quinta-feira, março 23, 2006

Afinação do mundo

terça-feira, março 21, 2006

Passaporte

[Coluna Tempestade em copo d'água, Surf Portugal, Março 2006]



Completam-se 10 anos da emissão do meu passaporte agora em Junho de 2006.
Quando tinha ainda meus tenros 28 anos e toda ilusão que os sonhos permitiam, achava que 2006 era muito mais distante- chegou rápido demais.
Folheando cuidadosamente cada uma das páginas, tento recordar cada um dos carimbos.

24/05/96 – Aeroporto de Johanesburgo- válido até 28/07
Segunda vez em Jeffrey’s Bay, a Meca dos camaradas que surfam com o pé esquerdo na frente.
Levei cinco pranchas, tres pequenas 6’, uma média 6’5’’ e outra grande 6’9’’, não usei todas.
O motivo principal da viagem era, pr’alem das ondas, competir no evento mais tradicional do WQS, Gunston 500, marca de cigarros local.
Se não estiver enganado, perdi pr’um garoto com prancha vermelha que se chamava Danny Wills e outro que já conhecia dos filmes do Taylor Steele, Tim Curran.
A frustração era amenizada com quantidades paquidérmicas de cerveja e pela noite mais animada do circuito.
Durban deve ser uma das melhores cidades do mundo para ser surfista.
1996 foi o ano do primeiro WCT em J. Bay, com direito à Occy, Slater, Carrol, Egan, Knox, Machado, Dorian e Kong.
Marcelus filmou tudo, de 6 da matina até a última luz do dia, em pé como uma estátua, sem perder nada. Parte desse material está no terceiro filme da série Cambito, dividido em dois clipes: um porrada com a música do Sepultura com Carlinhos Brown e outro mais contemplativo com a belíssima ‘A Música que os Loucos Ouvem - Chupando Balas’ do Mundo Livre S.A..
Competi tambem no campeonato que precedia o WCT, satisfazendo o desejo de garoto.
Logo na primeira bateria, ondas pequenas, quase ridículas para um santuário como aquele, me vi numa situação constrangedora.
Iam uns 10 ou 15 minutos e os outros tres surfistas não tiveram muita sorte na escolha das ondas.
Sempre muito paciente, esperava pelas séries que vinham a cada duas baterias e como na bateria anterior não veio uma sequer, aquela poderia ser a minha chance.
Precisava de uma nota miserável, um 4 ou 3 ponto-alguma-coisa.
Subitamente, assobios, agitação intensa na praia e avisto uma ondulação atípica para o dia, me certifiquei que todos adversários não estavam tão atentos nem próximos- nada.
A onda mais bonita que surgira durante todo dia marchava lentamente na minha direção e eu remava antecipando toda glória que uma oportunidade destas carrega, um apetite fenomenal acompanhado de um cuidado sobre-humano para não estragar o momento: nem tão rápido, nem tão devagar.
Nos encontramos, eu e onda, como se não houvesse acaso, com toda pompa de um filme arrasa quarteirão como Titanic: arrebatadoramente.
A praia inteira fitava a onda, rara, prendendo a respiração para aliviar-se longos segundos depois, terminada a onda.
Qualquer dos 100 surfistas do campeonato faria uma nota excelente.
Não era necessário talento ou habilidade, apenas se deixar levar pela onda mais perfeita de todo dia.
Lá estava eu, dono dos olhares, saboreando minha inesperada glória, preparando a manobra que daria início aos comentários regados a cerveja gelada no balcão do Pub e nas mesas de sinuca de Jeffrey’s Bay.
Repito o que escrevi acima e já me apresso em corrigir: qualquer surfista, menos eu.


10/09/1996 – aeroporto de Lisboa – Regresso 7/10/1996
Vi Occy chorar depois de ser penalizado com uma interferência na Ericeira.
Numa disputa com Chris Ward, que toda imprensa queria ver nos top 44, o nosso amável Ogro deu duas remadas a mais e viu suas chances de voltar ao WCT irem por água abaixo.
Wardo tirou proveito da situação, acertou a espuminha criada pelo Queixada e tascou-lhe um pontapé.
Achamos, em consenso, que Occy não merecia a punição.
Binho e Neco quase fizeram abaixo assinado.
Duas semanas depois vimos o mesmo senhor de queixo protuberante fazer chover na praia do Guincho, literalmente, se levarmos em consideração o tamanho dos leques que aquelas pernas de hidrante levantavam cada vez que deitavam-se nas paredes de sólidos 6 pés.
Occy saiu d’água sorrindo.

