‘Prefiro ir à deriva
Me deixe que eu siga
Em qualquer direção
Se eu sou de um rio marinho
O mar é meu ninho
Meu leito e meu chão’
Mar grande
(Paulinho da Viola e Sérgio Natureza)
Gonçalo esteve aqui
[Resolvemos tudo num breve telefonema: estarei em Pipeline, na areia naturalmente, filmando com uma pequena câmera. Sempre imaginei um Gonçalo de barba mal-feita, com roupas surradas pelo tempo demasiado exposto ao sol e aos sete mares.
Me aparece um sujeito de aparência limpa: barbeado, camisa pra dentro da calça (comprida!), fisionomia de uma serenidade irritante.
Cadilhe ?
Júlio?…
Prazer, rapaz, sente aí, foi bom mesmo ter ligado.
Quem armou tudo foi o Valente, o camarada que nos deu o prazer e o privilégio (com a permissão do Morrisey) de ler Gonçalo Cadilhe todos meses numa revista de surfe escrita em português.
Quem foi que disse, ‘o idioma é minha pátria’ ?
Ondas de mais de 3 metros rebentavam violentamente na bancada, a conversa ia e voltava, como os locais lá for a, mas havia respeito ali naquele pedacinho de praia, nos dois ou tres metros de areia que ocupávamos debaixo dum coqueiro pra abrigar da chuva, eu, Cadilhe, Bertiez e o Zé (acredito ter lembrado dos nomes…).
Por que não escreve um livro ? perguntei curioso.
Não há mais nada a escrever. Tudo já foi dito. Retrucou Gonçalo.
Discordei em silêncio e sugeri uma coletânea dos textos da SP.
Num tempo onde Jamie Brisick é considerado flor da literatura do surfe, Gonçalo é marginal por opção.
Marginal por andar na margem, de pés molhados.
Suas crônicas anunciam tudo menos o óbvio- embora sempre falem da mesma coisa.
Escolhi Paulinho da Viola para introdução do texto que tinha aqui guardadinho.
Imagino o Gonçalo batucando na mesa, ouvindo o ‘Da Viola’ cantando num boteco aqui do Rio de Janeiro.
Ninguem canta com a elegância e a cadência do Paulinho da Viola.
Gonçalo tem o dom de escrever assim, com essa cadência, com esse charme.]
Puta Vida (ou Tamarindo Blues)
Há uma frase famosa num filme de Orson Welles, creio que “O Terceiro Homem”, em que a Suíça é comparada à Itália. A ideia é mais ou menos esta: “Em 500 anos, a Itália deu ao mundo Miguel Ângelo e Leonardo da Vinci, o sistema cambial, o telescópio, a ópera, o barroco, a rádio de Marconi, a Sofia Loren, etc… (o exemplo da Sofia Loren é meu); e a Suíça, no mesmo período de tempo, o que deu ao mundo? O relógio de cuco.”
Chamam à Costa Rica a Suíça dos trópicos. Bom, há razões para essa comparação: a Costa Rica não tem exército, tem montanhas, vive em democracia e vive do turismo, é aparentemente neutral (como o é, aparentemente, a Suíça), tem a taxa de analfabetismo mais baixa da região, as diferenças sociais menos chocantes e, em relação aos restantes países da América Central, é um país próspero que atrai emigrantes de todo o continente. A Costa Rica é simpática, é agradável, é segura, tem boas ondas, água quente, está bem organizada nas infra-estruturas, hotéis, restaurantes. Os turistas adoram. Eu não gostei. Não gostei da sensação que tinha chegado a dois países paralelos que se ignoravam mutuamente: o dos “ticos”, os homens e mulheres de pele escura e face descontraída que vivem a sua vida pacata nas cidades do interior, nos ranchos humildes, nas colinas onde se cultiva o café, a banana, a cana do açúcar. E, depois, o país dos parques naturais, das praias e lagoas, dos resorts e dos bungallows, dos veículos alugados, dos bares happy-hour onde se bebem dois cocktails e só se paga um _ o país dos turistas.
Eu não consegui passar do país dos turistas para o país real: encontrei as portas de acesso hermeticamente fechadas. Era como se o comportamento de milhares de “gringos” que tinham passado por ali antes de mim tivesse saturado a paciência e a boa-vontade dos “ticos”, que agora não faziam distinções entre viajantes ou turistas, paparucos ou surfistas, portugueses ou japoneses, europeus ou americanos, nada. Só relações de “business” ligavam os dois países paralelos. Só a compra e venda de almas punham em contacto as duas comunidades humanas.
Entrei na Costa Rica depois de várias semanas no México, Guatemala, El Salvador e Nicarágua. O choque cultural não podia ter sido pior. Comecei por Tamarindo. O começo não podia ter sido pior.
“Mea Colpa”, é verdade. Já à partida era previsível que eu ia sentir-me como um peixe fora de água em Tamarindo. O que tinham em comum a minha viagem à volta do mundo; e este clube de férias organizado a partir de Miami? O que tinha a minha procura de beleza e harmonia a ver com este paraíso de pacotilha? Onde encaixava a minha sensibilidade nesta massa americanos do Mississipi, de canadianos dos Grandes Lagos e de alemães da Baviera? O que me ligava a Tamarindo? O surf? Surf é um conjunto de atmosferas flutuantes que precisam de acontecer todas ao mesmo tempo. Ondulação boa, vento fraco, fundos certos, naturalmente; mas também uma paisagem intacta, um estilo bonito, uma maturidade no comportamento do crowd, uma vibração comum na água, uma partilha de emoções. Um “feeling”... Que feeling podíamos partilhar, eu e esta moda de pegar onda que descarrega de voos “charter” centenas de curiosos nas praias de Tamarindo?
O surf em Tamarindo é um business como qualquer outro: trekking, rafting, equitação, bungee-jumping, piercing, tatuagens, cerveja, marijuana, ecstasy, all-night party... O surf é uma dessas coisas que não fazes na tua casa, na tua pequena cidade calvinista, republicana, patriótica do Midwest, onde todos te conhecem e te consideram “a good local boy”. O surf não tem a ver com o mar, tem a ver com qualquer anúncio de cerveja que viste na tua televisão, ou qualquer campeonato havaiano que apanhaste em directo no satélite e que te levou a pensar: “yeah, nas próximas férias já sei o que é que me apetece fazer”.
Porquê aqui, em Tamarindo, Costa Rica, e não em Poneloya, Nicarágua, ou em Sunzal, El Salvador? Porque Tamarindo é um nome exótico? Ou porque a tua nação deixou esses países, a Nicarágua e El Salvador, à beira dum colapso, quando eles _ a revolução sandinista, a Frente de Libertação Farabundo Martí _ tentaram libertar-se do “sonho americano? Esses países não têm Tamarindos. Não têm excursões a Roca Bruja, nem “day tours” ao Ollie’s Point, nem “shuttle bus” para Malpaís, muito menos “surf lessons” com professor credenciado, ou sequer “special surfer’s breakfast” com ovos e toucinho, coca-cola e ketchup. Esses países não têm nada disso, é como se não tivessem surf. Têm miséria e desespero, têm uma falta de horizontes crónica, que lhes foi deixada por Reagan e amigos (os que lá estão agora no lugar dele), têm o castigo que merecem por ter faltado à obediência. Serviram de exemplo, à espera que Cuba também arreie.
A Costa Rica também serviu de exemplo, mas ao contrário: foi o país da América Latina que triunfou por ter seguido os valores americanos. Uma espécie de panda no zoológico, mantido em vida à custa de subsídios e doações americanas, enquanto o resto da espécie _ o resto da América Latina _ se vai extinguindo numa espiral de corrupção, nepotismo, neo-liberalismo, governos fantoches, poderes ocultos, eleições sem qualquer significado, amnistias escandalosas, violações dos direitos humanos contínuas e despudoradas, miséria e mais miséria. Têm razão os tour operators e a propaganda oficial quando comparam a Costa Rica a uma Suíça tropical. Mas, ao contrário da Suíça, a Costa Rica tem uma praia que se chama Tamarindo com night-life, cheap-life, high-life e muitas ondas. Tudo à tua disposição. Mas não à minha. Não tenho disposição para isso.
