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sexta-feira, dezembro 28, 2012

Jack McCoy

Ao Mestre com carinho...



Conhecer pessoalmente alguem que voce idolatra pode ser extremamente perigoso.
A imagem que fazemos e a expectativa que criamos podem nos trair quando voce toma o primeiro gole de cervaja na companhia de alguem que voce já quis ser.
Confesso que já quis ser muita gente.
Desejei a elasticidade do Larry Bertleman, a batida na bola do Zico, as rasgadas do Curren, a guitarra do Santana, o humor do Carlos Eduardo Novaes, a flauta maldita do Ian Anderson e, por que não ? a hablidade do Jack McCoy ao fazer filmes de surfe.
McCoy se eternizou com seu primeiro filme, Tubular Swells (ou In The Search Of Tubular Swells, Dick Hoole/Jack McCoy,1975) mas só fui me familiarizar com seu trabalho quando Storm Riders (David Lourie, Dick Hoole/Jack McCoy,1982) foi exibido aqui no Rio de janeiro no salão de conferências do hoje extinto Hotel Nacional.
Debaixo dos meus 15 anos de idade, aquele evento era quase equivalente a uma copa do mundo.
Não havia surfe na TV e a internet ainda era apenas um projeto restrito ao mundo acadêmico, mesmo os hoje esquecidos vídeo-cassetes era raríssimos porque caros.
O filme Storm Riders foi responsável por colocar nos ouvidos de 11 entre 10 surfistas o hino Down Under do Men at Work, no mundo inteiro, cabe lembrar. 
McCoy é o nosso Felllini, seus filmes tem humor, imagens espetaculares e uma história arrebatadora. Não há outro diretor no mundinho do surfe com tantos filmes que podemos chamar de clássicos.
Conheci Jack McCoy numa tarde de outono em 2009, quando Robertinho fez a gentileza de me levar na ilha de edição onde o Gênio tentava terminar sua última obra-prima, A Deeper Shade of Blue.
McCoy foi simpático de mostrar alguns trechos do filme e explicar o quanto aquele projeto era importante pra ele.
É o meu mais ambicioso filme em 40 anos de carreira, esse é o meu presente, disse ele genuinamente comovido.
O problema era que mesmo um mestre tem suas dúvidas e Jack não tinha certeza de como terminar seu filme.
Quer editar ? Perguntou-me em tom de brincadeira.
Tres anos depois, fui convidado para o Festival S.A.L. (Surf e arte em Lisboa) e o filme escolhido para abertura era A Deeper Shade of Blue.
McCoy estava lá para apresentar o filme com toda família, esposa e os dois filhos, sala de cinema lotada e mágica no ar.
A Deeper Shade of Blue é a versão do diretor, pessoal e intransferível, da história do surfe e suas diferentes intrepretações
Ao longo de quase duas horas recebemos uma aula do que convencionou-se chamar de 'Stoke', numa tradução livre seria alguma coisa próxima de entusiasmo. Entusiasmo de pegar onda.
Quando o filme termina, a platéia explode em palmas calorosas, urros, assobios e todo tipo de celebração conhecido. Durante minutos que parecem intermináveis ninguem é capaz de parar de bater palmas, aos poucos cada um dos espectadores se levanta da poltrona e subitamente estamos todos ali venerando aquele senhor alto de barba esbranquiçada e sorriso maroto no rosto.
Não que tenha sido a primeira vez, imagino eu, McCoy passou por isso - ser ovacionado - pelo menos outra centena de vezes com seus quase trinta filmes.
Desta vez é diferente porque todos seus filmes fundiram num só.
Ele e Derek Hynd ficaram 5 anos pesquisando e colhendo imagens de todos filmes e programas de TV que foram capazes de lembrar, o primeiro corte do A Deeper Shade of Blue tinha 4 horas de duração!
De pensar que McCoy teve que deixar de lado metade do filme original até chegar ao resultado hoje exibido mundo afora, um processo muito doloroso quando se dedica tanto tempo e paixão por um ideal.
Taí, McCoy é um idealista.
Shane Dorian contava que trabalhar com Jack era insuportável. Dizia que o diretor só filmava quando a luz estava perfeita, numa hora específica do mar, em determinado ângulo e não deixava os surfistas se desgastarem enquanto não estivesse tudo pronto para filmar do jeito que ele planejara.
Slater ainda fala que McCoy perdia metade da ondas filmando dentro d'água, mas quando acertava, era a melhor imagem que voce teria na sua vida.
Para A Deeper Shade of Blue, McCoy inovou uma vez mais usando uma espécie de moto submarina para filmar no Tahiti. As imagens ficaram tão deslumbrantes que Paul McCartney pediu que ele fizesse um clipe para a música Blue Sway.
Mas não são as imagens do Tahiti que fazem do A Deeper Shade of Blue um filme especial, é o jeito que McCoy tem de contar história.
Está tudo lá, desde o princípio, reis e rainhas havaianos (principalmente rainhas!), Duke, os big riders, pranchões, pranchinhas, monoquilhas, biquilhas, triquilhas, tow in, aéreos, Malibu, Pipe, Teahupoo, Waimea, Shipsterns.
Uma história que já foi contada diversas vezes ainda pode ser contada uma vez mais - e de forma diferente.


terça-feira, junho 26, 2012

Junior Faria - Aqui e agora

Löic e Junior trabalhando...


