quinta-feira, maio 28, 2009

A Onda é um caminho sem volta

Ninguem diz, então digo eu:
Trocando as bordas (A Onda é um caminho sem volta) bagunçou o coreto.
Fez neguin parar e pensar no que estava acontecendo, dois ou tres enlouqueceram, o resto seguiu em frente sem olhar pra tras.
Jonas Rocha era um talentoso fazedor de videos de surfe que, inseguro com a empreitada de realizar um video pra Wetworks, convidou Pepe Cezar, que esticou convites ao Bomba e esse que vos escreve para juntos mergulharmos no processo de fazer mais um video de surfe - quase 4 anos depois do ultimo Cambito, o 3.
Completamente embriagado pela poesia do Manoel de Barros, Litmus e Air, Pepe veio com uma formula inovadora de criar galinhas (ou fazer filme de surfe, que é tudo a mesma coisa).
Começamos invertendo o papel do Jonas, que passou de diretor a compositor da mais espetacular trilha sonora original de filmes de surfe desde a Cor do som no mitico 'Nas ondas do surf'.
Jonas chamou seu camarada Ulisses Cappelletti, recem saido do Squaws e iniciaram o Superagua , um duo improvisado cheio de chinfra.
Jonas virou DJ de reconhecimento internacional.
Quem não conhece o Superagua, não perca mais tempo, faz favor.
Falta folego e cara de pau para escrever mais sobre o filme, o processo de confecção lá num quarto e sala no Horto e quem eramos naquele tempo.
Já faz 10 anos, meu Deus...
Jonas disponibilizou todo video no youtube.
Tin-tin!








quarta-feira, maio 27, 2009

Da Crow


Binho é um dos grandes misterios do surfe brasileiros - para mim, ao menos.
Um dos tres mosqueteiros do Cambito 3 (os outros dois eram Rena'tiro' Wanderley e Neco), Binho tinha o surfe mais alegre e espontaneo aqui do Salvelindo no final dos anos 90.
Tudo indicava temporadas de festa no WCT ao lado do seu camarada Hoyo e um mundo possivelmente estupefato com seu desempenho em Pipe, G. Land (ainda no Tour) e Teahupoo.
Para esclarecer e entreter, Adolfo, o incansavel, realizou uma excelente entrevista com Binho e, desprezado pela nossa imprensa caolha, publicou no seu Blogue, pra nossa sorte.
Vejam o que Binho disse da entrevista no seu blogue:
Quando vc acha que já fez de tudo nessa vida, aparece uma coisa que já poderia ter acontecido a muito tempo, principalmente no meio surfístico... Me pergunto as vezes porque cargas d'agua eu nunca dei uma entrevista quando estava no auge da carreira, talvez porque saber ao certo a verdadeira história dos fatos poderia chocar ou causar um reboliço só.
Foi aí que surgiu um cara que eu nem conheço pessoalmente, querendo fazer uma entrevista comigo pro seu blog, mas ele não queria uma simples entrevista, ele queria ir além, ele queria saber de mim, o que eu penso, as experiências que vivi, as coisas que faço hoje, por onde andei, aonde estou e onde pretendo chegar....Depois de uma troca grande de emails, a entrevista foi ao ar.
Essa foi sem dúvida a entrevista mais completa que já fizeram comigo, a mais decente também, o que me fez lembrar dos bons tempos de competição, da vida no tour mundial , das minhas voltas por esse mundo afora.
Vale a pena conferir, quando li a entrevista voltei no tempo, viajei como se estivesse em um filme preto e branco, não tão distante.

Morou ?
Agora corre la pro Viva la Brasa e corre pro abraço.

segunda-feira, maio 25, 2009

Veios

Num ambiente supostamente jovem, digo supostamente porque quem publica qualquer coisa relacionada ao surfe considera mais importante a turma de 25 pra baixo do que pra cima - com alguma razão.
Pois nesse ambiente quase juvenil, os grandes (ou mais antigos, ou frequentes) colunistas são todos, e agora não me ocorre nenhum, repito, todos colunistas tem por aí uns 40 anos, pra mais.

