sexta-feira, junho 29, 2007

O filme que ninguem viu

Em Junho de 2001, meu grande amigo Rick Werneck (na época diretor de marketing da Sonhos Havaianos - i.e. Hawaiian Dreams) me fez uma proposta absolutamente irrecusávél: Filmar uma viagem ao Timor Oeste a bordo de um dos mais luxuosos barcos disponíveis na Indonésia, o Mahalo II.
Seria minha primeira vez no mundo encantado das ondas indonésias, uma fantasia que até hoje me persegue - me pergunto se aconteceu de verdade ou exagerei na dose.
Para melhorar, a turma que seria filmada era Marcelo Trekinho, Heitor Pereira, Pedro Henrique e Guilherme Tâmega, todos dispensam apresentações.
A experiência virou um videozinho (filmado com câmera emprestada pelo meu irmão Cadu e editado em máquina emprestada por outro amigo) que nunca viu a luz do dia.
Motivos para tamanha obscuridade sobram: a dita cuja que bancou fotógrafo, câmera e tres surfistas pr'uma viagem de meras 5000 Verdinhas por cabeça botou todo mundo no olho da rua quando voltaram- Deus sabe por que ?
Depois disso, com filme pronto, fiz meia dúzia de projeções para os mais chegados e ficou nisso mesmo.
Agora com o Youtube finalmente disponibilizo as imagens em baixíssima qualidade (a culpa não é minha) para todo mundo ver.
Aos poucos, sem pressa, vou colocando o video todo, parte por parte.
Quem sabe, em breve isso vira um torrent para qualquer um baixar e queimar um DVD em casa e chamar seus amigos ?
Um dia, um dia...

quinta-feira, junho 28, 2007

Abu Ghraib



[It's my favorite images of the war...no, not really. It's just a poster a friend of mine made to bring some awareness to what's happening in iRaq and a funny play on iPods. Pop culture meets political awareness.

Bruce Gilbert, my traveling partner and one of my best friends, started doing posters with this image on them.

It was originally made with numbers of troops and Iraqis killed to date but it's far outdated and the numbers are way up there now -- around 3500 US troops and between 700,000 and a million Iraqis killed since the beginning of the war!

Why is Paris Hilton going to a halfway house for three weeks bigger news than 500 Iraqis a day being killed in their own country everyday as well as lots of American troops? This is not to mention the injured, which is about ten times higher than the casualties. It's life-changing for so many people. A crime of humanity.

But wait...I'm off track. I just liked the way the colors looked, I guess. Yeah, that's all.

Kelly]

terça-feira, junho 26, 2007

GRANDE

[Quem, em sã consciência, pode perder isso ?
Abaixo, um aperitivo para um grande banquete.]



[REDLINING IT
BUDGETS WEREN'T THE ONLY THINGS BURSTING DURING THE FILMING OF YOUNG GUNS 3
by
Sean Doherty
"Do they deserve it?" asked John Shimooka with a questioning inflection.
"Do we deserve it?" replied Jake Paterson before pausing, then bursting into a rhetorical seizure. "Of course we bloody deserve it, Shmoo! This is how we roll! Trailer parks aren't our style; six star is our style! And we're gonna live it up. I think I'm gonna trash the place. One thing's for sure," he said, pausing for dramatic effect. "It'd never happen in our day!" It wouldn't be the first time this line would be uttered on this trip. The two former pro surfers had just walked through the reception area of a $1,000-a-night resort in Seminyak, Bali, lamenting the fact that they were born 20 years too early. Paterson and Shmoo were chaperoning Quiksilver's Young Guns team - Dane Reynolds, Julian Wilson, Ry Craike, Clay Marzo, and 15-year-old "mini-gun" Garrett Parkes - during the three-week filming window for the latest installment of the Young Guns franchise, and it soon became pretty obvious that nothing was going to be done by half...]



[OFF THE HINGES
REFLECTIONS ON A REVOLUTION GONE WILD
by
Wayne "Rabbit" Bartholomew

Recently I found myself sitting with Shaun Tomson and Peter Townend at Snapper Rocks in Queensland, and though the surf was perfect, the three of us - all former world champions - were there not as competitors, but as enthusiastic spectators. Nearly 25 years ago we all would have been a little ways up the coast at Burleigh, at the top of our form and facing each other as mortal rivals in the Stubbies Pro. It's a strange thing, time; now we were three world champions still keen as mustard, still crucially involved in the sport of surfing, watching the final heat of the Quiksilver Pro as eagerly and excitedly as stoked grommets. ...]