 Junior Faria é o que Pepê define por 'ocupado de águas'.
Depois de retornar duma viagem comigo e o Blanco pelo México (em breve nas bancas), Junior foi direto pra Europa filmar o mais novo projeto do Löic Wirth.
Chegando lá, junior descobriu que faria parte do mais novo projeto do Taylor Steele, Here and Now.
Uma notícia deste porte merece atenção - não é todo dia que um surfista brasileiro é convidado para um projeto do diretor mais bem sucedido da história dos vídeos de surfe.
[Reparem que digo vídeo de surfe, filme de surfe mesmo é com Jack McCoy, Bruce Brown e cia...]
Faria anda em momento de transição, acaba de perder seu patrocínio, deixou de competir mais uma vez e parece assustadoramente na frente do seu tempo como surfista profissional.
Isso porque Junior é um dos únicos surfistas que dedica seu tempo integral ao refinamento da sua arte, seja em cima da prancha, seja atrás das lentes da sua câmera fotográfica, ou mesmo escrevendo sua coluna na Hardcore.
Pouca gente tem tanta vontade de aprender quanto esses camarada.
Fiz uma rápida entrevista com ele através do Skype e desenrolou-se assim...

Junior Faria: onde quer que seja vc vá divulgar essa bagaça, enfia no meio aí q eu tô sem patrocínio... Vai que alguém com dinheiro sobrando lê né...


Julio Adler: rapaz, voce leu meu pensamento


Junior Faria: ótimo, manda bala


Como voce foi parar numa produção do Taylor Steele ?


Junior Faria: Por acaso, eu fui pra Galícia filmar com o Loic Wirth. Fui até lá pra gravar uma parte para o próximo filme dele. Chegando lá ele me disse que o Nathan Myers havia entrado em contato pedindo uma parte de um surfista brasileiro pro projeto "Here And "Now.


simples assim ?


Junior Faria: simples assim, caiu do céu pra gente.




Hotel 5 estrelas



e qual era a idéia ? voces foram orientados pra fazer algo ou saiu tudo da cabeça de voces ?


Junior Faria: o Nathan Myers passou um briefing bem detalhado do que ele queria pro filme. Uma lista com takes "obrigatórios" que vão ajudar a conectar as histórias de todos o surfistas do filme e etc...


então voce já conhecia o Nathan ?


Junior Faria: Pediu takes, áudio, e apesar de deixar claro que queria as coisas feitas de uma certa forma ele pediu pro Loic fazer tudo isso a maneira dele.


Junior Faria: Eu nunca conheci ninguém da Poor Specimen. Quem tem contato com eles é o Loic.


e o que voces filmaram ?


Junior Faria: A idéia do filme é gravar um dia na de um surfista. Sem maquiagem, sem massagem...


e onde voces filmaram ?


Junior Faria: Escolheram o dia 2 de maio pra TODO mundo gravar do momento que acordou até a hora de dormir, e foi isso que a gente fez.


Por onde voces estavam no dia 2 ?


Junior Faria: Em uma cidadezinha perto de Ferrol, na Galícia. Não me lembro o nome da cidadezinha.


tinha onda boa nesse dia ?


Junior Faria: hehe


Junior Faria: estava flat


Junior Faria: colado mesmo.


e como voces resolveram ?


Junior Faria: ficamos procurando onda de um lado pro outro


Junior Faria: nao tinha nada por perto capaz de me empurrar em pee na prancha... o jeito foi pegar jacaré.


descreve a pranchinha que voce usou


Junior Faria: é um handplane do Rodrigo Matsuda, Las Surfboards, feito com uma madeira japonesa... ele trouxe do Japão uma madeira especial e shapeou uma série limitada de handplanes. o meu handplane é o número 8.
15 1/8, 7 3/4, 3/4"


acharam que os caras iam colocar no filme, mesmo assim ?


Junior Faria: Não. Eu fui bem pessismista. O Loic me convenceu que o que poderia nos ajudar era o fato de NAO termos pegado onda. Mostrar a frustração, a busca e tal.
Agora que saiu no trailer acho que vão colocar alguma coisa nossa no filme, a gente ainda não sabe com certeza se vai sair uma parte no filme ou não. Tudo indicado que sim.


deu frio na barriga ver seu nome no meio dos Kellys, Rastas, Machados e Knosts da vida ?


Junior Faria: deu sim... se eu sair mesmo nesse filme vou ver um sonho de criança se realizando.
Eu, LITERALMENTE, cresci assistindo os filmes da Poor Specimen.


onde voce estava quando sobe da noticia ?


Junior Faria: quem me mostou o trailer foi o Rafaski, ele me mandou o link ontem a noite.


foi uma boa noticia em meio a mudanças tão drasticas na sua vida, né ? parar de competir, perder patrocinio...
Faz pensar, não ?


