quarta-feira, junho 29, 2005

Ithaka

Darin Pappas está por todo lado.



Dentro d'água procurando temas para seus contos, que se transformam em músicas, que viram esculturas e são reveladas em fotografias - como na série de umbigos que fez no Japão.
Morte duma prancha é a chave pra a vida eterna.




A fuga da cidade dos anjos, onde ele foi concebido, embala uma suspeita atividade que pode resultar em mais uma morte.
Ainda por cima, é pé quente: Dois filmes (vídeos) que usaram suas músicas no último par de anos arrastaram os prêmios mais importantes que existem por aí.
Second Thoughts, do boa gente Timmy Turner, ganhou 'melhor vídeo' no prestigiadíssimo Surfer Poll awards da revista Surfer e Rafael 'Mago Merlin' Mellin venceu o Festival de Saint Jean de Luz com o Sambatrance que tem 'Muerto escondido' sussurrado quando Grylo, Marcondes e Pig botam pra dentro numa praia qualquer do México.
Darin não para quieto em canto nenhum, quando resolve vir ao Brasil conhecer por alguns dias é capaz de permanecer por quase um ano, gravar um disco sem um centavo com participações da Thalma de Freitas, Berna e Kassim, Gabriel Pensador e o virtuoso pianista Laércio de Freitas (pai da moça, sim senhores).
Foi para Portugal e lá ficou por tanto tempo quanto era capaz de se assentar, reinventou-se, gravou discos, fez sucesso, compôs uma música pro Zé Seabra contando da sua bravura diante de um mar enorme na Ilha da Madeira - Seabra is mad!
Numa semana pode estar estacionando o seu carro num shopping center em L.A. e no outro fotografando a campanha revivalista da O.P. (original) em Cabo.
O camarada agora criou tres saites pra colocar, aos pouquinhos, seus trabalhos, um pra cada veia, Música, Esculturas e fotografia.
Os links estão abaixo.
Aqui no Bananão, ninguem deu bola quando aqui esteve.
Alguem se surpreende ?


A reencarnação de uma prancha


Som na caixa


Zingaro

terça-feira, junho 28, 2005

Occy e a erva

[É de 2001, me deu coceira nos dedos e saí escrevendo. Talvez até hoje não tenha assimilado que não se escreve apenas por impulso, mas com disciplina, empenho e seriedade - até para esculhambar.
Uma frase ou outra ainda me pertence mas boa parte se apagou com o tempo que nos distancia.
Lia qualquer merda que escreviam sobre o incidente do Occy no Arpoador e sofria com cada linha...
O que mais me doía era o tom austero e a falta de humor da turma sempre tão sorridente e feliz.
Foi publicado, naturalmente, na Surf Portugal, totalmente reescrito pelo Valente, que me poupou da vergonha de ser lido com a quantidade absurda de erros que cometia, pé de pato bangalô tres vezes, e ainda cometo - em menor quantidade para a felicidade do velho e bom J.V.
Irrita a mencão de Bali, pela inutilidade do fato e exibicionismo e a palavra 'wit', tão afetada quanto áquelas dos textos que pretendo ironizar.
A idéia no final das contas é boa.]


Occy e a erva

À essa altura todo mundo já sabe que fiquei careca de tanto debater besteiras.
Me falta cabelo e paciência.
Fábulas do nosso esporte: Era uma vez o Occhilupo, ele aguardava ansiosamente pela sua 265ª final na beira d’água quando 3 fascínoras, malandros tipicamente cariocas, abordaram o campeão mundial lhe oferecendo uma substância ilegal e maligna – maconha!
Acuado, pobrezinho do Occy inocentemente aceitou, julgando tratar-se de um cachimbo da paz, velha tradição indígena amazonense, como lhe informaram na imigração quando o deportaram.
Observando do seu posto, destemidos policiais, tipicamente cariocas e malandros, foram em defesa do australiano; prendendo-o. Isso tudo, antes da final do WCT, tipicamente carioca e malandro, na praia do Arpoador, contra seu conterrâneo, Trent Munro – que puxou, mas não tragou.
Moral da estória: quem tudo quer, acaba se queimando…
Primeira página dos jornais nos dias que seguiram: “Quem avisa, amigo é: nem todo maconheiro é surfista, mas todo…”
E por aí vai…
Abaixou a fumaça(cof, cof, cof, perdão, engasguei…) e a imprensa especializada(quem ???) resolveu se manifestar. Primeiro o Sarge, amigo de infância do Marco Lucciano, saiu em defesa do Ogro.
“Na verdade, apesar das notícias especulosas e mirabolantes, Occy apenas foi dar uma mijada e quase foi preso, pois todos sabem, o Brasil é país extremamente conservador.”
Chamam a isso dissimulação.
No caso do Sarge é um pouco de safadeza e astúcia.
Foi criado um debate saudável sobre a questão das drogas.
A frase acima é uma piada, bom esclarecer.
Teve jornalista(???) indignado com a divulagação do ocorrido, articulista aproveitando para tocar em assunto tão delicado (uiiii…) e editor manifestando repúdio em editorial.
Tudo levado à sério, como se fosse uma novidade sem mais tamanho. Digo mais: tratando a rotina como se furo jornalístico fosse!
Volto à minha careca.
Foi lendo textos enfurecidos e esclarecedores como os citados acima que perdi quase todos cabelos.
Falta humor pros garotos.
Ninguem levou o assunto com humor, ou como chamavam, chamam, os ingleses, ‘Wit’. Os Aussies tem ‘Wit’, americanos não.
E nem meus irmãos de teclado – já que nenhum deles usa mais a caneta e o papel- do Brasil varonil.
Li a reportagem sentadinho num desses cafés cibernéticos em Bali e me esbaldei de rir. Voltei correndo pro hotel, contei pros amigos e choramos de rir do pastelão carioca.
- Só no Arpoador mesmo…
Lembramos da famosa cena do Paulo Proença cagando, literalmente, na frente de um dos prédios chiques na frente da praia, adubando a grama verdinha do jardim dos magnatas.
O pessoal preocupado com a imagem dos surfistas, enquanto os surfistas vivem da imagem que criaram no laboratório da grande imprensa.
- Tenho treinado muito…estamos trabalhando para melhorar….a bateria foi muito disputada…os adversários são muito fortes…o surfe é uma caixinha de surpresas…
Essa é a imagem que querem presevar ???
Pois que tragam de volta os maconheiros!
Não precisamos de debate nenhum pra saber os malefícios que a droga traz, nem tampouco( palavra charmosa!) precisamos de arautos para defesa da imagem dos surfistas.
Precisamos sim, é de honestidade ao tratarmos dessas polêmicas de merda.
Nada de moralizar ou descriminar.
Temos que falar disso como falamos das manobras do Slater, que gosta muito de uma cervejinha, ou do estilo magistral do Curren, que dançou com 13 anos no colégio com um baseado.
Chega de balelas sobre má-influência!
O camarada que vai tomar sua dose de álcool pela primeira vez o faria de qualquer maneira, independente do Occy ou do Figo.
Não me venham com essa conversa que os ídolos são ‘modelos’ para as novas gerações.
Vi no Peru, em 95, o Chris Ward e o Cory Lopez com uma pedra de Crack do tamanho de uma bola de tênis, andando de um lado pro outro, no entanto os fãs do Ward, ao menos aqui no Rio, são a garotada mais saudável que já conheci – apesar da deprimente propaganda que a marca “Lost” faz com seus pupilos, alardeando abusos a cada vídeo.
O nosso estilo de vida nunca foi tão limpo. Tão ‘Clean’ como escrevem os afetados. Somos preservacionistas, naturalistas, vegetarianos. Não precisamos mais passar por barcos sujos como Kevin Naughton, nem acampar como Wayne Lynch.
Viajamos de primeira classe ou quase. Alugamos carros espaçosos.
Nem nos damos ao luxo de procurar albergues baratinhos, fazemos reseva nos melhores hotéis. Nossas pranchas são protegidas pelas melhores capas. Internet, swell-fax,, surf-reports,, boat-trips, Cartão de crédito, travelers checks, milhagem e bônus.
Pra falar a mais pura verdade e bater novamente na mesma tecla: a maioria de nós nunca vai chegar nem perto desse mundo maravilhoso, perfeito, sem defeitos e sem imprevistos.
Tragam de volta a sujeira, a incerteza e a irresponsabilidade que talvez assim meus cabelos voltem a crescer.