23/06/2001 – Aeroporto de Denpasar – volta 09/07/2001
Alguem pode me beliscar ?
Um barco de cinema na Indonésia, serviço de hotel 4 estrelas, geladeiras sempre cheias, ondas espetaculares, quatro dos mais promissores surfistas do Brasil, o melhor bodyboarder do mundo e dois amigos do peito – sim! Tudo pago, bom ressaltar.
O que mais pode desejar um surfista ?
Esse surfista pode desejar que não estivesse a trabalho, sempre filmando nas principais horas do dia, em sol escaldante, caminhando 40 minutos nos recifes ao meio dia para conseguir um ângulo diferente..
Faria tudo novamente para poder surfar nos intervalos e viver a fantasia como se minha fosse.

28/12/2004 – aeroporto de Lima – volta 09/01/2005
Mancora parecia mais longe do que diziam os mapas e saites que li exaustivamente quando ainda planejava a viagem ao norte do Perú.
Tínhamos viajado do Rio de janeiro para São Paulo de manhã cedinho porque era mais barato.
Já passavam das 10 horas da noite quando chegamos na cidade onde Hemingway escreveu seu romance que mais fala aos surfistas, marinheiros e pescadores, ‘O Velho e o Mar’ em 1952.
Faltava pouco, menos de 60 quilometros, dependendo da estrada pode ser feito em vinte minutos, duas horas ou quatro.
Ao meu lado, Mares adomecera, tão bela naquele fim de mundo, alheia a tudo que podia acontecer, da falta de gasolina, da cidade que nunca chega, do carro alugado levemente suspeito.
Foi quando tocou ‘Moondance’ num dos CDs que eram empurrados sistematicamente dentro do tocador para me manter acordado.
‘it's a marvelous night for a moondance
With the stars up above in your eyes
A fantabulous night to make romance’
Uma Lua de canção de amor dependurava-se lá no céu estrelado do deserto.
Parei o carro, abri as portas, aumentei o volume até máximo e tirei delicadamente a Mares para dançar.
A única casa de pé por perto acendeu suas luzes e viu aquela cena improvável: dois loucos dançando no meio do nada, abraçados como num baile de debutantes a dança da lua.

sexta-feira, março 17, 2006

Bass, how low can you go (clica e vai!)

Leiam o que Scott Bass tem a dizer sobre o prêmio XXXL e Tow in.
Eu assino embaixo.
Voce ?

'Tow-in is Britney. Tow-in is the USA today of surfing. It appeals to the masses via aesthetics while underneath lacks the necessary substance. Tow-in surfers are great, but they are not the greatest. Many have proven their worth in the paddle arena, yet many have not.'

quarta-feira, março 15, 2006

Escuta aqui



'Do you feel this win opens the door to a potential world title run?
That’s what everyone’s asking me. I’d be lying if I said it didn’t come into my mind. But I’m not that preoccupied with it. I’m totally enjoying what I’m doing but I’m kinda cruising along with it. This event I felt really relaxed. I think I would have come into this year differently if I had not won the title last year, I might have been in a different frame of mind, but I feel relaxed, you know, it’s really all a bonus, it’s fun, I’m getting in the water and trying to deal with it there, with what’s in the water.'

sábado, março 11, 2006

O Gajo tem piada

'And when Timmy Reyes catches the winning wave for Team USA in the ‘Kahanamoku Cup’ all of the sudden the 30-year-old fun-board riding recreational surfer is a fan of Timmy Reyes’ for life. And, by association, 30-year-old fun-board riding recreational surfer is now a fan of the ASP tour for life. He wants to see how his boy Reyes will do at JBay. National teams turn the uninspired into emotive, knowledgeable, die-hard fans.'

Desvio



Homenagem aos dois Zappamaníacos, Alcinho e Bala12.

sexta-feira, março 10, 2006

Falzon

Claudio da Matta traz uma entrevista inédita e saborosa com um dos poucos mestres na arte de fazer filmes de surfe.
Clica no título e transporte-se para outra dimensão -this is the Morning of the Earth.