Junior Faria: com certeza, no meio de um dos piores momentos meus no surfe e tal aparece isso aí. A vida é esquisita.
Acho que a única mudança drástica é o fato de eu ter sido desligado da Hang Loose... a questão de não competir é natural pra mim, nao sou competidor de surfe há muito tempo. Muito antes do começo desse ano.


Já recebeu alguma outra noticia, ou convite para o lançamento do filme ?


Junior Faria: nao...


HERE & NOW Official Trailer from INNERSECTION on Vimeo.

segunda-feira, junho 18, 2012

Ideias incomuns

segunda-feira, abril 16, 2012

SIMPLESMENTE DECORADO

[Recebi a seguinte mensagem do Tomas Hermes -

Beleza Julio?

Cara voce poderia compartilhar o trailer do meu filme no blog Goiabada? acho seu blog irado! Escrevi um texto sobre o filme:


A idéia de fazer um filme começou quando meu computador estragou no ano passado, fiquei 3 meses sem movimentar meu website e acumulei muitas imagens, então pensei: "Acho que tenho imagens para começar um filme".

Depois começaram a surgir várias idéias, eu queria mostrar algo diferente e que eu curtisse; foi quando comecei a fazer imagens relacionadas com a arquitetura, com o design, com meio urbano e com a arte.

Minha namorada está me ajudando bastante nesse projeto, grande parte das imagens desse filme ela quem filmou, ela está filmando muito bem, com um olhar diferente.

O filme passa por países como: Inglaterra, França, Espanha, Indonésia, África do Sul, Brasil, Austrália entre outros.

Surfistas e amigos: Miguel Pupo, Willian Cardoso, Jesse Mendes, Caio Ibeli, Tomas Hermes, entre outros.

A idéia é de deixar o filme pronto final de 2012, mais detalhes e novidades sobre o curta no website www.tomashermestv.com.

Simplesmente Decorado é um filme por Tomas Hermes, e um Projeto 
TOMASHREMESTV.COM


Valeu Julio Abraço!]

Aqui está o filme, aproveitem...


sexta-feira, setembro 02, 2011

Cambito

Era uma tarde de verão no Rio em 1990... Não!
Chovia, outono de 1989, Guarujá...Não!
A hora não passava, já era meio dia no Cupe, 1991...Não!
Devia ser segunda-feira, dia de Baixo Gavea, 1992...Nada disso...
Tudo começou nos anos 60 quando Ronaldo Duarte, pai do Pepe, foi se meter a fazer filmes.
Pepe herdou uma camera e curiosidade para registrar o que acontecia a sua volta.
Foi assim no seu primeiro ano no circuito mundial em 1987 (ou seria 1988 ?),  foi filmando, filmando, filmando...quando voltou pra casa tinha tanto material gravado em VHS que o jeito foi editar e fazer um filme.
Chamou-se Competições no Pacifico e foi apenas exibido em algumas sessões, patrocinadas pela Redley , quando a Redley ainda orgulhava-se de patrocinar surfistas e eventos para surfistas.
Nunca foi lançado em VHS ou DVD, nem tem disponivel no youtube.
Antes uma breve historia de quem era o Pepe naquele nebuloso e melancolico final dos anos 80.
Chegou ao Rio como sensação do surfe nordestino, dava aereo quando nenhum moleque sonhava em voar, competia com inteligencia e tinha uma dedicação invejavel.
Tratou de sair viajando cedo e teve uma carreira amadora meteorica - todo mundo lembra do sexto lugar no mundial amador de 1984 na California.
Virou profissional antes de completar 20 anos e largou tudo antes de fazer 22.
Duas rodadas de cara no circuito brasileiro foram demais pra ele aguentar.
Foi trabalhar com os dois unicos caras que viviam de filmar surfe, Antonio Ricardo e Ricardo Bocão, no programa Realce.
Podia ser dentro d'água, surfando Ipanema fechando, 1993...botei tanta pilha pra fazer um video de surfe que Pepe desistiu e aceitou o fardo de viajar pelo mundo com mais de 30 quilos de equipamento nas costas.
Como pesava aquele tripé!
Foi assim que fizemos o 002 Surfe, no peito e na raça.
Pepe filmava, editava, sonorizava, carregava aquela merda toda e eu buzinava no ouvido dele fabulas fantasticas de fama e mulheres no final.
Não comemos ninguem, não ganhamos dinheiro, mas ganhamos o mundo - e mais uma porrada de amigos.

Tudo isso porque resolvi colocar no Vimeo esses filmes que fizemos com tanto empenho e paixão e que estavam esquecidos la no arquivo do Pepe.
Depois do 002, recebi um convite irrecusavel do meu querido amigo Gustavo Bomba, ser editor dum jornalzinho que ele fazia com Marcelus Viana e Guilherme Torres.
Topei com uma condição, se pudesse dividir o cargo, e as responsabilidades, com Pepe.
Wet Paper era gratuito, durou pouco mais de dois anos e não nos deu um centavo.
Nos deu, entretanto, uma amizade duradoura que acabou transbordando do papel pro video e virou a serie dos Cambitos.
Seria leviano afirmar que o Cambito é o filme de surfe mais influente de toda nossa historia de filmes de surfe, junto, talvez do Nas Ondas do Surfe.
Agora, apertem o play e voltem no tempo um pouco, como fiz agora ao escrever essa memoria tão viva e tão apagada.