segunda-feira, junho 27, 2005

Agora sim!


Finalmente em DVD - com extras.

Fábio Fabuloso em DVD - Notas do diretor
À margem das praias férteis do Fabio Fabuloso tem um imenso terreno baldio onde descansam seres que beliscam nossa imaginação. Ali tem coisa de sobra… ali tem um lado de fora repleto de mágicos brindes, de fantasias EXTRAS.
Nesse terreno baldio, bem na raiz de uma onda caiana e açucarada, cresceu a árvore inédita que apelidaram MISTUREBA.
De MISTUREBA brotam imagens de uma Baía Formosa tão comum e especial quanto o entardecer de seus vira- latas. Ainda em MISTUREBA, Brainer Brito (rival de Fabio Gouveia nas competições) abre o coração e revela quem era o paralelepípedo de sua vida.
Árvore frondosa essa de apelido MISTUREBA. Temos mais Neco Padaratz, Charlie Brów e um inusitado Rodrigo Viegas, bonitão das tapiocas. Binho Nunes mostra com seu corpinho esquisito a herança estética deixada pelo Fia (apelido carinhoso dado ao Fábio "Fabuloso" Gouveia).
No barranco onde os meninos jogavam bola de gude apareceu uma lenda SEM TRIPÉ NEM CABEÇA. Atrevimento estético não faltava ao monstro. Mosaicado de patas e cascas de guiamuns o bicho se alimentava exclusivamente das memórias afetivas do Fia. Se você agüentar assistir esse monstro extra terreno inteiro sua cerveja é de confiança.
Curiosidades de toda a carreira do Fia misturam-se a capoeira do Victor Ribas jogando pernas pro Guilherme Herdy. Depois vem os dois mininu do Fia (Igor e Ian) e fazem sua própria versão do jogo.
Tom Curren mostra que nenhuma filmagem tosca é capaz de esconder os polimentos de suas manobras. O Piu (amigo "injustiçado" do Fia na versão oficial do Fabuloso) finalmente aparece e diz a que veio: veio pra não fazer nada muito sério.
Os pirráia mergulham em suas infâncias eternamente literárias e fazem as dunas nordestinas escorregarem em pedaços de taubas.
Os Gouveias assistem o Sport Clube do Recife fazer bonito na Ilha do Retiro e vou parar por aqui porque não sou redator de lista telefônica. Quem quiser que compre cerveja e assista SEM TRIPÉ NEM CABEÇA.
Mas eu falava do terreno baldio, aquele território EXTRA que somente criança gosta de navegar. O lugar parecia um labirinto de vento. E na falta de assuntos mais solenes a turma fazia ENCHEÇÃO DE LINGÜIÇA.

Clica aqui para ver comparação de preços do DVD


Aqui para comparação de preços do CD com a trilha original


Aqui uma promoção supimpa do saite da Fnac (R$ 37.20)

terça-feira, junho 21, 2005

Ermitão

[Uma boa entrevista é feita basicamente de um bom entrevistado e um bom entrevistador.
Senhoras e senhores, a revista Adrenalin tem na sua página uma entrevista sensacional com Wayne Lynch, realizada brilhantemente pelo jornalista mais bizarro e genial que a terra de OZ jamais produziu: D.C. Green- com a participação, vejam só!, de Maurice Cole e Tom Curren.
Traduzo aqui um trecho da introdução para dar água na boca.
'Nos anos sessenta, ele era o superestar adolescente, o camarada que revolucionaria o nosso modo de olhar uma onda.
Mas, então, consciente ou inconscientemente, ele desapareceu e se tranformou num recluso e devotado surfista de ondas grandes, Shaper e enigma.
Este Wayne Lynch existe mais em mitos do que na revista.
De vez em quando ele reaparecia como se fosse um Messias barbado, feito naquele impressionante festival de tubos da final do Coke Surfabout em 1978 contra o Larry Blair; e na vez que ele tinha virado mentor e treinador da primeira equipe de surfe aborígene australiana em 1994.'
Clica no título e leia toda entrevista, vale cada minuto do seu tempo]



Fotos de Andrew Kidman! Quer mais o que ?

