RIO DE JANEIRO, Brazil (Reuters) - Brazil's Governor Blairo Maggi, whose Amaggi Group is the world's largest soybean producer, denied on Wednesday that he was responsible for a big rise in destruction of virgin Amazon rainforest in his state.
"I am not the rapist of the forest," Gov. Maggi told Reuters by phone from Mato Grosso, Brazil's No.1 soy producing state on the southern edge of the Amazon Basin.
Sexta-feira, Maio 27, 2005
Dale Velzy
Menos um
Dale Velzy - 23 de Setembro de 1927 - 26 de Maio de 2005

"When I was young, I'd walk in Velzy's footsteps. I was his elf, a little shop gremmie, following his every move. He could drink more, surf better, get laid by more girls and drive more bitchin' cars than any of us ever dreamed of. A lot of people have forgotten what an incredible surfer he was. Dale was right there at the top."
Greg Noll
Dale Velzy - 23 de Setembro de 1927 - 26 de Maio de 2005

"When I was young, I'd walk in Velzy's footsteps. I was his elf, a little shop gremmie, following his every move. He could drink more, surf better, get laid by more girls and drive more bitchin' cars than any of us ever dreamed of. A lot of people have forgotten what an incredible surfer he was. Dale was right there at the top."
Greg Noll
Quarta-feira, Maio 25, 2005
Guerra é paz
[Es una visión parcial e ideológica que no se sutenta en ninguna investigación ni proceso predeterminado. Sólo mi fe en determinadas convicciones, la confianza en determinadas personas, su actitud, y la línea más recta que uno puede trazar sobre la pared desigual de la realidad, me llevan a pensar que las cosas son así y, en función de cómo son, se pueden y se deben transformar.]

Pedro Guerra
Desmontando o cinismo (Tenerife, Ilhas Canárias, 2004, Ed. Aguilar - Ediciones Santillana)
Descobri Pedro Guerra numa canção em parceria com o Lenine, Miedo, do disco Ofrenda (BMG-Ariola, 2000) e fiquei intrigado.
Pesquisando sobre esse cantor e compositor canariano (ou canarense ?) tive apenas boas surpresas.
Um senhor com uma obra tão representativa, que compõe desde os 16 anos, hoje com 38, na linha pura e simples de Dylan, Drake e Chico (alguem é capaz de traçar uma linha com esses tres ?).
Publicou livro de poesia (gravou um CD com o poeta Angel Gonzalez, La palabra en el aire) e esse citado acima, Desmontando o cinismo, um título certeiro que indica a veia irônica de Guerra.
Sua fonte predileta é Caetano - como de Jorge Drexler - diga-se de passagem, fonte inesgotável.
Nascido em Tenerife, ilha muito conhecida por nós surfistas, Pedro guarda aquele olhar dos que tem o mar bem dentro, ou estão sempre bem dentro do mar.
No último disco, Bolsillos (BMG-Ariola, 2004), que segundo li é o mais auto-biográfico dos 8 de sua carreira, a canção Menguante fez soar o refrão mais lindo quando relembra as pequenas mudanças da sua cidade natal (e por que não ? suas próprias):
‘Sólo mar es igual,
profundo y azul:
más grande que yo,
más grande que tú.’
Diante de tanto fuzuê ao redor dos novos artistas/surfistas que agora sonorizam até novela (o que não é ruim, veja lá!), Pedro Guerra é hoje trilha de pisar na areia.

Conheça seu próximo companheiro de viagem.

Pedro Guerra
Desmontando o cinismo (Tenerife, Ilhas Canárias, 2004, Ed. Aguilar - Ediciones Santillana)
Descobri Pedro Guerra numa canção em parceria com o Lenine, Miedo, do disco Ofrenda (BMG-Ariola, 2000) e fiquei intrigado.
Pesquisando sobre esse cantor e compositor canariano (ou canarense ?) tive apenas boas surpresas.
Um senhor com uma obra tão representativa, que compõe desde os 16 anos, hoje com 38, na linha pura e simples de Dylan, Drake e Chico (alguem é capaz de traçar uma linha com esses tres ?).
Publicou livro de poesia (gravou um CD com o poeta Angel Gonzalez, La palabra en el aire) e esse citado acima, Desmontando o cinismo, um título certeiro que indica a veia irônica de Guerra.
Sua fonte predileta é Caetano - como de Jorge Drexler - diga-se de passagem, fonte inesgotável.
Nascido em Tenerife, ilha muito conhecida por nós surfistas, Pedro guarda aquele olhar dos que tem o mar bem dentro, ou estão sempre bem dentro do mar.
No último disco, Bolsillos (BMG-Ariola, 2004), que segundo li é o mais auto-biográfico dos 8 de sua carreira, a canção Menguante fez soar o refrão mais lindo quando relembra as pequenas mudanças da sua cidade natal (e por que não ? suas próprias):
‘Sólo mar es igual,
profundo y azul:
más grande que yo,
más grande que tú.’
Diante de tanto fuzuê ao redor dos novos artistas/surfistas que agora sonorizam até novela (o que não é ruim, veja lá!), Pedro Guerra é hoje trilha de pisar na areia.

