sexta-feira, junho 30, 2006

Fusão



A Burton Snowboard compra Channel Islands surfboards.

quinta-feira, junho 29, 2006

Gol de cabeça



O Portal Literal, projeto da turma da Conspira (boa coisa, diga-se), faz o especial da Copa, Portal na Copa, uma coleção de crônicas, poemas, letras de música e entrevistas para quem tem alguma intimidade com as quatro linhas.
Uma folha seca do Didi.

Town in

segunda-feira, junho 26, 2006

Chato


Justin, relaxando o maxilar depois de babar los heuvos de A.I.

Sim, eu sei que sou um pentelho.
O saite da Transworld traz uma pérola do analfabetismo relacionado ao surfe de competição.
Viesse de algum veículo (por que diabos chamam veículo ?) de informação de numerosa circulação, dita grande imprensa, eu perdoava, mas vindo de um dos bastiões da imprensa especializada, o bagulho é sério.
Justin Cote, irmão do Chris, nosso estimado Chris, diz que Taylor Knox nunca venceu um WCT na sua carreira, erro violento pra editor de revista de surfe.
Algo como o editor da Placar, dizer que Rivelino nunca marcou em Copa do mundo (que tal Knox e Riva ?).
Vejam bem: não se trata de um blog, ou dum aventureiro que se mete a escrever sobre surfe, trata-se do editor de uma das 5 maiores revistas de surfe do planeta.
E a informação tambem não é um mito do esporte ou mistério competitivo dos distantes 70 ou 80, qualquer imbecil, inclusive os irmãos Cote, podem acessar o saite da A.S.P. e fuçar os arquivos para descobrir que Taylor Knox ganhou o Rio Surf Pro no ano da graça de 1996, aqui mesmo, na cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, numa final sem graça contra Ross Willians, por meros 0.95.

Wikiriders



No mesmo conceito da Wikipedia, onde qualquer um pode interferir e acrescentar, ou corrigir, informações sobre tudo, o saite Wikiriders incentiva a comunidade do surfe a compartilhar seus mais preciosos segredos.
Outro saite, Wannasurf, fez isso primeiro, mas o wikiriders, que me parece uma iniciativa da Rip Curl, é mais aberto e interativo, alguma coisa semelhante a um Google Earth de picos de surf, mastigadinho.
Cuidado ao visitar o saite, pode levar ao vício.

sexta-feira, junho 23, 2006

Now you're talking



Irons sente o cheiro de sangue.
Antes de qualquer outra coisa, não me lembro de ter visto um aéreo tão alto numa final de campeonato - nem em nenhuma bateria.
A Rip Curl teve uma sorte que será difícíl de igualar, ou por outra, a idéia do WCT móvel, um ano em Reunião, outro no México, quem sabe em Madagascar no ano que vem ?, é genial.
Lembro ao amigo que essa campanha, The Search, saiu da cuca do Derek Hynd.
Será complicado algum outro campeonato em 2006 chegar perto do que foi 'La Busqueda' mexicana.
Mas, pensando bem, temos Jeffrey's, Mundaka e o Pipeline Masters, que inesperadamente pode tornar-se um campeonato histórico, tudo depende do humor do nosso melhor amigo, Netuno.
Quem esteve distante do resto ?
Slater
os dois Irons
Martinez
Knox
Reyes
Pancho
Damien e C.J.
Wardo

