quinta-feira, abril 20, 2006

Sempre o sete

Carrol em 84, Hardman em 88, Potter em 89, Curren 90, Slats em 96 e 97.



O que essa turma tem em comum ?
Cada um deles venceu pelo menos 6 etapas nos anos em que foram campeões - Hardman arrastou 7.
Recapitulando:
1990
Primeira etapa, O'Neill Coldwater, Santa Cruz, Steamer Lane perfeito, 6 a 8 pés.
Final, Curren versus Elkerton. Deu Curren, montado graciosamente na sua fiel 6'8'' Maurice Cole (anotaram tudo ?)

Segunda etapa, Bundaberg Pro, Burleigh Heads, 3 a 5 pés quase certinho, rodando e rápido.
Final, TC e Elko. Nosso macaco predileto comete uma infantil interferência e Curren corre pro abraço.
Logo após receber seu troféu, irônico, diz que pensou em fazer uma interferência para igualar a disputa- não fez.

Terceira etapa, Rip Curl Bell's pro, 4 a 6 pés, mexido e confuso.
Final, aquele senhor de cima contra Dave Mc Cauley. Frondoso no seu alazão Cole, mesmo da primeira vitória, Curren vai para seu terceiro discurso seguido.

De volta.
Carlos Leite parte para quebrar o recorde de Hardman, as 33 de Curren ficaram pra trás.
Tão emblemático quanto previsível, Slater diz que nunca conseguiu competir um ano inteiro concentrado e divertindo-se ao mesmo tempo - embora o repórter tenha perguntado outra coisa.
Revela-se na resposta a meta: se não ganhar tudo, pelo menos chegar nos 3 primeiros em TODOS WCTs de 2006.
Os tabus de Kirra e Bell's são agora passado.
A perna que se aproxima é sua especialidade.



E ainda temos Occy, surfando como sempre: devastador.
Esse ano de 92 será eletrizante.
Opa! estamos em 2006, perdoem-me.

Afinação do mundo



Jarvis Cocker é um desses camaradas que bagunçam o coreto.
Compositor genial, revela-se um excepcional curador nessa compilação absolutamente fantástica, The Trip, segunda da série depois da tambem saborosa compilação do Saint Etienne.
Um dos hinos da geração 90, Common People, ainda ecoa pelos pubs mundo afora, fazendo pessoas comuns jogarem os braços para cima e dançarem enlouquecidamente gritando o refrão: I want to live like common people.

PS - Ouçam a versão do canastrão Willian Shatner, elegantemente acompanhado por Joe Jackson, no link acima.

terça-feira, abril 18, 2006

Leve possibilidade

[Coluna Tempestade em copo d'água, revista Surf Portugal - Fevereiro de 2006]

‘Leve possibilidade’ previa Derek Hynd em ‘futuro título mundial’ na Revista Surfer de Maio, 1989, para dois novatos do circo que era o circuito mundial, pré-WCT.
Luke Egan aproximava-se dos 20 anos e Sunny Garcia dos 19, terminando a temporada de 88 em 27 e 16 respectivamente.
Reparem, amigos leitores, como o tempo era outro: Egan vinha de uma promissora carreira competindo pelo clube de Merewether, apoiado pelas pranchas Aloha e roupas O’Neill. Poucas ondas no filme mais influente da década de 80, ‘Beyond blazin’ boards’, serviam como referência do que vinha pela frente, mas diante de um talento absurdo como Nicky Wood, Jason Buttenshaw ou ainda John Shortis, Egan, apesar da enorme estatura, parecia um surfista menor.
Sunny, por outro lado, pulava de um patrocínio ao outro sem a menor cerimônia, Gotcha, Billabong, Life’s a Beach. O garoto de Waianae era pura dinamite e provou isso no OP Pro de 87, demolindo adversários com um surfe de backside que parecia ignorar os limites da verticalidade e violência, algo tão assustador quanto Occy espancando Jeffrey’s em 84.


O melhor surfista de sempre que não foi campeão mundial ?