Conheça seu próximo companheiro de viagem.
Terça-feira, Maio 24, 2005
Gaúcho macho, grosso e fodão, pesca gente (clica e leia)
Mancuso não é aquele caneleiro que jogou no Mengão tempinho atrás.
Esse Mancusojoga com a cabeça e tem um Blogue, desses que a gente visita volta e meia e encontra um texto nescessário - urgente!
Giovanni é surfista e gaúcho, conterrâneo do Fausto Wolff, do Lupicínio Rodrigues, do Everaldo e da Elis.
O assunto é sério.
Esse Mancusojoga com a cabeça e tem um Blogue, desses que a gente visita volta e meia e encontra um texto nescessário - urgente!
Giovanni é surfista e gaúcho, conterrâneo do Fausto Wolff, do Lupicínio Rodrigues, do Everaldo e da Elis.
O assunto é sério.
Sexta-feira, Maio 20, 2005
Ao vivo
Tem hora para esculhambar e hora de elogiar.
Toca a sirene
Arpoador, 1979 -
Dois conhecidos resolvem fazer uma revista ‘jovem’, esportes, comportamento, música e moda, bem ao sabor da extinta ‘Pop’, nome de batismo: Realce.
Primeiro número
SporTV, 2005, ao vivo -
Slater declara ao repórter afoito que, não senhor, essa não é a primeira vez na história da ASP que um surfista consegue somar apenas notas 10 – Beschen já o fez antes, em Kirra, 1996, e foram 3 escores máximos e não dois como agora.
Bocão sorri.
Ele já sabia disso há 200 anos.
Diana exibe seu lindos dentes iluminando o ambiente, certa de que o senhor ao seu lado é capaz de consertar qualquer gafe que o repórter afoito comete.
Maio e Junho de 1981, Circuito Realce –
Marco na organização de campeonatos, primeira mensagem explícita da nova ordem que se apresenta.
Os dois malucos, incansáveis, fazem revista e circuito ‘quase-profissional’ de surfe, antecipando um formato que demora ainda bons 4 anos até amadurecer.
Tahiti, 2005 –
Neco rema tão atrasado numa onda torta da série que ninguem acredita…
A bateria com Bede Durbidge é eletrizante, um vira-não-vira que deixa todos com o coração na mão.
A imagem é uma merda, dia nublado, pouca definição, ninguem se importa, azar dos fatos, escreveria Nélson Rodrigues.
Faltando 4 minutos, Bede lidera, o Brasil torce pelo 7,58.
Guilherme Herdy, Ricardo Bocão e Diana Bouth soltam o grito nescessário, sincero, sem o protocolo das transmissões ao vivo.
Neco soca o ar com os dois punhos cerrados de raiva.
Abril de 1983 –
Estréia na TV brasileira, criado por Antônio Ricardo e Ricardo Bocão, o programa Realce.
Patrícia Barros era a Diana d’então- desculpa para alguem que não se interessa pelo assunto sentar e assistir – um colírio.
Rodrigo Osborne voa de back-side na África do sul, Russinho dá uma dura em Pottz, Ho de braço engessado em Pipe, Curren prum lado, Occy pro outro.
Australian Crawl, Smiths, Caetano e Lulu.
Marley e Clash.
Assisto eu e assiste tu, Pedro Cardoso e Fernanda Torres, quem tinha entre 5 e 50 anos tambem viu.
Florianópolis e Maceió, 22:30, 15 de Maio de 2005
Paulinho tem 17 anos e acha que Joel Parkinson não tem surfe pra ganhar em Teahupoo mas em Jeffrey’s ninguem tira o caneco dele – a não ser o Mick Fanning, que tá surfando muito.
Um olho na tela do computador e outro na TV.
O MSN pisca e faz barulho: bóing!
Lá do outro lado do Brasil Bruce Irons envia mensagem:
Krk, c viu o tbaum do Isleiter ?
Mt psico!!!!
Estilo Frances klassiko :P
Joaca véio! ;-)
Tu viu q a Diana vai sair na Playba ?
Eh noiz!!!
Ja eh!...
Pier de Oceanside, 1987-
Curren dá aula de surfe, sobra categoria.
Poucos dias depois, o promissor talento paraibano Fábinho Gouvêia assiste em sua casa, na TV aberta, de graça, a mágica de Curren, grava e tome pausa!
Ricardo Bocão comenta que novos talentos estão surgindo no circuito mundial: Sunny Garcia aparece fulminante no OP Pro que Barton Lynch vence enquanto Brad Gerlach, Richie Collins e Matt Archbold se revezam em pódios.
Fabinho pensa com seus botões: Esses cabras surfam muito…
2005, Tahiti, Flash quase ao vivo do Rógis Resing, ou Régis Rosing, entrevistando, com um sorriso entre debochado e satisfeito, pela enésima vez o símbolo da raça brasileira, Peterson Rosa.
O repórter já não parece mais o peixe-for a-d’água que afligia o tele-espectador na perna australiana.
Usa camisa florida, ostenta bronzeado, circula com a desenvoltura de uma debutante em promenade.
Tem uma queda para anunciar a primeira, a melhor, o maior.
O surfe entra na era Tino Marcos de jornalismo esportivo.
Corta para um constrangido e tambem sorridente Bocão corrigindo o colega.
Diana balança a cabeça concordando.
Junho de 1991, Ombak estréia na MTV.
Primeiro programa de esportes nos 62 países que transmitem a MTV, inspira os pouco inspirados diretores da emissora a copiarem descaradamente e o renomearem como MTV Sports.
Cezinha Chaves e o SK8, Mauro Taubman e Moda, Herbert Viana, Circuito Company amador, Cobertura do Circuito mundial, Picuruta, Cauli, Fred, Pedro Muller e Vibração.
Bocão e Antônio perdem a (batalha de confetes) mas não a guerra.
Paulo Moura faz o segundo dez brasileiro em Teahupoo.
É história em movimento, Herdy lamenta a falta de investimento, Bocão chama a atenção das companhias aéreas sobre a cobrança injusta das pranchas, Diana franze as belas sobrancelhas enaltecendo a importância do que é dito.
Pedro Henrique, recém chegado do campeonato, conta suas estripulias pela triagem enquanto suas ondas são exibidas.
O surfe é o único esporte do mundo capaz de segurar audiência com imagens ruins como aquelas.
O formato de trio, dois especialistas e uma pin-up, continua o mesmo.
Bom que a moça se restringe a ser apenas linda, sem gastar a lábia para convencer o malandro do outro lado da tela que fez o dever de casa e domina o assunto – em tres línguas.
Ponto pra casa, escolha perfeita.
Novembro de 1994, Rip no ar, SporTV, Cobertura do WCT.
Slater 6 X, Machado Pipe Master, Dorian, Bad religion, Suicidal tendencies, Kalani Shootout, Dr. Dre, Vitinho em Lacanau, Teco bi WQS, Chico Science, Raimundos, Raoni campeão brasileiro mirim, Neco 2 X, Mineirinho mundial junior, Pedrinho em Makaha, Trekinho 10 em Maresias, Veiga e Salazar, D2, Ben Harper, Jack Johnson, Andy & Bruce.
Não existe no mundo inteiro outro programa
Diana lê o imeio número 328, o adiantar da hora revela quase meia-noite.
Ninguem aparenta cansaço depois de 6 horas sem pausa.
Quando digo ninguem, reafirmo: dos dois lados não há única alma desatenta.
O formato é arriscado, muito papo e pouca ação.
Bocão relembra:
Em 87, 88, quando a gente ficava na praia o dia inteiro filmando (fora as fugidas para estratégicas surfadas) as baterias os caras achavam estranho e perguntavam, pra onde é isso ?
Eu respondia que no Brasil distante o surfe tinha espaço semanal na TV aberta e que aquela bateria, essa mesmo que ele tinha acabado de competir, estaria editada e sonorizada, com o nome dele certo e os resultados em alguns dias.
Ninguem acreditava.
Herdy concorda.
Por dentro, uma voz avisa que finalmente um representante legítimo é escalado para comentar surfe na TV.
Anuncia-se o fim da era dos aventureiros.
Que a direção do SporTV mantenha a linha iniciada em 96, 97 (dedinho do Pecegueiro), com atenção ao entusiasta, sem desviar-se como vinha fazendo, com uma programação vazia e oportunista, que expoê a fragilidade dessa classe mérdia atrás dos 16 minutinhos de bundinha de fora em cadeia nacional – açouguebronharadical.
Bocão participa do SporTV News e do Redação SporTV.
O ciclo se fecha, como o de Neco.
Redenção.
Luta pela sobrevivência, o de cima sobe, o de baixo desce.
Diana balança a cabecinha e faz o V deitado batendo no coração.
Toca a sirene
Arpoador, 1979 -
Dois conhecidos resolvem fazer uma revista ‘jovem’, esportes, comportamento, música e moda, bem ao sabor da extinta ‘Pop’, nome de batismo: Realce.
Primeiro número
SporTV, 2005, ao vivo -
Slater declara ao repórter afoito que, não senhor, essa não é a primeira vez na história da ASP que um surfista consegue somar apenas notas 10 – Beschen já o fez antes, em Kirra, 1996, e foram 3 escores máximos e não dois como agora.
Bocão sorri.
Ele já sabia disso há 200 anos.
Diana exibe seu lindos dentes iluminando o ambiente, certa de que o senhor ao seu lado é capaz de consertar qualquer gafe que o repórter afoito comete.
Maio e Junho de 1981, Circuito Realce –
Marco na organização de campeonatos, primeira mensagem explícita da nova ordem que se apresenta.
Os dois malucos, incansáveis, fazem revista e circuito ‘quase-profissional’ de surfe, antecipando um formato que demora ainda bons 4 anos até amadurecer.
Tahiti, 2005 –
Neco rema tão atrasado numa onda torta da série que ninguem acredita…
A bateria com Bede Durbidge é eletrizante, um vira-não-vira que deixa todos com o coração na mão.
A imagem é uma merda, dia nublado, pouca definição, ninguem se importa, azar dos fatos, escreveria Nélson Rodrigues.
Faltando 4 minutos, Bede lidera, o Brasil torce pelo 7,58.
Guilherme Herdy, Ricardo Bocão e Diana Bouth soltam o grito nescessário, sincero, sem o protocolo das transmissões ao vivo.
Neco soca o ar com os dois punhos cerrados de raiva.
Abril de 1983 –
Estréia na TV brasileira, criado por Antônio Ricardo e Ricardo Bocão, o programa Realce.
Patrícia Barros era a Diana d’então- desculpa para alguem que não se interessa pelo assunto sentar e assistir – um colírio.
Rodrigo Osborne voa de back-side na África do sul, Russinho dá uma dura em Pottz, Ho de braço engessado em Pipe, Curren prum lado, Occy pro outro.
Australian Crawl, Smiths, Caetano e Lulu.
Marley e Clash.
Assisto eu e assiste tu, Pedro Cardoso e Fernanda Torres, quem tinha entre 5 e 50 anos tambem viu.
Florianópolis e Maceió, 22:30, 15 de Maio de 2005