 [La embaixo, links para baixar os videos...]


Baixar 002

Baixar Cambito 1

Baixar Cambito 2

Baixar Cambito 3



segunda-feira, dezembro 06, 2010

quinta-feira, agosto 12, 2010

Under The Sun (Resenha)

Under The Sun (Cyrus Sutton, 2009)

Cyrus Sutton é desses talentos que aparecem de tempos em tempos para mostrar que é possivel surfar bem, filmar e editar filmes com a mesma classe e conhecimento de causa.
Quando apareceu em cena com seu primeiro filme Riding Waves, Cyrus ja apontava para uma cultura de surfe bem superior aos garotos da sua idade. Os principais surfistas do seu filme era um Rob Machado recem saído do tour e John Peck, coroa maluco-beleza que continua com seu estilo hippie desde os anos 70.
Cyrus é um amante dos contrastes entre a cultura do passado e do presente.
Under the sun mostra justamente isso, uma comparação entre as duas comunidades do Gold Coast australiano que se opõem, Coolangata e Byron Bay.
Enquanto Byron é mostrada como uma cidade que prefere a vida natural e os soul-surfers, Coolangata tem vocação para industria, competição e excessiva promoção.
As sessões de surfe são maravilhosamente filmadas, Rasta em picos desconhecidos na Australia e Indonesia, Dingo e Mick em casa, imagens do Nat Young e Rabbit no auge e nos dias atuais.
Muito bem editado, grafismos de bom gosto e humor e com excelentes entrevistas, Cyrus vai desenhando um pouco do que ele julga ser o grande ying e yang do surfe.
A trilha faz parte dum acordo feito com a gravadora independente Ubiquity, talvez a mais bacana de todas que ja se envolveram com filmes de surfe, tem de Shawn Lee e sua Ping Pong Orchestra, AfroDizziac e outros pedaços de funk modernos com pezinho nos anos 70, como seu filme.


Under The Sun (2009)
Direção - Cyrus Sutton
Trilha Sonora - Shawn Lee and The Ping Pong Orchestra, Afro Dizzi Act, Band of Frequencies e Low Pressure Sound System
Porque assistir - Rasta na Indonesia, Trilha formidavel e até uma historia por tras interessante, pedir o que mais ?
Não deixe de convidar - Os coroas e aquele amigo seu que acha que sabe tudo de surfe.


terça-feira, dezembro 22, 2009

Eu sou o melhor



Taylor Steele é o Efedepe mais competitivo (e maquiavelico) de toda historia dos filmes de surfe.
Foi ele que criou a mais poderosa e disputada ferramenta de exposição do nosso deslumbrado mundinho das estrelas quando, provavelmente sem querer, determinou que o surfista que tivesse as melhores ondas ganhava o clipe final dos seus Videos.
Desta vez Steele apareceu com uma outra ideia, nem tão nova, mas surpreendente, de escolher surfistas pro seu proximo video pela internet - mais uma sacada genial do camarada que da banho em 9 de cada 10 diretores de marketing do mercado.
Para competir - e julgar! - basta entrar no innersction.tv e se cadastrar.
Vamos esperar para ver como as regras vão se adequar ao bel prazer dos donos da bola quando brasileiros começarem a bombardear o site com videos e votação maciça.
Aposto uma mariola que algo é capaz de acontecer no meio do caminho, parecido com o que aconteceu com a votação dos wild cards para o primeiro WCT em G. Land quando Pedro Muller e Carlos Burle ganharam de lavada a vaga.
Adivinha o que aconteceu no ano seguinte ?
Bora la Medina, Alejo, Gui-gui, Riquinho, Ian e cia!

quinta-feira, julho 16, 2009

sábado, julho 11, 2009

Filme de surfe etnico

Um documentario sobre os surfistas negros e o espinhoso caminho na aceitação da sociedade branca do surfe.
Familiar ?
Trilha do sensacional The Roots e narração do xarope Ben Harper.
Agora é sentar e esperar um documentario sobre os surfistas judeus, muçulmanos, gays e, olhaí a dica, brasileiros, os crioulos do World tour (ou sobre os Europeus, os brasileiros do circuito).

sexta-feira, março 20, 2009

Naquela noite Shaun Tomsom falou assim


Elegancia não se encontra na farmacia

[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 189>Dezembro 2008]
Já tinha visto o filme.
Sim, eu sei que não deveria mas não fui capaz de resistir - a curiosidade era mais forte que uma dor de barriga no México (famoso mal de Montesuma).
Fiz pior.
Chamei amigos e abri cervejas- celebrei até!
Um acinte, concordo.
Chegada a hora, dia 07/12/08, Shaun Tomsom esteve aqui apresentando o Bustin Down The Door numa pré-estréia no Claro Open Air que, como nome indica mas não revela, é um cinema a céu aberto no Joquei clube do Rio de janeiro, logo ali na Gávea, com vista pra Lagoa Rodrigo de Freitas.
Todo floreio daria com os burros n'água pra descrever a beleza da paisagem, mas isso não é importante.
Sentamos na escada, todos lugares tomados, e aguardamos a entrada do primeiro campeão mundial que realmente importa (quem dá bola pro PT ?).