A corrida ao título de zero-meia começa agora.
Um erro crucial do Slater pode atrasar, ou comprometer, sua oitava coroa.
Contra Knox, freguês de carteirinha do Careca, Slater não acreditou nas chances do Bonehead, afinal de contas, nas oitavas em Bell's, Slater amassou Knox sem a menor cerimônia, inclusive empurrando um nervoso Taylor em ondas ruins, estratégia bem dominada por Kelly, aprendida com os velhos mestres da catimba, Lynch, Kong, Curren, Pottz e cia.
Martinez tem agora dois nonos (deve descartar um deles), um quinto, um terceiro e um primeiro.
Irons tem, um nono, dois quintos, um terceiro e um primeiro.
Taj, um 17 (descarte), um nono, um quinto e um terceiro.
Knox, um 17, um nono, um quinto, um terceiro e um segundo.
Damien tem um quinto e um primeiro pra entrar na briga.
A turma de baixo precisa começar a ganhar, ganhar e ganhar se sonha ainda com alguma coisa mais do que o top 10.
Fanning fica devendo, parece ainda estar sob efeito do fabuloso 'comeback' de 2005.
A brasileirada disputa 17s e 33s, por enquanto Paulo Moura tem mais 17s do que 33s e é o melhor brasileiro, mas Mineirinho sobe com descarte - Raoni, contundido até essa etapa, começou quente, mas tem um quinto e só.
Peterson fez as honras da equipe em Barra e Yuri deixou sua marca no placar dos 10 do ano.
Mais não digo.
Pedro Henrique precisa duma vez por todas entrar na bateria para vencer e não para se consagrar - isso pode ser feito mais tarde, com a cabeça no lugar.
Adriano tem tudo, velocidade, manobras eficientes e modernas, explosão, mas falta uma ou duas rodadas de circuito até ele aprender, por exemplo, andar no lugar certo da onda.
Na sua primeira bateria, escolheu as melhores ondas, conseguiu boas notas, mas me pareceu aflito demais em fazer a onda, ficando muito na frente dos espetaculares tubos mexicanos.
Na bateria que perdeu, ficou a péssima impressão de que se entregou e deixou Parko, mesmo sem muito brilho, levar a contenda.
Próxima parada, J. Bay, é uma das ondas mais difíceis do planeta de surfar bem e costuma destruir reputações de surfistas afobados.
Bobby, 'El Chicano', Martinez leva vantagem por ter crescido em Santa Barbara surfando Sand Spit, Rincon e outros point-breaks menos citados.
Andy tem fome.
Knox encaixa como poucos lá.
E 'El Rey', Slater, quer provar tudo de novo...


1. Kelly Slater (USA) 4233 points
2. Andy Irons (HAW) 4140 points
3. Bobby Martinez (USA) 40008 points
4. Taj Burrow (AUS) 3650 points
4. Taylor Knox (USA) 3650 points
6. Damien Hobgood (USA) 3542 points
7. Joel Parkinson (AUS) 3052 points
8. CJ Hobgood (USA) 2896 points
9. Bruce Irons (HAW) 2884 points

quinta-feira, junho 22, 2006

Madness



'I'll compete (with the rest of the pack)
For all that it's worth'
Madness, Mad not mad, setembro de 1985

Rock

Listas, sempre as listas, Impossíveis e inevitáveis.
O Observer faz uma lista dos melhores livros sobre Rock de todos tempos.
Recomendo que se por acaso alguem decidir comprar um dos livros procure no saite Bookfinder, é só copiar o título e colar na busca - e os preços ainda vem em Real.
Goiabada, servindo com um sorriso.


Esse livro não está na lista

quarta-feira, junho 21, 2006

Mexico


Pancho irrigando o deserto mexicano.

Estamos diante de um dos eventos mais espetaculares jamais vistos.
Receio que pouca gente estava realmente preparada para surfar ondas dessa categoria - principalmente meus conterrâneos, exceto Peterson, o animal de sempre com uma saúde de triatleta.
Pranchas pouco adequadas, leitura equivocada da onda, forma física um tanto indigesta, bem vindos ao circuito de sonho.
Como diria Jenny Holzer, proteja-me do que eu quero.

sexta-feira, junho 16, 2006

Desconexo


Leia a Bíblia


[Texto para Surf Portugal, escrito, vejam só, em 4 de Abril de 2001. O assunto fica velho.]

