sexta-feira, setembro 21, 2007

Radio Goiabada 3

Terceira edição da rádio Goiabada, uma série de canções fechando perfeita pros dois lados.




1>Band On The Run>Paul McCartney & the Wings
2>All My Friends (Franz Ferdinand version)>LCD Soundsystem
3>This Must Be The Place (Naive Melody)>Talking Heads
4>O Pobre dos Dentes de Ouro>Cidadão Instigado
5>McTavish>Harry Betts (Trilha sonora do raro e formidável filme 'The Fantastic Plastic Machine')
6>1966>Tommy Guerrero
7>Que onda Guero>Beck
8>Los Angeles>Franck Black
9>Flowers By The Door>T.S.O.L
10>Maracatu Atômico>Jorge Mautner
11>Chan Chan (Charlie's Blues)>Charles Musselwhite com Eliades Uchoa
12>Unpublished Critics>Australian Crawl
13>Save It For Later>The English Beat
14>Scaremonger>Orange Juice
15>Love My Way>The Polyphonic Spree
16>More And More>Little Milton
17>Cordeiro De Nanã>João Gilberto e Amigos... (Para P.A.S.)

quinta-feira, setembro 20, 2007

Discoteca goiaba do surfista desatento

[Nova coluna>Discoteca básica>Revista Surf Portugal>175]




Tomei um susto quando li, lá pelo início dos anos 90,que na lista das preferências musicais do Kong Elkerton, um camarada famoso pela oposição ferrenha aos garotos da 'New School' americana, Offspring o inspirava para surfar.
Por que diabos um ogro como aquele, destes que imaginamos batendo a cabeça na parede ao som do AC/DC ou Rose Tatoo, um tradicionalista nato, um dinossauro a beira da aposentadoria por tempo de serviço, por que Gary Elkerton iria escutar
Offspring no carro, último volume (ele mesmo disse), colocando a roupa de borracha antes de enfrentar um Hossegor 8 a 10 pés em pleno inverno ?
Energia, pura energia juvenil.
Quando Taylor Steele lançou Momentum em dezembro de 1992 disse ao resto do mundo: daqui por diante é assim.
E todos copiaram e foram atrás do flautista de Cardiff.
Ignition (Epitaph 1992), primeiro album pra valer do Offspring interrompeu a história da trilha sonora dos filmes de surfe tornou-se um capítulo por si só.
Nenhuma das outras bandas, nem Bad Religion, nem Nofx, nem Pennywise, nem Sprung Monkey, esteve tão presente nos dois primeiros vídeos do Steele, Momentum e Momentum 2.
Quando começa o primeiro acorde de Session (depois da série de fucks), no perfil do Bob Machado, ou a inquietude das baquetas em Hypodermic na parte do Taylor Knox (ainda de Rusty!), ou Ross Willians (por onde anda ?) ao som de Kick him when he's down, não conheci ainda ser vivo com água salgada nas veias capaz de resistir à tentação de sair dando batidas pelas paredes (da sala), entubar debaixo da mesa (da cozinha) e saltar impiedosamente por cima do cão de estimação como quem se imagina um Shane Dorian no auge da juventude.
Dirty magic, que encerra o Momentum 2, ouvida hoje traz uma estranha sensação de nostalgia, duma coisa que uma vez foi tão nova e vibrante e nos fez sentir-nos jovens e capazes de qualquer coisa em cima duma prancha.
Naquela época, estamos aqui falando de 1992, um rapaz da Flórida ganhava seu primeiro título mundial debaixo de muita desconfiança.
E Kong ouvia Offspring - ele e a torcida do Slater inteira.

quarta-feira, setembro 19, 2007

Deslumbre

[Revista Surf Portugal>175>edição comemorativa de 20 anos]