Não fazia qualquer sentido permanecer mais tempo ali. Não esperei sequer por um swell que me pusesse a surfar em Pavones. Apanhei o autocarro mais directo que encontrei para o Panamá, sem passar pela esquerda mais comprida do mundo. O problema em Pavones não é o comércio da alma, é a arrogância de certas almas. E esse problema ficará para contar na próxima vez que eu tiver que atravessar a Costa Rica. – GC
'Depois de ser eliminado surpreendentemente uma semana antes no Coke, MR voltou com tudo virando a maré pro seu lado.
Enfrentando Cheyne Horan na semi-final, ele venceu, mas a bateria foi coberta de controvérsia.
Lá pela metade da bateria, Cheyne, que dominava a disputa até então, começou a remar freneticamente para a areia tentando impressionar os juízes para cancelar a bateria.
Cheyne disse ter visto 'um tubarão de 3 metros, quase meio metro da minha perna'.
Nesse momento, Doji Isaka, surfista veterano japonês, que estava na locução do campeonato, anunciou que 'tubrões nipônicos não mordem'.
Enquanto isso, MR continuava lá fora, surfando tudo que podia, agarrando todas ondas e declararia depois da bateria: 'eu não saíria da água nem que aparecesse uma baleia assassina!'.
Com essa determinação de tudo-ou-nada, ele avançou até a final, embora 'Tubarão' Horan tivesse tido mais uma chance com a extensão de 5 minutos de volta pra água.
Na final, a Gaivota esteve por todos lados, aumentando seu saldo para 3 vitórias em 4 etapas disputadas, distanciando-se na corrida ao título mundial do I.P.S. em 1979."
Peter Towned, Revista Surfing, volume 15, numero 6, Agosto de 1979
[Uma das minhas obsessões é Jeffrey's Bay, uma de nossas Mecas- e Bruce Gold.
O texto abaixo foi uma das Tempestades escrita em 2001, logo depois de um mês de J. Bay.
Trilha recomendada: Gill Scott Heron- From South Africa To South Carolina (faixa- johannesburg)]
Today is a wonderfull day to die - Bruce IS Gold
Ultimamente venho ponderando muito ao redor da inutilidade do surfe e suas coisas.
É aí que a gente se pega folheando uma revista de surfe no meio de um dia apressado, urgente de mínimas tarefas, trabalho, contas – que diabos! Deixe-me dar uma olhadinha nessa Surfer velha…
Subitamente seu dia ganha outra forma.
Em vez dos numeros do talão de cheques, os anos em que foram batidas aquelas fotos maravilhosas do deserto do Sahara( com o inesquecível navio fantasma afundado), o tamanho da prancha do Michael Peterson no cut-back que ainda deixa rastros no surfe moderno, ou tentando decifrar quantos anos tem Bruce Gold, o último surfista hippie, que sorri de maneira quase infantil por trás de sua barba branquinha.
Bruce Gold foi um dos pioneiros em Jeffrey’s Bay, a melhor direita do planeta, onda referência para direitas perfeitas, intermináveis, tubulares, velozes: “– a onda era igual a Jeffrey’s…”
Recurso muito usado em conversas sobre condições extraordinárias.
“- …parecia Jeffrey’s, mas com água quente…”
Sempre parece Jeffrey’s, mas…alguma coisa.
Dito isso, voltemos ao motivo desse texto: Bruce Gold.
Na faixa dos 60 e tantos, Bruce é um desses personagens literários, com uma intensidade de vida passada tão grande que pode se dar ao luxo de viver hoje serenamente, sem maiores sobr’olhos, como gostava de escrever o poeta Pessoa.
Lá por volta de 68, depois da famosa descoberta de Cape St-francis, no filme Endless Summer de Bruce Brown ( a onda então ficou conhecida como Bruce’s beauty), foi quando os surfistas sul-africanos começaram a explorar a costa que cercava Porth Elizabeth em busca de outra direita como a belezinha que os yankees tinham achado.
Em plena época do ‘Flower power’, a rapaziada viajava de carona, acampava na praia e surfava sem roupas de borracha em pleno frio de inverno.
Quem, deavisado, avista caminhando atualmente pelas areias da praia da Baía de Jeffrey’s, um coroa de roupas coloridas, parecendo aqueles malucos beleza que sairam de órbita e ainda não voltara, nem desconfia que quando o surfe está acima dos confortáveis 6 pés, Bruce Gold ainda é um dos melhores surfistas lá, wetsuit surrado, prancha velha.
Longa barba branca, magro, parece sempre estar pensando em algo de suma importância para o destino da humanidade, como por exemplo, a inutilidade de passar a vida em torno do surfe.
Sobre o desenvolvimento da cidade que escolheu pra morar desde o início da década de 70, Bruce diz que tem muitos automóveis, mas ele pouco se importa. Sua casinha é pra lá de simples, um barraco meio escondido.
Uma casa de surfista.
“- hoje é um dia maravilhoso para morrer.”
Diz o cara que traz ouro no nome e o surfe no coração.
Todo dia parece ser um dia maravilhoso pra fazer qualquer coisa, quando se trata do velhinho garoto que escolheu a vida que a comunidade inteira de surfistas deseja, mas que pouquíssimos tem coragem de aceitar como definitiva. Por isso é que a gente, meros mortais, devotamos tanta admiração a esses caras, no fundo é um pouquinho de inveja.
Inveja de assistir esses surfistas viverem uma vida tão simples, quase inútil, que sempre que podemos tentamos reproduzir quando nos arremessamos em busca de alguma onda, esteja a duas horas de carro, ou a dois dias de viagem, avião, ônibus, trem, carona….
E é nessa repetição que o surfista alcança a felicidade de nada fazer, de esperar sentado por uma onda no Mar, de passar dias aguardando uma ondulação que, pode ser que venha, pode ser que não venha. O que vale é a espera.
No fundo acho que somos todos meio Bruce Gold.
Como todos já sabem, poesia é coisa de boiola.
Gente sensível, de hábitos estranhos.
Homem que é homem, com H maior, gosta de esportes violentos, mulheres em roupas justas e bebidas fortes.
Assim como todo surfista é maconheiro, todo jogador de futebol é analfabeto e todo político, indubitavelmente ladrão; quem gosta dessas frescuras de rimar palavras pra comover os outros- e quem se comove-, só pode ser viado.
[foto Andrew Kidman (fotógrafo-poeta)]
'Onda paisagem minha vida de água.'
[Frase Pedro Cézar (Poeteiro, surfeiro e bombeiro)]
Logo aqui embaixo vai outra...
A foto é de Patrick Trefz
'Encaixe é o que o mar
faz com a areia
o resto é breve.'
Cassius Clay surra Sonny Liston
Miami, 25 de fevereiro, 1964
‘A reputação de ogre invencível era merecida, enquanto Clay era considerado um impetuoso, quiçá talentoso, lunático que assinou sua sentença de morte quando chamou ao campeão de ‘urso feio e velho’ (ao pé da letra, velho fedorento, por aí…).
Antes mesmo do campeonato se definir e Clay ainda era apontado como desafiante, Liston disse: ‘ Se eles fizerem essa luta eu vou em cana por assassinato’.
A turma de Clay tinha dúvidas enormes tambem.
Durante a tensão pré-luta, seu médico estudou mapas, procurando pelo menor caminho para o hospital mais próximo.
Mas Clay, com sua promessa de ‘flutuar como uma borboleta e picar como uma abelha’ ( digamos que queira dizer exatamente isso), falou a verdade desde o princípio.
Ele ganhou o título mundial de pesos-pesados na idade de 22 anos, quando um ensanguentado Sonny Liston, ombro deslocado, foi incapaz de levantar- se do seu corner para atender o sino do sétimo round.
Dos 46 jornalistas esportivos que faziam a cobertura, apenas tres apostavam numa vitória de Clay.
O novo campeão do mundo dos pesos-pesados bradava, do alto do ringue, para eles: ‘Engulam suas plavras!’.
O texto acima, emocionante, de Oliver Irish para a coluna 10 mais do Observer esportivo, é exemplo de cuidado com a história do esporte.
Provável que boxe não seja estilo de vida, nem moda de adolescentes, mas tem uma riqueza literária sem igual.
No Brasil rareia cada vez mais bons textos na especializada.
O jornal Staff foi tão importante para a educação dessa geração, de 28 anos pra cima hoje em dia, quanto as crônicas do Nélson Rodrigues tornaram-se referências para a turma da crítica esportiva atual.