- É o futuro! Isso é o futuro…
Chico entusiasmava-se com as imagens que assistia, fresquinhas, do surfe rebocado por um Jet-ski na bancada de Phantoms, no Hawaii – seus olhos saltavam de espanto e deslumbre. Chico sentia-se profético nas palavras.
O vinho ajudava.
Um outro camarada na manhã seguinte tambem desgostoso com a já desgastada fórmula milenar de correr ondas, bradava à quem o quisesse ouvir em frente ao restaurante do outro lado da rua, em Rocky Point:
- Kite surf! Isso que é emoção… o vento, a vela, a prancha, a onda… aliás, nem precisa de onda, sabia ?
com o kite voce nem precisa de onda…
Aquela sentença era tudo que precisava ouvir para me convencer de que tudo está errado – enlouqueceram. Enlouqueceram de vez.
Disseram isso quando apareceu o wind-surf mas o surfe continou sendo surfe e wind-surfe continuou em frente como wind-surf.
Não importa o que aconteça, o surfe continua surfe - e ponto.
Mike Parsons ganha US$.60.000 descendo um “Mamute” de 60 pés surfada numa bancada remota, 100 milhas da costa Californiana.
Surfistas compram as digníssimas revistas de surfe atrás de mais informações, que direção toma nosso esporte.
É esporte ?
Matt George, na Surfer, diz que o futuro é no ar.
Mete duas dúzias de declarações de pessoas importantes do meio, que a gente admira, pesa a opinião do ídolo.
Kelly Slater, Sunny Garcia, Bruce e Andy Irons etc.
Como leitor e surfista mediano de 33 anos pensei:
- e eu nessa história ?
Aonde ficam os camaradas que nunca vão conseguir dar a sua voadinha, seu ‘Alley oop’, ou dropar uma onda de 60 pés em mar aberto ?
Vão interná-los numa clínica, especializadas em saudosistas, pessoas que não conseguem de jeito nenhum se desatar do passado, amarradas num tempo que teimam ser o único?
Nada disso.
Vão continuar surfando aos montes, sempre madrugando onde as ondas prometem alguma coisa especial, gastando o dinheirinho penosamente economizado em viagens onde nem sempre sabemos se vamos encontrar o que sonhamos ou não – independente da internet. Ainda que inventem os surf-camps com TV a cabo e ar refrigerado, sob encomenda para o indivíduo endinheirado e preguiçoso – nada disso vai influenciar na vida da maioria dos surfistas no planeta.
O surfe, puro e simples, com cordinha ou sem cordinha, de pranchão ou de pranchinha, com ou sem jet-ski, vai continuar sendo esse negócio estranho que nem é esporte, nem não é.
Não é arte nem não é.
Não é estilo de vida nem não é.
Nem é religião, tampouco.
Conheci uma quantidade grande de pessoas que surfavam durante minhas viagens, nos tempos das vacas-gordas – a maioria eram surfistas. E para cada um deles a relação com a prancha era diferente.
Compro a revista e leio que já não existem mais lugares para se surfar sozinho- pobrezinhos.
Quem dera eles conhecerem Grumari, Madeira, ou Nazaré* ( * aqui o João Valente coloca um nome de lugar em Portugal onde se surfa sozinho), esses lugares que os surfistas chegam sempre cedo na certeza de que aquele dia será inesquecível.
Nada muda no surfe.
Inventem formas diferentes de simular o prazer de pisar na prancha e deixar ela correr, sem motor ou vela, sozinha na onda, inventem wake-boards, skates, piscinas com ondas, quebrem a cabeça inventando!
O pirralho, com 12 anos, alheio ao frio do inverno vai continuar caminhando encolhido com sua prancha acima do peso, surrada, em direção ao Mar – sempre com letra maiúscula! – repetindo os passos do Duke, de Tom Blake, Dora, Curren e Slater.
Sempre vai ser a mesma merda…
Um vício maldito que não importa o que façam, ou façamos nós, não te larga nunca mais.
E assim surfistas continuam lendo revistas de surfe, se reunindo para assistir filmes de surfe, conversando bobagens sobre surfe alterados pelo alcóol ou outras substâncias que os surfistas adotaram como parte do ritual – e escrevendo coisas sem sentido como esse texto.



