sexta-feira, novembro 30, 2007

Contracena


'I Want to stick it to all my old sponsors who bailed out on me when I went to prison. They're a bunch of weak, pathetic people.'

Sem meias palavras, temos que amar Sunny pelo decoro.

quarta-feira, novembro 28, 2007

Porrada de filmes



















Dane no Niuiorquetaimes

'When Dane Reynolds is not riding waves or hanging out with friends, he likes to read. Lately, he recommends John Fante’s “The Road to Los Angeles,” for its protagonist, the struggling writer Arturo Bandini.'

E Jordy, lê ?

segunda-feira, novembro 26, 2007

Taj



De tudo que vi em Imbituba, sem dúvida a cena mais desoladora foi Taj sentado na beira da área dos competidores olhando fixo para o nada.
Sou capaz de apostar que ele chorava.
Fanning celebrava seu recem conquistado título acompanhado de todos australianos presentes, exceto Taj.
Me fascina o outro lado da competição, o lado escuro, triste, a história que ninguem conta.
Pouco me importa o que Fanning disse ou deixou de dizer uma sucessão de uhuus e 'não tenho palavras'.
Taj estava ali doído da perda.
Já faz mais de uma década que Taj está nessa brincadeira, lembro de 1996 em Portugal, o garoto sardento e cabeludo, veloz como um garoto sardento e cabeludo da Austrália (alguem disse Cheyne Horan ?), demolindo tudo que se mexia dentro do Atlântico gelado e fazendo finais, uma atrás da outra.
Taj classificou-se para o WCT e abriu mão da vaga para terminar os estudos e se preparar melhor para uma carreira fulminante que prometia.
Joel, Bobby M. e Mick nem sonhavam com o circuito em 96 - ou melhor, sonhavam sim, de cima dos seus 15 aninhos - e Taj já era a sensação.
Naquele momento,Taj representava toda derrota. Fora batido pelo burocrata Whitaker numa bateria previsível, Taj caiu muito, Tom Whits escolheu bem as ondas e pronto- simples.
Fiquei tanto tempo para descrever o último dia do Hang Loose Pro por falta de assunto.
Slater saiu d'água, depois de ter apanhado feio pro novato Kai Otton, pegou sua 6'3'', prancha que usou no dia anterior, e deu para Fanning, que surpreso retribuiu com uma 5'11'' do quiver campeão.
Aqui cabe espaço para todo tipo de simbolismo, mas resumindo o recado é que a brincadeira tinha terminado e ninguem mais alcançaria o Macaco Albino.
Mais de um mês depois, a imagem do Taj olhando para a insana comemoração como um altista, sem pertencer a nenhum lugar, me surpreendeu.
Deixei de lado o campeonato.
Nada mais fazia sentido diante da dor daquela perda.

terça-feira, novembro 06, 2007

Mick Campeao


Pode comemorar Mick!