Paulinho tem 17 anos e acha que Joel Parkinson não tem surfe pra ganhar em Teahupoo mas em Jeffrey’s ninguem tira o caneco dele – a não ser o Mick Fanning, que tá surfando muito.
Um olho na tela do computador e outro na TV.
O MSN pisca e faz barulho: bóing!
Lá do outro lado do Brasil Bruce Irons envia mensagem:
Krk, c viu o tbaum do Isleiter ?
Mt psico!!!!
Estilo Frances klassiko :P
Joaca véio! ;-)
Tu viu q a Diana vai sair na Playba ?
Eh noiz!!!
Ja eh!...
Pier de Oceanside, 1987-
Curren dá aula de surfe, sobra categoria.
Poucos dias depois, o promissor talento paraibano Fábinho Gouvêia assiste em sua casa, na TV aberta, de graça, a mágica de Curren, grava e tome pausa!
Ricardo Bocão comenta que novos talentos estão surgindo no circuito mundial: Sunny Garcia aparece fulminante no OP Pro que Barton Lynch vence enquanto Brad Gerlach, Richie Collins e Matt Archbold se revezam em pódios.
Fabinho pensa com seus botões: Esses cabras surfam muito…
2005, Tahiti, Flash quase ao vivo do Rógis Resing, ou Régis Rosing, entrevistando, com um sorriso entre debochado e satisfeito, pela enésima vez o símbolo da raça brasileira, Peterson Rosa.
O repórter já não parece mais o peixe-for a-d’água que afligia o tele-espectador na perna australiana.
Usa camisa florida, ostenta bronzeado, circula com a desenvoltura de uma debutante em promenade.
Tem uma queda para anunciar a primeira, a melhor, o maior.
O surfe entra na era Tino Marcos de jornalismo esportivo.
Corta para um constrangido e tambem sorridente Bocão corrigindo o colega.
Diana balança a cabeça concordando.
Junho de 1991, Ombak estréia na MTV.
Primeiro programa de esportes nos 62 países que transmitem a MTV, inspira os pouco inspirados diretores da emissora a copiarem descaradamente e o renomearem como MTV Sports.
Cezinha Chaves e o SK8, Mauro Taubman e Moda, Herbert Viana, Circuito Company amador, Cobertura do Circuito mundial, Picuruta, Cauli, Fred, Pedro Muller e Vibração.
Bocão e Antônio perdem a (batalha de confetes) mas não a guerra.
Paulo Moura faz o segundo dez brasileiro em Teahupoo.
É história em movimento, Herdy lamenta a falta de investimento, Bocão chama a atenção das companhias aéreas sobre a cobrança injusta das pranchas, Diana franze as belas sobrancelhas enaltecendo a importância do que é dito.
Pedro Henrique, recém chegado do campeonato, conta suas estripulias pela triagem enquanto suas ondas são exibidas.
O surfe é o único esporte do mundo capaz de segurar audiência com imagens ruins como aquelas.
O formato de trio, dois especialistas e uma pin-up, continua o mesmo.
Bom que a moça se restringe a ser apenas linda, sem gastar a lábia para convencer o malandro do outro lado da tela que fez o dever de casa e domina o assunto – em tres línguas.
Ponto pra casa, escolha perfeita.
Novembro de 1994, Rip no ar, SporTV, Cobertura do WCT.
Slater 6 X, Machado Pipe Master, Dorian, Bad religion, Suicidal tendencies, Kalani Shootout, Dr. Dre, Vitinho em Lacanau, Teco bi WQS, Chico Science, Raimundos, Raoni campeão brasileiro mirim, Neco 2 X, Mineirinho mundial junior, Pedrinho em Makaha, Trekinho 10 em Maresias, Veiga e Salazar, D2, Ben Harper, Jack Johnson, Andy & Bruce.
Não existe no mundo inteiro outro programa
Diana lê o imeio número 328, o adiantar da hora revela quase meia-noite.
Ninguem aparenta cansaço depois de 6 horas sem pausa.
Quando digo ninguem, reafirmo: dos dois lados não há única alma desatenta.
O formato é arriscado, muito papo e pouca ação.
Bocão relembra:
Em 87, 88, quando a gente ficava na praia o dia inteiro filmando (fora as fugidas para estratégicas surfadas) as baterias os caras achavam estranho e perguntavam, pra onde é isso ?
Eu respondia que no Brasil distante o surfe tinha espaço semanal na TV aberta e que aquela bateria, essa mesmo que ele tinha acabado de competir, estaria editada e sonorizada, com o nome dele certo e os resultados em alguns dias.
Ninguem acreditava.
Herdy concorda.
Por dentro, uma voz avisa que finalmente um representante legítimo é escalado para comentar surfe na TV.
Anuncia-se o fim da era dos aventureiros.
Que a direção do SporTV mantenha a linha iniciada em 96, 97 (dedinho do Pecegueiro), com atenção ao entusiasta, sem desviar-se como vinha fazendo, com uma programação vazia e oportunista, que expoê a fragilidade dessa classe mérdia atrás dos 16 minutinhos de bundinha de fora em cadeia nacional – açouguebronharadical.
Bocão participa do SporTV News e do Redação SporTV.
O ciclo se fecha, como o de Neco.
Redenção.
Luta pela sobrevivência, o de cima sobe, o de baixo desce.
Diana balança a cabecinha e faz o V deitado batendo no coração.
Terça-feira, Maio 17, 2005
perguntas (clica aqui e leia outras respostas)
[Deixo público o rídiculo das minhas respostas nesse questionário que me foi gentilmente imposto por um Amigo]
Se tivesses de ser uma lista de cinco músicas, como as do High-Fidelity, qual serias?
cinco músicas para o after surf.
Three little birds do Bob Marley
Samba pa ti do Santana
You're the best thing do Style council
Little brown dog do Taj Mahal
Tudo está no seu lugar do Benito de Paula
Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem pop?
Rocky Ericson (isto é Pop ??)
Qual é a melhor linha de baixo, o melhor riff de guitarra e o melhor break de bateria, que já ouviste?
Flea é o Occy do baixo, Radio free Europe, com o Peter Buck ensinando ao ainda menino Kurt a maltratar a guitarra e Somebody Got Murdered, Clash, naturalmente.
Qual foi o último disco que compraste?
Compulsivo feito um caminhão ladeira abaixo, sem freio.
Turin Brakes, Ether Song
Spiritualized, Amazing Grace
Tributo a Mano Negra, Illegal
João Cougar, American Fool
Best of Brigitte Bardot
Glen Campbell Collection
Bad Company, Bad Co
Jorge Drexler, Sea
Shuggie Otis, Here comes
Sarah Vaughan, It's a man's world
Todos no Carrefour ou Fnac, por menos de 7 Euros - o da Sarah, japona, por 3 mangos (salve Aracy!), brincadeira ?
Qual é o último disco a que davas 5 estrelas?
London Calling, reedição com faixas extras e DVD
Que discos andas a ouvir?
Blonde on Blonde - outro Bob
Just can't stop it - The English Beat
Paris - Supertramp
Candy Apple grey - Hüsker Dü
Ole - John Coltrane
Taboo - Arthur Lyman
Brasil Som 75 - Benito de Paula e seus convidados
Paulo Diniz - Bis (2 CDs)
Acabou Chorare - Novos Baianos
The next generation will be dub wise - Mad Professor meet Dark Fantom
Sextet - a Certain Ratio
Paulinho da Viola - Paulinho da Viola (1975)
Contemprâneos - Dori Caymmi
Na galeria - Moacyr Luz
A Dama do Encantado - Olivia Byington
Tem prêmio pra lista mais bizarra ?
Cinco discos que levarias para uma ilha deserta?
De que serve um disco, ou cinco, numa ilha deserta ?
Três pessoas a quem vais passar o testemunho e porquê?
Bruno (Urbe), Bomba e , Ze Gutoporque não poderia ser mais diferente das coisas que tenho visto (ouvido) por aí...
Cadumnasua.
Se tivesses de ser uma lista de cinco músicas, como as do High-Fidelity, qual serias?
cinco músicas para o after surf.
Three little birds do Bob Marley
Samba pa ti do Santana
You're the best thing do Style council
Little brown dog do Taj Mahal
Tudo está no seu lugar do Benito de Paula
Já alguma vez ficaste apanhadinho por um personagem pop?
Rocky Ericson (isto é Pop ??)
Qual é a melhor linha de baixo, o melhor riff de guitarra e o melhor break de bateria, que já ouviste?
Flea é o Occy do baixo, Radio free Europe, com o Peter Buck ensinando ao ainda menino Kurt a maltratar a guitarra e Somebody Got Murdered, Clash, naturalmente.
Qual foi o último disco que compraste?
Compulsivo feito um caminhão ladeira abaixo, sem freio.
Turin Brakes, Ether Song
Spiritualized, Amazing Grace
Tributo a Mano Negra, Illegal
João Cougar, American Fool
Best of Brigitte Bardot
Glen Campbell Collection
Bad Company, Bad Co
Jorge Drexler, Sea
Shuggie Otis, Here comes
Sarah Vaughan, It's a man's world
Todos no Carrefour ou Fnac, por menos de 7 Euros - o da Sarah, japona, por 3 mangos (salve Aracy!), brincadeira ?
Qual é o último disco a que davas 5 estrelas?
London Calling, reedição com faixas extras e DVD
Que discos andas a ouvir?
Blonde on Blonde - outro Bob
Just can't stop it - The English Beat
Paris - Supertramp
Candy Apple grey - Hüsker Dü
Ole - John Coltrane
Taboo - Arthur Lyman
Brasil Som 75 - Benito de Paula e seus convidados
Paulo Diniz - Bis (2 CDs)
Acabou Chorare - Novos Baianos
The next generation will be dub wise - Mad Professor meet Dark Fantom
Sextet - a Certain Ratio
Paulinho da Viola - Paulinho da Viola (1975)
Contemprâneos - Dori Caymmi
Na galeria - Moacyr Luz
A Dama do Encantado - Olivia Byington
Tem prêmio pra lista mais bizarra ?
Cinco discos que levarias para uma ilha deserta?
De que serve um disco, ou cinco, numa ilha deserta ?
Três pessoas a quem vais passar o testemunho e porquê?
Bruno (Urbe), Bomba e , Ze Gutoporque não poderia ser mais diferente das coisas que tenho visto (ouvido) por aí...
Cadumnasua.
Sábado, Maio 14, 2005
Dora vive
'My whole life is this escape, my whole life is this wave I drop into, set the whole thing up, pull off a bottom turn, pull up into it, and shoot for my life, going for broke man. And behind me all this shit goes over my back: the screaming parents, teachers, the police [laughs], priests, politicians, kneeboarders, windsurfers – they’re all going over the falls into the reef; headfirst into the motherfucking reef, and BWAH! And I’m shooting for my life. And when it starts to close out I pull out and go down the back, and catch another wave, and do the same goddamned thing again.'
– Miki Dora, “Surfers: The Movie,” 1989