Mais ?
No Blogue da Hang Loose

Guardiao

quinta-feira, maio 21, 2009

9 Chances de enlouquecer


Foto braba do Clemente Coutinho

[Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 194>Março 2009]

Todo surfista tem um ego extraordinariamente grande capaz de arremessa-lo nas situações mais absurdas.
Ninguem ta livre dessa sina, muito menos eu.
Na madrugada do dia 9 de fevereiro entrei num taxi em direção ao aeroporto.
Destino ?
Fernando de Noronha.
Meu desafio era fazer pela primeira vez em toda minha vida a locução da edição comemorativa do décimo Hang Loose pro, algo semelhante (pelo menos pra mim) a ser obrigado a entrar em Teahupoo meio torto com mais de oito pés.
Sempre desconfiei do paraíso de Noronha. Ainda nos anos 80 ouvia histórias incríveis das ondas, da mais completa falta de infra-estrutura, locais furiosos, tubarões, fundos de coral e tubos desertos e inesquecíveis.
Depois de tantas horas de viagem, entra em avião, sai de avião, sobrevoávamos a Cacimba do Padre, Danilo Grilo, duas poltronas na frente, duvidava dos apenas 3 ou 4 gatos pingados n'água - fato que automaticamenteme me remeteu pr'um artigo na Surfer lá pelo distante ano de 78/79, texto do Carlos Lorch, fotos do Robert Beck, ondas assinadas pelo lendário surfista paulista Paulo Tendas.
Rumores dentro do avião eram que as ondas estavam tão vazias porque pequenas, segundo veteranos em idas, dispensável quando trata-se de Noronha.
Oba, minha vez! Pensei ansioso e eufórico. Nada como ondinhas para entrar no ritmo do mar que dizem tão violento e impaciente.
Malditas expectativas otimistas. Lá fora, 6 a 8 pés de ondas explodiam literalmente bem mais longe da beira do sempre esperei e os 4 camaradas eram os finalistas da triagem local.
Mal deu tempo de apreciar a cor da água, ou a temperatura agradável na praia devido ao delicioso vento que insistia em decorar cada onda com véu.
Algo esquisito dentro de mim avisava que batimentos cardíacos deveriam estar mais vagarosos pro meu próprio bem estar - pra cada serie um suspiro...
Mas que diabos!? Por que todo esse nervosismo se eu estava ali pra participar da transmissão do campeonato e não, mesmo depois de 12 anos de desistir do surfe profissional como competidor, para provar nada, pra ninguem ?
Todo surfista tem um ego traiçoeiro, escrevia eu logo ali em cima.
Nem passei parafina na minha fiel 6', safra 2003, afinal, pra que ?
Encerrada a final local, pulei na água e fui.


Foto caverna do Clemente Coutinho

Não suje a praia

Uma dificuldade enorme pra dormir apesar de morto de cansado. Por que não se enfiou dentro daquela bomba ? E se não era para se enfiar ali, por que descer ?
Tres dias depois, ondulação virando, maré seca, seca, seca...
Campeonato interrompido, quase meio dia, no Bode (mais para a direita do palanque) mais fotógrafos do que surfistas e cada direita capaz de arrepiar até o mais frio dos surfistas.
Por que não ? uma vozinha insinuava como nos desenhos animados surgem os diabinhos a tentar o Patolino.
Fabinho foi na primeira, Sávio na segunda, Pigmeu na terceira, a quarta tinha o dobro de tudo medido antes, vai ? Não senhor.
Não se esqueça, essa onda na frente de todos fotografos e a turma gritando pra voce ir irá lhe assombrar por muitos e muitos anos.
O ego ferido será capaz de por sua vida em risco para redimir-se, preço alto poderá ser cobrado e nem todos seus tubinhos mixurucas conseguirão misericórdia.


Foto imbecil do Clemente Coutinho

Avalanche de desculpas

Tenho 41 anos, surfo pouco, meu joelho doi, minhas costas doem, trabalho muito, não alongo, mais cedo tava melhor, mais tarde vai ficar melhor, maré muito baixa, maré muito alta, remei tarde, agua nos olhos, vento atrapalhou, tinha um cara embaixo, alguem assobiou, tava distraido, ah meus 25 anos!, meus braços não valiam mais nada, nem de jet ski, prancha muito fina, prancha muito grossa, dava não, muito no rabo, muito atras, nem o Slater, nem o Bruninho, achei que tu ia, por que voce não foi, po!?

Especie em ascenção

Bom dia a todos, estamos aqui na maravilhosa ilha de Fernando de Noronha...
Seja sincero, evite responder insultos (não serão poucos), controle-se.
Na minha frente pipocam mensagens sem parar de todas partes do mundo.
Um brasileiro no Japão deseja boa sorte ao Trekinho, outro, em Barcelona, torce pelo Raoni, da Australia um diz que não perde por nada a transmissão.
Bateria do Guedes.
Chuva de bandeirinhas portuguesas.
É um tal de Gang da Foz, Porto, Porto, Porto, Porto, Ericeira, Carcavelos, Estoril, cada um deles com o sonho de ver um compatriota no podio.
Não será facil.
Pela primeira vez o vejo surfar, como tem garra! e bom estilo. Reclamava na edição de dezembro que em todo 2008 não tinha tirado uma única nota acima de 7.
Na sua campanha em Noronha faz logo um 7.5 na primeira fase e deixa o ex-WCT e campeão mundial junior de 2000 com a segunda colocação.
8.67 na segunda fase.
Pega Bernardo Pigmeu e Marcelo Trekinho na terrível e injusta bateria de 3, perde um.
Disse que não seria fácil.
Primeira onda do Pig, 7.67, segunda ? um 9.6 que tinha a nota 10 escrita desde quando surgiu a serie no horizonte.
Trekinho, 8.33 na primeira e 6.27 pra fechar a fatura.
O Tuga teve duas notas abaixo de 6 pra desespero e indignação da torcida.
O que quase ninguem viu foi um 5.1 do Pig que valia facil mais do que as duas do Guedes, quem se importa ? Ele ja ostentava uma media altissima.
Um internauta: Quando cai o Saca ?