Albie Falzon fazendo história ao lado do Nat Young e Bob Evans.

Madureira chorou

Em 97 ele ganhou o primeiro e segundo do ano, Coke em Narrabeen e o de Kirra.
Em 98, de novo o primeiro - ainda patrocinado pela Billabong, já no Gold Coast.
Dois assim, de lambada, no princípio da temporada só Cheyne e Sunny.
Tres então, apenas Curren, irrestível em 1990 depois da retirada estratégica em 88.
Tom Curren é a nova flor da obsessão de Slater, que corre atrás do recorde de vitórias dele e provavelmente deve estar se perguntando se é possível levar toda perna australiana e de lambuja repetir Tahiti e Fiji.
É tarefa para super-herói.
O que motiva Kelly hoje ?
O impossível, eu diria.
Menos do que isso, não deve ter graça.


Sean, compra outro engradado daqueles da promoção!

quinta-feira, março 09, 2006

Falta pouco

Daqui a algumas horas um brasileiro pode fazer história.
Pouca gente venceu de cara um evento desse porte como debutante: Curren, Nicky Wood, Fanning, Joe Engel, Gerlach.
Bobby Martinez, o outro latino da semi, periga tambem escrever seu nome nos livros.
Mineirinho leva vantagem num confronto com Taj se o julgamento for limpo.
O paulista é mais veloz, tem muito mais bico que Taj e hoje voa com mais autoridade (pelo menos ao vivo, porque em vídeo a história é outra) do que o australiano.
Aliás, TB vem ficando cada vez mais com menos bico, parece surfar com um disco desses de sandboard e suas manobras são, para mim ao menos, aflitivas por tanta falta de peso, volume.
O problema aqui (lá) reside na imaturidade que pode pesar, como pesou violentamente com Silvana Lima contra Rochelle Ballard.
Alguem viu o que vi ?
Numa bolsa de apostas, rasparia minhas economias jogando na Silvana contra a havaiana.
Sorte que não isso por aqui.
Silvana, que surfa melhor do que Rochelle até dormindo, competiu com a plenitude de sua inexperência, começando a bateria com uma onda medíocre, surfando ansiosamente cada uma de suas ondas e deixando a adversária solta para escolher a onda que quisesse.
No primeiro capítulo do manual de competição diz: numa bateria de 30 minutos, contando apenas duas ondas, é sentar e esperar, não importa o mar.
Slater pode se dar ao luxo de sair pegando qualquer coisa.
Curren fazia isso tambem, começava com ondas fracas e ia aumentando sua média no decorrer da disputa.
Machado tambem usa essa estratégia.
Silvana tinha uma chance de ouro nas mãos, outras virão - espero que tenha aprendido algo desta vez.
Nessa etapa tudo conspirou para uma atuação espetacular do De Souza, como diz Potter.
As ondas quebradinhas com rampinhas perfeitas para decolagem favorecem bem mais um surfista com linha quebrada.
As manobras são mais imediatas, não resta muito espaço para desfilar classe e desenhar a onda como seria o esperado no famoso Super banco.
Sorte do Nunes, do Mineiro, do Toby Martin.
Raoni e Martinez não tem problemas com ondas mais alinhadas: o primeiro é de Saquarema e o segundo de Santa Barbara.
De um lado a 'velha' guarda, Slater e Taj, do outro Bobby e Mineirinho.
A final clichê do confronto de gerações apetece menos do que uma plena de vigor e jovialidade.
Bell's beach em seguida favorece novamente o chicano, acostumado com água fria e direitas longas, uma reprise do que aconteceu em 2005 dá vantagem ao Mineiro que é capaz de arrastar em Johanna.
Mas, por outra, esqueçam tudo que escrevi, o ano cheira mesmo a Slater, o homem que se recusa a envelhecer.
Me digam, quem surfou mais que o careca até agora ?
Se não ganhar, azar dos fatos, diria Nélson Rodrigues.

O meu, o seu, o nosso

A única revista semanal séria do Bananão, Carta Capital, publica reportagem interessante sobre o monumental complexo turístico na Costa do Sauípe.
Abaixo, link e manchete.
Clica e leia - 'Isso que é prejuízo.'
Sob a bênção de ACM, a Previ perdeu R$ 900 milhões em Sauípe





Deixe com Painho... quando Toninho chegar com a mufunfa, separe metade pro netinho.

terça-feira, março 07, 2006

Nick Carroll está de volta

O velho careca voltou afiado como nunca.