Veja o filme e leia o livro

Shaun é um lorde, duma serenidade contagiante, fala mansa, pausada, o seu sotaque sul-africano acentuando o tom aristocrático das palavras que lhe brotavam da boca como seu ataque em Pipe no início da carreira, certeiro, pontual.
Em menos de 15 minutos conversando com a platéia, Shaun fez mais pelo surfe brasileiro do que toda imprensa junta nos últimos 15 anos.
Bastou uma palavra para Shaun demolir uma expressão que por aqui vendeu muita bermuda e camiseta.
Durante muito tempo fomos refens do misticismo da expressão soul para traduzir tudo que não somos capazes de explicar na relação que temos com o Mar.
Desconfiava do jeito etéreo do termo traduzido corretamente para 'alma'.
Como um sinônimo de espírito podia servir a tantos senhores, quase todos eles de olho na minha (e na sua) carteira ?
Alma do negócio, né ?
Foi quando naquela noite Shaun Tomsom falou assim: Espero que todos aqui se imaginem com 19 anos, com um sonho. Tínhamos todos essa idade na época e fazíamos tudo com o coração. Sempre surfei com o coração. Sempre fiz tudo com o coração...
Lembrei do poema do russo goiabão e suicida, Mayakovsky, dizia assim:
Dizem que o sentimento vem do coração
que habita o lado esquerdo do peito do homem.
Mas, em mim a anatomia virou loucura
Sou todo coração.

Tomsom, Curren, Dora, Slater ou Irons tem em comum a anatomia enlouquecida, assim como eu e voce, uma coisa mais carnal, mais pulsante e coerente com as sensações que experimentamos quando possuídos pelo sal.
Achei tão adequado aquele camarada ali na minha frente, com toda sua história no esporte e fora dele, tantas conquistas e tantos fracassos, cada um deles vividos intensamente, toda vez tentando buscar algo que pudesse ajudar o próximo a superar os obstáculos, aquele surfista sagrado na nossa mitologia, falando em coração, não em alma ou espírito, mas em paixão dura.
Toda paixão é dura e o surfe é impiedoso com os fracos.
Shaun foi aplaudido entusiasticamente pela comunidade de surfistas que ali estava para prestar sua homenagem ao homem que nos ensinou a andar por dentro do tubo.
O tempo dilata-se dentro do tubo, disse Shaun em 76.
Com seu filme (e livro, não deixem de comprar!) Bustin Down the Door, ele insiste em afirmar que voce faz o o que quer com seu tempo - no tubo, fora dele.
Contanto que seja feito com o coração.
Pode parecer uma coisa meio piegas (e é), surfistas são piegas, já repararam ?
Shaun não tem vergonha de nenhum aspecto do surfe que seja embaraçoso, orgulha-se de cada um deles e nos empresta esse orgulho besta em tudo que mete a mão.
Um amigo queixou-se do filme, o analisou de maneira fria, quase triste, destacando-lhe as falhas de roteiro, as extensas entrevistas, um aborrecimento.
Tem pego onda ? perguntei.
Esse filme é restrito para surfistas, desculpe-me.
Por vezes fazemos umas coisas assim, restritas.
Não fará sucesso fora do circuitinho de praias.
Que mal tem isso ?
Surfistas escrevem livros para surfistas, fazem filmes para surfistas e pronto, simples assim.
Somos auto-suficientes pr'essas merdas.
Afinal de contas, foi tambem ele que confessou numa entrevista nos anos 80:
Todo surfista que conheci tem um arzinho superior de alguem que sabe alguma coisa que os outros não sabem.
Parecem achar que são superiores aos meros mortais.
Quer saber ?
Eu tambem acho.



E tem mais, Bugs, pare de beber tanto e fazer aquelas poses estranhas na frente do espelho...

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Moleza



Se o amigo dispoe de tempo pra baixar e assistir uma tuia de videos de surfe sem tamanho, recomendo esse blogue Surfmovies.
O camarada tem uma bela lista, um bocado de nacionais entre eles, fico lisonjeado de ver ali os videos do Mellin e o Fabio Fabuloso ao lado do Stranger than fiction, The Life e Just Add water.
Alguem, alem do Pedr1nho, podia prestar o serviço de dispor tudo em alta qualidade, sem compressão.

domingo, outubro 19, 2008

Admiravel gado novo*

[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 187>Agosto 2008]



O Rombo em Contexto 1
Antes do início do circuito de surf da International Professional Surfers, não existiam critérios objectivos para os convidados dos campeonatos profissionais no Havai. A maior parte dos convites era distribuída aos havaianos, em reconhecimento das suas prestações no free surf segundo as observações dos organizadores e da comunidade local. Um método habitual entre os que sonhavam em competir ali era escrever cartas aos organizadores das provas, a explicar que eram excelentes surfistas e, basicamente, a implorar por um lugar, nem que fosse de suplente.