Relaxado ou debochado ?
– Miki Dora, “Surfers: The Movie,” 1989

Relaxado ou debochado ?
Quinta-feira, Maio 12, 2005
A banda de apenas um homem
[É uma dessas coincidências fantásticas, um caso de duas lendas fundidas num único nome: Matt Johnson.
O primeiro, se é que existe cronologia, existe no imaginário do surfista desde 1978, quando John Millius o concebeu e Jan-Michael Vincent o encarnou no clássico filme Big Wednesday.

Um dos cartazes do filme, com a foto-montagem da imagem famosa do Noll
Apesar de não ser diretor genial, Millius tem seu lugar cativo na história do cinema pelo roteiro de Apocalipse Now e por ser responsável pela aberração do Shwarzenegger em Conan (que traz Lopez como seu fiel escudeiro, Subotai) e eventuais parcerias com George Lucas, Don Siegel (Dirty Harry) e Spielberg.
Voltemos ao Matt Johnson de Big Wednesday, um surfista excepcional, ídolo no seu reino (Malibu) embora cheio de defeitos e fraquezas como todos nós.
O filme não é de surfe, mas de relações, amizade e confiança.
Matt Johnson é violentamente esmurrado por um dos seus melhores amigos em determinado momento do filme, quando provoca um acidente completamente embriagado.
Não é poesia, nem adequado para a boa imagem que o novo-jornalismo prega, talvez contaminado pelo evangelismo do politicamente correto, mas é pura realidade.

Amigos na praia, amigos fora dela. Um filme sobre feras e bundões, onde voce não sabe quem é quem.
O outro Matt Johnson não existe, o que existe é a sua magnífica obra como The The.
Durante os anos oitenta algumas canções fincaram suas melodias em alguma parte do cachola coletiva e permearam toda década como trilha sonora de boas recordações.
Estivesse na China ou no Kwait, quando escutava (escuta!) o pianinho mágico o mundo todo parava ouvindo com atenção Matt Johnson falar convicto:

Clássico como uma onda em Itaúna - tentando achar uma frase, optei pela música inteira, com refrão repetido e tudo para cantar em casa.
THIS IS THE DAY
Well, you didn't wake up this morning because you didn't go to bed
You were watching the whites of your eyes turn red
The calendar on your wall is ticking the days off
You've been reading some old letters
You smile and think how much you've changed
All the money in the world couldn't buy back those days
You pull back your curtains
And the sun burns into your eyes
You watch a plane flying
Across a clear blue sky
This is the day
Your life will surely change
This is the day
When things fall into place
You could've done anything If you'd wanted
And all your friends and family think that you're lucky
But the side of you they'll never see
Is when you're left alone with the memories
That hold your life together ... like glue
You pull back your curtains
And the sun burns into your eyes
You watch a plane flying
Across a clear blue sky
This is the day
Your life will surely change
This is the day
When things fall into place
This is the day your life will surely change
This is the day your life will surely change
This is the day your life will surely change
This is the day your life will surely change

O homem por trás da obra
O primeiro, se é que existe cronologia, existe no imaginário do surfista desde 1978, quando John Millius o concebeu e Jan-Michael Vincent o encarnou no clássico filme Big Wednesday.