Capa simpática, né não ?

segunda-feira, junho 12, 2006

F



Saiu a nova edição da F.
No mundo ideal, eu postava apenas essa frase, seca, e todo mundo saía correndo feito louco pra comprar a revista.
Nesse número, uma entrevista homérica com o Fausto Wolff, o homem que não aprendeu a mentir.
Já pra banca!

50


Sal e água

Poucas coisas me deixam mais feliz do que apresentar um amigo estimado pra outro que julgo ter papo pra mais de um mês.
Como quando voce conhece só dois malucos que idolatram o Zappa e precisam se conhecer.
Uso o Goiabada para introduzir (Epa!) novos blogues que merecem sua atenção.
André Cortês é surfista como voce e eu.
A diferença principal entre André, eu e voce, é que André dá aula de desenho - mesmo no sentido pleno da palavra, leciona.
Seus alunos na Puc talvez não entendam porque seu professor pinta tanta onda, mar, gente na praia.
É possível que haja aluno que prefira seus desenhos mais abstratos, ou mais técnicos.
Daqui, tudo parece o auge da contemplação, quando o olho vira criança e colore a realidade.
Sal e água é o blogue do André, que pinta com água salgada jorrando dos dedos.


Casa

O elogio da inutilidade


MP fatiando o ócio.


'Arrisque-se perguntar a qualquer surfista o que gostava, de facto, de fazer com a sua vida. Quase que aposto que a resposta é, invariavelmente, nada. Ou melhor, surfar, ter uma vida distante das preocupações quotidianas. Um estranho ao surf achará este desejo pueril e tenderá a considerar-nos apenas um bando de preguiçosos, que quer fugir à realidade e às responsabilidades. Mas nós, tal como Pratt quando afirma o seu prazer e o de Corto em serem inúteis, sabemos o quanto os estranhos ao surf estão errados na sua avaliação.
Nos surfistas o desejo de ser inútil pode, no entanto, assumir duas formas.'
Pedro escreveu no Ondas.
Clica e leia o resto aqui .
O último a chegar é mulher do pastor Joey Buran.

Ninguem disse que seria fácil

[Coluna da Surf Portugal, meados de 2005. Volta e meia, dou uma fuçada nos textos antigos. Um ou outro dá vontade de publicar novamente, sem a preocupação de contexto e essas babaquices porque afinal de contas esse espaço é meu.
Gosto do jeito que começa, com a citação da Surfer.
Tem vezes que inicio com uma idéia e acabo noutra, raramente tenho tudo formatado na cabeça desde a primeira letra.
Nesse caso específico, o que detonou uma coluna foi uma entrevista na Transworld com o choramingo do gringo, que até é um bom garoto, Ben Bourgeois.]


Canga, como era conhecido Ian Cairns, no trilho. Voce pode correr, mas nunca fugir, diz a velha canção.

‘Na noite que eu cheguei no North Shore os australianos estavam cercados nos seus condomínios de alta segurança e eles estavam assustados.
Eddie Aikau tinha dirgido desde a cidade na noite anterior para avisar que eles estavam em maus lençóis. Ressentimento na direção deles transbordava pra fora da comunidade, e alguns dos mais perigosos filhosdaputa estavam vindo para pegá-los.
Descrença, foi a primeira reação.
‘Ei Eddie, diz aí! Nós somos apenas um bando de moleques, estamos aqui só pra surfar.’
Aikau estava genuinamente preocupado pela segurança deles e, se Eddie mostrava preocupação, então os australianos poderiam se sentir no direito de ficarem paranóicos.
Ian Cairns, que de alguma forma representava a natureza do ímpeto australiano, ficara acordado por duas noites com uma raquete de tênis ao lado da sua cama.
O alarme foi soado.
Rabbit foi espancado no seu primeiro dia em Sunset. Outro australiano tinha recebido treze pontos no rosto depois de ser atingido por um cinzeiro voador num restaurante.
A coisa não parecia boa.’

