quinta-feira, dezembro 24, 2009

Pro Junior 2010




A questão não é se vamos ganhar mais uma vez o titulo mundial Junior, é o que faremos com ele.


1998 Andy Irons (HI)
1999 Joel Parkinson (AUS)
2000 Pedro Henrique (BRZ)
2001 Joel Parkinson (AUS)
2003 Adriano de Souza (BRZ)
2004 Pablo Paulino (BRZ)
2005 Kekoa Bacalso (HI)
2006 Jordy Smith (ZAF)
2007 Pablo Paulino (BRZ)
2008 Kai Barger (HI)


Mais sobre o assunto, no blogue da Hang Loose.

terça-feira, dezembro 22, 2009

Eu sou o melhor



Taylor Steele é o Efedepe mais competitivo (e maquiavelico) de toda historia dos filmes de surfe.
Foi ele que criou a mais poderosa e disputada ferramenta de exposição do nosso deslumbrado mundinho das estrelas quando, provavelmente sem querer, determinou que o surfista que tivesse as melhores ondas ganhava o clipe final dos seus Videos.
Desta vez Steele apareceu com uma outra ideia, nem tão nova, mas surpreendente, de escolher surfistas pro seu proximo video pela internet - mais uma sacada genial do camarada que da banho em 9 de cada 10 diretores de marketing do mercado.
Para competir - e julgar! - basta entrar no innersction.tv e se cadastrar.
Vamos esperar para ver como as regras vão se adequar ao bel prazer dos donos da bola quando brasileiros começarem a bombardear o site com videos e votação maciça.
Aposto uma mariola que algo é capaz de acontecer no meio do caminho, parecido com o que aconteceu com a votação dos wild cards para o primeiro WCT em G. Land quando Pedro Muller e Carlos Burle ganharam de lavada a vaga.
Adivinha o que aconteceu no ano seguinte ?
Bora la Medina, Alejo, Gui-gui, Riquinho, Ian e cia!

quarta-feira, dezembro 16, 2009

O diabo é o quase

Normalmente espero pelo menos dois meses para publicar aqui no Goiabada algo que foi publicado nas revistas que colaboro.
Desta vez, por motivo obvio, escolhi mandar brasa e dividir com voces reflexões do dia 11 de Outubro, antes portanto da etapa portuguesa do circuito.


[Sopa de Tamanco - Revista Hardcore # 242 - 11/2009 e Tempestade em copo d'agua>Revista Surf Portugal # 202>JNovembro 2009]