Espécie em extinção

Merda! Como baixou esse mar. Tem graça mais não.

sábado, maio 16, 2009

Viva o Gordo

PQP, morreu no dia 5 Dom de Luise, um dos camaradas mais engraçados que vi atuar.
Seus filmes com Mel Brooks sãp fundamentais pra quem gosta da comedia bem feita.
Como esquecer sua antologica cena em 'Historia do mundo parte 1' ?
Desafio a clicar aqui embaixo e conter o riso.

sexta-feira, maio 15, 2009

Rascunhos


Iggy, ou Alex Knost, dependendo do seu humor.


[Texto inedito e inacabado de maio de 2003, epoca que eu ainda tinha alguma coisa pra dizer]


Iggy Pop resumiu parte duma era com a seguinte frase:”Teve um tempo onde voce podia ir assistir aos Rolling Stones e aprender alguma coisa sobre como se vestir, como falar, como agir e como dançar…”
Essas citações servem pra tudo, aplique-se ao surfe e temos nosso meio atacado pela mais velha forma de corrupção da essência de alguma coisa, ou de alguem: o corporativismo.
Resolveram que a partir de agora o surfe, com o ‘sério’ objetivo de chegar aos jogos olímpicos, deve se regularizar como qualquer outro esporte e adotar o antidopping.
O assunto é explosivo e a polêmica, barata.
Todo mundo que tem um mínimo interesse por esporte, sabe que as drogas chamadas estupidamente de recreacionais, não ajudam em nada um atleta no seu desempenho, muito pelo contrário.
Rabbit Bartholomeu, fiel ao seus, escreveu uma carta oficial em nome da ASP alegando que surfistas não se drogavam como esses super-atletas olímpicos. Nada de remédios para ficar mais veloz, mais forte ou mais resistente.
Tirando o Lord Inglês Ted Deerhurst, o primeiro surfista profissional da Grã Bretanha, pioneiro em usar a musculação para tentar, em vão, aumentar seu rendimento dentro d’água, fora esse senhor, não conheço outro surfista com intenção de ser campeão mundial que se beneficie com ‘Bombas’, ou exercícios exagerados a base de estimulantes.
Na esperança de punir os desobedientes, a perna francesa saiu na frente na caça aos ‘air-heads’. É exigido teste anti-dopping durante os campeonatos WQS e WCT em Anglet, Hossegor e Lacanau. Segundo li em nota divulgada pela própria associação, dois surfistas que se negaram a realizar os testes foram banidos dos campeonatos em areias francesas.
Os nomes são omitidos.
Os World Games, exatamente ali, onde existem as maiores aspirações políticas, e por que não ?, mercadológicas, já se comprometeram com o comitê olímpico que irão, sim, sortear e testar seus campeões. O esporte elevado a categoria olímpica pode ter mais aporte de verbas dos governos, etc…
A simples idéia do surfe virar um bom exemplo me dá calafrios. Quase conseguiram proibir que servissem cerveja nas áreas de competição.
O que está acontecendo ?
Querem apagar o genial discurso que Simon Anderson fez, trêbado, quando liquidou o Bell’s em 1981, com 12 a 15 pés de ondas, numa prancha esquisitíssima, com 3 quilhas ?
Vão conseguir renegar o título de Jeff Hackman nessa mesma praia em 1974, cosmicamente alterado pelo LSD ?
Ou então rasgar a página onde se conta a histórica sessão de surfe noturno de Jock Sutherland em Waimea com mais de 25 pés, duas gotinhas além do ‘normal’ ?
Em breve vamos estar na TV anunciando planos de saúde.
Ué ? mas já não estamos, carapálida ?

segunda-feira, maio 04, 2009

Idalo

Volta e meia aparece um camarada que nos deixa de queixo caido.
Damienl Wills, ou Dom, junta toda porralouquice do surfe moderno e bota pra baixo dum jeito que dá medo só de olhar - e de peito tambem!
Olha o naipe do malandro no Vimeo, ou vai la no blogue dele.



Dom bodysurfing ship sterns bluff