[‘You Aussies gotta learn to be humble’, Jaw wars on the North Shore, por Phil Jarrat, Março de 1977, Revista Surfer.]


Nínguem disse que seria um piquenique.
Surfe profissional é coisa pra macho.
Acontecia em 1977, se repete com mesma intensidade em 2004, exatos 27 anos de diferença.
Uma das essências do nosso esporte, de qualquer esporte: Cobiça.
O bonequinho com auréola nos diz para dividir, enquanto o outro, com chifrinhos, grita solene: foda-se! Que se fodam todos eles!
Durante alguns anos, de 89 até 97, tentei a vida de um Tom Whitaker, de um Darren O’rafferty, se muito. Apesar de me iludir achando que chegaria a um Matt Hoy, nunca nem passei de um surfista do terceiro time.
O primeiro time era formado por Slater, Machado, Carrol, Curren, Occy, Pottz, Egan, Garcia…
No segundo vinha Dorian, Knox, Hoy, Herring, Hardman, Gerlach, Lynch, Fabinho, Teco, Victor…
Logo abaixo, ainda naquele anos entre 90 e 97, tinha o Kaipo, Both, Beschen, Willians, Rommelse, Powell e vai…
Pensando bem, era mais provável que eu estivesse entre o quarto.
Ou quinto…
Ou sexto…
O papo de ter que viajar muito, nunca parar em casa, conhecer novos países, novas comidas apimentadas, novas cervejas, novas ondas…tudo isso me encantava como uma sereia de Homero.
Agora, não era a moleza que parecia.
A vida seria dura.
Derek Hynd escrevia nas suas análises do circuito mundial citando Dostoiévsky: ‘Vida é dor e o homem, um infeliz.’.
A coisa toda tinha uma aura de Olimpo- e ainda não existia os 44 do W.C.T.
Qualquer um poderia competir numa etapa do circuito mundial e vencer.
Como Joe Engel, salva-vidas, em 83. Ou Nick Wood em 87, na flor dos seus 16 aninhos, deixando o rei Curren pra trás, ambos em Bells.
Os lamentos permanecem.
Ben, um rapaz da flórida que já passou pelo WCT, chorava aos prantos na revista Transworld edição especial de viagens (Maio 2005), muito esforçado, mas nem tanto quanto o Mandinho, que ostenta um Título do WQS, e seis temporadas no ‘CT, enquanto Ben, bem…
Falava de Ben, que tem um sobrenome curioso, Bourgeois, e carreira irregular. Descrevendo sua pior experência em viagens, o bom burguês divide com o leitor seu terror durante algumas horas no aeroporto de São Paulo, segundo ele um antro de meganhas.
Pombas!
Quem quer ser surfista profisional tem que estar preparado para fazer lá seus sacrifícios e, cá entre nós, o aeroporto de São Paulo me parece um hotel cinco estrelas comparado com estções de trem, rodoviárias e portos mundo afora. Sujeito que se amedronta num lugar desses não está pronto para colocar a cabeça pra fora do cobertor.
Me revolta um bocado quando enxergo covardia nos olhos dessa leva de novos profissionais.
Já me aporrinhava com os Chris Frohoff da vida quando comecei a competir, mas esse, pelo menos, fez uma final em Pipe – que já é coisa demais.
O circuito sempre teve seus Jamie Brisick, seus Stuart Bedford Brown, seus Todd Prestage, seus Nathan Webster, seus Ben Bourgeois – turma de assustados.
John Millius, comentando seu filme ‘Big Wednesday’, diz que os surfistas viviam num mundo à parte, que não estavam preparados para vida quando a hora da verdade chegasse.
Isso, nos distantes anos 60, em Malibu, Califórnia.
Tentando descrever a cena onde a namorada de Matt Johnson, o fera do filme, participa pra turma que está grávida, em meio a um surfari no Mexico, Millius diz: ‘Ela é a mais corajosa, a única que enfrenta a vida. Ela vai ter o filho e não quer nem saber. Os outros ainda estão presos aos seus mundinhos nas areias de Malibu e não querem sair jamais’.
Ninguem disse que seria fácil.

terça-feira, junho 06, 2006

Sunny cai na malha fina


Redondo ou quadrado ?

