma experiência ímpar.
Duas semanas atrás uma ondulação, dessas que entra no litoral carioca com mais intensidade do que em qualquer outro estado do Brasil, trouxe um presente inusitado até pros mais fissurados: quebrou o Posto 5.
E quando quebra o Posto 5, meu camarada, a cidade fica ainda mais maravilhosa e a Princesinha do Mar, Copacabana, veste seu traje de gala.
Nenhuma onda no Brasil tem mais intensidade do que o Pê 5.
Opa ! pularam dezesseis Paulistas: “Maresias....” Epa ! dezenove Pernabucanos gritaram: “e Noronha ??!!!”
Nem dá pro cheiro...
Pra começar, não Conheço um cara que vai Pra Copa de carro. Galera chega de camelo ou caminhando. Trezentos body-boarders disputam as ondas com apetite de quem não come faz tempo. Locais de pranchas grandes e disposição ainda maior dominam o pico sem deixar ninguem pensar em se meter a engraçadinho. E a onda Zé... Ah, a onda, parceiro, é o seguinte: lembra daquelas fotos de uma tal de Paúba que saía muito em revista antigamente ? multiplica a grossura do lipe por uns 5.
Se tem alguma onda que lembra, mesmo que de longe, a experiência havaiana de surfar, o crowd, o “power”, a tensão, essa onda quebra no Posto 5, em Copa, meia hora de bicicleta da minha casa, Zé.
Saindo da água quase 8 horas da noite, sentei com o Pereira e o Fiapo no quiosque em frente pra olhar as últimas ondas do dia, tomando uma latinha de Bavária, a cerveja dos amigos, de bobeira como se a vida dependesse desses momentos que o Rio não cansa de nos proporcionar.
Em meia hora começaria o show, de graça, do Ed Mota nas Areias de Copa, com exibição de filme depois. No dia seguinte tinha Gilberto Gil, tambem de graça pra rapaziada.
No final de semana passado, não quebrou o 5 mas teve showzaço dos pernambucanos da pôrra, Mundo Livre S.A. e Nação Zumbi.
Grátis.
Cerveja a um Real, chuvinha pra refrescar, as musas todas se rebolando, pé sujo de areia, playboyzada e bandidagem juntas curtindo uma praia em Copa, que ninguem vai perder uma dessas, né Zé ?
Dá-lhe Cabidela!
Fui...
P.S: Puta que pariu, Zé ! estou apaixonado.... Já é a segunda vez que vou ver a paulista Paula Lima (que ironia...) cantar aqui no Rio. Meu irmão, a nêga canta demais ! e ainda tem o sorriso mais lindo dos palcos brasileiros.
A Aretha Frankyn versão nacional. Que voz, Zé,voce tinha que ver...e que charme...que doçura de movimentos....
Sabe quem acompanhava ela ? Sandra de Sá, Luís Melodia, Ivo Meireles, uma tal de Dora Reis, gatona, com um puta vozeirão de estremecer o Ballroom. O Jorge Benjor tava resfriado e não foi. Dia 13 tem mais.
Tomara que a Paula Lima vá...

Um comentário:

Anônimo disse...

"relembrar é viver, e esse desconhecido fez alegria valer"

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