Deve ser duro para um homem com o histórico do Cory Lopez, 8 vezes entre os top 16 do WCT, ter que enfrentar a longa caminhada de volta ao palanque do campeonato depois de perder a bateria e ficar quase absolutamente sem chance de se requalificar.
Cory andou vagarosamente, parou para tirar fotos com os fãs, deu autógrafos e dirigiu-se ao chuveiro, abriu a água e lá ficou por algum tempo, olhos fechados, sem saber direito o que sentir.
Cory perdeu para um Mick Campbell atento e pilhado: “O surfista tem que estar esperto hoje e fazer com que cada onda renda bons pontos. As condições estão bem difíceis e uma boa escolha de ondas pode ser decisiva”
Fazia tempo que o WCT não ficava tão embolado, menos de 500 pontos separam o 18, Travis Logie, do 36 Cory Lopez.
Um milagre em Pipe pode salvar Cory - e Cory é um dos poucos capazes de fazer milagre em Pipe.
Cory e Bruce.
Bruce pode respirar um pouco ao bater Occy que deu adeus ao WCT, mas logo em seguida perdeu para o Sul-africano Ricky Basnett com a menor média do evento, um medíocre total de 4.17.
O penúltimo campeonato do ano é melancólico para alguns. Mick Lowe, The Australian Keg, anunciou sua saída (Lowe se recusa a correr o WQS, diz que quem não se classifica pelo WCT não merece estar lá), Trent Munro tambem anuncia aposentadoria.
Para outros é a glória, o brasileiro Heitor Alves teve seu grande momento vencendo um desatento Bobby Martinez em condições difíceis, 5 a 6 pés balançados com algumas série fechando tudo e lavando os competidores. Heitor estava radiante: "Acho que no ano passado eu sofri mais pressão, pois caí com o Andy, que estava disputando o título com o Slater. Poderia ter vencido a bateria, mas infelizmente não deu. Agora, sem pressão nenhuma, o negócio é só surfar"
O Mar começava a se ajeitar quando Rodrigo Dorenelles entrou n'água para enfrentar Adriano Mineirinho, os dois estavam empatados no ranking e Pedra surfou brilhantemente as volumosas direitas da Praia da Vila, usando a borda da sua 6'2'' com confiança e firmeza:"O Mineirinho é muito perigoso, então não podia dar mole. Tive a felicidade de escolher bem as ondas e peguei umas abrindo ali para garantir a vitória" disse Dornelles.
O primeiro dez saiu na bateria seguinte, Joel Parkinson aniquilou o bi-campeão brasileiro Jihad com um surfe que deixou Slater e Fanning vibrando na área de competidores: "9.5" arriscou Kelly.
Foi numa esquerda que Parko deu seu show, apenas tres manobras, uma esquerda de 5 pés, a primeira arriscando por baixo do lip que caía, uma segunda mais abusada, finalizando com uma batida absurda na junção, dessas que paramos pra ver em camera lenta nos vídeos de surfe: "It was a good wave, sometimes you wait for'em and got lucky. I've been having a lot fun here in Brasil in these last few years'.
Taylor Knox, Dingo e Ace Buchan perderam para Dayan Neve, Neco Padaratz e Luke Stedman respectivamente.
A praia enchia antecipando as baterias de Fanning, Slater e Burrow.
Fanning enfrentaria Marco Polo, um dos poucos surfistas convidados capazes de causar um sério aborrecimento, felizmente para o líder Polo nunca se achou na bateria e deixou o caminho livre para a decisão do título ainda em terras brasileiras.
"Depois da Europa fui para Australia e fiz cinco pranchas novas mas não gostei de nenhuma e voltei pras minhas velhas. Essa prancha que usei hoje é a mesma que venci em Hossegor. Vamos ver como me saio aqui."
Fanning encontrará Stedman na próxima fase.
Na noite passada, coquetel de lançamento da banda do Teco Padaratz, El Niño, Slater esperou o show terminar e subiu no palco, ficou durante mais de uma hora tocando seu violão e cantando um repertório eclético.
Slater se alimenta da atenção que recebe, é um desses caras que não só não se intimida como cresce com esse tipo de ambiente.
Em plena segunda-feira, a praia subitamente encheu para ver Slater.
Outra coisa curiosa é perceber que Kelly precisa de desafios para desempenhar e Renato Galvão nunca o incomodou. Kelly abriu logo nos primeiros segundos com uma direita magistral, a maior onda surfada no dia, um simples e redondo 8.
"Eu acho que aprendi a lidar com a pressão. Algumas vezes lido bem, outras mal. Depende da situação. Aqui no Brasil estou muito a vontade. A pressão está com Fanning e Taj"
Disse Kelly que surfou com uma 6'3'' para aguentar o volume das ondas da Vila.
Slater pega um motivado Kai Otton nas oitavas amanhã.
O line up confuso e de difícil posiocionamento deixou as baterias com médias baixas, mas as notas altas continuavam a sair.
Shaun Cansdell e Leo Neves, que precisam de resultado nessa etapa para não depender do Havaí tiveram a segunda e terceira melhor nota do dia e passaram sem problemas por Jeremy Flores e C.J..
"A pressão é total, preciso de um resultado aqui e não posso bobear." disse Léo, que surfou com sua fiel 6'3'' e quilhas maiores.
O sol finalmente saiu e o vento nordeste entrou deixando as ondas pelo menos mais bonitas, embora ainda uma verdadeira loteria quando Taj entrava n'água para a disputa com Willian Cardoso, o inverso do biotipo do Taj, um cara grande e pesado com mais de 90 kilos.
Taj levou com alguma folga, mas Willian precisava de menos de 7 pontos para virar.
Nesta terça o título pode ser decidido na Praia da Vila, os aorganizadores irão terminar o campeonato de qualquer maneira, a previsão é de um mar mais acertado.
Se depender do Octa Slater isso não deverá acontecer:" acho que Mick merece o título, ele esteve mais focado do que qualquer outro surfista em 2007 e tem tudo para encerrar a disputa aqui. Mas acho que seria bom se o título fosse decidido no Havaí. E se Fanning deixar o título ser decidido lá tudo pode acontecer."

Uma atualização:
Kelly acaba de perder para Kai Otton e, na minha opinião, declara o encerrada a corrida ao título, desde que o retrospecto do Taj é nulo em Pipe e, caso ele tremine na frente, precisa de uma final no Pipe masters.

domingo, novembro 04, 2007

Embalos de sabado a noite


Marcos paulo carving

Hang Loose pro dia 6

Ondas - um metro e pouco de lindas ondas pela manhã até um tufão de sul acabar com a festa.
Previsão - Maior, melhor, sem vento. A lenda continua...