Não tenho hábito de fazer isso, desta vez acho quase indispensável descrever de onde escrevo.
Tem muitas moscas, tantas que não consigo conta-las, vem da rua ali embaixo cheia de bosta de vaca e cabras, os sinos badalam anunciando que mais vacas e cabras passam e despejam nas pedras sua rotina de tempos que ninguem mais quer lembrar.
É uma aldeia pra lá de Vizeu onde nasceram os pais do meu sogro.
Esse não será um texto romantico e babado - as moscas não deixam.
Trouxe um livro do João Saldanha pra ler, chama-se O Trauma da Bola (Cosac & Naify, Rio de Janeiro, 2002) e trata dum assunto que cada vez mais parece ganhar corpo pros apaixonados pelo futebol, a derrota do selecionado brasileiro pro italiano na Copa do mundo de 1982, 3 x 2.
Bastava um empate e seríamos tetra-campeões.
O futebol jogado por aquele time era uma coisa fora do comum, quem gostava de futebol torcia pro Brasil avançar só para poder ver Zico, Falcão, Sócrates, Junior, Leandro, der, Cerezo e cia jogarem novamente.
Cada jogo era uma aula.
Saldanha era macaco velho, sabia tudo de futebol e um pouco de tudo.
Aprendi com ele a olhar o jogo com outros olhos, seus comentários no radinho de pilha durante e depois dos jogos tinham a urgência dum sermão de missa dominical.
Malditas moscas.
Acho pouco provável que alguem no circuito mundial de surfe tenha ouvido falar do João Saldanha. Dois ou tres australianos conhecem Derek Hynd de nome. Hynd escreveu sobre a ASP e seus ídolos como ninguem. Suas cronicas sobre a perna europeia, o Grand slam australiano e as temporadas havaianas nos colocava numa redoma de resina e lançava no centro nervoso do tour.
Duma hora pra outra, o texto do Derek Hynd te pegava pelo colarinho e voce quase apartava um pau entre Pottz e Gerlach depois duma bateria no Japão, noutra voce VIA Curren surfando sozinho numa praia impossível de varar com mais de 15 pés de rebentação para espanto dum jovem Slater, se voce piscasse podia se encontrar numa mesa de bilhar com dois campeões mundiais completamente bebados apostando a premiação toda dum evento numa tacada.
Hynd era o Saldanha da reportagem de surfe.
Assim como Saldanha, Hynd conhecia o negócio por dentro. Campeão australiano junior, caçula do poderoso esquadrão do Terry Fitzgerald, era sexto do mundo quando em plena bateria na perna sul-africana levou uma pranchada no rosto e perdeu quase toda a visão do olho esquerdo - apesar disso continuou competindo e ainda avançou!
Suas resenhas sobre os top 30 (antes dos top 44) eram de arrepiar, saborosas pra quem estava fora, amargas pros de dentro, intragáveis aos poucos sem censo de humor.
Temos hoje um certo Lewis Samuels, algo gozado, bem informado, atento e prolixo. Veio em boa hora, toda imprensa tinha ficado um pouco sisuda demais.
Sacudiu.
Hynd fugia do lugar-comum como o diabo da cruz, Lewis investe sem medo nos cliches, partindo pra dentro dos velhos (presente!) preconceitos como uma bóia salva-vidas - a turma do pescoço vermelho adora e brinda com a Intolerável Bud Light cada chavão.
Derek citava Dostoivesky, Lewis cita quem ele pode.
Basta de lenga-lenga.
Joel Parkinson é a seleção brasileira de 1982, sublime, poderosa, irresistível. Mick Fanning é a Itália do Paulo Rossi, precisa, mecânica, mortal.
Saldanha acusa que a equipe brasileira ganhou antes, não teve humildade nem disciplina para conter o empate que nos interessava.
Queria ganhar a todo custo, esqueceu de combinar com o adversário.
Todo mundo torce por Joel, sua linha é a mais bela, como os dribles curtos do Zico, seus cutbacks valem por arrancadas com a bola dominada do Leandro, poderíamos ficar aqui, eu e voce, fazendo analogias de como tal jogador tinha a maestria do Parko quando conduzia a pelota, não vale a pena.
Lewis Samuels escreveu que o surfe do Mick Fanning é tão empolgante quanto uma aula de aeróbica.
Fica claro na frase que Samuels tem dificuldades pra manobrar sua prancha e irrita-se quando ve Fanning fazer nenhum esforço para colocar sua prancha onde quer.
Fanning é um dos maiores surfistas de toda história, assim como Parko.
A diferença é que Mick parte para seu segundo título e Parko…bem é talvez cedo para dizer mas Adriano pode ter outros planos para o vice de 2002 e 2004.
Claro que Slater é capaz de tudo e na altura que esse texto for publicado pode ter feito das suas - Kelly não presta para previsões.
Saldanha dizia que o diabo é o quase, em outras palavras brincava com a maldita expectativa que mata tantos sonhos.
Como quando nos preparamos dois dias antes acompanhando as previsões em mais de 300 sitios da internet, roupa de borracha, parafina, duas pranchas, alongamento.
No fatidico dia dirigimos por todas possibilidades de perfeição, pra cima e pra baixo, apenas para descobrir que o melhor lugar era logo ali, 45 minutos atrás, maré baixa.
Torço muito para que esse texto seja um grande equivoco, Parko seja mesmo um campeão nato prestes a despertar do sono profundo.
Quero comemorar seu título mas não creio.

sábado, dezembro 12, 2009

Mick Fanning na cabeça

Parko cumpriu o prometido e foi esperar Fanning na beira d'água para leva-lo nos ombros para a gloria.
Grande esportista, grandioso surfista.
Ano que vem é dele.
Alguem duvida ?

