sexta-feira, agosto 06, 2004

Zé velho

[ O tempo, que não espera por ninguem, anunciava Jagger e Richards, corre numa velocidade alucinante.
Depois de militar na contra-informação durante uma década, fui parar na grande rede num longníquo 1999, pelas mãos do bom amigo, Zé Guto Aguiar, um dos poucos sujeitos íntegros que escreve sobre surfe. A coluna 'Malandragem é o seguinte' vinha em formato de imeio, troca de mensagens, com o Zé.
A experiência foi ótima, ganhei novos amigos, reconquistei velhos desafetos e, ingênuamente, ia atirando pra todos lados.
Durante o WCT do Rio, hoje mera memória, incomodei-me de tal forma com o que vi, que soltei esse texto que aproveito para republicar agora.]



Zé velho (ou velho Zé...)
Aproveito o campeonato do Rio (WQS e WCT) pra contar uma coisinha ou duas sobre o circo que se armou.
Primeiro Zé, temo que em breve surfistas não poderão mais entrar descalços no palanque.
Talvez nem de bermudas ! Serão apenas aceitas pessoas trajadas de acordo com o código de etiqueta da firma que promove o evento.
Em 99, já são dois andares, muito bem refrigerados, com 25 áreas V.I.P.s e meia para competidores. Restaurantes com recomendação do guia da Danúsia Bárbara e cozinha do Zé ( seu xará! ) Hugo Celidônio. Trabalham ainda 128 seguranças, todos devidamente uniformizados com paletó e gravata -cá entre nós Zé, dizem que são treinados em seis línguas,faixa-preta de dezenove artes marciais, cozinham e costuram muito bem....
Desconfio que para o ano vindouro ( bonita palavra, né Zé ? ) planejam uma entrada de serviço exclusiva dos competidores, para quando saírem d’água-para não sujarem o palanque, tão limpinho, eles dizem...
A impessoalidade da atual estrutura que permeia o WCT ( e o WQS de lambuja ) é uma das grandes agressões aos entusiastas do nosso ( não deles! ) - esporte.
Nunca um palanque foi tão mal frequentado como nos últimos 3 ou 4 anos.
Ás vezes me dá uma nítida impressão de que estou na semana Barrashopping, ou Morumbi, de moda; outras vezes surpreendo-me achando que fui parar num rodeio desses que as “meninas” apreveitam pra tirar uma fotinho com o cowboy mais famoso e aumentar o cachê. Se sair na coluna da Danusa dobra de preço. Daí pro convite da Playboy é questão de tempo...
Outro rumor Zé: escutei falar de um projeto para aproveitar a estrutura já existente e transforma-la numa casa de massagem durante o resto do ano, com sauna seca e a vapor.
Se voce resolver vir ao Rio e quiser escutar um comentário inteligente sobre o que acontece nas ondas da Barra, fique longe do palanque Zé.
Corre o sério risco de alguem chegar pra voce lá na área V.I.P e perguntar ( licença São Nélson ):
- Desculpe amigo, quem é a prancha ?

[PS : O circuito Super Surfe e a Abrasp nas mãos do Pedrão Muller e do Jason, Marcelo Andrade, mudou desta para melhor, literalmente.
Hoje, quem manda é o surfista. A área V.I.P. é reservada para quem compete- apesar das tentativas sempre frustradas de aborrecidas baterias de celebridades.]

2 comentários:

Anônimo disse...

é, júlio, a coisa só piorou daquele ano pra cá. o pior é que muito surfista pró gosta da babação, porque a máscara e os óculos-escuros, no circuito mundial, só aumentam. quisera todo surfista profissional tivesse a humildade e a atenção que sempre teve o fabinho gouveia. sei que a culpa maior é dos organizadores, mas nunca escutei um pró reclamando dos palanques do WCT. abraço, zé augusto
ps- nos palanques o que faltam é camas, para aguentar a monotonia desse velho sonífero chamado formato e julgamento de baterias de surfe, taí um bom assunto para você remexer nos seus escritos e nos mostrar como poderia ser menos chato um campeonato.

Anônimo disse...

É, surfe tá na moda há várias ondas mas, surfe não é e nem será moda.......