O dia começou com uma condição excelente, ondinhas espancáveis predominantemente para direita com esquerdas ocasionais, perfeitas para encerrar as sete baterias restantes.
Taj parecia desorientado, talvez desconcentrado, sempre caindo nas finalizações. Culpou a sua escolha da Roupa de borracha, boa desculpa. Mesmo assim venceu, seu enorme talento lhe permite ganhar mesmo sem estar 100 %.
Raoni atropelou a concorrência.
Léo passou apertado, mas passou.
Doutor Joel Steinman apertava o tornozelo do Chris Ward quando ele soltou um grito medonho de dor. Wardo tinha machucado seu pé fazia cinco dias e tentou dar uma aéreo na bateria, o resultado disso pode lhe custar a vaga no WCT.
Fora os excessos....
Shaun Cansdell precisa deseperadamente de um resultado se quiser continuar no 'CT em 2008 e fez a maior média do dia mostrando que está focado.
Antes de entrar a última bateria do dia, a única apenas com brasileiros, Neco, Mineiro e Vitinho, o vento sul entrou rasgando sem deixar vestígio das ondas adoráveis da manhazinha - Neco levou.
Ainda foram seis baterias da segunda fase pra água, sem surpresas, exceto pela derrota do Pancho Sullivan para Marco Polo, que marretou uma esquerda feito gente grande.
Greg Emslie, representante dos surfistas (junto do Cory e Pancho) reuniu-se com Xandi Fontes, diretor de prova, e juntos decidiram interromper a competição naquela máquina de lavar.
Nas seis baterias realizadas nada melhor do que um 13.17 como maior média, portanto o adiamento.
Ficou combinado que amanhã serão realizadas baterias de 25 minutos, com ajuda dos jet-skis.
A primeira chamada é 6:45 e se tudo correr bem, sete em ponto a sétma bateria estará na água.
Domingo, pé de cachimbo.

Maraca


Um cara surfando legal

Slater descia em direção a mais uma bateria, mais uma de tantas em 20 anos de serviços prestados ao surfe.
Prancha debaixo do braço, concentrado e determinado, Slater balançou a cabeça sem acreditar no que via.
Em mais de 20 anos acompanhando campeonatos de surfe nunca tinha vista nada igual.
Uma multidão de entusiastas urrava da possibilidade do Octa-campeão Kelly Slater passar entre eles.
Pouca gente na história do nosso esporte se alimenta desse jeito da pressão criada pelo público, imprensa, TV, Políticos e moças, muitas moças enlouqecidas com a possibilidade de casar com uma celebridade.

Depois de 5 longos dias espera, a manhã deste sábado começou morna, sem o swell previsto e o Hang Loose Pro começou as 2:15 da tarde, após tres aflitivas chamadas, uma as 7, outra as 10 e 1 e meia. Eram 2:18 quando Cory Lopez iniciou oficialmente o campeonato com uma esquerda medíocre, surfada com sofreguidão, talvez causada pelos efeitos da espera e suas consequências.
Na segunda bateria Rodrigo Dornelles levantou o público com um surfe tradicional e consistente. A Família Dornelles Paz não via seu filho pródigo surfando assim tão de perto fazia muitos anos. Senhor Cezar, pai de Rodrigo, estava radiante com o desempenho do filho e a reação da torcida na praia.
Taylor Knox classificou-se por um erro infantil do wild-card Simão Romão que cometeu uma interfência e ganhou um dia de descanso.
Jeremy Flores passa por uma excelente fase, será o Rookie of the year da ASP em 2007 sem sombras de dúvida. Flores dominou sua bateria como um veterano e fez a segunda maior média do dia.

O sol saiu foi timidamente saindo, as séries vinham cada vez maiores, com modestos 3 pés quando Joel Parkinson entrou n'água.
O primeiro frisson foi causado por Parko. Sua naturalidade ao surfar as ondas deitadas da Praia da Vila chegava a irritar alguns surfistas, afinal de contas, até ali todos tinham alguma dificuldade em andar naquelas ondas.
Parko fluía como se estivesse em Snapper ou Bells, ignorando todos obstáculos, encaixando manobra atrás de manobra e voando numa junção para enlouquecer a platéia.
O líder e candidato a substituto do Rei Slater quando aposentado Mick Fanning parecia ligeiramente nervoso no início da bateria, impressão afastada na sua terceira onda com um 7.17 e definitivamente esquecida na sua quinta onda, mal julgada (underjudged) de 8.5.
Fanning aplicou dois floaters numa velocidade impressionante, por baixo do lipe, pra depois começar uma sequência de pancadas de backside tão verticais e rápidas que ainda me pergunto se a prancha passava mesmo por trás da sua cabeça a cada porrada.

