quarta-feira, fevereiro 23, 2005

MP fala (clica e leia)



Tracks: Does it bother you that you never got to be world champ?

Nah, that never bothered me. They reckon I should have won in Hawaii too, but I didn’t. I was the best surfer there for a while, the only guy who was surfing Sunset Beach really deep. I liked surfing that place, it had a lot of power, it was just like Duranbah but bigger.

domingo, fevereiro 20, 2005

O Verde, o Amarelo e os colloridos

Aconteceu novamente.
Não é de hoje que tentam de todas as formas nos roubar o que temos de mais precioso: Identidade brasileira.
Antes de torcerem o nariz para mais um ufanista alterado, escrevendo por impulso à primeira vertigem de indignação, adiem mais um pouco, até o próximo parágrafo.
O assunto é enfadonho e estranho ao temas do Goiabada, mas talvez seja uma boa hora de variar.
A confederação brasileira de voleibol apresentou as novas camisas das seleções nacionais para temporada 2005, feminino, rosa e masculino, preta.
O patrocinador principal, Banco do Brasil, chiou com toda razão.
Vamos deixar de lado as declarações oficiais publicadas nos grandes jornais pois isso é papel deles.
Aqui tratamos de opinião, que como sabem, cada um tem a sua - diz Millor: 'livre pensar é só pensar'.
Curioso foi a escolha dos dois malandros que vestiriam o 'manto sagrado' na bendita apresentação: Huck e Winitz (seja lá como se escreve esses nomes, dependendo dos humores da Lua e dos numerólogos).
Não por mera coincidência escolheram dois representantes desse país sem caráter, aqui sem sentido de injúria, mas com exclusiva intenção de demonstrar a total falta de referência com essa tal identidade nacional que me referi acima.
Pois, vejamos: Se existe um conjunto de elementos que formam o que podemos chamar de cultura brasileira, o casal de modelos Huky/Wintz ilustra justo o oposto.
O rosa e o preto, ao invés do Verde e amarelo, é a própria vergonha que essa elite 'nouveaux riches' tem de ser reconhecida imediatamente como, argh!, brasileiros.
O novoriquismo tem horror ao artesanal, ao rústico, ao modesto. Para essa horda o Brasil deve ser sempre associado à grandes e suntuosas festas com Dijêis belgas, amigos famosos, vestidos caríssimos, coleções de carros, ilhas particulares, tudo com milionários patrocinadores.
Orgulho, jamais de ser um mulato inzoneiro, sempre em simbolizar a elite globalizada, do Rolex, BMW, Fendi, Tomate seco e mussarela de búfala com rúcula, curso de degustação de vinho, cabelos lisos e silicone.
Afinal de contas, inzoneiro nem é elogio...
A elite brasileira, que já viajou para Europa todos anos, hoje prefere Miami ou, perdoai-vos, Cancun.
Já soube as letras do Chico Buarque de cor em tempos de menos luz e hoje canta, numa sala bem iluminada pelo decorador da vez, o refrão do mais novo sucesso do U2.
Sandálias Havaianas, apenas com o salário depositado em conta, assessoria de imprensa e pequenos desvarios em restaurantes que ainda retêm um pouco da classe que falta pr'essa turma que acha que tudo pode.
Somos bombardeados diariamente com os Big brothers e programas de variedades que minam a vontade do brasileiro de ser brasileiro, tudo orientado pelo grande Deus $$$, que dita as regras e detona o amor próprio que ainda restou depois duma ditadura que recusa-se a nos deixar - continua com o mesmo dono.
Globalizar é passar atestado de 'civilidade', como num discurso do Bush que, naturalmente, é odiado pelos recem chegados ao mundo maravilhoso da (des)informação -ponto garantido com os 'brothers' e as 'eco-girls'.
Um diretor de marketing que tem coragem de dizer não ao deslumbre, resistir ao sedutor charme do 'novo', é logo atacado pelos vassalos do poder esmagador da imprensa transnacional, acusado de reacionário, retrógrado, daí pra baixo- da mesma maneira que são subversivos os americanos que não apoiam a invasão covarde do Iraque.

