quarta-feira, maio 28, 2008

Bruce larga o WCT



Deu na Surfing

if you’re not there to win a world title, I really don’t think there’s any point in being there. If I just stay on tour, I’ll be stuck in the back of the bus like the rest of the non-contenders. If you’re not in the Top 5, who are you? You’re stuck in back of the cattle bus.

Então tá, Bruce. Se voce diz...

segunda-feira, maio 26, 2008

Man...



A revista High Times, uma mistura de Surfers Journal com Mad, acende sua primeira edição dedicada aos surfistas e a pauta não poderia ser mais divertida e interessante: Surfing and smuggling, ou Surfe e movimento.
Abaixo vai o Potcast da edição.
Os trocadilhos das chamadas de capa são de outro mundo.
Para quem gosta ou não da erva, leitura obrigatória.


domingo, maio 25, 2008

Um para não perder




sábado, maio 24, 2008

Brunin de Niquiti


E por que não voar ?



'You can't always get what you want,
But if you try sometime,
You just might find you get what you need'
Jagger/Richards>1969


Rabbit, de cima dos seus 40 anos dentro do surf profissional, cantou a pedra: nunca vi um cara tão predestinado.
Analisando friamente os números, Bruno teve um campeonato excepcional, fez história, quebrou o jejum brasileiro e arruinou os sonhos (ainda que temporariamente) de um campeão mundial, um candidato ao título e um herói local.
Esses são os fatos e os fatos pouco me importam. O que me interessa nessa história é o mito.
Joca Secco recebeu o seguinte imeio do Brunin dia 29 de Abril -

From: "BRUNO SANTOS" <--------@hotmail.com>
To: "Joca Secco - Wet Works" <-------@wetworks.com.br>
Sent: Tuesday, April 29, 2008 7:03 PM
Subject: RE: Puta que pariu !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!MUITO BOM MESMO

Joquinha ,, as pranchas tavam muuuuuuuiiiiito boas,,,, eu so vim com quatro,, as quatro amarelinhas,,, a 5,11 quebrou rapido,,,, a 6,7 tava incrivel,,, no dia que o pessoal fez tow in eu surfei com ela na remada e peguei altos tubos no meio dos jetskis ai no dia seguinte ela partiu de manha antes de comecar o campeonato,,, foi irado,, ai eu corri a triagem inteira com a 6,3 que ta muito boa tambem. Agora eu to so com a 6,1 e 6,3,,,,,mas ta tranquilo porque eu vou ficar uma semana sem surfar,, eu tomei 15 pontos na coxa no comeco da semifinal e vou ter que ficar de repouso.

mas nao preciso falar nada ne joquinha,, esse negocio de prancha gringa nos tubos e coisa de viado,, as pranchas tavam voando,, agora e concentrar no ct,, abracao e obrigado por tudo


Sabem os 15 pontos (no saite da ASP são 30!) que ele menciona ter levado na coxa ?
Ele não conta, mas os médicos pediram a ele que desistisse da semi-final, Bruno se recusou, voltou pra água- as ondas estavam boas demais.
Mesmo com a vaga garantida pro WCT, voltou pr'água contra Jamie O, liderou toda bateria em ondas épicas e perdeu numa virada que provavelmente não seria tão limpa se o caso fosse contrário. Vale dizer que, tivesse mais alguns segundos e outra onda na série, Bruno (precisando de um 9.01) virava fácil. Alguem duvida ?

Foi bom a tão sofrida e esperada vitória dum conterrâneo no WCT vir pelos pés do Brunin.
Primeiro, pelo fato dele representar hoje a antítese do surfista guerrilheiro.
Bruno raramente vibra no final das suas ondas, e atentem!, suas ondas são dignas de anos soltando fogos de artifício pra maioria dos top 45.
Bruno simplesmente prefere arriscar uma manobra, terminar sua onda e pronto. Sem soquinhos, sem gritinhos, sem bananas, sem dedinhos. Aquilo é natural, é dele, ali Bruno tá acima de tudo querendo se superar, foda-se o adversário.
Sua atitude me lembra demais o falecido Pepê, totalmente à vontade em Pipe, fortuito e imponente ao mesmo tempo.
Tudo sob o mais absoluto controle - até os acidentes.

Pô, cara...