[RAINBOW'S END
Mike Hynson rose to fame as The Endless Summer's poster boy, fell to Earth as one of the most dangerous men in America, and is being resurrected as one of surfing's most overlooked design gurus.
by
Steve Barilotti

Jimi had been dead a year, but the revolution - or at least a movie version of it - kept right on jammin' without him.
Less than a month after Hendrix played a free concert on the slopes of Mt. Haleakela, effectively wrapping principal photography for Rainbow Bridge, the flamboyant rock virtuoso accidentally self-immortalized on a deadly cocktail of red wine and barbiturates, choking on his own vomit in a London flat on September 18, 1970. Within days of Hendrix's death, Mike Hynson, former '60s teen surf prodigy turned indie film producer, got the call from Warner Brothers Studios demanding immediate return of all original footage of Hendrix shot to date. With the lawyers circling, Hynson knew he had to move fast or lose Rainbow Bridge forever. Warner had not only funded the film - a rambling cinematic "happening" loosely based around a spiritual surfing quest - but they also controlled most of Hendrix's music slated for the film's soundtrack.
Hynson returned the canned footage. However, unbeknownst to the Warner suits, Hynson and director Chuck Wein had stashed a working print of Rainbow Bridge for safety. ...]

domingo, junho 24, 2007

Deixa onda

[Coluna Tempestade em copo d'água>Revista Surf Portugal 171]



A mais famosa de todas, de Hokusai.

“No início pareceu-me que um blogue sobre surf seria uma estupidez”, escreveu o Pedro em Novembro de 2003. Escreveu mas cometeu a tal estupidez, talvez por duvidar um pouco da própria sentença. Dessa frase simples nasceu o coletivo/blogue Ondas um jeito completamente diferente de olhar para o surfe da forma mais antiga que existe: com encantamento.
No início era o Pedro, ou melhor, dois Pedros – Adão e Silva e Arruda – dividindo textos com o desconhecido mundo virtual que chega ora no Japão, ora na casa ao lado, sem jamais sabermos quando, onde ou porquê. A liberdade da grande rede permitia tudo, dicas de discos, frases, fotografias ‘roubadas’ de outros saites, pensamentos soltos, crônicas, experiências, qualquer coisa que nos remetesse ao mar. Foi lá que descobri, sem nem reparar, que Jacques Brel tinha fascinação pelo mar, escrevia letras belíssimas sobre o tema e de alguma forma falava diretamente comigo, que não tinha nada de ver com a história – não entendia picas de francês e achava aquilo tudo, do Brel, coisa de gente que usa pouco desodorante.
Entrou o Hugo Valente, em seguida o Manuel Castro e o Vasco Mendonça e as coisas esquentaram pra valer. Fui aos poucos me viciando naquilo, visitando diariamente, para começar, e quando me dei conta já dava uma meia-dúzia de olhadelas diárias para checar as atualizações.
A grande diferença e marca do coletivo Ondas é justamente jamais tentar explicar ou sintetizar a experiência pessoal de cada um, desastre comum em blogues e revistas especializadas mundo afora. As fotografias, cuidadosamente escolhidas, têm apenas um singelo título: Mundo Perfeito. Ninguém ali está afoito por explicar como é maravilhoso surfar, ou fazer confissões infantis dignas da maioria dos blogues que abundam pela rede. Pelo contrário, ali estão sutilezas de quem entende que meia palavra basta. Poemas da Sophia, frases do Henry Miller, discos para ouvir antes e depois de surfar, Miles, dEUS, Ride, Pixies… tudo misturado, para todos gostos. Como as ondas, ora bolas! Adicionaram o Miguel Bordalo, que tem uma voracidade invejável para escrever sobre os campeonatos e o faz com opinião e autoridade, qualidades que andam meio brigadas ultimamente.
Em Março de 2004 resolvi imitar descaradamente o Ondas e lancei-me de coração em direção à rede, sozinho, decidido. Ainda não sabemos direito para que serve um blogue efetivamente, se é que serventia há para essa estranha e sedutora ferramenta de comunicação. Nos serve para saciar a curiosidade que temos de saber o que o amigo ao lado ouve antes de entrar na água, o que ele leu para escrever aquelas coisas bonitas que nos parecem tão óbvias mas que, no entanto, nunca nos ocorreu escrever. Serve, nesse caso específico do Ondas, como um estacionamento em frente ao lugar onde temos a melhor condição do dia – todos dias – e onde nos detemos para conversar sobre a expectativa que antecede a completa inutilidade de ir buscar ondas lá fora, e que ficará apenas na nossa memória, talvez nem isso. Serve para dizer, alto e bom som, por escrito, que aquilo que você tem, por mais especial que seja, também temos todos nós, igualzinho.
No ano passado fui convidado para fazer parte do Ondas e me senti um pouco desconfortável. Justo eu, um imitador barato, ter meu nome associado aos camaradas que me inspiraram, parecia-me de alguma maneira errado. Aceitei. Desde então não escrevi um único texto exclusivo para o Ondas e tampouco fui cobrado. Pedro Adão e Silva é hoje colunista da SURFPortugal graças aos seus textos elegantes e precisos no Ondas e o Manuel Castro ocupa a cadeira de editor na revista e doou sangue novo à publicação. Os dois fizeram o ciclo completo, do real (impresso) ao virtual.
Arrisco dizer que não há, em nenhum idioma, tanta gente talentosa, produtiva e generosa, oferecendo ao leitor textos, compartilhando considerações sobre CDs, DVDs e livros, poemas, citações sobre nosso universo grandiosamente pequenino, como o coletivo Ondas, que o faz meramente pelo prazer de dividir, gratuitamente. Os camaradas dão-nos Ondas sem pedir nada em troca. Se alguma vez houve um ato que resume bem a essência da ociosidade que é estar na praia, estejam certos que o caminho é esse mesmo.