Fred D’orey, do alto do seu ego gigantesco, permitiu a ascensão de gente nova que começava a escrever e reclamar por coisas que as revistas preferiam ignorar.
Assim foi com Ricardo Lobo, Pepe Cézar, Rosaldo, Zobaram – até Giorgio Virzi teve sua chance com um debate!
Tambem comecei ali, levado por Wanderley Carbone, com um texto sobre a minha banda preferida da época: The Cult.
A vontade naquele tempo era de fazer uma imprensa bem escrita, bem lida, mais madura, temendo sempre a terrível imagem de imbecis que a surfistada arrastava com suas pranchas.
Exatamente o contrário do que se almeja hoje.
Tudo é feito sob encomenda para o ‘simpatizante’, como eles gostam de chamar: roupas, vídeos, campeonatos, campanhas publicitárias e, o que mais nos interessa, imprensa.
Confundem seriedade com tristeza.
Alegria, no caso, deve ser algo bem leve e de fácil digestão, porque pensar, todos sabem, dói…
A indústria de roupas de surfe, surfeuér, esqueceu dos senhores que tiveram a falta de sorte de passar dos 30, digamos que somos uns 35 ou 40 % do mercado atual. Nada mais é direcionado para essa corja de velhotes que insiste em continuar indo à praia disputar onda com a molecada voadora.
Imagino que a coroada deva ter algum dinheiro, pois saiu da barra da saia da mamãe faz tempo.
Por outro lado, segundo me confessa um lojista, os que ainda estão na barra da saia, nem precisam ir mais na surfechópi, madame manda Gilmar, ou Gérson, chofér, ir no centro comercial e limpar as estantes das novidades – o que Junior não gostar, vai pro filho da faxineira ou sobrinho da cozinheira.
Oportunismo.
Capa duma edição especial da mais vendida dedicada para as meninas: filho do Lipe, aquele que surfava de frente pros dois lados no Arpex e tinha a marca mais bacana de Ipanema no início dos anos 80, Energia, que patrocinava o fera braba Jeferson Cardoso, Felipe Dylon.
Na mesma hora que avistei a revista em destaque numa banca aqui da Gávea, pensei: Isso não seria igual a estampar uma foto da Sheyla Carvalho na capa da Fluir ? (Maryeva, ou Dora Vergueiro, pra ficar nas musas eleitas dessa tal imprensa especializada…).
Pois, se a resposta for, sim, seria; estamos perdidos. Atesta definitivamente que não fazem revistas para surfistas, mas para adolescentes deslumbrados com a nova onda, seja surfe, bola de gude ou porrinha.
Tentem estampar uma foto de ídolo ‘teen’ na capa duma Surfing Girl, prima da Surfing, acredito extinta, e vejam o circo das meninas pegar fogo.
Provável que Layne Beachley, Rochele Ballard e Lisa Andersen proibissem que a publicação veiculasse fotos suas depois duma bola for a dessas.
‘Vão vender revistas em outra praia!’ gritariam indignadas.
Aqui, nem cosquinhas fez…
Já se prepara mais uma nova publicação, rumores ventam do grupo Abril, para disputar essa fatia de mercado que anda melada por adoçantes artificiais.
Espera-se que tenha a mira no alvo certo: no coração do surfista.
[A cobertura não é minha, Andy Davis ex-editor da SL, revista adolescente sul-africana, escreveu muito bem.
Ao contrário do nosso mui estimado Vince Medeiros, que envergonha-se da linhagem tupiniquim, Davis descreve sem papas o que se passou nas baterias do WCT de J. Bay - enquanto V.M., venerado pela nossa imprensa deslumbrada com caderinhos de telefones importantes, omitia o que não via no WCT de Saquarema anos atrás.
Bom quando não colocam aqueles jornalistas chatinhos que se derramam a falar de como...ah, deixa pra lá.]
BILLABONG PRO JEFFREYS BAY: DAY FOUR
REVENGE: IRONS ELIMINATES SEAN HOLMES IN ROUND FOUR
Surf: 3-5 feet surf, relatively inconsistent, variable winds; cleaning and picking up in the afternoon.
Event Held: Billabong Pro J-Bay
Nature's Call:Forget about the hype, I make the rules around here.
Forecast: Swell moderating tomorrow and looking relatively bleak for the next week.
As the sun burnt its way from red to gold over the bay, illuminating the shifty Supertubes waves with a sparkling backlight that had the photographers spilling coffee on their equipment, round three kicked off with a bang. In the first heat of the day, Luke Hitchings set off a chain of American defeats by overcoming Damien Hobgood. In the second, Aussie Jake Paterson triumphed in a see-saw humdinger with Hawaiian goofy-footer, Kalani Robb, clinching the heat with a smoker right on the siren.
'Yeah, it's a game of chess out there. All about who's got the patience out there and who gets the good waves. I was lucky to get through,' said an elated Paterson. 'But I'm still in the fight so I'm stoked. Kalani needed a 3.5 and I knew I couldn't hold him off one of those little waves. That's when you lose your heat when you start going for the smaller scores. If he had waited he probably would have gotten one of the sets I got and would have won, but I had my strategy and it paid off. I love coming here,' Beemed The Snake in the glow of victory, 'all the people know who I am, all the grommets are like "Jake the Snake!" So it's pretty special, it's great to be recognised around town. It's like a home away from home.'
Next up Cory Lopez and Lee Winkler went down to the wire in another see-saw battle, with a flurry of waves at the end of the heat. It took the judges a while to figure out that Winkler had indeed won it and the run of rotten Seppo luck continued. The next heat saw Shane Beschen up against a favourite son of J-Bay, Mark Occhilupo. And once again it was team Aussie that came out on top.
'My 6s, I thought were at least 7.5s.' Said a disgusted Beschen as he walked up the boardwalk. 'I'll have to watch myself on video and check it out.'
'Yeah, I was patient and waited for the 9.' said Occy. 'I thought it was going to be harder to get the 3 I needed after. I was just waiting for a wave and I kind of freaked out and took a little one and got the score, then a set came... Luckily Shane didn't get a good wave out of it, but I thought he would, it was a scary heat, that's what I am trying to say.'
And then, all too soon, came the heat we had all been waiting for, local hero Sean Holmes up against American numero uno, big cheese and world champion Andy Irons, for their third year in a row, third round grudge match. Sean opened it up with a series of small waves before posting a respectable 7 point ride. Andy answered back with a negligable wave, before Sean scored an 8.3 on a smoker, that was, to most of the crowd, harshly underscored. Andy stroked into the wave behind, did a nice jam on his first turn and got slowed down a bit on the second, depositing him at the bottom of the wave for a critical barrel section, which he made and then went down. His score came up a 9.93, the crowd hissed their dissappointment at the judging panel. Local hero Holmsie needed a 7.61 to save it and with two minutes to run caught a set wave and carved it thrice and pulled into a barrel, then a floater to seal it off. But alas it was not to the judges liking and he only scored a 7. Frothing and disgust from the Supertubes crowd. Andy boosted a huge air with delight and whooped up the beach. The world champ had finally slipped one over the local hero.
'It's been a huge monkey on my back the last couple of years,' said the reigning world champ. 'Sean's an awesome competitor. He surfs one contest a year and he's got the thickest skin, he knows how to sit and wait for the good waves. I finally got him, he's got me two years in a row. Hopefully he retires this year and I don't have to deal with him next year. I even went bungee jumping yesterday just to take the edge off, it didn't really work, I was still pretty nervous. I'm just really glad it's over.'
Seano was magnanimous in what was a controversial defeat. 'Ja, it's always fun to surf Supertubes with only two guys in the water. The heat was difficult especially against the world champion, but I just want to say thanks to everybody on the beach, it's great to hear them from the water, even though they made me nervous on every turn hearing everybody scream. Thanks for all the support. It's not going to be easy for Andy, the wave always allows everybody to perform at their best, but he's a great surfer, his results will show it. Hopefully he can win the event and make me feel a bit better.'
Boo hoo, sobbed the local Supers groupies. 'Wha' do you care?' Said Alejandro the Uruguayan film maker, 'Ees jus' a contess. You prolly more cut up than Sean.'
Perry Hatchett, the international ASP head judge put this spin on it. 'We're looking for radical, controlled manouvers in the critical section, I guess the degree of difficulty and the commitment are the two major factors that go down. It's not really the length of ride or the amount of manouvers. It's where they're placed in the critical section and how radical they really are.'