Um dos cartazes do filme, com a foto-montagem da imagem famosa do Noll
Apesar de não ser diretor genial, Millius tem seu lugar cativo na história do cinema pelo roteiro de Apocalipse Now e por ser responsável pela aberração do Shwarzenegger em Conan (que traz Lopez como seu fiel escudeiro, Subotai) e eventuais parcerias com George Lucas, Don Siegel (Dirty Harry) e Spielberg.
Voltemos ao Matt Johnson de Big Wednesday, um surfista excepcional, ídolo no seu reino (Malibu) embora cheio de defeitos e fraquezas como todos nós.
O filme não é de surfe, mas de relações, amizade e confiança.
Matt Johnson é violentamente esmurrado por um dos seus melhores amigos em determinado momento do filme, quando provoca um acidente completamente embriagado.
Não é poesia, nem adequado para a boa imagem que o novo-jornalismo prega, talvez contaminado pelo evangelismo do politicamente correto, mas é pura realidade.

Amigos na praia, amigos fora dela. Um filme sobre feras e bundões, onde voce não sabe quem é quem.
O outro Matt Johnson não existe, o que existe é a sua magnífica obra como The The.
Durante os anos oitenta algumas canções fincaram suas melodias em alguma parte do cachola coletiva e permearam toda década como trilha sonora de boas recordações.
Estivesse na China ou no Kwait, quando escutava (escuta!) o pianinho mágico o mundo todo parava ouvindo com atenção Matt Johnson falar convicto:

Clássico como uma onda em Itaúna - tentando achar uma frase, optei pela música inteira, com refrão repetido e tudo para cantar em casa.
THIS IS THE DAY
Well, you didn't wake up this morning because you didn't go to bed
You were watching the whites of your eyes turn red
The calendar on your wall is ticking the days off
You've been reading some old letters
You smile and think how much you've changed
All the money in the world couldn't buy back those days
You pull back your curtains
And the sun burns into your eyes
You watch a plane flying
Across a clear blue sky
This is the day
Your life will surely change
This is the day
When things fall into place
You could've done anything If you'd wanted
And all your friends and family think that you're lucky
But the side of you they'll never see
Is when you're left alone with the memories
That hold your life together ... like glue
You pull back your curtains
And the sun burns into your eyes
You watch a plane flying
Across a clear blue sky
This is the day
Your life will surely change
This is the day
When things fall into place
This is the day your life will surely change
This is the day your life will surely change
This is the day your life will surely change
This is the day your life will surely change

O homem por trás da obra
Quarta-feira, Maio 11, 2005
Fissurados
[10 de Maio de 1999, é bem possível que estivesse um tempo agradável, tivesse surfado pela manhã, tomado meu café na padaria olhando o movimento da Gávea.
Batucava no meu Imac, primeiríssima geração (comprei assim que saiu, em 6 vezes), ouvindo I must be high do Wilco, banda dessas que nunca sai de perto da gente, pensava em Jeffrey's Bay, em Ipanema e 6' round pin com canaletas fundas.
Nada muda.
Coluna da revista Surf Portugal, Junho de 1999.]
Essa fissura desenfreada pelo surfe competição, vem desde cedo . Logo no início, antes de me aventurar pela vida de competidor, já gastava dinheiro para assistir campeonatos de surfe. Matei aula em 81 nos banquinhos do Arpoador admirando o surfe veloz e poderoso do gordinho californiano Bud Llamas que jogava tanta água nas suas manobras, mais parecia um chafariz.
Passava horas encantado e intrigado, com a modernidade de Greg Day, australiano típico que mandou a maior estrela do evento, Cheyne Horan, pra casa mais cedo, surfando com uma linha de backside muito nova pra época. Meses depois peguei um ônibus na rodoviária Novo Rio e me despenquei pra Saquarema, templo do surfe, testemunhar a vitória do santista Picuruta Salazar em cima do mestre do estilo, Daniel Friedman, na final em Itaúna clássico. Picuruta surfou com uma prancha emprestada - de uma marquinha pequena da Barra que ainda engatinhava: Cristal graffiti.
O mar estava muito grande e quase ninguem tinha gunzeiras de sobra naquele tempo.
Bem, uns 6 ou 7 anos mais tarde resolvi enfrentar 18 horas de estrada dentro de um ônibus que chamávamos de “cata-corno” e me mandei pra Florianópolis acompanhar de perto o segundo ano da volta dos mundiais ao Brasil. O hang-loose pro contest era mais que um festival ou mero campeonato de surfe: era verdadeira aula. O professor Thomas Carrol, PHD na universidade de Newport e Doutor em Pipe, deixou todos chocados quando conectava ondas que até então pareciam impossíveis, sem dar uma quicadinha sequer na sua prancha.
Pura força e técnica.
Chegava na praia cedinho, para não perder nadinha, principalmente as sessões de free surfe antes e durante as baterias, era um olho aqui e outro ali. As companhias nessas horas de degustação foram determinantes para um gosto que pode ser interpretado como exigente ou ranzinza: Ricardo Martins, Pepê Cezar, Alema Henneck, Fred D’orey, Joca Secco, Fiapo, Pedro T. e cia formavam uma turma de estudiosos aplicados que desenvolveram, com um senso crítico acima do normal, jeito peculiar e isento de analisar gringos e brasileiros, distante da influência e a conversinha fiada emprestada das revistas deslumbradas de sempre .
O tempo passou, conheci o outro lado - de competidor - e voltei pro meu observatório.
Hoje tenho o privilégio de manipular, no bom sentido, imagens. Trabalho com edição, herança do meu amigo/irmão Pepê e mexendo com as imagens de surfe do mundo inteiro diariamente , me dou ao luxo de apreciar uma manobra 4, 5 vezes seguidas em todas velocidades possíveis. Ou mesmo me irrito ao concluir que aquele 9,5 não passava de um 7 e que o surfista só arriscou, finalmente, na finalização. A imagen repetida desmistifica tudo.
Acompanhe um campeonato inteiro na praia e depois assista a uma filmagem de amigo sobre o que se passou. Em poucas horas sua opinião muda da água pro vinho.
Mas pra que eu disse tudo isso ?
Pra falar do olhar, da maneira que cada um vê uma bateria ou uma simples caída no meio da semana. O leitor de revistas especializadas nada mais é do que um fissurado, um estudioso, um obstinado.
Somente a experiência de entrar n’água não é suficiente.
É preciso levar o surfe pra dentro de casa, ler no caminho da aula - na própria sala de aula é bem comum, mas pouco aconselhável - a caminho do trabalho, no trabalho ( pouquíssimo aconselhável!).
Ainda que nada supere o entrar no mar ...
Batucava no meu Imac, primeiríssima geração (comprei assim que saiu, em 6 vezes), ouvindo I must be high do Wilco, banda dessas que nunca sai de perto da gente, pensava em Jeffrey's Bay, em Ipanema e 6' round pin com canaletas fundas.
Nada muda.
Coluna da revista Surf Portugal, Junho de 1999.]
Essa fissura desenfreada pelo surfe competição, vem desde cedo . Logo no início, antes de me aventurar pela vida de competidor, já gastava dinheiro para assistir campeonatos de surfe. Matei aula em 81 nos banquinhos do Arpoador admirando o surfe veloz e poderoso do gordinho californiano Bud Llamas que jogava tanta água nas suas manobras, mais parecia um chafariz.
Passava horas encantado e intrigado, com a modernidade de Greg Day, australiano típico que mandou a maior estrela do evento, Cheyne Horan, pra casa mais cedo, surfando com uma linha de backside muito nova pra época. Meses depois peguei um ônibus na rodoviária Novo Rio e me despenquei pra Saquarema, templo do surfe, testemunhar a vitória do santista Picuruta Salazar em cima do mestre do estilo, Daniel Friedman, na final em Itaúna clássico. Picuruta surfou com uma prancha emprestada - de uma marquinha pequena da Barra que ainda engatinhava: Cristal graffiti.
O mar estava muito grande e quase ninguem tinha gunzeiras de sobra naquele tempo.
Bem, uns 6 ou 7 anos mais tarde resolvi enfrentar 18 horas de estrada dentro de um ônibus que chamávamos de “cata-corno” e me mandei pra Florianópolis acompanhar de perto o segundo ano da volta dos mundiais ao Brasil. O hang-loose pro contest era mais que um festival ou mero campeonato de surfe: era verdadeira aula. O professor Thomas Carrol, PHD na universidade de Newport e Doutor em Pipe, deixou todos chocados quando conectava ondas que até então pareciam impossíveis, sem dar uma quicadinha sequer na sua prancha.
Pura força e técnica.
Chegava na praia cedinho, para não perder nadinha, principalmente as sessões de free surfe antes e durante as baterias, era um olho aqui e outro ali. As companhias nessas horas de degustação foram determinantes para um gosto que pode ser interpretado como exigente ou ranzinza: Ricardo Martins, Pepê Cezar, Alema Henneck, Fred D’orey, Joca Secco, Fiapo, Pedro T. e cia formavam uma turma de estudiosos aplicados que desenvolveram, com um senso crítico acima do normal, jeito peculiar e isento de analisar gringos e brasileiros, distante da influência e a conversinha fiada emprestada das revistas deslumbradas de sempre .
O tempo passou, conheci o outro lado - de competidor - e voltei pro meu observatório.
Hoje tenho o privilégio de manipular, no bom sentido, imagens. Trabalho com edição, herança do meu amigo/irmão Pepê e mexendo com as imagens de surfe do mundo inteiro diariamente , me dou ao luxo de apreciar uma manobra 4, 5 vezes seguidas em todas velocidades possíveis. Ou mesmo me irrito ao concluir que aquele 9,5 não passava de um 7 e que o surfista só arriscou, finalmente, na finalização. A imagen repetida desmistifica tudo.
Acompanhe um campeonato inteiro na praia e depois assista a uma filmagem de amigo sobre o que se passou. Em poucas horas sua opinião muda da água pro vinho.
Mas pra que eu disse tudo isso ?
Pra falar do olhar, da maneira que cada um vê uma bateria ou uma simples caída no meio da semana. O leitor de revistas especializadas nada mais é do que um fissurado, um estudioso, um obstinado.
Somente a experiência de entrar n’água não é suficiente.
É preciso levar o surfe pra dentro de casa, ler no caminho da aula - na própria sala de aula é bem comum, mas pouco aconselhável - a caminho do trabalho, no trabalho ( pouquíssimo aconselhável!).
Ainda que nada supere o entrar no mar ...
Terça-feira, Maio 10, 2005
Domingo, Maio 08, 2005
Ei, ei, ei, Mellin e nosso rei
Não tinha mesa vazia vazia no baixo-gávea neste domingo depois de anunciado o prêmio de melhor filme (na verdade, um vídeo, ou DVD, no máximo) para Sambatrancerock'nroll do mestre em vídeo e aspirante a cineasta Rafael Mellin.
Posso afirmar sem cerimônia que os Cambitos, obscura série de vídeos de surfe realizadas sem um centavo e vista por meia dúzia de gatos pingados em um país devastado pela falta de bom senso- dizia eu que Mellin era um desses gatos pingados e que o esforço não foi em vão.
Hoje, diante do último suspiro do Taylor Steele, do artismo em super-8 do Halsband, da obra de arte do Thomas Campbell, prevaleceu a criatividade do brasileiro - e lá estava tambem o Fábio Fabuloso, em competição.
A mais vendida vai dar sua notinha de praxe, fotinho e texto sucinto, fingindo que nem é com ela.
As outras, nem isso, porque o vídeo traz o logotipo da rival estampado, donde se conclúi que nunca existiu...
Os saites, todos alinhadinhos, usarão sua poderosas ferramentas de copiar e colar, tradutor onlaine e pimba na gorduchinha! é disso que o povo gosta.
Mellin ganhou um WCT do gueto dos filmes de surfe.
Talvez, isso é questionável, o prêmio da Surfer (completamente voltado para produção americana, com poucas exceções australianas) seja mais importante pelo prestígio, mas um festival exclusivo com filmes de surfe de todo mundo como o de Saint Jean de Luz não há.
A porta do mercado europeu está aberta.
A notícia é muito boa, mas a quantidade de gente que consegue enxergar um palmo à frente parece se multiplicar nas redações (é possível que ganhe destaque a novidade que shaper esquecido cursa cinema e promete filme, ou Big rider entuba puxado por jet novo em folha), Rafael, assim como Pigmeu, caminha silenciosamente ladeira acima.
Taylor Steele assistiu Lombrô 3 e confessou que gostaria de poder fazer um filme como aquele com os brasileiros.
Nossos escassos títulos são infinitamente melhores do que a grande maioria de lixo despejada nas prateleiras das lojas de surfe.
O complexo de vira-latas impede os barões da informação a reconhecerem isso, mentindo descaradamente que estamos atrás do tão celebrados 'gringos'.
Bacana mesmo, diferente, porreta, é feito ao norte daqui do Bananão.
Dá um orgulho danado ver um brasileiro de 25 anos ser comprimentado pelo Jeff Hakman, 57, e escutar:
'Teu filme é dos mais fudidos que já assisti em 45 anos de surfe!'