quarta-feira, junho 20, 2007

Quase famosos

Quase famosos foi um dos blogues mais influentes do pequeno universo musical lusitano até seu fim em 23 de Junho de 2006.
O mero fato deles idolatrarem os Smiths e Go-betweens era suficiente para uma visita diária.
Dois deles, dos 'Quase...', tem agora um programa de rádio que pode ser baixado no link do título ou aqui.
Tem a mão do nosso amigo Pedro Adão e Silva, o que já bastaria para recomendá-lo.
Como esse camarada consegue tempo para ler tudo e ouvir tudo, e ainda por cima escrever sobre tudo que leu e ouviu, é uma coisa que me foge à compreensão.

Tempestade

[Coluna 'Tempestade em copo d'água'>Revista Surf Portugal 172]


A vista daqui é boa.

Alegria, Alegria

É assim desde o primeiro dia, como no hino do meu time de coração: vencer, vencer, vencer. Competição se resolve assim, não acreditem no que dizem por aí. Quando, nos vídeos de cobertura dos campeonatos do WCT, ouvimos o Andy Irons declarar que o importante é que ele se divertiu a valer na final do Pipeline Masters, aposte que entre os dentes ele quis dizer algo como a sua famosa frase no “Blue Horizon”: “Quero rasgar aquela lindinha foto dele”, ou, traduzindo, “quero acabar com esse cara!” Não há camaradagem, simpatia, diversão, não há alegria. Ou melhor, a alegria surge na tristeza imposta ao outro. Refiro-me exclusivamente aos 25, 30 minutos entre os toques da buzina, que eventualmente transbordam para as outras 23 horas e meia do dia se o assunto for levado mesmo a sério.
Em 73, 74, antes da criação da IPS, bem antes da ASP, talvez houvesse alguma inocência quanto à diversão nos campeonatos internacionais, mas pelo que leio na imprensa da época, as rivalidades já afloravam nos detalhes. Quando, em 75/76 a coisa começou pra valer – surfe profissional, circuito, uma graninha curta – a atmosfera mudou de vez.
Juízes eram ameaçados, punhos cerravam-se, palanques eram incendiados por competidores insatisfeitos. Como dizem no idioma do notório bardo: não é piquenique.


Voce apostaria seus tostões num fijiano branco ?

Os últimos não serão os primeiros

Existem dois tipos de surfistas no tour: os que serão campeões e os que não serão. Nem uns nem outros (e ainda menos uns do que outros) têm absoluta consciência de onde e quando cai o raio – ou se cai em cheio no cucuruto. Explico: cada um dos 45 acredita, ou a dada altura acreditou, que um dia seria campeão mundial. Mas Bede, Wardo, Ribas, Flores e mais uns quantos sabem intimamente que se não houver uma configuração quase milagrosa de eventos conspirando ao seu favor, um top 5 já é lucro – Vitinho, por sinal, tem um top 3 no currículo, coisa que muita gente boa como Dorian, Hoy, Teco, Neco ou Fabinho, entre outros mais ou menos celebrados, não alcançou. Derek Ho, PT e CJ são acidentes de percurso no caminho do Kong, Kanga e Occy.
Nos últimos 20 anos não tivemos muitas surpresas no top 5, nada que nos tirasse o fôlego. Hoje temos Fanning, Parko, Andy, Slater disputando o que nos interessa e Taj fazendo a figuração do eterno talento injustiçado, papel que já serviu Horan, Egan e Machado. Todos os restantes participam, temperam (umas vezes apimentando, outras adocicando), aglomeram, fazem número.