Bustin down the door tem lágrimas e isso quase sempre denuncia um documentário piegas, melado, chorão.
No surfe não há muito espaço para lágrimas.
Estamos eternamente associados a belos sorrisos e celebração, quem duvida que o surfe é diversão ?
Nos é vendido assim, em embalagens muito bem boladas, coloridas, lacinho dourado e tudo.
Quantas vezes voce já se pegou respondendo a pergunta besta e fácil - o que o surfe representa na sua vida- com um cliche aborrecido.
Frase que nos resume: O melhor surfista é aquele que mais se diverte.
Pois Bustin down the door, filme dirigido por Jeremy Gosch exibe nosso lado escuro e fascinante.
A diversão ali tem outras formas completamente fora de moda hoje em dia.

O Rombo em Contexto 2
O rastilho dos acontecimentos da temporada de 76/77 foi um artigo escrito por Wayne Bartholomew intitulado, precisamente, ‘Bustin’ Down the Door’. Até hoje Rabbit afirma que, apesar da agressividade do título e do tom auto-celebratório do surf que estava a fazer, o conteúdo geral do artigo era absolutamente reverente e respeitoso para com os surfistas havaianos. Eis alguns excertos fundamentais: “O facto é que quando és um puto emergente da Austrália ou de África, não podes simplesmente entrar pela porta dos fundos e esperar receber um convite para os campeonatos profissionais no Havai. Tens de arrombar a porta da frente antes que eles te ouçam bater. (…) Para chamar a atenção mediática e competitiva, tínhamos de entrar nos dias mais animais em Pipeline e Sunset e, literalmente, tentar o impossível.”




Kanga é uma besta

Ian Cairns era um brutamontes com rara habilidade para machucar paredes volumosas e assustadoras. Vinha do inóspito oeste da Austrália (nasceu em Kew, perto de Victoria), quase dois metros de altura, loiro, forte como um rinoceronte, dono duma rasgada de front-side estupidamente violenta.
Kanga, como o chamavam, cresceu surfando os reefs perto de casa em Margareth River, foi um monte de vezes campeão regional, representou a Austrália em dois mundiais, 70 e 72, chegou no Havaí botando pra quebrar.
A banca era tanta que ganhou o Smirnoff Pro em 1973 com 21 anos, foi segundo no Duke Kananamoku Classic de 74, em 25 pés de onda em Waimea ficou em primeiro no Duke de 1975 e segundo no Smirnoff no mesmo ano.
Sua arrogância e agressividade quase custou-lhe a vida no inverno havaiano de 76: Comprei uma espingarda, dormia com um bastão de baseball debaixo do travesseiro. Se aqueles caras tentassem me pegar novamente, eu dava um jeito de chegar no carro (onde estava a espingarda) e matava um, disse Ian Cairns lembrando da ocasião que o caçaram como cão ladrão pelo North Shore.
Kanga é um dos principais personagens do documentário produzido por ninguem menos que o campeão mundial de 77 e mocinho dessa bela e trágica fábula, Shaun Tomsom.


O Rombo em Contexto 3
Ian Cairns liderava o ataque demencial às ondas, sempre na companhia do seu jovem “protegido”, Wayne ‘Rabbit’ Bartholomew. Ambos protagonizaram momentos de antologia, como a ocasião em que, acabados de desembarcar do avião, entraram num Pipeline gigante e, mesmo (ou exactamente por isso) a ver que as direitas não passavam de horrendos close outs, Cairns ordenou a Rabbit: “é proibido ir para a esquerda”. Sem outra opção, ambos entregaram-se então a um duelo suicida para ver quem se deixava ficar com o estilo mais casual dentro das enormes cavernas.




Pitu (Shaun The Prawn)

Shaun Tomsom dava raiva, confessa Phill Jarratt (autor, entre outros, do clássico Mr. Sunset), educado, articulado, surfista fenomenal e ainda por cima fazia enorme sucesso entre as mulheres.
Alem disso tudo, Shaun é um surfista que todos admiram desde sempre, sem manchas nem desvios em mais de 30 anos nos holofotes. A idéia de fazer um filme sobre esse tempo tão falado e tão pouco compreendido pela indústria bilionária que impulsiona o surfe no século 21 partiu dele. Foi Shaun que uniu um timaço de entusiastas, entre eles Jarratt, que escreveu o texto, Matt Warshaw que pesquisou e o inusitado narrador, indicado duas vezes ao Oscar, o ator Edward Norton.
Shaun voltou à cena faz uns 5 anos, depois de quase 15 trabalhando quieto no seu canto, sem ser muito celebrado.
Falava-se pouco dele nos anos 90, era raro alguem lembrar que Shaun foi o primeiro dos surfistas de ponta a surfar com as pranchas do Al Merrick e passava temporadas em Santa Barbara testando os foguetes, surfando Rincon e influenciando Curren, Mearing, os irmãos George e quem quer que lá aparecesse.
Slater é a evolução de Tomsom, sem cabelos.
Pela primeira vez, vemos Shaun falar dos anos setenta com os dentes trincados, sem o romantismo babaca que cerca a época.
Eu tinha ciúmes, eu queria estar no lugar dele, relembra Shaun quando fala de Mark Richards no Smirnoff de 1974, a primeira oportunidade daqueles jovens de participar dos grandes eventos havaianos.
Bustin Down the door revela de onde vem a chama que incendiava Rabbit, MR e Shaun, num tempo distante onde os vencedores não eram acusados de vender sua alma.