DC_Ted Grambeau described you to me as one of the best three tube riders he's ever photographed.

WAYNE_Yeah, yeah right (laughter). What do you mean? Who are the other guys? (more laughter - Maurice looks indignant when he learns the other two are Gerry Lopez and Jim Banks). Um, well, you know what's funny about that - I always get identified with my backhand re-entries, but tube riding was one of the most important things to me and one of the things I loved the most. Tube riding was, and is, to me the most fascinating sort of surfing, but no one's ever related me to it. Even way back with Evolution, everyone wanted to just see re-entries. You know, they'd try to identify you with something, and then it becomes an image and then you're expected to live up to your image and then all this pressure comes on. But, once I explored something, it was time for something else.

MAURICE_When I first met Wayne in the early seventies, he was in a real tube-riding period. No one knew where he was. I remember watching Wayne getting filthy tubed for the first time, on this ultimate board, a 7' 5".

WAYNE_That whole keel fin design was about angles against the draw up the face. That was what it was all about, OK. And how you could shift pressures and work with those angles and pressures, and how far back you could get to find all that pressure. It was all about speed and trim. To keep the board moving and adjusting to the face, no matter how deep you end up in the barrel. I was trying to learn how to make the board drive through the deepest parts of the barrel. I hardly even did a turn for 18 months. I had a purpose. I was exploring.

Trilha: Stay Young do INXS
Meu tributo aos Bloc Partys e revivalistas dos 80
e, como se pudesse escapar, Green Onions, do Booker T. & the M.G.sGreen Onions, do Booker T. & the M.G.s, uma experiência extra-corpo.

segunda-feira, junho 20, 2005

imeio

[Recebi um imeio do Rafael Mellin contando as aventuras nas Maldivas e não resisti: aqui vai o texto com todas suas magníficas imperfeições causadas pelo calor do momento]


Pegou ?


Imagina se vc pudesse escolher um cenario ideal, os surfistas ideais, tudo do jeito, bonitinho pra botar na fita, ou dvd...

Eu atualmente escolheria Fia e Curren. Agua azul, azul mermo, sol de leve (primeiro contra luz, depois a favor com tom de fim de tarde). E 1 metro (pra 1 e meio) de uma direita lisa e linda com tubo e aquela piiiissssssta pra desenhar.

E 2 camerazinhas dv, revezando angulos, hora 1 na agua, hora as duas no mesmo eixo...

Com todas as probabilidades contra, quem diria, mas nao eh q rolou mermo...

Eh claro q custou 11 horas no sol em pe sem comer esperando o ar da graca dos feras, claro q deu problemas de camera, desencontros com o outro cinegrafista, barco p la, pra ca...

De manha: mar bonzinho com 1 metro, meio nublado e eu bem feliz com as imagens pela manha do Treko, Jihad, Ph e Mandinho, nada de novo ate ai... A galera vai saindo....

Pra minha alegria, entra sozinho, remando pelo canal, o Curren na agua. La de fora imediatamente vem uma serie de 6 das mais incriveis e lindas direitas q ja vi. 1m e meio servido. Pensei: porra, olha a serie q o mar manda pro cara! Nao vem uma dessas ha mais de 15 dias... Deu ate coceira p ir surfar... Mas eu: calma...

O cara senta no rabo, deixa passar todas e depois vai numa onda de meio metro se entortando todo e zoando. Durante mais meia hora o doido, sozinho na agua, deixou passar varias boas e soh foi nas menores, fechando, manobrando esquisito, caindo... Nao entendi nada. Imaginei q ele, q tava soh na cervejinha (e de leve) esses dias, resolveu tomar umas pilulas malucas q ele deve ter trazido escondido...

Ja tava desanimando qdo ele saiu, trocou a prancha, voltou e... puta q pariu!!!

Nao to falando de pegar bem , tipo nego fala: "po, o cara ta mandando bem ae" e pensa (pra um veio...).

Foi pegar muito pa caralho mermo. Papo de WCT, auge da carreira e tal. Papo de nego urrar na sala depois vendo as imagens. Papo dele sorrir ( e ate rir!) com a galera vibrando na frente da tv a noite...

O q o cara fez acho q soh se viu em tempos de The Search 2, e olhe lah...

Dropa agarrado, tubo com 2 maos escorando a parede, sai, cava como quem desenha um sorriso, rasga com forca (de verdade mermo), cava, batida, cava e um coice q nenhum joelho de um cara nos 40 (ou nos 20)aguenta.

Senta 3 minutos entre o outside e a sessao do barrel. Vem outra, linda. Cava la na praia, sobe na lua e rasssssga, cava e tunel. Limpo. Sai e puxa-lhe um cutback q dou 10 pratas se nego nao gritar ai na sala qdo a gente assistir...

Umas 4 ou 5 ondas dessas. Revezo entre quadro aberto e fechado, na falta do outro angulo q sofria de problemas tecnicos. Chega o Fia. SO OS DOIS - nesse mar! (acho q no outside ate tinha uns 3 japoneses, mas nem vi) Nem tinha como ver tambem. Qualquer um sumiria ali perto.

Fia dropa, barrel, cutback q parece q ele tinha visto o do Curren (q foi antes dele chegar). Fia leve, voando. Curren forte, moendo. Os 2 desenhando, lindo. Idiotice dizer, mas os 2 com muuuuuuito estilo. Quadro fechado neles sentados lado a lado no outside azul. Nessa imagem pensei: to realizado, os dois caras q mais gosto de ver surfar, juntos, num mar classico...