Speaking about Andy and Sean's heat he said, 'I think it was actually a closer heat than what it ended up. Andy's best wave was a 9.93 and personally I don't think it was the best wave of the contest. I've seen better waves. I think the waves should have been a bit closer, within a point of each other. A few judges dropped tens and it went to a point and a half spread. And I actually commented to them that the wave had a bit more to allow at the end, to finish it correctly, it can't be a perfect wave to drop a 10 point ride on. At the end where Sean was chasing a 7.61, I think the 7 wasn't a bad score, but he should have needed less. To me there was only 0.1 or 0.2 in the heat, to be honest. I thought the 7 was good, but to me he shouldn't have been chasing a 7.61, I think the heat should have been much closer, within half a point. I commented to them at the end, as soon as the heat finished, that I thought the result was correct, very close, I could see it nearly going either way but just on the scoring side of things, I didn't agree with the 10s, I commented on how much was left in the wave and the wave should never have gone more than 9.5, and that I've seen two or three waves in this event that I liked better than that wave...'
Sometimes that's just the way the cookie crumbles. Hatchett reckons Irons won it anyway, by a millimeter or a mile is neither here nor there. Luckily Slater stormed into the next heat to cheer up the miffness that was lingering in the crowd. He outclassed the exciting wildcard Bede Durbidge with his trademark whitewater climbs and insanely long, section demolishing floaters, although Bede started to pull some very progressive moves out of the bag.
'I think he got a little frustrated cos the waves he was getting were smaller ones.' said Slater afterwards. 'I think he was thinking he had to bust a big air early on a wave and ride it through. He's pretty good at those things, I was waiting for him to bust one out and make it down the line. He could have got a big score.'
Not letting last year's J-Bay win get to his head, the Slater machine's attention is firmly trained on this year's proceedings. 'The board feels solid under my feet, I can't think too much about last year, that was just something that happened. And it was an amazing time, but I still got four heats in this contest that I want to try and win. So let's see what happens and focus on that now.'
As the sun carved long shadows behind the contest tower and the sets kicked in with the tide, Nathan Hedge destroyed Troy Brooks while Aussie veteran Shane Powell relegated the other Hobgood, CJ, to the long flight home, in the last minute. And just when the Saffa crowd were starting to moan and make meaningful glances towards the bars on J-Bay's main drag, Greg 'Big Foot' Emslie slipped into the water with Taj Burrow for the penultimate heat. The Foot as he is affectionately known to everyone here, surfed like man possessed, picking off his waves like an assassin and massacring them like a samurai. Taj came back and needed a 7+ ride on the last set of the heat, he gave it everything but the wave wasn't big enough. And so The Foot pushes through to the fourth round, keeping the crowd's spirits alive, while Taj slaps the water in disgust .
With Supers growing darker, knackered, sunburnt spectators trudged back to their cars. The lights from the fishing boats twinkled on the horizon and somebody let one rip. Another weird night in J-Bay for sure. Check you all later when Neptune delivers round four. -- Andy Davis
Billabong Pro Round Three Heats (1st>Rnd4; 2nd=17th receives US$4,225)
H1: Luke Hitchings (AUS) 13.0 def. Damien Hobgood (USA) 12.1
H2: Jake Paterson (AUS) 12.47 def. Kalani Robb (HAW) 11.83
H3: Lee Winkler (AUS) 16.0 def. Cory Lopez (USA) 15.17
H4: Mark Occhilupo (AUS) 14.84 def. Shane Beschen (USA) 12.67
H5: Michael Lowe (AUS) 13.16 def. Raoni Monteiro (BRA) 9.57
H6: Dean Morrison (AUS) 11.34 def. Nathan Webster (AUS) 10.77
H7: Richie Lovett (AUS) 16.07 def. Phil MacDonald (AUS) 14.93
H8: Andy Irons (HAW) 16.1 def. Sean Holmes (ZAF) 15.5
H9: Kelly Slater (USA) 15.6 def. Bede Durbidge (AUS) 12.83
H10: Peterson Rosa (BRA) 14.0 def. Tom Whitaker (AUS) 13.16
H11: Joel Parkinson (AUS) 17.73 def. Chris Davidson (AUS) 14.06
H12: Nathan Hedge (AUS) 15.1 def. Troy Brooks (AUS) 14.0
H13: Shane Powell (AUS) 15.5 def. CJ Hobgood (USA) 15.5
H14: Sunny Garcia (HAW) 16.4 def. Marcelo Nunes (BRA) 13.5
H15: Greg Emslie (ZAF) 15.67 def. Taj Burrow (AUS) 15.0
H16: Toby Martin (AUS) 12.33 def. Daniel Wills (AUS) 11.5
[ Dia 8 de Julho devia ter sido feriado.
Fausto Wolff cumpriu 64 anos.
Me perdoem se não sou capaz de devorar todos cadernos de cultura ou editoriais de opinião dos nossos jornais, mas que eu saiba ninguem comemorou - nem eu!
Fausto é um exército de mil homens só.
Viveu mais de 5000 anos e escreveu, escreve, sem parar, obras fundamentais para qualquer ser vertebrado que não se conforma com o estado das coisas.
Seus livros de contos são capazes de transformar um sujeito se lido na época certa - ou errada...
Já seu romance-tijolo auto-biográfico 'À mão esquerda' revira a vida da gente.
Até hoje me pego soltando lágrimas de tanto rir duma passagem do livro, a cena do ônibus.
Usam muito a palavra maldito para Fausto Wolff, mas ainda não li uma única palavra maldizendo o gigante, portanto não acredito na fama.
Capaz de ser apenas uma constatação do que ele vive escrevendo, roubaram nossa identidade, imprensa de merda, bando de medrosos, cachorrinhos assustados do Coiso.
Fausto não escreve mais em nenhum canto, mataram mais um dos que teimavam em publicá-lo, Pasquim 21, mas seus admiradores são guerreiros como ele e criaram um saite - www.faustowolff.org/ que
tomei a liberdade de linkar no título.
Sentado no Bar Lagoa bebendo meu chope, vi o gigante curvado com seu pesado fardo de ser Fausto e Wolff nas costas entrar com uma turma de amigos.
Bateu uma vontade tremenda de ir lá e apertar a mão do malandro.
Trouxa, não fui.
Arrependo, tinha na mochila o livrinho de poemas que comprei no sebo em Ipanema, Livros, livros e livros, 'Cem Poemas de Amor e uma Canção Despreocupada'- merecia um autógrafo pra mostrar pros filhos e netos.
Levantei meu copo em silêncio e brindei ao grande camarada.
Deixo abaixo mais um dos seus típicos textos, emprestado do saite.]
Fausto e Jaguar, quando não estão bebendo na dita cuja, dão uma uma de fonte pra turma.
Meu Nome é Santoro, aliás, Doutor Stockman!
Fausto Wolff
* George Wilson, um dos grandes diretores teatrais do século XX, disse-me há muitos anos que preferia Strindberg a Ibsen. Eu não iria tão longe. Pessoalmente, me identifico mais com o torturado sueco e jornalisticamente mais com o moralista norueguês. Por favor não entendam o moralismo como obediência às convenções morais da sua época mas como transformação das hipocrisias morais que dominam o mundo até hoje. A verdade é que ambos foram os maiores dramaturgos do seu tempo. Oscar Wilde e suas frases de efeito não davam nem para a saída. Ambos pesos pesados. Como Bing Crosby que deu o azar de ser contemporâneo de Sinatra, Strindberg deu o azar de ser contemporâneo de Ibsen. Enquanto o último vociferava contra o norueguês, um pouco mais velho, Ibsen que, apesar da sólida aparência burguesa tinha humor, dizia: “Tenho um retrato do maluco Strindberg na parede em frente à minha escrivaninha. Ele me inspira.”