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Tropical, camarada

[Sopa de Tamanco#04 - Revista Hardcore 07/2009]

“Mas, olha, o que eu digo sempre, é muito fácil fazer uma Austrália: pega meia dúzia de franceses, ingleses, irlandeses e italianos, joga numa ilha deserta, eles matam os índios e fazem uma Inglaterra de segunda, porra, ou de terceira, aquela merda.
O Brasil precisa aprender que aquilo é uma merda. Que o Canadá é uma merda, porque repete a Europa. É para ver que nós temos a aventura de fazer o gênero novo. A mestiçagem na carne e no espírito. Mestiço é que é bom.”


(Darcy Ribeiro em "Mestiço é que é bom", Ed. Revan, RJ, 1997)

Professor Darcy, como gostavam de o chamar, apostava na mistura como grande virtude do povo que ele tanto se orgulhava.
Darcy sabia das coisas.
Sem frescuras ufanistas, esse patriotismo cego que as vezes querem nos aplicar sem eira nem beira, essa percepção de país do Darcy abriu os olhos de muita gente - olhemos pra dentro, não pra fora pessoal.
No ranking final do primeiro circuito mundial de surfe profissional ja estávamos la, muito bem representados, pelo loirinho cheio de talentos, Pepe Lopes em 18º, na frente de gente da categoria do Rabbit, Lopez (com Z), Reno Abellira e Paul Nielsen.
Pepe poderia passar por australiano ou americano facil, facil, pegando um tubo em pe em Pipe ou de esperando o metro em Paris.
Logo ali embaixo no ranking, ainda nos top 30, em 24º, um judeu mulato com cabelo black power, mestre do estilo duas decadas antes do Fabinho- senhoras e senhores, Daniel Friedman.
La se vão 33 longos anos.
Entre 1976 e 2009 todo tipo de brasileiro passou pelo circuito, de cima a baixo, ou seja, primeiro na batalha pelos top 30 como Pepe, Daniel (28º em 77!), Cauli, Otavio, Rico, Boca e outros aventureiros que corriam atras não dos pontos ou da grana mixuruca, nada disso. A rapaziada tava ali pra se divertir e esticar a juventude até não poder mais (embora não soubessem ainda).
Chega os abominaveis 80, decada da redenção do surfista esforçado, e o Bananão emplaca uma nova e promissora geração que começara a prometer no finzinho dos 70.
Eram eles, Valdir (23º em 81, po!) Fred, Picuruta, Valerio que chegavam capitaneados pelo glorioso Cauli (Daniel ainda resistiu até 83/84) num ataque modesto e ao mesmo tempo furioso no circuito mundial.
Em 1988 entra Teco e Fabinho, um loirinho-loirinho, descendente direto da colonização alemã em algumas selecionadas cidades do estado de Santa Catarina e um cabra da peste, la do outro lado do nosso país continental, tambem com sangue europeu na sua ascendência mas com caracteristicas muito mais associadas a imagem mitologica do brasileiro, digamos, comum.
Pois foi o brasilleiro comum que derrubou todos preceitos e preconceitos para tornar-se, bem, voces sabem...
Um leitor mais atento e afoito gesticula indignado pela absoluta falta de criterio para omitir tantos nomes de peso dessa introdução.
Sim, claro, estou omitindo valorosos guerreiros, Muller, Phebo, Rodolfo, Burle, Eraldo, Boscoli, Tendas, Piu e cia, mas o assunto é outro, como voces verão logo adiante.
Nos 90, o mundo passou a confundir-se com a quantidade e a variedade de rostos brasileiros no meio dos 44.
Tinga, Jocelio, Tadeu, Joca, Peter, Renatinho, Costa, Mandril, Silva-sauro, Papito, Vitin, Herdy, Neco, Renan, Mandinho, completamente diferentes em todos aspectos, dentro e fora d'água.