Uns 40 minutos disso e chega a lanchinha com Treko e PH, de pe na proa, batendo palma, gritando, aplaudindo o show q nego tava assistindo no barco ancorado ali na frente. Foi foda. Gritei pros caras, bati palma tambem. Foi foda mermo.

Logo depois o Curren saiu. O Fia fez mais varias boas com a turma.

Entre isso e mais uns dois dias de boas ondas, uns takes de 2 angulos, uns takes fechados, de lado, com a ilha no fundo, umas coisinhas de dentro d'agua e tal, acho q o q temos, na hora q editar (ou so colar mermo uma na outra) um clipezinho q no nosso mundinho seria de exibicao obrigatoria em todas as fabricas de surfistas feras do mundo. Poderia ser conhecido como 'a aula'.

Fora o violaozinho q o cara tocou (e cantou!) pra gente. Fora as piadinhas (!!!) q ele fez p camera.

Pra nao dizer q felicidade pouca eh bobagem, o mar hoje tava P-E-R-F-E-I-T-O, foi todo mundo embora. Surfei 3 horas de uma direita e outra esquerda de chorar de tao bonito q tava o mar. Avisa pro Alema q a 5'11 ta irada! A 6'0" parece q ta boa tb, to ainda no test drive...

Ai, com as quilhas mais pra tras a prancha fica mais dura ou mais solta?


Abracao,
Mellin

PS: Nao eh q o cara me pediu dinheiro emprestado? Por 200 dolares adquiri minha peca de colecao: 6'3" black beauty do cara, a unica de borda amarela ja feita. Eh um toco pra mim, mas eh linda. Soh p olhar. O viado ainda me deve 100 pratas. Disse q paga em Durban. Quero ver...

sexta-feira, junho 17, 2005

Jornal do Brasil

O Caderno B do JB voltou a ter opinião.
Ziraldo reuniu seu grupo de 'malditos' da imprensa e cada exemplar é pedacinho de história: Fausto Wolff, Léo Montenegro, Aldir Blanc, Fernando de Castro, Sílvio Lach e toda patota do Pasquim.
Sem falar nas entrevistas...
Voltei a assinar, mesmo que tenha que engolir a Marcia Peltier...

Farmacia



Parece uma boa idéia o DVD.
Vindo do Greg Weaver, deve valer cada centavo - e ainda tem o Dan Merkel...

quinta-feira, junho 16, 2005

Santosha

[Coluna Tempestade em copo d'água, Revista Surf Portugal, #148, Maio de 2005]




Maio me lembra La Libertad.
Chuvas, estradas esburacadas, fuzis, direitas, esquerdas, pedras e bocas de rio.
Reparem como nos esforçamos para justificar esse êxodo rotineiro que nos acomete mais vezes do que merecemos e menos do que desejamos.
Somos conduzidos pelos nossos ilusionistas prediletos.
Atraídos sutilmente nos acordes do tema de Endless summer e a narração sincera de Bruce Brown para o Senegal, seduzidos com cada vírgula dos textos do Kevin Naughton, pontuado pelas magníficas fotos do Craig Petersen no Sahara, deixando-nos levar por Gonçalo Cadilhe como uma testemunha invisível de cada passo de sua volta ao mundo, desta vez em Chicama para o swell da década.
Chega um determinado momento que nada mais faz sentido e o super-herói irresponsável em que todos nos transformamos urge por liberdade, pé descalço e sono salgado. E não importa sua idade ou disponibilidade para surfar diariamente: esse temível momento chega para voce tambem.
Contumazes mentirosos que somos, bolamos um plano mirabolante para explicar a tal compulsão, a lista é imensa!
Somos tão desonestos que talvez capazes de jurar morte inevitável, caso ausentes do ambiente quase metafórico dessa fuga da realidade.
Tudo motivado por outra obsessão nossa: compartilhar.
Alguem, sem motivo aparente, resolveu documentar, seja com fotografia ou texto, uma onda perdida em algum ponto remoto do planeta, a revista chega à banca e assim começa o ciclo.
Não há diferença entre duas horas dirigindo ou dois dias de voo, o que conta é a fuga e a onda.
Kevin Naughton no documentário obrigatório ‘The far shore’ diz que olha para as imagens antigas e mal se reconhece naquele aventureiro destemido e descompromissado dos anos 70, ‘é como se eu olhasse para outra pessoa’, conclue reflexivo.
A viagem tem no seu princípio fundamental justamente isso que Naughton revela: distanciamento.
Uma urgência pelo afastamento da nossa mediocridade ou grandiosidade, variando no tamanho do ego, de tudo que pode nos identificar ou rotular, nem surfistas, nem nômades.
Um desvio de caráter que a maioria dos surfistas carregam como uma sina, mas que somente faz sentido com a volta.
A mais piegas das citações do imaginário do surfe, ‘Nesse mundo lotado, o surfista ainda pode procurar e achar seu dia clássico, sua onda perfeita, e ficar sozinho com seus pensamentos’, soa absurdamente atual 45 anos depois de escrita no editorial da primeira Surfer.
Toda fantasia parte da imagem do Skip Frye remando ajoelhado num mar lindo, deserto de gente e profuso em ondas, foto do mais enlouquecido de todos fotógrafos, Ron Stoner.
Nessa revista que voce segura agora, o efeito duma foto ou frase irá interferir na vida dum surfista, deixando claro que a paixão é hereditária na nobre linhagem dos descendentes do Duke e não há nada que possamos fazer.
Fica claro, desde o começo, que a viagem é para dentro, a fuga é nescessária e a volta, indispensável.