Rombo em Contexto 4
O ataque a Rabbit ocorreu dentro de água em Sunset Point no dia do seu desembarque para a temporada de 76/77. Quando o viram a chegar ao pico, um grupo de heavy locals dispersou o crowd e cercou o australiano, agredindo-o até a perda dos sentidos. Depois disso, Rabbit teve de passar dias seguidos escondido na mata, pois ninguém lhe dava abrigo com receio de represálias. Outros também sofreram perseguições e espancamentos. Ao fim de umas semanas, a família Aikau, por intermédio do seu mais proeminente membro, Eddie, amenizou a situação, acedendo em encenar um julgamento público no qual os australianos receberam a permissão para surfar no North Shore e competir nas provas.




Sexo e tubos

Dos cinco cavaleiros do apocalipse, Ian Cairns, Shaun, Rabbit, Peter Towned e MR ( opa! o sexto, primo do Shaun, Michael Tomsom tambem está lá.), Ian e PT eram os veteranos, Shaun a grande promessa, Rabbit o rebelde e Mark Richards o fenômeno.
No seu segundo inverno, em 1975, com absurdos 18 anos, venceu o Smirnoff em Waimea e o World Cup em Sunset (isso sem falar no vice do Coke Classic em casa, na Austrália) pilotando as letais guns de Tom Parrish com o raiozinho da Lighting Bolt.
Numa analogia, Richards seria um misto de Andy Irons e Mick Fanning, ambos acomodados num corpo comprido, curvado e desajeitado.
Alias, Andy e Mick tem juntos a mesma quantidade de títulos que MR ganhou na sua curta carreira - Richards abandonou o circuito em 82, depois do quarto título mundial, tinha 26 anos, mesma idade que Fanning quando venceu seu primeiro...
Grande rival de Shaun no filme clássico que batizou a geração, Free Ride, Richards aprendeu a shapear cedo (com 15 anos!) e se viu obrigado a criar uma prancha que se adaptasse ao seu estilo, completamente diferente do resto.
Partindo duma prancha esquisita com duas quilhas que Reno Abellira levou para Austrália em 76, MR foi aperfeiçoando a biquilha até que em 1979 ninguem mais seria capaz de superá-lo com suas cavadas precisas e rasgadas curtas e rápidas, pedra fundamental do surfezinho que voce e eu fazemos hoje.
Numa das histórias mais bacanas do filme, Rabbit conta que para entrar num dos eventos exclusivos para convidados em 74, ele, MR e Shaun escreveram cartas para os organizadores dos campeonatos implorando por uma vaga.
No Smirnoff, dos 24 convidados, 22 eram havaianos. Fred Hemmings, organizador, avisa que abriu uma vaga. A tensão aumenta e todos esperavam que sua carta tivesse efeito na decisão. Hemmings chama Mark Richards, que vibra com a chance, mas antes de pegar a camiseta de competição, MR precisa pagar os 50 dólares da inscrição. MR não tem essa grana. Rabbit poderia ficar ali calado e esperar que Fred chamasse outro, mas num gesto nobre, empresta as 50 pratas para Richards.
Mark Richards, então com 17 anos, vence sua primeira bateria em Sunset, deixando pra trás os havaianos Sam Hawk, Larry Bertleman e Michael Ho.
Naquela noite o barulho era ensurdecedor e na manhã seguinte aqueles jovens veriam as maiores ondas de suas vidas na baía de Waimea.
Rabbit agradeceu a Deus por ter emprestado a grana e não ter que enfrentar aquelas bestas.
MR não tinha alternativa.

O Rombo em Contexto 5
O título de 1976, oficialmente o primeiro título mundial de surf profissional, atribuído a Peter Townend foi, na verdade, outorgado em retrospecto. Chegados ao fim do ano, dois dos organizadores das provas havaianas, Randy Rarick e Fred Hemmings, fundaram a IPS e, com a ajuda de PT, que sistematizara meticulosamente todos os resultados dos campeonatos disputados nesse ano, chegaram à conclusão de que o australiano tinha sido aquele que acumulara mais pontos, mesmo sem ter vencido nenhuma prova. Durante a cerimónia comemorativa do título inaugural da IPS, num clube de canoagem em Waikiki, os jornais queriam uma fotografia a PT com a taça. O único problema era que não havia taça nenhuma. Vai daí, alguém foi a sala de troféus do clube, agarrou num qualquer, escondeu a placa das inscrições e Townend lá pôde ser fotografado para a posteridade.