A área VIP do campeonato abrigava uma fauna diversa, diversa e dispersa, que embebedava-se enquanto Slater remava para sua primeira onda.
Já passava das 7 da noite quando Slater começou seu show.
O que se seguiu foi uma carnificina.
A maior média do dia, sua nota de descarte era um 7.33, uma das maiores do dia.
Toda imprensa presente estava em extase com as possibilidades de manchete: Slater ainda é o rei. Herói local humilhado por Slater
Dez baterias da 16 da primera fase foram embora.
Agora começa o jogo, vale tudo.
Fanning surfou com graça e uma velocidade impressionante, Parko fez tudo parecer fácil, com muita técnica, Slater tinha volume e violência.
Sua tática foi diferente de todos que vestiram a lycra vermelha hoje, os cabeças de chave, sentando embaixo dos outros competidores e pegando tudo que se movia, ao invés de esperar no outside pelas maiores do dia.

A saída dos líderes d'água foi caótica, um torcedor exaltado pegou o boné de Mick Fanning, Slater correu apavorado da multidão e ficou preso na cerca que protege os competidores - Kelly tentou ir pelo outro lado.
Amanhã teremos um dia cheio com as seis baterias restantes e provavelmente toda segunda fase, a previsão muda de hora em hora e as ondas podem aumentar ou diminuir.
Para muitos dos surfistas hoje é dia de perder a cabeça em festas que ainda serão faladas muito tempo depois desse campeonato acabar.

sexta-feira, novembro 02, 2007

De Albinos e Carecas


Isso é uma garrafa d'água ou voce está apenas feliz de me ver, Mick ?

A manhã do dia 30 de Novembro de 2003 começa com o alarme do incêncido causado por Mick Fanning.
No meio do maior apagão de toda sua história, Florianópolis recebia pela primeira vez um evento do WCT com enorme expectativa.
Fanning tinha deixado uma vela acesa em cima da TV no seu quarto do Praia Mole Park Hotel e saído para surfar, não fosse a esposa do seu amigo Occy, Mae, avisar do fogo, todo hotel arderia em chamas.
Coincidência ou não, a Rip Curl, patrocinadora do Mick, lançara o vídeo Fanning the fire.
Slater é a grande estrela do evento e Andy Irons é o vilão - vaiado pelos locais pela péssima repercussão dos abusos do Wolfpack com brasileiros no Havaí na temporada passada.
Dizem assim: os Brasileiros são apaixonados por torcer, contra ou a favor.
Mesmo o ídolo Slater não sobrevive muito tempo aos humores da torcida e é intensamente vaiado depois de passar os últimos cinco minutos da bateria contra um wild-card local o marcando para vence-lo.

Os eventos em Santa Catarina são cheios de mistérios e surpresas. Tente conversar com algum surfista presente no evento de 1986 e veja os olhos dele brilhar.
Em anos passados os desastres se tornaram tão notórios quanto os campeonatos, chegando até ao Jornal Nacional, coisa pouco comum aqui no Brasil.

Eram duas e trinta da madrugada quando o telefone do diretor técnico do Hang Loose Santa Catarina Pro tocou. A voz do outro lado soava tão assustada quanto aflita, parte da estrutura do evento tinha voado.
- como assim voado ?
Uma estrutura com o peso de um pequeno caminhão tinha ido parar no outro lado da cerca que rodeia a área do evento, torcendo vigas de ferro como se fosse papel.
A torre dos juízes e outras importantes partes da estrutura não foram afetadas, apenas a área V.I.P. e dos competidores, dos males o menor.
Alheio à tudo isso, Fanning continua sua missão, sendo o primeiro n'água todos dias, treinando como um atleta olímpico.
Em 2003, Slater enfrentou Fanning numa final memorável para o público brasileiro, eletrizante, liderança mudando a cada troca de ondas até o triunfo de Slater, desta vez aclamado pela torcida.


Entra 2007, um grande feriado nacional provoca um verdadeiro êxodo para o litoral e as festas são aguardadas por todos como recompensa pelo tempo passado debaixo de chuva. São esperados alguns milhares de turistas aqui para Imbituba nesse final de semana.
O prefeito tratou pessoalmente da reconstrução da estrutura e parece otimista com o desenlace de tudo isso.
Para os surfistas tudo se resolverá numa ondulação de proporções épicas por algumas horas, com Taj, Slater e outros 45 dando o sangue para adiar a decisão do título para o Havaí.
O jogo já começou: na entrevista coletiva marcada com os tres canditados, Taj e Fanning estavam lá na hora marcada, mas Slater apareceu apenas uma hora mais tarde.
Um dos top 44 confessou achar que isso foi mais dos truques que Slater usa para pressionar seus adversários.
Eu não duvidaria.
Mas desta vez é Fanning que pode causar outro incêndio levando o título antecipado.