Calçada

Domingo, Dia do Namorados, caminhava pela calçada que contorna a Lagoa Rodrigo de Freitas voltando do espetáculo, gratutio!, oferecido ao carioca, Bossa in concert.
Marcos Valle, Roberto Menescal, Oscar Castro Neves, Carlos Lyra, Pery Ribeiro, Johnny Alf, Durval Ferreira, João Donato, Leny Andrade, Bossacucanova e Os Cariocas, um timaço de deixar qualquer apreciador de boa música com o queixo caído, iam sendo apresentados pelo mestre de cerimônias, Miele.
Um show desses em Londres valeria uns 100 Pounds, fiz as contas de cabeça pra ver quanto estava economizando.
O céu limpo e estrelado com um naco de Lua aumentava a sensação de que o Rio é a melhor cidade para se viver no mundo - não se preocupem, uma breve folheada no jornal serve como antídoto.
Pois, dizia eu, caminhava pela calçada e não ia sozinho, mãos dadas com o meu Amor, como na música do Jorge Ben, pensando com meus botões sobre a etapa de Maldivas.
Como diabos um sujeito pode pensar em surfe num momento sublime de romance como esse, pergunta o rapaz na frente do monitor.
Não nos livramos tão fácil destas maldições.

terça-feira, junho 14, 2005

Afinação do mundo (parte 1)




Sua trilha de fuga

Brasil surf

[O arquivo traz a data de 15 de julho de 2002, 7:03 AM, fica numa pasta de textos inacabados.
Se não me falha a memória (e ela falha bastante), folheava uma Brasil Surf e deu vontade de reproduzir o endereço da loja mais bacana do pedaço e patrocinadora do primeiro campeonato internacional de surfe que testemunhei: Waimea.
Ficou faltando uma boa desculpa para continuar. Todas idéias que apareciam era rebatidas com caretas inimitáveis e alguns palavrões pronunciados bem baixinho pro mundo continuar isento das minhas pequenas frustrações.
Pra que serve um blogue, afinal de contas, senão para deixar público um texto sem pé, nem cabeça ?
Rafael Sobral é o gênio que reinventou os saites de surfe do Bananão com o waves.com.br, seu passatempo predileto quando não está caminhando elegantemente pelo bico do seu pranchão.
O garoto tinha acabado de inaugurar o espaço de discussão no rodapé das matérias, provocando uma interação nunca antes imaginada: começava o Fórum do waves.
Quando digo nunca antes imaginada, me refiro aos carentes das letras, que batucam num teclado como Gene Krupa espancava sua bateria.
Sorte nunca ter me exposto em responder um desaforo ou elogio publicamente, sempre encaminhava a mensagem direto pro autor do comentário, diretamente.
A maioria dos pentelhos quando confrontados amoleciam, provando que tudo não passava de bravata, mas me fazia perder tempo respondendo.
Relendo hoje, percebo que era apenas um deles.]


Waimea, Rua Montenegro, 129, esquina com Barão da Torre.

Tem coisa mais chata do que saudosista ?
Aquele sujeitinho ranzinza, cara amarrada, pobre infeliz de passar pela péssima experiência que é viver nos dias de hoje.
Ele mesmo.
Talvez a única criatura mais odiável do que os saudosistas são os malditos progressistas: ô raça!
Perdendo parte do meu precioso tempo lendo as infinitas besteiras que bostejam na grande rede, irritei-me com a falta absoluta de memória da garotada.
Falo em garotada e us prêi já saem correndo pra escrever imeio defendendo, eles nem sabem o que, mas defendendo ardorosamente.
Para os amiguinhos mais apressados, sentem em cima das mãos, depois que ficar dormente…voces sabem. Não me aporrinhem.
O fórum é uma idéia fabulosa, méritos do Rafael Sobral, um dos únicos que preservam o lado esquerdo do cérebro, mas, olhem! Como é penoso ler determinadas mensagens….ai, ai, ai.
Papai compra o computador pro filhinho, primeiro de tudo, ver mulher pelada, sem parar pela vergonha da banca de jornal, não queima o filme.
Segundo, importantíssimo, mandar mensagens anônimas, vírus, piadas sem graça, ditados, correntes de sorte, notícias inverídicas e escrever colunas para saites variados (donde me incluo).
Trabalho, apenas para pessoas sérias (donde não me incluo).

Ano 2 – numero 4 – Jan/Fev 77 – Cr$15.00
Na capa,
Hawaii
Imbinhoara
Praia de Pernanbuco – SP

70 páginas de informação, deleite, e diversão.
Fazem o que ? 25 anos.
Jubileu de prata.
Uma coisa não mudou, duas: a matéria do Hawaii escrita pelo surfista Ricardo Baerlein dos Santos Lima, já conhecido então como, abre aspas, Bocão, fecha…
A outra, que não muda, anúncio de contra-capa com o mais um Ricardo, o Fontes de Souza, Rico, pose de “brother” ao lado do sul-africano campeão mundial Shaun Tomsom.
Encomendas ? telefones – 294 28 09 e 397 83 29

sexta-feira, junho 10, 2005

Ivan Lessa

'Eu sempre detestei a tal da “happy hour”, que, se não me engano, vi pela primeira vez, no Rio, lá por volta dos anos 70. Nunca botei os pés onde haja “happy hour”...

quarta-feira, junho 08, 2005

Condenado

Revista Surf Portugal - Coluna Tempestade em copo d’água - Janeiro 2005



O importante Não é competir, é se divertir e Rob Machado nessa, sifu.

Ninguem se diverte competindo. Competição é dor, frustração, angústia e decepção, mesmo para Andy em 2004 ou Slater em 95.
Todo papo furado sobre diversão, amigos e ‘deixar rolar’ assassinou uma geração brilhante de surfistas, Machado, Dorian, Knox, mesmo Taj.
Tenho muito viva uma frase que Derek Hynd citou numa de suas fantásticas reportagens sobre a vida no circuito mundial. Hynd, que com apenas um dos olhos enxergava bem mais do que o resto, discursava sobre a dura tarefa que era ser surfista profissional disposto à uma carreira séria pré-WCT, antes do primeiro milhão de verdinhas, antes da grande rede, antes da turma do Taylor Steele, o Ciclope citava Dostoyevski: ‘Life is pain and man is unhappy’.
E ele usava uma baita frase dessa para ilustrar a desilusão de tentar, tentar e perder, perder – não havia um único momento de felicidade nisso que não fosse fugidio.
Os grandes campeões não eram nada sorridentes, pelo contrário, tinham uma desconfiança constante que alguem lhes roubasse o cinturão, o patrocínio, as chaves do carro, um pedaço de parafina (não é Hardman ?).
Kelly teve bastante trabalho com Pottz e Elkerton o acusando o tempo todo de ser uma farsa.
Mesmo Curren tinha dificuldades com os campeonatos no Havaí, apesar de ter surfado a onda do inverno quando tinha apenas 17 anos, um tubo inacreditável em Off the wall, ‘Pipe, Pipe!’ Gritavam seus detratores.
Carrol tinha vencido em Sunset e Pipe. Kong dominava Sunset. Pottz era o mágico do free surf e Occy…bem Occy já era Occy.
Derek Hynd não tinha menor pena nem compaixão e indicava as deficiências e virtudes com o mesmo apuro.
Discurso decorado de surfista atualmente: ‘Estamos aqui apenas para nos divertir’.
Mentira.
Querem saber ? Perguntem ao Saca.