Quando pedir a conta ao garçon, Kerr pode perceber que a gorjeta do Bronco foi maior que toda sua nota.

Bronco

Josh Kerr afirmou em entrevista a uma revista americana que não queria ser como Peterson Rosa, que durante toda carreira não fez mais do que lutar para ficar entre os top 44. Kerr, na sua infinita prepotência, ignora (como bom ignorante) a história da surfe competitivo.
Peterson se jogou no circuito mundial em 1990 quando tinha tenros 15 anos, na sequência do Mundial Amador do Japão desse mesmo ano, quando competiu como júnior, apesar de ainda ter idade de mirim. Logo na sua primeira perna europeia, varou três triagens, aceitando o dinheiro da premiação e tornando-se, com isso, no mais jovem surfista profissional do planeta, competindo regularmente no circuito – façanha antes atingida pelo fenômeno sul-africano Martin Potter (sim, amigos, outra e longa história). Por destemido e determinado, Peterson obrigou a ASP a criar uma nova regra para impedir surfistas tão jovens de competirem integralmente no circuito, largando os estudos – apesar de constar nos livros que a regra foi criada a partir de Kalani Robb, uma inverdade, diria. Kerr, dado a saltos e cambalhotas, não se deve lembrar do sétimo lugar do Bronco em 2001, nem do oitavo em 98, tarefa nada fácil para aquele que o bom Josh Kerr julga como mero turista.


Alô ? posso falar com Roberto Kelly ? Carlos ? como faço para executar um cutibéqui sem quicar ?

Nova escola

As turmas que se apresentam me parecem felizes demais com a graça alcançada de entrar no WCT. É pouco. Um novo recruta deve ir com vontade de matar ou morrer – “kick some top 16 ass”, diria Sunny – e ainda ser astuto suficiente para manter a sua saúde de pontos no WQS, para não passar sufoco ao fim do ano. Sim, há festas, sim, as ondas são fantásticas, sim, a vida é bela e colorida, mas não se ganha respeito apenas com um sorriso no rosto. A injusta memória do desporto esquecerá de cada uma das inúmeras promessas de campeões mundiais como um bandido do Velho Oeste masca e cospe o seu tabaco. Se ninguém lembra do número dois, imaginem do terceiro pra baixo…


Tres malandros que tem por hábito adoçar o cafézinho com surfistas marrentos que ainda não chegaram a lugar nenhum.

Ah pois é...

Shaun Tomson, em entrevista ao podcast da Surfer: “Fazer vídeos de surfe em casa é óptimo. Dane Reynolds é um grande surfista mas eu gostaria de o ver arriscando-se no WQS, como Jordy Smith. Dane, eu quero ver-te numa final contra Jordy.” Tudo bem, mas antes da final contra o conterrâneo do Shaun, Dane precisa vencer o Saca numa bateria homem x homem.

domingo, junho 10, 2007

Teste Radio Goiabada (agora em Mp3)


Clica aqui ou baixe pro Itunes.

Teste do podcast radio Goiabada.
Só musica, sem papo.

1>Stay Young>Gallagher & Lyle
2>Ocean Breeze>Pablo Cruise
3>Desafinado>Stan Getz & Charlie Byrd
4>Stay young>INXS
5>Waves>Jeremy Steig
6>Look After Me>Hot Chip
7>Um Chope Pra Distrair
8>A Minha Menina>The Bees
9>Marinheiro>Clementina de Jesus
10>Je suis venu te dire que je m'en vais>Serge Gainsbourg
11>Coração Tranquilo>Walter Franco

A sequência não obedece nenhuma ordem digna de satisfação, assim mesmo arrisco:
As duas primeiras músicas são da trilha sonora do Free Ride , a terceira abre o Longer, filmaço com Joel Tudor.
Stay young do Inxs é memória afetiva, tava na trilha do Storm Riders e fez a turma sonhar com o surfe moderno das triquilhas.
Jeremy Steig foi uma escolha arbitrária, o nome da música pesou pacas.
A presença do Hot Chip é prova que, apesar da idade avançada, estou atento - assim como a versão bizarra e grudenta de Minha Menina, do Jorge Ben, pelos Bees, ignorando a fronteira do idioma.
Clementina dispensa conversa fiada.
Uma primeira transmissão não seria completa sem uma grande canção triste de amor, o cínico Serge Gainsbourg mente como poucos.
Pra encerrar, como ensina o manual da Folha, precisamos de uma frase de efeito, mesmo que não faça o menor sentido, tudo é uma questão de manter, a mente quieta, a espinha ereta e o coração tranquilo, Walter Franco, amigos.
Bip...