Um amigo 14 anos mais velho se mostrava aflito com as novas ferramentas de previsão ao alcance de todos. Achava que em breve não haveria mais surpresa e todos, orientados pelos precisão dos mapas de vento e ondulação, chegariam no mar ao mesmo tempo.
Dei de ombros.
Desde o disk surfe, detalhando as condições de quase todas praias em apenas 3 minutos, os pessimistas apontam o fim do surfe, ou o fim da tranquilidade na água.
A verdade, nua e crua, é que nessa relação com os humores da natureza a intuição e o conhecimento são as principais armas para caçar ondas.
Mesmo que o seu vizinho de rua, que acaba de descobrir o benefício do impulso com a barriga (ou abdomen, não no meu caso) num bom e velho cut-back, mesmo que ele acesse mais de 50 vezes ao dia um saite que esmiuça todas possibilidades de configuração de ondas, marés e ventos, ainda assim sua chance de estar no lugar certo, na hora certa é proporcional ao seu interesse e envolvimento com esse negócio estranho que nos arremessa às bancas todo mês para, senão comprar (opa!), ao menos folhear esta revista que tem nas mãos.
O que não quer dizer, absolutamente, que o simples fato de comprar e ler esta ou qualquer outra revista de surfe fará de voce um lobo do mar.
Não senhor.
Conheço uns tantos que até assinatura tem e no entanto tem uma relação rasa com a coisa toda.
Eis o que quero dizer: o deslumbre começa aqui.
Lembro que meu Pai toda vez que viajava trazia uma Surfing ou uma Surfer – e eu sequer entendia ingles.
Dicionário ao lado, lia desde as cartas até os slogans publicitários, com a atenção e o apetite dum cão faminto.
Até ali, meu interesse limitava-se ao futebol, mas a Copa de 82 tratou de matar nossos sonhos de um mundo melhor e, com 15 anos, o surfe parecia não trazer limites.
Na recente edição ‘Verde’ do Tracks (jornal Australiano transformado em revista), o genial George Greenough, um dos pais do surfe como se conhece hoje, declara na entrevista o que o irrita mais no momento: ‘Cameras na praia. Muita gente está de fato aborrecida com elas. Simplesmente não há mais conhecimento (envolvimento) no surfe.’
Greenough quer dizer, ou eu especulo que ele quer dizer, que a experiência de estar na praia é cada vez menor.
Com os inúmeros filmes de surfe e saites despejando toda sorte de informações no recem-formado surfista, o camarada encontra-se acorrentado dentro do quarto vivendo 300 vidas – menos a sua.
Por que atravessar a rua se a foto da praia está disponível desde as 7 da matina ?
Apesar de entusiasta do WCT, não consigo perdoar a ASP por ter tirado do surfista comum a chance de ver seus ídolos de pertinho.
O circuito de sonho leva os 45 para lugares inatingíveis para o garoto de 14 anos que fui um dia que deseja avidamente ver os melhores surfistas do mundo surfando em ondas mais próximas da sua realidade.
Assim estamos afastando o sujeito cada vez mais da praia, por mais incrível que possa parecer.
Essa linhazinha que divide o exato momento que o malandro deixa de apenas ‘pegar ondas’ para virar surfista pode ser atravessada com uma onda que nos tira completamente de onde estávamos antes, com uma comovente cena dum filme, ou numa foto, aqui mesmo, nessa revista – ou ainda numa frase reveladora.
Greenough percebe que não basta registrar tudo e disponibilizar o mais rápido possível no Youtube, é preciso, é urgente que estejamos na praia, pés sujos de areia, rosto melado de maresia, olhos vermelhos.
O amigo 14 anos mais velho preocupado lá do início do texto viveu, e vive, intensamente os pés sujos, rosto melado, olhos vermelhos e agora está descobrindo a enormidade de DVDs de surfe lançados a kilo no Mercado.
Meu amigo conheceu a pouco o youtube e não consegue conceber como vai arranjar tempo para assistir tanta coisa se todo tempo que lhe resta quando não está trabalhando ele passa na praia.

domingo, setembro 02, 2007

Mago do tubo

A nova tecnologia vai criando os monstrinhos que a devoram com cereal no café da manhã.
Esse camarada, Matthew Barge, apropiou-se das melhores cenas dos melhores filmes, reeditou e fez um canalzinho no youtube com seu (por que não ?) filme, Waves of Change.
É sensacional.
Matthew faz o que todo aficcionado já fez e transforma a obra de terceiros, quase sempre com trilha infinitamente superior à original.
Eu assino.