Saca mostra os dentes. Quando mostrará suas garras ?

Decepção.
Era preciso apenas duas ou tres baterias, o evento em Sunset, onde for a comemorado um vice poucos anos antes, seu mentor Zé Seabra estava lá, João Valente estava lá, todos torcendo…
Parecia inevitável a classificação, já passaram-se tres anos, as pranchas estavam boas, a champanhe gelava.

Dor.
Na cabeça do Tiago, a coisa deve se passar assim: ‘Este é meu grande momento, preciso justificar todo dinheiro que investiram em mim durante esses cinco anos, qualquer onda deve ser surfada com a maestria de um surfista digno do WCT.’
Errado.
Tudo que Saca deveria fazer – e aqui é muito fácil fazer qualquer análise, de longe, sentado em frente ao computador -, pois Saca nem precisava surfar como sempre surfa, tudo que ele tinha que ter feito era competir – e vencer.
Vencer, ainda que fosse em segundo lugar, com um 3.5.
Greg Emslie numa situação destas, não hesitaria em fazer um belo ‘feijão-com-arroz’, como dizemos aqui no Bananão.
Saca é vaidoso, sacrificou sua tão almejada vaga por um desempenho que ele sonhou, todos portugueses sonharam.
Decepção.
Numa hora dessas, a coisa na areia pode ter sido assim: ‘Será que ele não tem noção do que está fazendo ? Por Deus do céu! Tudo que ele precisa é uma onda medíocre…uma merda de onda e ele tá no WCT.
Putaquiupariu!
O mar em Sunset pouco lembra Sunset, talvez esteja mais próximo de Ribeira, com águinha quente.
Nuno Jonet não consegue esconder sua tristeza enquanto narra o campeonato.
Um internauta levanta-se indignado em Lisboa.

Frustração.
Pat O’Connel em segundo, Adam Robertson lidera com conforto, Saca nescessita de um 5.18, uma nota tão possível quanto um dia de sol no inverno havaiano, minto, cinco ponto dezoito ? tá no papo!
Surfando do jeito que surfa em Sunset, Tiago Pires FARÁ 5.18 a hora que bem entender.
Quem não dividia esta certeza, não entende absolutamente nada de surfe.
Dias depois, numa conversa informal, graças a tecnologia disponível na grande rede, Saca reconhece: ‘Acho que não estou pronto’.
Fico imaginando o que diria o velho Ciclope numa situação dessas…

clica aqui e assista um clipe do Dale Velzy

terça-feira, junho 07, 2005

um poema, duas fotos



Estilo é abandono
e o abandono
é seu desenho mais gráfico

Pedro Cezar - Concepção de frases em ninhos de água (Ed.7 letras, Rio de janeiro, 2002)

Pontos

Curren (41 aninhos no dia 3 de Julho) disse isso ontem em Maldivas:

'It’s hard sometimes to get motivated to compete in contests but I like to surf in them for a number of reasons, obviously it’s good to get the WQS points but I really like to stay around the competitive scene and see what’s going on and who’s surfing good. I’ve been surfing since 1970 so surfing has changed a lot, the boards have changed a lot. Surfing these days is really exciting and even when the waves are bad it’s good to see the technical side of surfing.'

Quando eles vão aprender ?

segunda-feira, junho 06, 2005

Imeios

[Em 1998 arrisquei meus primeiros passos na grande rede numa coluna que chamava-se 'Malandragem é o seguinte', cartas ou imeios enviados ao Zé Guto que trabalhava no saite camerasurf.
Volta e meia deposito aqui um desses devaneios para entreter os 37 leitores que todo dia perdem tempo aqui (segundo o contador lá de baixo).
Ouve lá]

Recordações Portuguesas

E então, Pá !
Como vão as coisas aí no Brasa ?
Esta é a minha primeira coluna escrita do outro lado do Atlântico, estou sentado na sala de imprensa do “O’Neill Buondi Pro” (evento do WQS), na Praia de Ribeira das Ilhas, na Ericeira, 40 minutos de Lisboa.
Vou contar uma historinha, da primeira vez que vim a Portugal, em 1990 - estou meio sem idéias, deve ser o vinho... Malandro, naquela época o circuito era muito mais vivo e festivo, bem distante desse circo impessoal de hoje. Na triagem, nós tinhamos desde o Brock Little (sim , o mega-rider também já se arriscou no tour!), Kelly Slater corria o pré-trials, Occy tentava sua décima volta e a brasileirada já derrubava a muralha de gringos sem a menor cerimônia.
Vindo lá de baixo também estava um moleque precoce como o Nicky Wood (que também tenta uma volta em 99 e está dentro d´agua agora): ainda não era o Bronco, nem o Animal, era o Peterson Rosa. O garoto tinha 15 anos. Esse "flashback" me ocorreu porque o mar hoje subiu barbaridades, exatamente como em 90 .
Peterson varou o trials (em 90), com todos aqueles "gajos" participando e foi para o homem x homem com o vice do Bell´s de 86, Richard Marsh, e deu-lhe uma lavada. Resultado: depois de uma perna européia invejável (principalmente para o americano perfumado Jamie Brisck, que não arrumava nada na ASP e tentava pela 195736295# vez entrar para o top 30, meu Deus, quantos parênteses !!!), Peterson ligou para seu patrocinador, o visionário Roberto Valério, perguntando se podia virar profissional.
Não podia, devia esperar até o próximo mundial amador. Ou talvez pudesse... Prontamente, a ASP, correndo o risco de ser invadida por pré-adolescentes, criou uma lei que proibia a partcipação de atletas com menos de 18 anos no circuito mundial, mas logo esqueceram disso quando Kalani resolveu se qualificar.
O “trialista de Santa Barbara”, Tom Curren, deu um show nas ondas espetaculares de Ribeira e levou o trofeu de campeão naquele ano. Numa sessão de pura diversão e masoquismo, Gary Elkerton , o macaco Kong , me presenteou com os tubos mais animais que jamais presenciei . O pico se chamava Reef . Ricardo Martins, sentado do meu lado assistindo à bateria do Tom Carrol contra Sunny Garcia, contorcia-se nas pedras para poder ver simultaneamente os dois feitos: o tubo sem mãos de backside de Carrol na Ribeira e a empacotada do Kong nos tuneis cavernosos do Reef .
Falava do Peterson e fui acabar falando do Elkerton. Desculpe a goiabada, mas os dois são conhecidos pelas atitudes animalescas e nada acontece por acaso.
Hoje é dia 17 (de setembro de 99) e Peterson tem sua décima chance de ganhar esse evento.
O mar não pára de subir...

