sexta-feira, agosto 31, 2007

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terça-feira, agosto 28, 2007

Ojos de brujo

[Trechinho da extinta Coluna Vertebral, publicada no waves em 5 de Fevereiro de 2003]

'A quantidade de gente pegando onda aumenta vertiginosamente, a quantidade de surfistas despenca alucinadamente.

E como diferenciá-los ?
Olhe no espelho.'


Nunca houve surfista como Velzy.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Water



Mais uma onlaine.
Um tanto afetada (afinal, vindo do grande Zeldini, não poderíamos esperar outra coisa), mas vale a folheada.
Trocando em miúdos, a gigante
Surfline comprou a pobrezinha de marré deci Water e deve forçar um passinho à frente - faz favor.
Steve Zeldin foi responsável pela fase mais boboca e desastrada da Surfing, redimiu-se com o conceito da Water, um misto entre a juventude latente da Transworld e a maturidade do Surfer's Journal, sem muito sucesso nem dum lado nem do outro.
Fingem profundidade quando falta criatividade para tratar determinado assunto.
Apesar de tudo, a entrevista que fizeram com Curren é antológica e, segundo Manel, a edição com legendas do Slater vale a grana.
Leremos todos, atentos e famintos, cada vírgula publicada.

PS - Pombas! Gavin Beschen é dose pra leão!

domingo, agosto 19, 2007

Agradando gregos e troianos

Jordy Smith cravando a borda para vencer. Foto: ASP

Não deu pro Pedra e pro Jihad. Como eu dizia, venceu aquele que soube usar as bordas da prancha. Jordy Smith sabe fazer isto e também sabe voar. Assim, ao buscar pontos numa competição, rasga e desenha com vontade. E na hora de posar para os fotógrafos, voa como poucos. O difícil, é saber a hora de fazer uma coisa ou outra.

Jordy Smith voando para dar show. Foto: ASP

Dizem que o estilo dele é parecido com o do Parko. Pois eu digo que ele está fazendo o que o careca sempre fez. E a gente sabe no que isto vai dar, né?

sábado, agosto 18, 2007

Neste domingo, tem corrida

Rodrigo "Pedra" Dornelles, usa as bordas pra derrubar aerialistas. Foto: ASP

Dane Reynolds é provavelmente o surfista mais adorado pela mídia surfística neste momento. Ele e o gordinho Jamie O' Brien. E o que os dois tem em comum além de serem americanos? Eu respondo: surfam a maior parte do tempo descolados da superfície da onda e no sentido invertido. Tudo bem, estou exagerando um pouco, mas só um pouquinho. Na real, são dois ótimos surfistas, isto é, se o padrão para comparação for você e eu. Agora se for para compara-los com a elite do surfe profissional, faça-me o favor, desista.

Talvez por eu ter aprendido a admirar o surfe vendo caras como Mark Richards, Tom Curren e Tom Carrol (entre outros) desenhando as ondas, eu tenha ficado meio conservador. O fato é que truques, aerials e piruetas não me impressionam. Na melhor das hipóteses, para finalizar uma onda, podem ser uma alternativa. Mas jamais sacrificando a linha da onda. Pronto, já tô querendo uma coisa impossível...

Tudo isto pra dizer que o Pedra [que na minha opinião é um dos caras que melhor desenha a linha da onda, dos que estão por aí] atropelou o Dane Reynolds para chegar às quartas de final do WQS de Lacanau que amanhã tem o seu dia final, com a primeira chamada acontecendo às 11h (Brasília). Mas mesmo deixando o americano pra trás, na galeria de fotos do evento, encontra-se uma ou duas (eu não encontrei a segunda) do Pedra, contra dezenas do Dane Reynolds.

É impressionante a campanha que há para nos enfiarem guela abaixo estes "aerialistas". E por favor, não me levem a mal. Nada contra o sujeito dar um aerial e achar bacana. Nem contra quem assiste e também acha. Mas em competição, desde o início dos tempos, o cara que ganha é aquele que risca mais e estraga menos a onda. Aquele que flui com ela.

E até que mudem esta regra, não adianta ficarem paparicando os garotos voadores. São os caras que sabem usar as bordas de suas pranchas que vão levar os canecos.

Ah, em tempo: além do Pedra, também há o Jihad pra assistir amanhã. E como eles estão em lados opostos da chave, pode dar uma final brasileira. Põe um lembrete no celular e não perca a chance de acompanhar as corridas.

quarta-feira, agosto 15, 2007

Adeus à mídia média

Drift. Muito mais do que uma revista para inglês ver.