Mr Sunset e Mellin, Mr DVD
Posso afirmar sem cerimônia que os Cambitos, obscura série de vídeos de surfe realizadas sem um centavo e vista por meia dúzia de gatos pingados em um país devastado pela falta de bom senso- dizia eu que Mellin era um desses gatos pingados e que o esforço não foi em vão.
Hoje, diante do último suspiro do Taylor Steele, do artismo em super-8 do Halsband, da obra de arte do Thomas Campbell, prevaleceu a criatividade do brasileiro - e lá estava tambem o Fábio Fabuloso, em competição.
A mais vendida vai dar sua notinha de praxe, fotinho e texto sucinto, fingindo que nem é com ela.
As outras, nem isso, porque o vídeo traz o logotipo da rival estampado, donde se conclúi que nunca existiu...
Os saites, todos alinhadinhos, usarão sua poderosas ferramentas de copiar e colar, tradutor onlaine e pimba na gorduchinha! é disso que o povo gosta.
Mellin ganhou um WCT do gueto dos filmes de surfe.
Talvez, isso é questionável, o prêmio da Surfer (completamente voltado para produção americana, com poucas exceções australianas) seja mais importante pelo prestígio, mas um festival exclusivo com filmes de surfe de todo mundo como o de Saint Jean de Luz não há.
A porta do mercado europeu está aberta.
A notícia é muito boa, mas a quantidade de gente que consegue enxergar um palmo à frente parece se multiplicar nas redações (é possível que ganhe destaque a novidade que shaper esquecido cursa cinema e promete filme, ou Big rider entuba puxado por jet novo em folha), Rafael, assim como Pigmeu, caminha silenciosamente ladeira acima.
Taylor Steele assistiu Lombrô 3 e confessou que gostaria de poder fazer um filme como aquele com os brasileiros.
Nossos escassos títulos são infinitamente melhores do que a grande maioria de lixo despejada nas prateleiras das lojas de surfe.
O complexo de vira-latas impede os barões da informação a reconhecerem isso, mentindo descaradamente que estamos atrás do tão celebrados 'gringos'.
Bacana mesmo, diferente, porreta, é feito ao norte daqui do Bananão.
Dá um orgulho danado ver um brasileiro de 25 anos ser comprimentado pelo Jeff Hakman, 57, e escutar:
'Teu filme é dos mais fudidos que já assisti em 45 anos de surfe!'