sábado, junho 04, 2005

7 ondas


Turma de 86, Alema (Paulinho atrás), Batata, Marenga, Nabo, Capá, Fiapo, Jaime, Pedro T. e R.O.

Fotógrafo é um cara com um olho só.
Amigo do peito, Fiapo fundou um blog para publicar as fotos que tira para dividir com os outros.
Visite 7 Ondas e copie as fotos.

sexta-feira, junho 03, 2005

Menescal

• Andando devagar, eu atraso o fim do dia.
Foi Pepe que escreveu isso na capa duma fita cassete com música de passar tempo - de onde ele tirou, não sei.

• Surfboard foi composta em 1964 pro disco 'The Wonderful World of Antonio Carlos Jobim', lançado apenas no Estados Unidos, com os arranjos do mago Nelson Riddle, que já tinha feito miséria nos arranjos de I've got you under my skin (Cole Porter) no disco 'Songs for Swingin' Lovers!' do Sinatra.
A gravadora Elenco, de Aloysio de Oliveira, lançou em seguida o LP no Brasil com essa capa embaixo.




• Conversa mole só pra falar de um homem do mar que leva um violão como Curren conduz a prancha: Roberto Menescal.
A mesma bossa que embalava Bruce Brown, Dora, Severson e Edwards lá no Pacífico mais gelado da Califórnia era destilada por um grupo de rapazes que passava o dia na praia, conversando sobre tudo e nada, bebericando sua cervejinha, violão no colo, muita mulher bonita inaugurando seus duas-peças ao redor.

Pode soar familiar com essas modernosas campanhas publicitárias, cores vibrantes, granuladas, de Banco ou modelo novo de automóvel.
Carioca curte perder tempo assim.
Somos, talvez, menos objetivos e portanto a bossa que hoje inunda lojas bacaninhas e restaurantes 'nouvelle cuisine' mundo afora é resultado deste 'dolce far niente'.
Surfistas são assim tambem, inúteis e universais.
Não surpreende que Menescal tenha gravado um disco com o título 'Surfboard'.



• Falava-se demais dos barquinhos, peixinhos, pôr do Sol, Areia e amor não correspondido.


• Marcos Valle e seu irmão Paulo Sérgio faziam música de surfe em 1967, 'Vamos pranchar' antecipava o termo surfar e surfista, criado pelo tambem mergulhador Arduíno Colasanti (galã predileto do Nélson Pereira dos Santos na época do outono do cinema novo), e foi relançada no pacote da Emi que homenageava os 100 da Odeon, disponível no CD Braziliance.



• Estivemos irresponsavelmente na praia, sem fazer nada e criando um dos estilos de viver mais cobiçados que esse século vinte e um há de embalar e vender com um lacinho vermelho.

quinta-feira, junho 02, 2005

Cinema falado

Clicando no título, voce cai diretamente no saite Contracampo, revista de cinema, e descobre que no dia 23 de janeiro de 2005, reuniram-se Daniel Caetano, Eduardo Valente, Gilberto Silva Jr., Luiz Carlos Oliveira Jr. e Ruy Gardnier para debater sobre cinema.
Uma mesa redonda (quadrada ?) sobre os melhores e piores lances que estiveram em cartaz no saudoso 2004.
Fica bonito que só, o povo tratando o Fábio Fabuloso com essa austeridade toda: metalinguagem, dialética, semiótica.
Chega deu arrepio.
Cabia aqui personagem do Dickens, aquele que emprestou o nome a uma banda chata pacas, Uriah Heep, do livro/filme David Copperfield (Recomendo a versão de 1935, do Cukor, com o impagável W.C. Fields como Mr. Micawber, dizem as más línguas que Charles Laughton estava escalado para o papel, mas desistiu na última hora).
Uriah, voces todos conhecem, é um sujeito que anda pelos cantos de cabeça baixa, sempre esfregando as mãos e repetindo: sou um modesto servo...apenas um humilde homem...
Uriah é um pulha ganancioso como deputado no congresso nacional.
Digo que cabia um Uriah aqui porque deu vontade de dizer que entrar numa conversa que trata de João Moreira Salles e Eduardo Coutinho não era nossa intenção.
O debate é interessante e logo me adianto na curiosidade de saber como esse maravilhoso filme que está em cartaz, Bendito fruto, será analisado na retrospectiva em 2006.
Me perdoe o Fagundes ou o Pedro Cardoso, mas Otávio Augusto é o nosso Harry Dean Stanton: silencioso, onipresente e absolutamente nescessário.
Um monstro dentro das quatro linhas da grande tela.
Em Boleiros, do cineasta mais ignorado do Salvelindo, Ugo Giorgetti, Otávio Augusto deu um banho de bola.
Bendito fruto é simples e isso incomoda profundamente os que esperam um cinema de resultados, como Olga ou Casa de Areia (a estética menos o conteúdo) filmes majestosamente caros que enchem de orgulho o cidadão que almeja ansiosamente ser reconhecido como um legítimo gringo.
Solto, para encerrar, um trecho do texto que José Lino Grunewald escreveu a respeito do cinema novo para Tempo Brasileiro (revista de cultura), número 1, Rio de Janeiro, 1962:
'O que, atualmente, se denomina como cinema novo não pode ser definido em termos objetivos. Não constitui um movimento estético...
Não é fruto de uma só geração, nem tambem, um estado de espírito.
Trata-se tão somente do ovo de Colombo: pela primeira vez, grande parte de nossa produção cinematográfica está entregue a quem deseja tomar a sério a sétima-arte. Pela primeira vez, mercê de um trabalho de produção planejado atraves de um sentido de equipe, sem o qual não se concebe cinema, gasta-se dinheiro com a arte'
O que era verdade em 62, é ilusão em 2005.
Os barões do cinema enchem as burras de dinheiro, embolsam a grana e voce, nós todos, pagamos a conta.
A arte que vá para o cacete.