Lembro quando era um gurizinho, dando os primeiros passos (ou braçadas) no surfe e encomendava aos parentes que viajavam ao Rio ou à São Paulo, que me trouxessem uma Brasil Surf. Naquele tempo, quando podia correr até a banca do aeroporto era uma festa, pois era garantido que eu encontraria as importadas. Que bacana conhecer aquele mundo tão distante de ondas havaianas e californianas. E aqueles equipamentos? Sonhava em poder ter alguns e ficava namorando-os nas fotos e nos anúncios.

Mas os anos foram passando e todo mundo conhece a história. O esporte desenvolveu-se e com ele, a mídia especializada. Revistas, jornais, programas de rádio, TV, etc, etc, etc, foram surgindo às dúzias, em todos os lugares. Imaginem que aqui em Porto Alegre, nos fundilhos do Brasil e a 100km de distância do mar, chegamos a ter num mesmo momento, um programa de TV diário, de 30min., só de surfe, um jornal e uma revista.

E junto com esta revolução, o lixo começou a proliferar. O que era experimento, tornou-se eterno. Gente que nunca havia pisado na beira da praia tornava-se "jornalista do surfe". E a coisa desandou. Os poucos projetos interessantes que surgiram, desapareceram como aquele swell clássico, que aparece no meio da noite e some antes do sol se pôr.

Não vou aqui citar nomes. Não é necessário. O público que se identifica com este blogue sabe do que estou falando.

Mas o que me inspirou a escrever este texto é uma experiência pessoal que estou vivendo neste exato instante. Sempre fui avesso ao radicalismo. Procuro buscar um meio termo em tudo e reluto para encerrar uma rotina. Quando comecei a ouvir de todos os lados que não havia nada que prestasse para se ler por aqui, eu considerei exagero. É claro que não há comparação entre uma publicação cujo tempo de estrada é mais longo do que a minha própria idade, com outra que está recém "saindo da puberdade". Mas o que se espera de qualquer projeto, principalmente de um veículo de mídia, é que com o tempo ele melhore seu conteúdo. Se especialize. Ganhe mercado. Mas não. Pela primeira vez eu me arrependi de ter comprado a revista na banca. E pela primeira vez eu estou passando por ela e não estou com vontade de compra-la. Dizem que é a mais vendida, mas a partir de agora não levará mais os meus tostões. Encerra-se aqui uma relação de muitos anos e posso garantir que não fui eu quem mudou.

Mas se estamos perdendo qualidade editorial por aqui estamos ganhando um outro tipo de mídia. E esta, ao menos pelo que tem mostrado, está surgindo com força e qualidade.

Primeiro foram os guris da Surfshot, que tomaram conta de San Diego e agora estão dominando toda a costa oeste, atropelando as "queridinhas de Orange County".
Depois surgiu por aqui a Black Water e mais recentemente, fui apresentado à Drift, por sinal, dica do Goiaba Mor, Júlio Adler.


Esta última inclusive, oferece um recurso que eu sinto falta nas outras: dá pra baixar a dita cuja pra ler offline ou até mandar imprimir - o que estou pensando seriamente em fazer, afinal de contas, como eu disse, não gosto de fugir da rotina: adoro ler revista de surfe no papel.

sábado, agosto 11, 2007

Maraca lotado (nos bons tempos)

O alpinista

Tempestade em copo d'água. Surf Portugal 176. Julho 07


Pat Curren sabe esperar por ondas como ninguem

Passei boa parte da minha vida pensando em boas justificativas para legitimar o vício de pegar onda.
Li atentamente tudo que trazia romantismo e conforto para uma bela argumentação em família, afinal é pra família que devemos as primeiras explicações de horas e horas à deriva no mar esperando por ondas.
Hoje me aproximando dos aterradores 40 anos, ouço a mesma pergunta quase todos os dias: Ainda surfas ?
Sim, surfo, respondo pacientemente.
Não apenas surfo, literalmente, como tambem surfo escrevendo sobre surfe, surfo vendo filmes de surfe, surfo lendo revistas que tratam apenas de surfe, surfo sonhando acordado com surfe.
Faço até planos para o futuro com o surfe entre as prioridades.
Isso soa estranho para ouvidos pouco afeitos ao ócio, sim, porque o surfe é sinônimo de falta do que fazer.
Tios e primos tem grande dificuldade de entender e aceitar tamanho descompromisso.
Pais, esposas e avós são alguma coisa condescendentes com nossa aflitiva escolha de estender o que sempre lhes pareceu como hobbie, uma fase (logo passa) para uma obsessão de toda uma vida- no meu caso, mais da metade dela.
Já citei uma propaganda da marca que o Shaun Thomsom tinha nos anos 70/80, Instinct, que dizia: ‘Tudo bem esperar por ondas, a maioria das pessoas espera a vida inteira por nada.’
Fica bonito numa página dupla da revista, mas na dura realidade de todo resto que não espera por ondas, não bate tão fundo.



