sexta-feira, abril 09, 2004

Atropelamento e fuga


Será Raoni capaz de bater Occy na terceira fase ? Lembram do WCT no Rio em 99 ?

Agora fiquei curioso pra saber como ficou a cara da turma que assistia o Bell’s quando Victor Ribas meteu até o talo no Brucey e Raoni passeou pelo Kalani.
Queria ver a latinha do Sunny, por exemplo. Ou do Pete Frieden, o mais entusiamado e preconceituoso dos fotógrafos estrangeiros.
Liguei pro Ricardo logo cedo- ele que faz az armas dos dois, Vitinho e Raoni- para dar parabéns pelas vitórias.
De Búzios, acabara de sair d’água, ele relembra: “Voce percebeu que ninguem tocou no assunto quando o Andy Irons, com a prioridade, foi pra cima do Luke Munro marcá-lo na iminência de perder. O Munro vinha numa onda excelente e o Irons tava embaixo. Quando A.I. viu que o wild card poderia virar a bateria, remou e entrou na onda, provocando quase uma interferência e obrigando o garoto a abandonar o que seria a onda vencedora.”
Não tinha visto…
Fosse um brasileiro, tinha sido publicado em tudo quanto é lugar o quanto somos ‘desleais'. Mesmo para os nossos próprios compatriotas, a marcação é inconcebível – temos que ganhar sempre no surfe e somente no surfe.
Vindo do bi-campeão mundial é profissionalismo.
Ué, mas não era ele que alardeava a um par de anos atrás que o surfe tinha que prevalecer sempre ?


O melhor brasileiro no WCT, Vitinho parece ter fôlego pra mais.


Vitinho, com 32 primaveras e um apetite fora do normal para baterias, sofreu o pão que o demo pisava para convencer a imprensa paulista que era capaz de surfar ondas grandes.
Não adiantou.
Por mais que fizesse bonito em Teahupoo, como fez em 2002, tirando Joel Parkinson e Sunny Garcia, ou Pipe 1999, enfileirando Damien H., Taylor Knox, Conan Hayes e perdendo apenas para Slater- rumo ao seu quinto título do Pipe Masters - nas quartas, por mais que fizesse e acontecesse, o povo finge que nem é com ele.
Em 2004, o 'Gambázinho' está irresistível: Deu no Joel em Kirra, no Taj e perdeu muito esquisito pro Knox...
Tenho um prazer inenarrável em acompanhar Raoni, o mais jovem surfista do circuito!, no seu primeiro ano de WCT chegar na terceira fase nos dois primeiros eventos, único a vencer Lowe em Kirra e agora batendo no Kalani – isso sem contar a extraordinária campanha em Margareth Rivers.
Por outro lado, a grande promessa, Bruce Irons, até o fim da perna australiana, nada fez.
Nem disputando o WQS ele está, tão certo do seu futuro brilhante no WCT e manutenção de seu lugar entre os 45.
Exatamente como fez seu irmão quando entrou no WCT em 98, ejaculado em 99, retornando para clamar o trono dois anos depois.
Raoni tem 3 anos a menos do Bruce, venceu apenas um evento do WQS, no Japão (6 estrelas!) ano passado, enquanto Bruce tem 3 vitórias, todas em casa, Pipe e Sunset (uma e duas estrelas…).


Brucey precisa cumprir o que prometeram por ele

Vem por aí Tahiti e Fiji, duas etapas onde os Irons são o pesadelo do resto da tour. Bruce pode vencer fácil qualquer uma das duas, ou ambas, se tudo conspirar para o seu lado, mas não esqueçam que ele sempre foi convidado para as disputas de escolha dos wild cards no Tahiti desde 99, venceu a triagem em 2001 e avançou até o nono lugar, apesar de não ter conseguido entrar nem em 2002 nem 2003 no evento principal, sempre parado pelos locais, osso duro de roer em ondas como Teahupoo, Vetea, sempre ele…
The Brucey tem tantos anos no circuito quanto patrocínios, 9 no primeiro e dez no segundo, o caldeirão ferve.
Não há comparação, o que existe são resultados.
Façam suas apostas.

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