Apenas tres temporadas foram suficientes para Sunny sair de 47 para 17 e entrar no seleto grupo dos invejados top 16, Hynd gostava de dizer que o menino era como um ‘jovem e abusado Cassius Clay’, da mesma forma que Wayne Bartholomeu na década anterior – provocador e confiante.
Egan falava e agia mais silenciosamente.
Quase botou água no Champanhe do Barton Lynch num Pipe épico na semi final decisiva do último campeonato do ano, Billabong Pro 88, ano da redenção de Lynch com seu tão sonhado título mundial – ninguem podia com o senhor Barton naquele evento, surfando com uma prancha mágica feita pelo George Downing.
Egan comia pelas beiradas, surfando cada vez mais forte e mais polido, mas distante do top 16.
Os dois dividiam a mesma dificuldade: vencer.
Sunny foi ganhar seu primeiro campeonato em 1990 – e levou logo mais dois em seguida – enquanto Egan, mais lento, ainda esperou mais cinco anos até vencer um pequeno evento na Nova Zelândia que nem valia grande coisa.
Por incrível que pareça, Luke Egan, apesar de considerado o surfista favorito de metade dos top 30 mal conseguia se aproximar dos top 16, sempre batendo na trave (Leia novamente esse parágrafo, Saca).
O vice campeão mundial de 2000, terceiro colocado de 2002 e quinto de 2004, demorou, desde a temporada de 88, seis longos anos até conseguir atingir os 16 primeiros, repito, seis.
Alcançando a décima quinta posição, ofegante, caiu para 28 no ano seguinte…
Nessa altura Sunny já frequentava o topo da lista, sempre entre 10 no início da década de 90 e depois sempre entre os 6 até o título mundial de 2000.


Nêgo Sunny enterra, misifio

Uma das maiores apresentações que jamais vi de um surfista foi numa expression session na praia de Zarautz, finalzinho de tarde.
Estavam lá os dois, Luke e Sunny, mas a tarde pertencia ao aussie.
A pressão e velocidade que Egan impunha a sua prancha era algo díficil até de entender.
A geração que chegava, Powell, Slater, Herring, Prestage, Kaipo e cia urrava com os aéreos que o goofy disparava como se nada fosse.
Os reverses, manobra do momento, eram com uma tal violência e suavidade que na arquibancada nos entreolhávamos e, silenciosamente, concordávamos que Egan era o maior surfista do mundo – ao menos por aquele momento.
Sunny ganhou esse mesmo campeonato, batendo Carroll na final, era Agosto de 1990, Curren estava lá e depois iria para Ericeira encantar os Tugas.
O colorido que tinha o circuito com Sunny, Luke, Rod Kerr, Rob Bain, Kong, Shmoo, Parsons, Mitch, Richie, Gerr, Pottz, Hardman, Holland e um juíz chefe faixa preta de karate com sérios problemas com bebidas é algo que se perde definitivamente com a ‘aposentadoria’ dos dois.
Nas transmissões ao vivo, as histórias contadas serão, por vezes, mais interessantes do que o que se passa na água.

quarta-feira, abril 12, 2006

Hunt

Al Hunt, o boa praça que levou a ASP nas costas por boa parte dos anos 90, criou um lugar na grande rede para exibir sua gigantesca coleção de revistas de surfe.
O nome é muito adequado: Allaboutsurfing
Seu apetite por tudo que se publica sobre surfe é sem igual.
Tem tudo: filmes, posters, camisas, livros, adesivos, chaveiros e programas de campeonatos de todo mundo, de todos tempos.


Al, swinging'

Sempre quando vinha ao Brasil, Al nos perguntava sobre sua lista incompleta e tinha na ponta da língua quais exemplares faltavam.
Sua mémoria, sem perder a piada nem o amigo, é mesmo de elefante - na última vez que falamos ele disse que perdera 20 quilos.
Capaz de lembrar a nota que Potter precisava em Pipe no Masters de 1989 para tornar-se camepeão, ou a cor da camisa do MR no Smirnoff de 75, Al pode e deve transformar seu saite no maior centro de pesquisas da rede mundial de informação.
Por enquanto, nos deleitemos apenas com as capas de todos primeiros números existentes no planeta e concentremo-nos em ajudar o velho amigo a encontrar seu tesouro perdido.
(Devo ou não entregar minha 'Surfing' ano II numero 2 ?)
Aqui no Bananão, duas pessoas podem sentar e conversar sobre revistas de surfe com Big Al: Dragonfly e Dr. Roger Banno.

domingo, abril 09, 2006

Esopo

Seis séculos antes de Cristo nascer, um escravo grego chamado Esopo escreveu algumas das obras mais importantes da literatura universal.
As fábulas de Esopo traziam animais que representavam a alma humana, com toda sua sujeira e toda sua grandeza - a vida de escravo deve ter servido bem à isso.
Coube ao poeta Francês Jean de La Fontaine recuperar e reunir os textos de Esopo, isso lá pelos idos do século XVII, num livro chamado 'Fábulas escolhidas'.
A moral no final de cada uma das estórias é a grande sacada de Esopo/Fontaine - onde adultos e crianças param e pensam onde se encaixam na sociedade.
Todos calhordas e heróis estão nas fábulas.
La Fontaine é considerado o pai da fábula pela pesquisa que fez sobre a forma e por resgatar estórias esquecidas pelo tempo.
Uma das fábulas mais famosas de Esopo, O Asno, a Raposa e o Leão vai mais ou menos assim:

