Em 2002 era O’Rafferty, Perrow, Maz Quinn, Macca e Lee Winkler. 2003 a lista começava com Stedman, Toby e Whitaker. Zero cinco foi a vez da eterna promessa, Wardo, fazer a final no primeiro 'CT do ano, com direito a atropelamento e fuga de um tal Slater que tentava superar tres sem tirar do A.I..
Ano passado foi a hora e vez do novo De Souza (Rico, o primeiro) e El Chicano Martinez.
O ( ou A) Gold Coast, Costa Dourada, é o paraíso dos estreantes.
Vide Kerr e Dunn.
Entre uma troca de fraldas e outra, acompanhei com cerimônia o Quik Pro, uma página em branco esperando por boas histórias.
Tive medo quando Slater aniquilou o rapazinho do Young Guns, Julian Wilson, exibindo um surfe de tal categoria que deixava todo resto frouxo, sem peso e curto - exceto talvez por Parko em uma onda e Brucey numa das melhores ondas surfadas em todo campeonato.
Por favor, não me aborreçam com as declarações desafiadoras do Josh Kerr (sobre seus companheiros de Super Bank, Dingo, Parko e Mick, 'eles vão me dar uns conselhos, é claro e vou usa-los para escovar eles quando nos enfrentarmos', ou ainda, sobre veteranos do WCT,'vou perder um pouco, mas vou ganhar muito mais' e vamos por aí...) um surfista incapaz de realizar um cut back decente nem deve ser levado muito a sério.
Reconheço o surfe progressivo numa boa e acho que nunca estivemos tão bem, mas descartando o velho discurso de que 'surfe é na onda' (já ao dicionário conferir o que significa, exatamente, o verbo descartar)mas fica difícil engolir surfistas da nova geração que sabem voar, rodopiar e até entubar mas por alguma perversão do nosso maravilhoso esporte dos reis pularam (literalmente) os fundamentos.
[nota de pé de página: compreendo tambem a necessidade da Rusty emplacar um candidato ao título do WCT, desde que J.O.B. ainda não presta pra isso e Occy e os Hobgoods se foram faz tempo...)
Ben Dunn é outra conversa: composto, power, arcos bem desenhados, lembra um pouco o Gary Taylor, que até venceu um trials aqui na Joaca no tempo do Chris Motel.
Aliás, temos outras semelhanças dentre os novos rapazes: Kai Oton me lembra um Stuart Bedford Doido mais ajeitadinho, Gabe Kling é qualquer um desses que volta e meia aparece da Costa Leste, seja Charlie Khun, ou Ben Bourgeois.
Façam esse exercício de comparação, é deveras divertido.
A esquadra Brasileira é time A e deve assistir com toda atenção as baterias dos caras medíocres que conseguem boas colocações e aprender a jogar o jogo direitinho.
Raoni e Neco estão em forma assombrosa e já sabem as regras, falta tranquilidade à um e gana ao outro.
Phil Macca cruzou o caminho dos dois e foi severamente punido por ter ganho de Neco somente pela escolha de ondas contra Raoni, que surfou as piores ondas e ainda assim demoliu o pobre coitado.
Pigmeu precisa urgentemente entrar no ritmo do WCT, ou seja, morder calcanhares e cuspir sangue, como fez Martinez no seu primeiro ano.
O mais importante é ter na cabeça que isso é um circuito - e um bom resultado apenas é quase nada no final do ano.
Léo Neves foi um gigante como estreante tardio nos 45.
Na bateria contra Parko, Léo abusou de artifícios que lhe rende boas notas no circuito brasileiro e no WQS, perdeu precioso tempo no início quando poderia ter liquidado a contenda sem maiores problemas, tivesse surfado como no finzinho quando pressionado.
Um surfista com o peso e o enorme talento dum Léo Neves não pode ficar desgarrando a rabeta como um garoto de 60 kilos.
Torço para que essa rodada de circuito no WCT o ajude a consertar velhos vícios adquiridos contra adversários fraquinhos e juízes pouco exigentes.
Pelo jeito, Mineirinho não aproveitou muito seu primeiro ano para fazer sua lição de casa e continua surfando exatamente do mesmo jeito que em 2006: rápido, curto, letal nas junções e absolutamente sem linha.
Alguns surfistas tendem a acreditar que a força aplicada na manobra determina a força da manobra.
O que a turma chama de power é uma mistura de força física, jeito, leitura de onda e drive (velocidade+peso), tudo junto faz uma manobra sair forte.
De outra maneira, como explicar que Danny Wills, pequenino, tem power, pivô, enquanto o grandalhão Bede não ?
Se o Léo quiser, e eu acredito que ele quer como nunca, pode chegar num patamar diferenciado no WCT - ou não.
Vitinho tá lá, lenda do esporte, sempre deixado de lado pela imprensa, grande e pequena, dando trabalho, levando o negócio a sério, observando, evoluindo, aprendendo, temporada após temporada, melhor brasileiro colocado na história do WCT, um feito pouco celebrado.
Dornelles é desses camaradas que me comove, pela simplicidade dentro e fora d'água, um guerreiro incansável, curtidor, estilista.
Lembro dele descrevendo Gerlach em Teahupoo no primeiro WQS de verdade em 98. Gerr no quarto do hotel, teorizando sobre como dropar e entubar no monstro e o Pedra rolando de rir- ou vai, ou não vai.
Atenção com ele em Bells e J. Bay.
Sim, Mick ganhou, o mar esteve como em 2003 e 2005 - e 97 - épico por alguns minutos, afoitos correspondentes apressaram-se em anunciar alguma coisa que foi a melhor de todos tempos e apenas uma pergunta prevalece na mesa de chope: Vai ter graça se o Carlos Leite levar a parada à vera ?
ôô Andy...