Parko, enterrando.

'Bruce Irons in the past has tended to lose interest in contests in bad waves. This year he's clearly got other ideas, and got off to a great start with a monumental frontside ultra-punt. The judges didn't chicken out and gave him a 9-plus, which is what the move deserved. Bruce is in form, but it didn't stop him being beaten by an utterly furious and amazing closing ride from Raoni Monteiro, a ride Raoni must have dredged up from all his years of WQS beachbreak slop events. Don't panic, Bruce, just remember the backup wave next time.'

12.12.95



12-Year-Old Wins National Meet

James O'Brien of the North Shore won the Ironman Award at the United States Surfing Federation National Championships held last week in South Padre Island, Texas. James is the youngest person ever to win this event The award is given to the best overall performer of the contest. Jim finished first in the longboarding and bodyboarding divisions (14 and under) and second in surfing for the menehune (12 and under).
There were nearly 250 amateur surfers from all over the U.S. participating in the event. But it was definitely James' day. "He was phenomenal", according to contest judge Jack Shipley. Jack went on to say that it's "usually an older guy who has the experience" to win this contest. "You never see a kid win it." Until now.

quinta-feira, março 02, 2006

Antro 364



'As cultural anthropology classes go, “Anthro 364: Surf Culture and History” is really no different from any other upper-division department course work offered at the University of San Diego. It's your typical in-depth study of a distinctive culture, its history, its values and its rituals. Nothing too special about it, when you look at it that way.' Clica no título e leia mais

quarta-feira, março 01, 2006

Textículos

[Coluna Tempestade em copo d'água, revista Surf Portugal, outubro 2005]


Durante mais de uma década reclamaram sem parar.
Surfe profissional era um engano, quase um delito e quem o defendia não enxergava um palmo à frente.
O formato! Gritavam histericamente os detratores.
As ondas! Esperneavam editores inconformados.
Um verdadeiro motim da imprensa formou-se contra a ASP, apesar do fato de Slater conduzir toda ela, imprensa e ASP, cordeirinhos da gigante Quiksilver e do ainda maior talento do Rei Slator. Sempre foram seus súditos, editores, repórteres, fotógrafos, estagiários, até a mocinha da recepção sonhava com o dia que Kelly entraria por aquela porta e daria um sonoro ‘bom dia’.
Chega de KS por enquanto.
Durante os ridículos anos 80 tivemos um circuito mundial com ondas ruins, surfistas medíocres, pranchas esquisitas e julgamento pouco confiável, isso é o que acreditam alguns numa espécie de transe coletivo – mas uma coisa nós tínhamos e hoje não temos mais: uma cobertura sublime do circuito mundial da ASP, pré-WCT.

Graças aos pés pra cima nas redações (pensem na posição de bebê irritado), o circuito mundial foi sendo empurrado para esse formato que conhecemos hoje, com ondas fabulosas e cenários de filme americano com o atual da Gisele.
Chama-se isso de ‘dream tour’, um rodada de sonho, a vida que pedimos a Deus.

Intervalo para os comerciais.

A idéia de embalar o circuito para vender ao grande público, sempre ávido por novidades, foi o mote das mudanças.
Mude de marolas incertas para ondas perfeitas e não estaremos mais no mesmo lugar, um passinho a frente, por favor.
A Coca comprou o guarda chuva em 94.

A onda do momento na transição dos aborrecidíssimos 80 ao promissor 90 passava pela liberdade de escolha entre viajar o mundão de Deus em busca da onda perfeita e da verdade dentro de cada um, uma legítima jornada para dentro do nosso super ego, alter ego, ou mesmo o id.
Na outra ponta, a mais fraca, quem optava pelo competitivo surfe profissional imediatamente vendia sua alma ao rapaz de vermelho embaixo da terra, era absolutamente desprovido de caráter pois surfava apenas pelo dinheiro, como todos sabem.
Aqui no Brasil, creiam, um editor chegou ao cúmulo de acusar descaradamente Fábio Gouvêia de mercenário, tudo para alcançar os coraçõezinhos dos leitores que embarcavam sem medo na canoa do ‘soul surf’.
A canoa não virou.
Então um mantra foi repetido pelos quatro cantos: campeonato é chato, campeonato é chato, campeonato é chato…
A oração vinha ainda acompanhada geralmente das seguintes sentenças: surfe profissional é muito desinteressante, o que escrever sobre ondas de meio metro mexido ?, todo mundo surfa igual, não dá para comparar com uma viagem de ondas perfeitas, estamos livres da ditadura dos campeonatos, viva!