* Um dos textos mais revolucionários de Ibsen chama-se O Inimigo do Povo e conta a história de um médico que retorna à sua cidade natal, uma espécie de Caxambu, casado e com filhos. Seu irmão, prefeito, arranja-lhe um lugar como diretor geral dos estabelecimentos termais. Não demora muito para o doutor Stockman, este o nome do médico, descobrir que as águas da cidade-balneario para a qual ocorrem doentes de todo o país, em vez de curar, matam. Informa a descoberta ao irmão que ordena que ele se cale. Criado o conflito e perseguido pela consciência, Stockman procura o partido adversário que combate o irmão e é muito bem recebido. Claro, eles denunciarão a farsa e o prefeito terá de se explicar. Antes que a coisa exploda o prefeito reúne-se com a oposição e se explica.: cidade é rica por causa dos estabelecimentos termais e do dinheiro que os pacientes nela descarregam. Como não se trata de uma cidade nem industrial e nem agrícola, logo todos os comerciantes estarão na miséria. Para resumir uma longa história: Stockman, apesar dos seus discursos em praça pública, é escorraçado da cidade com a sua família. O homem mais só é aquele que ousa dizer a verdade.
* Nos meus quase cinqüenta anos de jornalismo não apenas senti na pele o sofrimento do dr. Stockman como a vivenciei ano a ano pois o Brasil, notadamente, de 1964 para cá vem sendo governado pela mentira e pela hipocrisia. Desde os seus primórdios o PT tomou o lugar dos comunistas e – embora ninguém falasse – todos, eu inclusive, acreditaram que se tratava de um partido de esquerda. Exilados da alta classe média e da alta burguesia, intelectuais idealistas, juntaram-se à volta de um líder sindical operário que se tornaria o símbolo da justiça social. Nesse meio tempo o PT foi crescendo e seus líderes enriquecendo. A classe média – cuja única ideologia é agarrar-se nas raízes para não ser levada pelo caudaloso rio do proletariado que entre nós se chama miserabilidade mesmo – votou contra o PT enquanto pôde. Fernando Henrique Cardoso, ex-socialista que fundou o PSDB pois não queria sujar as mãos com certos elementos do PMDB, logo mostrou a que veio Praticamente acabou com o pequeno empresariado, privatizou nossas riquezas, aumentou a dívida externa e o déficit interno, desempregou milhões de pessoas e acelerou o processo de criminalização entre os mais pobres, enfim, um genocida, um cabo Anselmo protegido por um diploma e dono de nauseabunda vaidade. Não tendo outra opção a classe média votou em Lula e os miseráveis, a grande maioria, a acompanhou.
* Seria redundante dizer que, no governo, de positivo o PT ainda não fez nada. De negativo: aumentou os juros, tirou o dinheiro dos aposentados, congelou os salários, deu carta branca aos banqueiros, escancarou as portas para as transnacionais, cobriu os calotes dessas mesmas transnacionais, deixou a inflação não indexada correr solta diminuiu o PIB e a renda per capita, diminuiu a cesta básica mas aumentou o seu preço, expulsou os que acreditaram no programa socializador do partido e juntou-se aos seus piores inimigos de ontem que podem ser sintetizados nos nomes de Antonio Carlos Magalhães, José Sarney e Jader Barbalho, todos com contas a ajustar com a o Ministério Público que no Brasil, infelizmente, só é especialista em ver pobres roubando pão. Pagamos salários triplos para deputados e senadores se reunirem durante a recessão e nada de importante foi votado. O resto é nada de reforma agrária, nada na saúde, na segurança, na educação, nos transportes e ponham mais centenas de itens, todos com fome, nesta lista de ausências. Apesar da arrogância da maioria dos ministros e detentores de cargos nos mais altos escalões, tornou-se óbvio que este governo não tem um plano e se o têm prefere obedecer as ordens do FMI a cumpri-lo. O mínimo que se pode dizer é que se trata de um governo incompetente e o máximo é que antes das eleições já se acertara com o Consenso de Washington. Não creio na segunda hipótese, exatamente, pelo fato do governo não entender-se entre si e qualquer combinação com os americanos já teria vazado. Como fiz campanha para Lula, como me emocionei às lágrimas com a sua vitória, só posso ficar torcendo embora já saiba que em abril aumentarão em 25% os medicamentos, o café, o óleo de soja, a farinha de trigo e, em menor escala, mas que afetará o aumento geral de preços, o combustível. Centenas de estabelecimentos comerciais fecharam as portas só no meu bairro, Copacabana e logo mais seis mil taxis estarão rodando pelas ruas da cidade. Rodando para quem? Enquanto isso, as portas do crime organizado – a Igreja dos pastores vigaristas e o tráfico – continuam com as portas escancaradas. A grande imprensa, sempre sócia do poder, principalmente, agora, que a poderosa TV Globo corre o risco de quebrar, dá uma no ferro e outra na ferradura. Como a oposição mínima, se diverte.
* Todos sabem do gravíssimo caso Waldomiro e dos esforços do PT e “aliados” para evitar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para ver se Waldomiro é o único facínora do país. Aparentemente, o caso foi resolvido com a descoberta de uma fita na qual o sub-procurador-geral da república, José Roberto Santoro, interroga o poderoso chefe da máfia Carlinhos Cachoeira em termos nada diplomáticos. Aparentemente todos queriam que Santoro usasse uma linguagem de segundo secretário do Itamaraty para obter a fita que comprovava os ilícitos, para dizer pouco, de Waldomiro. Coincidentemente, o “escândalo” foi denunciado pelo Jornal Nacional, da Globo que, quando lhe convêm, até faz jornalismo. Aparentemente, para todo o mundo, os maus modos de Santoro invalidam o fato de houve tentativa de suborno e provam igualmente que Waldomiro não cometeu nenhum ato ilícito. Deixam claro que a Gtech é uma empresa idônea e que não houve envolvimento de nenhum membro do governo, do contínuo ao supremo ministro Dirceu. Todos respiram aliviados e cai o pano.
* O Globo deu uma aula aos estudantes de jornalismo (esses que acham que Tiradentes foi torturado pelo DOI CODI) de como não fazer jornalismo numa pequena nota editorial, tão bem escrita que a transcrevo na íntegra:
“É grave a partidarização do Ministério Público, como a de qualquer função do estado. O problema já havia sido detectado no governo passado quando a associação entre procuradores militantes e redações pouco éticas atropelou os direitos civis e outras garantias institucionais. O desafio é como tratar esses desvios. Há quem proponha o mercado drástico da Lei da Mordaça, caso exemplar da prescrição que mata o doente. Normas e regulamentos devem ser revistos, se for o caso, para coibir com eficiência, o uso discricionário do poder do Estado contra o cidadão. Mas é importante manter as prerrogativas do Ministério Público arma eficaz de combate ao crime organizado, à corrupção e à infiltração de ambos no poder político.”
* Confesso que nem Gerald Thomas, especialista em transformar o nada e suas nádegas em forma de arte, conseguiria dizer nada com tamanha elegância. Enfim, pelo que entendi, O Globo acha que é preciso coibir o uso do poder discricionário do Estado contra o cidadão (Naya? Lalau? Estevão?, Eduardo Jorge?) mas manter as prerrogativas do Ministério Público. Enfim, não acha pn pois o caso já foi esclarecido com os maus modos de Santoro. Santoro é o novo doutor Stockman: com raríssimas exceções todos acham no mínimo deplorável a sua atitude e no máximo que deveria ser aposentado. Não passaria de um pau mandado do PSDB infiltrado na Justiça.
* Como pelo menos 50% dos leitores de O Globo são seres pensantes, seus melhores colunistas têm uma larga margem de independência como é o caso do excelente repórter e bom estilista, Merval Pereira Ele se encarregou de botar um pouco de água fria na fervura preparada para assar vivo o novo dr. Stockman, o Santoro. Segundo ele, e é verdade, Santoro atuou no Espírito Santo e foi fundamental no combate ao narcotráfico no qual até o ministro da Justiça estava envolvido. Convidado para ser secretário de Segurança pelo governador Paulo Hartung, declinou. Santoro (do PSDB, é?) foi autor do único processo que corre contra Serra devido à PROER (Programa de Restauração dos Bancos- é de morrer de rir) e é graças a Santoro que o Ministério Público está processando não só Serra como Malan e outros diretores do Banco Central da época. No Mato Grosso do Sul, Santoro não deu trégua aos deputados estaduais tucanos envolvidos em corrupção. Jáder Barbalho foi preso a mando da justiça federal de Tocantins no curso de uma investigação sobre a SUDAM coordenada por quem? Por ele mesmo, pelo inimigo público n. 1, Stockman Santoro.