Mr Sunset e Mellin, Mr DVD
Listas...
Quem se importa com listas ?
Observer esportivo enumera seus 50 livros fundamentais sobre esportes.
Andy Martin, com o espirituoso Walking on Water, tá lá - no finzinho, mas presente.
Ingleses são tarados por listas e justo ele, Nick Hornby, rei da listas, encabeça a relação.

Pequeno objeto de culto
Observer esportivo enumera seus 50 livros fundamentais sobre esportes.
Andy Martin, com o espirituoso Walking on Water, tá lá - no finzinho, mas presente.
Ingleses são tarados por listas e justo ele, Nick Hornby, rei da listas, encabeça a relação.

Pequeno objeto de culto
Quinta-feira, Maio 05, 2005
Joguinho

Cuidado, o link acima pode causar dependência.
Versão 'muderna' do 'qual é a música' sem o Sílvio.
Depois não digam que não avisei...
Ondas de alerta

Dois volumes, 820 páginas, vai encarar ou ficamos só na orelha ?
Voce pode gostar ou não do Glenn Hening, mas não pode ignorá-lo.
Fundador da Fundação Surfrider e idealista visionário do surfe com membros superiores (ao contrário dos tão falados inferiores, como gosta de atentar Pau no Lima, personagem parvenu do Febeapa surfeiro bananeiro) e ativista com a sociedade, ou comunidade, Groundswell, exemplo de dedicação numa área deserta do corporativo mercado americano.
O livro, segundo dizem, é meia bomba, mas o escritor é genial.
Na dúvida, comprem mesmo é o do Cadilhe.

Glenn, bem na foto do seu saite.
Coluna Vertebral
[Pronto, um dos textos que publiquei no saite waves, foi bom enquanto durou, segunda experência na grande rede. As hordas se ouriçaram, a paciência foi esgotando-se e partiu, desta para melhor.
Diante dos comentários cretinos da grande maioria dos leitores que se manifestavam no grupo de discussões criado com brilhantismo pelo mestre do mundo virtual Rafael Sobral, diante da diarréia verbal dos filisteus, preferi o exílio - numa caverna 'raitéqui' chamada blog.
Serviu como desculpa a negativa do aumento de 300 Reais para 600, uma verdadeira inflação, que me foi gentilmente oferecida pelo editor do saite, santista, mas boa gente - fã do Zappa, não poderia dar n'outra coisa.
A temida cartilha do politicamente correto já fiscalizava o fórum com frases aflitivas como: 'voce não pode dar sua opinião!'
Ou então:'Volta para escola e aprende a escrever', apontava um rapaz que acabara de passar justo pela lição que cuidava do meus erros de gramática e perdera logo em seguida, interpretação de texto.
Nunca respondi os zagueiros chutando a bola pra cima, sempre conferia os imeios e mandava mensagens diretamente ao caneleiro.
Na maioria das vezes, o cabra brabo feito satanás chupando manga, ficava manso feito mula manca quando confrontado pelo afrontado em pele e osso.
Era um tal de: 'sempre li seus textos e admiro muito...' e 'gostava muito da sua batida de back-side (EPA!) quando voce competia...', ou ainda, 'quando crescer, quero ter sua coragem...'.
Lendo revistas nacionais, estou aprendendo a ficar cada vez mais auto-referente, como voces devem ter percebido.
Aos poucos vou perdendo o pudor de me sentir ridículo, e assim cada vez mais ridículo, escrevendo sobre meu umbigo e adjacências - quem sabe não recebo convite para escrever coluna para uma grande de Zampa ?
O texto abaixo foi escrito logo na volta de uma linda viagem (Janeiro de 2004) pelas ilhas que ninguem se dá ao trabalho de visitar direito, fica aqui em cima, tem água límpida, índios, floresta tropical virgenzinha, feito Severino antes de casar.
Orlando Villas Boas era um Homem.]

Orlando, o Bom
“Nunca vimos dois índios discutirem, nem um casal se desentender. Entre os índios, o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia, e a criança é a dona do mundo.”
Orlando Villas Boas, nascido 12 de Janeiro 1914; morto 12 Dezembro 2002
Essa frase do sertanista e indianista Orlando Villas Boas demonstra sua verdadeira vocação: de humanista.
E o que nos interessa, surfistas e adendos, o que fez e falou um senhor que lidava com índios no meio da selva ?
Absolutamente nada, embora o pessoal que trabalha nas redações Brasil afora adore nos tachar de tribo: a última tribo nômade, etc…
Rejeito o rótulo de tribo.
Precisamos ainda de mais 5000 anos para evoluirmos nossa comunidade em sentenças definitivas como a que acabamos de ler acima.
Leio que uma nova guerra invade o que supostamente seria nosso pacífico mundo de água salgada. Um camarada surfando sozinho em Todos Santos, num diazinho relaxado, meros 10 pés, foi atacado por um grupo de surfistas (??) de surfe rebocado (Sim, amiguinhos, tow-in) dentro d’água, em plena arrebentação.
Sem nomes, nem datas, o pobre coitado, vamos chama-lo de agora em diante de ‘Remador’, se meteu a surfar sozinho numa tarde qualquer naquele pedacinho de ilha no México e deu azar de encontrar um grupo de gladiadores dignos do velho filme “Rollerball”.
A horda vestia-se a caráter, com coletes salva-vidas, bombas de oxigênio e pranchas especiamente encomendadas para toda sorte de dificuldades.
O remador, solitário, diz surfar ali faz mais de década e não aguentou o fuzuê de jet-skis em ondas que ele considera apenas divertidas. Os hunos se esmeravam em treino exaustivo, preparando-se para um promissor inverno no hemisfério norte, rabiscando qualquer movimento de água que lembrasse uma onda.
O nosso herói, Remador solitário, com muito humor e ímpeto, resolveu soltar a âncora do bote dos tresloucados ‘rebocados’.
Imaginem agora, um sujeito sozinho, com a cara de pau de deixar um bando de gaiatos com o bote a deriva, sendo que os gaiatos tinham jet-skis e poderiam alcançar o pato a hora que quisessem.
Pois o alcançaram e deram uma bela surra no antiquado surfista.
Ora, que lição tiramos de um episódio desses ?
Não bastasse a pendenga de surfistas e bódi-bódi, a disputa dos pranchões e pranchinhas, a discussão dos que vôam e os que do chão, ou da onda, não passam, surge uma nova peleja, nem tão nova, de remadores e rebocados.
Definitivamente, não somos uma tribo.
O que seduz nessa nova febre de surfe que muitos insistem em atestar como um grande momento histórico, o que atrai, o que move as hordas para as praias, é a liberdade.
Sem pieguismo.
Plano de saúde, Banco, automóvel e refrigerante vendem o surfe aliado a uma suposta liberdade que apenas o surfista, de calção e prancha, é capaz de permitir-se.
Liberdade sugere felicidade e quando pensamos o quão deturpada a palavra liberdade encontra-se hoje em dia, principalmente com Baby Bush e sua cruzada pelo ‘mundo-livre’ (me perdoe 04), nos damos conta que, como diz Fausto Wolf, um povo que morre de fome não pode se considerar livre.
Os irmãos Villas-boas lutaram a vida inteira para que os índios tivessem sua cultura preservada, sua área de habitação respeitada e mantinham a máxima do desbravador Marechal Rondon, “Morrer se for preciso, matar nunca”. Conseguiram fundar, depois de muita luta, criar o Parque Indígena do Xingu, salvando do homem branco predador 16 nações, ou tribos, numa área que é maior de que muitos países europeus. Orlando, inclusive, foi indicado duas vezes, em 71 e 75 para o prêmio Nobel da Paz.
Dezembro é época de reflexão, de votos e promessas, tempo de saudades aqui no Rio de Janeiro do nosso querido irmão que se foi prematuramente, Smurf, campeão brasileiro mirim em cima do Neco em 88.
Smurf era exemplo de conduta no Arpoador.
Nunca o vi levantar a voz nem dentro, nem fora d’água, no entanto era respeitado, quase temido.
Surfava no Shore-break direto, entubando de back-side na onda que a turma diz que nem dá pra surfar direito.
Smurf foi pra junto de Orlando, véspera de Natal.
Esse entendeu que o surfe servia pra unir, melhor dizendo, compartilhar.
O surfe, como diz outro irmão, ensina a cair.
Tenham todos boas festas.
Que 2004 nos traga boas ondas.
A coluna vai em homenagem à mãe do nosso amigo Smurf, dona do quiosque mais simpático do Rio, no mirante do Leblon, com a vista mais linda de Ipanema, Tia Sônia.
Diante dos comentários cretinos da grande maioria dos leitores que se manifestavam no grupo de discussões criado com brilhantismo pelo mestre do mundo virtual Rafael Sobral, diante da diarréia verbal dos filisteus, preferi o exílio - numa caverna 'raitéqui' chamada blog.
Serviu como desculpa a negativa do aumento de 300 Reais para 600, uma verdadeira inflação, que me foi gentilmente oferecida pelo editor do saite, santista, mas boa gente - fã do Zappa, não poderia dar n'outra coisa.
A temida cartilha do politicamente correto já fiscalizava o fórum com frases aflitivas como: 'voce não pode dar sua opinião!'
Ou então:'Volta para escola e aprende a escrever', apontava um rapaz que acabara de passar justo pela lição que cuidava do meus erros de gramática e perdera logo em seguida, interpretação de texto.
Nunca respondi os zagueiros chutando a bola pra cima, sempre conferia os imeios e mandava mensagens diretamente ao caneleiro.
Na maioria das vezes, o cabra brabo feito satanás chupando manga, ficava manso feito mula manca quando confrontado pelo afrontado em pele e osso.
Era um tal de: 'sempre li seus textos e admiro muito...' e 'gostava muito da sua batida de back-side (EPA!) quando voce competia...', ou ainda, 'quando crescer, quero ter sua coragem...'.
Lendo revistas nacionais, estou aprendendo a ficar cada vez mais auto-referente, como voces devem ter percebido.
Aos poucos vou perdendo o pudor de me sentir ridículo, e assim cada vez mais ridículo, escrevendo sobre meu umbigo e adjacências - quem sabe não recebo convite para escrever coluna para uma grande de Zampa ?
O texto abaixo foi escrito logo na volta de uma linda viagem (Janeiro de 2004) pelas ilhas que ninguem se dá ao trabalho de visitar direito, fica aqui em cima, tem água límpida, índios, floresta tropical virgenzinha, feito Severino antes de casar.
Orlando Villas Boas era um Homem.]