quarta-feira, junho 01, 2005

Da janela

Começava a perder a paciência com a câmera parada num ponto qualquer do line-up onde não dava pra ver nem Kelly, nem Cêjota.
Xinguei silenciosamente quando outro câmera se apressava no foco do Slater pendurado numa onda ridícula de caroçuda – sumiu…
Filodumaputa!
As sombrancelhas franziram tentando entender que diabos estava acontecendo ali (aqui ?).
A cada drope eu me aproximava mais da tela como se fosse possível enxergar algum detalhe da genialidade do freak careca.
Não era.


Asterix ou Obelix ?

Lembrei do que o Mellin falou quando voltou daquele WCT de Floripa (2003) em que Roberto Kelly depenou um a um todos que deram o azar de encontrá-lo numa bateria: ‘Foi bom pra essa molecada ver o Slater surfando ao vivo.’
Diante da frase, minha surpresa – como assim, ver o Slayer ao vivo ?
Rafael explicou que uma geração inteira ainda não tivera a oportunidade de sentar na beira d’água e admirar o Rei em toda sua majestade, foram 3 anos sumido, um vídeozinho aqui e outro ali, longe do WCT.
Enquanto isso, Taj lançava DVD atrás de DVD, pulando feito pipoca.
Andy, Parko, Dingo e Fanning estavam em todas manchetes, estampavam pilhas de capas de revistas, venciam aqui e acolá.
Quer dizer que uma penca de gente, dos seus 15 a 18 anos, nunca tinha visto o Slater surfando com atenção ? E mais outra nem achava ele essas coisas todas que falavam dele…o cara tá velho e o tempo, implacável, não dá mole pra malandro nenhum e não haveria de dar trégua pro careca.
Tres derrotas pro Andy ajudaram a fundar (afundar?) uma tese muito bem argumentada de que os tempos (olha ele aí!) são outros, novos reis se habilitam ao trono – sendo Andy o atual ‘maior de todos’.
Em 1998, quando Slater ganhava seu sexto título e anunciava aposentadoria precoce, um espevitado Andy Irons sagrava-se campeão mundial Junior.
Fecho os olhos e vejo a onda de 9.63 surfada nos vinte e alguma coisa no cronômetro da final, lembro vivamente da cena cômica que deve ter sido:
Dez! 10! 10!! Gritava eu apontando para a tela, como quem tivesse o poder de influenciar as notas dadas lá em Fiji.
Fosse no Baixo Gávea, os gritos seriam amenizados pelo mantra gentil: Lacerda! Mais uma aqui, por gentileza…


Faz sentido o dito 'walking on water' ? (foto de 2004)

O que acontecia em Fiji era fantástico no sentido de ser quase inacreditável.
O nível de surfe do Carlos Leite chegou em tal estágio de refinamento que os antigos 10 agora transformam-se em nove e alguma coisa.
Slater invadiu o imaginário coletivo de maneira que tudo que faz, apesar de ser infinitamente mais forte, mais veloz , ter mais arconas manobras, enterrar mais a borda e andar mais profundo, apesar de tudo isso, o camarada fica com medo de soltar um 10 e na próxima ele inventar algo de novo – dropar em Teahupoo com a latinha na boca, entubar e entubar, sair, golinho, soco no ar é 10, não é ?


Com cabelos de sobra e um futuro promissor pela frente. Competindo pela associação local, ESA (1986)

E o ritmo alucinante ?
Me digam o que é aquilo!
Para cada onda do Cijêi, o Cramulho surfava duas.
Isso porque ele tinha se esbaldado de surfar as bombas de Cloudbreak, meros 15’, 20’…
Não foi diferente no Tahiti. Na pausa entre a semi-final e a final, quando qualquer ser humano em sã consciência vai descansar e preservar-se para batalha derradeira, Kelly ficou na água surfando, pegando tubo atrás de tubo.
Trata-se de um atleta sensacional.
Quando Restaurants insistia em derrubá-lo e amassá-lo na bancada, Slater voltava ainda mais abusado e imponente.
Faltando dez minutos para soar o gongo, o infeliz surfa uma onda que até o Cauli daria nota máxima (Nota inútil: Cauli Rodrigues afirma que juíz que dá um 10 é burro e não deveria ser juíz), narrar o que Slater fez na pobre coitada é tarefa ingrata, quiçá impossível, sem tirar seu brilho, ou exgerar.
9.70
Entendo que a ASP talvez tenha achado de bom tom não deixar Slater repetir os dois 10 da etapa anterior temendo uma completa desmoralização da entidade e do sistema de julgamento.
O que testemunhamos hoje, e quando escrevo hoje, é mesmo hoje, agora, neste exato momento, na nossa janelinha imaginária, somos todos James Stewart em ‘Janela indiscreta’, imóvies, presos numa cadeira, falando sozinhos, acusando e identificando os suspeitos habituais.




Saint Leu. A próxima vítima ?