* No Brasil, todos os dias, milhares de pobres desgraçados são torturados durante os interrogatórios e ninguém faz nada. Stockman Santoro está sendo crucificado por que interrogou um poderoso chefão de madrugada usando métodos dialéticos inaceitáveis. Como se o bandido fosse uma madre Teresa de Calcutá.
A popularidade do governo caiu muito mas a figura de Lula, como Salvador, está tão cristalizada na alma e no coração da maioria dos brasileiros que sua popularidade caiu bem menos que o esperado. O que Lula tem a fazer, agora que já descobriu que não pode governar com os “aliados” e caso tenha realmente a consciência limpa, como acredito, é dar o nihil obstat para a CPI da Corrupção incluindo todos os outros governos a partir dos cinco anos de corrupção de Sarney. Isso calará a boca dos golpistas. Muitos dirão: as CPIs não dão em, nada e servem apenas para deputados e senadores brilharem na TV. Pode ser mas nesse caso por que não vender o resto do Brasil?
PS – Não entendi o riso de José Dirceu em todas as primeiras páginas do Brasil. Também não entendi porque o O Globo em vez de dar em manchete a sua demissão da coordenadoria política a deu na sexta linha de uma nota de uma coluna cujo título é “Bastos Defende Controle Externo do MP”. Por outro lado, burro velho que sou, provavelmente, já não sei como se faz jornalismo. Também podem me chamar de doutor Stockman.
Fausto Wolff
segunda-feira, julho 12, 2004
Tempestade em Copo d’água 137
(Nessa altura ninguem mais aguenta ler que Tempestade em copo d'água é uma calúnia que mantenho na revista Surf Portugal, mas insisto, pois sempre aparece um desavisado.)
O primeiro registo gráfico de uma prancha de surfe é o desenho de um artista francês chamado Pellion, de 1819. Pelo menos é o que nos diz Tom Blake no seu indispensável livro, Hawaiian Surfriders, de 1935. Deitada no chão da aldeia, a prancha poderia passar por um modelo revolucionário, moderníssimo, se anunciada pela marca certa, com devida publicidade e embalada para impressionar a horda de trouxas. Trata-se de uma pranchinha pequenina – embora a perspectiva do desenho possa enganar – muito parecida com uma de tow-in ou wakeboard.
Neste últimos 40 anos, a nossa relação com esses objectos fálicos, que também servem para varar ondas, por baixo, por dentro e, finalmente, pelo alto, tem-se alterado em ciclos, feito a menstruação das mocinhas que agora dividem águas connosco, numerosas e bem-vindas. Passámos de mais de 10 pés de comprimento, nos anos 50, para 8 pés em meados de 60. Reduzimos ainda mais um pouco, para 7 pés, nos 70. Cortámos drasticamente para 5 pés nos 80. Até que os anos 90, a década da contenção sexual, viram as nossas amadas caírem num tremendo bacanal, com a volta das pranchas de 10 pés, por via do renascimento do longboard, a conviver com a invencibilidade as de 6 pés no surfe competitivo e com o revivalismo das singles, twinnies, fishes e sei-lá-o-quê-mais.
Tom Blake e seu compadre, Duke, exprimentando a última novidade que Rico trouxe para o Brasil depois de sua 100253ª viagem ao Havaí
Do alto dos meus 36 aninhos, aponto abaixo três momentos que mudaram a forma do surfe ser encarado e interpretado nestes últimos 23 anos de permanentes dúvidas entre a minha Hannon 9’11” circa 64, a Russo 5’6” de 83, a Henneck 5’11” de 2004, ou a Ricardo Martins 6’0” swallow de 1990.
Bells Beach, 1980. Mark Richards caminhava certeiro para seu segundo título mundial em 1980, livre, leve e solto na sua twin-fin, seguido de perto por Rabbit Bartholomew, Shaun Tomson e Dane Kealoha, todos em duas quilhas. Entretanto, um gigante chamado Simon Anderson – surfista que deu os seus primeiros passos aquáticos na praia de Nat Young – insatisfeito com seus resultados no circuito mundial da IPS (NR: International Professional Surfers, a antecessora da ASP), onde não conseguia uma única vitória desde que ganhara o Bells e o Coke em 1977, resolve que não irá continuar a ser escravo nem da monoquilha e, muito menos, da maldita biquilha, incapaz de conter seu poderoso surfe fincado no pivô do seu pé de trás. Tenta então um novo desenho de prancha com três quilhas estrategicamente colocadas para tentar conciliar a firmeza das single-fins com a versatilidade das duas quilhas. Pois o imenso surfista, munido do seu novo objecto, atropela todos adversários num Bells monstruoso e, semanas depois, vence o Coke em condições penosas de tão pequenas, deixando o resto do mundo a pensar que diabos andavam todos fazendo com aquelas jacas?
Big Simon num raro momento sem uma latinha de cerveja na mão
A imprensa, sempre desconfiada, questiona se o novo modelo realmente funcionaria nas ondas havaianas, o teste final. Por via das dúvidas, Simon ganha o Pipe Masters e termina em sexto no ranking de 81. Diz a lenda que na mesmíssima tarde da final do Masters, havia competidores de todo o mundo a gastarem seus parcos dólares (o circuito ainda não era um clube de milionários e para milionários) em telefonemas intercontinentais para os seus shapers dizendo: “Sabe tudo o que fizemos até agora? Esquece. Voltámos à estaca zero!” Dizem os factos que em 1982 mais de dois terços dos top 16 usavam três quilhas e que em 83, Tom Carroll, com um surfe totalmente baseado na força – uma característica da triquilha – torna-se o primeiro goofy a sagrar-se campeão mundial.
Curren na sua interpretação predileta: M.P.
França, 1990, Lacanau Pro. Logo após ter falhado no Japão o único título que para sempre há-de lhe faltar, o do campeão mundial amador (perdeu para o taitiano ex-jogador de futebol, Heifara Tahutini) Kelly Slater caminha apressado com uma pranchinha absurdamente estreita e fina pela área dos competidores, preparando-se para a semi-final com seu maior ídolo e, então, líder do circuito da ASP, Tom Curren. Até àquele momento, Slater fizera um verdadeiro estrago em Lacanau. Com um repertório de manobras inovador, batera Pottz e Wood, marcando as maiores médias do evento. O encontro com Curren precedia um anunciado confronto da nova ordem contra a velha. Curren tinha 26 anos (!), Slater 18… Tom Curren moeu Slater com sua famosa Maurice Cole 6’0”, super larga e grossa, o inverso do biscoitinho que o futuro hexa-campeão do mundo voava e rodava por aí. Dali em diante, ficou estabelecido, depois de quase dez anos, que existiriam duas vertentes no circuito mundial e, por consequência, em todo planeta: o new school das pranchinhas sensíveis e bobas contra o power surf das pranchas mais firmes e positivas. De um lado, Sunny, Egan, Occy, Pottz, Curren, Elkerton. Do outro, Slater, Dorian, Machado, Herring, Powell.
Bawa, Indonésia, por volta de 92. 10 a 12 pés de onda grossa para direita. Curren dropa com o centro de gravidade mais baixo do que o normal, vira com controle absoluto, agachadinho na prancha. Em seguida, entuba profundamente e some por três ou mais segundos e reaparece, glorioso, no rabo da onda, dançando extasiado… Nos seus pés, uma 5’8” shapada por Tom Petersos, irmão de uma de suas maiores influências, Michael Peterson. As imagens no vídeo da série The Search, campanha publicitária do seu patrocinador da altura, a Rip Curl (com quem, entretanto, assinou novamente este ano), eram, e continuam sendo, impressionantes. Tudo era possível a partir dali. Desde que Cheyne Horan tentara (e conseguira!), surfar Waimea Bay com uma 5’6” nos anos 80, ninguém tinha ousado tanto. Mas desta vez não se tratava somente de descer a onda, e sim de a surfar com o mesmo objectivo do equipamento adequado: arrepiar!
Assim foi anunciada a chegada do pós-modernismo ao mundo do poliuretano e fibra de vidro, abrindo caminho para a diversidade dos anos 90. Uma era onde o surfista, fosse ele um obstinado profissional ou um veraneante ocasional, passou a buscar nas pranchas velhas, referências e possibilidades para o século que virava a esquina. Skip Frye voltou à carga e, de Kelly a Irons, quem não provasse que se adaptava a qualquer prancha, assim como a qualquer tipo de condições de mar, não seria um surfista completo. O limite já não era mais o tamanho da prancha, mas o tamanho da criatividade.