Orlando, o Bom
“Nunca vimos dois índios discutirem, nem um casal se desentender. Entre os índios, o velho é o dono da história, o homem é o dono da aldeia, e a criança é a dona do mundo.”
Orlando Villas Boas, nascido 12 de Janeiro 1914; morto 12 Dezembro 2002
Essa frase do sertanista e indianista Orlando Villas Boas demonstra sua verdadeira vocação: de humanista.
E o que nos interessa, surfistas e adendos, o que fez e falou um senhor que lidava com índios no meio da selva ?
Absolutamente nada, embora o pessoal que trabalha nas redações Brasil afora adore nos tachar de tribo: a última tribo nômade, etc…
Rejeito o rótulo de tribo.
Precisamos ainda de mais 5000 anos para evoluirmos nossa comunidade em sentenças definitivas como a que acabamos de ler acima.
Leio que uma nova guerra invade o que supostamente seria nosso pacífico mundo de água salgada. Um camarada surfando sozinho em Todos Santos, num diazinho relaxado, meros 10 pés, foi atacado por um grupo de surfistas (??) de surfe rebocado (Sim, amiguinhos, tow-in) dentro d’água, em plena arrebentação.
Sem nomes, nem datas, o pobre coitado, vamos chama-lo de agora em diante de ‘Remador’, se meteu a surfar sozinho numa tarde qualquer naquele pedacinho de ilha no México e deu azar de encontrar um grupo de gladiadores dignos do velho filme “Rollerball”.
A horda vestia-se a caráter, com coletes salva-vidas, bombas de oxigênio e pranchas especiamente encomendadas para toda sorte de dificuldades.
O remador, solitário, diz surfar ali faz mais de década e não aguentou o fuzuê de jet-skis em ondas que ele considera apenas divertidas. Os hunos se esmeravam em treino exaustivo, preparando-se para um promissor inverno no hemisfério norte, rabiscando qualquer movimento de água que lembrasse uma onda.
O nosso herói, Remador solitário, com muito humor e ímpeto, resolveu soltar a âncora do bote dos tresloucados ‘rebocados’.
Imaginem agora, um sujeito sozinho, com a cara de pau de deixar um bando de gaiatos com o bote a deriva, sendo que os gaiatos tinham jet-skis e poderiam alcançar o pato a hora que quisessem.
Pois o alcançaram e deram uma bela surra no antiquado surfista.
Ora, que lição tiramos de um episódio desses ?
Não bastasse a pendenga de surfistas e bódi-bódi, a disputa dos pranchões e pranchinhas, a discussão dos que vôam e os que do chão, ou da onda, não passam, surge uma nova peleja, nem tão nova, de remadores e rebocados.
Definitivamente, não somos uma tribo.
O que seduz nessa nova febre de surfe que muitos insistem em atestar como um grande momento histórico, o que atrai, o que move as hordas para as praias, é a liberdade.
Sem pieguismo.
Plano de saúde, Banco, automóvel e refrigerante vendem o surfe aliado a uma suposta liberdade que apenas o surfista, de calção e prancha, é capaz de permitir-se.
Liberdade sugere felicidade e quando pensamos o quão deturpada a palavra liberdade encontra-se hoje em dia, principalmente com Baby Bush e sua cruzada pelo ‘mundo-livre’ (me perdoe 04), nos damos conta que, como diz Fausto Wolf, um povo que morre de fome não pode se considerar livre.
Os irmãos Villas-boas lutaram a vida inteira para que os índios tivessem sua cultura preservada, sua área de habitação respeitada e mantinham a máxima do desbravador Marechal Rondon, “Morrer se for preciso, matar nunca”. Conseguiram fundar, depois de muita luta, criar o Parque Indígena do Xingu, salvando do homem branco predador 16 nações, ou tribos, numa área que é maior de que muitos países europeus. Orlando, inclusive, foi indicado duas vezes, em 71 e 75 para o prêmio Nobel da Paz.
Dezembro é época de reflexão, de votos e promessas, tempo de saudades aqui no Rio de Janeiro do nosso querido irmão que se foi prematuramente, Smurf, campeão brasileiro mirim em cima do Neco em 88.
Smurf era exemplo de conduta no Arpoador.
Nunca o vi levantar a voz nem dentro, nem fora d’água, no entanto era respeitado, quase temido.
Surfava no Shore-break direto, entubando de back-side na onda que a turma diz que nem dá pra surfar direito.
Smurf foi pra junto de Orlando, véspera de Natal.
Esse entendeu que o surfe servia pra unir, melhor dizendo, compartilhar.
O surfe, como diz outro irmão, ensina a cair.
Tenham todos boas festas.
Que 2004 nos traga boas ondas.
A coluna vai em homenagem à mãe do nosso amigo Smurf, dona do quiosque mais simpático do Rio, no mirante do Leblon, com a vista mais linda de Ipanema, Tia Sônia.
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