Guarda



'Guarda do Embaú é uma situação geográfica especialíssima: para se chegar à praia é preciso atravessar 50 metros de rio com água ora pelas canelas, ora batendo no pescoço. Se preferir, barqueiros te levam a R$ 1. A natureza cristalina contrasta com hordas de gente suja e fedorenta, fósseis de um movimento que se resume hoje em dia a encher o saco dos turistas com seus artesanatos de inspiração inca, asteca, hindu, sei lá que droga é aquela que tentam te vender.'

Trecho do texto de Tutty Vasques no Nominimo.com.br

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quarta-feira, fevereiro 16, 2005

Confuso, eu ?



Na dúvida entre um último cameponato e último ano em campanha, resolvi buscar mais informações.
Abaixo o link para o saite da Billa
MARK OCCHILUPO ANNOUNCES RETIREMENT FROM ASP WORLD TOUR
2005 Surfing Season to be Occy’s Final Chapter
After 22 years, 21 career victories and a coveted 1999 world title, which he won 16 years after first stepping onto the ASP tour at the age of fifteen, the "Raging Bull" has decided its time.

"I have had a great career. I’ve done all the things from when I was a grommet that I've wanted to do that’s why I'm calling 2005 my last year. I want to leave on a high note. I feel like I could probably keep on going for a few more years but I want to finish my career surfing as good as I can, and I feel as I am at that stage right now. I don't want to be going at about 50% and just making up the numbers."

E aqui para o saite da Surfing
SURFING MAGAZINE: There was some initial confusion, people thinking you were actually retiring this year.

MARK OCCHILUPO: Nope, nope. It’s not the case. I just want to do it right. And it’s kind of cool giving everyone notice because then I can say bye to everyone -- especially in those countries where I likely won’t be returning. That’s what I’m doing.

Abaixo assinado

'10. Peterson Rosa, 29. Strength: He’s raw. Hailing from the slums of Rio, this Brazilian “Animal” will always keep ’em guessing.'

Do jeito que li copiei e colei aqui no Goiabada.
Desde Vince Medeiros, o equivocado, uma informação não era tão maliciosamente distorcida como a que o saite da Surfing publica nessa suposta análise ao título do WCT 2005.
Evidentemente, não vem assinada - cagaço.
Para desespero dos nossos intrépidos jornalistas estrangeiros, a favela do Rio de janeiro (sem trocadilho) ainda não foi capaz de cumprir sua sina de fornecer atletas fundamentais para todos esportes.
A multidão sem rosto anda muito ocupada tentando sobreviver nesse paradoxo de paraíso e inferno, ora roubando, ora trabalhando, ora arremessando limões pro alto, ora pagando as nossas contas nas filas dos bancos.
A imagem do pobrezinho de marré deci matando um leão por dia fascina, mas esbarra na realidade bem mais cruel do que a notícia quer parecer.
Cada vez que leio um despaupério como esse, sinto mais saudades daquela velha vontade de conhecer o objeto do seu texto, o cuidado em apurar a informação, da farra que é a pesquisa, tão distante, tão pouco provável para um personagem do terceiro escalão...
Deixo abaixo meu protesto em forma de paródia:

1. Andy Irons, 26. Forte: Kaiborg.
'Meus amigos sempre falam que Bruce é melhor do que eu, mas pelo menos eu me garanto com apenas dois seguranças' —duma entrevista na revista SURFING, Feb. ’05.

2. Joel Parkinson, 23. Forte: Billabong.
Teve um ano esquisito em 2004, ganhava do Slater, ganhava do A.I e perdia sempre pro Vitinho. Tem se dedicado a treinar capoeira com o mestre Cipó.

3. Kelly Slater, 33. Forte: Pamela.
Fizesse um implante de cabelo, Slater seria novamente imbatível. Saindo de um lar detruído pelo alcoól, K.S. trabalhou como azeite em produções pornô caseiras até chegar aos nove títulos mundias: ele temperava, o Motley Crue comia.