Indio, crioulo, russo, moreno, loiro, alto, baixo, cabelo bom, sarará, elegante e mulambo, nossa nação tava todinha la, dum jeito ou de outro.
Na Zona sul do Rio de janeiro e nos bairros nobres das principais capitais do Bananão (assim Fausto Wolff apelidou o Florão da America) a turma bem nascida não se enxerga no mestiço.
Não se enxerga e sequer admite pertencer a mesma etnia, e ai de quem ousar dizer que sua pele branquinha e cheirosa faz parte do que conhecemos como povo brasileiro.
Eu não! Revolta-se o rapaz de gola role.
Sujeito não quer se reconhecer naquela figura porque representa o que ele entende como andar de baixo da piramide social e ele, o sujeito, ta la no topo, ou acha que ta, sei la...
O camarada quer ser representado por um cara que ele se identifique, mais pr'um Jesse do que um Pablo.
Somos um bando de preconceituosos abjetos e indecorosos, exatamente como os gringos que sempre acusamos de discriminação - começa em casa.
Do jeito que a coisa vai, em 2010 é melhor nos acostumarmos com o mestiço batendo firme nos arianos.
Depois de anos investindo em viagens para surfar ondas de verdade como Indonesia, Taiti, Havai e Australia, treinamento com fisioterapeutas, psicologos, nutricionistas, aulas de ingles e o escambau, é a vez da geração 010.
Não estou falando do futuro, to falando do presente.
Temos hoje uma lista de surfistas pra todos gostos, free-surfers como Junior Faria que correm atras apenas de polir seu estilo e o jeito de ler a onda. Jeronimo Vargas é herdeiro direto e literal do maior tube rider que o Brasil ja teve, Valdir Vargas, e com apenas 20 anos e um surfe pra la de maduro ainda vai, se assim desejar, aprender a domar baterias no WQS.
Jesse Mendes é o caçula da turma, junto com Ian Gouveia, ambos ja com invejavel intimidade com tubos, extrema facilidade com aereos e surfe com poucos vicios (graças aos treinadores, paulo Kid e, bem, Fabio Gouveia...).
Alejo é um monstrinho desde novo, tem sangue argentino correndo nas veias, estilo de sobra, concentrado, serio, focado. Ja tem uma vitoria no WQS em 2009, 6 estrelas em Portugal, dificilmente não estara no World Tour de 010.
Miguel Pupo, todos sabem, filho do Vala, competidor ferrenho, duro na queda, passou pro filho a paixão por baterias. Miguel apimentou com um repertorio de manobras que o pai nunca sonhou.
Gui gui Dantas, duas vitórias gigantescas no WQS em 2008, pagina dupla na Surfing (com nome certinho, coisa rara)nenhum surfista com menos de 20 anos faz isso impunemente.
Pablo, como diria o Bocão, uma bomba relógio, prestes a explodir se conseguir manter a cabeça atarrachada no pescoço.
Jadson ja nem sei mais o que dizer, uma maquina de finalizar onda com aereo reverse, ganhador de bateria da molestia, aluno aplicado e dedicado. Ja esta entre os 45 pra 2010, afirmo sem medo.
Felipe Toledo me assustou la em Noronha.
Kid me diz que tem um tal de Victor Bernardo, que é o Tinga remixado.
Darcy, que não surfava, diz ainda assim: Somos melhores porque lavados em sangue negro, índio, melhorado, tropical.
Tropical, camarada, tropical.

sábado, dezembro 05, 2009

Boneco



Até hoje inatingível de backside nas ilhas.
Fui buscar imagens da sua vitoria no Sunkist de 1982 para comparar com os melhores momentos do melhor dia do O'neill desse ano.
Me impressionou a pessima escolha do quiver pela maioria dos malandros.
Conclusão ?
Releia primeira frase.