Os dentes ou a vida

'Eu e Shaun tinhámos um pacto: aconteça o que acontecer, complete o drope. Use todo sua habilidade, todo seu talento, todo seu instinto.'
Pipe não era uma onda muito surfada por back-siders e aquela geração tinha o compromisso de quebrar todos tabus.
Wayne 'Rabbit' Bartholomeu passou parte do inverno de 77 escondido no mato. O simples fato dele ter apanhado do jeito que apanhou, perder os dentes, receber o castigo de ter sua cabeça a prêmio, assim como Kanga, e resistir como resistiu, é admirável.
Tudo por um texto quase inocente que escreveu para a revista Surfer e que emprestou o nome à sua biografia, Bustin Down the door, inspiração do documentário.
Rabbit foi o visionário que não teve medo, ou alternativa, de constatar que seu futuro seria surfar.
Estavam sentados na beira do mar, depois daqueles dias mágicos de surfe no North Shore, ele e seu amigo e adversário Shaun Tomsom:
O que voce vai fazer daqui pra frente, Rab ?
Eu vou me tornar surfista profissional.
Aquilo soou estranho para Shaun. Surfista profissional ? Que idéia mais maluca e fascinante...
Aqueles homens estavam ali, no meio do caldeirão que era o inverno havaiano, sedentos por reconhecimento, por fama e pelo pouco dinheiro que seria suficiente para aguentar até o próximo campeonato.
PT e Ian Cairns seriam responsáveis pela criação, junto de Randy Rarick e Fred Hemmings, da IPS entidade que precedeu ASP, escreveram regras que até hoje permanecem, inventaram um circuito do nada e ainda terminaram primeiro e segundo em 76.
No ano seguinte, Shaun cumpriu seu destino e tornou-se campeão mundial do primeiro circuito pra valer e em 78 Rabbit finalmente pode levantar seu caneco.
De 79 até 82 Mark Richards reinou.
Em 1983, a dupla PT e Kanga tomaram a IPS de Hemmings e criaram a ASP.


O Rombo em Contexto 6
No final da atribulada temporada de 76/77, o australiano Peter Drouyn apareceu no Havai durante a reunião onde se apresentava o circuito mundial de 1977, avançando a informação de que o primeiro evento da temporada, a ser disputado em Burleigh Heads, iria estrear um novo formato de competição, criado por ele próprio, e chamado man-on-man. Na sua biografia, Rabbit recorda o momento em tons épicos: “Drouyn deu a notícia como Moisés a anunciar os dez mandamentos. ‘Há uma nova frente de combate no surf profissional. Chama-se Burleigh Heads, chama-se surf man-on-man e quero ver sangue na água! Nós somos os gladiadores!’”




Pe na porta

Deixei o filme de lado para falar dos Homens por trás dos mitos e ainda há muito para escrever.
A trilha é empolgante e comovente, tem T. Rex, Rolling Stones tocando Paint it Black e, claro, Fame do Bowie, talvez numa homenagem ao Rabbit.
A edição é elegante como uma rasgada do Ian ou uma cavada do PT.
Bustin Down the door não tem uma mensagem endereçada ninguem, não tem recados ou moral, tem histórias bem contadas por quem as viveu intensamente e nunca vão se livrar delas.
O filme vai contra toda linha do romantismo oportunista que paira hoje pelas redações, ilhas de edição e line-ups. Desta vez existe sofrimento, dor, frustração, sacrifício, exatamente como na vida real, sem a maquiagem perversa da diversão pela diversão.
Bustin... é o nosso When we were kings.
Rabbit, Shaun, MR, PT, MT e Kanga não são os únicos responsáveis pelo que o surfe representa e se tornou hoje.
A indústria bilionária e os surfistas profissionais com salários milionários não devem a esses camaradas nada alem de respeito.
Sorte de quem reverencia seus ídolos dessa maneira.



O Rombo em Contexto 7
Referências significantes à era Bustin’ Down The Door através de livros e filmes
Filmes: Free Ride (Bill Delaney, 1977); Playgrounds in Paradise (Alan Rich, 1976); Tubular Swells (Dick Hoole/Jack McCoy, 1977); Stylemasters (Greg Weaver/Spyder Wills, 2006); Pipeline Masters (Stacy Peralta, 2006)
Livros: Bustin’ Down the Door (Wayne ‘Rabbit’ Bartholomew e Tim Baker - HarperSports, 1996); Mr. Sunset – The Jeff Hakman Story (Phil Jarratt – General Publishing Group, 1997); Eddie Would Go – The Story of Eddie Aikau, Hawaiian Hero (Stuart H. Coleman - MindRaising Press 2002), The Perfect Day – 40 Years of Surfer Magazine (Surfer Magazine, 2001), The Best of Surfer Magazine (Chronicle Books, 2007)


* Rombos em contexto por João Valente.