Um Asno (voces podem trocar por imprensa), uma Raposa (optem, talvez, por ASP) e um Leão (Neco, sabem que ele é leonino, pois não ?) aliaram-se para sair atrás de alimento (grana).

A Raposa, mais astuta, arquitetou o plano, o Asno, mais burro, fazia muito barulho galopando ia na frente pela selva para alertar os animais da presença do Leão.

O Leão, sendo mais forte, capturava os animais, mesmo fugidios.

Ao fim da caçada, o Leão pediu à Raposa que dividisse a caça em tres partes iguais. Feita e partilha, o Leão voou no Asno e devorou-o, depois disse sonso para Raposa: A primeira parte é minha, por ser o rei da selva. A segunda parte é minha por ser teu sócio e a terceira parte é minha se voce não quiser que aconteça contigo o mesmo que fiz ao Asno.

Moral da História:
Cuidado com quem voce se associa, os mais fortes sempre ganham no final.



Usado descaradamente para dar exemplo num surto de hipocrisia da ASP e imprensa, Neco mostrou mais uma vez quem manda.
Essa vitória do Neco representa bem mais para mitologia do esporte do que a volta triunfal de Fanning em 2005.
Aqui vence o mais forte.
Atentem que Newcastle não fica na América do sul, a torcida não era catarinense nem carioca, o júri internacional louco para deixar o caneco em casa.
Foram 12 baterias, pelo caminho ficou o gigante Occy, favorito da torcida e recem chegado duma vitória controversa em Margareth River. Occy estava engasgado desde uma derrota esquisita no Japão, naquele ano fatídico onde tudo conspirou para o título redentor do queixudo.
Nenhum outro atleta foi punido pela ASP desde o afastamento de Neco.
Ninguem foi tão espezinhado pela imprensa quanto Neco pelo seu trauma em Teahupoo - talvez exceto pela maldade feita com Vitinho quando saiu duma bateria em Pipe sem surfar uma onda.
De contrato novo com a Mormaii, que finalmente parece disposta a abrir o cofre para pagar decentemente um atleta, Neco peita seus detratores mostrando que a raça é ainda maior que seu talento.
Completa 30 anos dia 11 de agosto, provavelmente comemorará em Lacanau, dentes trincados esperando pela sua bateria no seis estrelas.
Arrisco dizer que nessa altura já estará matematicamente classificado para o 'CT 2007 - metade do ano, digo eu.
A história é rica em personagens malditos e geniais: George Best e Romário, Gainsbourg e Tom Zé, Brando e Penn, Ali e Tyson.
Antes de Mineirinho, Neco era a grande sensação.
Com menos de 13 anos de idade era apontado por Derek Hynd como 'futuro do surfe' numa viagem que fez pela Europa com seu 'mentor' Avelino competindo apenas nas 'expression sessions' e fazendo o mundo inteiro parar e prestar atenção na novidade.
Ainda sem completar 15 anos venceu etapas do circuito profissional catarinense e causava espanto pela diminuta estatura.
Ninguem mais lembra de nada, pelo menos não se publica o que poderia ser lembrado.
Rob Machado acha que foi sacaneado pela ASP e só faz chorar pelos cantos o quanto o circuito perde sem um surfista como ele - incapaz de um retorno desses, como do Neco.
Um retorno de quem vai catar migalhas no chão, uma a uma, até conseguir o que quer.
Machado queria um convite, Neco quer uma chance.
A caça começou.

sexta-feira, abril 07, 2006

Copa (clica e vai)

Aproxima-se a Copa e nossa sede por ver a criança bem tratada nos gramados aumenta.
Alex Bellos escreve no seu blog com a categoria do Falcão na partida onde ele arrasou o Vasco em 1979 levando o Inter ao seu Tricampeonato (75/76) - invicto.
Ainda no seu blog, Bellos linca (sim, com C!) outros blogs pra quem gosta do violento esporte bretão - ao menos é assim que a maioria esmagadora de técnicos acredita mundo afora - violento e desleal.
No Blog do Alex, a pelota corre solta e redondinha.