O Rei com os Blues Brothers (Que falta faz o Belushi...dois coelhos e uma cajadada)
'Soul is when you take a song and make it part of you - a part that's so true, so real...it's like eletricity; we don't really know wht it is, do we ?
But it's a force that can light a room...'
Perdemos o maior de todos.
Minha homenagem vai nos textos de duas referências na crítica de cinema: Francis e Pauline Kael.
Cada um dá o que pode.
The Horror, the horror...
nascido em 3 Abril de 1924
Omaha, Nebraska,EUA
morto em 1 Julho 2004
Los Angeles, California, EUA
(FSP, 19/07/90) (*Diário da corte, coluna semanal de Paulo Francis) Brando, Marlon - Brando foi um dos homens mais bonitos do século. Sua beleza está registrada indelevelmente em filmes como Espíritos indômitos, The men, e Uma rua chamada Pecado. A street-car named Desire. Brando tinha movimentos de felino. Ele sempre disse que foi o fato de lhe quebrarem o nariz, numa luta de boxe, entortando-o, que o fez ter um rosto diferente. Waaal, os traços dele são muito bons, os olhos são fundos e, claro, talento não se explica. Queimava o resto do elenco em Espíritos indômitos pelo simples ato de olhar para eles. Em uma rua chamada Pecado, quando o estão gozando por suas maneiras rudes, ele dá com a mão num prato e, já observei várias vezes, apesar de o filme ser em preto e branco, ele fica pálido de raiva. É a extraordinária capacidade de auto-introspecção de Brando e sua capacidade de projetá-la que o tornaram unicamente célebre. Ele não precisava fazer nada, apenas ser em cena.
P.F.
STELLLLLAAAAAAHHHH!!!!
Marlon Brando: An American Hero
by Pauline Kael
The history of the motion-picture industry might be summed up as the development from the serials with the blade in the sawmill moving closer and closer to the heroine's neck, to modern movies with the laser beam zeroing in on James Bond's crotch. At this level, the history of movies is a triumph of technology. I'm not putting down this kind of movie: I don't know anybody who doesn't enjoy it more or less at some time or other. But I wouldn't be much interested if that were the only kind of movie, any more than I'd be interested if all movies were like Last Year at Marienbad or The Red Desert or Juliet of the Spirits. What of the other kinds?
While American enthusiasm for movies has never been so high, and even while teachers prepare to recognize film-making as an art, American movies have never been worse. In other parts of the world there has been a new golden age: great talents have fought their way through in Japan, India, Sweden, Italy, France; even in England there has been something that passes for a renaissance. But not here: American enthusiasm is fed largely by foreign films, memories, and innocence. The tragic or, depending on your point of view, pitiful history of American movies in the last fifteen years may be suggested by a look at the career of Marlon Brando.
It used to be said that great clowns, like Chaplin, always wanted to play Hamlet, but what happens in this country is that our Hamlets, like John Barrymore, turn into buffoons, shamelessly, pathetically mocking their public reputations. Bette Davis has made herself lovable by turning herself into a caricature of a harpy--just what, in one of her last good roles, as Margo Channing in All About Eve, she feared she was becoming. The women who were the biggest stars of the forties are either retired, semi-retired, or, like Davis, Crawford, and DeHavilland, have become the mad queens of Grand Guignol in the sixties, grotesques and comics, sometimes inadvertently.
Marlon Brando's career indicates the new speed of these processes. Brando, our most powerfuI young screen actor, the only one who suggested tragic force, the major protagonist of contemporary American themes in the fifties, is already a self-parodying comedian.
I mean by protagonist the hero who really strikes a nerve--not a Cary Grant who delights with his finesse, nor mushy heart-warmers like Gary Cooper and James Stewart with their blubbering sincerity (sometimes it seemed that the taller the man, the smaller he pretended to be; that was his notion being "ordinary" and "universal" and "real") but men whose intensity on the screen stirs an intense reaction in the audience. Not Gregory Peck or Tyrone Power or Robert Taylor with their conventional routine heroics, but James Cagney or Edward G. Robinson in the gangster films, John Garfield in the Depression movies, Kirk Douglas as a post-war heel. These men are not necessarily better actors, but through the accidents of casting and circumstances or because of what they themselves embodied or projected, they meant something important to us. A brilliant actor like Jason Robards, Jr., may never become a protagonist of this kind unless he gets a role in which he embodies something new and relevant to the audience.
Protagonists are always loners, almost by definition. The big one to survive the war was the Bogart figure--the man with a code (moral, aesthetic, chivalrous) in a corrupt society. He had, so to speak, inside knowledge of the nature of the enemy. He was a sophisticated, urban version of the Westerner who, classically, knew both sides of the law and was tough enough to go his own way and yet, romantically, still do right.
Brando represented a reaction against the post-war mania for security. As a protagonist, the Brando of the early fifties had no code, only his instincts. He was a development from the gangster leader and the outlaw. He was antisocial because he knew society was crap; he was a hero to youth because he was strong enough not to take the crap. (In England it was thought that The Wild One would incite adolescents to violence.)
There was a sense of excitement, of danger in his presence, but perhaps his special appeal was in a kind of simple conceit, the conceit of tough kids. There was humor in it--swagger and arrogance that were vain and childish, and somehow seemed very American. He was explosively dangerous without being "serious" in the sense of having ideas. There was no theory, no cant in his leadership. He didn't care about social position or a job or respectability, and because he didn't care he was a big man; for what is less attractive, what makes a man smaller, than his worrying about his status? Brando represented a contemporary version of the free American.
Because he had no code, except an aesthetic one--a commitment to a style of life--he was easily betrayed by those he trusted. There he was, the new primitive, a Byronic Dead-End Kid, with his quality of vulnerability. His acting was so physical--so exploratory, tentative, wary--that we could sense with him, feel him pull back at the slightest hint of rebuff. We in the audience felt protective: we knew how lonely he must be in his assertiveness. Who even in hell wants to be an outsider? And he was no intellectual who could rationalize it, learn somehow to accept it, to live with it. He could only feel it, act it out, be "The Wild One"--and God knows how many kids felt, "That's the story of my life."
Brando played variations on rebel themes: from the lowbrow, disturbingly inarticulate brute, Stanley Kowalski, with his suggestions of violence waiting behind the slurred speech, the sullen Ace, to his Orpheus standing before the judge in the opening scene of The Fugitive Kind, unearthly, mythic, the rebel as artist, showing classic possibilities he was never to realize (or has not yet realized).
He was our angry young man--the delinquent, the tough, the rebel--who stood at the center of our common experience. When, as Terry Malloy in On the Waterfront, he said to his brother, "Oh Charlie, oh Charlie . . . you don't understand. I could have had class. I could have been a contender. I could have been somebody, instead of a bum--which is what I am," he spoke for all our failed hopes. It was the great American lament, of Broadway, of Hollywood, as well as of the docks.
I am describing the Brando who became a star, not the man necessarily, but the boy-man he projected, and also the publicity and the come-on. The publicity had a built-in ambivalence. Though the fan magazines might describe him alluringly as dreamy, moody, thin-skinned, easily hurt, gentle, intense, unpredictable, hating discipline, a defender of the underdog, other journalists and influential columnists were not so sympathetic toward what this suggested.
It is one of the uglier traditions of movie business that frequently when a star gets big enough to want big money and artistic selection or control of his productions, the studios launch large-scale campaigns designed to cut him down to an easier-to-deal-with size or to supplant him with younger, cheaper talent. Thus, early in movie history the great Lillian Gish was derided as unpopular in the buildup of the young Garbo (by the same studio), and in newspapers all over the country, Marilyn Monroe, just a few weeks before her death, was discovered to have no box-office draw. The gossip columnists serve as the shock troops with all those little items about how so-and-so is getting a big head, how he isn't taking the advice of the studio executives who know best, and so forth.
In the case of Brando, the most powerful ladies were especially virulent because they were obviously part of what he was rebelling against; in flouting their importance, he might undermine their position with other new stars who might try to get by without kowtowing to the blackmailing old vultures waiting to pounce in the name of God, Motherhood, and Americanism. What was unusual in Brando's case was the others who joined in the attack.