Post-scritum

[Post-scritum para Surf Portugal, 23 de Setembro de 2003]

MR versus Cheyne Horan, MP versus Rabbit, Dora e Fain, Occy contra Curren.
Rivalidade hostil era assim: surfista de lycra azul se alonga na areia, tenta afrouxar a tensão que vai crescendo com a proximidade do soar estridente da buzina. Nesse mesmíssimo tempo o desafiante vestido com a lycra vermelha range os dentes, imagina o adversário encurralado, fudido, numa situação constrangedora, esperando pelo golpe final da espada justa dos vitoriosos.
Quando azul se levanta e cruza o olhar com o vermelho, inverte-se a coisa toda: aquele que respirava com retidão, olhos fechados, totalmente centrado, fuzila o oponente, que por sua vez fita o chão assustado.

Rivalidade era Prost contra Senna na fórmula 1 (1984/94), ‘Metaforicamente, Senna quer me matar’, dizia Prost.
Corrida após corrida se enfrentavam, um contra o outro.
Foda-se o resto.
O negócio é pessoal.
Mark Richards chamava Cheyne de ‘Brat’, algo em torno de pentelho, pra manter o padrão do horário nobre, ‘little brat’ quando o sangue esquentava.
Cheyne vinha ao Brasil ganhar o Waimea 5000 e Richards corria atrás do evento seguinte no Japão- lembram daquelas setinhas enfezadas que saíam dos olhos do bandido ? Pois bem.
Michael Peterson saiu duma bateria enlouquecido por ter perdido pro seu ‘sparring’, Wayne Bartholomeu, andou determinado até seu algoz e encerrou o assunto:’voce é um merda, Rabbit!’.
Andy pode rasgar a foto do Slater, mas quantas vezes será capaz de destruí-lo numa bateria ? (ficou provado que sim, quantas vezes fosse necessário).
O sistema da A.S.P. se mostra falho quando evita o confronto dos maiores rivais dessa nova era.
Occy foi o único surfista a manter uma margem de vitórias em cima de um imbatível Curren nos fins dos anos 80, isso alimentou 200 anos de dentes rangendo, desde Oceanside até Bell’s.
Andy teve apenas um rival até agora: Mick Campbell.
A pressão que precedia os verdadeiros combates entre os dois beirava a paixão ufanista, vide o murro que Mick deu na cara do Andy em Hossegor.
É possível que aquele soco tenha acordado Irons para o que viria pela frente e o fez deixar de disputinhas menores e concentrar-se no que lhe interessava: um título mundial.
Andy cansou de perder para Parko, Saca, Pedro Henrique, Campbell(que vergonha esses pro-juniors faz essa gente passar).
Uma estratégica mudança de patrocínio, da MCD para Billabong, ajudou no trajeto rumo à coroa do WCT, mas não foi capaz de satisfazer a vontade de saber-se reconhecido como melhor do mundo.
Bruce sempre foi considerado melhor – o próprio Andy já entrava, e ainda entra, na disputa com o caçula como quem se desculpa por não ter tanto talento bruto.
Por isso tantas derrotas pro irmão: excesso de respeito.
Parecido com Sunny e Derek Ho.
Por mais que houvesse um abismo entre o desempenho dos dois, Garcia sempre sucumbia diante do imenso respeito que guardava por Derek.
Se vale o que está escrito, Kelly Slater é o melhor surfista do mundo
, o maior de todos tempos, e Andy, mais um Bi-campeão mundial (partindo pro tri, quem sabe ?).
Ainda não é suficiente.
O WCT precisa ver os dois competindo por todos cantos, Bell’s, Kirra, Pipe, J. Bay, Teahupoo, Cloudbreak, então teremos um circuito de sonho.

[Nota: em 2007, Andy é tri, um dos mais talentosos e competitivos surfistas de sempre, possível canditado ao tetra ainda em nesse ano se os dois aussies não abrirem muito bem os olhinhos azuis - ou seriam verdes ? Pombas! e nem faz quatro anos...]

Derrapada!

Opa!!! O redator escorregou e o revisor tinha saído pra balada...
Mas eu faço ronda noturna! E boto mais fogo no incêndio alheio.


Leia a matéria - sem a tropeçada no português - aqui. Por uma questão de bondade, prefiro não citar a fonte. Mas se você quer mesmo saber quem deu esta escorregada, clica aqui! (acabo de ver que "apagaram o incêndio")