4. CJ Hobgood, 25. Forte: Fé cega, faca amolada.
Cêjota surpreendeu a todos em 2004 com seu modelo de prancha adaptado com alta tecnologia para seu conhecido problema transpiratório.
Além de proteger suas axilas do insuportável odor que tanto reclamam seus companheiros a cada manobra executada(Cigêi é carinhosamente chamado pelos amigos de 'o cafungador de suvaco', pela suas belas rasgadas de front-side), esse modelo foi desenvolvido com tela de plasma e citações da bíblia para situações adversas em baterias.
Shapers evangélicos brasileiros já estão em negociação com a firma que fabrica os bólidos.

5. Luke Egan, 36. Forte: Sim
Luke é boa-praça, mora em Floripa, tem quatro esposas, dois carros e é local da Joaca, não tem ?

Touro sem rabo

Occy sai por uma porta, Pig entra por outra.
Junto do Raoni, Bernardo pode começar a reescrever a página que anda em branco ultimamente no nosso livro: Estilo, força e ímpeto.
Lembram-se do Neco em 98/99 ?
Passamos de 6 profissionais, o pior resultado desde sempre, para um assombroso número 8, atrás dos australianos de lavada e americanos (divididos em leste e oeste, fora havaianos) por um Beschen apenas.
Considere o investimento de menos de 5 % da milionária indústria paulista de roupas para surfistas em atletas e seus arredores (formação, campeonatos, treinamento, etc e tal), desconsidere a participação de qualquer outro estado nessa estrutura, salvem-se as exceções, mexa com o molho de muita pilantragem dos novos ricos da surfiué, salpique uma pitadinha de má vontade da imprensa dita especializada e voilá!
Não é um absurdo oito malandros no WCT ?
Fugi do assunto e volto: leia a entrevista do Touro indomável no link acima e relembre o porque de todo esse fuzuê em cima do melhor backside de todos tempos.




"I want to show that you shouldn't drag it out - you should go out with a bang, and my surfing is good enough at the moment to do that. I will be 39 this year and 40, next year so I just feel like it is a good time."

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

Na onda

Todos vídeos amadores do tragédia reunidos num saite.
Um documento aterrador - e irresistível.

Vinte

Clica no título e veja as vinte maiores ondulações que deixaram os cabelinhos da nuca dos pescoços vermelhos em pé.

Dave fala

[Quando ele fala, a gente escuta, ainda que não concorde, como este que vos escreve.
Herdeiro da mesma linha de recalque do Dora, tão erudito quanto e tão pretensioso...
Mas nesse marasmo de jornalistas inopinados e rebuscados, Dave Parmenter é leitura obrigatória.]



'Many younger pros, influenced by Curren’s backtracking, surfer/writer/filmmaker Andrew Kidman’s re-discovery of Morning of the Earth, and films like Thicker Than Water, are tripping on wholly new – to them – sensations radiating from their experimentation with single-fins, Fish, and egg shapes. Other “Children of a Lesser Board” are relieved, after years of struggling on contemporary shortboards, to finally bloom on wider and thicker surfcraft that are both functional and “cool.” For it could be said that undersized surfboards have crippled more surfers in the past decade than ever were hobbled by LSD in the ‘60s and ‘70s. '

Blue Horizon arrasta o X-Dance



A mais nova obra prima do Jack McCoy levou melhor filme e melhor biografia no festival X-Dance.
Essa premiação deve ser como a de melhor veículo de comunicação da ASP, ou seja: cada ano escolhem um nome para homenagear por tempo de serviço - ou mero deslumbre - todos saem contentes.
Sim, por que como explicar a melhor edição ir para 'Somewhere,Anywhere. Everywhere' ?
O velho McCoy é tão fogo na roupa que se dá ao luxo de colocar nos extras do DVD o primeiro corte da Calli Cerami, para uma das cenas mais importantes do filme, trocando em miúdos: Calli, que é editora premiada com Emmy, edita para o canal da National Geographic e o escambau, montou (morou a intimidade ?) uma sequência incrível para o filme, justo na parte do Tahiti, com a famosa onda do Andy e seu drope absolutamente sem descrições, pois eu dizia, Jack viu e falou: pára esse troço que eu tive uma idéia.
O malandro viu o que ninguem via.
Naquela despencada, irresponsável e inconsequente, Andy começava sua blitz para seu primeiro título mundial, Jack McCoy decifrou o enigma, o diretor genial é um atento crítico e um jornalista supimpa.