In 1957, Truman Capote, having spent an evening with Brando and then a year writing up that evening (omitting his own side of the conversation and interjecting interpretations), published "The Duke in His Own Domain" in the New Yorker. The unwary Brando was made to look public ass number one. And yet the odd thing about this interview was that Capote, in his supersophistication, kept using the most commonplace, middlebrow evidence and arguments against him--for example, that Brando in his egotism was not impressed by Joshua Logan as a movie director. (The matter for astonishment was that Capote was--or was willing to use anything to make his literary exercise more effective.) Despite Capote's style and venomous skill, it is he in this interview, not Brando, who equates money and success with real importance and accomplishment. His arrows fit snugly into the holes they have made only if you accept the usual middlebrow standards of marksmanship.
It was now open season on Brando: Hollis Alpert lumbered onto the pages of Cosmopolitan to attack him for not returning to the stage to become a great actor--as if the theater were the citadel of art. What theater? Was Brando really wrong in feeling that movies are more relevant to our lives than that dead theater which so many journalists seem to regard as the custodian of integrity and creativity? David Susskind was shocked that a mere actor like Brando should seek to make money, might even dare to consider his own judgment and management preferable to that of millionaire producers. Dwight Macdonald chided Brando for not being content to be a craftsman: "Mr. Brando has always aspired to something Deeper and More Significant, he has always fancied himself as like an intellectual"--surely a crime he shares with Mr. Macdonald.
If he had not been so presumptuous as to try to think for himself in Hollywood and if he hadn't had a sense of irony, he could have pretended--and convinced a lot of people--that he was still a contender. But what crown could he aspire to? Should he be a "king" like Gable, going from one meaningless picture to another, performing the rituals of manly toughness, embracing the studio stable, to be revered, finally, because he was the company actor who never gave anybody any trouble? Columnists don't attack that kind of king on his papier-mache throne; critics don't prod him to return to the stage; the public doesn't turn against him.
Almost without exception, American actors who don't accept trashy assignments make nothing, not even superior trash. Brando accepts the trash, but unlike the monochromatic, "always dependable" Gable, he has too much energy or inventiveness or contempt just to go through the motions. And when he appears on the screen, there is a special quality of recognition in the audience: we know he's too big for the role.
Perhaps, as some in picture business say, Brando "screws up" his pictures by rewriting the scripts; certainly he hasn't been very astute in the directors and writers he has worked with. What he needed was not more docility, but more strength, the confidence to work with young talent, to try difficult roles. But he's no longer a contender, no longer a protagonist who challenges anything serious. Brando has become a comic.
The change was overwhelmingly apparent in the 1963 Mutiny on the Bounty, which, rather surprisingly, began with a miniature class conflict between Brando, as the aristocratic Fletcher Christian, and Trevor Howard, as the lowborn Captain Bligh, who cannot endure Christian's contempt for him. Brando played the fop with such relish that audiences shared in the joke; it was like a Dead-End Kid playing Congreve. The inarticulate grunting Method actor is showing off, and it's a classic and favorite American joke: the worm turns, Destry gets his guns, American honor is redeemed. He can talk as fancy as any of them, even fancier. (In the action sequences he's uninteresting, not handsome or athletic enough to be a stock romantic adventure hero. He seems more eccentric than heroic, with his bizarre stance, his head held up pugnaciously, his face unlined in a peculiar bloated, waxen way. He's like a short, flabby tenor wandering around the stage and not singing: you wonder what he's doing there.) .
In The Ugly American (1963) once again he is very funny as he sets the character--a pipe-smoking businessman-ambassador who parries a Senate subcommittee with high-toned clipped speech and epigrammatic sophistication. When he plays an articulate role, it is already rather a stunt, and in this one he is talking about personal dignity and standards of proper behavior. His restraint becomes a source of amusement because he is the chief exponent of the uncouth, the charged. Even his bull neck, so out of character, adds to the joke His comedy is volatile. It has the unpredictable element that has always been part of his excitement at any moment we may be surprised, amazed. When he submerges himself in the role, the movie dies on the screen.
Brando is never so American as when his English or foreign accent is thickest. It's a joke like a child's impersonation of a foreigner, overplaying the difference, and he offers us complicity in his accomplishments at pretending to be gentlemen or foreigners. What is funny about these roles is that they seem foreign to the Brando the audience feels it knows. When he does rough, coarse American serviceman comedy, as in Bedtime Story, he is horribly nothing (except for one farcical sequence when he impersonates a mad Hapsburg). Worse than nothing, because when his vulnerability is gone, his animal grace goes too, and he is left without even the routine handsomeness of his inferiors.
He had already implicated us in his amusement at his roles earlier in his career, in 1954 with his Napoleon in Desiree, in 1957 with his hilarious Southern gentleman-officer in Sayonara, but these could still be thought of as commercial interludes, the bad luck of the draw. Now he doesn't draw anything else. Is it just bad luck, or is it that he and so many of our greatest talents must play out their "creative" lives with a stacked deck?
It is easy these days to "explain" the absence of roles worth playing by referring to the inroads of television and the end of the studio system. Of course, there's some truth in all this. But Brando's career illustrates something much more basic: the destruction of meaning in movies; and this is not a new phenomenon, nor is it specially linked to television or other new factors. The organic truth of American movie history is that the new theme or the new star that gives vitality to the medium is widely imitated and quickly exhausted before the theme or talent can develop. The industry makes tricks out of what was once done for love.
What's left of the rebel incarnate is what we see of Brando in the 1965 Morituri: his principal charm is his apparent delight in his own cleverness. Like many another great actor who has become fortune's fool, he plays the great ham. He seems as pleased with the lines as if he'd just thought them up. He gives the best ones a carefully timed double take so that we, too, can savor his cleverness and the delight of his German accent. And what else is there to do with the role? If his presence did not give it the extra dimension of comedy, it would be merely commonplace.
In Morituri all we need is one look at the cynical aesthete Brando in his escapist paradise, telling us that he's "out of it," that war never solves anything, and we know that he's going to become the greatest warrior of them all. It can be argued that this hurdle of apathy or principle or convictions to be overcome gives a character conflict and makes his ultimate action more significant. Theoretically, this would seem to explain the plot mechanism, but as it works, no matter how absurd the terms in which the initial idealism or cynicism or social rejection is presented (as in such classic movie examples of character reformation as Casablanca, To Have and Have Not, Stalag 17), it is the final, socially acceptable "good" behavior which seems fantasy, fairy tale, unbelievable melodrama--in brief, fake. And the initial attitudes to be overcome often seem to have a lot of strength; indeed, they are likely to be what drew us to the character in the first place, what made him pass for a protagonist.
In Morituri, as in movies in general, there is rarely a difference shown, except to bring it back to the "norm." The high-minded, like the Quakers in High Noon or Friendly Persuasion, are there only to violate their convictions. They must be brought down low to common impulses, just as the low cynical materialists must be raised high to what are supposed to be our shared ideals. This democratic leveling of movies is like a massive tranquilizer. The more irregular the hero, the more offbeat, the more necessary it is for him to turn square in the finale.
Brando's career is a larger demonstration of the same principle at work in mass culture; but instead of becoming normal, he (like Norman Mailer) became an eccentric, which in this country means a clown, possibly the only way left to preserve some kind of difference.
When you're larger than life you can't just be brought down to normalcy. It's easier to get acceptance by caricaturing your previous attitudes and aspirations, by doing what the hostile audience already has been doing to you. Why should Bette Davis let impersonators on television make a fool of her when she can do it herself and reap the rewards of renewed audience acceptance?
Perhaps Brando has been driven to this self-parody so soon because of his imaginative strength and because of that magnetism that makes him so compelling an expression of American conflicts. His greatness is in a range that is too disturbing to be encompassed by regular movies. As with Bette Davis, as with John Barrymore, even when he mocks himself, the self he mocks is more prodigious than anybody else around. It's as if the hidden reserves of power have been turned to irony. Earlier, when his roles were absurd, there was a dash of irony; now it's taken over: the nonconformist with no roles to play plays with his roles. Brando is still the most exciting American actor on the screen. The roles may not be classic, but the actor's dilemma is.
Emerson outlined the American artist's way of life a century ago--"Thou must pass for a fool for a long season." We used to think that the season meant only youth, before the artist could prove his talent, make his place, achieve something. Now it is clear that for screen artists, and perhaps not only for screen artists, youth is, relatively speaking, the short season; the long one is the degradation after success.