Cut-back.

Derek Hynd, Nick Carrol e Paul Sargent faziam miséria com a caneta em meados dos enfadonhos 80, escrevendo o que melhor se escreveu sobre surfe de competição e vida em geral.
Literato de carteirinha, Hynd citava Shakespeare e Dostoyevsky quando fazia a resenha dos top 30 (depois 44) para Revista Surfer.
Carrol levava seu jornalismo dinâmico e preciso, a lá Truman Capote e o novo jornalismo americano onde o personagem se confundia com os fatos, irmão do duas vezes campeão mundial, Nick é tambem excelente surfista, assim como Hynd, respeitados dentro d’água e fora pelos companheiros.
Sarge circulava pelos bastidores com enorme desenvoltura e foi dos jornalistas mais influentes que já houve. Próximo de Slater, Hering, Occy, Hoy, Egan, Gerr e quase todos competidores na ASP, o Sargento escrevia, fotografava e criou uma linguagem nova fazendo seus próprios vídeos, Sarge Surfing Scrapbook, uma virada de página na história dos filmes de surfe.
Bem antes do Taylor Steele vir com a fórmula de edição nervosa e música rápida, Sarge misturava tudo numa omelete de sessões memoráveis de ‘free surf’ e baterias pontuais nas temporadas.
Quem teve o privilégio de assistir o primeiro da leva dos Scrapbooks não esquece Hossegor perfeito e Coxos fenomenal que Sarge apresentava sem cortes.

Alley up.

Prantos ouvidos, temos o tão sonhado circuito em ondas perfeitas, janelas de espera e dinheiro jorrando feito petróleo no filme do James Dean com a Elizabeth Taylor (sim, damas e cavalheiros, Giant, eu sei), temos tambem Andy Irons estrelando a novela como vilão e Kelly Slater como um errante pistoleiro que volta a sua cidade para vingar a morte do seu pai.

Joel Parkinson, Mick Fanning e Dean Morrison são os forasteiros que desafiam o novo xerife enquanto os Hobgoods, que até já tem nome de cowboy, podem ser os ajudantes do xerife.

Num cenário destes, a grande imprensa do surfe mundial, revistas Surfer, Surfing, Transworld, citando as principais que tem distribuição global, teimam por dar um tratamento morno ao circuito depois de anos implorando pelo que hoje conseguiram.

Até mesmo as fotos que publicam são as mesmas.
Os textos insípidos, meros copidesques dos press releases que a ASP distribuí, tem um gosto de batata frita requentada.
Daqui do meu cantinho considero um contra-senso não termos hoje uns tres ou mais jornalistas do primeiro time seguindo o circuito e contando exclusivamente a história que desenrola-se numa eletrizante temporada de WCT.
Esse papel é hoje exercido por eventuais iniciativas como Blue Horizon do sempre genial Jack Mc Coy, que contou de forma espetacular a história por trás dos dois títulos de Andy Irons.
A internet, que transmite ao vivo para quem quiser, acenou com uma cobertura decente no saite Surfline.com mas alegria de pobre dura pouco, dizem por aqui.
Curioso que não surja ninguem apresentando uma cobertura mais arriscada na grande rede.
Assim como é surpreendente que nenhuma revista ouse, hoje, no tempo ideal, separar-se das outras dando muito mais espaço para o WCT, com fotos exclusivas, chamadas de capa, análises aprofundadas e afins.

Kick out

Pancho Sullivan, 32, classifica-se para o WCT depois de quase 10 anos tentando furar a injusta fórmula de qualificação.
Que eu saiba, o sujeito competia apenas no Havaí e achava tudo muito chato.
Agora é um sonho realizado.
Por que as pessoas não dizem logo a verdade duma vez ?