O país com maior déficit interno do mundo pune Sunny Garcia pelo descuido de não pagar suas taxas ao Leão Norte americano.
O advogado do campeão mundial de 2000, Steve Toscher, orientou Garcia para declarar-se culpado e tentar aliviar a pena de 3 anos em cana.
A receita americana alega que Sunny deixou de pagar ao leão por US$ 161,450 em dinheiro vivo e cheques 'travelers' ganhos em competições em Fiji, Austrália, Africa do sul, França, Espanha, Portugal e Brasil de 1996 até 1999 e em 2001 mais US$ 255,635 de premiações.
A comunidade havaiana está em choque e figuras notórias como Bernie Baker e Tony Moniz já saíram em defesa de Sunny.
O promotor do caso diz que 'nem atletas famosos ou celebridades estão livres' da receita federal.
Sunny sempre teve uma queda para o perdulário, desde quando reduziu a pó seu Porsche zerinho, prêmio por ter entrado nos top 16 com apenas 18 anos.
Se não houver acordo, Sunny pode pegar até 3 anos no xilindró e ainda ter que desembolsar uma grana preta, fora serviços comunitários.
Se a moda pega, dois terços dos ex e atuais profissionais rodam.
Fica uma questão: será que premiação devia ser taxada ?
Os atletas investem fortunas nas suas carreiras e representam seu país mundo afora.
Afinal de contas, trata-se de premiação e não de ordenados, devidamente declarados, creio eu.
Um atleta como Sunny é capaz de ganhar até 200 mil Dólares em premiação num ano excepcional (Slater fez US$ 174,600 em 2005) e por volta de um milhão de Verdinhas em salários, segundo artigo do Matt Warshaw no The Surfer's Journal - e olhem que isso já faz bem uns 5 anos.

sexta-feira, junho 02, 2006

Estante



[Nos anos 50 a 80, eu tinha uma boa coleção de LPs, quase todos importados e raros. Com a chegada do CD, fiz a burrice de vendê-los para revendedores californianos de discos usados e para alguns negociantes paulistas. Não aguentava mais escovar agulha de toca discos e limpar os bolachões com 'washdisc' e sabão de coco antes de ouvi-los, sem falar nas alergias e dores de garganta de tanto manusear capas mofadas. Gravei o de que gostava em cassetes (centenas e centenas de fitas), vendi praticamente toda a coleção - e, claro, me arrependi]

'O Caçador das Bolachas Perdidas', Jorge Cravo, Editora Record, 2002

Jorge Cravo era o único que rivalizava com a coleção de discos do Ivan Lessa.
Baiano, Cravinho, como é conhecido entre amigos, foi logo cedo estudar em Nova Iorque e viver uma vida que vale por 20.
Sem precisar se preocupar com dinheiro, seu pai era um próspero exportador de café, o jovem Cravinho viu tudo: De Billie Holiday a Frank Sinatra, apaixonou-se por Sarah Vaughan, correspondeu-se com Johnny Hartman e viu Nat King Cole de perto.
Amigo de Lúcio Alves e João Gilberto, ouviu a bossa nova nascer.
Estava na Suécia em 1958 e viu o Rei e Garrincha assombrarem o mundo - e ainda ajudou o Anjo de pernas tortas a estabelecer contato com duas loiraças, servindo de intérprete na noite do título.
Um livro de histórias, contadas pelo próprio personagem, duma honestidade terna, tão distante dos heróis de hoje que precisam reafirmar seus feitos a cada quinze minutos.
O prefácio é do Ruy Castro.

quinta-feira, junho 01, 2006