Solta outra, sem espuma.

Todos esperamos por algo.
Em nosso egocentrismo desmedido determinamos que todos nós, surfistas, temos uma marca especial que nos diferencia do que sobra da humanidade, um erro grave e comum como um camarada dropar na sua frente na melhor onda do dia como se voce não existisse.
Depois de tanto tempo convivendo com a fauna que povoa os mares mundo afora, cheguei a conclusão que tem tanta gente de prancha que não merece o carimbo de especial quanto sem prancha. Gente que não vale a merda que caga e se sente superior aos resto porque algum dia teve o privilégio de subir numa prancha e ter um contato mais íntimo com a natureza.
Um tipo que joga lixo na rua, que fura filas, que dirige como um psicopata colocando a vida dos outros em risco, que pega um CD ou DVD emprestado e não devolve porque acha que voce não vai se dar conta, um camarada que é incapaz de ceder a vez para uma senhora idosa no ônibus.
Esse canalha é especial porque pega onda ?
Perseguimos tanto a primazia da nossa escolha sobre todas outras, profissionais ou filosóficas, que terminamos endossando a venda de planos de saúde, modelos novos de carros, cosméticos e condomínios caríssimos.
A experência de correr ondas, aquela que nos custou tantas horas de frustração e alegrias, pode ser comprada a preços módicos na escolinha mais próxima, muito provavelmente pelas mãos, e pés, e cabeça, de alguem que nunca foi digno do porte de surfista, apesar disso não diminuir em nada o impacto que uma onda pode ter na vida de alguem que se dispõe a perder, investir, parte do seu tempo ao redor da praia.



Só porque voce já viu isso deitadinho no seu tapete mágico isso não te empresta super-poderes.
Já ao Pedro Adão ou o Cadilhe, ou o D.C. Green...

Um alpinista, jogador de golfe, um guitarrista, lutador de karatê ou piloto de kart, cada um deles vai te dizer o quanto a respectiva opção é a melhor que há e que jamais trocaria por nenhuma outra – um jogador de sinuca te diria a mesma coisa.
Por isso, deixe a pompa de lado, não se preocupe tanto em justificar o fato de voce passar tanto tempo olhando a vida do ponto de vista do horizonte (os velejadores e pescadores tambem) porque ninguem aguenta mais esse papo.
Nem todo mundo que espera por ondas é especial, voce, que compra revistas, lê mapas de previsão, assiste toda sorte de filmes e se reconhece em cada imagem, voce tem uma enorme chance de ser um dos caras que o Shaun se referiu numa Surfing do início dos 80: ‘A maioria dos surfistas que conheci achavam que eram especiais porque pegavam onda.
Quer saber duma coisa ? Eu tambem.’

sexta-feira, agosto 03, 2007

Goiabas

Aqui o Goiabada apresenta dois novos camaradas, Giovanni e Máurio, agora Goiabas oficiais.
Temos assim mais assunto e, queira Netuno, que discordemos um bocado exercitando o amor ao argumento.
Isso não significa que seus blogues encerraram atividades.
O Goiabada deixa de ser exclusivamente meu e torna-se uma cooperativa, desejo antigo.
De agora em diante preciso tomar cuidado com piadas de gaúcho e barriga-verde.
Boas vindas.

PS -Em breve a goiabeira dará mais frutos.

The Cruise of The Snark



Malcolm Gault-Williams prestou mais um inestimável favor ao publicar um link para o clássico texto do Jack London.

'I am always humble when confronted by knowledge. Ford knew. He showed me how properly to mount his board. Then he waited for a good breaker, gave me a shove at the right moment, and started me in. Ah, delicious moment when I felt that breaker grip and fling me.'