Pena que não tem onda, insistia Bruno ao inacreditável entrevistador GT, um paspalhão irritante que assemelha-se a esses caras chatos que voce tenta evitar nas festas.
Ao final da disputa contra o atual campeão mundial, Bruno sorria, dizia-se feliz e lamentava: Pena que não deu onda...
Depois de esculachar Taj, mais uma vez tava lá o chato e Brunin: Pena que não tem muita onda...
Contra Reyes, Mineiro e Cêjota: Pena que não tinha onda...
Minha leitura da frase é a seguinte: Pena que não deu onda, porque se tivesse onda mesmo, onda de verdade, eu ganhava do mesmo jeito, mas muito mais bonito.
O personagem fictício do saite Surfline, Lewis Samuels (que todos sabem não existir, é um velho truque da imprensa para escrever textos que ninguem tem coragem de assinar), apostou no Bruno santos como favorito pro evento antes da contenda começar, bem antes.
Até as conchas da praia de Itacoatiara não tem uma pontinha de dúvida que Brunin é capaz de estragos em esquerdas pesadas. O que ninguem esperava, nem as conchas, era que num mar com ondas muito mais para um Mineiro, um Taj, um Fanning, num mar de ondas manobráveis, quase sem graça, ninguem esperava que Bruno desse cabo de tudo e de todos.
A locução do campeonato em inglês, repetia constrangida nos últimos minutos da bateria final, esta é uma bateria triste, quase pedindo desculpas pelo fato do antagonista estar estragando uma festa que deveria ser deles (Billabong).
Achei ótimo o troféu ser levantado pelas mãos do Brunin naquelas ridículas condições porque agora inverteu-se o chavão.
Se há hoje um camarada capaz de fazer final em Teahupoo no limite do bom senso, fora os óbvios de sempre, esse alguem é o Bruno.
Se ameaçadores rolos compressores de 10 pés desafiassem os 45 em Teahupoo, Bruno ganharia da mesma forma de cada um deles, inclusive Manoa.
No dia que ele menciona a sessão épica de tow-in, só ele e Anthony Walsh dentro d'água no braço.
A vitória do Bruno devolve ao surfe essa qualidade de imprevisível.
Nem Mick, nem Kelly, nem Joel, nem Dane, nem Taj, nem Hobgood nenhum, a taça do WCT de Teahupoo é do Brunin, de Itacoatiara.
Não tentem decifrar nada por trás disso, apenas curtam o momento.







PS - Rafael Mellin sempre seguiu Bruno bem de pertinho, acreditando que algo maior estava reservado ao baixinho da terra do Ariribóia e não só apontando sua câmera quando as condições estavam mortais, Mellin gosta de ver, e filmar, Bruno voando e rasgando como qualquer garoto de 25 anos com surfe no pé faz.

domingo, maio 11, 2008

Quase tudo verdade


Occy enterradão.

Revista Surf Portugal>Tempestade em copo d'água>182>Março 2008

Lowe e Occy quando aposentaram-se deixaram o circuito mundial mais espoleta, menos borda n'água.
2008 será um ano para esquecer se voce surfa com o pé direito na frente, apenas 11 goofys nos 44 e nenhum deles pode ser considerado um 'power surfer' do calibre dum Lowe, ou Egan - deixaremos Occy fora dessa para não corrermos o risco de linchamento.
Por outro lado, entra Jordy, com seus quase 90 kilos e toneladas de borda enterrada seja em Durban ou Sunset.
Nos top 10 de 2007, vejam só, apenas um goofyzinho, El Chicano Martinez, que não pode ser considerado um surfista de muito peso na onda e ocupa a décima posição, seguido de C.J. em 11º e Kai Otton em 12º, Damien H. em 15º encerra a lista do goofys entre os top 16, a verdadeira elite da ASP.
É pouco, nem sempre foi assim.
Logo ali nos idos de 1976, quando a IPS resolveu fazer as contas no final do ano e coroar um campeão mundial, ganho pelo regular Peter Towned (sem vencer um evento sequer para desespero de todos), no engatinhar do surfe profissional, dos 16 primeiros apenas 3 eram goofys, em oitavo, o Pipe Master Rory 'The Dog' Russel, o aussie recluso e rebelde Wayne Lynch ainda na dúvida entre a reclusão absoluta ou o título de campeão em décimo primeiro e o bigodudo da flórida Jeff Crawford, especialista em Pipeline, em décimo sexto.
Russel repetiu a dose em 77 (tambem bi em Pipe), oitavo do mundo, desta vez sozinho, sem a companhia de um único surfista que surfasse de frente pras esquerdas de Pipe, mas dos 12 campeonatos do circuito mundial, quase todos em direitas, tivemos os goofys Daniel Friedman e Crawford vencendo em casa, Waimea 5000 e Wave rider Florida Pro.
Tinha sempre um gatinho goofy pingado nos top 16 mas nada que assustasse MR, Rabbit, Kealoha, Shaun, Anderson e Horan, ou seja, num circuito de direitas, surfar com o pé esquerdo na frente era quase um defeito.
lugar de Goofy era em Pipe e acabou.


Sem Lowe o circo fica sem um gordinho bombeiro.


Isso até 1981, quando entra na história um baixinho sardento que mudaria a história do surfe. Ele não vence nada em 81 mas termina entre os dez primeiros e em 1982 assombra o mundo demolindo o Sunkist World Cup em ondas de 12 pés em Sunset e tornando-se o primeiro goofy a vencer surfando de costas pra onda no circuito mundial- vence e convence!
Tom Carroll mal tinha completado 21 anos e já era terceiro do mundo, atrás apenas do tetra MR e do (tetra) vice Horan, um feito notável para qualquer surfista daquele tempo mas inconcebível para um goofy.
Carroll inverteu a desvantagem e tomou o tour de assalto em 1983 e 84, ganhando em Burleigh, Narrabeen, Japão e Flórida, deixando pra trás todos candidatos ao título e prognósticos, sagrando-se bi mundial.
Mas Carroll não se resumia num competidor feroz, que aliás nem era, Tommy 'The Gun' como apresentava a propaganda da Rip Curl, era uma britadeira de backside e surfava com uma força nunca antes vista, devido a uma cirurgia que sofrera no joelho direito que o obrigou a fortalecer a perna. Carroll tinha as pernas desproporcionais de tão fortes. Olhando de susto, parecia que tinha alguma coisa errada, um dorso enfiado de anão enfiado nas pernas de um halterofilista.
Os novos tempos apontados pelas vitórias e conquistas de Carroll encoraja jovens goofys a atacar o circuito mundial, Occy, Glen Winton, Barton Lynch e os veteranos Joey Buran e Terry 'Richo' Richardson representam a nova onda de goofys nos top 16 que culmina em 84 com Carroll em primeiro e Occy em terceiro.
Duma hora pra outra os goofys atropelaram a supremacia regular e acotovelam-se no top 16 de igual pra igual até, finalmente, 1988, ano da consagração de Barton Lynch, que tem Damien Hardman em segundo, Carroll em terceiro e Derek ho em quarto.
Mas nem Barton, nem Hardman, nem Ho, Bain, Winton, Macaulay tinham o power de Carroll na alvorada dos anos 90 e o tampinha estava prestes a se aposentar.
Quem iria levantar a bandeira dos enterra-a-borda ?
Luke Egan era um competidor medíocre, restringia-se a participar do circuito mundial sem incomodar os donos dos lugares cativos na frente do ranking, entretanto era repetidamente indicado pelos seus pares (como Slater, Garcia, Machado e Powell) como o melhor surfista do tour.
Egan foi vencer um evento depois de quase uma década no circuito, frequentou os top 16 por oito anos e aposentou-se ainda com surfe de top 8.
Ninguem ouviu falar muito de Michael Rommelse, o surfista que vi surfar com a pisada mais forte e pesada, parecia ter uma bigorna no pé de trás. Rommel terminou apenas uma vez entre os top 16,mas será lembrado pela promessa que não foi.
De volta para 2008, é curioso perceber que antes, nos anos 70, o circuito era dominado por regulars e as ondas que predominavam eram direitas, com exceção de Pipe, ou uma eventual Narrabeen, ou Arpoador, única chance de redenção dos goofys e hoje, num circuito onde as esquerdas pesadas podem decidir que leva ou quem roda, surfar de costas pra onda é uma vantagem.


Seria Marzo o próximo Reynolds ?

Comecei o texto com a intenção de falar da linhagem nobre que descendem Lowe e Occy, Banks, Lynch, Carroll... No meio do caminho me dei conta que o assunto devia ser a queda dos goofys em 2007, representada pra mim na aposentadoria precoce de Lowe e Egan, já que Occy vinha anunciando faz tempo que largaria o tour.
Estou curioso pra ver se em 2009 ou 2010 assistiremos uma revira-volta dos goofys com Clay Marzo, Tonino Benson, Mitch Coleborn, Matt Wilkinson, Owen Wright e Pablo Paulino.
Tô pagando pra ver.